segunda-feira, 3 de agosto de 2009

HISTÓRIAS DE FADAS OU DE PIZZAS?

NIVIA ANDRES
Os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. Partilham com estes o fato de serem uma narrativa curta, transmitida oralmente, onde o herói ou heroína tem de superar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Por característica, envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento, e apesar do nome, animais que falam e se comportam como gente são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. Entre exemplos famosos temos Rapunzel, Branca de Neve e os Sete Anões, O Gato de Botas, João e Maria, Cinderela e a Bela e a Fera.
Decididamente, as histórias contadas hoje, no Brasil, nada têm de contos de fadas. Mesmo as maiores malvadezas e atrocidades cometidas por Lobo Mau, Rainha Malvada, Bicho Papão, Cuca, Capitão Gancho, Mula-sem-cabeça, madrastas enciumadas, bruxas, magos, lobisomens, monstros e centenas de outros afins não chegam aos pés das barbaridades que se cometem nesse país de fantasia às avessas, com uma grande novidade na estrutura da narrativa – no epílogo, desaparece o tradicional ... E foram felizes para sempre, substituído por... E tudo acabou em pizza! São os contos de ogros! (pedindo perdão a Shrek, é claro, um gentil, bondoso e digno representante da classe, que não se enquadra nos requisitos de perversidade necessários; e, óbvio, rogando duplas escusas aos pizzaiolos, esses profissionais tão talentosos, que entraram de gaiatos na história, já que o delicioso produto que oferecem transformou-se em palavra maldita no dicionário de politiquês, ora ostentando significado extra de investigação ou apuração de denúncias de irregularidades administrativas, corrupção etc. sem levar, devido a manobras políticas, ao julgamento ou punição dos implicados.
Se há uma característica que vêm marcando o processo de desenvolvimento da civilização desde o seu início é a idéia de que, para existir, a sociedade depende da integração do homem com seu meio. Essa ênfase de pertença social é decorrente dos vários elementos que ameaçavam constantemente a integridade dos grupos humanos no passado, tais como guerras, pestes e invasões estrangeiras. A necessidade de coesão social fomentou a criação de narrativas que gradativamente ajudaram a cristalizar um sistema de idéias sobre a expectativa da sociedade em relação ao papel do indivíduo. Nesse sistema, o "outro" é aquele que, deliberadamente ou não, se encontra isolado do convívio com seus semelhantes, ou não compartilha dos mesmos costumes e regramentos éticos e morais. Por isso, deve sofrer penalidades ou ser eliminado. Esse é o indivíduo nocivo à sociedade, o pilantra, o malfeitor. Em todas essas histórias ditas de fadas havia a intenção de se transmitir determinados valores ou padrões a serem respeitados pela comunidade ou incorporados pelo comportamento de cada indivíduo. É por esta razão que até hoje se vê o conto de fadas mais como um instrumento pedagógico de potencial educativo e disciplinador, utilizado como exemplo a ser incorporado ao comportamento social de cada indivíduo. E então, a título de curiosidade, se reescrevêssemos os tradicionais contos de fadas, num estilo bem brasileiro, incorporando anti-heróis tupiniquins, de relevantes malfeitorias, quem seriam eles? Renan poderia ser o Bicho Papão; Inácio daria um ótimo Capitão Gancho; Dilma, com certeza, encarnaria perfeitamente a Cuca, o jacaré-fêmea do Sítio do Pica-pau Amarelo; Zé Dirceu convenceria como Lobo Mau de rara eficiência; Maluf seria um autêntico Dick Vigarista; Zé Sarney interpretaria o Mancha Negra com louvor; Edmar do Castelo incorporaria majestosamente um dos Irmãos Metralhas, o 171!
Que magnífico livro daria, sob o título “Contos de ogros brasileiros”, seguramente um clássico para as futuras gerações obterem exemplos sólidos de como não ser e não fazer, para o bem de todos e felicidade geral da nação!
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*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
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domingo, 2 de agosto de 2009

O ÍDOLO QUE A MÍSTICA DESNUDA
Equipe de Esportes da Rádio Diário nos anos 80. Em pé, da esquerda para a direita, Edward de Souza, Rolando Marques, Sidney Lima, Paulo Cesar, Norival Toledo, Aristides Vital e Jurandir Martins. Agachados: Luís Carlos Maia, Oswaldo Lavrado, Nelson Perdigão e Agostinho Agapito Assunção.

