terça-feira, 19 de maio de 2009

TRAPALHADAS NA CIDADE SEM LIMITES

Oswaldo Lavrado
Estádio Dr. Alfredo Castilho, em Bauru
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MAIS HISTÓRIAS DO RÁDIO

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Nas andanças pelo Brasil para transmissões da Rádio Diário do Grande ABC, a equipe de esportes da emissora passou por várias situações, algumas monótonas, outras irritantes, muitas emocionantes e poucas curiosas. Quando a distância superava 400 quilômetros, a equipe viajava de avião e em distâncias menores com um veículo da empresa devidamente identificado. Não havia um motorista específico para conduzir os integrantes da rádio, porém alguns como Zé Moraes (Lampião), Aníbal, Poletto e o Zé Vieira (este compadre do Edward), eram os que mais viajavam com o pessoal. O Lampião, apelido herdado graças a sua semelhança com o famoso Virgulino Ferreira da Silva, “O Rei do Cangaço”, era o preferido, portanto o recordista. Foram muitas as viagens com ele ao volante e muitas as situações complicadas que, futuramente, desfilarão neste já consagrado blog.
Começo dos anos 90 fomos eu e o Edward de Souza a Bauru, para a transmissão de um jogo entre o Noroeste e o Santo André, pelo Paulistão de 1992. Desta vez, para quebrar a rotina, dispensamos o veículo da rádio e viajamos de ônibus. Era um sábado à tarde. Chegamos a recém inaugurada rodoviária de Bauru por volta das 19h e nos apressamos a tomar um táxi. Ai começava a pequena saga de nossa estada na “Cidade sem Limites”, onde fomos outras tantas vezes e sempre sem grandes novidades. Assim que deixamos a rodoviária, aboletados no táxi, meio calhambeque e já um tanto rodado, o Edward, pra puxar papo comigo e com o motorista, inocentemente disse: “a nova rodoviária fica um tanto distante do Centro, né?". Eu ia responder qualquer coisa, mas fui interrompido pelo taxista que, com cara de poucos amigos, disparou: "você queria o quê, uma rodoviária na praça central de Bauru?". Pela ríspida resposta, até o nosso destino nada mais foi dito, nem perguntado. O bom senso assim recomendava. No fundo, no fundo, minha vontade era rir a mais não poder, só de ver a cara do Edward, que engoliu a seco a resposta mal educada que recebeu, coisa rara para seu sangue italiano.
Chegamos ao Centro, descemos, pagamos a corrida e nem um até logo foi falado entre as partes. Com as malas e os apetrechos eletrônicos da rádio na calçada fomos à procura de um hotel que estivesse nos padrões de nossa verba. Como fazer para saber o preço da diária? Como sempre, aliás, o Edward teve uma idéia luminosa: "Vamos entrar neste hotel. Eu pergunto à recepcionista se tem um hóspede com o nome de Arlindo Mariano de Souza e você aproveita e olha na tabela o preço da diária. Pra quem não sabe, Arlindo é o nome do pai do Edward. Ufa, felizmente não havia nenhum homônimo e o preço da diária estava ao alcance do recurso disponível na carteira. Subimos na modesta suíte e o assunto, como não poderia deixar de ser, foi a grosseria do taxista e a simulação na entrada do hotel. Mas a noite estava só começando.
Razoavelmente instalados, banho tomado, um calor próprio do Interior, saímos a procura de um lugar pra esperar chegar a hora de dormir. Não foi difícil achar já que Bauru era nossa velha conhecida. Certamente não fomos a igreja, instalada na praça central da cidade cujo badalar dos sinos indicava 22 horas. Encontramos, na famosa e longa Avenida Rodrigues Alves, principal corredor comercial de Bauru, um local aprazível para nossa parada. Nos acomodamos numa das mesas instaladas na larga calçada e fomos atendidos por um garçom, que providenciou nosso pedido, logicamente, duas cervejas super geladas. O garçom, jovem ainda, ficou ao redor e, por acaso ou não, ouviu nossa conversa. O rapaz se afastou e logo voltou, porém com o dono do boteco. Pelo que conversávamos (eu e o Edward) o garçom percebeu que éramos do ABC. O proprietário do bar, cujo nome não lembro, era de Santo André. Aí não prestou. Abraçou o Edward, morador em Santo André, cumprimentou-me com um aperto de mão, puxou uma cadeira e sentou-se ao nosso lado. Chamou o garçom e ordenou: "traga aquela da casa aqui para meus amigos". Era uma espécie de tequila que o dono do bar afirmava ser de sua invenção e fabricação e que era uma delícia. A bebida só desceu porque fomos educados e não queríamos decepcionar o anfitrião. Mas era o diabo dentro de um copo. Entendendo que a gente estava gostando daquele ácido engarrafado, o homem obrigava o garçom a trazer mais e mais. Uns três copos depois nos despedimos do atencioso dono do boteco, não sem antes ouvir: "obrigado pela visita e, se der, voltem aqui amanhã". Nem mortos! Ao deixar o bar, tipo uma hora da madrugada, encontramos o pessoal da equipe esportiva da Rádio ABC de Santo André, nossos concorrentes, mas não inimigos. O trio, Ivanor Batista, Antônio Solla e Alcides Corrêa, nos convidaram pra uma rodada de bilhar em um salão ali ao lado. (desse pessoal da ABC, Ivanor Batista atualmente é narrador da Rádio Atual, de São Paulo, Antônio Solla morreu jovem, aos 40 anos - em 1996 - e Alcides Corrêa reside com a família em Potirendaba, sua terra natal). Deixamos o snoker por volta das 4 da matina, quando todos já trocavam a bola sete pela três, ou vice-versa. Tudo porque, na casa, infelizmente, não serviam leite com groselha, então, deu no que deu...
No domingo, tipo 11 horas, acordamos com o inevitável gosto de cabo de guarda-chuva na garganta e barulho de roda de carroça na cabeça. Alguns "epoclers" goela abaixo amainaram a maldita ressaca. Entramos num restaurante, localizado em uma travessa da Rodrigues Alves, e fomos direto ao buffet de saladas. Fazia amplo sentido. Na mesa ao lado, um quarteto de homens bem vestidos também descobriu que eu e o Edward éramos jornalistas do ABC. Dois chegaram até nossa mesa e um deles, educadamente, foi disparando: "vocês são da imprensa de Santo André, não é, mas não vão ganhar hoje da gente de jeito maneira". Eu engoli seco, mas o Edward, sentindo os efeitos da noitada, pavio menor que o meu, respondeu curto e grosso: "de fato não vamos ganhar, não jogamos bola. Somos apenas jornalistas. Se o Santo André vencer o bicho será dos jogadores e não nosso; se perder pra nós não altera nada". Os dois, percebendo que o papo não seria muito amistoso, retornaram à mesa, juntando-se a dupla que lá estava. Descobrimos ainda no restaurante que os quatro faziam parte do departamento médico e da diretoria do Noroeste, adversário do Santo André naquela tarde quente de Bauru. Fomos para o estádio, cumprimos com nosso dever profissional e à noite embarcamos num ônibus de volta para São Paulo. Na viagem não reclamamos de nada a não ser do jogo ruim e sonolento que terminou num enfadonho zero a zero. A Cidade sem Limites ficou para trás. Voltamos lá mais vezes, mas isso faz parte de outras histórias.
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*Oswaldo Lavrado - jornalista e radialista - trabalhou no Diário do Grande ABC, rádio e jornal, e comandou a equipe de esportes da Rádio Diário. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

