domingo, 6 de junho de 2010

JUNHO NO CALENDÁRIO... ÉPOCA DE FESTA


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Junho no calendário. O palco está montado. Logo mais se apresentam os grandes santos que mesclam milagres com festas. Claro, a alegria das pessoas em agradecimento às graças alcançadas. Também, por tradição, decidiu-se que o tom é caipira, com músicas e trajes que evocam a vida no campo, a vida dos que labutam de sol a sol na faina de plantar e colher, de criar animais e produzir.
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A época é de forte censura. Carne vermelha é nefasta, ovos aumentam o colesterol, cigarro é nocivo, açúcar engorda, sal aumenta a pressão arterial. Os arautos da boa saúde, do mesmo modo que os anjos do apocalipse vão bradar contra todos os tipos de praga. Para eles o ideal seria viver em escuras cavernas, voltar à pré-história, conviver com os dinossauros. Mas, junho está aí. Época de dançar e cantar, rever a velha fogueira numa noite de luar intenso, sonhar e viver. E dar uma banana solene para os que praguejam contra a alegria.
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Mastros erguidos, no alto Santo Antônio, São João e São Pedro. Fogueiras ao redor, comidas típicas, canjica, cocada, arroz-doce, pipoca, batata-doce assada, bolos de milho e broas de fubá... Gosto bom de infância, brincadeiras de pular sobre as brasas e danças inocentes, quadrilha. .
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Algumas coisas ficaram para trás por imposição do politicamente correto, caso dos balões que enfeitavam os céus. Mudaram-se costumes, vieram outras atrações e um pouco do pecado da perdição. Mas sempre é possível se divertir e também orar, que os tempos são marotos, a vida difícil, muitas crises. E os santos abrem os braços para receber as súplicas e atender aos anseios humanos, desde que sejam justos.
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No mês de junho, comemoramos os 3 santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro. No dia 13 é comemorado o dia de Santo Antônio, conhecido como santo casamenteiro. A ele é atribuída uma série de graças matrimoniais. Já no dia 24, comemoramos o dia de São João, o santo mais festeiro dos três e as maiores festas ocorrem nesse dia. Ele é também um santo casamenteiro, mas é mais famoso por ajudar as pessoas a acharem objetos perdidos. São Pedro é comemorado no dia 29, suas festividades fecham as comemorações juninas e costuma ser a noite mais fria do ano. Ele é o guardião das portas do céu e também protetor das viúvas.
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Nessa época, muitas festas animam as comunidades espalhadas pelo Brasil. Os gaúchos costumam realizar a primorosa dança das fitas. No norte do país, o boi-bumbá exibe o capricho com que o povo da região preserva sua tradição. Já em muitas cidades do Centro-Oeste são apreciadas as danças do cururu acompanhadas por viola e ritmadas pelo sapateado e pelo canto cheio de rimas dos dançarinos. Na região Sudeste, o que mais se vê são as barraquinhas de quermesse que promovem sorteio de prendas e que vendem, além de algumas comidas típicas da época do Brasil agrícola - milho cozido, pinhão cozido, cuscuz, bolo de fubá -, iguarias que se popularizaram no país com a chegada dos imigrantes europeus, como quibe, esfiha e pizza.
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No Nordeste, os participantes de uma festa junina podem saborear doces brasileiros como o bolo de mandioca e tomar parte do popular forró que, com suas músicas alegres e contagiantes, faz todo mundo dançar. Atualmente, festas famosas atraem muitos turistas, como as de Caruaru, em Pernambuco; de Fortaleza, no Ceará; de Campina Grande, na Paraíba; e do Sesc Itaquera, em São Paulo.
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Recordo das festas juninas de outrora, e como é inevitável, comparo com as de agora. As festas juninas de tempos passados eram mais festas e menos comércio; as de hoje são mais comércio e menos festas. Lembro que meus tios tinham um sítio em Ribeirão Corrente, perto de Franca e para lá eu ia todos os anos, para a festa de São João. E em festa junina que se preze não pode faltar a quadrilha. Ela representa um casamento da roça. O casamento caipira surgiu como chacota aos casamentos clássicos. A noiva aparece grávida e seu pai obriga o moço a assumir a responsabilidade, fazendo-o casar com uma espingarda apontada para a cabeça. Essa história é muito engraçada, pois o pai da noiva tem todo o apoio do delegado da cidade, que é seu amigo. Durante a cerimônia o noivo, que está bêbado, tenta fugir, mas sem sucesso. Após o enlace os noivos puxam a dança da quadrilha.
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Certa vez, em uma dessas festas, fui convocado para ser o “padre”. Solenemente realizei o casamento, tudo brincadeira. Tempos depois um amigo confidenciou-me: “aqueles jovens que se conheceram naquela festa em que você fez o papel de padre, casaram-se, de verdade”. Coisas do destino...
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Mas, retomando o assunto, nas festas juninas no sítio de meus tios, no fim do dia, uma enorme fogueira já estava armada na frente da casa. Ao redor, bandeirolas e balões de papel colorido enfeitavam tudo. Os balões traziam inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como por exemplo, “Viva São João”, ou a outro santo qualquer comemorado nesta época. Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditavam que ao soltar um balão, se ele subisse sem nenhum problema, os desejos seriam atendidos, caso contrário (se o balão não alcançasse as alturas) era um sinal de azar. A tradição, mesmo nos dias de hoje, reza que os balões levam os pedidos dos homens até São João. Claro, não passa de crendices populares.
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Meus primos acendiam bombas e vulcões e eu ficava observando o brilho sair do chão para riscar o céu como estrelas que vão beijar o solo depois. Os cachorros latiam com medo do pipoco dos fogos, meu pai acendia os rojões para os meninos não queimarem os dedos e eu brincava com chuvas de prata, que acompanhavam meus movimentos circulares, como vaga-lumes prateados cruzando o ar. A fogueira consumia-se. E o sanfoneiro a tocar: “O baile lá na roça/Foi até o sol raiar/A casa estava cheia/Mal podia se andar! /Estava tão gostoso/Aquele reboliço/Mas é que o sanfoneiro/Só tocava isso! /De vez em quando alguém/Vinha pedindo pra mudar/O sanfoneiro ria/Querendo agradar! /Diabo é que a sanfona/Tinha qualquer enguiço!/Mas é que o sanfoneiro/Só tocava isso!
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Fogo alto, vermelho, um espetáculo bonito de se ver em meio a todo aquele breu. No dia seguinte, a manhã acordava com cheiro de pólvora dormida e cascas de amendoim espalhadas pelo chão. A fogueira ficava no ponto para assar milho e não faltava quem levasse sua espiga mais bonita, para vê-la avermelhar-se na brasa quente. Brasa vermelha, lembrança viva, é isso que sinto quando vejo as bandeirolas se erguerem novamente, riscando o céu nestas manhãs e noites de junho. Como a vida corre depressa na minha idade. Antigamente era uma eternidade. Ingênuo, eu rezava para que o tempo passasse rápido. Quem me dera soubesse o que sei hoje. Não teria tanta pressa...
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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33 comentários:

  1. Bom dia amigos (as) deste blog...
    Assim que o mês de junho começou, as festas juninas pipocaram nas escolas, clubes, praças, bairros e igrejas. E o mais gostoso para quem pode ir, nos sítios e fazendas do nosso interior, onde a sanfona rola solta e o quentão e a pipoca ditam o ritmo da festa. São celebrações de caráter religioso, porque festejam três santos: Antônio, João e Pedro. Também lembranças do início de nossa colonização. Por essa razão muito se fala em arraial e as crianças se vestem como caipiras, palavra que na língua indígena significa "o que mora no interior".

    Participem desta festa, comentem...

    Um bom domingo a todos!

    Um forte abraço...

    Edward de Souza

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  2. Edward, que delícia uma festa junina! Quando criança, na escola, neste mês de junho, lembro-me que a professora reuniu nosso grupo e formou uma quadrilha. Todas nós com vestidinhos quadriculados, rostinhos pintados e trancinhas, bem ao estilo da sertaneja. E felizes, ao som de uma sanfona, ou acórdeon, ainda não sei qual a diferença entre esses instrumentos musicais, dançamos e brincamos muito no pátio do colégio. Claro, tinha fogueira, pipoca, quentão, doces, vinho quente, tudo bem ao estilo de uma festa junina. Que saudades! Adorei sua postagem, que me trouxe todas essas recordações e ainda aprendi alguma coisa sobre festas juninas.

    Bjos, bom domingo!

    Gabriela - Cásper Líbero - SP.