HISTÓRIAS DO RÁDIO

OSWALDO LAVRADO

Nenhum veículo de comunicação - teatro, cinema, circo, jornal, televisão, revista e, agora, a net - tem o poder do misticismo incrustado no rádio. Pelas ondas hertesianas, o ouvinte imagina o que lhe é transmitido pela voz. O tempo, a temperatura, a imagem da notícia, a cor e marca do veículo que passa, os galhos de uma árvore, a altura de uma onda e, especificamente, a fisionomia do locutor que lhes fala. Muitos radialistas impressionam o ouvinte pelo timbre da voz e com a impostação e/ou maneira de falar. Quem ouve, e de acordo com sua mente, cria a imagem do narrador. Um grande risco que o locutor de rádio enfrenta é um dia se apresentar pessoalmente ao ouvinte. Pode terminar alí uma história de amor imaginário, fiel e duradouro, porém frágil ao primeiro encontro. No meu caso específico enfrentei algumas situações embaraçosas e inusitadas. Com voz mais para gralha do que para Cid Moreira consegui, nos mais de 20 anos de microfone, preservar a figura absolutamente normal e compatível com minha personalidade e aparência física. Mas, mesmo assim, não escapei em uma ocasião de decepcionar uma fiel ouvinte. Assim que terminou uma solenidade que eu apresentava no Tênis Clube de Santo André, uma senhora, tipo 45 anos (não fui louco nem inconveniente de perguntar a idade dela) se aproximou e, meio tímida, indagou: “O senhor é o Oswaldo Lavrado, da Rádio Diário"? "Sim, sou, respondi". Meio sem jeito, que não conseguiu disfarçar, a mulher disparou: "imaginava o senhor mais alto, forte, olhos verdes e, me desculpe, mais jovem". Desejou-me uma boa noite, virou as costas e partiu em direção a porta de saída do salão.
Pois é, minha ex-fã radiofônica nunca imaginou que seu ídolo era um coroa (nessa altura eu já estava com 50 anos), 1.65 de altura, olhos castanhos e cabelos desalinhados e também castanhos. Estava longe do protótipo de Adônis que a senhora imaginava, infelizmente pra nós dois.
Entre outros locutores da rádio, três se destacavam pelo timbre de voz: Rolando Marques, Edward de Souza e Sidney Lima. Um trio com vozeirão de fazer inveja a qualquer Walker Blass e Antonio Carvalho (Rádio Bandeirantes), William Bonner (TV/Globo) e outros menos notáveis, mas que impostam ao máximo para tentar fazer bonito no rádio. Rolando, Edward e Sidney Lima, não precisavam desse expediente, já que foram privilegiados por Deus que lhes concedeu voz maravilhosa e absolutamente natural. Porém, igualmente fizeram admiradores (as) que além de idolatrar a voz imaginavam eles verdadeiros Brad Pitt radiofônicos.
Uma tarde de domingo no Estádio Bruno Daniel, do Santo André, estávamos na cabine de Imprensa aguardando o momento de entrar no Ar, quando surge um casal e três garotos, tipo 9, 12 e 15 anos. O quinteto subiu os mais de 120 degraus das arquibancadas para driblar o porteiro, adentrar as cabines e conhecer pessoalmente o nosso glorioso Rolando Marques, a Voz de Ouro do ABC. O casal chegou próximo da cabine onde eu estava e perguntou: "desculpe o senhor é o Rolando Marques?". "Não, respondi - o Rolando é aquele ali", indicando o grupinho onde estava nosso narrador. Acompanhei o casal e os adolescentes: " Rolando, esse pessoal subiu até aqui especialmente pra te conhecer". Tímido e humilde, como sempre, Rolando esticou a mão e cumprimentou todos. Ficou lisonjeado e um tanto ruborizado pela surpresa. No entanto, o garoto mais jovem, fã incondicional do nosso narrador até aquele momento, disparou uma inconfidência: " desculpe, mas achei que o senhor fosse bem mais jovem e vistoso". Nada mais foi dito nem perguntado. O menino, em sua inocência traduziu, talvez, o pensamento dos pais e de seus irmãos. Rolando Marques, o melhor narrador da história do rádio da região, eleito pelos ouvintes das quatro emissoras - ABC, Diário, Clube e Cacique - A Voz de Ouro do ABC, não tinha a aparência de um Antonio Fagundes, a imponência de um Toni Ramos e menos ainda a juventude de um Marcos Palmeira. Rolando era gordo, tipo Jô Soares, calvo e já passado dos 50 anos. O casal e os filhos certamente continuaram admiradores da voz de Rolando, porém, acredito, nunca mais se interessaram em tentar conhecer pessoalmente um possível ídolo radiofônico. Rolando morreu em julho de 1994. Para os fãs do Edward a frustração foi menor, mas não menos traumática. Locutor de programas musicais, narrador esportivo da Diário e correspondente da Globo/CBN no ABC, oriundo de Franca, Edward tinha um sem número de admiradores espalhados por onde chegava o som das três emissoras. Mas foi no ABC, mais precisamente em São Bernardo, que o mico acomodou-se por algumas horas no ombro do Edward de Souza. Uma noite de domingo, após o trabalho da equipe em São Caetano num jogo do Saad, estávamos na Padaria Royal, na Marechal Deodoro, Centro de São Bernardo. Era, então, o mais antigo e tradicional ponto de encontro da cidade sendo inclusive citada na coluna "Memória", do nosso Ademir Medici, no Diário do Grande ABC. Ao redor do esticado balcão da padaria estava o grupo da Diário: Edward, Lavrado, Luis Carlos Maia (plantão), Jurandir Martins (repórter), Reinaldo Nascimento, Aristides Murara e Agapito Assunção (operadores de som) e o Lampião, nosso motorista preferido. Em determinado momento adentra a padaria um quarteto de rapazes que se instala bem próximo ao nosso pessoal. Um deles, um pouco mais "alto" se aproxima e, sem cerimônia, pergunta: "Quem é o Edward de Souza?". O Lampião (sempre ele) estica o braço e indica: "È aquele ali, de bigode". Bingooo, o francano era o único do grupo que usava, e ainda usa, esse inútil instrumento, o bigode. O rapaz abraçou o Edward, beijou-lhe o rosto, disse que era ouvinte da rádio Diário e da CBN, elogiou a equipe e confessou ser um grande admirador do nosso francano, então vestido com sua indefectível jaqueta de couro puro. Mas, como todo sujeito que está um pouco pra lá de Bagdá - já havia tomado algumas - acha que é mais sincero que os outros (talvez seja), o rapaz, de nome Vanderlei, disse, num estalo: " Olha vou ser honesto com vocês. Adoro a voz do Edward, mas não esperava que ele fosse assim, gordinho e com aparência de gato molhado". Ninguém ousou argumentar o contrário com o fã do nosso querido amigo-irmão e nem o momento sugeria contestação. Assim, nada mais foi dito ou perguntado. Não precisava.
Já Sidney Lima, dono de um vozeirão, dividia seu trabalho na rádio como programador musical e repórter esportivo. Arredio e pouco comunicativo com os ouvintes, Ney Lima nunca arriscou a ser abraçado pelo mico, cena comum, como já dito acima, aos profissionais que ficam em estúdio ou num estádio tendo apenas a voz como mercadoria oferecida ao cliente, no caso o ouvinte. Ney, ao contrário de todos nós, preferia não se expor e se alguém fosse até a rádio para conhecê-lo, simplesmente orientava a recepcionista para dispensar, delicadamente, o fã ainda na entrada da emissora. Tímido, Nei Lima, guardadas algumas proporções, recorria ao mesmo expediente usado com sucesso pelo radialista Zé Bétio que, por se achar muito feio, quase nunca mostrou o rosto, e pelo locutor Luiz Lombardi (que é de Santo André e amigo meu e do Edward) locutor oficial do Sílvio Santos e que jamais apareceu para o público. Lombardi tem programa matinal na Rádio ABC (Santo André), porém não recebe nenhum ouvinte, ao contrário de seu filho, Lombardinho, DJ de rádio FM, que vive cercado de fãs.
Essa uma pitada da vida e do cotidiano do radialista, cuja primeira lição profissional é não se empolgar com um provável sucesso, que pode ser efêmero, e, em função disso, expor sua aparência ou desnudar seu maior trunfo: a mística que um locutor de rádio cria de seu personagem oculto para o ouvinte. Isso, mesmo para um radialista de sucesso, pode ser fatal.
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* Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista, trabalhou por muitos anos no Diário do Grande ABC - rádio e jornal - e dirigiu a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Recebeu a Medalha João Ramalho, juntamente com a equipe de esportes da Diário, pela organização da Copa Infantil de Futebol do Grande ABC que reuniu cerca de 1,7 mil garotos entre 7 e 12 anos. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

