segunda-feira, 26 de julho de 2010


MUSEU OSCAR NIEMEYER
35 mil metros de emoção a cada centímetro


Curitiba possui um tesouro que todos os brasileiros precisam conhecer. É muito fácil de achar, tem preços populares, e se chama Museu Oscar Niemeyer. Não é um museu qualquer. Enquanto você visita vai sendo surpreendido a cada momento, envolvendo-se em grande emoção.

Ali funcionavam repartições burocráticas do governo do Paraná. O conjunto foi totalmente reformado, com projeto de Oscar Niemeyer, este nome que orgulha o Brasil, por suas obras aqui e em muitos outros países.

São 35 mil metros quadrados de emoção a cada centímetro. Hoje, abriga exposições de pintura, desenho, escultura, design, fotografia, maquetes, etc., com dois acervos, um sempre temporário e outro permanente. Este último fica alojado no popularmente chamado “Olho”, uma fantástica torre apoiada por uma coluna em forma de parede, que contrasta em porte com a impressionante leveza que transmite. O “Olho” parece flutuar no ar, como uma nave branca que ali estivesse pairando e espreitando a cidade. A inspiração foi na copa da araucária, árvore típica do Paraná, mas o povo, sempre imaginativo, passou a chamar como “Olho”. Síntese de toda a genialidade de Oscar Niemeyer, esse humanista de incrível simplicidade e generosidade, hoje reverenciado pela arquitetura mundial.

Visitar o museu vale a viagem a Curitiba. Nem que seja só para isso. Se o conjunto arquitetônico estivesse vazio já seria, por si só, uma imperdível atração. Com seu conteúdo, torna-se cativante passeio da alma pelas profundezas dos sentimentos mais edificantes e que fazem a vida e o mundo valerem a pena. A defesa do homem e dos princípios que devem reger suas relações estão presentes literalmente nas paredes deste santuário da cultura brasileira. É como um templo que prega em seus escritos e obras a redenção dos oprimidos, fazendo a denúncia da violência, das guerras, ditaduras, fome e miséria. A arte engajada, com seu compromisso único de ser agente de transformação social, mas nem por isso piegas, explicita e óbvia.

É preciso buscar nos olhos das figuras esquálidas retratadas por um pintor como o equatoriano Guayasamín (1919-1999), por exemplo, a milenar dor legada pela civilização pré-colombiana depois do seu massacre pelo colonialismo ibérico. Em seus traços de gênio da pintura e do desenho, amado por Pablo Neruda, de quem era amigo, estão nítidas as influências dos muralistas mexicanos Orozco e Diego Rivera, Picasso, Portinari, Di Cavalcanti e outros guerreiros das telas, mármore e bronze. É impossível não ficar paralisado na frente dos quadros de Guayasamin, sorvendo cada detalhe dos seus traços, não sendo difícil também ser levado às lágrimas. Pena mesmo é que não fiquem ali por mais tempo, pois são patrimônio artístico do Equador e precisam voltar para casa. Só isso já dá uma dimensão do que é essa casa curitibana onde se respira cultura e sensibilidade a flor da pele. Mas tem muito mais. As fotos do peruano Martin Chambi, em preto e branco, feitas com uma câmera rudimentar, de fole, são épicas e remetem ao esplendor e miséria do altiplano andino. Basta trocar de sala e entra-se num mundo totalmente diferente e menos angustiante, com as 25 telas de artistas que retratam a serenidade do porto de Paranaguá e seus navios docemente ancorados. Ou, em outra, na vida mansa e acolhedora do interior mineiro, com aquele estilo puro e inocente, gostoso, cheirando a café com bolo de fubá.

Visitar o Museu Oscar Niemeyer, enfim, é uma necessidade das almas famintas por ternura. Vale a viagem.

Os funcionários são gentis, a organização impecável, banheiros que brilham, há uma cafeteria confortável e irresistível, livraria e loja esbanjando classe e bom gosto. Tudo de primeiríssimo mundo.

Atravessar o túnel branco, em curva, que liga o prédio ao anexo “Olho”, parece uma caminhada pelo espaço sideral. Até quem detesta lugares confinados, como eu, ali nada sente, exceto deslumbramento.

