segunda-feira, 23 de agosto de 2010


FALTA DISCUTIR ECONOMIA

NOS DEBATES


No debate dos candidatos falta o principal:
discutir política econômica em profundidade
e com palavras que todos entendam!

O que tem a ver sua vida com o mercado siderúrgico internacional? De repente, como já aconteceu, o mundo da economia assinala uma super-oferta mundial de aço. O que isso tem a ver com seu cotidiano? Aparentemente, nada. Essas notícias você nem quer ler nos jornais, passa por cima, e vai direto para os cadernos que dizem mais de perto ao seu dia a dia e interesses mais urgentes. O único detalhe é que os automóveis são feitos de aço. Na hora de comprar um novinho, sem saber, você vai pagar mais, ou menos, por causa do preço dessa matéria prima.

O que isso tem a ver com as eleições que estão chegando? Tudo! A economia está toda interligada, e tanto o preço do aço de um carro de luxo, como o do custo de plantar abobrinhas ali no cinturão verde de Mogi das Cruzes, tudo, de alguma forma, vai se refletir no seu bolso, ou seja, na sua capacidade de consumo. Mas a economia não é um processo autônomo, com vida própria, que muda por mero capricho de alguns. Ela é totalmente dependente das decisões políticas. E as decisões políticas, por sua vez, dependem de quem está no poder, tanto nos cargos executivos, como legislativos. Uma lei, por exemplo, que reduza determinados impostos sobre a produção, terá efeito direto e imediato nos custos, na competitividade, no preço final ao consumidor.

A indústria que fabrica máquinas para as fábricas se chama setor de bens de capital. Se esse setor for estimulado com uma política de financiamentos, juros baixos, isenções, etc., fomentará o desenvolvimento do país, vai gerar empregos, abrir as portas para novas tecnologias. Tudo isso que, no final, será o conforto que você encontra em sua própria casa, no trabalho, nos shoppings, nas ruas e estradas. Este computador em que você agora está lendo e escrevendo é um dos grãos dessa mega espiga. Se você agora tem um em casa, outro no trabalho, e pode comprar um usado a preço de banana, é porque num certo dia foi revogada uma lei da ditadura denominada “reserva de mercado”, que proibia a importação de computadores. O fim desse monopólio nacionalista burro, destinado a enriquecer determinados grupos ligados ao poder, chegou muito tarde e isso atrasou nosso país durante vários anos. Existiu por causa da política, e foi extinto graças à política. Quando você liga a luz da sua casa, começa a pagar uma tarifa que depende de decisões políticas. A conta do telefone também. E vai por aí. Olhe em volta. Quase tudo ao seu redor tem um preço que lá atrás, na origem, foi definido a partir de uma política econômica. O impacto final, amigos, é sempre nos nossos bolsos. E o pobre, sem renda, ironicamente é sempre o que paga mais, porque as alíquotas perversamente são iguais para todos. Geralmente as pessoas só se lembram disso na hora de pagar o IPTU, IPVA, IR e outros tributos. Mas quando bebem uma simples Coca-Cola, sem saber, pagam também imposto, que todas as empresas repassam nos preços. Nos Estados Unidos é o “plus tax”, cada consumidor sabe quanto está pagando de imposto em cada compra. Aqui, é simplesmente embutido, e entra como custo do produtor. A cada segundo, em tudo o que você faz, estão presentes a economia e a política, de forma invisível, e às vezes nem tanto.

Espanta-me, pois, que nestes debates entre candidatos ninguém faça perguntas como estas: Qual é sua posição em relação à independência do Banco Central? O que acha da política atual de incentivo às exportações? O que mudaria na política cambial? O que pensa sobre o salário mínimo e o que faria para aumentá-lo, e com que recursos? Como analisa a situação de penúria dos aposentados e que solução aponta? Que soluções sugere para tornar formal a economia informal? Como estimular a elevação do nível de emprego sem prejudicar conquistas dos trabalhadores? Como conciliar oferta de crédito, para expansão do consumo, com controle inflacionário? Qual é seu projeto energético na geração de alta tensão? Privatizar ou estatizar, em que setores? Como será sua proposta orçamentária, sem negligenciar prioridades, mas também sem quebrar o país?

