segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CONTOS DO VIGÁRIO - VELHOS E CRIATIVOS

A série que iniciamos hoje no blog escrevi nos anos 70 na revista "Realidade", uma das melhores publicações do Brasil naquela época. Depois, devido ao grande sucesso que fez em todo o País, foi reapresentada no Jornal Notícias Populares e anos depois no Diário do Grande ABC, arquivo levantado pelo amigo jornalista Ademir Medici, onde consta toda a série que assinei. Vale a pena a leitura para se saber como começou o conto do vigário no Brasil e conhecer golpes criativos, alguns maldosos, além de outros engraçados, como o "conto-do-violino", da "guitarra" e do "cleptomaníaco"...
VIGARISTAS ANTIGOS ERAM REFINADOS
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PRIMEIRO CAPÍTULO
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Antonio Teodoro, que chegou ao Brasil em 1814, vindo de Portugal, foi um dos primeiros batizar o "conto-do-vigário". A escola fundada por ele encontrou nos malandros que agiam junto às classes baixas, muita imaginação, criando contos simples, quase infantis, mas cuja eficácia era tanta que são usados até hoje em todo o Brasil. Os vigaristas fizeram muitos ditados, entre eles, um que diz assim: " enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé". Tem ainda outro ditado conhecido: "quando a esmola é grande o santo desconfia". Será verdade? Nem sempre. Por isso, não é dificil encontrar alguém em qualquer canto desse País que não tenha caído pelo menos uma vez em um "conto-do-vigário".
Sempre existiram vigaristas, ladrões e gente gananciosa, mas antigamente até eles eram muito, mas muito mais refinados. Existem dezenas de golpes sendo aplicados na praça ainda hoje e o número de vítimas aumenta a cada ano. Sempre vão surgindo golpes novos, enquanto os antigos retornam com nova roupagem, como os que estão sendo aplicados com a ajuda da tecnologia. Antigamente bastava uma boa conversa - o velho 171 – para ludibriar alguém. Atualmente os malandros usam celulares, computadores, internet, fax, anúncios classificados, etc... Convencem as pessoas a entregar o dinheiro, o cheque ou a senha do cartão magnético com lábia e criatividade. Contam histórias tão mirabolantes que, depois que vão embora, as vítimas chegam a sentir vergonha de prestar queixa à polícia.

O PRIMEIRO CONTO DO VIGÁRIO - Com gestos de grande cavalheiro e fala macia, o português Antonio Teodoro introduziu, em 1814, o "conto-do-vigário" no Brasil. Assim que chegou de Portugal, Teodoro conseguiu aos poucos a amizade das famílias tradicionais cariocas e dos comerciantes mais prósperos. Participando dos grandes acontecimentos sociais daquela época, foi contando a razão de sua vinda ao Brasil. Explicava a todos que era o único herdeiro de um tio muito rico, falecido em Portugal, havia pouco tempo. Por estar sendo pressionado pelos parentes interessados na fortuna, foi obrigado a deixar Lisboa, onde um procurador trataria de seus interesses. Em pouco tempo sua história se espalhou na alta roda e todos esperavam, mais dia, menos dia, que Antonio Teodoro recebesse baús e arcas carregados de moedas de ouro.
Contando sempre a mesma história, o português conseguiu se manter no Brasil quase um ano, quando começou a sentir as primeiras dificuldades financeiras. Demonstrando sua preocupação pela demora do procurador, segredou aos amigos importantes que tinha conseguido no Rio de Janeiro, suas dificuldades. Não demorou muito e começou a receber ajuda de todos. O moço de fala macia foi aceitando e vivendo como um milionário durante mais um ano, na promessa do tio vigário. Observando o que se passava, um major da polícia resolveu escrever para Portugal, solicitando informações sobre o português. A resposta não se fez demorar: "antigo malandro, muito conhecido na Rua do Ouro, aqui em Lisboa". Teodoro foi preso no mesmo dia, mas o "conto-do-vigário" tinha sido batizado.

O GOLPE MAIS APLICADO - Juntamente com a Loteria Federal, surgiu o conto do bilhete. Por incrível que possa parecer, ainda é o golpe mais aplicado no Brasil, apesar de ser antigo. Ainda é um caipira que aborda a vítima na rua: "doutor, onde posso descontar esse bilhete? Foi premiado e vim de uma fazenda onde trabalho apanhar esse dinheiro". A vítima vai responder, quando aparece, a poucos passos, um cúmplice do falso caipira, que então os convida para verem de quanto é o prêmio, aproveitando-se de uma falsa lista. O cúmplice vê o número, percorre a lista e devolve o bilhete, sorrindo e dizendo que está premiado. O "caipira" pergunta onde deverá recebê-lo e ouve a resposta que só poderá retirar o dinheiro no dia seguinte, pois está tudo fechado. O cúmplice vai embora e o "caipira" fica chorando as mágoas para o "doutor". Explica que tem que voltar à fazenda para levar remédios para os filhos e que tem medo de perder o emprego, mesmo tendo esse dinheiro para receber da loteria. Depois de muito implorar, diz que entrega o bilhete pela metade do preço e que, num dia qualquer volta para pegar o restante. A vítima oferece-lhe o que tem no bolso. E o "caipira", depois de muito pensar, resolve aceitar. No dia seguinte, a vítima tenta receber o dinheiro e vem a desilusão. A data do bilhete é falsa ou a lista do "cambista" foi alterada.
Na maioria das vezes o que faz um golpe desses dar certo é o fato de muita gente querer se dar bem com um "negócio da China." Ou é por ganância ou por ingenuidade. Alguns golpes são fraudes cometidas para garantir a execução de um crime em seguida. Nunca é demais lembrar que comprar bilhetes de loteria é uma das maneiras mais conhecidas de se lavar dinheiro. Exceto, claro, no caso do falecido deputado João Alves que ganhou mais de duzentas vezes por pura sorte, conforme acreditou a CPI dos Anões do Orçamento. Outro golpe antigo que continua sendo praticado no Brasil é o do dinheiro falso, aplicado na maioria das vezes em comerciantes.