NAQUELE TEMPO NEM TUDO ERA DOURADO

Milton Saldanha
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AH, OS BAILES DE ANTIGAMENTE...
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Comecei a dançar aos 14 anos, naquelas festinhas de garagem dos anos 50 e 60, regadas a cubra libre (coca-cola, gelo, rodela de limão e uma dose moderada de pinga). Rolavam em intermináveis tardes domingueiras (o tempo antes parecia mais longo), sob os olhares censores de mães que conversavam sentadas num cantinho, simulando distração, quando estavam mesmo era de olho nos rapazes loucos por um bom amasso em suas filhas. O som provinha de LPs de vinil, geralmente com seis faixas de músicas de cada lado, que rodavam em grandes eletrolas de madeira e eram parte do mobiliário da casa. As eletrolas mais sofisticadas tinham dois alto-falantes que dividiam o som. Se hoje isso é banal, naquele tempo era o máximo em tecnologia.
Os rapazes, de cabelo puxado e engomado, usavam ternos e sapatos bem lustrados. Bastavam algumas nuvens no céu para, preventivamente, acrescentarem à indumentária guarda-chuvas pretos e enroladinhos, que manuseavam como se fossem charmosas bengalas. O chapéu já entrava em decadência, mas os mais velhos, como meu pai, mantinham o hábito. As meninas iam com vestidos bem comportados, que desciam abaixo do joelho. Decote ousado ou costas de fora, nem pensar. E jamais calça comprida, seria um escândalo. O jeans começava a aparecer e a se espalhar, mas as mulheres ainda demoraram algum tempo para aderir. Mas jamais iriam numa festa em jeans. O maior estímulo veio do cinema de Hollywood. Se atrizes famosas podiam, ainda mais americanas, todas também podiam. Pode parecer bobagem, mas foi um símbolo de liberação feminina. Nas ruas, por onde circulavam ruidosos bondes elétricos, com seus motorneiros e cobradores de quepe e farda amarela, começavam a surgir os primeiros espécimes da recém nascida indústria automobilística brasileira, como o Gordini, DKW, Fusca, Kombi, caminhões Ford, que se misturavam aos mais variados modelos importados que ainda circulavam em grande quantidade. Para proteger a indústria nacional a importação foi totalmente proibida. A construção de Brasília, com seus imensos canteiros de obras, era tema de todas as edições da revista Manchete, enquanto O Cruzeiro dedicava páginas aos concursos de Miss Brasil e Miss Universo. A Tupi, em ondas curtas, repleta de chiados, era a rádio de maior alcance. O Carnaval era tão forte, e realmente popular, que a Tupi mantinha o ano inteiro um programa diário com o nome de “Sempre é Carnaval”. Pulamos muitos carnavais fantasiados, em pequenos blocos de amigos, ou mascarados.
A soja e suas possibilidades era restrita a poucos pesquisadores e curiosos, enquanto o café se mantinha como principal produto de exportação. A renúncia irresponsável de Jânio Quadros, em agosto de 1961, quase jogou o país numa guerra civil. O Rio Grande se levantou em armas e evitou a antecipação da ditadura. Vou contar isso aqui no blog brevemente. O sucessor, João Goulart, montou um ministério híbrido, onde misturava os mais típicos expoentes do conservadorismo paulista, como Carvalho Pinto, com estrelas da esquerda intelectual, como Celso Furtado e Darci Ribeiro. A salada não impediu a eclosão do golpe militar de 1964, que vinha sendo tentado e planejado desde a crise de 1954, que culminou com o suicídio de Getúlio Vargas. Para orgulho nacional, conquistamos a primeira Copa do Mundo, na Suécia, em 1958, revelando um garoto de 17 anos com o apelido de Pelé. Quatro anos depois, a segunda Copa, no Chile, com um desempenho de Garrincha jamais igualado por nenhum outro jogador em todos os tempos. Viajava-se muito sobre trilhos, em alguns casos com ousadia. Havia até um trem de passageiros, o Paulista, com Maria Fumaça, entre São Paulo e Porto Alegre. E duas empresas de cabotagem (navegação nacional), a Costeira e o Loyd Brasileiro, que transportavam simultaneamente cargas e passageiros, subindo e descendo toda a costa, para o Norte até Manaus, entrando pelo rio Negro; para o Sul até Porto Alegre, entrando pela Lagoa dos Patos. Minha família viajou duas vezes na Costeira, nunca esqueci, foram incríveis e belas aventuras. Eram navios precários e lentos, balançavam muito. Levamos 15 dias de Pelotas ao Rio, com várias escalas, no Itatinga. Viagem que hoje, de avião, leva uma hora. Um ano depois voltamos no Itaquatiá, fazendo tudo de novo. Nasceu disso meu fascínio por ferrovias e navios.
Era o Brasil e os tais anos dourados, que hoje nostálgicos tentam resgatar em bailes temáticos que misturam as épocas, confundindo modas e hábitos dos anos 60 com seus antecessores dos anos 50 e sucessores dos anos 70. Alguns confundem também o cardápio musical. Nos anos 60 a gente dançava ao som principalmente de Miltinho, King Kole, Caubi Peixoto, Maysa, Nelson Gonçalves, Frank Sinatra, Carlos Gardel, clássicos das big bands de New Orleans e dos grandes musicais americanos. Enquanto isso, uma garota tentava a sorte em famoso programa dominical de calouros da rádio Farroupilha (Porto Alegre), o Clube do Guri. Seu nome: Elis Regina.
Certo dia, em Santa Maria, chegou com estardalhaço um grande circo. Faziam carreatas pela cidade, exibindo animais em jaulas e palhaços fazendo estrepolias em caminhões coloridos. A maior atração era a banda, que prometida revelar um novo e revolucionário ritmo. O tal ritmo, diziam, era irresistível, ninguém agüentava ficar parado, todo mundo iria se sacudir. Fomos ao circo com a ansiedade de conhecer a tal hipnose sonora. Será que ficaríamos em nossas cadeiras ou sairíamos dançando freneticamente? O nome, recém surgido nos Estados Unidos, tirado de uma gíria americana que significava “fazer amor no banco traseiro do carro”, era Rock and Roll. Quase no final do espetáculo, finalmente, a bandinha atacou. Os músicos tocaram em pé, balançando o corpo e quase se arrebentando, vermelhos, de tanto esforço para tocar rápido e alto com seus metais. Não saímos do lugar, apáticos. Foi uma grande decepção.
Nossos bailinhos estavam longe de ser a maravilha que alguns hoje tentam contar. Havia preconceito de todo tipo: racial, físico, de idade, condição social. Um homem não podia dançar com uma mulher mais alta, ou mais velha. Negros e brancos não se misturavam, nem as classes sociais. As roupas eram incômodas, e impostas por uma etiqueta opressora. Dentro dos ternos com ombreiras, que nos deixavam quadrados, todos escuros e de tecidos pesados, a gente suava muito. O ar condicionado era uma novidade ainda restrita a poucos ambientes luxuosos do Rio e São Paulo. Em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, onde eu morava, nem pensar. Quando minha família foi morar no Rio, em 1955, recordo que os ônibus da Cometa tinham ar condicionado na linha SP-Rio. A empresa esnobava com a informação escrita na lataria. Nós ficávamos muito curiosos querendo experimentar um ar condicionado. No calor carioca havia uma delícia recentemente lançada, vendida nas ruas só por ambulantes em bonitinhos carrinhos amarelos. Os sorvetes Kibon, com seu picolé Chicabon que enlouquecia a criançada. Levou um tempão para se espalhar pelo Brasil.
De repente surgiu uma novidade, o radinho de pilha. Os homens iam para o footing no centro de Santa Maria carregando seus radinhos com antenas esticadas. Era um grande status ter um radinho daqueles. O segredo da engenhoca era algo chamado “transistor”, que permitia, pela primeira vez na História, ouvir rádio sem necessidade de um fio ligado à tomada. Alguns dias depois anunciaram outra novidade: a TV chegaria à cidade. A maioria da população nunca tinha visto uma TV, então algumas lojas colocaram aparelhos ligados nas vitrines, sem imagens, claro, só com chuvisco. Como as estações só tinham alcance municipal, tiveram a idéia de fazer linhas com aparelhos retransmissores em postes. A imagem, emitida de Porto Alegre, ia diluindo pelo caminho e chegava precária nas antenas do interior, com vários segundos de atraso. Tudo, lógico, só em preto e branco.
O maior impacto naqueles anos 60 foi o lançamento do primeiro satélite artificial em torno da terra, pelos russos. O Sputinik, do tamanho de uma bola de basquete e cheia de antenas, emitia um som, bip, bip, bip, que virou marchinha de Carnaval e deu motivo para todo tipo de piada. O satélite ficou muitos meses rodando em torno do planeta. Todas as noites, quando o céu estava limpo, nós víamos sua passagem sobre nossa cidade, várias vezes, como se fosse uma pequena estrela caminhando lentamente pelo espaço.
As fantasias de então sobre o futuro tomavam como referência o ano 2000, que nos parecia absurdamente distante. Os carros e as cidades do ano 2000 eram desenhados das mais variadas formas futurísticas, com todos os exageros, e, lógico, nenhuma delas correspondeu à realidade.
Nossos bailinhos, caseiros e nos dois melhores clubes da cidade, estavam longe de ser tão bons quanto os bailes de hoje, em todos os sentidos, principalmente de integração racial e social. Mas era o que a gente tinha e naquele tempo achava legal. Eles jamais nos permitiriam prognosticar o que um dia aconteceria com a dança de salão, transformada num verdadeiro movimento artístico, educativo e de convivência. Nem eu poderia imaginar que continuaria sempre dançando, e amando como nunca fazer disso uma das razões da minha felicidade.
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Milton Saldanha, 63 anos, gaúcho da fronteira, é jornalista profissional, com mais de 40 anos de atividades. Começou em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1963. Foi repórter e exerceu cargos de chefia em alguns dos principais veículos do Brasil, como Rede Globo, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC, revista Motor 3, Folha da Manhã (RS) e outros. Foi repórter em Última Hora, trabalhando com Samuel Wainer. Já assinou artigos e reportagens em mais de uma centena de publicações de todo o Brasil. Trabalhou também em assessoria de imprensa, para empresas e entidades públicas, como Ford Brasil, Conselho Regional de Economia e IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É autor do livro “As 3 Vidas de Jaime Arôxa”, pela Editora Senac Rio, e participou como cronista da antologia “Porto Alegre, Ontem e Hoje”, pela Editora Movimento, do Rio Grande do Sul. Assinou também orelhas de diversos livros sobre dança e música, de autores brasileiros. Um ano antes de se aposentar, quando era editor-chefe do Jornal do Economista, em São Paulo, fundou o jornal Dance, que em julho completa 15 anos. Tem novo livro pronto, ainda inédito. É “Periferia da História”, onde conta de memória 45 anos da recente história brasileira. Trabalha em novos projetos editoriais, como jornalista e escritor. Na área de dança, organiza uma coletânea com os melhores editoriais publicados no Dance. Atualmente prepara um livro sobre Maria Antonietta, grande mestra da dança de salão carioca, que morreu recentemente. Apaixonado por viagens conhece quase todo o Brasil e já visitou cerca de 40 países. Por hobby e paixão é dançarino de tango.
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sábado, 16 de maio de 2009