A economia, pelo que vi até agora, não está presente no debate político. Só que é ela que vai continuar determinando nossas vidas. O Congresso hoje está todo loteado entre bancadas que representam setores específicos. Tem a ruralista, que representa os interesses do latifúndio, mas não existe a dos sem terra; existem os representantes dos interesses da agroindústria; a turma da indústria, do comércio. Surgiu até a bancada evangélica. Não conheço a bancada dos consumidores, nem dos desempregados, nem dos aposentados. É a turma sem voz e sem voto. Sem defesa e sem ataque. Não espanta que a discussão sobre um reajuste ínfimo no salário mínimo, ou para os aposentados, leve meses. Nem espanta, mas revolta, quando os parlamentares, legislando em causa própria, aprovam seu próprio aumento exorbitante em apenas duas horas, se tanto.

Não vou dizer em quem você deve votar, porque isso compete a você decidir, com sua consciência e se possível boa informação. Os discursos dos candidatos são todos óbvios e todos concordam que o país precisa de segurança, educação, saúde. Nisso as diferenças entre eles são mínimas. Tanto faz votar em Dilma, Serra, Marina, Plínio. Mas quando o debate entra no campo da economia, ai amigos, começam a aparecer diferenças, e não são poucas, nem superficiais.

Um exemplo: Serra é contra a independência do Banco Central. Dilma é a favor. A opinião da Marina ainda desconheço. O que vem a ser isso? Vamos lá: o Banco Central é o órgão que estabelece toda a política monetária do país. Administra as reservas cambiais (estoque de dólares em poder do país). Emite, vende e compra títulos, para regular o mercado e evitar crises. Abriga siglas que estão todos os dias nos jornais, como Copom – Comitê de Política Monetária; CMN – Conselho Monetário Nacional, entre outras. Uma das suas muitas tarefas é fixar a taxa de juros, que regula a oferta de crédito e mantém o controle inflacionário. Outra, a partir da Constituição de 1988: compete exclusivamente ao BC a emissão de moeda. Para ficar fácil de entender, imagine que o Tesouro Nacional é apenas o cofre, e a Casa da Moeda a fábrica que faz o dinheiro. Mas a decisão de emitir parte exclusivamente do BC, através dos seus conselhos técnicos, com representantes dos bancos, setores produtivos e até dos trabalhadores. Antigamente, o Executivo tomava essa decisão e promovia inflação. O governo JK foi o campeão disso, para construir Brasília. Na prática, era como se o governo pagasse suas contas com vales, porque não havia lastro. O endividamento público ficava astronômico, e quem iria pagar a conta seriam os presidentes seguintes. Os sucessores tinham que administrar com reduzido superávit primário (sobras de caixa, depois das despesas e custeio).

As decisões do BC são técnicas e não políticas. Mas o BC não faz o que bem entende. Seu presidente, indicado pelo presidente da República, só assume depois de sabatinado e aprovado em votação secreta pelo Senado. A qualquer momento pode ser convocado para prestar esclarecimentos ao Congresso (deputados e senadores). Sendo independente, o BC tomará sempre medidas técnicas para controlar a inflação, estabelecendo metas sazonais e adotando as medidas para cumpri-las. É por causa dessa independência que o presidente da República não tem poderes sobre a taxa de juros, não sendo raro até criticá-la. Se o BC deixar de ser independente, suas decisões passarão a ser derivadas não de critérios técnicos e sim políticos, dos poderes Executivo e Legislativo. As duas situações têm vantagens e desvantagens, nenhuma é perfeita, a ponto de excluir a possibilidade da outra. Há países em que o BC não é independente. Em outros, como o Brasil, é. Quando a política monetária dá certo, ou errado, a primeira responsabilidade é desse órgão. Os presidentes, todos, gostam de assumir como deles os sucessos do BC, porque o povão não entende essa estrutura. O BC erra? Lógico, acontece. Mas também acerta, e diria que na maioria das vezes, vide a estabilidade atual da economia brasileira. O BC dos Estados Unidos é o FED, que já errou muitas vezes. O problema é que os erros deles respingam na economia mundial.

Nem Serra, nem Dilma, são irresponsáveis num assunto tão crucial. Apenas divergem, e este seria, no meu modo de ver, um debate muito interessante, para aprofundar em todas as suas conexões macroeconômicas. Tem tudo a ver com nossas vidas no futuro. Mesmo para quem nem desconfia disso.

