sexta-feira, 5 de março de 2010


SOMOS RESPONSÁVEIS

PELOS

DESASTRES DO MUNDO


Muito se tem falado das alterações climáticas do mundo. Aliás, todos nós temos sentido essas mudanças. As tragédias se sucedem. Maremotos, terremotos, secas prolongadas que provocam a miséria e a fome em muitos locais de nosso planeta. Segundo estatísticas da ONU, quase um bilhão de pessoas passam fome.
Em outros locais, as chuvas prolongadas ocasionam desastres terríveis. Milhares de pessoas desabrigadas, outras mortas ou desencarnadas em consequência.

Governos se reúnem para por fim às possíveis causas dessas alterações. Cada um deles defendendo seu ponto de vista para não prejudicar o crescimento de seu país.

Na verdade o que se percebe é uma pesada dose de egoísmo. O próximo nessa questão é esquecido.

A conscientização de cada ser humano para o problema deveria ser a meta. Um amplo programa de conscientização mundial para as questões do meio ambiente deveria ter prioridade. Evitar-se-ia frases como a que se ouve aqui e ali: “não estou nem aí, eu não vou estar vivo (a) para ver essas previsões pessimistas”.

Lendo o livro no “Roteiro do Evangelho” de Vera Lúcia e Ottília (espírito) – edição IDE/1989, capítulo 44, “Como ligarei”, destaquei o seguinte parágrafo: “Não olvides a voz da razão e da inteligência esclarecida, que te induz a reconhecer que o dia de hoje teve o seu começo no de ontem e prolongar-se-á até o de amanhã”.

Na verdade, somos herdeiros de nós mesmos. O materialismo excessivo é que está ocasionando todos esses desastres. A ganância aliada ao egocentrismo levará a humanidade a sofrimentos atrozes. Resta-nos a esperança da evolução espiritual para que um dia, o homem, menos materialista, comece a consertar o que destruiu.

É interessante observar que a energia que trouxe progresso ao mundo é a mesma que vem degradando o meio ambiente. Sim, falo do petróleo! Pois além do combustível são fabricados utensílios cuja deterioração leva centenas de anos, causando um enorme prejuízo à natureza que nos cerca.

Para ocupar o solo, o homem busca o meio mais fácil de conseguir a área desejada para a produção de alimentos. Provoca as queimadas! Um mal terrível para a extinção das espécies e degradação dos rios. Rios que fornecem a água que bebemos para podermos sobreviver. Onde está o bom senso e a racionalidade? O egoísmo é o vilão.

Enquanto escrevo este artigo, as manchetes nos jornais, rádio e televisão dão ênfase ao acontecido no Suriname. Dezenas de garimpeiros brasileiros foram agredidos violentamente em um dos muitos garimpos existentes no norte daquele país.

As imagens mostram um rio poluído devido à extração do minério aurífero e a mata ribeirinha completamente danificada!

As mortes ocasionadas pelo deslizamento de encostas em Angra do Reis e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, é outro exemplo de descaso para com a natureza.

Fatos como esse acontecem em todas as partes do mundo. Afinal, o homem está em toda a parte.

O que nos aborrece (sou humano imperfeito) é ver que essa mesma mídia que noticia o fato com tanto alarde não tocar no assunto com a ênfase que deveria ser dada ao problema ocasionado pelo ser humano. Alguém já disse “E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE”.

O desvario dos homens em qualquer classe a que pertençam (uma divisão entre os homens) é latente. O lucro material é o que importa! O resto... a gente resolve depois.

Daí a dificuldade ou a má vontade de aceitar ou entender a reencarnação como um fato natural. Aceitá-la seria como interromper (para os incrédulos) o seu consumismo exagerado e despojar-se dos vícios morais. Preferem acreditar em histórias da carochinha ou não acreditar em coisa nenhuma e assim, entre o céu e o inferno, ficam com a crença de que “vamos aproveitar o máximo, pois a vida é uma só!”.

Ledo engano! Os sinais estão para quem quiser realmente ver. O desvario e a destruição do que se fizer hoje será nossa herança amanhã.

..........................................................................................................
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
.........................................................................................................

quinta-feira, 4 de março de 2010

Garcia Netto e Cesar de Alencar, na Rádio Nacional, RJ

FLAGRANTES DA VIDA (VI)


Ao completar a prazerosa missão de entregar a vocês a série Relembranças, não basta fazer a retrospectiva de uma história que sempre será bonita, merecendo ser guardada com o carinho que mostraram ter pelo rádio brasileiro, seus astros e estrelas, seus serviços de utilidade pública, seu entretenimento. Foi assumido compromisso de esclarecer questionamentos a certas dúvidas ao final, promessa que agora tentarei cumprir. Devo, por justiça, acrescentar: tornou-se obrigatório, para mim, confessar que muito aprendi e recordei nas colocações feitas em suas postagens.

