sábado, 14 de novembro de 2009

O BRASILEIRO COITADO É QUE LEVA A FAMA

Com um histórico de inovação, criatividade e exploração, Bristol é uma cidade que tem sempre algo interessante a cada esquina. Nomeada como a " Cidade da Ciência", é famosa por seus inspirados engenheiros e pela primeira turma de ciências técnicas da universidade. Localizada no sudoeste da Inglaterra, Bristol é o centro de energia e cultura graças ao cenário musical vibrante, da vanguarda, excelentes restaurantes e museus de primeiro mundo. Com suas duas prestigiadas universidades, Bristol possui uma próspera população internacional de estudantes. É considerada a capital de todo o Sudoeste da Inglaterra. Tem numerosos museus, teatros e festivais famosos, como o dos balões aerostáticos. Tem ainda um zoológico que agora ganhou fama mundial, por causa da criatividade de um homem.
Ao lado desse Jardim Zoológico, existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 ônibus. Por 25 anos, a cobrança do estacionamento era efetuada por um muito simpático atendente. As taxas eram o correspondente a US$ 1.40 para carros e US$ 7.00 para ônibus.
Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o atendente simplesmente não apareceu. A administração do Zôo, então, ligou para a Prefeitura e solicitou que enviassem outro atendente. A Prefeitura fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zôo era da responsabilidade do próprio Zôo e não dela.
A administração do Zôo respondeu que o atendente era um empregado da Prefeitura. A Prefeitura, por sua vez, respondeu que o atendente do estacionamento jamais esteve na sua folha de pagamento. Enquanto isso, descansando em sua bela residência em algum lugar da costa da Espanha (do Brasil ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todo dia, coletando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em US$ 560 por dia... Durante 25 anos!
Presumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de US$ 7 milhões de dólares. E ninguém sabe nem mesmo seu nome! Depois dizem que brasileiro é que é 171, mas, convenhamos, que brilhante idéia...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CONVERSAR COM DEUS É UMA NECESSIDADE