AMANHÃ NESTE BLOG - Não deixe de acompanhar nesta terça-feira o segundo capítulo da série "Contos-do-vigário do passado e do presente". Você vai conhecer os grandes golpes praticados no Brasil, alguns inteligentes, outros engraçados, mas que sempre faziam vítimas. Muitas variações já se tornaram folclóricas e outras, adaptadas aos novos tempos, mostram que o repertório dos vigaristas se renova a cada dia.

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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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domingo, 23 de agosto de 2009

Os criativos e engraçados contos do vigário
A série premiada dos anos 70
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Acompanhem no blog desta segunda-feira a série de grande sucesso dos anos 70, que escrevi na revista "Realidade", a melhor publicação já editada no Brasil. Conheça a história do português Antonio Teodoro, que introduziu, em 1814, "O conto-do-vigário" no Brasil.
A série foi reprisada anos depois pelos jornais Notícias Populares e Diário do Grande ABC. Conheça os criativos e engraçados contos-do-vigário praticados naquela época. Nessa série contaremos os velhos golpes que ainda permanecem e lesam milhares de incautos pelo Brasil , entre eles o "conto do bilhete premiado" e o do dinheiro falso, além dos modernos, aplicados contra internautas, cada vez mais sofisticados. Certamente você irá se divertir com golpes inteligentes cometidos nos anos 70, entre eles o da "guitarra", do Cleptomaníaco" e do pastel... Os vigaristas da época fizeram muitos ditados, entre eles um que diz: "enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé".
O primeiro capítulo será publicado nesta segunda-feira no blog, logo no começo da madrugada, não deixem de ler e participar.
Edward de Souza

sábado, 22 de agosto de 2009

MARTE VAI FICAR MAIOR QUE A LUA?

A GRANDE MENTIRA QUE
CIRCULA NA INTERNET

Lembra daquele e-mail que sempre chega em agosto, sobre Marte ficar maior que a Lua? Todos os anos, uma notícia de alerta cósmico se espalha pela internet e informa que no dia 27 de agosto o Planeta Vermelho vai se aproximar tanto da Terra que seu tamanho será comparável ao da Lua Cheia. Será que isso é verdade e você ainda não se preparou para o fim dos tempos? Já desmenti isso em minha coluna no Jornal "O Comércio da Franca", ano retrasado e passado. Por isso, deixe o binóculo guardado e não espere ver, tão cedo, "duas Luas" no céu. Ao contrário do que prega o e-mail falso que circula na internet, Marte estará bem longe da Terra e não vai rivalizar com o satélite pela supremacia do brilho no céu. Preste bem atenção em sua caixa de mensagens. Se você ainda não recebeu esse e-mail, prepare-se. Cedo ou tarde ele acabará entrando na sua caixa postal, instruindo você a sair à rua no dia 27 de agosto e olhar para o céu. "Marte estará tão perto que seu tamanho será maior que Lua Cheia. Nunca o Planeta Vermelho esteve tão perto e tão gigantesco. Isso nunca aconteceu antes", diz o texto do e-mail. Antes de entrar em detalhes, é importante dizer que no dia 27 de agosto Marte nem estará no céu, dando o ar de sua graça somente a partir das 03h00 da madrugada e mesmo assim, timidamente, já que o planeta estará tão longe que não passará de um pontinho vermelho no firmamento. Esse é o sexto ano consecutivo que o e-mail se espalha e ao que tudo indica teve origem no ano de 2003, quando realmente a Terra e o Planeta Vermelho estiveram bastante próximos no dia 27 de agosto. Naquela ocasião, Marte esteve a apenas 56 milhões de quilômetros da Terra, a menor distância nos últimos 60 mil anos. Alguém então enviou uma mensagem eletrônica chamando a atenção para o fato e até hoje essa mensagem é disparada e reenviada nesta época do ano. É uma notícia falsa e requentada. Mesmo na aproximação de 2003, em nenhum momento o diâmetro aparente de Marte se igualou ao da Lua cheia. Naquele dia, o disco marciano de fato brilhava muito mais, já que ambos os planetas estavam em oposição, mas comparar o tamanho aparente de Marte com o diâmetro da Lua cheia foi sem dúvida um grande exagero. Mesmo brilhando como uma grande estrela, poucas pessoas perceberam que aquele ponto avermelhado era Marte em seu momento de maior aproximação da Terra. Na verdade, Marte, o planeta vermelho está agora se afastando da Terra. A mais recente grande aproximação entre os dois planetas ocorreu no dia 24 de dezembro de 2007 - 88 milhões de km. E a próxima está marcada para 27 de janeiro de 2010, quando a distância será de cerca de 100 milhões de km. Em agosto de 2003, a distância entre Marte e Terra chegou a 55,7 milhões de km, oferecendo uma oportunidade única de observação. Foi a maior aproximação em praticamente 60 mil anos - recorde que vai se manter até 28 de agosto de 2287.
O fenômeno não tem grande importância do ponto de vista da astronomia. Todo ano Marte se aproxima bastante. Em 2003, foi mais do que de costume. Mas é algo corriqueiro. Mesmo com essas distâncias, é impossível que os habitantes da Terra vejam duas Luas. Marte nunca chega a ter um brilho que rivalize com a Lua, garantem astrônomos. Geralmente, o Planeta Vermelho tem um brilho menor que a maior parte das estrelas no céu. Quando há grandes aproximações, essa luminosidade é equivalente, no máximo, à de grandes estrelas.
No entanto, se você gosta realmente de observar o céu, olhe para o alto no dia 27 de agosto. Aproximadamente às 21 horas a Lua crescente estará encobrindo a gigantesca estrela Antares, na constelação de Escorpião. O fenômeno é chamado de ocultação e terá duração aproximada de quatro horas. Cerca de uma hora depois, como em um passo de mágica, o gigante vermelho ressurgirá lentamente de trás da Lua, produzindo um espetáculo de encher os olhos. Antares se localiza a 600 anos-luz de distância. É 700 vezes maior que o Sol e seu diâmetro é 152 mil vezes maior que o disco Marciano. Com esses números, podemos afirmar com absoluta certeza que no dia 27 de agosto o show é de Antares e Marte vai ficar quietinho no seu canto!