Agradecimentos são devidos a todos os participantes do Blog, pela camaradagem, educação e nível cultural reinante entre todos. Honra-me o fato de ter sido convidado a fazer parte de tão selecionado grupo.

Permitam-me, amigos, destacar gratidão ao Edward de Souza pela reunião do grupo de mente iluminada circulando em seu Blog. À amiga Nivia Andres, ­– competente revisora, diagramadora e ponto de equilíbrio de meu texto e ilustração – pelo carinho que vem dedicando ao nosso Blog. À Cris, igualmente por dar roupa bonita às matérias.

Meu caro professor João Paulo. A casa de danças a que se refere, na Avenida Ipiranga, bem perto da Avenida São João, chamava-se Maravilhoso, ao lado do Restaurante Spadoni, finito há muitos anos. Nas proximidades existiu o famoso cabaré Ok. Taxi girls, me parece, o primeiro foi o Salão Verde, no Edifício Martinelli, na sequência, Maravilhoso, Cuba, Lido e Avenida, na Rio Branco. O Blota formava com Sônia um casal de comportamento exemplar: grande amigo.

Milton Saldanha. Havia, sim, um passado entre Geisel e Souza Aguiar que serviram, ainda tenentes, na mesma guarnição, nada, no entanto, que se relacionasse com o projeto daquela obra extraordinária. A rivalidade nascera, segundo consta, em nome de uma promoção onde o general presidente teria sido preterido em favor de Aguiar. Não creio ser essa a questão principal do desmonte do histórico Monroe. Comungo com você no espanto do aconselhamento de Lúcio Costa, profissional que deveria cuidar com mais acuidade dos temas específicos de sua área e memória. Para mim, a resolução presidencial ganhou fundamento nas ingerências políticas e técnicas.

Gabriela. Fico mais a vontade ao inquirir-me sobre o tratamento em igualdade. Deve ser assim mesmo, para você e demais navegantes do nosso barco, eu devo ser você. Confesso que na rua ao ser chamado de “tio”, modismo que rejeito, arrepio. Nunca fui de anotar nada, concluo hoje que faz falta a guarda de documentos e fotos.

Ana Paula. Ao agradecer suas referências declaro minha alegria por estar no Blog do Edward e somar com a competência das maravilhosas figuras que aqui estão. Se um sabe e passa saber adiante, é justo juntarem-se na ampliação de conhecimentos.

Tanaka. Ao iniciar a apresentação da série havia, na verdade, outro objetivo. Não programei o tema Monroe. Confesso minha surpresa pela discussão aberta e proveitosa. Gratificou-me. Sabe você que o Brasil, ainda jovem, não sabe cultuar o hábito de respeito à memória, feitos do seu povo. O debate que estamos promovendo pode ser mais um instrumento eficaz de vanguarda para despertar nas autoridades a urgente necessidade de estabelecer projetos de prioridade para o assunto. Muitos de nossos leitores conhecem os princípios adotados na Holanda, na Áustria, na França. Para citar poucos, Amsterdan guarda riquezas trazidas dos mares por seus piratas, 25% do produto saqueado, da mesma forma que guarda a arte de Van Gogh em seus museus. Paris não permitiu o extermínio de sua velha estação ferroviária - Gare d’Orsay - cuidando de sua restauração sem medir investimento, em nome da preservação da memória. Ela está lá transformada no invejado Musée D’Orsay, para orgulho de franceses, com festa de olhos do turismo internacional. Do mesmo cuidado, o Musée de L’armée conserva do cavalo ao cachorro de Napoleão embalsamados. Suas armas e suas lutas lá estão, retratando a história. Maria Thereza, a poderosa, está revivida em Viena, com suas descendentes dominantes. Esperemos, Tanaka, frutificar nossa pregação. Em outro comentário, perguntou se a Rádio São Paulo, que dirigi, é a mesma famosa das novelas. Sim. Adquirimos seu controle do grupo Record. Pertencia ao senhor Amaral, cunhado de Paulo Machado de Carvalho.

Luiz Henrique e Ronaldo Cesar. No caso de Franca, há que considerar-se, além do Hotel Francano, o antigo Mercado Municipal – ferragem importada da Inglaterra – que um prefeito decidiu ignorar e demolir. Um coreto que acolhia a Banda Municipal, aos domingos e, agora, os restos da estação da Mogiana, em abandono.

Ademir Médici e João Paulo. Não convençam: exijam a preservação do bar da estação, em Santo André.