NO BRASIL, QUEM TEM UM OLHO É REI

OS INTOCÁVEIS
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J. MORGADO
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O filme e a série "Os Intocáveis”, nos mostram os anos 30 nos Estados Unidos, mais precisamente em Chicago, o crime organizado combatido por policiais incorruptíveis. Eu disse o filme. Não sei se a ficção corresponde à verdade. Essa mesma violência foi combatida em Nova Iorque e em muitos outros locais daquele país com o tão propalado plano “Tolerância Zero”. Os resultados foram ótimos. A criminalidade baixou consideravelmente! Este pequeno arrazoado poderia ser entendido assim: lá vem o J. Morgado falando de tolerância zero outra vez. Não meus amigos. Pretendo inverter a situação. Os intocáveis a que me vou referir não são policiais. Vou falar do governo de nosso país que deveria ser incorruptível.
Nesta tão sofrida Nação, “quem tem um olho é majestade”. Refiro-me a riquezas astronômicas aliadas aos mandatos eletivos, que começam com o de presidente, passam pelo congresso e terminam com o de vereador. Depois, vêm os nomeados (parentes, amigos, etc.). E as “eminências pardas”? Estes são aqueles que “governam” por trás dos mandatários. Sempre há um! Ficam na obscuridade, mas, são os que se locupletam com o erário público e negociatas. Usam os “laranjas” e alguns nem se importam com isso. Confiam que nunca serão descobertos ou no tal “jeitinho brasileiro” ou corrompendo e sendo corrompidos por funcionários públicos e até mesmo por altos funcionários de empresas privadas nacionais e estrangeiras. Os eleitos gozam de fórum privilegiado se pegos com a mão na massa. Os ministros só podem ser julgados pelo Supremo (salvo engano) e os outros contam com a morosidade e os meandros da justiça. Os advogados...? Caríssimos! São pagos pelo que foi “desviado”! Surpreendente, se não fosse trágico.
Nas cadeias, os bandidos e rufiões de todos os naipes. Afinal cadeia não foi feita para os criminosos de colarinho branco. E quando acontece um caso, o indivíduo goza de todas as regalias que o dinheiro pode conseguir. Fala-se muito em policiais corruptos, no entanto tem-se notícia que os presídios destinados a esses profissionais vivem lotados. Sinal que as corporações lutam para que o mal seja debelado ou pelo menos diminuído, mesmo com o pouco caso que as autoridades eleitas fazem da segurança pública neste país. Novelas como o caso do banqueiro Dantas se arrastam. Será que isso aconteceria em um país de primeiro mundo? Fortunas conseguidas de maneira “misteriosa”, não são declaradas no imposto de renda! Coitado do assalariado que fizer isso!
E os “trens da alegria”? Uma prática proibida, mas que os “nobres” parlamentares e o governo sempre acham uma maneira de driblar através de concursos fajutos ou outras manobras infames. Os “cabos eleitorais” precisam ser resguardados.
E agora, surpreendam-se aqueles que ainda não viram os noticiários nos jornais escritos e televisivos. Viramos “lixão” do mundo! Em vários portos brasileiros, toneladas de lixo adicionado em contêineres vindos da Inglaterra. E pasmem! Segundo as últimas notícias um brasileiro radicado no Reino Unido está por traz dessa estupidez. Acostumados a enviar a podridão doméstica para a África e outros locais de terceiro mundo, estão fazendo o mesmo com o Brasil.
Poderia aqui ir escrevendo, escrevendo... Seriam muitas laudas para se mencionar apenas uma parte do que esses “intocáveis” fizeram e continuam a fazer e, provavelmente, ainda continuarão a fazer por muito tempo. Assim, meus amigos, aqui no Brasil o governo não nomeou policiais com carta branca para acabar com o crime organizado. Afinal, os Intocáveis são eles!
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Como a imprensa de hoje contaria a
história de Chapeuzinho Vermelho

ÉDISON MOTTA

As diferentes versões sobre o que aconteceu e o estado de saúde do piloto Felipe Massa, da Formula 1, que sofreu um acidente no último sábado, fazem lembrar uma brincadeira interessante, que corre na internet. Ela demonstra como os atuais veículos de comunicação contariam a história de Chapeuzinho Vermelho, conforme o ângulo de suas respectivas linhas editoriais.
Seria mais ou menos assim:
JORNAL NACIONAL
(William Bonner): “Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...” (Fátima Bernardes): “... Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia.”

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): “... que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”


BRASIL URGENTE
(Datena): “... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.”

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
'
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: “Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador”.Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico, mostrando como Chapeuzinho foi devorada, e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador, ligado ao PT, que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte.) Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa”.

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte) Veja o que só o lobo viu...

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! Mito ou verdade?