"Digo-vos: as preces não chegam a Deus senão quando passam pela porta do coração". A frase é de nosso querido codificador Allan Kardec. Não me recordo no momento onde está inserida, mas é um bom exercício para os espíritas pesquisarem e constarem o que aí estou afirmando.
Quando criança aprendi com minha mãe a orar. Mas minha genitora, como espírita que é, não ensinou orações mecânicas, isto é, frases ditas como se fossem poemas que deveriam ser repetidos todos os dias, principalmente ao deitar. Na minha infância (e isso já faz muito tempo), não havia uma pedagogia infantil espírita e muito menos livros da doutrina destinados as crianças. Por isso, meu pai colocou-me em uma escola de ensino básico paroquial, no interior de uma igreja e ali tive uma educação religiosa, além de aprender a ler e escrever. Criei gosto pela leitura e acabei virando um “rato de biblioteca”, como se diz popularmente. Mas a frequência aos Centros Espíritas, principalmente a Federação Espírita Paulista era constante, pois minha mãe como médium cumpria sua tarefa e eu, pequerrucho, a acompanhava, tirando longas sonecas enquanto se desenvolviam os trabalhos.
Como seria bom se todas as crianças tivessem uma educação religiosa nos dias de hoje, não importa a crença, desde que seja direcionada para o bem.
No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXVIII – Coletânea de Preces Espíritas em seu Preâmbulo – item 1 diz: Os Espíritos sempre disseram: “A forma não é nada, o pensamento é tudo. Orai, cada um, segundo as vossas convicções e o modo que mais vos toca; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras estranhas ao coração.”
“Os Espíritos não prescrevem nenhuma fórmula absoluta de preces; quando as dão é para fixar as idéias e, sobretudo, para chamar a atenção sobre certos princípios da Doutrina Espírita. É também com o objetivo de ajudar as pessoas que têm dificuldades para expressar suas idéias, porque existem as que não crêem ter realmente orado, se seus pensamentos não foram formulados.” (IDE -1984- Tradução Salvador Gentile).
Lembro-me ainda que naquela época, início da década de 40, os espíritas, mesmo os mais esclarecidos, ainda se apegavam ao sincretismo (resultado de séculos e séculos de uma religião predominante). Havia os que ainda mesmo frequentando assiduamente as searas espíritas não conseguiam se desraigar de certos costumes religiosos a que haviam professado. Lembro-me de meu pai, sempre quando necessitava orar para falar com Deus, dizia: “vou ao meu quarto tranco as portas e me confesso diretamente ao Pai.” Isso é apenas um comentário sobre aqueles tempos. Felizmente e rapidamente as coisas mudaram. As pessoas estão começando a compreender e entender como falar com Deus.
Existem doutrinas orientais que ensinam como se concentrar, ou se desligar do mundo que o cerca para meditar e em seguida orar e isso nada tem a ver com misticismo. São técnicas psicológicas (se bem que eles não entendem assim). Nós espíritas podemos, a exemplo de nossos irmãos orientais, fazer o mesmo, em qualquer lugar, sem nos atermos a um local qualquer. Muitos Centros Espíritas se localizam em locais movimentados e barulhentos, no entanto, os médiuns conseguem, desligando-se totalmente do burburinho e de seus problemas pessoais, concentrar-se e cumprir com seus deveres.
Cada um tem uma maneira muito pessoal de se desligar e se concentrar para uma oração ou realizar seu trabalho na Seara Espírita. No meu caso, quando no início de minha vida mediúnica, tinha um método: fechava os olhos, e começava a contar com a mente de l00 para trás, ou seja, 99, 98, 97, 96... E assim, lentamente, ia me desligando do mundo exterior. Raramente chegava aos 50. A partir daí estava completamente voltado para os trabalhos espirituais e minhas orações partiam de meu coração, muitas vezes, ou a maior parte delas, junto com lágrimas de emoção.
Hoje, não utilizo mais esse método, mas quem quiser experimentar... Esteja onde estiver, consigo me desligar e orar, mesmo porque, cercado como estamos, por irmãos doentes, temos necessidade de ORAR E VIGIAR, como nos foi recomendado. Em agindo desta forma, estaremos sempre cercados por bons amigos da espiritualidade.
Lembrem-se, meus irmãos, Deus e nossos amigos tutelares nunca se afastam. Nós e que nos afastamos deles com nossas ações erradas. Nosso Pai ali está juntinho de cada um de nós. Por isso, basta um pensamento sincero e comovido para alcançarmos as graças que merecemos, de acordo com a nossa evolução espiritual e a lei de Causa e Efeito. O Pai não revoga suas próprias leis, mas há sempre um lenitivo para cada ocasião. Há um velho dito popular que diz “Deus fecha uma porta e abre outra”. No Velho Testamento há o salmo 30:5: “O choro pode durar uma noite; mas a alegria vem pela manhã.”
Na verdade, estamos falando com Deus cada vez que tratarmos nosso semelhante e as outras criaturas com respeito e carinho; quando olhamos para o céu com suas nuvens formando figuras estranhas; quando vemos as árvores com suas cores vivas e suas flores coloridas; quando olhamos pequenos insetos percorrendo nosso jardim ou as aves cantando alegres; quando sentimos a chuva molhando a terra e abastecendo nossas necessidades fisiológicas; quando o sol nos aquece e faz com que as sementes germinem para nos alimentar. Deus está em toda parte.
E para encerrar vou contar uma pequena história: João, um velho escravo, todos os dias antes do sol nascer saia em direção ao eito com sua ferramenta. Ao chegar, o sol começava a aparecer. João pegava sua enxada, colocava-a em pé e com o queixo encostado na ponta do cabo, olhava para o “astro-rei” e dizia: "sinhô, eu estou aqui!"
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail:
jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

COMISSÃO DE JUSTIÇA APROVA PROPOSTA QUE EXIGE O DIPLOMA PARA JORNALISTAS

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou há pouco a admissibilidade da PEC 386/09, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que restabelece a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A CCJ aprovou o parecer favorável do relator, deputado Maurício Rands (PT-PE). A PEC seguirá agora para uma comissão especial, que será criada para analisá-la. Posteriormente, a proposta precisará ser votada em dois turnos pelo Plenário.
Com outros dois textos semelhantes, a proposta foi apresentada após o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar, em junho, a obrigatoriedade do diploma
um resquício da regulamentação da comunicação feita durante o regime militar (1964-1985). Na ocasião, o entendimento da maioria dos ministros foi o de que restringir o exercício do jornalismo a quem tem diploma afronta o princípio constitucional da liberdade de expressão.
Para Rands (PT-PE), a decisão do Supremo gerou "uma grave insegurança jurídica para uma imensidade de profissionais jornalistas, milhares de estudantes de jornalismo e, sobretudo, para a própria ordem democrática"
. A existência de cursos universitários, porém, independe de a profissão ser ou não regulamentada. Em 2006, o Congresso chegou a aprovar projeto que regulamentava a profissão de jornalista de forma a exigir diploma universitário de todos os profissionais que atuam na área, incluindo os que fazem comentários, narrações, análise e crônicas. O projeto levou apenas dois anos para ser aprovado pela Câmara e Senado, mas foi vetado pelo Executivo. O governo alegou na época que a exigência do diploma para todas as funções é um "equívoco, um excesso na regulamentação da profissão", citando o artigo 5º da Constituição Federal, que garante o livre exercício da atividade de comunicação, e ponderou que o texto "limita o exercício do direito à liberdade de informação".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

