segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

DÁDIVA REVELA A POESIA
EM TOQUES CIBERNÉTICOS

.Guido Fidelis não é um escritor. São tantas e variadas as personas que emergem de seu fazer literário e intelectual que chegam a impedir comparações entre as dezenas de livros já publicados, entre o ontem e o hoje, ou vislumbrar o amanhã que já parece nos acenar com novas descobertas.
Mais recentemente, com este Dádiva, consolida uma imagem atualizada da prosa poética, influenciada pelos toques cibernéticos, pela comunicação curta e precisa na qual a linguagem se concentra e muitas vezes até escapa da compreensão inicial, vertida em vogais e consoantes aparentemente dispersas.
Só que, Guido Fidelis, com a maestria que lhe é peculiar nas coisas do ver e do sentir, apropria-se desse novo universo silábico e o faz retornar ao mundo da eterna poesia das sensações e dos olhares sobre a vida. Destrói a retórica tradicional, envereda pelo novo e reconstrói a eterna sensação do fazer poético. É o mistério do fazer poético que o autor trança e destrança com singular maestria.
Pega, aqui e ali, na escuridão ou na luz, o olhar enviesado e arguto daquele que vê o que os outros ignoram mas são levados a desfrutar depois de conhecer a chave dos segredos, a dádiva da vida. E não satisfeito com essa maravilhosa façanha de descobrir o inenarrável e desvendar o oculto em cada coração, brinda o leitor com uma viagem gráfica que induz ainda mais ao devaneio .
A cada página uma surpresa, um diferencial que leva ao desfrute do livro pela leitura tradicional ou pela intercalação de páginas, folheadas ao léu, abertas ao acaso, mas sempre plenas de sensações e curiosos paradigmas entre o excelso e o trivial, o aqui e o agora de todas as vidas e tudo aquilo que transcende e extrapola o simples viver.
É ler, amar e ter ao alcance das mãos para novas e gratificantes descobertas a cada viagem.
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ATENÇÃO: CLIQUE SOBRE O LIVRO PARA AMPLIÁ-LO E LEIA A SUA APRESENTAÇÃO.
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Os jornalistas deste blog irão escolher um dos participantes dessa resenha para receber esse novo lançamento da RG Editores, de São Paulo. O premiado receberá em casa um exemplar de "Dádiva", livro do jornalista, escritor e advogado Guido Fidelis. Basta apenas que você entre em comentários e participe, deixando seu nome e mostrando interesse em ler essa obra! (Edward de Souza)
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domingo, 6 de dezembro de 2009