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A mesma história, em versões diferentes

Os nossos amigos e amigas que acompanham este Blog, especialmente os estudantes de jornalismo, já devem ter se perguntado, mais de uma vez, afinal o que é a imparcialidade? Aprendemos desde os primeiros dias nos bancos das faculdades – agora relegadas a um segundo plano para o exercício da profissão – que o jornalista precisa ser imparcial. No mínimo, ouvir os dois lados de uma questão. Mas, como aferir a imparcialidade se o texto que vai preparar será aproveitado ou não conforme a linha editorial do veículo onde trabalha?
Alguma reportagem que enaltecesse algum feito do Partido dos Trabalhadores teria espaço no estadão? Da mesma forma, neste mesmo jornal alguém já viu publicada alguma notícia dando conta da exploração que o sistema financeiro faz das pessoas, especialmente as mais humildes, nas filas dos bancos ou no vexatório sistema de portas giratórias das agências?
A Rede Globo não tem qualquer interesse em investigar os financiamentos concedidos pelo BNDS assim como a Record não abre espaço para a exploração que muitos pastores fazem da fé, especialmente aqueles que chantageiam os fiéis para que vendam suas casas e demais propriedades para comprar um lugar no céu.
Imparcialidade, diriam os experientes mestres do jornalismo, não existe. Com ética e zelo profissional é possível buscar a verdade, ouvindo não apenas dois, mas quantos forem os lados implicados numa questão. Um texto que respeite o leitor haverá sempre de posicioná-lo como principal objetivo do trabalho jornalístico. Assim como não convém subestimar sua inteligência, não é prudente querer induzi-lo a esta ou aquela conclusão.
A busca pela imparcialidade, que sempre esbarra no interesse pelo sensacionalismo deste ou daquele veículo, é antes de tudo a eterna procura do equilíbrio. Qualquer leitor, ouvinte ou telespectador, por mais iletrado que seja, desconfia das informações sensacionais. Talvez por isso, a imprensa padeça, nos dias atuais, da falta de credibilidade de grande parte das pessoas. Que sempre enxergam, por traz do bombardeiro diário de informações que recebem, algum interesse escuso não revelado.
Em parte, a desconfiança não é descabida. Como estamos todos envolvidos no mesmo turbilhão, o ser humano comum é atacado em seu bom senso principalmente pelos meios eletrônicos – rádio e TV. Poucos têm tempo para se aprofundar no assunto e o que foi ao ar passa a ser verdadeiro, mesmo que logo mais à frente seja desmentido. Felizmente, temos hoje a internet. E, nela, espaço para debate e desmistificação de informações que não se sustentam. A imparcialidade, cada vez mais, ficará por conta do próprio leitor. Que, através do garimpo entre as mais diferentes fontes de informação poderá selecionar, gradativamente, os veículos que lhe forem mais confiáveis. Chapeuzinho vermelho e o lobo mau continuarão, indefinidamente, se apresentando, para uns e outros, conforme o gosto do publico alvo a que se destina o veículo de comunicação. Uma lenda que, outrora, esteve restrita a apenas uma única versão.

*Édison Motta, jornalista e publicitário é formado pela primeira turma de comunicação da Universidade Metodista. Foi repórter e redator da Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil; editor-assistente do Estadão; repórter, chefe de reportagem, editor de geral (Sete Cidades) e editor-chefe do Diário do Grande ABC. Conquistou, com Ademir Médici o Prêmio Esso Regional de Jornalismo de 1976 com a série “Grande ABC, a metamorfose da industrialização”. Conquistou também o Prêmio Lions Nacional de Jornalismo e dois prêmios São Bernardo de Jornalismo, esses últimos com a parceria de Ademir Médici, Iara Heger e Alzira Rodrigues. Foi também assessor de comunicação social de dois ministérios: Ciência e Tecnologia e da Cultura. Atualmente dirige sua empresa Thomas Édison Comunicação.

