segunda-feira, 28 de junho de 2010

O CHILE TRAZ GOSTOSAS RECORDAÇÕES

Sempre que o Brasil enfrenta o Chile lembro-me da Copa do Mundo de 1962 que foi realizada naquele país, quando nossa Seleção iria conquistar o bicampeonato ao vencer os tcheco-eslovacos na final. A estrela de Pelé não brilhou, machucado no primeiro jogo, mas o Brasil contou com Didi, Djalma e Nilton Santos, Vavá, Zito, Amarildo e... Garrincha, um dos artilheiros da competição e melhor jogador da Copa.

A zebra andava solta pelos lados do Brasil e parecia que o sonho do bicampeonato mundial seria adiado. O treinador do Brasil, Vicente Feola, que havia conquistado o mundial em 58, sentiu-se mal e foi preciso substituí-lo às pressas. Aymoré Moreira assumiu o comando do escrete canarinho. A bruxa estava de plantão e no primeiro jogo do Brasil, contra o México, com vitória brasileira por 2 x 0, Pelé, que marcou um dos gols, se contundiu com gravidade e estava fora da Copa no Chile, para desespero de milhões de brasileiros. Amarildo, atacante botafoguense, entraria no lugar do melhor jogador do mundo.

Bons tempos eram aqueles dos cadillacs, da brilhantina, do namoro de mãos dadas, da coca-cola e chiclete Adams, das meias de nylon, dos corpetes pontudos e de “Only You” tocando no rádio. Nos Estados Unidos quem despontava para o sucesso eram os Beatles, que em 1962 lançavam seu primeiro disco, Please, Please Me. No cinema, morria Marilyn Monroe, aos 36 anos, após cometer suicídio. O mercado automobilístico estava em franca expansão e a novidade era que a empresa alemã Volkswagen tinha resolvido produzir os seus modelos de carros no ABC Paulista. Assim, no ano da Copa no Chile, sai da nova fábrica de São Bernardo do Campo, o primeiro Karmann-Ghia brasileiro, carrinho de linhas arrojadas e que fez um sucesso enorme nos anos 60 e começo dos anos 70.

Eu cursava o ginasial naquela época da Copa no Chile e o Brasil, sem Pelé, iria enfrentar o forte selecionado da Espanha, no período da tarde. E naquele tempo, nada de paralisar aulas ou fechar o comércio por causa de jogos da Copa. Até porque quase ninguém tinha TV em casa, principalmente no interior, e o único recurso era o rádio. Meu pai estava de olho para que eu não faltasse às aulas e colocou a mochila em minhas costas e me acompanhou até o ginásio onde eu estudava. No pátio da escola, cabeça baixa e desesperado para ouvir o jogo Brasil e Espanha, Carlão, um amigo, encostou-se e tirou de sua bolsa escolar um rádio portátil de pilha, com capa de couro marrom e alça, não me esqueço. Era a grande novidade da época e só ricos tinham um desses, custava caro e não tinham muitos para vender. Para ouvir o jogo saímos da escola e nos escondemos num campinho de futebol das proximidades. Levamos outros três companheiros. O Brasil perdia o jogo para a Espanha até 27 minutos do segundo tempo, quando brilhou a estrela de Amarildo. Contando com os passes de Garrincha, o substituto de Pelé marcou dois gols e o Brasil eliminou a Espanha da Copa do Chile. Na comemoração do gol da vitória, Carlão jogou o rádio pra cima, o aparelho caiu no chão e silenciou. Não ouvimos o final do jogo. Faltavam poucos minutos e ficamos aflitos, quando, repentinamente, fogos espocaram por todos os cantos da cidade. Era o sinal de que o Brasil tinha vencido o jogo e comemoramos, todos abraçados e pulando. O radinho foi levado logo depois a uma autorizada para conserto.
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Na semifinal da Copa o Brasil enfrentaria o Chile e os anfitriões tinham um bom selecionado e contavam com a torcida a seu favor. E nós, sem o radinho (ainda estava no conserto), demos um jeito de cabular as aulas e procurar algum boteco que tivesse rádio sintonizado no jogo. Não foi difícil encontrar um. Atentos na transmissão, ouvimos o locutor gritar, entusiasmado, do superlotado estádio Nacional do Chile, os dois gols de Mané Garrincha, marcados em 32 minutos de jogo e praticamente assegurando a vitória brasileira. Naquele jogo, o gênio das pernas tortas foi expulso da partida, após falta dura no chileno Rojas. Com a ajuda de Vavá, que também marcou dois gols, a seleção derrotou o anfitrião da competição por 4 a 2 e na disputa final, contra os tchecos, mesmo saindo perdendo por 1 x 0, o Brasil virou o jogo e venceu por 3 x 1, tornando-se bicampeão mundial.
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As regras foram mudadas na última hora para essa partida e Garrincha, expulso no jogo anterior contra o Chile, pode jogar. Um trambique bem arrumado, sem dúvida, para azar dos tchecos. Garrincha não marcou neste jogo, mas deu dribles sensacionais e passes certeiros para Vavá, Zito e Amarildo fazerem os gols do bicampeonato mundial.
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O Brasil enfrenta o Chile nesta segunda-feira, às 15h30 (de Brasília), no Estádio Ellis Park, na Copa do Mundo da África do Sul. O vencedor do duelo joga pelas quartas de final contra a Holanda, que venceu, também nesta segunda-feira, a Eslováquia por 2 x 1. A luta pela vaga nas quartas de final da Copa do Mundo não será a única preocupação do Brasil na partida contra o Chile, hoje. Além do adversário, a Seleção Brasileira precisa ficar atenta aos quatro jogadores pendurados com um cartão amarelo. Dois deles devem ser titulares contra os chilenos: o zagueiro Juan e o atacante Luís Fabiano. Já o volante Felipe Melo dificilmente será liberado pelos médicos, pois se recupera de contusão no tornozelo, enquanto Ramires deve ficar como opção, no banco de reservas.
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Sabemos que não temos jogadores que desequilibram a partida, como em 58, 62 e 70, mas estamos torcendo para que baixe em Robinho o espírito de Mané Garrincha e que ele entorte, com suas pedaladas, os zagueiros adversários. Temos esperança de que Luiz Fabiano se inspire em Amarildo ou Vavá, o peito de aço da conquista do bi no Chile e faça os gols necessários que classifiquem o Brasil para as quartas de final. E que Kaká esteja em seu melhor momento nesta Copa e nos encante com suas arrancadas maravilhosas, como faziam Zito e Didi e carregue, junto com suas passadas elegantes, todas as esperanças de milhões de brasileiros, para que, hoje no conforto de nossas casas, vendo o jogo numa TV, possamos soltar o grito de gol que ficou entalado em nossas gargantas no último compromisso, no frio 0 x 0 contra Portugal. Boa sorte, Brasil!
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*(crônica escrita e postada antes do jogo do Brasil).
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*Edward de Souza é jornalista e radialista.
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RESULTADOS DAS OITAVAS DE FINAL DA COPA DO MUNDO, JOGOS REALIZADOS NESTA SEGUNDA-FEIRA(28-06):
HOLANDA 2 ESLOVÁQUIA 1
BRASIL 3 X CHILE 0
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domingo, 27 de junho de 2010