UM FORTE ESQUEMA DE SEGURANÇA VAI GARANTIR A VOLTA DE GEISY ÀS AULAS

REPERCUSSÃO DO CASO FEZ UNIBAN SE ARREPENDER DA EXPULSÃO DE GEISY
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O vice-reitor da Universidade Bandeirante (Uniban) de São Paulo, Ellis Brown, negou nesta terça-feira que o Conselho Universitário tenha errado ao expulsar a estudante de Turismo Geisy Arruda, mas admitiu que a repercussão do caso influiu na mudança da decisão. Segundo ele, a revogação do afastamento da aluna e da suspensão de outros envolvidos foi a escolha de uma "abordagem educacional em lugar da punição disciplinar".
Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70, loira, olhos verdes, residente em Diadema, cidade do ABC paulista, cursa o primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Forte esquema de segurança deverá acompanhar Geisy em sua volta às aulas. Até o prédio onde Geisy estudava foi trocado para evitar tumulto. Mesclado ao texto deste blog, notas de agências de notícias. Acompanhem todo esse caso polêmico.

A nota divulgada pela Uniban não traz mais detalhes do recuo, feito logo após a repercussão negativa da notícia de que a estudante não poderia mais continuar seus estudos na entidade de ensino superior. Segundo notificação anterior da Universidade, publicada em jornais de São Paulo no domingo (8), a decisão de expulsar Geisy foi tomada após uma sindicância interna, que atribuiu a culpa pelo tumulto às atitudes da estudante, que teria desfilado pelos corredores, tirado fotos e passeado pelas salas de aula com um vestido provocante.
Antes da Uniban recuar em sua decisão, o Ministério Público Federal em São Paulo divulgou que instaurou um inquérito civil público para apurar as circunstâncias da sindicância que resultou na expulsão de Geisy. Também a Polícia Civil abriu na tarde de ontem um inquérito para investigar as ofensas sofridas pela estudante do curso de turismo. O caso teve grande repercussão, inclusive internacional, recebendo destaque nos jornais "The New York Times" e "The Guardian".
Ainda na tarde de ontem, antes da notícia da desistência da Uniban em expulsar Geisy, o advogado da estudante, Nehemias Melo, convocou uma coletiva em que avisou que deveria ir à Justiça para que a cliente tivesse o direito de terminar o semestre letivo na Uniban. Na ocasião, o advogado afirmou que deveria ir ao Fórum de São Bernardo do Campo para entrar com uma medida cautelar para que Geisy possa retornar à faculdade. Ele também alegou que deveria pedir a retirada os vídeos postados na internet com as imagens do dia em que ela foi agredida. Segundo o advogado, um inquérito foi aberto na delegacia da Mulher em São Bernardo do Campo para apurar o caso.
Geisy também participou da coletiva. Passou boa parte do tempo de cabeça baixa e chegou a se emocionar em alguns momentos. Ela respondeu a todas as perguntas feitas pelos jornalistas e disse que a única coisa que ela quer é terminar o ano letivo.
O Ministério da Educação (MEC), que também divulgou ontem um documento onde exigia que a universidade se manifestasse sobre a expulsão em dez dias, disse que não recebeu oficialmente nenhuma informação sobre o recuo da Uniban.
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VAIAS E TUMULTO DURANTE PROTESTO . .

Mesmo depois de revogar a decisão de expulsar a aluna Geisy Arruda, hostilizada por usar um vestido curto no último dia 22, a Uniban continua alvo de protestos. No início da noite de ontem, manifestantes fizeram batucadas em frente à universidade, levaram carro de som e acusaram a instituição de autoritarismo. Os alunos da Uniban não concordavam com a passeata. Muitos vaiaram a manifestação e gritaram para os militantes irem embora e calarem a boca. Parte do coro contra o protesto também partiu de funcionários da universidade. Os estudantes mais uma vez repetiram a postura do vídeo que gerou tanta polêmica: vaiaram e xingaram o protesto e perseguiram a apresentadora Sabrina Sato com seus celulares. Apesar do coro do grupo feminista Marcha Mundial das Mulheres e das faixas em prol da aluna, levantadas por integrantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), de sindicatos, de ONGs e de partidos políticos, muitos não concordavam com a situação.
"Todo mundo tem culpa nessa história, inclusive a Geisy. Ela ficou desfilando e se exibindo e estava gostando do alvoroço até que tudo saiu do controle", conta Beatriz Carrera, aluna de nutrição da Uniban.
Maria Fernanda Marcelino, militante do grupo feminista, aproveitou o carro de som e denunciou a "mercantilização" do corpo das mulheres. Ao mesmo tempo, a universidade foi acusada de machista e autoritária. O clima foi tenso entre manifestantes e alunos da instituição.
Michele Alberdht, uma das alunas contrárias ao movimento, explicou o motivo pelo qual vaiou a manifestação. "Esse pessoal que veio protestar não sabe como era essa menina", diz, referindo-se a Geisy Arruda.
Angélica Fernandes, militante do Diretório Nacional do PT, relembrou o passado de São Bernardo do Campo para se queixar do presente. "Há 30 anos São Bernardo do Campo entrava pro noticiário nacional com a greve contra a ditadura. Agora nosso município volta mostrando que está nas trevas", declarou ao microfone, ainda sob as vaias dos alunos.
Quando o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Augusto Chagas, subiu ao carro de som para finalmente anunciar a decisão da Uniban de voltar atrás sobre a expulsão de Geisy, foi recebido com mais protestos. "Ele está pegando a Geisy", gritou um estudante. "É natural a polarização. Tem gente que não compreende o debate e acha normal a violência contra a mulher", afirmou o presidente da UNE.