ADEMIR MÉDICI É HOMENAGEADO NO ABC PELA CÂMARA MUNICIPAL DE DIADEMA

Édison Motta

Da Wikipédia: “Diz-se um missionário alguém que tem por função a pregação. É uma figura comum dentro de diversas crenças. Na verdade dentro da concepção cristã, missionário é a figura do plantador de igrejas”.

ADEMIR MÉDICI- MISSIONÁRIO DO JORNALISMO

Missionário do jornalismo, permitam-me apresentar, é o plantador da história. Aquele que segue rota oposta ao fato do momento, do circunstancial e mergulha no passado. E dele recolhe o conhecimento de que não há nada de novo entre o céu e a terra. A não ser nós mesmos. Ser jornalista é, antes de tudo, ser militante da história. Missionário do jornalismo é ser dela um arauto.
O repórter do momento, do fato, vive o presente e o registra para a história. Que poderá servir – ou não - como referência nas horas difíceis do futuro. Porque, afinal, a escalada da vida oferece a graça de permitir que amealhemos frutos do verdadeiro conhecimento, aquele que vem dos que vieram antes de nós, que ajuda no enfrentamento de nossas mais temidas agonias do presente. Soubessem disso os contemporâneos, especialmente os nossos jovens e o País conseguiria evoluir.
Esta pesada herança ocidental de desprezar o velho pelo novo se encontra em rota oposta à sabedoria oriental. Que, felizmente, começa a alcançar o mundo no início deste novo milênio. E se descortina, talvez, como salvadora da atual e profunda crise planetária em que todos estamos submergidos.
Missionário do jornalismo, Ademir Médici é soldado e general desta luta, ainda pouco compreendida, de garantir espaço na mídia para a história. Permitir que chegue à nós a experiência daqueles que têm , efetivamente, sabedoria para ser compartilhada com quem a procura.
Desde aqueles dourados anos setenta, na “casinha” - como carinhosamente chamávamos aquela nossa redação do Diario do Grande ABC - Ademir Médici faz seu voo pela história e com ele nos leva ao encontro de nossa própria cultura. Em seus livros, resgata qualidades e virtudes que perdemos ao longo do tempo. Amplia a voz do rádio com a divulgação dos programas que também cumprem esta admirável profissão de fé.
Ademir: Aproveito esta oportunidade para oferecer-lhe meus sinceros parabéns pelo título de cidadania de nossa querida Diadema, o “D” do Grande ABCD.
Seus admiradores sabem que você merece ainda mais. No mínimo, um titulo de cada uma de nossas comunidades às quais você tem sabido tão bem prestigiar em sua coluna diária “Memória”, do Diario do Grande ABC.