BRASILEIRÃO DAS MALAS, GAMBIARRAS E FALTA DE VERGONHA VAI TERMINAR HOJE

A luta dos cartolas da CBF, alguns dirigentes de clubes e dos senhores jurados do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva deu certo. O Flamengo deve erguer a taça de campeão brasileiro neste domingo. Um campeonato que poderia ter muita emoção nessa rodada final termina de uma forma lamentável. Falcatruas, irresponsabilidade, trambiques, erros grosseiros de arbitragens, punições inexplicáveis e jogos com cartas marcadas estragaram esse que foi o mais disputado Campeonato Brasileiro desde a era dos pontos corridos. Verdade que para alguns clubes faltou competência para se segurar na ponta quando lideraram o campeonato com larga margem de pontos à frente dos concorrentes, caso do Palmeiras e, quem sabe nesse final, do São Paulo. A direção do Palmeiras já encontrou o responsável por ter deixado escapar um título que parecia certo: sua torcida selvagem que mais se assemelha aos "holligans", que passou a atacar covardemente jogadores e apedrejar ônibus do clube tirando toda a tranquilidade do elenco. Teria razão se isso tivesse acontecido no começo do campeonato, mas essas cenas animalescas de torcidas uniformizadas que deveriam ter sido banidas há tempos do nosso futebol, aconteceram depois que a vaca tinha ido pro brejo. A diretoria do São Paulo chora, com certa razão, com julgamentos encomendados do STJD que puniram vários atletas do São Paulo, eliminando-os exatamente das duas partidas de maior importância do clube, os jogos contra o Botafogo no Rio e Goiás, no Serra Dourada. Esse mesmo tribunal, composto por homens sem caráter e interesseiros, ficou bonzinho nessa rodada final. Liberou todos os atletas do São Paulo para o último jogo contra o Sport. Claro, sabendo que a vaca havia já ido pro brejo e o São Paulo tem chances mínimas, ou quase nenhuma, de ser tetra seguido do Brasileirão. O jogo de interesses favorecendo o Flamengo contou ainda com a vergonhosa colaboração do Corinthians, que na maior cara de pau entregou o jogo para o Flamengo. Triste ver um goleiro tirar o corpo da bola para deixá-la entrar e facilitar a vida do adversário, caso do Felipe do Corinthians na partida contra o Flamengo. Revoltante é ver um ídolo mundial como Ronaldo "Fenômeno" cair de maduro, simular uma contusão e sair de campo para não mais voltar e ajudar seu ex-clube do coração. Conseguiu com seu gesto calar a torcida do Flamengo que não o perdoa por ter vestido a camisa do Corinthians. Agora pode andar tranquilo pelas boates do Rio de Janeiro que não será incomodado. Essas imagens negativas foram mostradas para o mundo e se esperava uma punição, ao menos para Felipe, goleiro alvinegro. E veio: com Rubens Aprobato Machado, ex-dirigente corintiano participando do júri no STJD, recebeu dois jogos de suspensão, quando a Imprensa toda gritava que no mínimo Felipe seria punido com um ano de suspensão. O mar de lama do nosso futebol não para por aí. Participando do grupo de ajuda ao Flamengo e nitidamente procurando prejudicar seu rival, o Internacional, o Grêmio escalou um time de reservas para o jogo da taça. A missão dos jogadores do Grêmio é não tomar goleada, perder o jogo por uns 2 x 0 e depois ajudar o Flamengo a carregar a taça no Maracanã Lotado. Marcaram o placard do jogo entre Flamengo e Grêmio? Pode ser que eu erre, mas arrisco.
A gambiarra do Grêmio foi oficializada ontem, quando o vice-presidente de futebol do clube, Alberto Guerra, confirmou várias baixas para o jogo de logo mais contra o Flamengo no Maracanã. Como já era esperado, o goleiro Victor e o meia Souza não irão participar da partida que encerra o calendário gremista no Campeonato Brasileiro. O dirigente, porém, evitou dar justificativas para os desfalques, culpando "questões internas" pela saída da dupla. "O motivo, a gente não pode falar", disse Guerra ( cara de pau). Além de Souza e Victor, o técnico Marcelo Rospide não poderá contar com outras importantes peças para a partida contra o Flamengo. O atacante Maxi López também não jogará, já que sentiu o tornozelo (coitado) no treino de sexta-feira e será preservado. Ainda no ataque, o machucado Jonas não entra em campo - assim como o argentino Herrera, fora dos planos do clube. Na defesa, Réver e Rafael Marques também estão contundidos (acreditem!) e não viajam para o Rio de Janeiro. Assim, o Grêmio deverá ir a campo no Maracanã com Marcelo Grohe; Mário Fernandes, Léo, Thiego e Fábio Santos; Tulio, Adilson, Maylson e Lúcio; Douglas Costa e Roberson. Time de reservas.
A festa do título certamente vai ofuscar toda essa gambiarra que aconteceu em nosso futebol e ninguém vai tomar providência alguma, tudo deve continuar como antes, no quartel de Abrantes. O Rio passa por um momento dificil no futebol. Vasco disputou esse ano a segunda do Brasileirão, Fluminense e Botafogo na luta para não cair e o Flamengo endividado e devendo pra Deus e todo mundo. Para tentar resgatar o futebol carioca, a CBF e esse corrupto Tribunal de Justiça Desportiva deram as cartas e jogaram de mão. Manipularam de uma forma vergonhosa os jogos e conseguiram dar o título ao Flamengo, ou alguém ainda duvida que isso aconteça? Pior, contaram com a ajuda de dirigentes de clubes que também deveriam ser punidos e eliminados do nosso futebol, porque entrar em campo para entregar jogos envergonha torcedores e suja camisas tradicionais de grandes clubes como Corinthians e Grêmio.
Enquanto a CBF continuar no Rio dominando nosso futebol, fazendo o que bem entende, vai ser sempre assim. Que se danem os torcedores. Fanáticos, logo se esquecem de tudo e voltam a meter as mãos nos bolsos e agitar suas bandeiras nos estádios do nosso Brasil. Igual mulher de malandro, quanto mais apanha, mais quer levar. A comédia termina hoje. Deixando o Flamengo campeão de lado, a briga para ver quem se classifica para a Libertadores ainda motiva os torcedores de São Paulo, Palmeiras, Inter e Cruzeiro. E, por incrível que possa parecer, Palmeiras e São Paulo, que lideraram o Brasileirão bom tempo, podem ficar de fora dessa disputa internacional e altamente rendosa. Essa disputa pela vaga na Libertadores e a luta pelo rebaixamento envolvendo Santo André, Coritiba, Botafogo e Fluminense, foi o que restou de bom nesta final de hoje. Infelizmente, esse que deveria ter sido o melhor campeonato brasileiro de todos os tempos termina assim, com denúncias de malas brancas e pretas, erros grosseiros de arbitragens, muitas intencionais e danosas, entrega descarada de jogos, falcatruas do STJD, gambiarras da CBF e festa do Flamengo que, convenhamos, não tem nada com isso.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