COMEÇOU O MATA-MATA NA COPA DO MUNDO

.SÁBADO, 26 DE JUNHO DE 2010
Neste domingo as emoções começaram cedo, com o grande clássico europeu entre Alemanha e Inglaterra. Jogando um grande futebol e contando com um erro incrível da arbitragem, a Alemanha humilhou a Inglaterra com goleada por 4 a 1 e avançou confiante às quartas de final da Copa do Mundo. O trio de arbitragem comandado pelo uruguaio Jorge Larrionda, na primeira etapa, quando os alemães venciam por 2 a 1, anulou um gol incrivelmente legal marcado por Frank Lampard. Na jogada, a bola bateu no travessão e caiu dentro do gol da Alemanha (vejam foto acima). Os ingleses reclamaram muito, entendendo que, com o empate, caso o gol fosse validado, o jogo teria uma outra história, já que a Seleção da Inglaterra não se arriscaria tanto ao ataque e se defenderia mais, não tendo sofrido os outros dois gols no contra ataque alemão. Indiferente ao choro inglês, a Alemanha enfrenta agora a Argentina que, também com gol ilegal de Tevez, totalmente impedido, bateu o México por 3 X 1. As oitavas de final desta Copa na África começaram ontem, sábado, com a vitória do Uruguai por 2 x 1 sobre a Coreia do Sul e a derrota dos Estados Unidos para a Seleção de Gana, único representante africano, por 2 x 1. No tempo normal, EUA e Gana empataram em 1 x 1. Com estes resultados, nas quartas de final o Uruguai enfrenta Gana e pode ser o primeiro semifinalista sulamericano na Copa. Ainda pelas oitavas de final, nesta segunda-feira o Brasil vai enfrentar o Chile, repetindo as oitavas de 1998, na França - em que derrotamos os sul-americanos por 4 a 1. Antes, às 11 horas de Brasília, a poderosa Holanda, com 100 por cento de aproveitamento nesta Copa, como a Argentina, vai enfrentar a Eslováquia. O vencedor encara Brasil ou Chile, já nas quartas de final. *(Texto postado às 18h30 de domingo-27-06-2010)
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O futebol da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo na África do Sul tem a cara do seu treinador, feio, carrancudo, mas eficiente, isso não se pode negar diante dos resultados conseguidos até agora. No entanto, neste jogo de compadres ontem, contra Portugal, ficou provado que falta talento para nossa seleção armar jogadas e criar lances ofensivos. Durante boa parte do jogo nossos jogadores irritaram até o técnico Dunga tocando bola de um lado para o outro, algumas vezes errando passes de dois metros e propiciando contra ataque ao adversário. Apenas o futebol dos zagueiros Lúcio e Juan, além do goleiro Júlio César, com duas defesas sensacionais, sobressaíram neste jogo. Lúcio parou os atacantes de Portugal e fez, além do seu trabalho, também os dos volantes que só jogam para o lado e se arriscou à frente, indo trombar com a defesa lusitana. O lateral esquerdo Michel Bastos, nos três jogos da Seleção Brasileira não justificou ainda sua convocação, muito menos ocupar a vaga de titular na posição. Avança timidamente ao ataque, não marca e demonstra excesso de nervosismo quando por várias vezes a bola lhe escapa dos pés e sai pela lateral.
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Confesso-lhes, estou sentindo saudades de Roberto Carlos, que mesmo com a idade avançada, ainda joga o fino da bola no Corinthians, correndo 90 minutos. Falar em saudade, o jogo de ontem mostrou que Ronaldinho Gaúcho está fazendo falta neste time apático e sem objetividade de Dunga. De qualquer maneira, sem encantar os torcedores como fazia a seleção de 58, que tinha uma linha ofensiva formada por cinco jogadores, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo, ou as de 62 e 70, ano em que foi tricampeão do mundo, o empate contra Portugal deu para o gasto. Dentro da filosofia do futebol pragmático (a mesma de 1994, quando Dunga era o capitão na campanha do tetra), o Brasil já percorreu quase a metade do caminho. Fechou a primeira fase em primeiro lugar e volta a jogar em Johanesburgo, como desejava o treinador e os jogadores.
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É preciso ser otimista, por isso lembro que nossa seleção jogou desfalcada ontem e deve melhorar muito com a volta dos titulares contra o Chile. Vamos colocar uma pedra sobre essa primeira fase que terminou, porque a Copa do Mundo começa hoje, sábado, com o mata-mata que coloca frente a frente as 16 melhores seleções até aqui, das 32 que foram para a África do Sul sonhando com o cobiçado título mundial. Quem perder despede-se da Copa do Mundo. Para nós, brasileiros, a Copa começa nesta segunda-feira contra o Chile e oxalá nossos jogadores encontrem o seu verdadeiro futebol.