Vanessa. Precisamos dar tom a nossa cultura. Precisamos imprimir o espírito de preservação de nossas coisas. Acho que estamos fazendo isto agora. Vamos ampliar a discussão nas ruas, nas universidades, em nossas famílias.

Guaracy Mattos. Imagino que posso agradecer em nome de todos a referência que você nos atribuiu: “blog inteligente e frequentado por pessoas cultas”, onde incluo o amigo. Defender seu direito de expressão é obrigação cidadã e nós a praticamos. Acho que o Saldanha, muito acertadamente, colocou opinião que acompanho.

J.Morgado. Juntando as lembranças que guardamos, lotaremos um jacá e até um carro de boi. Especialista em centrão de São Paulo, deve ter escutado violinos na Confeitaria Vienense, da Rua Direita, onde mulheres bonitas e perfumadas tomavam chá todas as tardes. Deve ter ido comer sanduiche no Porco que Ri, início da São João; deve ter assistido a inauguração do invento americano - o restaurante automático, onde se colocava uma ficha valendo 400 réis e saía o prato escolhido da portinhola, parecendo caixa do correio. O Restaurante do Mappin que fechado virou Scot Bar, na Rua 24 de maio.

Liliana. Sempre existiu uma rivalidade entre Rio e São Paulo. O Rio se ligava em afinidade, mais com gaúchos e mineiros. O rádio do Rio não exibia dupla sertaneja, excetuando Lauriano e Paixão, que conseguiram furar o bloqueio. São Paulo era habitat. A Rádio Nacional havia criado uma condição de liderança imbatível, fazendo crer aos radialistas que o coroamento na profissão se daria com aqueles que passassem por lá.

Laércio Pinto. Era assim mesmo que se grafava o nome Antenor Mayrink Veiga, proprietário e diretor que deu nome à emissora.

Priscila. Você acertadamente respondeu à pergunta: velha rixa, prosa cantada. Sotaque não é conveniente quando exacerbado em microfones.

Bruna. Obrigado pela sugestão sobre livro estendida a outros do blog. Estou trabalhando nesta direção, com outro foco. A pesquisa busca provar ordem de surgimento das emissoras no país, onde defendo que a Rádio Clube Hertz, de Franca, é quarta colocada. Funcionou a primeira vez em 8 de novembro de 1925. Em muitas publicações que tenho as informações não batem com a realidade. Pode ser de bom alvitre ampliar o foco.

Tatiana. Já fui tratado aqui pela amiga Nivia e sua bondade de “memorialista”. De direito, não sou, quem sabe? De fato. Você referenda com gentileza – gostei - minha “vitalidade e memória de elefante” para perquirir o que faço: nunca fui de anotar as coisas. Falo muito delas, não abro mão dos meus prazeres que consistem em beber boas bebidas: whisky; vinhos tintos de uvas escolhidas; champanhe. Viajo dirigindo meu próprio carro, - quando não de avião – sem preocupação com a quilometragem. Nutro paixão por mulheres, mesmo sem conotação maldosa.

Liliana. Na curiosidade revelada não só por você com respeito à adoção de nome diferente no exercício profissional, vários fatores criaram a necessidade. Crendice popular, cabalístico, um diretor criando nome mais ao gosto público, quem não gosta do próprio nome. Uma grande cantora considerou feio seu nome Abelim. Meu caso foi diferente e o intento foi homenagear meu avô José Flavio Garcia. Na Espanha as famílias transportam a herança nominal materna. O Brasil tem opção diferente, a continuidade leva o nome paterno. Meu pai e eu, por engano, fomos identificados pela origem materna. Ai está à razão do resgate do avô com a adoção do Garcia Netto.

Osmar Pacheco Goulart. O Sarmento encarnou por muitos anos o verdadeiro sentimentalismo popular do rádio e seu nome à Rádio Bandeirantes.

Adilson Machado. Fiquei feliz ao constatar sua presença, o que me levou a recordar seu início e nossos encontros em São Paulo.

Luciana. Microfones a carvão - o microfone mais antigo e mais simples usava pó de carvão. Esta era a tecnologia usada nos primeiros telefones O pó de carvão apresenta um fino diafragma metálico ou plástico em um lado. Conforme as ondas sonoras atingem o diafragma, elas comprimem o pó de carvão, que muda sua resistência. Seu aparecimento ocorreu no final dos anos 1800. SQBL foi a série de primeiros prefixos de rádio usados no Brasil. Em próximos capítulos, falarei de legislação e ordenação de uso de prefixos.

Na seqüência que farei, com muito gosto, motivado pelo carinho quase unânime, cuidar do interesse dos inúmeros acadêmicos aqui freqüentes será meta, com informações pertinentes a eventuais trabalhos que pretendam desenvolver.