A apresentadora da Rede TV, Sabrina Sato, tomou a atenção dos estudantes ao desfilar de roupas decotadas em meio aos gritos da multidão. Rodeada por dezenas deles, Sabrina foi filmada e chamada de "gostosa" pelos estudantes, que pediam para ela tirar a roupa. Os alunos da Uniban repetiram nesta segunda diante das câmeras de TV o que fizeram duas semanas atrás para os visores dos celulares: perseguiram uma mulher em um vestido rosa (no caso, Sabrina Sato) e hostilizaram quem pedia tolerância.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNIBAN NÃO VAI MAIS EXPULSAR GEISY

NOTÍCIAS RECENTES SOBRE ESSE CASO
.O Reitor da Universidade
A Universidade Bandeirante (Uniban) decidiu revogar a expulsão da aluna Geisy Arruda, 20 anos, que foi insultada por vários alunos da instituição por usar um vestido curto no campus de São Bernardo do Campo. A informação foi divulgada em uma nota oficial da instituição.
O Reitor da Universidade Bandeirante - Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, incisos IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (Consu) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão", diz a nota, sem dar mais detalhes.
O caso da estudante de turismo, Geisy Arruda (foto acima), voltou a ser abordado neste domingo por todos os jornais do Brasil e muitos do exterior, após a decisão da Universidade de São Bernardo de expulsá-la pelo uso de uma minissaia. Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70, loira, olhos verdes, residente em Diadema, cidade do ABC paulista, cursava o primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Mesclado ao texto deste blog, notas de agências de notícias. Acompanhem todo esse caso polêmico.
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A União Nacional dos Estudantes (UNE) fará ato nesta segunda-feira, a partir das 18h, em frente à Uniban de São Bernardo, no ABC PAULISTA, para repudiar a expulsão da estudante Geisy Arruda do, do curso de Turismo. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, considerou "descabida" a decisão da Uniban: "é como nos casos em que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso", afirmou.
A universitária foi xingada por alunos da instituição por usar um vestido considerado curto no campus no dia 22 de outubro. Em nota, a entidade estudantil convida os universitários a participarem da manifestação e sugere um desfecho para o caso: "chamamos a atenção das universidades para o fato e que alguma aceite a matrícula de Geisy, lhe oferecendo, inclusive, uma bolsa de estudos".
Geisy foi pivô de uma confusão de grande repercussão quando teve de sair escoltada pela Polícia Militar do prédio da sua faculdade devido às agressões verbais que estava recebendo dos colegas pelo vestido que usava. Imagens das agressões foram gravadas por universitários e postadas no site YouTube no mesmo dia. Desde o ocorrido, a estudante não voltou mais à universidade.
A Uniban, em um comunicado pago publicado em jornais do Estado de São Paulo deste domingo, informou ter decidido expulsar Geisy "em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade". "Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar", diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
No sábado, Geisy Arruda afirmou não ter sido comunicada da decisão e que ficou sabendo da expulsão no comunicado publicado nos jornais, mesmo tendo passado a tarde de sábado em uma sindicância da Uniban sobre o caso. A estudante de Turismo disse ter considerado a decisão um "absurdo".
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MEC QUER EXPLICAÇÕES
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O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta segunda-feira que pedirá explicações à Universidade Bandeirante (Uniban) sobre a expulsão da estudante Geisy Arruda, 20, que foi hostilizada por outros alunos ao usar um vestido curto para ir à aula.
"Vamos analisar o que ocorreu e, em vista dos esclarecimentos da universidade, o MEC pode recomendar que a universidade se comporte como uma instituição de educação", afirmou Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Educação Superior do ministério.
A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), já havia informado mais cedo que vai cobrar da Uniban explicações sobre a expulsão da aluna e sobre o andamento das medidas contra estudantes que a "atacaram verbalmente". Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra "absoluta intolerância e discriminação". "Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões", afirmou a ministra.
Segundo Nilcéa, a ouvidoria da SPM já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Hoje, a SPM deve publicar nova nota condenando a medida e provocando outros órgãos de governo como o Ministério Público Federal (MPF) e o MEC.
Geyse foi hostilizada no dia 22 do mês passado por cerca de 700 colegas, por usar um vestido curto durante as aulas. Aluna do primeiro ano do curso de Turismo, a estudante foi expulsa da instituição, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP). A decisão foi divulgada em nota paga publicada ontem em jornais paulistas.

domingo, 8 de novembro de 2009

ESTAMOS VOLTANDO À IDADE MÉDIA?