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A vantagem neste jogo parece ligeiramente brasileira. Os chilenos, comandados por Marcelo Bielsa gostam de jogar para frente, o que pode deixar espaços para o estilo de contra-ataque favorecido pelo time de Dunga. Na última participação chilena antes da Copa de 2010, há 12 anos, a equipe - que tinha jogadores como o meia José Luis Sierra e a dupla de ataque formada por Marcelo Salas e Ivan Zamorano - caiu ante ao Brasil na mesma fase de oitavas de final por 4 a 1. Neste jogo, Dunga era o capitão do time brasileiro. Nos duelos do Chile contra a Seleção Canarinho, a vantagem é toda brasileira durante a "era Dunga". Foram cinco derrotas em cinco partidas (duas nas Eliminatórias da Copa, duas na Copa América de 2007 e um amistoso). A Seleção Brasileira terá ainda as voltas de Kaká, Robinho e Elano, ausências sentidas no jogo de ontem contra Portugal.
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Para aqueles que não confiam em nosso selecionado, mostro uma estatística que encontrei ontem na Internet, feita pela agência Infostrada Sports. De acordo com essa agência, a final mais provável da Copa do Mundo é entre Brasil e Argentina. Os eternos rivais sul-americanos são aqueles que têm mais chances de estarem na final do dia 11 de julho. E para levantar o astral dos torcedores brasileiros, informo que Brasil e Argentina já assumiram as primeiras colocações nas principais bolsas de apostas do mundo. É bem verdade que estatísticas estão aí para serem mudadas. Mas ainda assim, é sempre bom ter os números ao nosso lado. Caso a previsão se concretize, seria apenas a terceira vez que dois times do continente decidiriam uma Copa do Mundo - a primeira vez foi Uruguai x Argentina, em 1930; e a outra foi Brasil x Uruguai, em 1950. Nas duas vezes, a Celeste ficou com o título.
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Tudo indica que este será mais um final de semana prolongado, com o jogo do Brasil contra o Chile programado para a tarde de segunda-feira. O comércio promete abrir até as 14 horas, mas muitas fábricas, citando as de calçados de Franca, fizeram acordos com seus funcionários e só voltam a trabalhar na terça-feira. Tomara que ao final do jogo contra o Chile, todos possam sair às ruas e comemorar uma importante vitória brasileira que nos levará para as quartas de final, contra Holanda ou Eslováquia, mas essa fase da Copa do Mundo é outra história.
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*EDWARD DE SOUZA
é jornalista e radialista
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RESULTADOS DOS JOGOS DESTE SÁBADO, (26-06), OITAVAS DE FINAL DA COPA DO MUNDO NA ÁFRICA DO SUL:
URUGUAI 2 X COREIA DO SUL 1
EUA 1 X GANA
1 (TEMPO NORMAL)
PRORROGAÇÃO: EUA 1 X GANA 2
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RESULTADOS DOS JOGOS DESTE DOMINGO, (27-06), OITAVAS DE FINAL DA COPA DO MUNDO NA ÁFRICA DO SUL:
ALEMANHA 4 X INGLATERRA 1
ARGENTINA 3 X MÉXICO 1
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

IMPRENSA TORCE PELO

FRACASSO DE DUNGA


Será que o pessoal que visita e faz comentários aqui no blog vai meter o pau neste escriba depois de ler o que vou continuar a escrever?
Aprendi, ao longo de minha vida, a não me deixar influenciar pelo o que a mídia, falada, escrita e televisada, propaga. A imprensa, de uma maneira geral, quando emite opiniões, não gosta de se ver contrariada. Na verdade, eu acho que não há, da parte da imprensa, humildade suficiente para admitir erros. Fale e escreva o que quer e, certamente, vai ouvir e ler o que não quer.

Alguns órgãos de divulgação deste país estão fazendo contra o Dunga, treinador da Seleção Brasileira, uma campanha sórdida. É de se lamentar.

Acredito até que, no alto de seu orgulho (descabido), alguns jornalistas ou cronistas esportivos estão torcendo para que a Seleção não consiga seu objetivo, que é o de se tornar hexacampeã.

Isso não quer dizer que Carlos Caetano Bledorn Verri, vulgo Dunga, também não seja tocado pelo excesso de altivez. Só que, ao contrário de seus desafetos, ele luta para ser campeão do mundo como treinador já que, como jogador, o é. Um vencedor! Não se deixa influenciar por palpiteiros. Pelo menos é o que parece, até agora.

