sábado, 4 de dezembro de 2010

SEXTA-FEIRA, 3 DE DEZEMBRO DE 2010
Sentado em um sofá na sala de estar de minha casa, abro o jornal e me deparo com notícias alarmantes. Iminência de uma possível guerra envolvendo as duas Coréias, outra mostrando que 11% da população brasileira, em 2009, passaram fome (dados do IBGE), os tristes episódios do Rio de Janeiro, guerras no Oriente Médio (várias), na África, conflitos no trânsito, vítimas das enchentes em São Paulo, a expansão do tráfico de entorpecentes, armas... E vai por ai afora. Além disso, muitos homicídios e violência contra crianças e mulheres. Escândalos envolvendo políticos, empresários, agentes do serviço publico e não públicos.

Duas ou três vezes por semana, na praça central de minha cidade, sento-me em uma mesa defronte ao meu café preferido e, enquanto saboreio o caldo da rubiácea acompanhado de um pão de queijo fico a observar as pessoas que transitam por ali; algumas apressadas outras nem tanto. Magros, gordos, velhos e jovens. Crianças de diversas idades brincam ou apenas passam. Aborrece-me vendo um garoto de quatro ou cinco anos brincando com um dos orelhões ali instalados. Os pais observam, sorrindo com as travessuras do filho. Foi necessário que um passante responsável chamasse a atenção do infante para que a brincadeira terminasse. Os genitores fizeram cara feia.

Outro menino, quatro anos, se tanto, gordo, uma barriquinha andante, berra exigindo algo. A mãe entra na lanchonete ao lado e pouco depois saem. Nas mãos da criança, um pastel e uma coca-cola. Pobre guri, pobre mãe. Ignoram as campanhas contra a obesidade que tantos prejuízos acarretam à saúde. Bicicletas transitam na contramão. Vez outra um acidente! Aliás, alguns ciclistas ignoram as excelentes ciclovias existentes na cidade. Desafiam a lei e olham para os motoristas com desafio. Na rodovia, onde a quilometragem máxima é de oitenta quilômetros, caminhões enormes, ônibus, automóveis e motocicletas trafegam a mais de 100.

A rodovia Padre Manoel da Nóbrega entre Praia Grande e Itanhaém é totalmente urbanizada; existem muita escolas e travessias de pedestres. Poderia aqui enumerar muito, muito mais do que a gente pode observar a nossa volta em pouco mais de dez minutos. Mas, existe um provérbio popular que diz “macaco senta no próprio rabo para falar do rabo dos outros”. Se bem, que também cometo meus pecadilhos. A intenção não é apontar os defeitos alheios, mas demonstrar o quanto somos ainda ignorantes, apesar de todas as oportunidades que nos foram mostradas para que tivéssemos um bom viver.
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Além de antigos filósofos de várias origens e para ilustrar esta crônica, sito alguns. – “A luz não vem ao mundo para zombar das trevas e sim para iluminá-las”; “A vida não é o corpo, da mesma forma que a água não é o copo que a contem”; “A imperfeição é o fator que impede o homem de possuir o que deseja” (Shi-fu Kleber Farache). Esse filósofo de origem chinesa é brasileiro, nascido em Taubaté.

Além disso, fomos agraciados com os ensinamentos do Divino Mestre Jesus há mais de dois mil anos. Parece que levarão ainda algumas dezenas de séculos para que possamos assimilar as sábias lições. As pessoas batem no peito é dizem sou cristão. Mas os acontecimentos que nos cercam desmentem essa afirmação. São cristãos no momento do casamento de véu e grinalda, uma cerimônia mística que nada têm religiosidade por parte dos noivos (há exceções que confirmam a regra).
Batizam seus filhos com toda pompa a que tem direito apenas para dar satisfação a uma sociedade hipócrita.

Esquecem da caridade e de como educar seus filhos dentro dos princípios ensinados por Jesus Cristo. Não respeitam ao próximo e as leis que regem os seres humanos. A hipocrisia e a arrogância dominam o indivíduo. Nossos filhos sempre são melhores do que os do vizinho. Não há necessidade de enumerar mais defeitos, afinal todos nós convivemos com eles. O que se apresenta, é que tudo de mal vai acontecer com os outros, nunca com nós mesmos até o momento que o inevitável aparece. O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec em 1857, diz na Parte Terceira – Leis Morais – Lei Divina ou Natural - nas questões abaixo transcritas

630 - Como se pode distinguir o bem e o mal?– O bem é tudo o que está conforme a lei de Deus; o mal, tudo o que é contrário. Assim, fazer o bem é proceder conforme a lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

631- O homem tem, por si mesmo, meios de distinguir o bem do mal?– Sim, quando crê em Deus e de fato quer saber por que Deus lhe deu a inteligência para distinguir um do outro.

632- O homem, sujeito ao erro como está, não pode se enganar no julgamento do bem e do mal e acreditar que faz o bem quando, na realidade, faz o mal?
– Jesus disse: “o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles”. Tudo está aí resumido. Vós não vos enganareis.


633- A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode se aplicar à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Ele encontra na lei natural a regra dessa conduta e um guia seguro?
– Quando comeis em excesso, isso vos faz mal. Pois bem! Deus dá a medida daquilo que precisais. Quando a ultrapassais, sois punidos. Ocorre o mesmo com tudo. A lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades; quando a ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, a voz que diz basta, evitaria a maior parte dos males de que acusa a natureza. A lição continua...
Encerro com a frase: “Há os que louvam os anjos e santos, mas são surdos para seus conselhos”. (desconheço a autoria).
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
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