BLOG SE APROXIMA DE MARCA HISTÓRICA

Estamos muito perto da marca de 100 mil visitas neste blog em menos de um ano de atividade. Só nesta quarta e quinta-feira, mais de duas mil pessoas passaram por aqui para acompanhar o velório e sepultamento do amigo Luiz Lombardi Neto, consagrado locutor, voz famosa dos programas de Silvio Santos. Mais de 50 pessoas deixaram suas homenagens ao Lombardi, todas elas enviadas à família do falecido. Quando esse blog foi criado, não pensei que pudesse ir tão longe assim. Confesso-lhes, não é fácil postar todos os dias um assunto que possa ser debatido. Com a união de alguns amigos jornalistas conseguimos imprimir um ritmo diferenciado, com textos que nos aproximaram dos estudantes de jornalismo, medicina, letras, advocacia, entre outros. Muitos amigos nos deixaram na metade do caminho, outros recentemente. Poucos continuam a nos ajudar e todos os dias buscamos fôlego novo para tentar prosseguir, até quando, só Deus sabe. Muitas vezes escrevi com um prazer supremo, mas em outras tive que espremer meus poucos e sofridos neurônios, e ainda assim não consegui passar exatamente o que queria. Mas quer saber? Não tenho dúvidas que valeu a pena, sempre vale. Essas mais de duas mil visitas quarta e quinta-feira provaram que o blog tem acima de tudo credibilidade e é respeitado.
O nível dos comentários é até certo ponto surpreendente. Basta ver esses mais de 50 postados nessa matéria sobre o falecimento desse grande amigo e companheiro de muitos anos, Luiz Lombardi Neto (foto a esquerda). Visitei sites famosos e outros blogs e encontrei piadas e brincadeiras de mau gosto, inadmissível num momento de dor e sofrimento de uma família. Por isso deixo aqui meus agradecimentos a todos vocês que mostraram, neste blog, admiração e respeito pelo amigo que se foi e vai nos fazer muita falta. Escrevo esse texto diretamente no blog, sem passar pelo World, de improviso, ainda com o coração partido, magoado pela perda irreparável desse amigo que abriu as portas para que eu pudesse transitar pelo dificil mundo da comunicação numa cidade grande como São Paulo. Mas, é preciso ir em frente, tocar o barco e com a força de quase 100 mil visitas em menos de um ano, esse blog deve continuar o seu trabalho.
Devemos caminhar... E podemos aproveitar este sentimento tão nobre de fraternidade que inspira a muitos em tal época do ano, para trilharmos novas sendas. Novamente nos encontramos envoltos à véspera do Natal... Nenhuma outra época do ano é tão carregada de simbolismos como esta. Época em que o consciente coletivo torna-se impregnado pelo tal espírito natalino. Papai Noel está chegando com tudo. Para alguns, literalmente, de saco cheio. Para outros, aquele saco vazio que, bem sabemos, não se aguenta em pé. Adoro tudo que nos remete ao Natal. Dos presépios que reproduzem o nascimento do menino Jesus ao movimento sincronizado das luzes que enfeitam as ruas, casas, lojas, jardins e monumentos históricos. Até o corre-corre de última hora na busca pelos presentes. Não que ganhar ou dar presentes seja o mais importante. O que me encanta é esse clima de solidariedade que aflora em uma boa parcela dos cidadãos brasileiros. Quase todos participam de alguma campanha, seja para arrecadar e distribuir alimentos ou brinquedos. Outros tantos, individualmente ou em grupo, fazem grande esforço para levar alegria, palavras de fé e conforto material para crianças, idosos e enfermos. No Natal, um sentimento de Paz, próprio desta data, invade os corações, eleva o espírito, provoca reflexões e faz com que as pessoas superem ou amenizem diferenças naturais do ser humano que muitos não conseguem assimilá-las no dia-a-dia. Natal é uma festa da família, um convite para melhorar os relacionamentos, renovar os conceitos, reconciliar e abraçar os que nos magoaram. Um forte abraço a todos e muito obrigado pela força!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