A celeuma que se criou em torno da convocação de Ganso e Neymar, jogadores do Santos, provou que, apesar da intensa pressão da imprensa, Dunga não se deixou envolver. O tempo provou que o técnico da Seleção estava certo. Neymar prestaria um desserviço ao time. O já apelidado “Cai-cai”, certamente seria expulso no primeiro ou segundo jogo. O rigor da arbitragem não permitiria a “mise-en-scène” que o excelente jogador (mas, imaturo) está acostumado a fazer para conseguir faltas ou mesmo, um pênalti. Quanto ao Ganso, se viu em notícias recentes que o atleta foi submetido a uma artroscopia para eliminar inflamação na cartilagem do joelho. O que aconteceria se ele fosse convocado?

O descontentamento da imprensa com os técnicos das Seleções Brasileiras é proverbial. Na Copa de 1970, João Saldanha, jornalista e comentarista esportivo, foi convocado pela CBD para ser o técnico da Seleção. É verdade que o sucesso do treinador com times cariocas foi levado em conta. Mas, por trás de tudo isso havia uma finalidade - conseguir menos pressão da imprensa.

Dunga não diz “amém” aos “donos da verdade”. Por isso é atacado, impiedosamente. Por realizar treinos secretos onde são ensaiadas jogadas estratégicas. Por ser rigoroso disciplinarmente. Por não atender com “luvas de pelica”, aqueles que o destratam e os palpiteiros de plantão.

Já perdemos copas por excesso de liberdade. E isso é do conhecimento público. A luxúria e a gula, entre outras coisas ocasionaram prejuízos enormes. Não conseguimos o título máximo do futebol mundial.

A convocação de Ronaldo, Ronaldinho (que nada faz em jogos da seleção) e Roberto Carlos foi exigida por um grupo de palpiteiros. Querem maior absurdo do que esse?

Existe, ainda, todo um interesse político por trás dos jogos da Seleção. A FIFA e governos estão sempre envolvidos. Assim foi na Inglaterra, em 1966, onde os inventores do futebol (aperfeiçoado pelos brasileiros) se sagraram campeões. Busquem na História e poderão verificar a interferência política. Na Argentina, em 1978, o escândalo foi arrasador e a sujeira que rolou fede até agora.

Poderia um simples treinador impedir que isso acontecesse? Poder não poderia, mas um cara como o Dunga botaria a boca no trombone. No último jogo do Brasil, onde ele conseguiu ganhar da Côte d’Ivoire por 3 x 1, a imprensa teve um prato cheio para desmascarar a interferência externa. Mas, se calou! Para uma partida de futebol dessa importância, foi escalado para apitar a peleja um trio de árbitros franceses.

Por que a bronca? A Costa do Marfim (Côte d’Ivoire) teve como um de seus colonizadores a França, cujos interesses econômicos ainda são de grande monta naquele país africano. A língua oficial do país é o francês.

Para finalizar, qualquer motivo é suficiente para largar a madeira em cima do Dunga. No domingo, após o jogo, numa coletiva com a imprensa, os microfones ficaram abertos (sabe-se lá se de propósito ou não...), momento em que o técnico despejou um vocabulário chulo pra cima dos mastodontes do time adversário (teve muitas razões para isso). É a coisa mais natural do mundo. Entretanto, a imprensa, muito educada, aproveitou o fato para, mais uma vez, desancar o técnico da Seleção.

Ontem, mais sereno, Dunga teve a hombridade de desculpar-se com a torcida brasileira, demonstrando que não perdeu a seriedade com que pauta o seu comportamento, desde a época em que era jogador.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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RESULTADOS DOS JOGOS DESTA SEXTA-FEIRA (25-06), PELA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL, NA ÁFRICA DO SUL:
BRASIL 0 X PORTUGAL 0
COREIA DO NORTE 0 X COSTA DO MARFIM
3
CHILE 1 X ESPANHA
2
SUIÇA 0 X HONDURAS 0
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

JUNHO ESPECIAL NO BLOG

O TERÇO


Hoje é dia de São João! Não sei se é o São João Batista ou o São João Evangelista. Acho que é o "Batista" pois me lembro de uma passagem do Evangelho afirmando que Santa Isabel (mãe de S. João) acendeu uma fogueira num monte bem alto para avisar sua prima, a Virgem Maria, de que seu filho, João Batista, havia nascido. Por isso, em sua festa, acendem-se muitas fogueiras.

Existem, ainda, outras versões sobre as fogueiras, relacionadas às festas pagãs, mas prefiro acreditar nesta, já que também me chamo João, um nome curto, forte e honesto. Nasci, na verdade, às vésperas do dia de Santo Antônio e como já tinha um irmão chamado Antônio, graças a Deus, safei-me de ser chamado de Tonho ou Tunico.

Sempre gostei de fazer festas juninas, terços, quadrilhas, fogueiras, bailes, etc... tendo organizado muitas dessas festas. A que mais marcou em minha lembrança foi aquela feita na fazenda de um amigo, perto de Passos/MG, no município chamado São João do Glória - ou seja: prá lá do fiofó de Judas!

Contratamos um casal de rezadores (ele com a sanfona e ela com o terço e a imagem do santo) e enfeitamos um carro de boi com bambus e bandeirolas, o qual serviu para carregar os noivos, padrinhos, padre e coroinha.