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  3. Eu amo festas juninas, é o máximo! Na minha escola, quando criança eu participei de quadrilhas e gincanas, já até ganhei uma vez para ser “rainha da pipoca” (kkkkkkk). É super legal. Pena que proibiram os balões, davam um colorido muito especial a estas festas e o céu ficava todo enfeitado nas noites de Santo Antonio, São Pedro ou São João. Reconheço, antes que alguém me critique, que balões são mesmo perigosos e podem causar tragédias.

    Eu adoro festa junina…

    Michelle - Metodista - SBC - SP.

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  4. Bom dia, Edward!
    Achei ótimo seu texto falando de nossas festas juninas. Como bom paulistano, fui conhecer de perto uma festa junina quando tinha 15 anos, em São José do Rio Preto, onde tenho parentes. Meus primos e primas me levaram a um clube que promovia, em junho, uma festa junina. Cheguei meio assustado, ao ver toda aquela gente se vestindo de caipira. Umas meninas lindas, com rostos pintados, de trancinhas e eu todo metido a bacana numa festa de caipira. Logo me enturmei e entrei na brincadeira. Pulei fogueira, tomei quentão, vinho quente, comi pipoca e batata-doce e até espetinhos de carne de gato era servido(brincadeira). Nesta festa junina disseram que um dos países que influenciaram a Festa Junina no Brasil foi a França. Com isso, as festas herdaram as danças marcadas, uma dança característica dos nobres franceses, que por fim deu origem as quadrilhas. Sei não. Outros dizem que foram os portugueses, enfim........... Que é bom se divertir numa festa junina bem organizada, isso é.

    Edward, amigos e amigas, estou me despedindo. Sigo na terça-feira para a àfrica com meu pai, alguns parentes e amigos, onde vou acompanhar a Copa do Mundo. Amanhã não volto ao blog, tenho que correr para arrumar o que falta para levar nesta viagem. Mandei um e-mail para a Nivia, mas não houve resposta. Ela queria saber se eu poderia enviar alguma coisa da África. Fiquei sem saber como proceder, mas o que puder fazer, contem comigo, estou levando meu notebook, papai o dele, a gente se vira.

    Abçs a todos, até a volta,

    Juninho - SAMPA

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  5. Laércio H. Pintodomingo, 06 junho, 2010

    Essa sua crônica de domingo mexeu comigo, Edward. Apesar de morar há muitos anos em São Paulo, nasci e passei parte de minha juventude no interior, onde as festas juninas aconteciam em todos os cantos. Mês de junho era festa para nós naqueles tempos, tanto na cidade como na roça. Como eu gostava destas festas juninas. Foi numa delas que conheci uma linda garota de trancinhas e vestido de chita remendado. Dancei com ela, pulei a fogueira várias vezes e essa "caipirinha" está comigo até hoje e é mãe dos meus dois filhos. Como me esquecer da pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca e bolo de milho, por exemplo. Obviamente, existe outras delícias como: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente e batata doce. Naquela época, principalmente na roça, era tradição soltar balão, hoje em dia essa prática diminuiu muito, graças as leis que proibem soltar balões. Porque pode ocasionar em queimadas. Belas e doces recordações, meu caro, Edward. Parabéns pelo belo texto.

    Bom domingo

    Laércio H. Pinto - São Paulo - SP.

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  6. Estou me sentindo uma frustada porque nunca em minha vida participei de uma festa junina. Sei que aqui no Rio tem, em clubes e igrejas, mas ninguém jamais me convidou para ir a uma delas, que pena! Depois de ler sua crônica e alguns comentários, Edward, juro que neste mês de junho vou descobrir onde tem uma para poder ir. Tenho a impressão que vou gostar desta animação toda. Mas que deve ser melhor ainda uma festinha como essa num sítio ou fazenda, não resta a menor dúvida. É mesmo um local apropriado para todas estas brincadeiras que vc cita no texto, Edward, como fogueiras, fogos e comidas típicas. Não temos do que nos queixar neste mês de junho, não é? Festas juninas e Copa do Mundo. Parou o Brasil novamente (rsrsrsrsrs).

    Beijinhos, lindíssima essa página!

    Daniela - Rio de Janeiro

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  7. Daniela, penso que não fico atrás, estou também muito por fora destas festas juninas. Vc acredita que eu nem sabia os santos que são festejados? Lendo o texto do Edward soube que no dia 13 é o Santo Antônio, dia 24 São João e 29 São Pedro. Outra que fiquei sabendo é que festas juninas não são realizadas apenas nos dias destes santos, parece-me que o mês todo tem festas e o brasileiro gosta mesmo disso. Vou fazer como vc, Daniela, descobrir um bom clube onde tenha uma festa junina aqui pelo ABC, chamar umas coleguinhas e entrar na dança. Só tem muma coisa, vou ficar longe da fogueira, morro de medo.