terça-feira, 28 de julho de 2009

DEZ MILHÕES DE ALCOÓLATRAS NO BRASIL

EDWARD DE SOUZA

Muita gente queda-se atônita ante o problema dos tóxicos e do álcool, indagando que misteriosas forças teriam conduzido uma pessoa a trilhar os caminhos do vício. A resposta é complexa, porém não dificil de ser formulada. Vários segmentos da sociedade acusam os toxicômanos e os alcoólatras como responsáveis pela “onda” de violência que assola o País, buscando em pesquisas de acidentes de trânsito, homicídios, latrocínios e desavenças encontrar as causas que preocupam psicólogos, sociólogos, médicos, moralistas, filósofos e religiosos.
Segundo alguns registros arqueológicos, os primeiros indícios do consumo de álcool pelo ser humano datam de mais de oito mil anos. No primeiro momento, as bebidas eram produzidas apenas pela fermentação e, por isso, tinham um baixo teor alcoólico. Com o desenvolvimento do processo de destilação, começaram a surgir as primeiras bebidas mais fortes e mais perigosas. Com a revolução industrial, a bebida passou a ser produzida em série, o que aumentou consideravelmente o número de consumidores e, por consequência, os problemas sociais causados pelo abuso no consumo do álcool. O alcoolismo não é mais uma doença, é um flagelo. Só no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Alcoolismo, existem aproximadamente 10 milhões de alcoólatras, número que prejudica progressivamente a força de trabalho e a produtividade nacional. Cerca de 5 por cento dos trabalhadores são alcoólatras, tornando improdutiva metade de suas cargas horárias. Ônus ingrato para a Nação, fardo inútil para as empresas e indústrias.
Médicos do trabalho que participam ativamente de palestras de combate ao tóxico e ao alcoolismo, afirmam que o trabalhador brasileiro carente foi obrigado a trocar o café da manhã com pão, leite e manteiga pelo consumo puro e simples de cachaça, para poder, até, levantar-se da cama e caminhar. Essa triste realidade foi verificada também nas indústrias de calçados de Franca e nas montadoras na Região do ABC Paulista. Um grande empresário de Franca afirma amargamente: - Estamos vivendo uma nova era, a do alcoolismo por necessidades energéticas.
Na verdade, as hospitalizações por complicações do alcoolismo são de custo milionário. O dinheiro captado pelos cofres públicos do movimento setorial das bebidas alcoólicas não paga o custo social do alcoolismo, nem as contas das hospitalizações, desnecessárias numa época economicamente recessiva. De acordo com um médico do trabalho que eu ouvi na semana passada e que preferiu não se identificar, a explicação para o fenômeno passa pelo problema do desemprego em massa, que ocorre atualmente em grandes indústrias de calçados de Franca e nas montadoras do ABC Paulista, cruza a política salarial, finalizando no baixo consumo patológico atual de proteína animal e vegetal. Certo é que o Brasil não possui estrutura econômico-hospitalar para suportar as complicações médicas que advirão do recrudescimento do alcoolismo em virtude da decadência progressiva do poder aquisitivo. As hospitalizações por complicações do alcoolismo são de altíssimo custo, repetitivas para o mesmo indivíduo, já que o consumo de álcool continua, na maioria das vezes, após a alta médica. Muitas dessas internações são de evolução fatal e de prognósticos sombrios. Na grande maioria dos casos a volta ao trabalho é simplesmente impossível. Se alguma coisa não for feita urgentemente, em breve o Brasil poderá se transformar em um País de alcoólatras. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos é a terceira doença que mais mata, só perdendo para o câncer e para as doenças do coração. O alcoolismo é irreversível, progressivo e de fins fatais. As estatísticas no Brasil indicam que para cada 42 viciados em álcool há um viciado em outras drogas também. A escalada do alcoolismo no Brasil é grande, aumentam as filas nos hospitais, a produção do País é atingida, as despesas com os doentes crescem e, por tudo isso, é preciso que se dê largos passos, urgentemente, em busca de solução para o problema.
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*Edward de Souza nasceu em Franca, é Jornalista e radialista. Trabalhou nos jornais, Correio Metropolitano, Diário do Grande ABC e O Repórter, da Região do ABC Paulista. Em São Paulo, na Folha da Tarde, Jornal da Tarde, Gazeta Esportiva, sucursal de “O Globo”, Diário Popular e Notícias Populares, entre outros. Atuou na Rádio Difusora de Franca, Difusora de Catanduva, Brasiliense de Ribeirão Preto, Rádio Emissora ABC e Clube de Santo André; também nas rádios Excelsior, Jovem Pan, Record, Globo – CBN e TV Globo de São Paulo. Medalha João Ramalho, principal comenda do município de São Bernardo do Campo, outorgada pela Câmara Municipal daquela cidade pelos relevantes serviços jornalísticos prestados à região. Troféu PMzito, entregue pelo alto comando da Polícia Militar de Santo André por ter se destacado como o melhor repórter policial do ABC nos anos 70. Prêmio Sanyo de Rádio nos anos 80, como o melhor narrador esportivo do ABC Paulista. Menção Honrosa entregue em 2007 pela Câmara Municipal de Franca e outra pelo Rotary Clube Norte pela atuação brilhante na radiofonia da cidade. Participou da antologia O Conto Brasileiro Hoje, 7°, 8º, 9º e 10º edições, com os contos “Um Visitante Especial”, “Sonhos Dourados” “A Lua de Mel” e “O Sacristão”, além de diversas outras antologias de contos e ensaios. Assina atualmente uma coluna no Jornal Comércio da Franca, um dos mais tradicionais do interior de São Paulo.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Desconheço o autor dessas pérolas. Se não me engano, certa vez li com a assinatura do amigo radialista Helio Rodrigues, hoje na Rádio Difusora de Franca. Mas, por certo, algumas outras frases vão sempre surgindo, eu mesmo acabo de acrescentar três novas e a gozação com os francanos continua. Para ocupar esta tarde no blog, resolvi postar essas pérolas imperdíveis, com o título:
SER FRANCANO É ASSIM...
1- Chama os amigos de Fiii (E Aí Fiii???);
2- Utiliza o 'im' no final das palavras (e ai Fiii, baunzim???)
3- Tem, ou conhece alguém que tem, um rancho;
4- Tem que explicar para as pessoas de outras cidades o que é um rancho;
5- As maiores baladas de sua cidade são num cirquinho;
6- Orgulha-se em dizer que Franca não tem só sapato... Tem mulher bonita, Gian e Giovanni, Rio Negro e Solimões, Canário e Passarinho e a sede do Magazine Luiza;

7- Conhece algum sapateiro desempregado;
8- Já foi a um jogo de basquete e torceu pra caramba comendo o "amendoim do Jubileu";
9- Já está enjoado da avenida Champagnat; menos do "Picanha na Tábua";
10- Já comeu rodizio de pizza no "Cascata";
11- Já foi num dos shows do Rod Hanna e não volta mais;

12- Sabe o que significa "pau de gozo";
13- Acha o pessoal de Ribeirão Preto um saco;
14- Já deu um presente da Dime Store para alguém;
15- Mora fora mas adora voltar pra terrinha e contar as coisas de outras cidades;
16 - Não vai aos jogos da Francana porque sabe que ela vai perder;
18- Passa o carnaval em cidades minúsculas;
19- Cursa ou conhece alguém que cursa Direito;
20- Sabe que a cidade tem um aeroporto com uma pista maior que a de Ribeirão Preto;
21- Não se preocupa com sequestros;
22- Fica feliz quando chega uma boate na cidade;

23- Tem que explicar para as pessoas de outra cidade o que é um curtume;
24- Compra blusa nova para ir a Expoagro;
25- Sabe o que é pinga no bambu;
26- Para saber as horas pergunta "quantas horas" e não "que horas são";
27- Já passou um final de semana num posto de gasolina;
28- Já comeu lanche no "Brutu's" ou no "Barba";
29- Morre de raiva quando vai para outra cidade e lhe perguntam se é mineiro;
31- Já pagou motel com desconto;
32- Sempre vai para Porto Seguro na semana do saco cheio e encontra vários amigos;
33 - Já ouviu falar na Gerarda Preta; Paulinho Chinelo, Geraldo Pelotão, Maria Capotinha, Toinzinho dá um pulinho, Valte da Viola (é Valte mesmo) e na Luzia.
34- Votou no PT, mas diz que nunca votou ou não vota mais;
35- Quase todo fim de semana vê um carro tombado dentro de um córrego;
36- Conheceu ou já ouviu falar do "Sossego"... Ave Maria, essa é demais... E não me perguntem quem era o "Sossego". Respondo só se for para homens.
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EDWARD DE SOUZA
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SAIBAM EM COMENTÁRIOS, QUEM ERA O "SOSSEGO", QUE ATÉ HOJE É LEMBRADO PELOS FRANCANOS. EDWARD DE SOUZA REVELA SUA IDENTIDADE.