Montamos um altar com o santo e começamos a rezar o terço; era um terço cantado à moda antiga e enquanto seguíamos com as orações, a sanfona nos acompanhava naquele tom monocórdio:...”glória seja o Pai, glória seja o Filho, glória o Espírito Santo e teu amor também...“

Nós, ajoelhados, não víamos o que acontecia lá atrás, onde o povo mandava ver no quentão, pinga e vinho quente.

De repente, o rezador parou com a sanfona e puxou a mulher: "-Vâmbóra, o povo daqui não arrespeita nada!" Olhei para trás e vi o Dérso, meu amigo, com uma enorme cenoura saindo pela braguilha da calça e ameaçando as mulheres. Pedi para sua esposa levá-lo para o quarto e convenci o homem a continuar com o nhéc...nhéc da sanfona.

Lá para o meio da reza, outro incidente interrompeu de vez o terço: Os moleques que brincavam em volta da fogueira, resolveram amarrar nos rabos dos cachorros da fazenda, vários fios de barbantes com bombinhas e busca-pés acesos.

Os pobres animais, endoidecidos com os estouros e faíscas, foram esconder-se por debaixo do altar improvisado, ganindo de dor. O casal de rezadô enfiou a sanfona no saco e se mandou. Coube a mim terminar de puxar o terço, já que o meu amigo fizera a promessa de realizá-lo por sete anos seguidos...

Seguem duas receitas características para o evento, as quais eu faço há mais de vinte anos:

QUENTÃO (OU GROGUE): 1 litro de pinga ou vinho tinto seco; 3 limões cortados em rodelas; 2 copos de água; 6 cravos da Índia; 50 gramas de gengibre picado; 3 paus de canela e açúcar a gosto. Ferver tudo em um caldeirão. Deixar em fogo baixo enquanto for servindo, em pequenas xícaras, pois se deve apreciá-lo bem quente.

CURAU DE MILHO VERDE: 8 espigas de milho verde; 1 litro de leite; 1 colher (cheia) de manteiga; 1 pitada de sal (meia colherzinha das de café); açúcar a gosto (menos de meio quilo).

Cortar os grãos com uma faca afiada e batê-los, aos poucos, no liquidificador, com o leite. Passar essa mistura numa peneira fina, espremendo bem até tirar todo o caldo (jogar o bagaço fora). Numa panela grande, misturar o caldo com a manteiga, o sal e o açúcar. Levar ao fogo, mexendo sem parar até engrossar bem.

Despejar num pirex grande, salpicar com canela em pó e deixar esfriar. Guardar na geladeira.

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*João Batista Gregório, 58, paulista de São João da Boa Vista, é cronista de mão cheia. Publicou, em 2009, suas crônicas reunidas em Crenças e Desavenças e já prepara um novo livro, a ser lançado em breve. Para conhecer a sua produção, acesse o blog do JB, cheio de histórias divertidas, onde cada crônica pitoresca acaba com uma receita culinária especial, testada e aprovada! Clique no endereço abaixo e delicie-se! http://contoscurtosgrandesreceitas.blogspot.com/
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RESULTADOS DOS JOGOS DE HOJE, QUINTA-FEIRA (24-06), NA COPA DO MUNDO DA ÁFRICA DO SUL:
ESLOVÁQUIA 3 x 2 ITÁLIA
URUGUAY 0 x 0 NOVA ZELÂNDIA
CAMARÕES 1 x 2 HOLANDA
DINAMARCA 1 x 3 JAPÃO
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quarta-feira, 23 de junho de 2010



"Sinto-me muito mais só nesse quarto de hospital, tendo como companhia uma pessoa já idosa, com fortes dores no abdômen. Ele chega a dar gritos, surdos, abafados pelo cobertor. Os enfermeiros se revezam, dando-lhes injeções e pílulas, mas a dor persiste. A esposa dele, sentada ao lado da cama, segura suas mãos, acaricia seu rosto, massageia parte de sua barriga, mas ele geme e seus gemidos chegam a me dar aflição. Também sinto dor na cabeça e tonturas quando me levanto para ir até o banheiro, segurando a haste onde estão dependurados os sacos plásticos com os medicamentos. É uma aventura ir da cama até o banheiro. A fraqueza, a dor na cabeça, tudo contribui para um desânimo maior, desânimo que aumenta quando as visitas vão se embora e ficam apenas os dois pacientes, sem falar, sem diálogo, e sem disposição para assistir qualquer programa no canal de televisão".
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No segundo dia dessa nova etapa do tratamento quimioterápico recebo duas visitas carinhosas: Paulo Pereira e de Severino Ferreira da Silva, conhecido pelo apelido de Jacaré desde os tempos de sua juventude, quando trabalhava na linha de montagem de uma empresa multinacional – a Ford, instalada em São Bernardo do Campo. Estou fraco, quase sem voz, deitado, na cama. A falta de ânimo é absoluta e Paulo percebe. Volto a dizer a ele que se for encaminhado para a UTI, dificilmente voltarei à enfermaria. Paulo senta-se ao lado da cama e permanece em silêncio. De vez em quando, tira os óculos e enxuga os olhos. Percebo que chora, como da última vez. Chora, mas não quer ser visto com lágrimas nos olhos, principalmente por mim.

Fico a imaginar ele pensando na minha partida definitiva, na perda deste que é seu amigo desde o tempo da adolescência no Bairro Paraíso, em Santo André. Uma amizade que enfrentou um hiato de alguns poucos anos, em decorrência de minha transferência para Manaus e também por nós termos nos casado e mudado nossos hábitos, nossos costumes e encontrado outras amizades. Nesse dia, não me lembro de Paulo ter se despedido. Acredito que ele saiu em silêncio, aproveitando-se de minha sonolência.