    Bjos a todos,

    Tatiana - Metodista - SBC

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  8. Edward, que delícia de texto. Só faltou vc postar uma bela receita de mingau de milho verde ou cuscuz, como faz o João Batista quando escreve em seu blog (rsrsrsrsrs). Já fui em muitas festas juninas, adoro as brincadeiras. Meu tio tem uma fazenda no Mato Grosso e minhas primas, que moram lá, sempre me convidam. Quando vou em junho, organizam uma festa junina pra ninguém colocar defeito. Gente de todos os lados e os pratos, com mil iguarias, meu Deus, irresistíveis. Realmente, muito bom uma festa junina, adoro!

    Bj

    Talita - Unisantos - Santos - SP.

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  9. Que delícia de texto, Edward. Boas lembranças. Concordo com você quando diz que hoje é mais comercio, que comemoração. Ainda bem que pudemos participar de boas festas. Bom domingo.

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  10. Edward, vc é demais. Antes de começar a escrever sobre as festas juninas, não perdeu tempo e desceu a lenha nos arautos da boa saúde e também nos que se julgam adeptos do politicamente correto. Hoje em dia é assim, Ilegal, imoral ou engorda (rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs). Seu texto é uma delícia porque é sempre satírico, adoro ler o que escreve. As festas juninas são sempre agradáveis, já participei de algumas e sempre gostei. Muitas brincadeiras engraçadas, inclusive aquela do poste. Parece-me que largam um presente no final do poste e é de quem conseguir chegar ao topo primeiro. Só que passam, acho que sebo, no poste, e é um tal de gente escorregando e caindo... Bem engraçado.

    Gostei desta sua crônica, Edward, bom final de domingo!

    Carol - Metodista - SBC

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  11. Até acho legal as festas juninas, principalmente quando levam para o lado cômico.
    Parece que as festas juninas são uma sátira do matuto.
    Hoje o homem do campo ou caipira, é muito bem informado, e perdeu aquele ar de ingenuidade.
    Não sei por que os metropolitanos quando vão para uma festa caipira colocam tinta preta nos dentes imitando uma falha, usam roupas de brim com várias simulações de remendo, camisa xadrez e uma espiga de milho no bolso traseiro.
    As mulheres rebocam as faces como se fossem crianças sem coordenação motora.
    Eu acho que essa indumentária é só para os homens do campo rir bastante dos homens da cidade.
    Certa vez um dirigente de um país resolveu fazer uma festança dessas no palácio presidencial.
    Foi à coisa mais ridícula que eu já vi!
    O barbudo de dezenove dedos vestido a caráter, dançando quadrilha com a primeira dama da roça vestida de vermelho.
    O quentão não dava tempo de esfriar na mão dele, que ostentava um copo tamanho família com a estampa do distintivo do corínthias.
    A primeira dama estava entupida de tantas “quitudes” do tipo tradicional como: bolo de fubá, pipoca, amendoim torrado, e outras guloseimas a mais. Santa pólvora!!!
    Pinga com mel no bambu é uma delicia, mas a primeira dama tomou só cinco, alegando que a bebida em demasia a fazia roncar, e o dirigente do arraial reclamava que não conseguia dormir direito, e poderia levantar com mau humor, ai os súditos que pagariam o pato.
    Hummmm, essa tal de pinga no bambu com mel me deu uma “frissura” !!!
    Aqui perto da paróquia tem um bambuzal, na minha dispensa tem pinga, ih, e o mel!!
    “Diachu sô”, vou ter que colher das “abeias” do “vizim”.

    Padre Euvideo.