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Cumprimentos ao grande Ademir Médici dos amigos jornalistas deste blog: Edward de Souza, Édison Motta, J. Morgado, Oswaldo Lavrado, Milton Saldanha e Nivia Andres.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

SINCERIDADE, CAMINHO PARA A EVOLUÇÃO

J. Morgado
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A PROCURA POR RELIGIÕES
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A Humanidade, impregnada com seus defeitos morais no estágio evolutivo em que se encontra, busca nas religiões uma resposta às suas angústias e frustrações. Isso acontece desde os primórdios dos tempos. Na atualidade essa procura é mais intensa na medida em que o homem cria fundamentos e seitas às centenas, em busca de prosélitos que possam lhes satisfazer os anseios materiais. Para estes, naturalmente, resgates dolorosos, para àqueles, devido principalmente a sua fé baseada na ingenuidade, a evolução, uma vez que a sinceridade é a base e o caminho para uma vida futura melhor.
Nós, espíritas, conhecedores do evangelho, ou Boa Nova, em sua pureza, temos a oportunidade de ser possuidores de um conhecimento que nos foi dado pelo Espírito de Verdade, através da codificação, cujo codificador foi Allan Kardec. Lutamos todos os dias para sanearmos nossos defeitos morais, o orgulho e seus filhos diletos, o egoísmo, a vaidade etc., além do ódio, o rancor, a mágoa, a inveja e assim por diante. “Quem muito recebeu, muito será pedido”. Nessa luta diária, vamos adquirindo aos poucos, sem nos apercebermos, algumas virtudes que nos servirão para “engrossar nosso dossiê positivo”. E no momento cruciante, quando nossa consciência se organiza para um “julgamento” de nossos atos, em nossas reencarnações, essas virtudes adquiridas naturalmente, sem hipocrisia, serão nossos advogados de defesa e será nesse momento que nos lembraremos do “A César o que é de César”.
Isso tudo nos faz recordar um escritor cujo pseudônimo é Malba Tahan, ou seja, Julio Cezar de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro em 1895 e desencarnado em 1974. Trabalhou como jornalista e escreveu cerca de sessenta livros, o mais famoso o - Homem que Calculava. Embora desencarnado, suas obras continuam a deleitar milhares de pessoas. É dele o artigo que vamos transcrever. “Sincera é uma palavra doce e confiável. Sincera é uma palavra que acolhe. É essa palavra que deveria estar no vocabulário de toda alma. Sincera foi uma palavra inventada pelos Romanos. Sincero vem do velho, do velhíssimo latim... Eis a poética viagem que fez sincero de Roma até aqui: Os romanos fabricavam certo vaso de uma cera especial. Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que o vaso se tornava transparente. Em alguns casos chegava-se a distinguir um objeto – um colar, uma pulseira, ou um dado – que estivesse colocado no interior do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso: - como é lindo... parece até que não tem cera! “Sine-cera” queria dizer: “Sem cera”, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica Romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado. Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração”.
Os nobres sentimentos do coração, o encerramento de um artigo e o começo de uma nova era para quem, a exemplo dos romanos, começarem a moldar em seu imo o vaso de cera transparente que mostrará a verdadeira vocação do espírito reencarnado, ou seja, a evolução. Naturalmente, existem outros predicados que o encarnado vai adquirindo ao longo de uma existência dedicada ao bem ou pelo menos no esforço de fazê-lo, entre eles a paciência, a humildade etc.; mas a Sinceridade é, provavelmente, o melhor sintoma para uma evolução feliz e sofrimentos minorados.
Ao consultarmos o Dicionário Aurélio, destacamos dois itens: adjetivo: 1. que se expressa sem artifício, sem intenção de enganar; franco, leal: 4. verdadeiro, autêntico, puro. A definição é longa e toda ela positiva.
Quando militamos na Seara Espírita temos a oportunidade de socorrer muitos espíritos que passam por transes trágicos devido a encarnações difíceis e que devido ao materialismo adquirido na “Porta Larga” desconhecem a sua verdadeira situação. Assim, podemos verificar que nenhum deles conhece a definição da palavra sinceridade, pois se a conhecessem não estariam naquela situação. Mesmo os espíritos mistificadores que se servem de médiuns não educados (ou orientados) e usam de todos os artifícios para enganar seus interlocutores e suas “vítimas”, podem ser facilmente detectados se as pessoas que ali trabalham estiverem no caminho correto da sinceridade. É como um “radar” vai detectando as imperfeições e apresentando a solução correta, juntamente com os orientadores espirituais, que agradecem essa qualidade, pois assim a facilidade de socorrer irmãos infelizes é muito mais simples e menos complicada.
Assim como o vaso romano, nos transformamos em pessoas transparentes fazendo com que nosso próximo ao olhar em nossos olhos confie em nossas boas intenções, mesmo quando essas intenções são de ajuda ou de subalternos no nosso ganha-pão do dia-a-dia e mesmo de patrões ou executivos e líderes nos mais diversos setores da sociedade. As pessoas sinceras cativam seus semelhantes e interlocutores numa convivência às vezes momentânea, outras a médio e longo prazo. Com a sinceridade atingiremos outros atributos morais que nos levarão a evolução espiritual e certamente conseguiremos cumprir o que planejamos ao reencarnarmos para resgatar débitos dolorosos do passado.

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*J. Morgado é Jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O RÁDIO DE VÁLVULA E A COPA DO MUNDO