domingo, 26 de julho de 2009

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO NESTE MUNDO

GANIDOS DE UM CÃO CHAMARAM A ATENÇÃO
DE DOIS GAROTOS QUE VOLTAVAM DA ESCOLA.
VALENTE, UM DELES APOIOU-SE NUMA MOITA
DE CAPIM ENQUANTO SEU COLEGA, AGARRADO
NA MOCHILA ESCOLAR, ESTENDIA
SUA MÃO AO CACHORRINHO AFLITO.
CONFIANTE, O CÃO ESTENDEU SUA PATA ESQUERDA
E FOI RETIRADO SÃO E SALVO DO RIO.
ANTES DE SEGUIR SEUS HERÓIS DESCONHECIDOS,
UMA ÚLTIMA OLHADA PARA AS ÁGUAS QUE QUASE
O TRAGARAM.

DOIS PEQUENOS HERÓIS
*
EDWARD DE SOUZA

Recebi, há alguns dias, e-mail de um amigo com quatro fotos e apenas algumas frases que diziam: “Edward, preste atenção na coragem desses dois meninos. Arriscaram a vida, quando voltavam da escola, para salvar um pequeno cãozinho”. Fiquei sensibilizado ao perceber que esses meninos não têm mais que dez anos de idade. Muitos, como esses dois, estão armados com pedras e estilingues matando pássaros ou então praticando atos de vandalismo na escola. Antes de publicar essas fotos no blog eu precisava de mais informações. Obrigatoriamente dar crédito às fotos. Retornei o e-mail fazendo algumas perguntas, mas o amigo nada sabia. Nem a cidade, muito menos o nome dos garotos ou do fotógrafo. Corri durante alguns dias a internet e nada encontrei a respeito desse caso. Nenhuma publicação. Mas, essas fotos teriam que ser mostradas. O exemplo desses dois garotos não podia ficar escondido. Foi então que resolvi publicá-las. Deixo em aberto o espaço para que o autor dessas fotos se identifique, assim daremos o devido crédito a ele como também poderemos obter mais dados sobre esses dois garotos extraordinários.
Neste mundo onde vivemos, no qual as pessoas cada vez mais valem pelos cifrões que têm, ou aparentam ter, e com tantas outras tentando tirar proveito das situações para se dar bem, não pude deixar de admirar e aplaudir a atitude heróica desses dois garotos que eu gostaria imensamente de conhecer e abraçar. Arriscaram a vida para salvar um pequeno cão desconhecido. Essa a impressão que se tem ao ver com calma essas fotos. O ato heróico desses dois garotos me fez pensar que, afinal, nem tudo está perdido nesse mundão de Deus. Ainda é possível ter algumas esperanças sobre o nosso futuro. Uma boa semana a todos vocês!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