O caso da estudante de turismo Geisy Arruda (fotos), voltou a ser abordado neste domingo por todos os jornais do Brasil e muitos do exterior, após a decisão da Universidade de São Bernardo de expulsá-la pelo uso de uma minissaia. Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70, loira, olhos verdes, residente em Diadema, cidade do ABC paulista, está no primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Mesclado ao texto deste blog, notas de agências de notícias. Acompanhem todo esse caso polêmico.
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EXPULSA DA UNIVERSIDADE
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A Uniban publicou anúncio em jornais de São Paulo deste domingo (8) em que afirma ter decidido expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, hostilizada por colegas no dia 22 de outubro. A estudante foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas - ela está no primeiro ano do curso de turismo. No anúncio, intitulado "A educação se faz com atitude e não com complacência", a universidade afirma que a sindicância aberta para apurar o acontecimento concluiu que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna. Segundo a nota, foram colhidos depoimentos de alunos, professores e funcionários, além da própria Geisy, para embasar a sindicância. Em seu depoimento, a Uniban diz que "a aluna mostrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse". As imagens gravadas no dia e divulgadas na internet também foram analisadas, e os alunos identificados foram suspensos temporariamente das atividades acadêmicas. A universidade afirma que a aluna frequentava a unidade com trajes inadequados "indicando uma postura incompatível com o ambiente" e chegou a ser alertada sobre o assunto, mas não mudou o comportamento. No dia do acontecimento, segundo a Uniban, Geisy percorreu percursos maiores para aumentar sua exposição, "ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos".
"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."
O advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna "sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar". O advogado da estudante, Nehemias Melo, disse que ainda não foi notificado da decisão da Universidade em expulsar a estudante e que tomou conhecimento apenas pelos jornais deste domingo.
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. COMO TUDO ACONTECEU
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No dia 22 de outubro, uma quinta-feira, a estudante foi à universidade, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC, com um vestido rosa curto. Quando subia uma rampa, alguns alunos começaram a assobiar e cantá-la, mas, em pouco tempo, os gracejos deram lugar a ofensas e palavrões. Ao entrar no banheiro, Geisy relatou que uma roda se formou e ela precisou da ajuda dos colegas para conseguir chegar até a sala de aula. Diversos alunos tiraram fotos e filmaram com o celular. A confusão só acabou por volta das 22h com a chegada da Polícia Militar, que abriu caminho entre os estudantes com ajuda de spray de pimenta e escoltou a jovem até a casa dela. Por cima do vestido, Geisy colocou um jaleco branco fornecido por um professor. No dia seguinte ao fato, o vídeo com os xingamentos já estava no YouTube e contabilizava milhares de acessos.
Em entrevista, a jovem classificou o episódio como "um ato de vandalismo" e disse não ter entendido as reações violentas causadas por sua roupa. "Já havia usado o vestido outras vezes e nunca tinha acontecido nada", disse. Ela também disse ter vivido momentos de "terror" por conta da ação dos colegas. "Fiquei presa na sala de aula junto com os meus colegas e professores, que tentavam me defender. Do lado de fora, o pessoal chutava a porta, dava murros. Eles chegaram até a quebrar a maçaneta. Estavam totalmente possuídos". Geisy deixou de frequentar as aulas desde o ocorrido.

ESPECIALISTAS CRITICAM A MEDIDA
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O promotor de Justiça Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, disse que a decisão é um “exagero” e lembra “posturas fundamentalistas”. O caso, segundo ele, não poderia ser enquadrado como ato obsceno, tanto por não ter ocorrido em lugar público como porque não há norma legal para proibir a mulher “de andar com seu vestido mais para cima ou mais para baixo”. “Isso tudo só mostra como a mulher ainda é vista como objeto por muita gente”, diz.
Para Sônia Coelho, militante da Sempreviva Organização Feminista (SOF), a expulsão da estudante é um retrocesso e mostra a falta de compromisso da instituição com a educação e a cidadania. “Isso demonstra que a faculdade não tem nenhuma preocupação com a formação de seus alunos.”. “O Ministério da Educação não pode se omitir e deve entrar com alguma medida para que a universidade se retrate ou até feche. Daqui a pouco as mulheres serão apedrejadas também”, diz Sônia. A polêmica está armada e vai dar muito pano pras mangas. Você que nos acompanha neste blog, o que pensa sobre o assunto?