É necessário ainda desmistificar o economês. Ele foi criado justamente para distanciar as pessoas comuns das grandes decisões e engrenagens que movem os interesses dos poderosos. Sem entender, ninguém contesta. E mais: o economês intimida. Ninguém gosta de admitir ignorância. Mesma opressão da linguagem jurídica hermética e inacessível aos mortais. Tudo é traduzível, para que o povo entenda. Mas será que interessa que o povo saia da sua eterna ignorância?

As biografias dos principais candidatos se equivalem na origem, de pessoas simples, e convergem na vocação democrática. Todos combateram a ditadura, ainda que com métodos diferentes, e arcando com danos também diferentes. Suas propostas para o Brasil são muito parecidas nos mais diversos temas. As diferenças começam a aparecer, de fato, quando se entra em política econômica. Eu concentro toda minha atenção nessa área. Foi nela que já decidi meu voto.

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*Milton Saldanha é jornalista, escritor, tangueiro e sonhador.
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domingo, 22 de agosto de 2010


SEQUESTRO RELÂMPAGO


Rotineiro e banalizado hoje em dia, o sequestro relâmpago é uma das modalidades de crime rentáveis aos marginais e traumáticas às vítimas. Esse tipo de delito acontece em número assustador todos os dias, principalmente nas grandes cidades. Tive o "prazer" de sofrer dois, em épocas diferentes e que serviram para lembrar que "o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas despenca duas vezes na mesma cabeça", com estragos consideráveis. O primeiro, em 1993, ocorreu em um sábado à noite, no portal de uma casa noturna, localizada na Estrada Velha do Mar, a beira da Represa Billings, no Riacho Grande, São Bernardo. Quatro rapazes, em idades calculadas entre 16 e 25 anos, todos armados, me abordaram e, com um deles ao volante do meu carro, me obrigaram, sem nenhuma gentileza (ao contrário) a passar para o banco traseiro e em alta velocidade deixaram a Estrada Velha e entraram na Rodovia Índio Tibiriçá, sentido São Bernardo/Mogi das Cruzes; uma via de pista única e com tráfego intenso dos dois lados.
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O cara que dirigia, parecia ser menor, conduzia minha Brasília reluzente, incrementada e de dois carburadores como se estivesse nas pistas de Interlagos. Eu estava no meio dos outros dois no banco traseiro. Na frente, o "motorista" e mais outro ao lado. No agitado caminho, cruzando com carros, caminhões e ônibus, o rapaz que parecia comandar o trio, apenas me alertava: "calma tio, não vai acontecer nada ao senhor. Vamos dar uns lances (roubos) lá na frente. Se aparecer alguma barca (viatura policial) aí a coisa complica, já que não vamos nos entregar numa boa e pode sobrar para o tio". Aguenta coração.
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Sempre em alta velocidade rumaram para um local que, em virtude da escuridão e minha "paura", não reconheci, mas sabia onde estávamos e não era reconfortante. Lembrei, então, que o combustível de minha inseparável Brasília estava acabando, e iria abastecer assim que deixasse a casa noturna onde fui prestigiar a estreia de um amigo aqui de São Bernardo. Torci para acabar a gasolina, então os caras teriam que parar e me liberar, já que na Índio Tibiriçá existem apenas dois postos; um ficou para trás e o outro estava um pouco distante. Vale lembrar que a rodovia é conhecida aqui no ABC como Estrada da Morte (essa via, liga São Bernardo a Mogi das Cruzes, passando por Santo André, Mauá, Ribeirão Pires, Poá, Suzano e Mogi). Mas, o combustível não acabou. Deixamos a rodovia e entramos em uma estradinha de terra estreita.
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Eram aproximadamente 23h. Apenas com a luz dos faróis da Brasília iluminando, paramos no que deduzi ser o fim do caminho, já que seria impossível prosseguir. Antes, o cara que parecia ser o chefe havia me prometido: "tio vamos fazer um trato, a gente deixa o senhor ir embora com o carro, o tio não chama os "home" (polícia), assim tudo acaba bem pra todos". Já fora do carro, um dos moleques sentenciou: ”que nada mano a gente já apagou uns caras metidos a besta e não vamos deixar esse ‘véio” nos caguetar aos tiras”. Gelei, nem poderia ser diferente, mas o chefinho" ordenou: "senhor, pode entrar no carro e cair fora".