J. MORGADO FAZ ANIVERSÁRIO NESTA SEXTA


ESPIRITISMO, SOCIEDADE E HIPOCRISIA

J. MORGADO


Para que possamos falar sobre esse tema, é necessário voltarmos a um passado muito remoto, ou seja, quando o homem ainda na sua inocente ignorância, não conhecia esse mal da civilização que é a hipocrisia. É Verdade que o orgulho, o egoísmo, a inveja, etc. se instalaram provavelmente desde o início do “homo sapiens” devido principalmente a luta do dia-a-dia pelo alimento, procriação, etc. Na medida em que o homem ia se desenvolvendo e se civilizando, formando os primeiros grupos, tribos, vilas, cidades e assim por diante, a hipocrisia foi se inserindo na moral de tal forma que o homem que detinha o poder de uma determinada comunidade usava escravos para provarem seus alimentos antes que ele os digerisse. A História é rica em fatos dessa natureza. Assim, o ser humano, pensando em se defender do semelhante, não hesitou em usar desse mal moral com assiduidade em todas as atividades em que se faz presente.
Há 2000 anos, Jesus pregou uma moral que mudaria completamente as mentalidades da sociedade de então. O amor pregado pelo Mestre que ultrapassava os limites familiares, ou seja, toda a humanidade era uma coisa estranha vindos de um judeu que julgavam ser o Messias tão esperado para livrá-los do jugo Romano. E, naturalmente, como mandava a tradição judaica, esse enviado de Deus viria com a força dos Exércitos e expulsaria os invasores para bem longe, transformando a nação numa poderosa potência.
Durante mais de trezentos anos os cristãos foram perseguidos e sacrificados, mas não deixavam de fazer prosélitos até que, graças a sua fé e constância, transformaram Roma em uma nação Cristã. Constantino I foi o primeiro imperador cristão. Nessas alturas dos acontecimentos, surgiu com toda a sua pompa a Igreja Cristã que só se chamaria Católica durante o Concílio de Trento realizado entre os anos de 1545 e 1563, subordinada a autoridade Papal. Tudo isso em razão da Reforma provocada por Martinho Lutero em 1517 e da proliferação das Igrejas protestantes criadas a partir de então.
A partir dos ensinamentos de Jesus, os valores morais lentamente começaram a mudar, tanto que seus ensinamentos se espalharam rapidamente por toda a Região, chegando a Europa. Mas, as guerras não deixaram de existir, a ganância não diminuiu, o egoísmo, o orgulho, o preconceito, a vaidade, a falta de escrúpulo, a luxúria, etc. não deixaram de permanecer apesar das verdades Evangélicas pregadas pelo Mestre e reconhecidas mesmo por aqueles que não eram cristãos.
Muitas advertências foram feitas durante todos esses séculos por pessoas possuidoras de espíritos adiantados, ou seja, missionários que aqui vieram para dar continuidade ao trabalho de Jesus. Templos religiosos foram erigidos por toda a parte e frequentados por Governantes, nobres, plebeus, etc. Conheciam de certa forma a moral pregada pelo Mestre, principalmente os 10 Mandamentos, o “Amar o Próximo com a Ti Mesmo” “Amar vossos Inimigos”, etc.
Mas, era entrar e sair. Ao entrar, oravam mecanicamente como se estivessem fazendo um grande sacrifício e ao sair montavam em seus cavalos e partiam para a guerra ou tramas que geralmente eram a conquista de outros territórios e o domínio de outros povos. A plebe, nome dado ao populacho da época não era diferente. Apesar de espezinhados, discriminados, explorados não agiam de outro modo ressalvadas as devidas proporções.
E assim continuou por séculos e séculos. A Revolução Francesa abriu uma questão de liberdade e Igualdade para ser discutida por todos os povos. Mas a hipocrisia falava e fala mais alto quando se trata de salvar interesses nacionais e principalmente particulares.
O orgulho e o egoísmo, que consideramos males morais terríveis, se colocam na ala de frente juntamente com a hipocrisia que, acredito eu, será a última a ser extirpado da raça humana. Esse defeito moral está presente em todos os momentos de nossas vidas. Em nossos lares, no trabalho, ou seja, em qualquer lugar que nos colocamos vinte e quatro horas por dia, inclusive nos Centros Espíritas, pelos seus seguidores.
Vejamos o que diz o Dicionário Aurélio sobre a definição da palavra Hipocrisia. [do grego hipokrisia] – Substantivo feminino 1 – Afetação de uma virtude, dum sentimento louvável que não se tem. 2 – Impostura, fingimento, simulação, falsidade. 3 – Falsa devoção.
Pois bem, a partir do advento da Codificação Espírita, a Moral Cristã ficou clara como um copo de água límpida. Em seus primeiros momentos espalhou-se pela Europa, graças à divulgação do Pentateuco e, em seguida, através dos seguidores e propagadores da Doutrina como Leon Denis e tantos outros. Com todas essas verdades, ou seja, esse código de moral, a hipocrisia continuou a campear com toda a sua energia. Mais guerras – Cuba, Primeira Guerra Mundial e tantas outras. E tudo isso em nome de Deus proferido de uma maneira totalmente hipócrita. Mas isso não se limita ao Mundo Ocidental. Está em toda a parte. Em qualquer lugar do Planeta. Mas, é na individualidade das pessoas que esse terrível mal está inserido de forma quase indelével. Eu disse quase porque nós espíritas acreditamos que não há nada que não possa ser mudado, através das reencarnações, e dia virá em que toda a humanidade poderá olhar francamente um nos olhos dos outros de maneira franca e sincera, sem usar de subterfúgios para driblar uma situação qualquer. Até quando sonhamos, usamos da hipocrisia para tentar inverter situações que tornem favoráveis os nossos desejos.
No romance psicografado por Divaldo Pereira Franco e ditado pelo espírito de Victor Hugo, “Párias em Redenção” – FEB – 3ª. Edição há um trecho que diz o seguinte: “Quando os homens se reconhecerem fracos e interdependentes uns dos outros; quando as nobres expressões da honestidade moral dirigirem os impulsos; quando os desejos grosseiros forem submetidos à reflexão e à competente disciplina; quando as máximas do Cristo se espraiarem além do Livro da Boa Nova para se incorporarem ao livro dos humanos de cada criatura; quando o amor deixar de ser uma utopia e for exercitado pelos indivíduos, a felicidade reinará sobre as vidas na Terra e o Reino dos Céus, estabelecido desde então, se alongará indefinidamente”.
Evidentemente não foram poucos os homens que tentaram destruir as Religiões da face da Terra. Entre os séculos 19 e 20 tivemos uma série de filósofos e pensadores materialistas que lançaram uma série de idéias, como o positivismo, o niilismo, etc., e esses movimentos conseguiram se infiltrar na sociedade e, o meio espírita não foi exceção.
Mas foi em meio dessa torrente de idéias materialistas que surgiu a Terceira Revelação, refazendo o Cristianismo na sua pureza. Foi como “água fria na fervura”. O despertar para uma Nova Era se fez presente. E, não tenham dúvidas, o mundo progredirá incessantemente com os homens ou apesar deles e a hipocrisia se afogará em meio ao amor que, então, trará a felicidade eterna.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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quinta-feira, 23 de julho de 2009

"ASSISTIMOS A UM MUNDO EM EXTINÇÃO"
NIVIA ANDRES
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A Caverna