Edward de Souza
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Anos dourados
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Antigamente, no final dos anos 50, a vida era muito diferente. Tempinho bom, onde eu corria em rua de barro, empinava pipas e jogava bolinhas de gude. Lembro-me dos tombos nos inúmeros campos de futebol que existiam em todos os lados da cidade de Franca, de 80 mil habitantes, hoje com mais de 350 mil moradores. A "molecada" nem sonhava que um dia inventariam a televisão com desenhos animados, videogame, computadores, jogos eletrônicos, celulares, enfim, uma parafernália de novidades que acabariam por transformar as ruas, outrora poeirentas, os "campinhos" de futebol, os velhos pastos e riachos de águas claras, em autódromo para "assassinos" do volante atropelarem e matarem velhinhos indefesos.
1958, Copa do Mundo na Suécia e eu estava na casa dos meus avós. Não me esqueço o dia em que grudei num velho rádio de válvulas e junto com vovô e outros tios, ouvi emocionado os jogos do Brasil na Suécia, com transmissão de Pedro Luiz e comentários de Mário Moraes pela Rádio Nacional de São Paulo, hoje Rádio Globo. A voz do locutor narrava às peripécias de um jovem negro, de apenas 17 anos, prestes há completar 18 anos. Ao seu lado, mitos como Nilton Santos, Djalma Santos, Didi, Gilmar dos Santos Neves, Vavá, Bellini, Zagalo, e o já consagrado Garrincha, entre outros. Em cima do rádio, um gramofone amarelo usado pelo meu avô para ouvir Francisco Alves, Carlos Galhardo, Orlando Silva e outros, em 78 rotações. Vovô Joaquim, italiano falante, gesticulava e gritava sempre que ouvia a voz emocionada de Pedro Luiz gritando, lá no fundo, o nome de Garrincha e Pelé. Os gols iam saindo, com os pés, de cabeça, na cobrança de uma "folha seca" através de Didi, e o Brasil estava novamente, depois de 1950, numa final de Copa do Mundo, graças ao talento desses 11 jogadores e dos fora-de-série Garrincha e Pelé. A final seria contra os anfitriões, a Suécia. Meu avô e tios prepararam uma grande festa. No fundo sabiam que essa Seleção Brasileira não era a mesma de 1950, que fez chorar milhões de brasileiros ao perder a final por 2 x 1, em pleno Maracanã, para o Uruguai, quando precisava apenas de um empate. Essa tinha Garrincha e o endiabrado "neguinho" que fazia gols de todas as formas e, com menos de 18 anos, encantava o Mundo. O jogo começou e lá estávamos nós ao pé do rádio novamente. Minha avó Anita colocou as panelas de pipocas, o vinho e o refrigerante que eu tomava nervoso ao ouvir os gritos da improvisada platéia em volta do velho rádio com válvulas. Fui tomado de grande emoção e jamais me esquecerei disso, quando Pedro Luiz anunciou o início da grande final na Suécia. Mais do que nunca o Brasil precisava do talento daqueles maravilhosos jogadores, das fintas de Garrincha, dos gols de Pelé, do talento de Nilton Santos, da segurança de Gilmar dos Santos Neves, Bellini, Djalma Santos, etc. 4 minutos de jogo e um silêncio na sala. Gol da Suécia. A primeira panela de pipocas caia ao chão ruidosamente. Os grãos se misturaram com as lágrimas desse menino que, nervoso, não se continha, apesar de ser consolado pelo avô, que dizia: "nós ainda vamos ganhar, temos Garrincha, Pelé"... Impaciente, eu andava para todos os lados, vendo minha avó varrendo o chão e logo depois colocando mais pipocas perto do rádio, desta feita ao lado de um delicioso bolo de fubá. Não demorou muito e o grito de gol do Brasil encheu a sala. Garrincha havia entortado a defesa sueca e Pelé entrou para empatar o jogo. Os gritos de alegria impediram que pudéssemos ouvir a queda da segunda panela de pipocas ao solo. Coitadinha da vovó Anita, paciente, limpava o chão e preparava mais. Eu me perguntava, será que ela também, italiana, torcia pelo Brasil? A resposta veio rapidamente, quando ela gritou para meus tios Nenê e José:
- Aumentem o rádio, não estou ouvindo direito aqui da cozinha.
Estávamos em outros tempos e a comunicação era difícil, complicada até. Mas era através das maravilhosas ondas hertzianas que o Brasil havia parado nesse mês de junho de 1958. Foi através do milagre do rádio que milhões de brasileiros, do Iapoque ao Chuí gritaram histéricos o segundo gol brasileiro, de virada, em plena Suécia. Depois o terceiro e o quarto gol. Não importavam, nessa altura, quantas panelas de pipocas haviam caído ao chão. Nem mesmo quando a Suécia esboçou uma reação ao fazer seu segundo gol. Viria o quinto. Pelé selava o placar e fazia chorar todos os brasileiros. Brasil 5 x Suécia 2. Abraços e choros incontidos. O Brasil era, pela primeira vez, campeão do mundo. Hoje, sinto saudades daqueles tempos, do futebol mágico de Garrincha e Pelé, dos meus avós que se foram e de quem não me despedi direito; sentir saudades é sinal de que se está vivo!
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*Edward de Souza é Jornalista e radialista. Trabalhou nos jornais, Correio Metropolitano, Folha Metropolitana, Diário do Grande ABC e O Repórter, da Região do ABC Paulista. Em São Paulo, na Folha da Tarde, Gazeta Esportiva, Sucursal de "O Globo", Diário Popular e Notícias Populares, entre outros. Atuou nas Rádios: Difusora de Franca, Brasiliense de Ribeirão Preto, Rádio Emissora ABC, Diário do Grande ABC, Clube de Santo André, Excelsior, Jovem Pan, Record, Globo - CBN e TV Globo de São Paulo. Participou de diversas antologias de contos e ensaios. Assina atualmente uma coluna no Jornal Comércio da Franca, um dos mais tradicionais do interior de São Paulo.

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J. Morgado escreve artigo inédito amanhã no blog. "Sinceridade, um caminho para a evolução," será o tema abordado pelo jornalista nesta sexta-feira. Não deixem de ler e comentar esse artigo especial do final de semana. ( Edward de Souza).
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

LIÇÕES DE JORNALISMO E DIGNIDADE

Milton Saldanha

Aos poucos começa a ganhar repercussão em todo o Brasil um dos mais importantes livros sobre a História recente do nosso continente, lançado pela L&PM Editores, em novembro do ano passado, em Porto Alegre: “O Sequestro dos Uruguaios”, do jornalista gaúcho Luiz Cláudio Cunha, um dos melhores e mais corajosos repórteres da imprensa brasileira em todos os tempos. Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco (falecido em 1983) foram testemunhas e principais repórteres num caso de repercussão internacional durante a ditadura militar: o seqüestro em solo brasileiro e remoção clandestina para Montevidéu dos uruguaios Lilian Celiberti, Universindo Díaz, e duas crianças. Eles foram salvos de morrer nas mãos dos torturadores da Operação Condor, a macabra rede de extermínio das ditaduras do Cone Sul, graças ao testemunho pessoal e às reportagens de Cunha e sua equipe na revista Veja. A série arrebatou em 1979 os primeiros lugares dos prêmios Vladimir Herzog, Esso e Telesp, além de uma premiação especial criada no IV Prêmio Abril.
Trabalhando em 1978 como chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco foram checar uma denúncia anônima sobre o desaparecimento dos uruguaios. Ao chegar ao endereço indicado, um modesto apartamento do bairro Menino Deus, o repórter levou um grande susto ao ser surpreendido com uma pistola na cabeça. Era o seqüestro acontecendo, sob as ordens do delegado Pedro Seelig, do Dops gaúcho, um dos expoentes dos torturadores daqueles terríveis anos. Assim começa o livro. E toda uma paciente, meticulosa, cuidadosa, criativa e principalmente corajosa investigação sobre o caso, tendo ainda que desmontar uma sucessão de mentiras oficiais. Mais do que a história de uma grande reportagem, elaborada com todas as dificuldades e barreiras impostas pela ditadura, o livro de Cunha abre portas inimagináveis e inéditas para se conhecer os bastidores do terrorismo de estado que se instalou no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e outros países. Com um belo texto, aula de excelente jornalismo também neste quesito, as quase 500 páginas do livro conquistam e envolvem o leitor de forma tal que é impossível ficar longe dele por algumas horas. A leitura se torna voraz. A história rende um tremendo filme, para um diretor e atores de primeira grandeza. A leitura na maior parte do tempo nos dá esta sensação, a de estar vendo um filme repleto de ação, tensão, imprevistos e coisas inusitadas, para não dizer mesmo inacreditáveis. Se contasse aqui qualquer episódio não teria a mesma graça do original, se é que algo ali possa ter graça.
“O Sequestro dos Uruguaios” deveria ser adotado nas universidades, principalmente nos cursos de jornalismo e de História. É uma lição completa de jornalismo de alta qualidade em todos os planos e dimensões. Sem heroísmo piegas, em nenhum momento a grande dignidade de Cunha permite essa hipótese. Como todo mundo, ele também teve que enfrentar o medo. Coragem não é ausência de medo e sim a capacidade responsável de enfrentá-lo. Teve inclusive que privar-se da companhia cotidiana da esposa e filha, cautelosamente abrigadas em Santa Catarina durante toda fase crítica das investigações. Além das novas revelações sobre a Operação Condor, o livro está repleto de episódios até então desconhecidos. Um deles em especial chamou minha atenção: certa vez um general de alto comando, um dos durões da ditadura, colocou a Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro em prontidão e ameaçou prender pessoalmente o comandante do DOI-CODI e sua guarnição. Querem saber quem foi? Detalhes do episódio? Sinto muito, terão que ler o livro.