sábado, 7 de novembro de 2009

UNIVERSITÁRIOS CRIAM FRASES GENIAIS

Final de semana, ânimos exaltados, nada melhor do que descontrair. Pela genialidade, mesmo sendo conhecida por muitos que já receberam por e-mail, resolvemos postar essa brincadeira ocorrida num Campus de uma universidade.
Tudo começou quando estudantes de Direito da faculdade resolveram transformar uma célebre frase em camiseta e ela virou moda no Campus. A turma fez a seguinte frase:
Aí, o pessoal de Medicina resolveu provocar:
O pessoal de Administração não deixou por menos:
E a turma de Agronomia mandou esta:
E não termina por aí! Depois foi a vez do pessoal de Publicidade:
Logo veio a turma da Engenharia participar também da brincadeira:
Mas a frase campeã foi realmente a da Economia:

DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

COBRANÇA: A PRECIOSIDADE DO TEMPO

O que mais se cobra hoje em dia é velocidade. As pessoas têm que ser rápidas, ágeis e eficientes. O sucesso é ser veloz! Como não sou veloz e gosto das coisas bem feitas, bem pensadas e saboreadas, achei uma preciosidade o artigo de Cláudia Laitano no jornal Zero Hora de sábado, 31 de outubro. Conta ela que o ensaísta e crítico literário Antonio Candido, há pouco mais de três anos, durante a inauguração de uma biblioteca do MST, em São Paulo, do alto de seus 90 anos, ousou contrariar um dos clichês mais universais da nossa época. Antonio Candido assim disse: "Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamin Franklin, "tempo é dinheiro". Isso é uma monstruosidade. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo; esse tempo pertence a meus afetos, é para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis: isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução, é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: "eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize. As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada... O amor pelo livro nos refina e nos liberta de muitas servidões."
Em sua crônica, Cláudia ainda comenta que a psicanalista Maria Rita Kehl já havia começado a escrever um ensaio sobre relação entre o modo vivemos neste comecinho do século 21 e a explosão do número de casos de depressão no mundo inteiro quando se deparou com a frase de Antonio Candido e teve um "clique teórico". Em seu livro O Tempo e o Cão está o resultado dessa inquietação - a depressão que invade, devassa e devasta os escravos do tempo - como uma reação psíquica ao excesso de coisas que somos cobrados a fazer o tempo todo, inclusive quando deveríamos estar apenas nos divertindo, brincando, sem compromisso agendado... O resultado óbvio é que "o sujeito deprimido pula do trem em movimento da vida contemporânea e fica à margem dos acontecimentos - não por escolha própria, mas por falência geral da engrenagem interna que o faz funcionar no ritmo exigido."
Pois então, senhoras e senhores à beira de um ataque de nervos, tratem de arrumar tempo para viver, para verem a grama crescer, o rio correr, a lua nascer, o sol despontar e o que mais sempre quiseram fazer, mas sentiam-se proibidos pela exigência diuturna do produzir, produzir, produzir.

Vocês não podem imaginar como é delicioso e refrigerante para a alma ver um beija-flor escolher o lugar para fazer o seu ninho justamente na trepadeira da varanda de nossa casa! Primeiro, ele traz uma penugem, depois, um musguinho e assim, vai tecendo a teia da vida deposita os ovinhos, aquece-os, amorosa e pacientemente, por semanas, até que nasçam seus filhotes. Ah! Isso eu aguardo, também, com paciência amorosa! Vai ser qualquer dia, quando eles estiverem prontos para a vida!
Além de contemplarem as maravilhas da natureza, aprendendo que dela somos parte, há o ensinamento fundamental de Antonio Candido! Ler, ler, ler! Daí brota a fonte da vida! Sem medo de perder tempo ou de se perderem no tempo, e sem vergonha de se sentirem... humanos!

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Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog: http://niviaandres.blogspot.com/
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

QUANTO VALE A VIDA DE UM SER HUMANO?