Em ampla área estão as maquetes das principais obras de Niemeyer pelo Brasil e mundo. Vale a pena demorar ali, conferir cada uma, em detalhes, e ler cada texto onde o próprio artista do concreto armado explica sua paixão pelas curvas que marcam intensamente seu estilo. Inspiração que vem de várias fontes, incluindo as sedutoras curvas das mulheres belas. A catedral de Brasília, obra de um ateu assumido, quem diria, com sua estonteante beleza lembra mãos que se erguem em súplica ao céu. Niemeyer é ousado, atrevido, desafiador. Mas, acima de tudo, um poeta. Sorte nossa que é também brasileiro!

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*Milton Saldanha é jornalista, escritor, tangueiro e sonhador.
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Para saber mais sobre o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, acesse www.museuoscarniemeyer.org.br
Em visita à cidade, todo mundo conhece o local. Basta pedir ao taxista "Museu do Olho".
Aproveite, também, para conhecer o Jardim Botânico, cartão postal da cidade e um dos mais belos mundo.
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23 comentários:

  1. Boa tarde, amigos e amigas!

    Nosso genial companheiro, jornalista Milton Saldanha, nos intervalos de suas inúmeras viagens pelo país e exterior, costuma visitar lugares interessantes, ou melhor, fascinantes, como, por certo, é o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, mais conhecido como Museu do Olho, um monumento erguido pelo talento de nosso mais brilhante arquiteto.

    Milton, gentilmente, quis dividir conosco o encantamento que sentiu ao visitar o Museu do Olho - passeio imperdível para quem vai à Curitiba, capital do Paraná - uma cidade que se destaca internacionalmente pelos conceitos aplicados de sustentabilidade e preservação da natureza, que a transformaram em modelo urbano de desenvolvimento e qualidade de vida.

    Parabéns, Milton, pelo "olho" clínico, em sugerir uma visita adorável aos nossos leitores!

    Um grande abraço e aproveitem o dia!

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  3. Olá Saldanha, meu amigo

    Legal! Uma atração turística sensacional. Descrita por sua pena mágica.
    Qualquer cidade deste país sempre tem atrações culturais e naturais. Entretanto, por comodismo, os museus e outros locais semelhantes, fecham aos sábados e domingos, dias em que o turista para lá se dirigem. E querem incrementar a indústria turística!
    Nos meus tempos de editor e redator de turismo, “descia lenha” em cidades que procediam desta forma. Infelizmente, o problema ainda continua.
    Curitiba, por si só é um local turístico por excelência. Desconhecia o Museu Oscar Niemeyer. Vou me esforçar para conhecê-lo.

    Um abraço

    Paz. Muita Paz.

    J. Morgado

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  4. Olá meu amigo-irmão Milton Saldanha! Um belo texto sobre Curitiba você trouxe ao blog nesta segunda-feira. Quem conhece a cidade, como eu, certamente pode falar um pouco de Curitiba, sinônimo não só de qualidade de vida como de beleza e cultura. Conhecida internacionalmente, Curitiba recebe milhares de turistas todos os meses, isso eu e o Lavrado pudemos comprovar durante nossas visitas a cidade, para a transmissão de jogos de futebol pelo Campeonato Brasileiro. Se eu não estiver errado, temos no Brasil apenas duas cidades modelos. Uma é Campinas e a outra, exatamente Curitiba.

    Só um pecado cometemos, ou pelo menos eu cometi, porque o Lavrado voltou outras vezes em Curitiba com mais amigos da rádio. Não visitei o Museu do olho, obra do consagrado Oscar Niemeyer, tão decantado pelo querido amigo Milton Saldanha em sua crônica desta segunda. Mas, não faltará oportunidade. Na próxima visita a Curitiba irei conhecer o museu.

    Uma maravilha que eu conheci em Curitiba e quem puder deve também visitar é a Ópera de arame, situada numa área de reserva ecológica em um lago maravilhoso. Um edificação muito bonita e outro lugar que é um cartão de visita da capital do Paraná.

    Muito boa sua crônica e sua estréia como colunista de turismo, Milton. Quem sabe pode nos trazer mais belezas deste nosso país em outras crônicas, Nada mal.

    Um forte abraço a todos...