LUTO: LOMBARDI SEPULTADO EM S. ANDRÉ


Coberto com a bandeira do Palmeiras, o caixão com o corpo do locutor Luiz Lombardi Neto foi enterrado nesta quinta-feira no Cemitério Cristo Redentor, localizado no bairro Vila Pires, em Santo André, por volta das 13h. O filho único do locutor, Luiz Fernando (foto) estava inconsolável. O sepultamento foi aberto ao público e uma multidão prestou as últimas homenagens a uma das vozes mais famosas do Brasil. O caixão foi levado até o cemitério pelo carro do Corpo de Bombeiros. Assim que chegou ao local, foi conduzido por oficiais da Polícia Militar até sua sepultura e uma rápida cerimônia foi realizada antes do enterro. Lombardi morreu aos 69 anos na manhã de ontem, quarta-feira, em Santo André, cidade do ABC Paulista. O locutor era o mais antigo companheiro de trabalho do dono e apresentador do SBT, Silvio Santos. Ele sofreu um infarto fulminante enquanto dormia e seu corpo foi encontrado pela mulher, Eni Lombardi.
A apresentadora Mara Maravilha acredita que este foi o maior golpe que Silvio Santos já recebeu: "Lamento muito pelo Silvio. Ele deve estar sofrendo muito. Lombardi foi o maior colega de trabalho dele. Era uma pessoa muito especial. O Brasil todo vai sofrer com a sua morte”.
Sílvio Santos surpreendeu a todos ao aparecer ontem a noite na Câmara Municipal de Santo André para prestar condolências à família de seu amigo Lombardi e dar a ele o último adeus. Sílvio Santos chegou ao velório por volta de 21h30 e permaneceu no local aproximadamente 30 minutos cumprimentando os familiares do locutor. Na saída, Sílvio Santos teve que ser escoltado pela guarda municipal pois os populares fizeram grande alvoroço. O empresário não falou com a imprensa, afinal era um momento triste para ele. Além do empresário, passaram pelo velório Carlos Massa, o Ratinho, o apresentador Celso Portiolli e outros funcionários da emissora, além de políticos de Santo André. O apresentador Ratinho permaneceu no velório por cerca de 20 minutos e disse que a morte de Lombardi é uma “perda irreparável”. “Ele vai fazer falta, e as pessoas vão sentir isso quando deixarem de ouvir a voz dele. Ele só tinha uma preocupação, a de não perder a alegria na voz e não perdeu”, disse. O filho de Lombardi, Luiz Fernando, conhecido como Lombardinho, passou mal no velório e precisou ser retirado para uma área reservada.
A morte de Lombardi chocou-me profundamente. Durante anos trabalhei com Lombardi, que até ontem mantinha seu programa na Rádio Emissora ABC, sempre apresentado no período matinal. Fomos companheiros na Rádio Clube de Santo André e depois na Rádio Emissora ABC na década de 70 e na Rede Globo de TV neste mesmo período. Lombardi deixa a esposa, Eni, o filho Luiz Fernando Lombardi e os netos Daniel, Gabriel e Julia.
DESCANSE EM PAZ, BOM AMIGO!
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Nesses últimos meses fui assaltado pela morte de pessoas queridas, muitos contemporâneos e gente com quem dividi minha vida e agora temo dividir a morte. É incrível como a gente resiste ao envelhecimento e guarda na memória somente os anos dourados quando éramos jovens e nada nos fazia temer, muito menos o fato de sermos mortais. O tempo vai passando ou a gente vai passando pelo tempo e começam a nos assaltar preocupações outras, renovadas sempre que um amigo sofre ou parte.
Nunca fui em toda a vida um religioso. Creio em Deus, mas nunca me apeguei seriamente a nenhum credo para adotá-lo como modo e filosofia de vida. A morte nunca foi uma preocupação diuturna, mas, como em todos, é uma espada balançando sobre a cabeça e balançando muito mais nas horas de solidão ou no medo da madrugada.
Existem religiões porque existe a morte e além da morte o grande vazio e a grande interrogação sobre o que nos espera. Todos os credos tentam preencher esse vazio criando céus e infernos mais ou menos semelhantes onde gozaremos a vida eterna como recompensa de nossas boas ações ou padeceremos no fogo por nossos pecados. Não existisse esse medo nem essa interrogação, a gente iria levando a vida a cada dia esperando na próxima esquina a visita da dama de negro que a todos nos levará um dia. Com cada amigo morto, enterro um pedaço de mim mesmo, de minha vida, de meus pensamentos, de minhas aspirações e cada um deles que levo à morada eterna, mais que a dor e a tristeza me assalta a sensação de estar vivo, de não ter sido o premiado nessa inevitável loteria que a todos nos contemplará um dia. E nesse caminho que chamamos de vida, vamos nos aproximando da morte, mas nem por isso ela se torna mais palatável ou compreensível, pois não existe idade para desistir da vida e o grande abismo que nos espera é sempre motivo de medo, curiosidade e temor.
Dizem que a imortalidade, não a acadêmica, mas a da vida é o maior castigo que pode ser dado a um ser humano. Ver seu mundo sucumbir, seus companheiros desaparecerem, seu universo ser substituído por outros valores, seria demais para nossa vã filosofia humana. Talvez, por isso mesmo, Deus nos tenha feito mortais e deixado em aberto a data de nossa partida.
A velhice é saudade dos outros e do que fomos nós mesmos, uma saudade que tanto pode gerar revolta como nos trazer uma tranquila consciência de nossa fugacidade. Somos o pó que retornará ao pó. Tudo o mais é tão passageiro e indefinível que passamos a vida inteira somente tentando decifrar por que um dia morreremos. Descanse em paz, querido amigo-irmão Luiz Lombardi Neto!