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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

FILHOS:EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE

Educar os filhos: uma obrigação dos pais ou do poder público? A humanidade precisa compreender definitivamente que a responsabilidade de educar nossos
filhos é de importância vital,
pois estamos educando a nós mesmos.

J. MORGADO
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O índice de violência em todo o Brasil ultrapassou as fronteiras das grandes metrópoles e como um formigueiro gigantesco se espalha pelas cidades médias e pequenas. E a exemplo desse inseto himenóptero, vai destruindo tudo por onde passa. O homem do campo sabe como controlar essa praga e com tecnologia aliada à sabedoria adquirida através dos antepassados vai avançando e produzindo alimentos cada vez em maior quantidade. Entretanto, esse mesmo homem não soube se livrar da violência que ele mesmo criou. Ao contrário, propaga-a quais as formigas, mesmo tendo o remédio para evitá-la. Recentemente, autoridades municipais aliadas ao poder judiciário, resolveram ditar normas para disciplinar o trânsito de menores durante a noite. Os resultados não se fizeram esperar. Os índices de violência baixaram consideravelmente. Mas, mesmo assim, há aqueles que não aceitam essas medidas considerando-as ilegais, mesmo tendo atingindo seus fins.
Essas mesmas pessoas também não apresentam nenhuma solução para o problema e quando o fazem, são com sugestões utópicas de difícil emprego. Este pequeno preâmbulo serve para exemplificar que o pobre homem sabe vencer os obstáculos que a vida lhes oferece. Entretanto não sabe como estancar ou evitar o mal que ele mesmo criou e que o cerca por todos os lados.
E o remédio para isso está à disposição de toda a humanidade. É de graça. Da mesma maneira que o agricultor prepara a terra para o cultivo, o operário prepara o material para a elaboração de um utilitário, o intelectual estuda para escrever livros ou compêndios, o homem tem a obrigação moral de preparar seus filhos para ser útil à sociedade.
“Quase sempre a mocidade sofre estranhável esquecimento. Estima criar rumos caprichosos, desdenhando sagradas experiências de quem precedeu no desdobramento das realizações terrestres, para voltar mais tarde, em desânimo, ao ponto de partida, quando o sofrimento ou a madureza dos anos lhe restauram a compreensão”. Esse parágrafo entre aspas é do livro “Vinha de Luz” em seu capítulo 136, denominado FILHOS, psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado por Emmanuel (edição FEB/1987).
Lendo essa lição e vendo o que acontece a minha volta e mesmo dentro de minha própria família, nos sentimos frustrados e o mea-culpa acaba por introduzir-se em nosso imo. Não soubemos cumprir com nossos deveres de pais. Se tivéssemos nos esforçado em tentar entender e acompanhar os ensinamentos de Jesus, provavelmente muitos desses jovens que estão perdidos nas drogas e na criminalidade em geral, ou ainda dentro de si mesmo, não estariam na situação em que estão.
Somos pais, somos filhos... Um girar constante diante do processo da reencarnação. Se soubermos nos comportar dentro das leis que regem o Universo e do Estatuto Moral de Boa Conduta, ou se quisermos amar nossos filhos e pais como a nós mesmos, certamente vamos compreender que estamos nos amando, pois o retorno a vida material para aprimoramento, se dá como um círculo vicioso, onde começamos como filhos e desencarnamos como pais.
Compenetrada desse fato, a humanidade compreenderá definitivamente que a responsabilidade de educar nossos rebentos é de importância vital, pois estamos educando a nós mesmos. O Poder Público poderá ajudar sem se ater a políticas partidárias e visando a coletividade num todo, fazer leis e aplicando-as com sabedoria sem nenhum despotismo.
Lendo a tradicional revista “Seleções”, Tomo XVIII, n. 107 – dezembro/1950 (não fique admirado, eu tenho esse número como muitos outros) na página 29, há um artigo muito interessante: “A ciência descobre o verdadeiro Amor”. A matéria é assinada por Howard Whitman (é só acessar a internet para ter mais informações).
O psiquiatra me parece ser essa a especialidade de Howard, nos surpreende com um pequeno trecho de sua dissertação sobre o assunto: “Não se trata, aqui, do amor tão comumente pintado em romances e filmes. Trata-se do amor que Jesus conhecia por inspiração divina – o mais simples e, ao mesmo tempo, o mais complexo atributo do homem. E também o mais incompreendido”.
O artigo se aprofunda nos resultados positivos na terapia do amor. E no final, nos dois últimos parágrafos, assim está escrito: “O Dr. G. Brock Chisholm, diretor geral da Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas, reconheceu que o futuro da humanidade depende do número de indivíduos evoluídos que pudermos produzir pessoas capazes de amar, capazes de abordar os problemas de nosso mundo mutável com um espírito de amor e não com espírito de ódio.
Sim, os sábios estão procurando aproximar-se de Jesus. Também Ele pensava no futuro do homem quando disse há dois mil anos: “UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMEI UNS AOS OUTROS”.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