Garcia Netto e Ângela Maria
..........................................................................................................
*José Reynaldo Nascimento Falleiros
(Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004); Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007) e a novíssima coletânea Seleta XXI - Crônicas, Contos e Poesias, a ser lançada hoje. Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. A Série Relembranças foi editada em cinco capítulos semanais (e mais um extra, com as respostas aos leitores), às quintas-feiras, quando o profissional revisitou, com sua memória privilegiada, flagrantes da vida que fazem parte da história de nosso país.
..........................................................................................................

quarta-feira, 3 de março de 2010


TSUNAMIS,

SOLIDARIEDADE E CORRUPÇÃO


Tsunami é o termo usual empregado para designar uma onda ou série de ondas gigantescas, formadas normalmente após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, atividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteorito dentro ou perto do mar.

A energia de um tsunami advém de sua amplitude e velocidade. Assim, quando a onda se aproxima da terra, a sua amplitude (a altura da onda) aumenta à medida que a velocidade diminui. Os tsunamis podem caracterizar-se por ondas de trinta metros de altura, causando grande destruição em zonas litorâneas.

Os recentes terremotos ocorridos no Haiti e no Chile, de forte intensidade, promoveram enorme devastação e perda de muitas vidas. Embora o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), órgão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, encarregado de emitir alertas sobre fenômenos climáticos, meteorológicos e geológicos tenha informado de maneira veemente que poderia haver tsunamis em toda a região do Pacífico, no último sábado, 27 de fevereiro, a previsão se confirmou apenas na costa do Chile, com ondas que atingiram até 10m de altura.

Esses acontecimentos trágicos que produzem morte e destruição desmedida, até por sua imprevisibidade, provocam ondas de solidariedade em todas as partes do mundo. No Haiti será necessário esforço descomunal para a reconstrução do país, já desestruturado por décadas de tirania, desgoverno, miséria e corrupção. O Chile também carece de ajuda internacional para minimizar o sofrimento da população atingida, mas possui infraestrutura invejável e não tardará a recuperar-se do sinistro, em que pese acreditarmos que para a perda de vidas não há redenção possível, tal qual no Haiti.

O que interessa discutir aqui, também, são duas outras qualidade de tsunami – o da solidariedade e o da corrupção.

Pela visualização das catástrofes recentes, através dos meios de comunicação, a sociedade internacional se compadece, governos enviam ajuda humanitária, técnicos em salvamento, médicos, medicamentos, água e alimentos. Até voluntários emprestam seu trabalho para auxiliar nas buscas aos desaparecidos ou qualquer outra tarefa solidária.

Por que será que nossa consciência solidária só desperta quando ocorrem tragédias de porte e não nos sensibilizamos para com a cotidiana condição de violência, miséria, doença e ignorância que acontece defronte os nossos olhos? Será que nossos concidadãos em estado fragilizado não merecem um olhar solidário concretizado em ações? Esse é o tsunami doloroso da insensibilidade. Acontece todos os dias e não precisa de alarme e previsão.

Há, também, entranhado na sociedade, o tsunami da corrupção, cuja amplitude aumenta à medida em que valores como a ética, o respeito, a dignidade, a probidade e a noção de justiça, consciência e responsabilidade vão se depauperando. Esse também de ocorrência diária, desnecessário alarme ou previsão.

A política que deveria ser a instância social em que seriam discutidas e solucionadas as demandas, apresenta a maior incidência, por metro quadrado, de escândalos, apropriações indébitas, vilipêndio ao erário, enriquecimento ilícito e uma série de outras falcatruas que desmerecem as instituições criadas para zelarem pelo bem do povo.

Há de chegar a hora do basta. Espero que não tarde. Tsunamis sempre representam desgraças. Os naturais são imprevisíveis. Mas os provocados por más intenções e falta de caráter podem ser eliminados definitivamente da nossa vida. Basta que a sociedade se mobilize e aja. Já! Está em nossas mãos criarmos tsunamis do bem! Pensem nisso.
..........................................................................................................
*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse: http://niviaandres.blogspot.com/
.........................................................................................................

terça-feira, 2 de março de 2010


NOSSAS LEIS HIPÓCRITAS

QUE SÓ CONFUNDEM


O Brasil, por meio dos políticos, mantém uma Carta Magna que, ao contrário de proteger o cidadão, deixa um sem número de dúvidas e indecisões e dificulta sua assimilação e aplicação. Uma Constituição quilométrica, com artigos, emendas e contradições intermináveis. Cito alguns exemplos atuais: o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - permitia que o menor acima de 14 anos pudesse trabalhar. Porém, com a Lei do Aprendiz, o adolescente, entre 14 e 16 anos, só pode trabalhar como aprendiz. No entanto, para conseguir uma vaga, é necessário estar cursando a 8ª série, fazer exame classificatório e esperar. Algo inimaginável para um desses milhões de garotos que ficam nos faróis limpando vidros, entregando panfletos, fazendo malabares ou simplesmente pedindo uns trocados. A enorme maioria praticamente sem estudo algum. Um detalhe: por que crianças podem trabalhar como modelos, artistas, jogadores de futebol, com menos de 14 anos e explorados por agentes inescrupulosos, com objetivos claros de faturar com o menor?