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TODAS AS MENSAGENS POSTADAS SERÃO ENVIADAS À FAMÍLIA.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

MATÉRIA PUBLICADA NA FOLHA DE S. PAULO

LULA TERIA TENTADO ABUSAR SEXUALMENTE
DE UM GAROTO QUANDO ESTEVE PRESO

César Benjamin - Folha de S.Paulo

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade. Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano. Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma idéia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal". Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite. Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -"sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos. Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile. Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não
impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato. Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo. Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles. Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor. Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação. Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar. Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura. Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.
São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha. Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato. Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço. Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci.
Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta". Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos. Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram. O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.
Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto. Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade. Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada. A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos. Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.
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*CÉSAR BENJAMIN,
55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.
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domingo, 29 de novembro de 2009

MAPA DO BRASIL VISTO PELO PAULISTANO

VOCÊ SABE QUE ALGUÉM É PAULISTANO QUANDO...

Na fala:
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a) chama o semáforo de 'farol';

b) diz 'bolacha' em vez de biscoito;

c) diz 'cara' em vez de menino;

d) diz 'mina' em vez de menina;

e) diz 'bexiga' em vez de balão;

f) diz 'sorvete', tanto para picolé como para sorvete de massa;

g) acha que não tem sotaque nenhum;

h) ri do sotaque de todo mundo (gaúcho, nordestino, carioca, mineiro, etc...);

i) vê uma pessoa mal vestida e chama de 'baiano';

j) é extremamente possessivo, pois emprega a palavra 'MEU' em praticamente todas as frases.

No clima:
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a) fala sobre o tempo para puxar assunto;

b) enfrenta sol, chuva, frio, calor, tudo no mesmo dia e acha legal...

c) sai todo agasalhado de manhã, tira quase tudo a tarde e põe tudo de volta à noite;

d) tem mania de levar o carro para polir no sábado ou no domingo. O carro fica brilhando, só que toda vez que vai sair com ele para passear... CHOVE.
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Na praia:
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a) fala que vai para praia sem especificar qual;

b) fica a temporada no Guarujá, Maresias ou Ubatuba, mesmo que chova mais do que faça sol;

c) chama Ubatuba de 'Ubachuva';

d) fala mal da Praia Grande, mas toda virada de ano fica sem dinheiro e acaba indo para lá.

Nas esquisitices:
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a) faz fila para tudo (elevador, banheiro, ônibus, mercado, banco, casquinha do MC'DONALDS, etc.);

b) repara nas pessoas como se fossem de outro planeta;

c) cumprimenta os vizinhos apenas com 'oi' e 'tchau';

d) espera a semana inteira pelo final de semana e quando ele chega, acaba não fazendo 'nada';

e) convida: 'Passa lá em casa', mas nunca dá o endereço;