BRASIL, UM PAÍS DO FUTEBOL, SÓ DO FUTEBOL...
OSWALDO LAVRADO

O povo brasileiro é conhecido mundialmente por sua passionalidade e irreverência mesmo no trato com coisas sérias e até mesmo nas catástrofes. Porém em uma coisa ele não abre mão de exigir seriedade, discute, briga, sai às ruas, pede cabeças e demissões. No futebol. Se a coisa não vai bem no seu time no de coração ou na Seleção Brasileira, a casa cai. Aqui na terra tupiniquim, o dólar sobe e desce, a inflação vai e vem, o petróleo é nosso, mas depende da moeda norte-americana para taxar seu preço, os políticos deitam e rolam nas barbas do pobre eleitor, que fica irado com as trambicagens, mas vota no cara chamado de ladrão na primeira eleição.
De projeção, a história conta nos dedos da mão esquerda de Lula às vezes em que o povo se levantou para derrubar algum governante. Talvez a mais notória foi para despojar Fernando Collor do pedestal presidencial. Hoje o caçador de marajás trafega livre leve e solto pelo Senado, com direito a baba-ovo de senadores, deputados e, quem diria, do presidente viajante. Nesse campo político, o brasileiro é passivo e às vezes conivente. Mesmo sem participar da barganha ou maracutaias, contribui à impunidade do gatuno travestido de homem do povo.
Agora, o noticiário - rádio, televisão, jornais, revistas e net - dá conta que em Sergipe, por exemplo, o governador Marcelo Deda (PT), e seu vice Belivaldo Chagas, são acusados de abuso de poder público e econômico. No Rio Grande do Sul, o gaúcho se depara com a governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB) sendo acusada de envolvimento em esquema de desvio de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito. Mais acima, o presidente do Senado, que foi presidente da República deste País, rebola para safar-se de uma série de acusações envolvendo trambicagens praticadas por ele e sua família contra os cofres (o bolso do povo) públicos e o Senado. Como diz o presidente Lula, é uma bela pizzaria com um bom número de competentes pizzaiolos. Sarney se defende, não com provas a seu favor, mas atacando o Estadão e a Veja, e junto com Lula, amaldiçoa toda a Imprensa.
Por outro lado, na mídia e em nome de Deus, a rede Record e os braços da Igreja Universal travam batalha campal com a Globo. Ambas se acusam de fajutagem em vários sentidos, porém nem uma nem outra mostra algo que possa inocentá-las. As duas agem de acordo com a irreverência brasileira. "Se ela fez e não foi punida, por que não posso fazer?". Qual a diferença em se matar uma pessoa com um espeto, ou dez tiros de trabuco? O cara morreu, portanto o crime é o mesmo.
De 1964 para cá, o Brasil tomou conhecimento de pelo menos 240 escândalos envolvendo políticos, sendo 101 ações, nos anos 90, de fraudes, abuso de poder e malversação do dinheiro público. Poucos foram cassados, julgados e punidos. Mas, se o Corinthians ficar três jogos sem vencer, São Paulo ou Palmeiras perderem duas seguidas, Flamengo, Fluminense e Vasco não ganharem o Cariocão, o bicho pega. O povo torcedor sai ás ruas, enfrenta a policia, se preciso o exército, e exige providências. Querem a cabeça do cartola, do treinador ou do boleiro que não demonstrou "amor" com a sagrada camisa do time. No caso da Seleção Brasileira, cuja ira aflora apenas de quatro em quatro anos, o treinador é o alvo preferido, porém em menor escala.
O futebol é o único motivo que deixa o brasileiro furioso e revoltado a ponto de enfrentar camburões, cavalos, escudos e bombas. Até a traição da mulher, antes penalizada com a morte, foi deixada em patamar menos significativo.Que os políticos saqueiem, mintam e atropelem o decoro e a ética, que se engalfinhem as poderosas emissoras de TV em busca do nosso dinheiro, que a mulher durma com o leiteiro (ainda existem?) e que o presidente apóie publicamente alguns salafrários. No entanto, não "bulam, não roubem nem achincalhem o time de coração do povão. Ai o bicho pega. Vale lembrar que o presidente do Senado provavelmente irá desfilar em Brasília como herói, e que a popularidade de Lula segue em alta.
Não podemos esquecer. Em 2010 haverá eleições, mas também tem Copa do Mundo. Dai...
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista, trabalhou muitos anos no Diário do Grande ABC - rádio e jornal - e comandou a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Recebeu a Medalha João Ramalho, concedida pela Câmara Municipal de São Bernardo, juntamente com a equipe de esportes da rádio, pela organização da Copa Infantil de Futebol do Grande ABC, que reuniu cerca de 1,7 mil garotos entre 7 e 12 anos. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PANTANAL: DOURADO FRITO E CERVEJA