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  12. Olá amigos, vem aí a 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). As inscrições acontecem de 1 de junho a 6 de agosto.
    Se puder, nos ajude a Divulgar! =D
    A Olimpíada, composta por cinco fases online e uma presencial, é destinada a estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental e demais séries do ensino médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.
    Para orientar a equipe, formada por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.
    A Olimpíada começa no dia 19 de agosto, dia nacional do historiador, data que celebra o nascimento e o centenário da morte do jornalista e historiador Joaquim Nabuco.
    A iniciativa é do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2009, a ONHB inscreveu mais de 15 mil participantes e reuniu cerca de 2 mil pessoas na final presencial.
    Mais informações acesse o site “www.mc.unicamp.br”

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  13. Miguel Falamansadomingo, 06 junho, 2010

    Hehehehehe, o Padre Euvídeo tocou no assunto que eu ia abordar, a festa junina do mandatário do nosso País. Tem umas fotos desse "arraiá" na Granja do Torto que nosso digníssimo está com os olhos fundos e vermelhos. Não dá pra saber, mas certamente nem parava em pé. Seria o efeito dessa tal pinga com mel que o padre citou? É a primeira vez que ouço dizer que em festas juninas tem a "mardita" misturada com "mé".

    Sou nascido no Rio, mas faz um bom tempo que estou por aqui, em Botucatu, no interior e festas juninas tem pra todos os lados. Ontem teve no terreiro de uma vizinha. Estive lá até por volta das 23,30 e quando sai chegava mais gente, deve ter terminado bem tarde, e tinha com todas essas delícias que o Edward escreveu em seu texto, para se comer. Estava muito frio e desceu bem um vinho quente com canela e o quentão, com umas pipocas bem quentinhas, espigas de milho assadas, batata-doce também assada na fogueira, menos a tal pinga com mel. Um bom programa uma festa junina, principalmente entre vizinhos e muitos amigos.

    Abraços

    Miguel Falamansa - Botucatu - SP.

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  14. Olá Edward

    Boa noite

    Só agora, depois do empate entre o Corinthians e o Botafogo é que venho a ler sua belíssima crônica.
    Para falar das festas juninas seria necessário escrever alguns livros e ainda faltaria espaço.
    Fui criado no bairro do Jabaquara em São Paulo. Uma época em que a Vila Guarani se assemelhava a uma cidade do interior.
    Habitado por muitos portugueses (inclusive meu pai). Donos de padarias, quitandas e bares, chácaras e até retiro de vacas de leite, eles se rivalizavam em proporcionar a melhor festa junina.
    Cansei de me lambuzar de sebo ao tentar alcançar o prêmio preso no alto daquele pau (eucalipto). Algumas vezes eu conseguia.
    Fogueiras enormes. Quitutes dos mais variados Muito vinho e quentão.
    Durante mais de um mês o céu ficava coalhado de balões. Impossível contar!
    Quantos balões eu fiz na varanda de minha casa. Muitos foram o que subiram, subiram... Outros se queimavam logo no início.
    A época? Fim da década de 30 e seguido pelos anos 40, 50...
    Tudo acontecia de forma natural. Quermesse? Raras!
    Bailes ao relento. Sanfonas, violões, pandeiros e muita música portuguesa.
    Que saudade sô! E vamos dançar o vira...

    Um abraço

    Paz. Muita Paz.

    J. Morgado

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  15. Caro Edward, você soube descrever com maestria como era uma verdadeira festa junina aqui em nosso interior paulista. Eu sempre tive a predileção pelo mês de Junho pois, além de meu aniversário no dia 10, sempre participei das festas dos santos, desde pequeno. Muitas eu mesmo organizei com tudo o que tinha de direito, inclusive escrevia os textos para o casamento caipira.
    A genuína festa junina tem que ser feita na roça, debaixo do maior frio.
    Grande abraço
    João Batista

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  16. Esse professor, pelo andar da carruagem deve dar quentão para os alunos (rsssss). Edward, gosto muito de quermesses e festas juninas. Sempre que posso vou visitar minhas primas no interior, em Jaboticabal. Lá a igreja central promove festas juninas concorridíssimas e tem sempre caráter beneficente. O que atrapalha um pouco são as bombinhas que uns engraçadinhos insistem em soltar nestas festas. Algumas parecem uma banana de dinamite, quando explodem é uma gritaria só.

    Já que proibiram os balões, que eram tão bonitos cortando o céu, deveriam proibir essas tais bombinhas.

    Achei tão gostoso ler sua crônica, me senti como se estivesse numa destas festas do mês de junho. São maravilhosas e você as descreveu muito bem.