f) chama o povo do interior de São Paulo de 'caipira'.
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Domingo é dia de descontração e de muita alegria, faça chuva ou sol. Dia de boa leitura, papo com amigos no "buteco" perto de casa, caipirinha, macarronada da mama, uma bela sesta depois do almoço e curtir a penultima rodada do Brasileirão com jogos eletrizantes, que tanto podem apontar o São Paulo como campeão antecipado, como também mudar o rumo desse campeonato, com Inter, Palmeiras ou Flamengo surgindo na ponta. Um bom final de semana a todos!
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PS: enviei na última sexta-feira para a Drª Marcia Costa Ribeiro Conrado, escolhida pelos jurados deste blog, o livro da escritora Isabel Allende, "Inés da minha alma". Ela nos enviou, quinta-feira, um e-mail constando seu endereço, na Capital Paulista, para onde o livro foi encaminhado, via sedex.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ABORTO, UM ATO INCONSEQUENTE
.No dia 26 de fevereiro de 2008, estava eu comodamente sentado em minha poltrona predileta assistindo o jornal da TV Bandeirante, quando foi apresentada uma reportagem que me deixou muito triste, abordando um assunto que ainda me surpreende apesar de minha avançada idade e consequente experiência. Sei que nos encontramos ainda na infância de nosso aprendizado, daí o sofrimento e a ignorância que impera em nosso Planeta de Expiação e Provas, mas não podemos deixar de nos esforçarmos para levar conhecimento para aqueles que menos sabem.
O aborto tem sido o assunto constante em pauta nos meios de comunicação existentes. Os pontos de vista dos que são a favor e dos que são contra são mostrados a todos. Naturalmente há os que tentam ignorar o que se passa a seu redor e por conveniência praticam o aborto sem medir o que lhe poderá acontecer no futuro. Na reportagem aludida, foi mostrado o comércio ilegal de remédios químicos e naturais proibidos por lei. O endereço de médicos e os preços cobrados por esse procedimento. O local, uma feira em Salvador na Bahia, mostra vendedores de ervas, agenciadores ou intermediários desse comércio nefando. Digo nefando para nós, que sabemos das consequências para quem o pratica. Para essas pessoas que ignoram ou fingem ignorar a imoralidade dessa ação, apesar de se declararem religiosas, apenas o imediatismo. Pobres irmãos!
A ciência não chega a um acordo quanto ao início da vida no feto. A religião (católica) diz que é na hora da concepção. Outras mais liberais divergem quanto ao assunto, mas não vamos aqui tecer pormenores a esse problema no que diz respeito ao ponto de vista religioso e muito menos médico, mas sim no campo da moralidade. Para isso, vamos abrir uma exceção e nos ater ao Espiritismo, codificado por Allan Kardec a partir de 1857 com a publicação do Livro dos Espíritos. A questão 372 do Livro dos Espíritos é esclarecedora: “a opinião de que os cretinos e os idiotas teriam uma alma de natureza inferior, tem fundamento? – Não. Eles têm uma alma humana, frequentemente mais inteligente do que pensais, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar. As perguntas e respostas seguintes esclarecerão o leitor meticulosamente sobre o assunto.
Como meus irmãos podem notar, estou rodeando o tema para chegar ao cerne desse problema grave que a humanidade ainda não consegue assimilar tendo em vista o excesso de materialismo em que vivemos. No aborto em que a mãe sofreu estupro, por exemplo, a pergunta é a seguinte: a criança deve nascer? A lei dos homens diz que não há crime nesses casos e autoriza a prática. Pergunto novamente: o ser que foi gerado é culpado do crime? Respondo: é evidente que não!
Emmanuel em psicografia de Francisco Cândido Xavier no livro VIDA E SEXO, capítulo 17, edição FEB, trás um esclarecimento bem elucidativo: “admitimos seja suficiente breve meditação em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões”.
Em outra manifestação de Emmanuel, inserida no livro RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS, edição FEB/1988, página 17 Aborto Delituoso, “Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais... Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância... Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos criam guerra de nervos em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinquência... (...) Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da natureza...
Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação. Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a benção da luz. Homens da Terra, e, sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho! Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assonantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, as provas de reajuste, a fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes”.
A literatura espírita tem abordado incansavelmente o assunto “aborto”. Romances que tem com fundo esse tema são publicados para que as pessoas através do entretenimento possam assimilar as consequências que advirão em sucessivas reencarnações.
Os meios de comunicação abordam quase que diariamente o assunto no aspecto moral e médico, mas, infelizmente, as pessoas parecem não querer acordar para uma realidade palpável no dia-a-dia. Nosso sofrimento físico e interior e o que nos rodeia seria suficiente para perguntarmos: “Meu Deus, o que foi que eu Fiz”? Mas, fazendo como o avestruz que esconde a cabeça em um buraco e deixa o restante do corpo para fora para não ver o seu inimigo, o ser humano visando seu bem estar finge ignorar o sofrimento culpando a “má sorte” pelas suas desditas.
O Espiritismo é concorde com a religião católica no que diz respeito ao momento em que alma se une ao corpo. A resposta da questão número 344 do Livro dos Espíritos diz: “a união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus”.
Mas nos sabemos que antes da concepção existe todo um planejamento para reencarnação do Espírito. Um desvio de conduta, um mau uso do livre-arbítrio certamente ocasionará o retardo da oportunidade que um espírito terá para se reajustar e avançar na sua evolução. Mas isso é assunto para outro artigo...
“E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. (João, 8: 10 e 11.).
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail: jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LULA – O FILHO DO BRASIL: VOCÊ
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IRIA AO CINEMA VER ESSE FILME?

Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995. Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010. Ainda surfando no anúncio dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e nos sinais de retomada do crescimento econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara-se para colecionar mais dividendos políticos, dessa vez nas telas do cinema e em pleno ano eleitoral, quando todos os esforços estarão voltados para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora. .