J. MORGADO

Pela riqueza de sua fauna e recortada pelos afluentes do rio Paraguai, a planície pantaneira constitui-se no principal reduto para a prática da pesca esportiva e safáris fotográficos. Em meio a uma paisagem deslumbrante, toda a planície pantaneira é cortada por rios e banhada por lagoas sem fim. Aves das mais variadas espécies enriquecem com seu colorido as matas ciliares. Uma fauna riquíssima e bem diversificada habita uma região tão grande ou maior que o Estado de São Paulo. Durante muitos anos frequentei a região. Comecei pelo Rio Miranda a partir da cidade do mesmo nome. Anos depois, passava direto e ia até o ponto final da então Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, na cidade de Corumbá, considerada a “capital” do Pantanal. O Rio Paraguai, diferente da Amazônia, onde a paisagem muitas vezes chega a ser monótona em razão da espessa vegetação, mostra com toda sua pujança seus afluentes, flores, mamíferos, répteis e pássaros para serem vistos e fotografados.
Corumbá não é só pescarias; é história e comidas típicas das saborosas e tradicionais. O sarrabulho e a cabritada. O primeiro é uma comida típica de origem portuguesa feita com sangue, carne e miúdos de porco. Uma delícia! De 1865 a 1867, Corumbá, ficou de posse dos paraguaios. A Guerra do Paraguai criou esse episódio e outros mais e, em razão disso, até hoje pessoas sonham com tesouros escondidos nos velhos casarões existentes na parte baixa da cidade junto ao porto.
Alguém sonha com um fantasma. Um cara que viveu na época da invasão escondeu seus recursos, geralmente ouro, nas grossas paredes feitas com pedra, aparece e diz para encontrá-lo, do contrário ele não terá descanso. Alguns moradores antigos juram que é verdade! E é nesse porto que começamos nossa pescaria. Depois de viajarmos mais de 36 horas a partir de São Paulo (isso na década de 1950 a 1970). Nesse porto, alugávamos um barco com o respectivo piloteiro. No final dos anos 60, nosso costume era acampar em uma das margens do rio e ali ficar de 10 a 15 dias. Às vezes, encontrávamos uma casa abandonada de tropeiros ou fazendeiros. As cheias anuais “expulsavam” seus moradores. As barracas eram armadas no interior dessas casas, por causa dos mosquitos. O fogão ali estava disponível e a lenha era abundante.
Eu sempre procurava não me distanciar muito da cidade. Duas ou três horas de barco, quando muito. A razão principal era o congelamento dos peixes pescados. Depois de uma manhã de pescaria, o piloteiro se deslocava até a cidade e levava o pescado para a câmara frigorífica. Em pescarias onde o acampamento era mais distante, o recurso era a salga. Com sal grosso e facas bem afiadas, limpávamos e salgávamos os peixes deixando-os secar em varais. Nos dias de hoje, as pousadas e enormes barcos (hotéis flutuantes) com capacidade para muitos pescadores facilitam tudo. Os peixes são congelados e guardados até o final da pescaria.
Depois de providenciar todo o equipamento, combustível, alimento etc., eu e meus companheiros embarcávamos e subíamos o rio. O casario na margem esquerda (para quem desce) é interessante. Na pequena cidade de Ladário, o porto e o VI Distrito Naval. Uma sentinela avançada na fronteira. A partir daí, começávamos a pescaria de currico. Eu com minha carretilha e linha 0,50mm, colher de bom tamanho bem encastoado. Os outros dois com molinetes e linhas da mesma espessura. Um sentado na proa e outros a estibordo e a bombordo. As linhas eram soltas. 15 a 20 metros de fios esticados devido à velocidade do barco. A colher, imitando um peixe prateado, vez ou outra aparecia brilhando acima das águas pardas do rio. A ansiedade pela fisgada do primeiro dourado era comum a todos nós. Às vezes não era um dourado e sim uma “cachorra” (peixe-cachorro), com seu corpo alongado, prateado e longas presas. Esse peixe não oferece tanta emoção como o dourado. Luta pouco é tem muitas espinhas.
Manhã muito fria. Segunda quinzena de agosto. Os dourados ainda estavam dormindo (hihihihihihi) e o Pezão, um dos companheiros, primeira vez no Pantanal, já começava a reclamar. Dizia que o lugar era só fama, etc. Foi quando senti o tranco! E vi o dourado saltar! Gritei: " douraaaaaaado"! Uma exclamação de alegria toda vez que fisgava esse salmonídeo. Recolhido, continuamos a “curricar” até o local onde íamos acampar. Nenhum outro exemplar foi fisgado. Assim, enquanto ajeitávamos o pouso, o piloteiro, acendia o fogo e outro preparava o peixe.
Naquela imensidão tendo como fundo os gritos dos araquãs, o cantochão dos bugios e a beleza inigualável da natureza pincelada com o amarelo dos ipês em flor, companheiros de pescaria fartavam-se com postas de peixe frito e cervejas geladas. Uma delícia!
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

UM CASO DE SUICÍDIO OU HOMICÍDIO?

ACREDITE SE QUISER
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No jantar de premiação anual de ciências Forenses, em 1994, o perito médico-legista Dr. Don Harper Mills impressionou o público com as complicações legais de uma morte bizarra. Acompanhe essa história, entre muitas outras que este blog vai apresentar, na sessão "Acredite se quiser".
Em 23 de março de 1994, o médico legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que a causa da morte fora um tiro de espingarda na cabeça. O Sr. Opus pulara do alto de um prédio de 10 andares, pretendendo suicidar-se.
Ele deixou uma nota de suicídio confirmando sua intenção. Mas quando estava caindo, passando pelo nono andar, Opus foi atingido por um tiro de espingarda na cabeça, que o matou instantaneamente.
O que Opus não sabia era que uma rede de segurança havia sido instalada um pouco abaixo, na altura do oitavo andar, a fim de proteger alguns trabalhadores. Portanto, Ronald Opus não teria sido capaz de consumar seu suicídio como pretendia.
O Dr. Mills relata que "quando uma pessoa inicia um ato de suicídio e consegue se matar, sua morte é considerada suicídio, mesmo que o mecanismo final da morte não tenha sido o desejado".
Mas o fato de Opus ter sido morto em plena queda, no meio de um suicídio que não teria dado certo por causa da rede de segurança, transformou o caso em homicídio. O quarto do nono andar, de onde partiu o tiro assassino, era ocupado por um casal de velhos. Eles estavam discutindo em altos gritos e o marido ameaçava a esposa com uma espingarda. O homem estava tão furioso que, ao apertar o gatilho, errou completamente o alvo, que era a sua esposa, atravessando a janela e atingindo o corpo que caía.
Quando alguém tenta matar a vítima "A", mas acidentalmente mata a vítima "B", esse alguém é culpado pelo homicídio de "B". Quando acusados de assassinato, tanto o marido quanto a esposa foram enfáticos, ao afirmarem que a espingarda deveria estar descarregada. O velho disse que tinha o hábito de ameaçar sua esposa com a espingarda descarregada durante suas discussões. Ele jamais tivera a intenção de matá-la. Portanto, o assassinato do Sr. Opus parecia ter sido um acidente, ou seja, ambos achavam que a arma estava descarregada, portanto a culpa seria de quem carregara a arma.
A investigação descobriu uma testemunha que vira o filho do casal carregar a espingarda um mês antes. Foi descoberto que a senhora havia cortado a mesada do filho, e este, sabendo das brigas constantes de seus pais, carregara a espingarda na esperança de que seu pai matasse sua mãe. O caso passa a ser, portanto, do assassinato do Sr. Opus pelo filho do casal. As investigações descobriram que o filho do casal era, na verdade, Ronald Opus. Ele se encontrava frustrado por não ter até então conseguido matar sua mãe. Por isso, em 23 de março, ele se atirou do décimo andar do prédio onde morava, vindo a ser morto por um tiro de espingarda quando passava pela janela do nono andar. Ronald Opus havia efetivamente assassinado a si mesmo, por isso a polícia encerrou o caso como suicídio. Durma-se com um barulho desses e... ACREDITE SE QUISER! Em breve mais casos incríveis como esse serão contados aqui, nesse espaço. (Edward de Souza)