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Depressinha pulei para o banco do motorista, mas na hora de dar a partida, cadê as chaves? O pilantra que vinha dirigindo sumiu na escuridão carregando o chaveiro. "ei, como vou embora, se o rapaz levou a chave", arrisquei. O líderzinho então berrou: "mano" (em nenhum instante se trataram pelo nome), volta aqui com as chaves senão vai sobrar pra você, fiz um acordo com o tiozinho e vamos cumprir, não é tio?
O "mano" me entregou as chaves e o chefinho ainda me desejou boa sorte (ironia). Não podendo manobrar (o espaço não permitia) fui saindo de ré, sem enxergar nada (uns 300 metros), e encontrei a rodovia. Entrei para o lado que me deu na cabeça e depois de rodar cerca de 200 metros percebi que estava no rumo de Ribeirão Pires. Era o que eu queria.
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Então, minha querida e estimada Brasília se encarregou de mostrar que um amontoado de latas, embora conservada, não tem coração nem estima por ninguém. A gasolina acabou cerca de 50 metros de um posto de combustível com pouca iluminação, dando a entender que estava fechado. A pé, fui até lá. Deveria ser 23h30 (os "manos" levaram meu relógio de estimação e a grana que eu carregava). Entrei no posto onde um frentista veio me atender. Expliquei a situação e o rapaz mandou que fosse falar com o gerente, um gaúcho de quase dois metros, que me atendeu com cara de poucos amigos. Relatei o que ocorreu e pedi que liberasse alguns litros de gasolina pra chegar ao Centro de São Bernardo, onde eu residia. Falei que os "manos" levaram minha grana, mas deixaram meus documentos. Mostrei ao Paulão (esse era o nome do gerente, soube depois), minha identidade e minha credencial de jornalista/radialista. Quando viu os documentos, Paulão berrou: "o senhor é o Lavrado que trabalha na Rádio Diário com o Rolando Marques, Edward de Souza e o Jurandir Martins no esporte? - "sim, sim, eu mesmo", respondi. O gauchão deu ordem para o frentista encher o tanque. Queria acionar a polícia para pegar os "manos", mas não permiti. Ele então disse que era sócio do Santo André, do qual não perdia um jogo, ouvindo a Rádio Diário do Grande ABC.
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Agradeci, liguei a traidora Brasília, e rumei para São Bernardo. Em casa, tomando meu banho, tremia e suava frio. Foi então que caiu minha ficha e me dei conta do perigo que havia passado, onde muitos, por menos, sucumbiram. Agradeci a Deus. Na manhã seguinte, domingo, com a equipe de esportes, viajei para Bragança Paulista, onde fomos transmitir um jogo do Santo André com o Bragantino. Durante a transmissão enviei, discretamente e sem detalhes, um abraço ao Paulão e na terça-feira fui ao seu posto pagar a gasolina e agradecer seu auxilio, este impagável. Na viagem contei a história ao Rolando, ao Ney Lima e ao motorista que conduzia a equipe. Nenhum deles disse nada, mas fiquei com a impressão que o silêncio dos três indicava que não estavam acreditando na minha odisseia. Deixei pra lá. Mais à frente, caso nosso amigo-irmão Edward de Souza autorize, conto como foi o segundo sequestro relâmpago, que durou pouco mais de dez minutos, porém não menos angustiante que o primeiro.
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Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no ABC.
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sábado, 21 de agosto de 2010

SEXTA-FEIRA, 20 DE AGOSTO DE 2010

MITOS E CRENDICES


J. MORGADO



As estradas com destino à Baixada Santista sempre tiveram um trânsito intenso algumas horas antes do término de cada ano. Milhares de veículos com seus ocupantes sofrendo um calor de mais de 37 graus. Na verdade, juntam-se aos numerosos turistas que, aproveitando a temporada de férias e os feriados consecutivos, já ali se encontram.

As ruas de acesso às praias ficam tomadas por veículos procedentes de várias partes do país.

Alguns milhares de pessoas passam a noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro, dormindo nos carros sem nenhum conforto, suportando calor de mais de 30 graus. Sem sanitários, pouca comida, etc. aguentam com estoicismo a passagem do ano. E, logo em seguida, começam o retorno aos seus locais de origem.

As roupas formam um colorido interessante; branco, vermelho, amarelo, verde, etc. Cada uma com seu significado místico. Nas mãos, garrafas de espumante, cachaça, vinho...