    Edward de Souza

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  5. Maria do Perpétuo Socorrosegunda-feira, 26 julho, 2010

    Miltinho chuchuzinho do meu coraçãozinho você não vai acreditar mas esta noite sonhei com você a noite todinha ai ai e agora me deu um calor repentino que me deixou sem ar.
    Seria a mulher mais feliz do mundo se pudesse acompanhar você nesta maravilhosa visita ao Museu Oscar Niemeyer e depois... Ai ai ui ui
    Faltam 248 horas para o dia que jamais esquecerei, porque neste dia estarei nos seus braços no Clube Homs ai ai esta onda de calor e coração acelerado que não passa.
    Sua fã que deseja seus carinhos
    tão disputados pelas minhas rivais
    Maria do Perpétuo Socorro

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  6. Oi Milton, legal sua crônica sobre Curitiba. Conheci a cidade em dezembro do ano passado e adorei, embora os curitibanos gostem de falar mal da cidade, percebeu isso? Em um dos passeios fui ao “Museu do olho” no Ensino Médio e também achei a arquitetura dele linda. Lembro que eu olhava e tentava entender como uma coisa daquelas pode ser construída. Oscar Niemeyer é mesmo brilhante. Curitiba é uma cidade linda, com belas padarias que mais lembram cafés europeus e muito limpa. Também conheci a Ópera de Arame, citada pelo Edward no comentário acima. Outra vista simplesmente divina. Quem não conhece Curitiba deve ir, vai gostar muito. Conheço pessoas que não saem de Nova Yorque, Miami, Londres, Paris e não conhecem nada do Brasil, nossas belas praias do norte-nordeste e tantas cidades maravilhosas que temos, o que é de se lamentar.

    Beijos, boa semana!

    Carol - Metodista - SBC - SP.

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  7. Meu caro amigo-irmão Milton Saldanha, você se esqueceu de citar em seu texto que o Museu do olho foi inaugurado em 2002. Então, agora fica claro porque não conheci esta bela edificação trabalhada pelo Niemeyer. O último jogo que transmiti pelo Campeonato Brasileiro foi em 1999 e não ocorreu em Curitiba, mas sim no Rio de Janeiro, jogo entre Santos e Fluminense, nas Laranjeiras. A Ópera de Arame conheci, porque foi construída pelo Jaime Lerner, em 1992, quando cobríamos o Campeonato Brasileiro por todo este país. Se não estiver enganado, Milton, o auditório desta casa de espetáculo de Curitiba suporta quase 2 mil pessoas e é um lugar maravilhoso, você deve ter conhecido. A construção, que não é de Neimeyer é sobre uma cratera onde existia uma pedreira, que foi desativada.

    Abraços...

    Edward de Souza

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  8. Querido Milton
    Adorei a sua crônica, que me deixou curiosíssima para conhecer essa maravilha de Museu do Olho. Mas eu também estou de olho nessa assanhada da Maria do Perpétuo Socorro, que está se jogando para cima de você.
    Essa mulher deve estar na menopausa ou então deve morar no inferno, para sentir tanto calor! Tome cuidado, porque ela pode incendiar seu terno e estragar a dança. Já comprei meu ingresso e um vestido de tafetá rubro,para farfalhar, digo bailar, com você!
    Sendo você um admirador de obras de arte e de arquitetura, tenho certeza que vai se encantar com as minhas curvas.
    Você é o máximo!
    bjos calorosos e arquitetônicos.

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  9. Oi Milton, não conheço ainda Curitiba, mas depois deste seu relato, fiquei encantada com o Museu Oscar Niemeyr e acho uma injustiça tirarem seu nome para colocarem Museu do Olho. Na verdade não tiraram, sei, mas apelidaram e acabou pegando, pelo visto. Estas obras de arte me fascinam. Já está em meu roteiro a cidade. Parabéns pelo texto

    Bjos

    Tatiana - Metodista - SBC

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  10. ´Queridos amigos: estou em Joinville, no famoso Festival de Dança, cheguei na segunda pela manhã, mil atividades,a cidade fervilhando, e só agora, finalmente, do hotel, consegui chegar ao computador para agradecer a todos vocês, mais uma vez, pelo carinho e apoio.
    Beijos!
    Milton Saldanha

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  11. Estou me divertindo com as brincadeiras das "fãs" e pelo estilo já estou imaginando a autoria, mesmo que tentem disfarçar. Mas não vou contar. A Socorrinho não precisa se preocupar, vou acalentá-la em meus braços, aos rodopios do tango Por una Cabeza... Meu único terror é que nesta fantasia exista um barbado... Sai de retro satanás!