No começo da noite de segunda-feira de Finados vejo no Jornal da Band materia que sintetiza o caos do sistema de saúde brasileiro e o descaso de grande parte da classe médica tupiniquim. A notícia, com texto e imagem, mostrou a sina de um cidadão de 40 anos de Belém, Pará. O homem passou mal em casa na noite de domingo (1) e a família tentou encontrar uma ambulância ou viatura para socorrê-lo, porém não conseguiu por ser feriado nacional. O homem foi colocado em um carro particular e percorreu com a mulher e outro parente, cinco hospitais de Belém, sem obter atendimento. A desculpa foi a mesma: por ser feriado nacional os médicos emendaram o final de semana e nenhum deles trabalhou nos três dias - sábado, domingo e segunda. O homem morreu e a reportagem da TV exibiu o corpo do infeliz nos braços da mulher no interior do carro da família. Não se soube, até esta terça-feira, as causas da sua morte, mas provavelmente a farra dos médicos em um final de semana prolongado tenha sido um dos fatores do desenlace. Esse não é um caso isolado e muito menos restrito ao Norte ou Nordeste "deste País". Gostaria, certamente, redigir para este espaço, outro artigo sobre hilárias histórias de impagáveis viagens por este Brasil ao lado de companheiros do porte do nosso Edward de Souza, como algumas aqui narradas, porém o momento de indignação conduz a outros rumos, infelizmente.
Desde novembro do ano passado (dia 10), tenho percorrido as recepções e salas dos três mais conceituados centros de atendimento médico público aqui do ABC. O Hospital Anchieta (São Bernardo), Mário Covas (Santo André) e a Faculdade de Medicina do ABC (Santo André). Pelo que constatei neste um ano de visitas semanais as três casas de saúde, todas estão equipadas com o que há de mais moderno no Brasil em se tratando de medicina. Entretanto, é ai que entra a indignação, a conduta de muitos médicos, atendentes e enfermeiros ficam distante do que exige o tratamento ao ser humano. Em alguns casos constatei indescritível deboche do pessoal enfiado em jalecos impecavelmente brancos. Claro que toda generalização é estúpida e nem é esse o objetivo deste relato. Tenho visto um sem número de aberrações, insensibilidade, descaso e desrespeito ao cidadão que não frequenta corredores de hospitais pelas aparências de seus funcionários, mantidos e pagos pelo paciente desdenhado. Já na terceira idade, sendo mais da metade dedicada ao jornalismo e, por consequência, ao aprendizado da lida com o ser humano de todas as classes sociais, vejo disparates cometidos por aqueles que têm por dever e juramento servir a população com humildade, respeito e principalmente dedicação profissional.
Em um determinado momento de pouca inspiração de um rapaz, jaleco límpido, barba aparada, falando ao celular no interior da sala de atendimento, a paciência e resignação escaparam de controle e tivemos pequena altercação, que só não teve outras consequências porque o infeliz percebeu que não estava lidando com "antas" e muito menos subjugados. Fui levado a fazê-lo entender que deveria ter se formado para exercer profissão em abatedouro, labuta mais adequada ao seu caráter. Felizmente o jovem médico assimilou o recado e a pendenga ficou por ali. Mas presenciei outros lances de atendimento impessoal e alguns até desumanos, que reforçaram meu conceito sobre certas profissões e determinados profissionais.
Apenas para justificar a ocupação deste espaço, relato pequeno fato que deixa abismado qualquer ser de médio raciocínio ou espírito de pastor de ovelha. Fiz, no Hospital Mário Covas, uma biópsia no dia 22 de julho. Apanhei os exames dia 07 de agosto e, no mesmo dia, levei ao Hospital Anchieta, porém o médico só foi examinar o resultado do exame agora, dia 19 de outubro, ou seja, mais de 60 dias e, em apenas 5 minutos de atendimento, sem me olhar nos olhos, passou mais um punhado de exames (entre os mais de 50 que fiz em um ano) para depois agendar uma possível cirurgia, que deve acontecer, se não for tarde demais, somente no ano que vem. Um disparate. Vale ressaltar que o Anchieta (hospital municipal de ensino) e Mário Covas (estadual), têm parceria com a Faculdade de Medicina, da Fundação do ABC, de onde são enviados os respectivos médicos.
A irresponsabilidade no episódio da matéria da Band, que resultou na morte do jovem de 40 anos, em Belém, se junta ao que tenho visto "in loco" e sentido literalmente na carne, o desdém dos que tem a vida de um semelhante em suas mãos. Não se trata de desabafo pessoal, aliás, irrelevante, mas o relato de fatos constados na saga de quem vive em uma das mais importantes metrópoles do Brasil e da América Latina.
A qualidade e aparelhagem dos centros hospitalares, que nos três casos acima citados são de primeiro mundo, não camuflam a insensibilidade de profissionais que manipulam os equipamentos e muito menos escondem o despreparo dos que tem o dever de cuidar de vidas com a dignidade que a profissão exige.
Certamente outros tantos e triplicados casos, como o do infeliz homem de Belém, pululam Brasil adentro, em menor ou maior escala, mas que ficam no ostracismo pela resignação ou morte do paciente. Fui, nos anos 90, vítima de dois sequestros relâmpagos aqui em São Bernardo, porém nem mesmo os marginais se mostraram mais insensíveis do que certos médicos, enfermeiros e atendentes de muitos hospitais. Efetivamente, ainda estou nas mãos dos que ostentam belos anéis e vistosos diplomas, mas infelizmente boa parte está despida de sensibilidade para lidar com seres humanos. Isso, faculdade nenhuma ensina. Deveria...
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista, radicado no Grande ABC
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