A finalidade de tudo isso é pular a tal de sete ondinhas, fazer oferendas e pedir aos deuses saúde, paz e dinheiro (deveriam pedir paciência para enfrentar as dificuldades da volta). Não sei bem se e é essa a ordem dos pedidos. Provavelmente dependerá do estágio evolutivo de cada um.

Não vai aqui nenhuma crítica ou censura a quem quer que seja mesmo porque, este é um costume, com algumas variações, dependendo das tradições de cada povo, em qualquer parte do planeta.

As sete ondinhas têm origem, segundo alguns, na Itália e segundo outros, de povos afros.

Esse rito se completa quando se usa roupas brancas, inclusive a calcinha ou a cueca.

A terapeuta holística Rúbia Galante (veja na Internet) diz que a lista de simpatias que se aplica nessa época do ano é muito grande e remonta a centenas e até milhares de anos.

Além das ondas, é comum passar o ano com uma nota de dinheiro no bolso, comer sete bagos de uvas ou o seu número de sorte. As lentilhas, as flores e um sem número de outras coisas são utilizados para atenderem as simbologias supersticiosas enraizadas na população, herdadas de seus antepassados, que nem mesmo sabem sua procedência.

A terapeuta completa: “As pessoas gostam de rituais. A simbologia das simpatias serve para intensificar o que você sente, mas as pessoas têm de entender que as soluções para seus problemas estão na força de seu pensamento”. Para ela (terapeuta), as superstições atrapalham a evolução.

Realmente, EVOLUÇÃO é a “palavra mágica”! Em pleno século XXI, a contar do nascimento de Jesus que nos deixou a frase “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como a ti mesmo” que resume todo o ensinamento por ele transmitido que se encontra no Novo Testamento. A partir de 1857, com a introdução do Livro dos Espíritos, seguido de o Livro dos Médiuns e, em 1864, o Evangelho Segundo o Espiritismo, onde os preceitos cristãos são explicados sem as deturpações que os homens nele introduziram, durante séculos (ritos, mitos e crendices).

Nós, espíritas, devemos estar convictos de que não existem milagres e QUE DEUS NÃO REVOGA SUAS PRÓPRIAS LEIS, muito menos que somos regidos pela sorte. Se tal acontecesse, seríamos como marionetes nas mãos de um “destino brincalhão” que nos manusearia ao seu bel-prazer, divertindo os milhares de deuses criados pela imaginação de sabichões (sacerdotes ou sacerdotisas) para dominar pelo medo os povos de que faziam parte. Com isso, adquiriam poder e riquezas, governando, como iminências pardas, países inteiros. Como exemplo, basta nos reportarmos ao Velho Testamento, na passagem do afastamento de Moises para receber os Dez Mandamentos. O povo, liderado por um indivíduo astuto, resolveu criar o bezerro de ouro e adorá-lo como um deus. Isso faria com que eles se liberassem para a luxúria e outros prazeres que a Porta Larga oferece.

Acredito que seria muito mais fácil e confortável que, em vez de enfrentar inúmeros obstáculos, entre eles, acidentes com mortes a lamentar, a fim de pular as tais de sete ondinhas, as famílias devessem se reunir em torno do Evangelho e buscar as palavras de consolo e respostas para suas aflições.

No Capítulo XXI, item 10, do Evangelho Segundo o Espiritismo, há um trecho que diz “Repeli impiedosamente todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a divisão e o isolamento. Eles são quase sempre, Espíritos vaidosos e medíocres que tendem a se imporem aos homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes louvores exagerados, a fim de fascinar e tê-los sob a sua dominação. São geralmente Espíritos ávidos de poder que, déspotas públicos ou privados durante a sua vida, querem ainda vítimas para tiranizar após a sua morte. Em geral, desconfiai de comunicações que trazem um caráter de misticismo e de estranheza, ou que prescrevem cerimônias e atos bizarros; então há sempre um motivo legítimo de suspeição” (a mensagem é assinada por Erasto, discípulo de São Paulo, 1862) - Edição IDE- outubro/1984.