O QUE NINGUÉM COMENTA
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Numa noite de junho de 2005, Zé Dirceu, então chefe da Casa Civil do governo petista, considerado pelo procurador-geral da República como o chefe da "Quadrilha Organizada" operante no Planalto, reuniu-se em ambiente domiciliar, no Rio de Janeiro, com representantes da "classe artística", entre eles o lobista Luiz Carlos Barreto, o aríete-mor do cinema caboclo.
A tropa de choque do cinema, como sempre à cata de privilégios e regulamentações coercitivas, queria, com urgência, maior volume de verbas públicas para tocar a cornucópia da fortuna. O clima era de tensa expectativa. Depois da choradeira de praxe, o chefe da Casa Civil - logo depois varrido do cargo por força das denúncias do deputado Roberto Jefferson - arregaçou as mangas e encarou friamente a platéia ansiosa. Só então, dedo em riste, foi incisivo na sua convocação para fazer do cinema um ativo instrumento da propaganda oficial. Disse ele: "organizem-se e cheguem a nós".
O ex-guerrilheiro (sem guerrilha) não precisava chegar a tanto, afinal todos ali presentes não tinham outra intenção senão servir ao governo Lula, mas Barreto, cobra criada nos pântanos pouco ortodoxos de "O Cruzeiro" do "Dr. Assis", captou a mensagem. E logo após o interregno de alguns filmes sem o menor apelo, "matou no peito" a produção cinematográfica que ele, rápido no gatilho, transformou num "negócio de ouro": "Lula - o filho do Brasil", melodrama adaptado da "biografia autorizada" de Denise Paraná (assessora política de Lula na campanha contra Collor, em 1989), publicada pela Fundação Perseu Abramo, organismo criado pelo PT para dar suporte ideológico (marxista) aos "companheiros de luta" e lavar a cabeça dos "inocentes úteis" em âmbito universitário - está implícito, também com apoio das generosas verbas públicas.
Como por milagre, aos 80 anos, o lobista Barreto tinha em mãos, para abrir os cofres bilionários da Ambev, Odebrechet, Embraer e das grandes empresas nacionais, todas dependentes da boa e má vontade de Lula, a chave-mágica da "comovente história de um menino miserável do Nordeste que chegou à presidência da República" (depois de passar, já se vê, pela escola matreira do sindicalismo vermelho).
A primeira tarefa de Luiz Carlos Barreto ao levantar o esquema foi anunciar o orçamento daquele que se diz ser o "mais caro filme brasileiro de todos os tempos". Numa conta de chegar sempre elástica - sobretudo quando se trata de levar à tela a vida de presidente de um "Estado forte", em pleno gozo das funções -, de início a produção de Barreto foi orçada em R$ 12 milhões, em seguida revista para R$ 16 milhões, e logo depois elevada para R$ 17 milhões e R$ 18 milhões - sendo muito provável que "Lula, o filho do Brasil", quando do seu lançamento no ano eleitoral de 2010, ultrapasse a casa dos 30 milhões de reais, pois, como o lobista gosta de afirmar, é um "sujeito que pensa grande". De fato, com o dinheiro que já arrastou dos cofres públicos para fazer cinema, desde os tempos da Embrafilme dos militares, desconfio que o lobista, se quisesse, poderia construir não sei quantos palácios da Alvorada, embora tenha "pipocado" na hora de comprar o espólio da estatal do cinema.
Pois bem: é neste clima de diluição moral e de completa mistificação ideológica, no qual o cidadão indefeso precisa ser logrado a todo custo, que vai ser lançado em 2010, ano das eleições presidenciais, "Lula - o filho do Brasil", o "negócio de ouro" de Barreto, uma indisfarçável peça de propaganda a serviço do culto à personalidade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PESCARIAS NAS CABECEIRAS DO RIO GARÇA