sábado, 15 de agosto de 2009

FUTEBOL E GREVE EM PERNAMBUCO
Lavrado aproveitou a paralisação dos vôos para
passear na Praia de Boa Viagem, em Recife
HISTÓRIAS DO RÁDIO ESPORTIVO
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OSWALDO LAVRADO
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Assistindo pela televisão o jogo entre Náutico e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro deste ano, no Estádio dos Aflitos, em Recife, lembrei de uma das nossas viagens à capital de Pernambuco pela Rádio Diário do Grande ABC. O que me fez recordar foi a ruindade de corintianos e "nauticanos" na partida de quarta-feira. Um joguinho horroroso, mostrando porque o Náutico está na zona do rebaixamento do Brasileirão e o Corinthians despencando mais que balão em queda livre. Então, vamos a epopéia. Um sábado do começo da década de 90, eu e o Edward de Souza embarcamos num vôo Varig, em Guarulhos, para Recife com a incumbência de transmitir o jogo Náutico e Santos, pelo Brasileirão, no Estádio dos Aflitos. Pela informação que obtive com a empresa que nos vendeu as passagens, nosso vôo não teria escalas, seria direito São Paulo/Recife, com duração de aproximadamente duas horas. Foi confiando nessa informação que embarcamos no sábado, dia do jogo, no vôo das 8h para chegar na capital pernambucana por volta das 10h, pegar um hotel, um banho, o almoço e partir para o trabalho.
No entanto, um imprevisto, que deveria ser do nosso conhecimento, afinal dois jornalistas teriam por dever de profissão saber que as empresas aéreas esboçavam uma paralisação que até nome tinha. Ficou conhecida como greve branca. E realmente, nesse sábado, os empregados da aviação decidiram cruzar os braços veladamente.
Chegamos ao aeroporto de Cumbica por volta das 6h30 da manhã com tempo suficiente para tomar um bom café, ler os jornais do dia e confirmar nosso embarque. No balcão da Varig uma enorme fila, fora do normal pelo horário, indicava que alguma coisa não estaria nos eixos. E não estava. A atenciosa moça do balcão, voz baixa e aveludada, informava que todos os vôos estavam atrasados naquele sábado. O nosso, por exemplo, marcado para as 8h, deveria sair por volta das 12h. Motivo: a maldita greve branca. Não havia como discutir e nada a ser feito senão aguardar. Contrariada e preocupada não restou alternativa à dupla da Rádio Diário senão aboletar-se nos assentos do aeroporto e rezar para que uma benevolente tripulação se dispusesse a pilotar um Boeing com destino a Recife. As preces não foram ouvidas, afinal era sábado e os santos evocados, certamente, estariam pegando uma praia, quem sabe do nordeste brasileiro.
Saímos então às 12h direto para Recife (felizmente não houve escalas). Chegamos ao aeroporto de Guararapes as 13h50 e, de táxi com malas e cuias, rumamos direto para o Estádio dos Aflitos, onde às 16h jogariam Náutico e Santos. Teríamos que abrir a transmissão às 13h, mas isso só foi possível as 14,40h. O locutor de plantão da rádio, Luís Carlos Maia, fez a abertura do horário esportivo e encheu linguiça (termo usado em rádio para preencher tempo) até nossa chamada. Nas cabines, super apertadas, colocaram a equipe da Rádio Diário (eu e o Edward) e da Rádio A Tribuna de Santos (com o narrador Luís Roberto, hoje na TV Globo).
Nesse dia também estreava como novidade no futebol, apenas no Brasil, a logomarca da Coca-Cola, exatamente no meio do gramado. Um negócio estranho e que atrapalhava a vida do narrador, a noção do campo para os jogadores e complicava o trabalho do árbitro. Essa foi a única vez que o símbolo da poderosa Coca ficou em campo. A FIFA, dona do futebol mundial, mandou extinguir o procedimento, não sem antes dar um puxão de orelhas nos organizadores do campeonato, no caso a CBF. Mas, apesar da cabine apertada e do jogo ruim (1 a 0 para o Santos, gol de pênalti marcado pelo centroavante Paulinho McLaren) a transmissão ocorreu sem problemas, isso para nós da Diário e para o pessoal da Tribuna. Na saída do estádio, já escuro, o repórter de campo da Rádio Record de São Paulo, Raimundo Nonato, pernambucano e profundo conhecedor de Recife, nos ofereceu carona num fusquinha que implorava por aposentadoria. No caminho da praia da Boa Viagem, onde ficamos hospedados, Nonato nos contou o sufoco que passou no momento do gol do Santos. Por medida de economia, ( isso é feito até hoje pelas rádios), a Record mandou a Recife apenas o repórter. O narrador (Oswaldo Maciel) ficou em São Paulo transmitindo o jogo off-tube, ou seja, vendo a partida pela televisão. Segundo nos disse Raimundo Nonato, a imagem da TV (só a Globo transmitia) caiu e o repórter (no caso Nonato) sem saber o que ocorria, estranhando o locutor sair do Ar. Nonato ficou perdido. Dois segundos fora do Ar ( que chamamos de buraco) em rádio correspondem a uma eternidade, suficiente para custar o emprego do locutor e do repórter. Raimundo Nonato, visivelmente preocupado em perder a boca na Record, disse que a transmissão somente voltou com o pênalti batido e o jogo no final. Teve que improvisar e inventar cenas para completar a transmissão.
Enfim, o repórter da Record nos deixou no hotel na praia da Boa Viagem, onde então tomamos banho e fomos para a praça do mesmo nome, onde tem uma feirinha permanente e que se pode comprar desde um bode até uma imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem. Depois de percorrer a bendita feira e adquirir coisas que nunca soubemos exatamente sua utilidade, fomos a um restaurante na calçada que dividia a praça da praia. Uma festa. Um cavaleiro e dois amigos em volta de uma mesa com os respectivos cavalos. O Edward me olhava interrogativo: "que diabos é isso, cavalos aqui dentro do restaurante?". Mesmo assim ele se aproximou dos animais e flagrei uma foto sua acariciando um dos cavalos, postada neste blog, observem. Papo vai, cerveja vem, um cidadão, tipo 40 anos, solitário no restaurante, se aproxima e pergunta: " vocês são jornalistas de São Paulo?" Ele soube por meio de outros caras da Imprensa de Recife que estavam no recinto e tinham visto a gente no estádio. Tudo bem. O pernambucano entabulou um papo com o Edward, já que estava mais próximo. Pouco se entendia o que era falado ali, já que era uma noite quente e a casa estava lotada. Uma mistura de gente, fumaça de cigarro, cheiro de bebida, comida e cavalos e um burburinho dos diabos. Em determinado momento, o nosso visitante, um tanto alto pela bebida, mas cordato, simpático e demonstrando simpatia, disse ao Edward: " você como jornalista poderia fazer segunda-feira uma reportagem da "gralha". Sem entender direito, nosso francano respondeu: "gralha, o que é isso? pelo que sei gralha é uma ave que berra muito alto, mas não fala". A coisa ficou complicada, já que o novo companheiro de mesa não conseguia se explicar e muito menos a gente entender o que ele queria dizer. Ficamos sabendo depois que a "gralha" que o pernambucano se referia era nada menos que Agrale, uma fábrica de motos e máquinas agrícolas com fábrica no Recife. Lá pelas tantas o rapaz se retirou, não sem antes deixar seu cartão com o Edward e fazer absoluta questão que a gente fosse lhe visitar e conhecer sua família em sua residência na periferia de Recife. Um sujeito muito legal, diga-se. Fomos para o hotel, acordamos cedo e decidimos aproveitar a segunda-feira de sol e céu de brigadeiro na praia da Boa Viagem. Afinal os aviadores estavam em greve branca, ficaríamos aquele dia em Recife e como ninguém é de ferro...
Dever profissional cumprido, praia devidamente degustada, voltamos a São Paulo no dia seguinte, uma terça-feira, num vôo noturno liberado pelos grevistas, sem maiores problemas. É certo que o avião fez escala em Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, mas nada preocupante. Claro, avisado previamente de nossa chegada, lá estava o nosso Lampião, com o golzinho da rádio a nossa espera no aeroporto de Guarulhos, com o sorriso de sempre e a pergunta adrede entabulada: "foram bem de viagem?". "sim Lampião, tudo bem, obrigado."
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*Oswaldo Lavrado - jornalista/radialista - trabalhou por muitos no Diário do Grande ABC, rádio e jornal. Comandou a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Recebeu a Medalha João Ramalho, outorgada pela Câmara Municipal de São Bernardo, juntamente com a equipe de esportes da rádio pela organização da Copa Infantil de Futebol, que reuniu cerca de 1,7 mil garotos de 7 a 12 anos de idade. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O PASSADO, O PRESENTE E O DESCASO