Por outro lado, o Estatuto do Idoso, ainda novo no mercado, tem a mesma utilidade para as pessoas da terceira idade que bolso de pijama. Em todos os cantos, no cotidiano, notam-se pessoas infringindo o tal de estatuto e tratando o "velho" como um saco de lixo. Filas específicas, vagas especiais e algumas outras benesses, transformadas em leis para garantir ao idoso um pouco de privilégio, até pelas circunstâncias da idade, saúde e dificuldade de locomoção, são simplesmente ignoradas pela maioria da população. Reclamar onde e com quem?

Agora, nossos governantes querem liberar as drogas para pequenos traficantes. Então, menores e maiores, cuja indústria ainda no patamar de pequeno ou médio empreendedor, poderão, aprovada a lei, incrementar o negócio até sua pequena empresa prosperar e, então, produzir em grande escala. O objetivo da medida, segundo consta, pasmem, é que tal atitude irá liberar vagas nas prisões do caótico sistema carcerário brasileiro. Uma heresia dos nossos políticos que preferem tirar o sofá da sala a punir a mulher traidora.

E a Lei seca, o que virou? Quando foi criada, todos esperavam fosse trazer a paz às nossas estradas e ruas, verdadeiros palcos de guerra onde o número de mortos e mutilados é maior do que o de muitos lugares em guerra. A relação do brasileiro com o carro é um misto de orgulho e poder. Dentro do veículo o cidadão esquece que é também um pedestre e acredita que nada mais importa para ele do que chegar primeiro seja qual for o método utilizado. Assim, regulamentos, sinais, apelos tudo isso pesa pouco diante da sensação ilimitada de liberdade e impunidade que se esconde atrás do volante.

Vários fatores concorreram para que a chamada Lei Seca não obtivesse o que dela se esperava. Depois de um período de choque em que todos ficaram atentos ao consumo de álcool por motoristas veio o consequente relaxamento e o que era para ser obedecido passou a ser esquecido. Concorreu para isso nossa tradicional aversão a regulamentos e ordens, a pouca preparação da polícia de trânsito e a corrupção que faz do nosso sistema policial um alvo vulnerável em qualquer frente. Gratificar o guarda sai mais em conta do que pagar a multa e com isso quem tinha dinheiro se safou.

No primeiro caso, à época de minha adolescência, lá pelos anos 50, a garotada trabalhava para ajudar a família o que muito colaborava para tirá-la da rua e transformá-la em um cidadão respeitável. Eu, por exemplo, comecei a trabalhar em uma tinturaria (hoje lavanderia) aos 12 anos e nem por isso fiquei traumatizado, pelo contrário.

No segundo caso, agora na terceira idade, percebo que a cidadania está distante da maioria das pessoas e que o estatuto criado para proteger os sexagenários tem a mesma longevidade de uma barata que ousa atravessar um galinheiro.

Já no terceiro caso, a reação é de perplexidade, já que servirá de alavanca para os pequenos empresários do universo das drogas - em sua maioria jovens adolescentes - incrementarem seus negócios, antes ilícitos, agora protegidos pela lei. Enquanto isso, o presidente Camaleão percorre o mundo e plagas brasileiras arrotando bravatas dignas do mais insidioso menino tagarela que não tem noção das consequências de suas palavras e atitudes. Para contornar possível tragédia, gerada por sua irresponsabilidade, basta um desmentido na sequência ou simplesmente bater o pé e negar conhecimento. Na esteira das falácias, o burgo-mestre tupiniquim, acreditando que tudo pode (e talvez possa), passa por cima de leis (leis?) e aproveita para fazer declarada campanha de sua companheira para ocupar o trono a partir de 2011.

No quarto e último caso, a Lei Seca, lamentavelmente, mais uma que não “colou”. Na teoria é maravilhosa, mas esbarra numa prática onde corrupção e despreparo se unem para continuar fazendo de nossas ruas matadouros legais onde cada um cuide de si e Deus de todos.
...........................................................................................................
*Oswaldo Lavrado é jornalista e radialista, radicado no Grande ABC e colaborador especial deste blog.
..........................................................................................................
DIVULGAÇÃO DE RESULTADO

Olá, amigos e amigas do Blog!