    Beijinhos,

    Priscila - Metodista - SBC

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  17. Edward, vc tem razão, as festas juninas de hoje, ou festa de São João, como gostamos de chamar aqui em Minas Gerais, não tem a graça de alguns anos atrás, transformou-se em comércio. Ano passado fui a uma festa junina aqui em Juiz de Fora e acabei indo embora mais cedo, tão sem graça estava. Tocavam funk, não tinha quadrilhas, nem mesmo as brincadeiras gostosas que vc citou em sua matéria. Não fosse pela pipoca e quentão, foguetes e algumas bandeirinhas coloridas espalhadas pelo local, seria difícil saber que estávamos numa festa de São João. Roupas típicas, quase nenhuma. E olhe que Minas Gerais até então tinha tradição em festas juninas. É possível que em pequenas cidades, sítios ou fazendas, as festas juninas sejam como essas que vc retratou, mas pelo visto, das verdadeiras festas de São João, restou apenas um imenso vazio e muita saudade!

    Beijos, bom final de domingo!

    Bruna - UFJF - Juiz de Fora/MG

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  18. Boa noite, Edward! Como "caipira" de São Paulo, não entendo muito de festas juninas, mas aprendi um pouco lendo seu texto gostoso e alguns comentários neste blog. Pequena ainda, também na escola, como a Gabi, lembro-me de ter participado de festas juninas, mas não tinham todo esse aparato descrito por você e que devem ter as festas no interior. A Bruna disse que em Minas as festas juninas já estão perdendo a graça. Espero que elas não acabem, tanto em Minas como no Brasil, em nome da nossa cultura. Só não entendi porque a Bruna disse que em Minas chamam as festas juninas de Festa de São João. Afinal, não são três os santos? Não tem festas para cada um deles?

    Bjos, obrigada!

    Andressa - Cásper Líbero - SP.

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  19. Olá Andressa, boa noite!

    Não é só em Minas que chamam as festas juninas de Festa de São João. O motivo é o seguinte. Essa tradição veio de Portugal e de outros países cristãos e era, inicialmente, chamada de joanina, cujo significado era João, entendeu? Como era em homenagem ao santo, passou a ser São João. Depois, com o tempo e por ser comemorada em junho, o nome mudou para festas juninas. A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.

    Sua outra pergunta, se não são três os santos homenageados, afirmo-lhe que sim, mas os festejos não acontecem apenas nos dias de Santo Antônio, São Pedro e São João, mas sim durante o mês todo de junho. É que nestas datas, 13, 24 e 29 de junho, a motivação é maior, as festas juninas recebem promoção especial, principalmente da Igreja Católica e são mais agitadas, com grande presença de público. No interior, normalmente estas festas são acompanhadas de quermesses em pátios de igrejas, escolas, clubes, sítios e fazendas, O.K.?

    Obrigado pela presença neste blog, Andressa. Espero que as respostas tenham sido esclarecedoras. Se tiver dúvidas, fique a vontade para perguntar.

    Abraços...

    Edward de Souza

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  20. Boa noite,amigos e amigas!

    Olá, Edward!

    Só agora estou podendo participar. Há pouco cheguei a Porto Alegre. Estava em Santiago. A propósito, na infância e adolescência, fui a festas juninas adoráveis. Morávamos na rua da Estação Ferroviária, onde havia um enorme espaço em que eram realizadas as festas, com uma grande fogueira ao centro. Cada bairro tinha a sua comemoração e até hoje as crianças vão vestidas de caipirinhas à escola, no mês de junho. Acho divino!

    Belíssima crônica a sua, Edward!Despertou-me grande saudade e recordações daqueles tempos em que tudo era alegria e podíamos brincar à noite, na rua, sem medo da violência e outros perigos da vida de hoje.

    Abraços a todos!

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  21. Eu gosto muito de festa junina, Edward e na sexta-feira estive numa delas, num sítio de um primo. Quadrilhas, fogueiras, fogos e rojões, muita bebida da época, como o quentão e o vinho quente e comidas típicas para dar com pau.

    Para o pessoal que não conhece, gostaria de mostrar algumas simpatias e crendices do dia de São João. Essa é a primeira: na noite de São João, encher uma bacia com água e ir com ela para a beira da fogueira. Rezar então uma Ave-Maria e, quando terminar, aparecerá na água a sombra do rapaz com quem a moça se casará.

    Ainda na noite de São João, passar um ramo de manjericão na fogueira e jogá-lo no telhado. Se na manhã seguinte ele estiver verde, a pessoa vai se casar com moço. Se estiver murcho, o noivo será velho. Tem essa crendice também, tudo na noite de São João: numa bacia com água, colocar duas agulhas. Se elas se juntarem, é sinal de que a pessoa deve se casar em breve. Outra: a moça deve apanhar pimentas num pé de pimenteira com os olhos vendados. Caso ela colha pimenta verde, seu noivo será jovem; se for madura, o casamento será com um velho ou viúvo; se a pimenta for de verde para madura, o casamento será com um homem de meia-idade.

