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AS VIRTUDES DA CASA

Editora: Mercado Aberto, 392p
Baltazar Antão, o estancieiro; Micaela, sua esposa; Isabel e Jacinto, os filhos e Félicien, o visitante são os personagens de As virtudes da casa, romance notável do escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil.

Romance psicológico, As virtudes da casa é um estudo da alma rio-grandense dos primórdios do século XIX. A trama recria a peça dramática do dramaturgo grego Ésquilo, o Agamêmnon, em pleno pampa rio-grandense do sul. No papel-título do original grego, está o Coronel Baltazar Antão Rodrigues de Serpa, estancieiro e comandante militar que, no início da narrativa, vai à guerra contra o uruguaio Artigas; como Cliptemnestra está Micaela, sua esposa fiel até então, cuja vida se transtorna com o surgimento do estrangeiro (Egisto), na pele do naturalista francês Félicien de Clavière. Os filhos de Baltazar Antão e Micaela são Jacinto (Orestes) e Isabel (Electra). Com os atores a postos, desenvolve-se a tragédia.

Em As virtudes da casa, Assis Brasil narra as vicissitudes da família de Baltazar Antão, Coronel de Auxiliares e proprietário da Estância da Fonte. Vai em meio a guerra contra os castelhanos de Artigas, e o Coronel, veterano de outras correrias a serviço do rei, não consegue e nem quer ignorar o entrevero. Arregimenta seus homens e parte para a guerra – uma questão de honra e de preservação do território.
Para a família de Baltazar Antão, Micaela, sua mulher, Jacinto e Isabel, seus filhos, tanto quanto para a criadagem e os escravos, a ausência do Coronel é um transe insuportável, porque já experimentado em outras épocas. Um fato novo, porém, vem alterar essa atmosfera de saudade. Ao partir para o combate, o Coronel havia recomendado tratamento especial a um visitante ilustre - estava prevista a chegada à estância de um naturalista francês, e a ordem era recebê-lo com a principesca marca da hospitalidade sulina. A chegada do estrangeiro, jovem, atraente, culto e dono de hábitos, modos e vestir requintados instala nova ordem cultural na Estância da Fonte, pois sua figura sedutora é quase irresistível para os que vivem os costumes feudais do Continente, fechados, reprimidos e reservados. A presença do francês deflagra violentos processos de mudança nas relações interpessoais, fazendo aflorar todos os componentes das paixões desenfreadas, como a audácia e o medo, a credulidade e a suspeita, o desejo e a culpa, o langor e a sensualidade - o fogo da vida, que antes era mortiço como as lanternas de Isabel, agora fulgura como as lamparinas de Micaela.
Para Jacinto e Isabel - Édipo e Electra perdidos nos desvãos continentinos, atraídos pelo visitante e ao mesmo tempo cativos da velha ordem de cultura, o francês é assustador, quase um diabo; para Micaela, fascinante, quase um deus. No auge dos conflitos, quando se mostram as profundas brenhas da alma humana, toma corpo um ritmo narrativo onde as emoções vão porejando folha a folha, até o desfecho em que se torna inevitável preservar, ainda que com alto custo e só na aparência, as virtudes da casa.

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Blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
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