    Edward, manda desencapetar o blogo!
    Beijos!
    Milton Saldanha

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  12. Já que estamos falando de museus, vai aqui mais uma dica rápida: quando forem a Santiago, Chile, não deixem de visitar o extraordinário Museu Pré-Colombiano. Fiquei lá cinco horas, uma tarde inteira, e completamente extasiado. Valeu por um curso inteiro de História da nossa América de antes do descobrimento e sobre as civilizações indígenas que habitavam este território do Norte do Canadá até a Terra do Fogo. Foram dizimados pelos colonizadores europeus. Anotem essa dica, vale mesmo a pena.

    Beijos!
    Milton Saldanha

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  13. Outra visita imperdível em Curitiba é o Jardim Botânico, tão lindo que virou cartão postal da cidade. Certa vez usei de cenário para produzir uma capa do jornal Dance. Era uma edição especial, todinha sobre a dança em Curitiba, que é fortíssima, em todas as modalidades, e tem o Guaira, uma companhia de balé de fama internacional. Fiz a foto da capa numa manhã gelada, as bailarinas e bailarinos com aqueles figurinos levinhos, coitados, todos tremendo. Entre um clic e outro eles corriam para seus casacões. Mas a capa ficou linda, e eles felizes.
    Beijos!
    Milton Saldanha

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  14. Olá, Milton! Muito frio em Joinvile? Estou em Santiago (RS) e aqui está gelando!

    Fiquei encantada com o Museu Oscar Niemeyer e louca para conhecê-lo. Há alguns dias fui ao Jardim Botânico de Porto Alegre e gostei muito. São ilhas verdes de paz e beleza dentro das metrópoles!

    O Museu Pré-Colombiano de Santiago do Chile deve ser fascinante. Acerca da história da formação do Chile, lembram que sugeri o livro de Isabel Allende, "Inés de Minha Alma", há alguns meses, neste blog? É uma obra interessantíssima, que sempre recomendo a quem quer saber um pouco acerca da história da América Latina. Muito melhor que os compêndios de História!

    Um abraço, amigo, e aproveite sua estada em Santa Catarina!

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  15. Bom dia Milton e Nivia!
    Várias vezes pensei em conhecer Curitiba, que é conhecida com a cidade mais limpa do Brasil, mas o que me assusta é o frio que costuma fazer por aquelas bandas. Se tem uma coisa que me derruba é o tal de tempo frio, entro em pânico. Pior, sempre que enfrento um frio rigoroso, tenho problemas com minha pele. Saem mancha sempre nas mesmas partes do corpo. Mas que fiquei curioso em conhecer a capital do Paraná, isso sem dúvida. Vou marcar uma época em que faça bastante calor por lá e quero conhecer o "Museu do Olho", Jardim Botânico e essa Ópera de Arame, além de outras belezas que a cidade tem. Valeu Milton. Fosse eu o prefeito de Curitiba, lhe faria uma homenagem pela divulgação que fez da cidade.

    ABÇS

    Birola - Votuporanga - SP.

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  16. Oi Milton, bom dia, nunca estive em Curitiba, mas tenho muita vontade de visitar esta cidade. Depois de ler seu texto, fiquei ainda mais curiosa em conhecer todas estas belezas. Ao contrário do Birola, adoro frio. Sempre vou com meus pais no inverno para Campos do Jordão. Este ano não deu, infelizmente. Dizem que os curitibanos são os mais cultos do Brasil e existe até lei que proíbe e pune quem joga lixo nas ruas..

    Beijinhos!!!

    Giovanna - Franca - SP.

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  21. Maria do Perpétuo Socorroterça-feira, 27 julho, 2010

    Miltinho chuchuzinho do meu coraçãozinho:
    Você nem imagina que sou eu. Vou dar-lhe (adoro esta palavra) uma dica, trabalhei com você lá na casinha, lembra? Nunca me esqueço daquele dia, quando fomos entrevistar o prefeito Newton Brandão, lembra o que aconteceu nas escadarias do Paço Municipal? ai ai ui ui
    Esta minha rival, que se intitula "Maria Pé de Valsa", não perde os bailes da "quinta idade", isto mesmo, "quinta idade", porque tem um fogo eterno e é ela, que mesmo com 89 anos ainda está com o "pito aceso".
    Faltam 224 horas para o grande baile no Clube Homs. ai ai ui ui

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