    Essa a mais engraçada, Edward. Coitado do Santo Antônio. Em certas zonas paulistas, como na Serrana e na Mantiqueira, Santo Antônio recebe um vintém para achar os animais perdidos nas matas e uma pequena moeda de cobre para o porco voltar ao chiqueiro. Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam Santo Antônio de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem: "Meu Santo Antônio querido, meu santo de carne e osso, se tu não me dás marido, não tiro você do poço". Êta mulherada danada, sô!

    Boa semana, pessoal

    Birola – Votuporanga – SP.

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  22. Oi Edward, vc nem vai acreditar de onde acabo de chegar! De uma festa junina e sabe onde? Na séde do Jornal Comércio da Franca, no terreno que existe ao lado, também do jornal, todo coberto e enfeitado a rigor para a festa junina que começou sexta e terminou hoje. Tinha gente demais e estava uma delícia, se bem que fugiram um pouco das tradições da festa, estas que vc relatou em seu texto. Não teve o casamento, pelo menos não vi, nem o poste de sebo e no lugar das conhecidas músicas juninas, duplas sertanejas. O ingresso era apenas um quilo de alimento não perecível, arrecadação que será doada para entidades de caridade. Tinha muitas barracas com todas essas delícias da época que vc conhece, também de entidades beneficentes. Como está muito frio em Franca, imagino que uns 14 graus, segundo disseram lá, todo mundo passeando em volta das fogueiras e tomando seu vinho quente com canela. Valeu a diversão. Por quê você não foi? A festa seria completa.

    Bjos,

    Giovanna - Unifran - Franca

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  23. Olá Giovanna!
    Ontem, quando você deixou seu comentário, pouco mais de 11 horas da noite, eu estava debaixo de cinco cobertores, todos da Tognato de São Bernardo do Campo e um deles com as cores do meu glorioso São Paulo F.C., o único tri-campeão mundial interclubes deste País e em busca do quarto título. A Nivia Andres deve estar bem aborrecida nesta segundona. O São Paulo não perdoou o Grêmio e enfiou-lhe um 3 x 1 no melhor jogo que assisti este ano. Sobre a Festa Junina que você participou, comandada pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação, dou maiores esclarecimentos.

    Foi uma promoção da Rádio Difusora de Franca e, claro, do Jornal O Comércio da Franca, proprietário desta emissora que lidera a audiência em Franca, pela qual tenho enorme carinho, porque foi ali que comecei minha carreira em rádio, com 15 anos de idade. Meu amigo Everton Lima é o diretor-artístico dessa rádio. O frio me desanimou, por esta razão deixei de comparecer nesta festa que, sei, foi coroada de êxito. Deixo aqui meus cumprimentos ao Junior Corrêa Neves e sua mãe, Sônia Machiavelli Corrêa Neves -proprietários desse grupo de comunicação e também ao radialista Everton Lima pela promoção, cuja finalidade beneficente é digna de elogios, além de trazer alegria a centenas de pessoas que participaram destes três dias de "arraiá".

    Um forte abraço a todos e obrigado pelas mais de 360 visitas ao blog num domingo de muito frio, creio, em grande parte do País, eis que o inverno está batendo às nossas portas.

    Edward de Souza

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  24. Oi Edward, bom dia!
    Cheguei muito tarde ontem de viagem, por isso não entrei no blog para comentar essa crônica deliciosa que vc escreveu sobre Festas Juninas. Estava lendo os comentários, sempre faço isso e achei engraçada demais a postagem do Birola, de Votuporonga, sobre as simpatias e crendices desta época de Festas Juninas. Essa do Santo Antonio nunca tinha ouvido falar, será mesmo verdade que algumas mulheres fazem isso para encontrar um marido? Coitado do santo! Se eu fosse ele castigava todas elas que judiciaram dele, deixando-as solteironas pelo resto de suas vidas (rsssssssss).

    Já fui a algumas festas juninas, Edward, mas sempre em clubes ou mesmo em igrejas, acho uma delícia, até pelo comportamento das pessoas que comparecem e participam das brincadeiras, sempre sadias, sem nenhuma maldade. Meu grande sonho é um dia ir a uma Festa de São João numa fazenda, dessas bem organizadas, com muita gente. Penso que não deve ter coisa mais gostosa. Quem sabe alguém me convida, por enquanto fico apenas com o sonho.