Nota-se, então, que o homem sempre foi influenciado por espíritos inferiores para criar as crendices, mitos e ritos a fim de satisfazerem desejos impuros, indo de encontro ao estado evolutivo em que se encontravam. Na sua ignorância ingênua, o ser humano não consegue perceber que é manuseado constantemente para praticar atos bizarros, inconsequentes, criminosos, etc...
A vinda de Jesus nos ensinando o Evangelho e a Codificação, colocando em seus devidos lugares o que foi deturpado por sugestão de “espíritos doentes”, trouxe a LUZ DA VERDADE, que os homens insistem em ignorar.

“Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade” (Allan Kardec).

Naturalmente, as superstições só terminarão quando o último sugestionado atirar no lixo o seu pé-de-coelho.
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ESCRITOR HILDEBRANDO PAFUNDI FAZ LANÇAMENTO NA BIENAL DO LIVRO


Edward de Souza

Acaba de ser publicada a segunda edição ampliada do primeiro livro individual de contos do escritor e jornalista Hildebrando Pafundi, Trama & dramas da vida urbana. Nesta nova edição ocorreram algumas mudanças, porém o mais visível é a capa, que era azul e agora é preto e branco, mas o desenho é o mesmo. A primeira orelha do jornalista Ademir Medici, brilhante amigo e companheiro que assina a coluna “Memória”, no Diário do Grande ABC e a segunda permanecem iguais, bem como o prefácio da professora Judith Vilas Boas, que também fez a revisão já com a nova ortografia.

Os acréscimos foram os dois posfácio: um do poeta de Santo André, Cláudio Feldman, e outro do escritor Glauber Ferreira, residente em Brasília, além da biografia do autor, que não fazia parte da primeira edição. O texto da contracapa também é mais recente e foi escrito pelo poeta de Mauá, Aristides Theodoro (leia abaixo em depoimento). Outro acréscimo foi o novo conto, O Devaneio de Paula, na página 13, aumentando de 15 para 16 as tramas e os dramas, que fazem parte desse livro.

O lançamento dessa nova edição de Tramas & dramas da vida urbana, será amanhã, dia 20 de agosto (sexta-feira) entre 14 e 17 horas, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Parque Anhembi, estande da União Brasileira de Escritores (UBE), na rua N, 42 e rua O, 43. Além dessa segunda edição o escritor estará autografando outras obras de sua autoria: No Ritmo Sensual da Dança (contos), Cotidiano e Imaginário do ano 2000(diário) e Janela da Liberdade e Outras Histórias (infantil). Contatos com o autor pelo e-mail: hpafundi@ig.com.br
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HILDEBRANDO PAFUNDI...
Iniciou na literatura em livro no ano 2000, com a publicação de seu conto Promessa de vingança, na coletânea dos classificados do “Concurso de Contos Academia de Letras da Grande São Paulo”, editado pela Scortecci. Nesse ano, publicou também uma série de crônicas sobre memórias da Vila Assunção, tradicional bairro de Santo André, na coluna “Memória”, de Ademir Medici, no Diário do Grande ABC. Em 2002, participou junto com outros 13 escritores e jornalistas do Grande ABC e São Paulo do livro “Guido Poianas retratos da cidade”, organizado por José Armando Pereira da Silva, editado pelo Fundo de Cultura do Município nesse mesmo ano, com a crônica “Guido Poianas e a Vila Assunção”. Em novembro de 2003, o conto Uma noite em São Paulo recebeu o Prêmio Edição e foi publicado na Antologia do IV Concurso “Grandes Nomes da Nova Literatura Brasileira”. É colaborador desde 2003 da Revista Artpoesia, editada em Salvador, Bahia.

DEPOIMENTO

"A ficção de Hildebrando Pafundi é constituída de pequenas histórias, quase todas elas ambientadas na Região do ABC Paulista e São Paulo, de forte cunho social e uma ironia sutil, a Machado de Assis. Muitos desses contos têm as pistas de dança como cenário, Contos como a Greve dos Coveiros e Barzinho Sórdido, que fazem parte desta segunda edição de Tramas & dramas da vida urbana, bem como o Sumiço de Trindade e Vinho Tinto e Mulher, incluídos no livro No ritmo sensual da dança, são obras que dignificam qualquer antologia do gênero. Sinto-me privilegiado por ter sido durante mais de quarenta anos, admirador e vamos dizer, irmão mabaça desse Hildebrando Pafundi, orgulho das letras da nossa região".