Jacaré chegou no mesmo dia, logo depois. Mais otimista, mas sem comentar o meu estado, ele quis saber se podíamos dar um passeio pelo corredor do hospital. Ele caminharia ao meu lado e serviria de apoio. Convenceu-me a praticar esse exercício, que não exigia muito esforço de minha parte. Essa pessoa espetacular, eu conheci há pouco menos de dez anos, quando minha mulher comprou a nossa casa própria em uma localidade não muito distante do centro da cidade: o Jardim Progresso. Nos primeiros meses em minha nova residência, ainda bebia de maneira desregrada e só fui parar com o excesso de bebidas alcoólicas alguns meses depois, em julho de 1997, no dia em que minha mulher fazia mais um aniversário. Para ela, esse meu gesto foi considerado o melhor presente que ela recebeu.

Começaria uma nova vida, mas, constatei depois, já estava estigmatizado como um cachaceiro e por muitos anos viveria carregando esse fardo e ouvindo a frase corriqueira: é um bom profissional, mas... E vinha a palavra fatal: bebe. Mesmo os pequenos jornais me repudiavam. Até que um conhecido assumiu a direção administrativa de um novo jornal em São Bernardo e me convidou para ser chefe de reportagem, sem antes me advertir sobre o problema da bebida alcoólica.
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Jacaré, mesmo distante, sempre se manteve do meu lado, porque vivera a mesma situação que a minha: fora também um alcoólatra e só se redimiu depois de ser internado em uma clínica para viciados em drogas – e pinga, conhaque e outros aperitivos são drogas, apesar de não serem reconhecidas como tal e serem liberadas inclusive para menores de idade. Esse ex-metalúrgico ainda seria o meu braço direito por duas vezes: quando do primeiro e do segundo tratamento no Hospital do Câncer, quando precisei ir diariamente para as sessões de radioterapia e, uma vez por semana, da quimioterapia. Paulo Pereira e Severino Ferreira da Silva, duas pessoas completamente diferentes, mas iguais para mim quando se fala de solidariedade, em amizade e dedicação ao próximo.

Olhando pela janela do quarto onde estou internado, vislumbro uma cena incomum existente quase no coração da capital paulista. Uma ampla área, ao lado do quartel de um batalhão da polícia militar, uma variedade de árvores frutíferas. Laranjas maduras sobressaem-se entre o cinza poluído da região e pássaros aproveitam para fazer um festim de canto e dança. Fico então a pensar no quintal da casa alugada em Manaus, onde frutificava um grande pé de cupuaçu, um fruto típico da região norte brasileira, que convivia pacificamente com um bicho-preguiça lá residente desde a minha chegada. Chegava a ficar longo tempo presenciando aquele pequeno e inofensivo animal se movimentar, como se nada o apressasse. Cheguei a sentir inveja de sua calma, de sua tranquilidade, de sua indiferença pelo mundo exterior. Nada parecia afetá-lo naquele pé de cupuaçu, o seu universo verde e intocável.

O tempo que lá fiquei, não me lembro de ter visto o bicho preguiça ter se locomovido mais de dois metros. E fiquei em Manaus por quase um ano. Nesse período, após as festas de Natal e Ano Novo, a Ilca apareceu – o curso colegial concluído, mas sem fazer o acerto formal na firma onde trabalhava. Acabou sendo dispensada por se ausentar por mais de três dias do local de trabalho sem justificar-se. Um lapso dela, que poderia fazer um acerto e receber alguma quantia como indenização. Para recepcioná-la comprei várias dúzias de rosas e, com suas pétalas, fiz do piso da casa um tapete – um gesto romântico de um homem apaixonado.

Em companhia da Ilca fiz apenas uma grande reportagem: visita a todos os municípios do Amazonas e traçar um perfil de como era e como vivia a sua população ribeirinha. Sozinho, estive em vários estados do norte a serviço do Jornal do Brasil. A maioria com uma miséria exposta a ponto de não parecer fazer parte do território brasileiro. Rio Branco, a capital do Acre, por exemplo, me marcou pela precária situação de sua população ribeirinha. Crianças ainda, com no máximo treze anos, se prostituíam à noite, por uma ninharia em dinheiro. Uma dessas me abordou e eu perguntei por que ela frequentava aquele local, concorrendo com velhas prostitutas. A resposta era que precisava de dinheiro para levar ao pai, um viciado em bebidas alcoólicas. Dei-lhe o máximo que ela poderia faturar aquela noite vendendo o seu corpo, com a garantia de que ela fosse para casa e não voltasse mais, ao menos àquela noite. Sabia que o meu gesto não iria consertar a situação nem resolver o problema da menina, mas, ao menos, pude dormir tranquilo.