    Bjos, adorei seu texto!

    Larissa - Metodista - SBC

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  25. Obrigada pela gentileza, Edward, em responder minha pergunta que lhe fiz ontem a noite sobre a denominação de Festa de São João dada às Festas Juninas. Agora, com suas explicações, faz sentido.

    Grata!

    Beijos,

    Andressa - Cásper Líbero - São Paulo

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  26. o que é, o que é?

    É bonitinho, risca o vidro e chora ?

    Darei a resposta mais tarde.
    Não vale pesquisar na internet!

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  27. Edward, para quem nunca participou de uma festa junina ao velho estilo, seu texto explicou muito bem como eram essas comemorações. Hoje em dia, concordo com a Bruna e outros leitores, não se faz mais festas juninas como antigamente, principalmente nos grandes centros. Bem possível que nas pequenas cidades, ranchos, sítios e fazendas, ainda conservem as velhas tradições. Neste fim de semana estive no Regatas, aqui de Ribeirão Preto, você deve conhecer. Fica na entrada da cidade, no trevo, para quem chega de Franca. Sábado e domingo promoveram festa junina. Teve de tudo que se possa imaginar, menos festa junina (rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs). A começar pelo som, só duplas sertanejas ditando o ritmo. Que falta fez uma sanfona e as tradicionais músicas de São João, Santo Antônio e São Pedro animando uma quadrilha. Estão adaptando coisas de hoje para atrair público e deixando de lado as gostosas brincadeiras juninas. Como vc escreveu, estão transformando em comércio, nossas festas tradicionais. Linda sua crônica, gostei muito!

    Bjos

    Tânia Regina - Ribeirão Preto - SP.

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  28. Oi Edward, que crônica bonita. Saudades da fogueira, das quadrilhas, da sanfona e do milho verde assado, meu preferido!
    beijo

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  29. Alo Edward
    Cheguei atrasado mas não deixo de ser presente.
    Feliz a ideia de colocar em pauta as festas juninas.
    Em verdade como disse você, perderam um pouco daquela simplicidade de nosso tempo, no entanto, a história registra que muitos casos engraçados ocorridos nelas valeram a pena. Um abraço
    Garcia Netto

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  30. ANA CÉLIA DE FREITAS.segunda-feira, 07 junho, 2010

    Olá Crianças.
    Edward, cheguei só agora,pois ontem tive visitas o dia todo,família que delícia.E hoje sai para o trabalho ás 5 e 30 da manhã,e a creche está apenas com um computador, depois daquele roubo que ocorreu,há dias que é possível acessar,mas hoje estava impossível.
    Quanto ao seu belíssimo e irretocável texto,que delícia,voltei ao meu tempo de criança, concordo com você, hoje é mais comércio que comemoração.Mas para que essa tradição não passe esquecida, a creche faz questão de desenvolver atividads relacionadas ao tema, então meu caro, aproveito um tantão,cada grupo de aluno ensaia uma dança,os maiores a quadrilha,e no dia 28 deste mês, as crianças farão a apresentação caracterizadas é claro, as Educadoras também,o ano passado a mais engraçada ganhava um dia de folga, foi tão engraçado,não falta as comidas típicas,hum que delícia,e as músicas, dá vontade de dançar o tempo todo, e o melhor, as crianças, amam,já enfeitamos a creche e como é também a copa do mundo,misturamos verde e amarelo, com bandeirolas,flores enormes alguns balões, mas claro, trabalhamos junto as crianças sobre o perigo do mesmo,só uma coisa detesto nas festas juninas,o foguete,acho um barulho insuportável,isso na creche nem pensar.
    Quando era criança,me lembro que fechavam uns dois quarteirões na rua em que eu morava, e toda a vizinhança se unia para os preparativos,ah que saudade.
    Querida Giovanna, também fui a festa do Jornal na sexta feira,teve quadrilha com os funcionários do jornal,estava muito engraçado,precisava ver a Cíntia Flávia, a alegria em pessoa e todos caracterizados,aconteceu também o casório,dei boas gargalhadas,também pensei que encontraria o Edward por lá,mas que pena...
    Parabéns meu querido.
    Beijossssssssssssssss.
    ANA CÉLIA DE FREITAS.

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