Aristides Theodoro, jornalista, escritor, contista e poeta.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



Sem ter o que fazer, decidi gravar as memórias do bispo diocesano Dom Jorge Marcos de Oliveira, conhecido como o Bispo dos Operários. Esse religioso os adversários chamavam de o Bispo Vermelho, pela sua atuação em defesa dos operários e dos políticos contrários ao regime militar. Dom Jorge chegou a abrigar, na casa da diocese, fugitivos da polícia política do governo e as celebrações comandadas por ele na Catedral do Carmo, em Santo André, chegavam a lotar por pessoas ávidas de ouvir uma palavra de esperança no respeito aos direitos humanos e à volta ao regime democrático. Desde 1964 – ano em que eclodiu a revolução militar, que o cronista Stanislaw Ponte Preta chamava ironicamente de A Redentora – Dom Jorge começou a se destacar como um religioso contrário às determinações dos novos detentores do poder, que viam, em cada contestador do regime, um subversivo, comunista, adepto da doutrina russa e cubana.
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No dia 1 de Maio de 1968, em comemoração ao Dia do Trabalho, liderou uma passeata pelo centro de Santo André, que teve a participação de milhares e milhares de pessoas. Um extremista da direita tentou atingi-lo com um tiro de revólver, mas foi impedido por populares, que o agrediram. Essa passeata, pacífica, obteve repercussão nacional e, mesmo com a pressão dos militares, Dom Jorge prosseguiu com a sua luta na defesa de suas ideias de liberdade e respeito ao ser humano. Em suas memórias, Dom Jorge lembra de sua infância no Rio de Janeiro, do seu pioneirismo em deixar a batina e começar a usar roupas comuns e de suas visitas aos morros cariocas, numa época em que só os moradores eram bem recebidos. Sagrou-se bispo muito jovem e, em 1954, instalava a diocese em Santo André, abrangendo todo o seu território. Permaneceu nesse posto até 1975, quando se sentindo adoentado, pediu ao papa para afastá-lo, sendo substituído por Dom Claudio Hummes.

Dom Jorge morreu antes de terminar a gravação de suas memórias. O livro eu consegui terminar com base nas pesquisas de seus arquivos pessoais, que incluíam uma série de poemas, muitos de alta qualidade. O coração o matou e o seu corpo encontra-se sepultado no mausoléu da Catedral do Carmo. O livro, denominado Dom Jorge, o Bispo dos Operários, continua inédito. Para mim, ficou a lembrança de um homem delicado, atencioso e magoado com a situação de miséria em que vivia a maioria do povo brasileiro. 1989 se desenrolou com muita dificuldade e um excesso de bebida alcoólica, a ponto de nem eu mesmo me suportar. Olhava-me no espelho e via a imagem da decadência, da degradação. O rosto acinzentado, como se não tivesse vida, as bochechas inchadas, evidenciando a característica dos alcoólatras. Minha mulher nada dizia, mas eu percebia a sua tristeza, a sua frustração.

Numa manhã de sol, sem dinheiro, decidi ir a pé até a casa de meus pais. Encontrei só a minha mãe – silenciosa, os olhos doces me olhavam como a sentir estar perdendo um filho e que, de acordo com os meus próprios irmãos, ela considerava o mais bonito e o mais inteligente. Beleza e inteligência jogadas praticamente no lixo, sem que ninguém, nem o apelo materno silencioso poderia conter. Nesse dia ela me confessou que, em toda a sua vida de casado com o Caetaninho – era assim, no diminutivo que era chamava meu pai Caetano – ela não iria conseguir preparar o almoço. Mas nada mais disse. Preocupado, sai e comentei com a minha irmã Antonia, residente no mesmo bairro, da minha desconfiança do estado de saúde de minha mãe. Antonia ficou de visitá-la e verificar o que poderia ser feito.

Sem se preocupar com almoço – me contentava com petiscos, como pastéis, coxinhas de frango, pedaços de linguiça na chapa – voltei a me embriagar. Em um dos bares em que estava, já tardezinha, senti uma angústia oprimindo meu coração e comentei com um companheiro ao lado, que também bebericava: Minha mãe acaba de morrer! Ao chegar em casa, minha mulher esperava-me no portão. Havia chorado e, antes mesmo de pronunciar qualquer palavra, eu me adiantei: Já sei. Minha mãe está morta! O velório, na sala da casa, reuniu parentes e vizinhos. O corpo, atendendo a seu desejo, foi levado para Bálsamo e sepultado no cemitério local, junto aos corpos de seus pais e irmãos.