A Caverna, do festejado escritor português José Saramago, é uma história de gente simples: um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano. Esses personagens circulam pelo Centro, um prédio de cinquenta andares onde os moradores usam crachá, são vigiados por câmeras de vídeo e não podem abrir as janelas de casa. Monumento do consumo, o Centro possui um shopping center com lojas, cinemas e teatros, um bingo, um cassino, jardins suspensos, um hospital e até uma muralha da china, tudo asséptico e sufocante, como convém a um símbolo da modernidade. É no Centro que trabalha o guarda Marçal. É para o Centro que seu sogro, o oleiro Cipriano, vendia a louça ordinária de barro que fabricava artesanalmente na aldeota em que vivia - agora, os clientes do Centro preferem pratos e jarros de plástico. Filho e neto de oleiros, sem outros ofícios na vida, Cipriano perde a razão de viver. E a convite do genro, muda-se para o Centro, essa verdadeira gruta onde milhares de pessoas se divertem, comem e trabalham sem verem a luz do sol e lua. Enquanto isso embaixo dos diversos subsolos de estacionamentos e frigoríficos, os funcionários do Centro descobrem uma estranha caverna. Driblando a vigilância, Cipriano consegue entrar lá dentro. O que descobre é aterrador. O oleiro, a filha e o genro retornam à aldeia: são salvos pela lucidez num mundo que se sustenta por sua própria cegueira.
Dois espaços físicos desiguais e opostos. Uma pequena olaria, um centro comercial gigantesco. De um lado a simplicidade, do outro a ostentação - um mundo em rápido processo de extinção, outro que cresce e se multiplica como um jogo de espelhos onde não parece haver limites para a ilusão enganosa. Este romance fala de um modo de viver que vai sendo cada vez menos o nosso e cujas consequências sobre a mentalidade humana são cada vez mais visíveis e ameaçadoras. Todos os dias se extinguem espécies animais e vegetais, todos os dias há profissões que se tornam inúteis, idiomas que deixam de ser falados, tradições que perdem sentido, sentimentos que se subvertem.
Uma família de oleiros compreende que deixou de ser necessária ao mundo. Como uma serpente que despe a pele para poder crescer noutra que mais adiante se há-de tornar pequena, o centro comercial diz à olaria: «Morre, já não preciso de ti». Em A Caverna José Saramago tematiza o processo acelerado de desumanização que estamos vivendo. Com os dois romances anteriores -Ensaio Sobre a Cegueira (1995) e Todos os Nomes (1998) – A Caverna forma um tríptico em que o autor deixou inscrita a sua visão do mundo atual, da sociedade humana tal como a vivemos. Não mudaremos de vida se não mudarmos a vida, eis a questão. A propósito da trilogia, Saramago comentou que têm, de fato, uma identidade própria. “Em primeiro lugar, do ponto de vista formal, são alegorias. Depois, têm todos um estilo mais sóbrio, mais direto, menos expansivo, menos "barroco". E, por último, de uma maneira mais ou menos metafórica, eles são o que chamo a diferença entre a estátua e a pedra. Diria que ao contemplarmos a estátua, não estamos a pensar na pedra que está para além da superfície trabalhada pelo escultor. Agora, já não é a estátua que me interessa, mas a pedra que a faz. (...) Estes três últimos livros são tentativas de ir além da superfície, ver o que está lá dentro e, provavelmente, perder-me no seu interior... O que me preocupa neste momento é saber: que diabo de gente somos nós?"
Para Saramago, "a literatura sempre tem algo importante para dizer num mundo como o atual, onde o ser humano é a coisa mais descartável que há". "Perdemos o sentido do protesto, o sentido crítico, parece que vivemos no melhor dos mundos possíveis", disse. "Vivemos rodeados de inseguranças: insegurança na sociedade, no trabalho, na vida diária", acrescentou. A Caverna não é um manifesto político nem ideológico, mas um romance", disse Saramago, acrescentando que a obra apenas pretende que pensemos para onde vamos. Saramago assegurou ainda que "a globalização econômica é uma nova forma de totalitarismo e que a democracia é um ponto de partida e não de chegada". Em sua opinião, quando os cidadãos creem que a têm, é quando começam a perdê-la. "Assistimos a um mundo em extinção. O único lugar seguro são os shoppings que, curiosamente, não têm janelas. E um lugar sem janelas é uma caverna". O texto completo de A Caverna pode ser encontrado na internet, no endereço:
http://www.esnips.com/doc/a0611a51-6294-415b-913c-ccd990631016/José-Saramago---A-caverna-(rev), assim como outros títulos de Saramago: Todos os Nomes, Terra do Pecado, O Homem Duplicado, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, O Conto da Ilha Desconhecida, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Memorial do Convento, Manual de Pintura e Caligrafia, Levantando do Chão, História do Cerco de Lisboa, Folhas Políticas e A Jangada de Pedra. Leitura boa e gratuita. Aproveitem!
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*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.

Acesse o blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
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terça-feira, 21 de julho de 2009

"O HOMEM É ESCRAVO DE SI MESMO"
VIDA MODERNA

Você sabia que há 24 anos o brasileiro trabalhava apenas 42 horas por semana e hoje esse número atinge cerca de 51 horas de jornada de trabalho semanais? Atualmente 82% dos brasileiros nos centros urbanos admitem que o nível de ansiedade subiu nos últimos anos e com ele os índices de stress e de cansaço físico e mental. A vida moderna mostra indícios jamais vistos antes em toda história da humanidade. Cada vez mais as pessoas vão ocupando seu dia somente com tarefas e afazeres e esquecem o lazer. O tempo está se reduzindo tanto que nem sempre é possível fazer o que se gosta ou ainda, o pouco que se precisa. Em uma sociedade extremamente capitalista o Homem está se tornando cada vez mais o alvo de seus próprios interesses e de suas ambições. As pessoas sem perceberem estão se tornando escravas de si mesma. Vivemos num mundo acelerado, com inversão de valores muito feroz e uma mudança de conceitos, sobretudo morais, contundente. As culturas se misturam, os velhos sótãos se abrem para um mundo claro e nu. A dor impera e a cada dia que passa ela vai tomando conta da Terra. Guerra, desavença, etnia, politicagem, picaretagem e assim vai. Para piorar tudo, ainda assistimos um sujeito ganhar um Big Brother e se tornar autoridade para opinar sobre tudo. Até sobre física quântica se quiser. Juntando isso tudo, imagine o que uma criança de 10 anos acrescenta em seu começo de vida?
Não há ídolos, não há privacidade, não há respeito e a água está acabando. As drogas estão mais fortes e a demanda por elas é cada vez mais clara. Nossa reação beira a indiferença.
Um passado não tão distante as pessoas viviam em chácaras, fazendas, sítios, distantes da correria, mas onde a qualidade de vida é incomparavelmente superior a de hoje. A paz e o sossego encontrados antigamente nesses lugares, que nos proporcionam um contato direto com a natureza, os rios, o vento suave que entra pela janela, o pôr-do-sol único, perderam espaço para os computadores, os celulares, o escritório, as obrigações com entregas, com prazos, a falta de tempo, o note-book, enfim... Hoje o mesmo Homem que tanto lutou e ainda luta pela modernização da sociedade olha para trás com a vontade de voltar o tempo, de recomeçar, de resgatar o que foi perdido: aquela vidinha pacata, mansa, mas muito mais prazerosa de se viver. O refúgio de muitos hoje em dia é o isolamento total, a fim de buscar o equilíbrio da mente e do corpo. Uma tentativa muitas vezes frustrante de reencontrar tudo aquilo que há tempos foi deixado para trás, e tudo isso pela tão sonhada "vida moderna" que nos circunda. Mas é preciso muito mais do que saudade de tudo isso, pois o passado não volta mais. O tempo não pára para que possamos reconstruir a história. A realidade é uma só: cada um é dono de si mesmo. E por isso, depende só de você mudar seu presente para que seu futuro seja tão bom quão foi o passado.