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Milton Saldanha, 63 anos, gaúcho da fronteira, é jornalista profissional, com mais de 40 anos de atividades. Começou em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1963. Exerceu cargos de chefia em alguns dos principais veículos do Brasil, como Rede Globo, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC, revista Motor 3, Folha da Manhã (RS) e outros. Foi repórter em Última Hora, trabalhando com Samuel Wainer. Já assinou artigos e reportagens em mais de uma centena de publicações de todo o Brasil. Trabalhou também em assessoria de imprensa, para empresas e entidades públicas. As principais: Ford Brasil, Conselho Regional de Economia e IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É autor do livro “As 3 Vidas de Jaime Arôxa”, pela Editora Senac Rio, e participou como cronista da antologia “Porto Alegre, Ontem e Hoje”, pela Editora Movimento, do Rio Grande do Sul. Assinou também orelhas de diversos livros sobre dança e música, de autores brasileiros. Um ano antes de se aposentar, quando era editor-chefe do Jornal do Economista, em São Paulo, fundou o jornal Dance, que em julho completa 15 anos. O jornal é mensal e grátis, com 10 mil exemplares impressos e integral na Internet. Tem novo livro pronto, ainda inédito. É “Periferia da História”, onde conta de memória - e num estilo totalmente diferente dos livros convencionais - os últimos 45 anos da história brasileira. Trabalha em novos projetos editoriais, como jornalista e escritor. Um deles é um livro sobre reforma agrária. Na área de dança, organiza uma coletânea com os melhores editoriais publicados no Dance. E já recebeu da Costa Cruzeiros a incumbência de escrever um livro sobre o Dançando a Bordo. Atualmente prepara um livro sobre Maria Antonietta, grande mestra da dança de salão carioca, que morreu recentemente. Apaixonado por viagens conhece quase todo o Brasil e já visitou cerca de 40 países. É um dos três criadores e integra o comitê organizador do cruzeiro Dançando a Bordo, da Costa Cruzeiros, que tem o jornal Dance como promotor e divulgador oficial. Por hobby e paixão, faz aulas e e é dançarino de tango.
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terça-feira, 12 de maio de 2009

PAIXÃO POR UMA ÉGUA TERMINA EM MORTE

Edward de Souza

Ambrósia, pivô do crime

Nos anos 70, quando comecei minha carreira em jornal, fui enviado à editoria de polícia do Correio Metropolitano. Não tinha nem idéia das funções de um repórter policial, mas era a minha primeira oportunidade e não poderia deixá-la escapar. Naquela época, não sei se isso mudou, todo repórter começava pela área policial. Era o primeiro teste de fogo.
Logo nos primeiros dias notei que não era nada fácil a vida de repórter policial. Em meio a denúncias, investigações, acusações e até jogos de interesses, percebi que teria que manter controle e, na maioria das vezes, muito sangue frio. E, nesse ponto, era importante o repórter ter jogo de cintura, ou seja, saber lidar com quaisquer tipos de situações e pessoas. Isso era fundamental para realizar um bom trabalho nesta área. Até por que o movimento na editoria policial era e ainda é tão intenso quanto numa delegacia de polícia. A quantidade de ocorrências policiais sempre foi imensa.
Numa quarta-feira depois do almoço deixei o jornal com o carro de reportagem, dirigido pelo “Vicentão”, na companhia do fotógrafo Sergio Sakakibara, o “Serginho japonês”, amigo que perdi o contato, não sei por onde anda. Era rotina percorrermos os principais distritos policiais do ABC Paulista em busca de notícias. Mas aquele era um dia atípico. Nada tinha ocorrido de mais grave que merecesse destaque na página de polícia, pelos menos depois de passarmos pelos distritos das principais cidades do ABC, Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. Voltar ao jornal de mãos abanando seria complicado, isso nunca havia ocorrido. Foi então que resolvi esticar nossa ronda e visitar as delegacias de Mauá e Ribeirão Pires. Nem poderia imaginar o que me esperava nessa última cidade. Entramos no 1º Distrito de Ribeirão Pires e cumprimentei o delegado de plantão, pedindo permissão a ele para ver as ocorrências policiais que haviam sido registradas. Olhei todos os boletins e nada havia que pudesse interessar. Já estava de saída quando uma mulher morena clara, cabelos compridos, invadiu o distrito aos berros, quase me derrubando em sua passagem. Gritava que não aguentava mais tanta humilhação e que desta feita a polícia teria que tomar providências antes que uma tragédia viesse a acontecer. Meu faro de repórter policial indicava que naquele mato tinha cachorro. Quase acertei... Era uma égua, o pivô de toda aquela confusão. Não se importando com a presença da Imprensa, pelo contrário, até gostando e pedindo para que sua denúncia fosse publicada, a jovem mulher, mais tarde identificada como Aparecida, contou a mim e ao escrivão Eurico que seu marido, conhecido como "Dico", lavrador, estava apaixonado por uma égua, que pertencia a sua vizinha. Claro, ninguém é de ferro e precisei segurar para não rir na frente dela. O delegado se levantou da cadeira e percebi que saiu para dar boas gargalhadas em outra sala. Enquanto isso, ar sério e compenetrado no que fazia, Eurico, o escrivão, redigia a ocorrência. Um verdadeiro artista, pensei comigo. Não esboçava nem um leve sorriso. Vez em quando torcia o nariz, mais nada. Aparecida deu detalhes surpreendentes. Revelou que por diversas vezes flagrou o marido transando com a égua. Chegou até a colocá-lo para fora de casa, mas "Dico" sempre voltava com pedidos de desculpas, prometendo encerrar seu relacionamento com o animal. Segundo a mulher, teve noites em que a égua - desolada com a separação - fugia do pasto e até empurrava a janela do quarto onde ela dormia, à procura do lavrador. Mas a revelação bombástica veio em seguida. Contou que naquela manhã havia surpreendido o marido, no pasto da vizinha, aos beijos com a égua. E tinha testemunhas que poderiam ser arroladas pela polícia, caso necessário. O boletim foi registrado, mas Eurico não sabia o título que dava à ele. Por determinação do delegado, acrescentou: “averiguação de zoofilia” - praticar sexo com animais - e encerrou a estranha ocorrência. O delegado prometeu para a mulher que iria intimar o lavrador. Disposta a prosseguir com sua denúncia, Aparecida concordou em nos levar ao pasto onde estava a égua. O jornalista, de qualquer área, tem o dever ético de investigar a veracidade dos dados que chegam ao jornal. Na área da polícia, porém, a reportagem requer muita precisão para não se publicar erros e precisar repará-los no dia seguinte. Quando chegamos, Aparecida chamou a vizinha, dona da égua. A mulher já saiu de casa nervosa e proferindo ameaças contra “Dico”, por causa do romance que o lavrador insistia em manter com seu animal de estimação. Descobrimos que a égua chamava-se “Ambrósia”. Era uma bela égua. Seu pêlo era totalmente marron e sua crina longa e macia, fato constatado pelo “Sérgio Japonês”, que acariciou a égua para acalmá-la e tirar umas fotos. Com a história e fotos, voltamos ao jornal e cumprimos nossa obrigação. No dia seguinte, estupefatos, os leitores viram a manchete: “lavrador se apaixona pela égua Ambrósia”. Não sobrou um só exemplar nas bancas. Dias seguidos acompanhamos o tórrido romance entre o lavrador e a égua “Ambrósia”, naquelas alturas conhecida em toda a região do ABC e em São Paulo. “Dico” foi expulso de casa, mas segundo testemunhas, todas as noites dormia no pasto ao lado de “Ambrósia”, aproveitando o repouso da dona do animal.
Dois meses depois dessa primeira matéria publicada, “Dico” foi encontrado morto próximo ao pasto onde ficava. Uma de suas orelhas havia sido arrancada. Jornais de São Paulo então se interessaram na história e o caso do romance do lavrador com a égua “Ambrósia ganhou divulgação nacional. Um deles, o extinto Diário da Noite, publicou em suas páginas uma foto da égua, cabisbaixa, com a seguinte legenda: “Ambrósia” chora a morte do seu grande amor”. Não foi dificil a polícia descobrir a mandante do crime, claro. Presa, Aparecida revelou que pagou certa quantia em dinheiro para um pistoleiro matar o marido. Como prova de sua morte, pediu a ele que trouxesse uma de suas orelhas, o que aconteceu. O matador profissional também foi preso dias depois da confissão da mulher. Sobre “Ambrósia”, nada mais se ouviu falar, mas contavam moradores de Ribeirão Pires que, depois da morte do lavrador, a égua relinchava noites a fio, até que um dia foi encontrada caída no pasto, sem vida.
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*Edward de Souza é Jornalista e radialista. Trabalhou nos jornais, Correio Metropolitano, Folha Metropolitana, Diário do Grande ABC e O Repórter, da Região do ABC Paulista. Em São Paulo, na Folha da Tarde, Gazeta Esportiva, Sucursal de "O Globo", Diário Popular e Notícias Populares, entre outros. Atuou nas Rádios: Difusora de Franca, Brasiliense de Ribeirão Preto, Rádio Emissora ABC, Diário do Grande ABC, Clube de Santo André, Excelsior, Jovem Pan, Record, Globo - CBN e TV Globo de São Paulo. Participou de diversas antologias de contos e ensaios. Assina atualmente uma coluna no Jornal Comércio da Franca, um dos mais tradicionais do interior de São Paulo.