De regresso a Santo André, pensei em parar de beber em respeito à memória materna. Não consegui. Quem também buscou me ajudar, ao saber de minha lamentável situação, foi o administrador de empresas e contabilista Nelson Pinheiro da Cruz, meu conhecido desde a juventude, quando cursava técnico de contabilidade e fazia o serviço militar obrigatório no Tiro de Guerra de Santo André. Nelson, de início me pediu para escrever sobre o cinquentenário de sua empresa, o Grupo Candinho, conglomerado de empresas responsáveis pela prestação de serviços ao comércio e a pequenas indústrias. Em pouco tempo realizei esse trabalho e recebi um bom dinheiro, o suficiente para pagar os bares onde ainda tinha crédito.

Ainda na esperança de me reabilitar, Nelson me procurou em casa e me ofereceu um emprego em sua empresa, com registro na carteira profissional. Era mais uma tentativa. Aceitei e, no escritório em que me instalei, revi o contador Elpídio Dalla, proprietário de um escritório de contabilidade, onde tive o meu segundo emprego. Ao ver Dalla, lembrei um pouco, mas com nitidez, dos tempos em que cheguei a Santo André, com doze anos, vindo de Bálsamo.
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Na próxima quarta-feira, o décimo nono capítulo de "Memória Terminal", do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres).
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nesta quarta-feira, cumprindo o que foi prometido aos leitores, este blog publica o 18º capítulo de "Memória Terminal", série inédita escrita pelo saudoso jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo. Todos os capítulos restantes serão publicados, sempre às quartas-feiras. Este blog passa por uma reformulação e, em breve, volta com força total. Agradecemos a compreensão de todos. (Edward de Souza).

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

JOVEM HERÓI RESGATA UM CÃO DAS ÁGUAS

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"A RAZÃO DOS CÃES TEREM TANTOS AMIGOS, É QUE MOVEM SUAS CAUDAS MAIS QUE SUAS LÍNGUAS."

Se usarmos nosso tempo, dedicação, atenção para proclamar sorrisos, felicidade e amor, tudo fica melhor, tudo se transforma e assim cumprimos o que Deus nos confiou...
A forma de algumas pessoas levarem a vida, com mais leveza, com um sorriso no rosto e felicidade estampada em atitudes, não quer dizer que ela seja irresponsável com aquilo que lhe foi confiado... Dedicação, atenção, responsabilidade, não tem nada a ver com mau humor ou o fato de não prestarmos atenção nas simples formas de amar.
As pessoas precisam AMAR mais e julgar menos... Todo mundo é igual, e estamos todos destinados a um mesmo futuro, a morte. Mas apesar desse destino certo, cabe a cada um a liberdade de escolha, enquanto respira... Como você decide viver a vida é o que faz diferença nos momentos em que passar por provações. Vamos AMAR mais e julgar menos!
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EDWARD DE SOUZA
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Acompanhem esta dramática sequência fotográfica
Um cãozinho passeia com sua dona, quando
repentinamente corre, escorrega
e cai num rio.
A proprietária do cãozinho entra em pânico
ao vê-lo se afogar, e se esforça para alcançá-lo.
Em vão.
O cãozinho está ferido, sangra e debate-se
contra a correnteza que o arrasta.
Num esforço para não se afogar, luta contra
as águas e esboça um mudo pedido de
socorrro.
Entre os curiosos que chegam, está um jovem
de 17 anos. O rapaz não pensa duas vezes.
Tira os sapatos e sua calça...
Desce corajosamente e tenta resgatar
o pobre cãozinho, já no limite de suas forças.
Segura-se nas pilastras da ponte, tenta
se aproximar do cão, mas não o alcança.
Assim que o cãozinho se aproxima, carregado
pelas águas, o rapaz atira-se e o abraça.
Com muito esforço consegue escalar a ponte,
com o assustado cãozinho nos braços...
E o entrega são e salvo para a sua dona.
Esgotado, o jovem recebe um abraço
agradecido da dona do cãozinho...
Que chora de alegria ao abraçar
seu amigo querido.
Com uma toalha o sapeca se enxuga...
E dias depois sorri feliz ao lado da amiga.