Com muita satisfação, vamos enviar o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown, para a leitora Ana Rita, de Franca, SP. Nos sensibilizou bastante a veemência manifestada na vontade de ler a obra resenhada.

Como só havia um livro à disposição, ele é da Ana Rita!

Mas como sou muito sensível, resolvi adquirir outro exemplar e enviá-lo à Milena Figueiredo, de Santo André, SP, já que é notável o esforço que ela faz para estudar e, acima de tudo, está de aniversário amanhã. Parabéns, Milena!

De outra parte, gostaria de agradecer muitíssimo às colegas Lidiane, Priscila, Cindy, Tatiana, Renata e Soraya que tentaram comentar ontem e não conseguiram, por algum problema técnico interno do Blogger, que não conseguimos identificar. A Lidiane conseguiu postar o comentário e funcionou como porta-voz das colegas. Também o nosso querido amigo Admir Morgado avisou o Edward que não conseguia ver seu comentário publicado na noite de ontem e o encaminhou por e-mail.

Solicito à Ana Rita e à Milena que encaminhem seu endereço completo ao meu e-mail: niviaandres@gmail.com para que possa enviar-lhes os livros.

Obrigada a todos!

segunda-feira, 1 de março de 2010


O SÍMBOLO PERDIDO


“...O que está perdido...será encontrado...”


Washington, a capital dos Estados Unidos, tal qual Roma, está cheia de passagens secretas e túneis – sua arquitetura, concebida e projetada por grandes mestres maçons – George Washington, Benjamin Franklin e Pierre L’Enfant, assim como sua arte e seu simbolismo, estão entre as mais interessantes do mundo.

Após ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano (Anjos e Demônios) e a uma caçada humana em Paris (O Código Da Vinci), Robert Langdon está de volta em mais uma intricada história, com seu profundo conhecimento de simbologia e brilhante habilidade para solucionar problemas.

Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos (a sede dos poderes da república). Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo.


Mal'akh, o sequestrador, um homem extremamente forte, ambicioso, inteligente e tatuado da cabeça aos pés, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode destrancar o portal místico que lhe dará acesso irrestrito aos Antigos Mistérios.

Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian.

Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico.

O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está.

Sob a pena de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, desafiando-os a abrirem a mente para novos conhecimentos.

PORQUE SUGIRO A LEITURA DA OBRA:

Quem aprecia a leitura de obras de ficção sabe o que esperar e busca se divertir-se, rindo, chorando, se emocionando, ficando tenso ou relaxado, conforme a obra se apresenta.

Quem lê Dan Brown encontra uma narrativa eletrizante, detalhista, enigmática, que prende o leitor, já que o autor é especialista em suspense e sabe, como poucos, encadear a história, mantendo a tensão, intencionalmente, até o desenlace.
De outra parte, o autor aborda um assunto interessante, envolvendo a Maçonaria, uma associação de caráter universal, cujos membros cultivam a filantropia, a justiça social, o aclassismo e a humanidade, através dos princípios da liberdade, democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade. Enfim, essa associação, ainda cercada de mistérios, é um dos pilares da trama, bem como a Noética, um ramo da filosofia metafísica que se preocupa com o estudo da mente e da intuição, que é alvo dos estudos e das experiências da Dra. Katherine Solomon, envolvida com Langdon para tentar salvar seu irmão, Peter.

E claro, apresenta o fascínio arquitetônico da cidade de Washington - suas construções e monumentos estão presentes em toda a trama, revelando a inteligência e o talento de seus projetistas e construtores.

Esclareço que esta sugestão de leitura é apenas uma alternativa para quem gosta de ficção que envolve aventura, suspense e mistério. Nem sempre factível e verossímil. Como nos outros livros de Dan Brown - Ponto de Impacto, Fortaleza Digital, Anjos e Demônios e O Código Da Vinci. Todos são best-sellers. E daí? Nenhum preconceito me move. Há literatura para todos os gostos. Algumas obras para edificar o espírito, outras para entreter. Garanto-lhes diversão e algumas curiosidades reveladas.

..........................................................................................................
*Nivia Andres
é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse:
http://niviaandres.blogspot.com/
..........................................................................................................

sábado, 27 de fevereiro de 2010

BOLINHA DE GUDE

Havia chovido torrencialmente. Um homem idoso encapotado e com o guarda-chuva servindo de bengala, à moda inglesa, caminhava lentamente por aquela rua encharcada. Seus pensamentos fervilhavam de lembranças nostálgicas. Vivia naquele bairro desde criança e as casas antigas com grandes quintais, deram lugares a grandes sobrados e edifícios de apartamentos. Uma linha do metrô passava exatamente onde outrora havia morado e brincado. Onde estará o Lando, o Buzina, o Vicente... Os amigos de outrora? Vez em quando tivera notícias de um, de outro... Soube que o Luizinho morrera de forma trágica e que o Pedro virara doutor, um médico de renome...