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Milton Saldanha escreve resenha amanhã sobre a famosa Operação Condor, uma ação conjunta das ditaduras do Cone Sul, incluindo o Brasil, que matou secretamente centenas de opositores. Um casal de uruguaios, e seus dois filhos, foram salvos da morte graças ao trabalho da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, chefiada pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, que hoje mora em Brasília. O livro "O Sequestro dos Uruguaios" é uma história sensacional sobre os bastidores da série de reportagens da Veja que desvendou o caso, identificou e denunciou seus protagonistas. Além, ainda, de contar detalhes inéditos sobre a Condor. Esse trabalho deu a Luiz Cláudio o Prêmio Esso de Jornalismo (principal), o Prêmio Vladimir Herzog e o Prêmio Abril. Leiam amanhã neste blog a resenha (intencionalmente curtinha) sobre este livro imperdível.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

COMO USAR A PALAVRA COM TALENTO

Nivia Andres

A Arte de escrever e falar bem

É incrível como as pessoas desprezam a arte de escrever e falar bem. Há pouco tempo, José Saramago disse, do alto de seu talento e experiência: "Hoje, existe uma espécie de menosprezo por essa coisa tão simples que antes era falar com propriedade. Quando eu era trabalhador, sempre tinha as ferramentas limpas e em bom estado. Não conheço uma ferramenta mais rica e capaz que o idioma. E isso significa que se deve ser elegante na dicção. Falar bem é um sinal de pensar bem". Acrescento, ainda, que escrever bem é uma condição inarredável para a credibilidade, a liderança e o sucesso de qualquer profissional, seja político, médico, jornalista, advogado, engenheiro, matemático ou professor de Português. É lamentável que não se dê importância a algo tão elementar. Mais ainda quando sabemos que a comunicação move o mundo e quem não habilitar-se com competência não tem chance, está fadado à mediocridade e ao desaparecimento. Precisamos ser capazes de convencer e não de vencer. Vence-se normalmente com a força e convence-se habitualmente com as palavras e a razão. Escrever e falar bem são armas de altíssimo calibre que diferenciam um sujeito na multidão. Acrescentam poder. E não nos damos conta de que existe, ainda, uma habilidade muito maior em significância - a de saber escutar. Como muito bem falou Bolívar, "quem manda deve ouvir, ainda que sejam as mais duras verdades e, depois de ouvidas, deve aproveitar-se delas para corrigir os erros". Por suposto, aí está a chave do desenvolvimento do ser humano ao longo de sua história. Pelo menos daquelas pessoas que têm sensibilidade para perceber o alcance desta competência. Escrever e falar bem, assim como saber ouvir credenciam o sujeito a desenvolver outra habilidade preciosa – ter olhos para ver além do horizonte, percebendo antecipadamente o que se desenha. Há mais tempo Saramago escreveu, em seu Memorial do Convento, “O mundo de cada um é os olhos que tem”.
Atentem, ainda, para uma situação peculiar: há pessoas que são especialistas em usar a palavra para expressar o que pensam e dispõem de espaço qualificado na mídia, que atinge milhões de pessoas. São formadores de opinião – cultos, sensatos, experientes, equilibrados e por isso, acreditados. Também leio o que escrevem e os admiro, às vezes por sua coragem, outras por sua ousadia e sempre por sua capacidade de bem escrever e ordenar racionalmente as idéias. É o que chamo de arte do texto. Porém, há certos dias em que lhes lastimo o pensamento infeliz grafado numa palavra mal-dita. Quem escreve para muitos e sabe que atinge milhões de leitores não pode se dar ao luxo de perder a temperança e a lucidez, externando opiniões que geram máxima polêmica e ainda provocam sofrimento em quem é atingido pela palavra mal-posta. Ainda mais quando o escrevente se arvora em mago e adivinho, tratando de antecipar decisões em curso. Aí, senhores do belo texto, lhes retiro toda a brilhatura e lhes casso os elogios abundantes, sobrando apenas a atenuante de que também vivem sob a humana condição de errar e são tão passíveis de erro como nós, simples aprendizes, na arte de escrever e de viver. De outra parte, quem escreve mal e se esconde nos meandros da soberba e da arrogância, acreditando-se poderoso, utilizando o veículo de comunicação como escora de sua prepotência, este, pode esperar, que a sua hora vai chegar. É certo e veloz o castigo para quem se arvora em ser dono da verdade, tudo pode antecipar e o faz, através do poder da palavra, que os torna arrogantes, insensíveis, inatingíveis. Não o castigo dos molestados pelo poder da palavra, mas o castigo interior, da própria vida, o castigo da alma, aquele que nos faz menores como pessoas.
Então, senhores da palavra, moderação, humildade e modéstia são qualidades sempre bem-vindas e que constantemente devem ser exercitadas, ainda mais nesse ofício tão exposto e árduo que é o de comentar sobre a vida e sobre os viventes! Para quem sabe escrever, palavra é arma. Dependendo do combate e dos detratores, faca de dois gumes.