No dia seguinte, entrevistei o governador do Acre e o prefeito de Rio Branco. Toquei no assunto sobre a prostituição infantil e eles viram nesse meu interesse apenas uma curiosidade comum em turistas ou em pessoas que visitavam a região pela primeira vez. Como se diz, fique mais um tempo aqui que você se acostuma. Faz parte da cultura regional.
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Ainda como correspondente do Jornal do Brasil, consegui trazer alguns amigos e conhecidos para visitar Manaus, obtendo passagens com o departamento de turismo do Estado do Amazonas. Vieram os jornalistas Fausto Polesi, diretor do Diário do Grande ABC, Ricardo Kotscho e Raul Martins Bastos, do “Estado”, acompanhados das esposas, a repórter Sonia Nabarrete, o publicitário Darvei Dotto, o meu irmão Luiz Antonio e, como não poderia deixar de ser, a minha amada Ilca – que, desta vez, encontrava-se na casa de sua mãe, em Santo André.
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Com o Fausto Polesi, viajamos para Maués, no interior do Amazonas, onde fizemos uma reportagem denunciando o contrabando de ouro dessa pequena comunidade para os EUA. Os jornais deram destaque, inclusive alguns norte-americanos, uma vez que eu também despachava, via telex, para a agência de notícias UPI (Unidet Press International).

Deixei Manaus antes das eleições de outubro de 1976, quando Juarez Bahia me telefonou dizendo que eu “ganhara” férias de três meses, não remunerada. Era uma espécie de demissão, que não assimilei na época. Abandonei tudo, móveis, eletrodomésticos... Voltei para São Paulo apenas com a roupa de corpo e mais alguns trajes. Logo na primeira semana, sofri um pequeno acidente caseiro, o suficiente para receber auxílio doença do instituto de previdência social.
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Quando os três meses passaram, telefonei para o Juarez Bahia me colocando à disposição do jornal. Esperava que fosse transferido para a sucursal de São Paulo ou, então, retornaria para Manaus. Não. Findo os três meses de férias não-remuneradas, acabei demitido. Foi um nocaute para mim. Convicto de que voltaria para o Jornal do Brasil, não me interessava em manter contatos com meus colegas de São Paulo e até de Santo André, onde ficava o Diário do Grande ABC. Voltava, então, a ser um jornalista esquecido e desempregado.
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Dói-me a cabeça. Choveu de madrugada e o dia amanheceu nublado e frio. Estou só nesse quarto. O meu companheiro, ao lado, seguiu para o Centro Cirúrgico, onde deverá ser operado do estômago. Peço a Deus que dê tudo certo e ele regresse em breve. Decido dar uma caminhada pelo corredor, carregando os sacos plásticos com a salada medicamentosa. Nesse caminhar, deparo com um menino, sendo conduzido em uma cadeira de rodas. Ele sorri para mim. Tem o cabelo raspado como o meu, só que a sua cabeça é menor e mais brilhante. Não deve ter mais que oito anos e esse fator me leva a questionar os médicos.
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Quando constataram o tumor em minha garganta, na primeira vez, justificaram dizendo ter sido em razão de minha vida desregrada na juventude, com o abuso do fumo e do álcool. Agora, pergunto: e esse garoto, que sequer começou a segunda fase da vida, nunca usou fumo e álcool e ali se encontra, talvez em pior situação que a minha? Certamente, desta vez, alegaram que era fator genético. Eles, os médicos, sempre têm uma saída. Mas, ao ver aquela criança, de repente, não mais que de repente, como escreveu Vinicius de Moraes, fui levado para os caminhos de minha infância e cheguei a Bálsamo, pequena cidade na região noroeste do Estado de São Paulo e distante cerca de 450 quilômetros da capital paulista...
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Na próxima quarta-feira, o décimo primeiro capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50.
(Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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RESULTADOS DESTA QUARTA-FEIRA (23-06) DOS JOGOS DA COPA DO MUNDO DISPUTADOS NA ÁFRICA DO SUL:
ESLOVÊNIA 0 X INGLATERRA 1
ESTADOS UNIDOS 1 X ARGÉLIA 0
GANA 0 X ALEMANHA
1
AUSTRÁLIA 2 X SÉRVIA
1
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terça-feira, 22 de junho de 2010


AS ASSOMBRAÇÕES DA COPA



Caros e caras, queridos e queridas, eis-me aqui, novamente, pois que fatos relevantíssimos ocorrem neste mundo de emoções que é a Copa da África do Sul! Então, volto à tona para discutirmos algumas questões que extrapolam o plano meramente racional, pois não pensem que futebol é só tática, técnica e retrospecto – o imponderável sempre se faz presente e, às vezes, muda totalmente a história, dependendo de como as pessoas lidam com os acontecimentos. São as assombrações da Copa.

De pronto, vamos bater uma bolinha, melhor dizendo, uma jabulani que considero, até agora, a estrela maior da competição...Jabulani, a bola da Adidas que significa celebrar, em Bantu isiZulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul, tem sido a algoz de goleiros e centroavantes que ainda não conseguiram chamá-la de meu bem, devido às novidades tecnológicas que ela apresenta, dizem os especialistas; por força do feitiço poderoso de grandes mestres da magia, digo eu... Quem primeiro conseguir apaixoná-la, de fato, domando a danadinha, será o virtual vencedor deste Mundial! Convém lembrá-los de que não vale registrar Portugal como adestrador oficial da jabulani, mediante a vitória de sete contra a Coreia do Norte, porque no dia em questão os súditos de Kim Jon Il não receberam a dose diária de carne de cachorro, já que devoraram todo o estoque da iguaria antes do jogo contra o Brasil!