DIA DE FINADOS: FIQUE DE OLHO NOS VIVOS

.Hoje é dia de saudades, dia de cemitérios, que se vinculam a uma idéia profundamente arraigada no coração humano do culto aos mortos, tudo reduzido a um sentimento de veneração, onde os filhos de Deus descansam em paz. Um dia de ganhos para os que vendem flores, terços e velas. É o dia da celebração da vida eterna, daquelas pessoas queridas que já faleceram, despertando, em cada um de nós, o desejo de abraçá-los outra vez. Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los, de retroceder no tempo e segurar a vida.
Em outras culturas, as despedidas não são feitas de lágrimas, mas de júbilo pela vida que foi passada sobre a terra, e pela nova existência agora em outro plano. Os espíritas acreditam na encarnação e reencarnação, o que significa que, a morte do corpo não representa a morte do espírito e, dessa forma, é possível voltar a viver em outro momento, com o mesmo espírito, mas em um corpo diferente. Essa crença se consiste na idéia de que se pode ter mais uma oportunidade para progredir, ética e moralmente. Até os cientistas, que só acreditam no que podem comprovar, tentam explicar que existe vida após a morte. Existem religiões porque existe a morte e além da morte o grande vazio e a grande interrogação sobre o que nos espera. Todos os credos tentam preencher esse vazio criando céus e infernos mais ou menos semelhantes onde gozaremos a vida eterna como recompensa de nossas boas ações ou padeceremos no fogo por nossos pecados. Não existisse esse medo nem essa interrogação, a gente iria levando a vida a cada dia esperando na próxima esquina a visita da dama de negro que a todos nos levará um dia.
O que não se pode é fugir de uma realidade. Nesses cemitérios da vida repousam esperanças que não se confirmaram justamente por conta da ação dos que estão vivos. E, frequentemente, dos que são vivos demais. Neste dia dos mortos, senti-me tentado a escrever alguma coisa contra os vivos demais. Sim, aqueles que gozando de boa saúde não se cansam de explorar seus semelhantes a qualquer preço. Há espertos por todos os cantos. Hoje mesmo, nos cemitérios, onde as pessoas vão reverenciar os seus mortos, há muitos deles. Uns vendem água a preço de petróleo, outros oferecem flores, pipocas e abacaxis como se estivessem comercializando pepitas de ouro, sem falar nos guardadores de carros, que cobram pedágio de estacionamento. Se o distinto não quiser pagar, corre o risco de ter o carro riscado. Ou então levado pelos "amigos do alheio".
Na longa lista desses "espertos", o primeiro lugar da fila é seguramente ocupado por políticos. Não todos, é claro, mas a grande maioria que avança com sede sobre o erário, sempre à procura de uma vantagem qualquer. São tão "eficientes" que fazem fortuna em quatro ou oito anos de mandato. Aprovam emendas ao orçamento da União e as intermediam, levando uma boa parte para as suas próprias contas bancárias. É injusto, porém, restringir a lista dos "vivos demais" apenas aos políticos. Nos mercados públicos, por exemplo, onde a classe média e a pobreza fazem compras, a esperteza não é menor. Rouba-se no peso, na qualidade dos produtos e até nos sacos de embalagem.
Em muitas cidades desse imenso Brasil com lágrimas ou com bom humor, homenagear os mortos parece ser uma necessidade universal, uma maneira de reverenciar os antepassados e de lembrar que todos são mortais. Criaram um sistema de atendimento diferenciado para os candidatos a defuntos que são fanáticos por futebol. Empresas passaram a vender urnas mortuárias - caixões - com os emblemas de times de futebol. Os mais procurados são os times do Flamengo, Corinthians e Vasco da Gama. Mas, se a família do torcedor preferir o emblema do Santo André - que continua vivo no Brasileirão depois de derrotar o Grêmio da Nivia Andres por dois a zero - ou da Francana, que já morreu só já falta sepultar, é possível mandar fazer um adesivo para colocar no caixão. Além do emblema do time favorito, a família do torcedor tem direito, se quiser, ao hino do seu time. Neste caso, um carro de som acompanha o cortejo fúnebre até o momento do sepultamento. Uma urna mortuária com o emblema de um time custa, em média, R$ 1.500.
Malandragens à parte, não há como negar. Neste dia dos mortos sofremos muito. Tantos momentos agradáveis já se foram, tantas risadas gostosas se calaram. Ficamos meio tristes, meio bobos, meio tontos. Acho que vivemos apenas para lembrar, relembrar e, sobretudo, para reverenciar os que já partiram. Assim ficamos mais frágeis e acabamos sempre sendo enganados pelos vigaristas "vivos" que pululam por todos os cantos. Confesso a vocês. Se dependesse de mim, ficaria o dia inteiro calado. Aprendi desde pequeno com meus pais que o silêncio é a única linguagem que Deus entende. Nem mesmo este texto eu teria escrito.
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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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