Na década de 70 frequentei algumas vezes as cabeceiras do Rio Garça, localizadas na região de Tesouro, Mato Grosso. Essa corrente é um afluente do Araguaia e desemboca na localidade de Barra do Garças, hoje uma cidade de crescimento e progresso rápido. O município de Tesouro está localizado na região sul de Mato Grosso á 365 km de Cuiabá, capital do Estado, 150 km de Rondonópolis, 40 km de Guiratinga e a 143 km pela rodovia BR 070, que passa em Primavera do Leste. Se bem que quem sai de São Paulo não precisa, necessariamente, passar por aquela capital do Brasil Central. Lugar mágico, de grande potencial hídrico, banhado pelo rio Garças, Tesouro é repleto de cachoeiras, rios e córregos e bom para pescas, banhos refrescantes ou para a apreciação, pura e simples, de suas belas paisagens. Na época, apenas uma pequena pensão abrigava os pescadores que ali iam ter. Hoje, segundo informações, há hotéis e pousadas esperando turistas de todas as partes devido às belezas naturais. Região de gado e garimpo, principalmente diamantes, há até momentos históricos preservados como foi o caso da Coluna Prestes que por ali passou e deixou na lembrança dos habitantes e seus descendentes, interessantes histórias. Falarei sobre minhas pescarias no passado, pois não tenho informações sobre o que acontece hoje ali.
Impressionante a quantidade de pintados (cacharas), barbados e outros peixes de couro que se fisgava. Entretanto, os maiores exemplares não passavam de doze quilos. Mas é justamente por essa razão e devido ainda a situação do rio nessa localidade, correndo entre montanhas e com muitas corredeiras, que a pesca esportiva era muito emocionante. Os pesqueiros eram procurados ao fim de cada corredeira, onde havia poços profundos. Muitas vezes era necessário entrar na água para se fazer bons lances. O material leve, carretilha ou molinete médio e linha de diâmetro 0,50 mm, proporcionava ao pescador momentos de gostosa tensão emocional. Certa ocasião fisguei um pintado de bom tamanho. O material usado era uma carretilha Mar e a linha de diâmetro 0,40 mm. A luta com o peixe já durava uns 10 minutos quando, lentamente, consegui trazê-lo para a margem. Cansado de dar e recolher linha firmei o caniço para encalhar o peixe na praia. Desesperado, o peixe num último esforço conseguiu romper a linha. Se tivesse munido de um bicheiro ou um puçá, o peixe não teria escapado.
Naquela época e naquele lugar, a isca mais apropriada para a pescaria do pintado era o muçum. Com um tolete era possível se pescar cinco ou seis pintados, uma vez que sendo esta bastante dura, quando mordida violentamente pelo peixe escapa do anzol e sobe pela linha, ou seja, escorrega do anzol deslizando linha acima. Essa era uma das preferidas não só do pintado como de outros peixes de couro. O barbado, chamado de barba-chata na região do Rio Garça, atacava vorazmente a isca constituída de muçum.
O muçum podia ser encontrado na região em pequenas lagoas e riachos, mas eram de tamanho bem pequeno, ao contrário dos que eram levados de São Paulo, mais precisamente comprados dos criadores do ABC.
Cortados em toletes de oito centímetros, o muçum sangra abundantemente, atraindo de imediato os peixes de couro, entres eles o cobiçado pintado. Dois muçuns de tamanho médio davam para pescar o dia inteiro.
O tipo de pescaria ideal naquela região do Garça era e, acredito até hoje, a de barranco, nas proximidades dos poços existentes no fim das corredeiras, mas, o uso de barco com motor de rabeta curta trazia conforto e podia-se percorrer vários poços num só dia e assim efetuar pescarias mais producentes, além de diversificar o aprisionamento de espécies.
Em uma de minhas pescarias, realizada em um mês de outubro, uma linha 0,90 mm rompeu-se facilmente na junção com o encaste. O peixe era um barbado de mais ou menos dez quilos. Isso ficou patente, quando, duas horas depois da fuga do peixe, consegui fisgá-lo novamente. O anzol e o encaste com o pedaço de linha e até a isca estavam fincados na goela do dito cujo. Os companheiros ficaram abismados não acreditando no que viam. Mas o fato de se fisgar o mesmo peixe duas vezes não é raro, principalmente quando a espécie é de couro.
As corredeiras são inúmeras e proporcionavam ao pescador a esportividade esperada quando tinha peixe na linha. Os pintados, uma vez fisgados procuravam as fortes correntes, obrigando o pescador a um esforço maior. Os pescadores que pescavam com linha de mão (ou linha-larga), acompanhavam o peixe rio abaixo ou acima, dando e recolhendo linha para cansar o bicho. O cuidado era maior, pois quando o pintado de aproximava da margem costumava correr novamente tentando se libertar do anzol. Nessa corrida, a linha queima os dedos do pescador, daí, a necessidade de usar luvas ou mesmo uma dedeira para proteger o dedo indicador, evitando-se assim queimaduras e cortes profundos.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail: jgarcelan@uol.com.br

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domingo, 22 de novembro de 2009

DOMINGO É DIA DE CAIPIRINHA E FUTEBOL

Hoje é domingo, dia de descanso. Uma boa caipirinha, a macarronada da mama e cair na rede para uma bela soneca. Mais tarde curtir essa final eletrizante do Campeonato Brasileiro, cuja rodada começou ontem, com o "Coringão" entregando o jogo para ajudar o Náutico a se livrar do rebaixamento. Assim será na próxima semana, quando o time do Ronaldo Gordo deverá entregar o jogo de bandeja para o Flamengo, tentando evitar o quarto título seguido do São Paulo, o sétimo de sua história. Muito dificil, o São Paulo depende apenas dele e dos menudos, apesar da derrota contra o Botafogo por 3 x 2. O Flamengo "pipocou" no Maracanã lotado e empatou com o Goiás em 0 x 0. O São Paulo continua líder sózinho, mesmo roubado hoje, com 62 pontos, faltando duas rodadas. O Palmeiras é isso que estão vendo nessa ilustração. Faltou gasolina, apesar da rápida abastecida que deram neste domingo em seu fusquinha...
Bom domingo!