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Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.
Acesse blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
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Edward de Souza conta amanhã neste blog, o assombroso caso de um lavrador que transava com uma égua, conhecida como "Ambrósia". A esposa o denunciou à polícia e depois envolveu um pistoleiro na trama. O estranho caso de amor entre homem e uma égua terminou em sangue e horror. A matéria verídica, publicada em vários jornais da região, encontra-se nos arquivos policiais da pacata cidade de Ribeirão Pires, na Região do ABC Paulista. Não deixem de ler!
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domingo, 10 de maio de 2009

AS MÃES TEM LIGAÇÃO DIRETA COM DEUS

Edward de Souza
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Criaturas muito especiais
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Hoje o calendário reverencia a mais importante e preciosa presença de nossas vidas: a sublime figura da Mãe. Aquela cujos dias deveriam ser tão somente envoltos pelos abraços mais calorosos e os beijos mais ternos de seus filhos. Não apenas por ter lhes dado a vida, mas por fazer de sua vida o ancoradouro seguro onde eles possam sempre, seja em qualquer idade, jogar a âncora de suas agruras, receios, decepções... E no colo de sua Mãe , sentir o mesmo calor, a mesma segurança, o mesmo carinho, como nos tempos de criança. No mundo da extraordinária evolução da tecnologia digital, em que produtos e serviços incríveis desafiam a mais iluminada das mentes, como faz falta o colo de mãe. Aquele abrigo aconchegante, sempre disponível e acessível. Generoso em afeto, orientação, sabedoria, ensinamentos. Confessionário, onde se pode contar tudo, sem segredo, sem restrição, sem medo. Fonte intermitente de luz e bênção de onde sempre conseguiremos uma orientação sábia, uma palavra amiga, o conforto do gesto, a indicação do caminho. Onde podemos olhar para cima sem nos sentir rebaixados e humildemente podemos pedir tudo, sem ficar devendo. O encanto do colo de mãe é que nele sempre seremos crianças. Frágeis, sensíveis, sinceras, como limitados seres humanos que somos.
Por que será que as mães
são essas criaturas tão especiais? Talvez seja porque elas têm o dom da renúncia. Não importa cor ou credo... Rica ou pobre... Mãe é sempre mãe. Mãe é como uma flor... É carinho, cuidado, proteção, compreensão, doação, perdão... Mãe resume tudo o que é amor! Uma mãe consegue abrir mão de seus interesses para atender esse serzinho indefeso e carente que carrega nos braços. Mas as mães também têm outras características muito especiais. Um coração de mãe é compassivo. A mãe sempre encontra um jeito de socorrer seu filho, mesmo quando a vigilância do pai é intensa. Ela alivia o castigo, esconde as traquinagens, defende, protege, arruma uns trocos a mais. Sim, uma mãe sempre tem algum dinheiro guardado, mesmo convivendo com extrema necessidade, quando se trata de socorrer um filho. Mães são excelentes guarda-costas. Estão sempre alertas para defender seu filho do coleguinha "terrorista" que quer puxar seu cabelo ou obrigá-lo a emprestar seu brinquedo predileto. Quando a criança tem um pesadelo no meio da noite, e o medo apavora, é a mãe que corre para acudir. As mães são um pouco fadas, pois um abraço seu cura qualquer sofrimento, e seu beijo é um santo remédio contra a dor. Para os filhos, mesmo crescidos, a oração de mãe continua tendo o poder de remover qualquer dificuldade, resolver qualquer problema, afastar qualquer mal. No entender dos filhos, as mães têm ligação direta com Deus, pois tudo o que elas pedem, Deus atende. Se você tem mãe aqui, cuide bem dela. Se não tem, como eu, pense nela com amor, carinho e gratidão.
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*Edward de Souza é Jornalista e radialista. Trabalhou nos jornais, Correio Metropolitano, Folha Metropolitana, Diário do Grande ABC e O Repórter, da Região do ABC Paulista. Em São Paulo, na Folha da Tarde, Gazeta Esportiva, Sucursal de "O Globo", Diário Popular e Notícias Populares, entre outros. Atuou nas Rádios: Difusora de Franca, Brasiliense de Ribeirão Preto, Rádio Emissora ABC, Diário do Grande ABC, Clube de Santo André, Excelsior, Jovem Pan, Record, Globo - CBN e TV Globo de São Paulo. Participou de diversas antologias de contos e ensaios. Assina atualmente uma coluna no Jornal Comércio da Franca, um dos mais tradicionais do interior de São Paulo.
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*A Jornalista Nivia Andres abre o blog desta segunda-feira com o artigo "Como usar a palavra com talento". Não deixe de acompanhar.
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sábado, 9 de maio de 2009

DESQUALIFICADO INVADE BLOG ESTA NOITE

PIRATARIA NO BLOG
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Prezados amigos!

Na noite desta sexta-feira, no período compreendido entre 22 horas às 3 da madrugada deste sábado, problemas técnicos inviabilizaram a apresentação do artigo postado pelo jornalista J. Morgado, já de volta ao blog. Um engraçadinho resolveu mostrar seu lado cômico, postando cerca de 20 comentários na matéria intitulada "Carequinha, o terror do ABC Paulista", que, pelo erro, passou a ocupar o primeiro lugar nas postagens. Esse texto já havia sido exibido na quinta-feira desta semana. O "pirata", sem pensar nas graves consequências de seu ato insano, usou nomes de jornalistas deste blog, de apresentadores de TV e, pior, do Presidente da República e da Primeira Dama. Em alguns momentos, na irracionalidade de seu gesto, usou palavras de baixo calão. Já acionamos o Departamento Jurídico do Google para identificar o IP desse marginal e assim que isso ocorra, iremos acioná-lo juridicamente. Caso necessário, recorreremos à PF para que este indivíduo sem escrúpulos e invejoso, seja identificado e punido. Conservamos na matéria "Carequinha, o terror do ABC", todos os comentários desse "pirata cibernético", para que sirvam como provas de sua conduta imoral. Nosso intuito nesse blog é deixar livres os comentários para que nossos leitores possam interagir, mais um motivo de sucesso que incomoda muita gente sem capacidade para organizar e comandar uma responsabilidade dessa invergadura. Vamos insistir nesse método, mesmo com o risco da visita de marginais como esse que investiu de maneira bestial contra nosso blog, mas contando, a partir de hoje, com monitoramento interno, que irá nos permitir identificar malandros deste tipo. Pedimos desculpas pelo incômodo causado e vamos seguir em frente. Não será um desqualificado como esse que irá nos barrar. Grato! (Edward de Souza)
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*A matéria "Como usar a palavra com talento", da jornalista Nivia Andres, em virtude do problema acima citado, será editada neste domingo ou na próxima segunda-feira. Não deixem de acompanhar.
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