Aquela esquina... Hã, aquela esquina... Quantas travessuras. Muitos foram os baldes d’água que o dono do armazém jogara nos garotos barulhosos que ali defronte jogavam bolinha de gude.

O empório do senhor Felisberto era o único em um raio de muitas centenas de metros e as luzes iluminavam o palco ideal para as brincadeiras da época. Mão-na-mula, esconde-esconde, bafa, cirandinha – “ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar uma volta, volta e meia vamos dar...” Todas essas vozes infantis com e mais os gritos da molecada jogando bolinhas. A forma preferida era a de percorrer quatro buracos, cada um com a distância de quatro palmos. O caminho deveria ser percorrido duas vezes. Quem conseguisse fazer o percurso em primeiro lugar ganhava a partida.

Bolinhas de gude... A mente do velho agora começou a viajar. Foi além da imaginação. Por analogia, começou a comparar as bolinhas de então com a vida dele e de seus amigos. Lembrou-se de uma “melosa”, sua preferida, toda colorida de branco e azul. Por onde andará? Lembrava-se de tê-la perdido para o Vicente, que por sua vez perdeu-a para outro garoto. Depois a perdeu de vista. Afinal, não foi assim que aconteceu? Cada uma daquelas bolinhas tomou um rumo. Cada um daqueles amigos seguiu um destino. Por onde andarão?

Certa ocasião, seu irmão, quatro anos mais novo, todo choroso chegou-se e disse que um garoto havia lhe rapado todas as suas bolinhas. Incontinenti, acompanhou o caçula e desafiou o tal para jogar. Triângulo foi à modalidade escolhida. Fazia-se o desenho de um triângulo na terra batida e ali a partir das pontas para dentro “casava-se” as bolinhas. O jogo consistia em “ticar” as esferas coloridas para fora daquele espaço.

Conseguira recuperar as bolinhas que o maninho havia perdido e “rapar” o adversário. Seu irmão saltitava contente. Seus olhos irradiavam alegria e admiração pelo mano mais velho.

Uma “bolinha” que já se foi!

Com lágrimas nos olhos, o velho continuou sua caminhada. Olhava atento o casario. Em meio às construções modernas, uma casa antiga aqui, outra acolá. Lembrava-se quem havia morado em cada uma delas. Dona Olívia, a benzedeira, uma portuguesa, fora pioneira naquele bairro. Atendia a todos que a procuravam, não importava a hora – dia e noite. Hã, naquela casa, meio assobradada com porão, outro casal de portugueses. A mulher, Dona Maria era a parteira do bairro. Poucas crianças naquela região não haviam passado pelas mãos hábeis daquela senhora. “Bolinhas de gude” que rolariam pelo mundo...

Continuando a caminhar, sentiu vontade de urinar. Buscou um local tranqüilo e longe de olhares curiosos. Enquanto satisfazia sua necessidade fisiológica começou a sorrir. Sorria por lembrar-se que naqueles tempos longínquos, naquele bairro poucas casas tinham sanitários ou banheiros em seu interior. As casinhas como eram chamadas ficavam no fundo do quintal. O urinol era a privada da noite. E isso aconteceu apenas ontem...

Ontem... Os meninos correndo pelas ruas, trocando figurinhas ou tampinhas de garrafas... Chilrando como filhotes de andorinhas a esvoaçar em seus primeiros vôos. Bolinhas de gude a jogar bolinhas de gude. Espalhando-se pelo mundo como as brilhantes esferas coloridas.

Onde andará aquela melosa?
.........................................................................................................
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
........................................................................................................

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


LIPOASPIRAÇÃO

A VAIDADE QUE CEIFA VIDAS


Modelar o corpo, transformar a aparência. O fascínio pelo visual perfeito motiva desde atividades físicas, ao uso de cosméticos e procedimentos cirúrgicos com fins estéticos. Notícias de complicações e mortes decorrentes de lipoaspiração levantam as perguntas: quais os riscos desta cirurgia? Quem pode se submeter ao procedimento? O que leva uma pessoa a arriscar a vida em nome da autoestima? De tempos em tempos notícias sobre mortes durante cirurgias plásticas comovem a população porque na maioria das vezes os pacientes são jovens.