O MUNDO ESTÁ ROBOTIZADO
*
J. MORGADO

Garoento, o dia se anunciava triste. Olhando pela janela, pus-me a pensar... Estas duas últimas semanas foram bem estressantes, apesar de não sair de casa. Problemas com telefônica, com companhia de seguros, banco, etc. Minha memória me conduz a um passado distante; décadas de trinta, quarenta, cinquenta, sessenta... Nessa época a palavra “stress” era praticamente desconhecida. Porque razão? Paro um pouco de escrever e começo a fazer uma análise... Garoto ainda, não existia supermercados. Os empórios ou “vendas” abasteciam o povo da época. O atendimento poderia ser considerado hoje como “VIP”. Fazíamos as compras do mês atendido por um funcionário ou pelo próprio dono do Armazém. Ao final, depois de pagarmos a conta, ainda ganhávamos um presente, geralmente uma lata de goiabada ou de outro doce qualquer, além dos agradecimentos do proprietário. Uma ou duas horas depois, as compras eram entregues em nossa residência.
Hoje, nos supermercados, os funcionários “robotizados” não respondem aos nossos cumprimentos. Quando passamos pelo caixa, com caras de poucos amigos nos servem como se estivessem nos fazendo um favor e ainda interrompem seu trabalho para conversas com colegas de serviço. E não adianta procurar o gerente, porque não vai encontrá-lo, com raras exceções que confirmam a regra. E os bancos? “É um Deus nos acuda”. Tarifas diferenciadas, exorbitantes, funcionários que não sabem suas funções e filas intermináveis. O lucro é divulgado pela imprensa. E ai fica a pergunta: qual a razão de não se colocar mais funcionários? A resposta é: Mais lucros! Se já não bastasse aquele que é amplamente divulgado pela mídia.
Nas décadas acima referidas, numa agência bancária, íamos até o balcão, entregávamos os documentos que deveriam ser pagos e recebíamos uma ficha metálica com um número. Havia acomodações para todo o mundo. Quando chegava a nossa vez nos chamavam e tudo se resolvia com tranquilidade. Isso não levava mais do que dez minutos. Funcionários atenciosos que respondiam com propriedade e educação qualquer dúvida a ele exposta.
Mas foi com o advento do tal “0800” que a coisa ficou ruim. Qualquer auxílio, reclamação, socorro, ou seja, o que for “O bicho pega”. Uma voz robótica atende pedindo dados pessoais. Em seguida diz: disque 1 para isto; disque 2 para aquilo; e vai prosseguindo. Ao final diz: disque 9 (ou outro número qualquer) para repetir o “menu”. Começa o martírio; você conta o que pretende. A pessoa se mostra incompetente e passa o problema para outro e assim por diante... Então, você desiste.
Ainda naquele passado distante, as pessoas o atendiam com deferência e resolviam o problema, pois estavam cônscias de que o cliente era importante e precisavam dele. Hoje é apenas um número ou uma sombra na multidão, nada mais! Se você ameaça ir a Justiça, dão de ombros, como dizendo, pode ir. Sabem que a nossa lenta Justiça trabalha a favor deles, justamente por ser morosa e cara para a maioria da população brasileira.
Pela janela vejo a garoa que continua a cair. Olho para o quadro de Jesus pintado a óleo - uma obra de arte - e lá bem do interior do meu Eu, faço uma súplica desesperada: "Mestre, não permita que eu me transforme num robô".
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br__
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LOGO MAIS NO BLOG "FUTEBOL E GREVE BRANCA EM PERNAMBUCO". MAIS HISTÓRIAS ENGRAÇADAS DO NOSSO RÁDIO ESPORTIVO, CONTADAS PELO JORNALISTA E RADIALISTA OSWALDO LAVRADO. NÃO PERCAM!
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A VIDA CONTINUA... VAMOS EM FRENTE!
Depois das grandes tempestades em nossas vidas,
às vezes, ao invés da bonança esperada,
costumamos fechar a alma para balanço.