Pois bem, meus queridos e queridas, vocês, tanto quanto eu, devem estar decepcionados com o pouco futebol apresentado por seleções como as da Itália, França e Inglaterra, outrora sempre fortíssimas candidatas ao título maior. Salvo melhor juízo, os dirigentes dos clubes desses países preferiram contratar jogadores estrangeiros às pencas, para qualificar os campeonatos nacionais e esqueceram da formação de suas categorias de base, o celeiro gestador de novos craques. Daí, na hora de montar a seleção, não há mais bons jogadores nativos disponíveis...Vejam o caso dos goleiros ingleses – Robert Green, o do frangaço contra os Estados Unidos, é guarda-valas de um obscuro time inglês e David James, seu substituto, é mais conhecido como “Calamity James”, tal a sua ruindade...Aliás, o peru memorável de Green, afora a má colocação, teve uma colaboração preciosa da manhosa jabulani...

Já que estamos falando em assombrações, vamos nos deter um pouquinho no intolerável comportamento do técnico Dunga que, como já avisei em participação anterior, neste espaço, continua agindo a mando de seu irmãozinho Zangado cujos eflúvios desagradáveis se fazem sentir quando ele volta a sua raiva contra a Imprensa, nas poucas entrevistas que concede, sempre com o mau humor que o tem caracterizado. Não pensem que sou contra o Dunga. Ele é um técnico vencedor, tem feito um bom trabalho, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e classificou o Brasil para a Copa do Mundo com louvor. Mas não esqueceu algumas críticas recebidas e pessoalizou-as, o que prejudica o ambiente e o torna pesado, demasiadamente perturbador. Não esqueçamos que a Imprensa faz o seu papel, quer informar. É claro que sempre haverá um urubu travestido de jornalista, empenhado em provocar o técnico para que ele perca a esportiva e acrescente mais lenha na fogueira...

Creio que o Dunga precisa de um tratamento de choque que reverta, definitivamente, sua idiossincrasia esportiva. Recomendo a Técnica do Joelhaço, utilizada, com enorme sucesso, por famoso psicanalista gaúcho, o Analista de Bagé, já detalhada por Luis Fernando Verissimo, em seu livro homônimo. Para quem não conhece, a terapia consiste em aplicar, de surpresa, uma forte pancada, com o joelho, nas partes pudendas do vivente...Assegura o profissional que nunca mais o paciente volta a apresentar o comportamento anterior (provavelmente pelo medo de ter que submeter-se a mais uma sessão terapêutica!).

Ninguém quer um Dunga risonho, gentilíssimo e galante, pois amabilidade não é a sua praia. Entretanto, ele poderia agir com mais civilidade, assim, a atmosfera ficaria menos pesada. Advirto-os de que conversei com a Branca de Neve sobre o assunto e ela, esperançosa, já entrou em contato com o tal analista que, por coincidência, está na África do Sul. Aguardemos os desdobramentos.

Quanto à Seleção Brasileira, meus amores, passada a tensão da estreia, creio que equilibra-se e sinto ótimas emanações, todas positivas. Mas ainda não me conformei com a ausência do Ronaldinho Gaúcho. O rapaz não merecia ter ficado de fora, é craque. Como na partida vindoura, contra os patrícios portugueses, o Kaká não poderá jogar, por força de sua injusta expulsão contra a Costa do Marfim, o Ronaldinho serviria como uma luva de pelica negra...Tenho certeza de que ele chamaria a jabulani de querida ao primeiro toque! Enfim...o que vale, mesmo, é que o povo brasileiro continua atuando como o 12° jogador do Escrete Canarinho. Um amor puro, indesmanchável. Sintonia total rumo ao hexa!

Outra assombração que se manifesta, poderosa, nesta Copa, em forma de um ruído ensurdecedor, é o som das vuvuzelas, as cornetas que originalmente serviam aos torcedores da África do Sul, os Bafana Bafana. Agora, todos vuvuzelam, seja qual for a cor e a nacionalidade do time. Permitam-me, modestamente, fazer uma revelação, mediante uma constatação óbvia: as vuvuzelas emitem som parecido com um zumbido de inseto elevado à décima potência - é o bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz... Percebam, desde o início da Copa, elas anunciam o vencedor...O Bzzzzzzzz...Brasil, está claro!

Nem todas as assombrações da Copa têm caráter metafísico. Algumas são a representação da beleza, personificadas em corpos atléticos e perfeitos. Verdadeiros colírios para os olhos femininos, que sabem apreciar a simetria especial a conjugar inteligência, força, garra, agilidade e beleza física. Asseguro-lhes que há exemplares para todos os gostos. Destacaria alguns - Kaká, o nosso lindinho (E); o inglês Michael Owen (D1) e o francês Yoann Gourcuff (D2). Do Cristiano Ronaldo não gosto. Ali, a vaidade destruiu a beleza, embora o gajo tenha afinidade com a pelota...Todavia, tenham sempre em mente que a beleza verdadeira está além dos limites da experiência material...


Por derradeiro, lhes digo que as assombrações da Copa serão todas afastadas até o fim do evento e o escrete vencedor surgirá, altaneiro, magnífico, dentre aqueles que melhor souberem administrar o curso de sete partidas, com pragmatismo, determinação e, em especial, com a jabulani ao pé, dominada, escancaradamente apaixonada!

Que toquem as vuvuzelas! Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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*Strellitziah K. Dent é consultora para assuntos sentimentais, vidente, astróloga, guru & assemelhados. Absolutamente do bem.
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RESULTADOS DESTA TERÇA-FEIRA (22-06) DOS JOGOS DA COPA DO MUNDO DISPUTADOS NA ÁFRICA DO SUL:
ÁFRICA DO SUL 2 X FRANÇA 1
MÉXICO 0 X URUGUAI
1
NIGÉRIA 2 X COREIA DO SUL 2
GRÉCIA X 0 ARGENTINA 2
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