A jornalista Lanusse Martins, de tenros 27 anos morreu no dia 25 de janeiro do mês passado, em uma clínica particular, em Brasília, após uma cirurgia de lipoaspiração. Lanusse era repórter na TV Justiça e em 2009 também trabalhou na TV Globo de Brasília. Menina linda, competente e de futuro com certeza brilhante à sua espera. Em vez disso, foi-se antes da hora e deixou órfão um filhinho de apenas 6 anos. Quatro dias depois da morte da jornalista Lanusse Martins, o Conselho Federal de Medicina anunciou a elaboração de um novo protocolo de segurança para cirurgia plástica, que irá indicar procedimentos que devem ser seguidos em plásticas.

Também em janeiro, no dia 8, a técnica em radiologia, Carla Fares, 33, morreu após uma lipoaspiração em Duque de Caxias (RJ). Carla teve uma parada cardiorrespiratória e entrou em coma. A família da técnica responsabiliza a clínica e apresentou uma denúncia à polícia. Muitas outras mortes foram registradas durante cirurgias de lipoaspiração, além dessas duas este ano, quatro apenas no ano passado

O que antes era uma rotina que nem assustava os pacientes, agora se reveste de uma nova gravidade e exige uma apuração completa para que fique estabelecida a causa da morte e a responsabilidade de cirurgiões e instituições envolvidas.

A vaidade de vez em quando ceifa vidas. Inúmeros jovens já morreram ou tiveram graves problemas em busca de um corpo perfeito. O uso de anabolizantes é responsável por graves danos à saúde e a procura de músculos potentes e de um torso “sarado” já levou ao hospital centenas de usuários dessas drogas. No lado feminino a plástica impera como solução para se conseguir um corpo perfeito e que esteja de acordo com os padrões que vigoram na moda. Num mundo de manequins esqueléticas, vale tudo para se chegar à silhueta magra que os costureiros exigem, da fome ao estágio da anorexia que sempre traz complicações ao paciente.

O gosto pelos corpos oscila. Já tivemos a vez das rechonchudas no começo do século passado, quando as gordurinhas eram consideradas não só sensuais como saudáveis. Agora estamos sob o império das mulheres atléticas de corpo definido e músculos à mostra e quem não teve a sorte de nascer geneticamente preparado para esse desafio tem de recorrer ao bisturi se quiser fazer algum sucesso social. Assim, um número cada vez maior de mulheres procura os cuidados de um cirurgião plástico para tentar alcançar o ideal de beleza que está nas capas de revista.

A lipoaspiração não é feita para perder peso e sim para modificar a silhueta, por isso, não é indicada para pacientes obesos. A cirurgia apresenta resultado mais eficaz em pessoas que apresentam gordura localizada. Antes de passar pela transformação desejada, o paciente deve se submeter a exames laboratoriais e fazer uma avaliação de risco. Estes exames são uma espécie de “radiografia” da saúde do paciente e devem ser apresentados ao médico até sete dias antes do procedimento. Os exames mostram se há possibilidades de arritmia, infarto, problemas respiratórios. O paciente só pode fazer a cirurgia se estiver com a saúde perfeita. Se tiver uma anemia, por exemplo, terá de se recuperar para poder fazer a lipo.

É preciso ficar definitivamente claro que esse é um procedimento tão sério e arriscado quanto qualquer outra cirurgia e não pode ser tratado como uma banalidade.

Vivemos num país de justiça lenta, mas o Conselho Federal de Medicina não está assim tão assoberbado que não possa dar à população a satisfação que ela merece e exige para que não fique maculado o nome dos verdadeiros profissionais por erros ou imperícia de um pequeno grupo. O que fez tão somente foi divulgar uma estatística de 2004 a 2008, mostrando que 238 denúncias de erros médicos ocorreram durante cirurgias plásticas, resultando na cassação do registro de seis profissionais além de censuras públicas (advertências) em outros 35. De acordo com o CFM, 89 processos foram arquivados.

..........................................................................................................
*Edward de Souza é jornalista e radialista. Trabalhou em vários jornais, emissoras de rádio e tv do Grande ABC e de São Paulo. Medalha João Ramalho, principal comenda do município de São Bernardo do Campo, outorgada pela Câmara Municipal daquela cidade pelos relevantes serviços jornalísticos prestados à região. Troféu PMZITO, entregue pelo alto comando da Polícia Militar de Santo André por ter se destacado como o melhor repórter policial do ABC nos anos 70. Menção Honrosa entregue em 2007 pela Câmara Municipal de Franca e outra pelo Rotary Clube Norte pela atuação brilhante na radiofonia e jornalismo da cidade. Participou de diversas antologias de contos e ensaios.
.........................................................................................................