E, por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo,
bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta.

E esta porta fica tão trancada que,
se nós mesmos não a abrirmos,
tornar-se-á quase que intransponível.
Como se nossa casa tivesse sido saqueada
e o medo de que fosse arrombada de novo
não nos deixasse viver sossegados.

Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim...
Mas passar da soleira, quem disse?

E ficamos tantas vezes nos perguntando
o porquê de ninguém se aproximar muito de nós
se pensamos, numa atitude de bloqueio à verdade,
que estamos dando espaço para que todos nos visitem.

Fingimos não enxergar o letreiro luminoso
de "passagem proibida"
ou os cadeados enormes
que colocamos nos portões
e nos muros que erguemos ao redor de nós,
porque é duro admitir que temos medo
de mais experiências depois que
uma, duas, três ou mil delas não deram certo.

Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio,
e elas são cada vez em número menor,
as não tão persistentes se afastam
com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas
e as ponhamos para correr.

Assim acabamos, por comodismo,
ficando com as pessoas menos perigosas;
com aquelas com quem sabemos
que nunca chegaremos a ter envolvimento maior,
até porque sua percepção não é tão aguçada
para penetrar no nosso interior.

Ficamos com aquelas
com quem temos menos afinidade e pouco cumplicidade,
principalmente aquela que vem do fundo da alma,
porque não queremos que ninguém invada
a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos,
onde guardamos as mágoas,
os ódios não passados a limpo
e os amores mal sucedidos.

Não queremos saber de quem nos leia pensamentos
e não pretendemos nos prender a nada,
embora digamos sempre o contrário
e saibamos que a falta das amarras
num porto onde poderemos atracar quando estamos à deriva
pode constituir uma bela teoria de liberdade,
mas não nos gratifica,
pois o ser humano não nasceu para ficar só.

Nós, hoje, mal ou bem
podemos escolher nossos amores e amigos.
E que possamos escolher os melhores,
e não os mais cômodos.

E que possamos, também, ter alguns inimigos
e, entre os nossos conhecidos,
pessoas incompatíveis conosco,
porque são eles que nos ajudam
a superar os nossos limites
e nos botam para frente,
nem que seja para que lhes mostremos
do que e o quanto somos capazes.

Precisamos ter histórias para contar,
sejam elas com finais tristes ou felizes.
Precisamos passar por experiências
que nem sempre são gratificantes,
pois uma existência passada em brancas nuvens
é uma existência sem frutos.

Um dia, talvez,
venhamos a entender melhor os mistérios da vida
e, para chegarmos a um determinado ponto,
muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos.

Talvez entendamos que precisamos nos purificar
sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos
e receber alguma recompensa.

Algumas doutrinas religiosas e filosóficas
tentam explicar porque algumas pessoas sofrem
e outras são poupadas
e porque alguns de nós encontram suas metades
e outros passem a vida inteira a procurá-las.

Mas são explicações que talvez nós leigos,
não consigamos facilmente entender.
A única coisa que podemos arriscar,
é que nada acontece por acaso
(ou será que acontece?).

Talvez, quando sofremos,
estejamos passando por um processo de purificação
que nunca será entendido ou aceito por nós
enquanto estivermos vivendo a experiência.

Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa,
estejamos nos informando;
talvez, quando encontramos
tanta gente incompatível conosco,
é porque, de alguma maneira,
somos ou fomos as pessoas determinadas
a surgir em suas vidas,
seja para suportá-la, ajudá-las
ou para que, através delas,
aprendamos alguma lição importante:
da serenidade à perseverança, da paciência à fé.

Mas, por mais que apanhemos,
que nos escondamos para fugirmos da vida,
de nós mesmos, dos machucados e rejeições...
Tudo passa.

O desespero nunca foi solução para nada,
pois, afinal, não há mal que sempre dure
e nem bem que nunca acabe.

A vida sempre seguirá dando voltas.
Tomara que saibamos aproveitar as ascensões
para levantar quem estiver próximo de nós
e as quedas para aprendermos a ser humildes.

Obrigado pela força, amigos(as)
Edward de Souza