segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RESENHA DO LIVRO "AS VIRTUDES DA CASA"

GANHE O LIVRO DE PRESENTE

Prezados amigos e amigas frequentadores assíduos deste blog:
Como agradecimento aos nossos milhares de leitores, a partir de hoje, a cada resenha de livro ou filme aqui publicada, vamos oferecer o livro ou o filme resenhados a um dos comentaristas – aquele (a) que melhor expressar a sua vontade de receber o presente.
A equipe de jornalistas do blog vai avaliar os comentários e indicar o vencedor, que será conhecido no dia imediatamente posterior à publicação.
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AS VIRTUDES DA CASA
Autor: Luiz Antonio de Assis Brasil
Editora: Mercado Aberto, 392p

Baltazar Antão, o estancieiro; Micaela, sua esposa; Isabel e Jacinto, os filhos e Félicien, o visitante são os personagens de As virtudes da casa, romance notável do escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil
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A narrativa mostra a vida numa estância, no século XIX. A partir da chegada de um botânico francês, a harmonia familiar se desintegra. Vão aflorando paixões desenfreadas, crimes e traições. Enquanto Baltazar Antão está ausente, ocupado com a guerra, Micaela o trai com Félicien, mesmo sabendo o quanto vai magoar a filha Isabel, também apaixonada pelo botânico francês. Jacinto, o filho, sofre duplamente, pela dor da irmã e pela felicidade proibida da mãe, por quem nutre adoração.
Romance psicológico, As virtudes da casa é um estudo da alma rio-grandense dos primórdios do século XIX. A trama recria a peça dramática do dramaturgo grego Ésquilo, o Agamêmnon, em pleno pampa rio-grandense do sul. No papel-título do original grego, está o Coronel Baltazar Antão Rodrigues de Serpa, estancieiro e comandante militar que, no início da narrativa, vai à guerra contra o uruguaio Artigas; como Cliptemnestra está Micaela, sua esposa fiel até então, cuja vida se transtorna com o surgimento do estrangeiro (Egisto), na pele do naturalista francês Félicien de Clavière. Os filhos de Baltazar Antão e Micaela são Jacinto (Orestes) e Isabel (Electra). Com os atores a postos, desenvolve-se a tragédia.
Bibliografia respeitável já garante destacado lugar no moderno romance brasileiro ao gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil. Hoje convido novos leitores para outra aventura nos domínios da ficção, com As virtudes da casa, volume de quase quatrocentas páginas, e lhes digo, com certeza: Quem escolhe este livro para ler, dificilmente o larga, e se o faz, mal pode esperar a hora de novamente embrenhar-se numa torrente de emoções.
Em As virtudes da casa, Assis Brasil narra as vicissitudes da família de Baltazar Antão, Coronel de Auxiliares e proprietário da Estância da Fonte. Vai em meio a guerra contra os castelhanos de Artigas, e o Coronel, veterano de outras correrias a serviço do rei, não consegue e nem quer ignorar o entrevero. Arregimenta seus homens e parte para a guerra – uma questão de honra e de preservação do território.
Para a família de Baltazar Antão, Micaela, sua mulher, Jacinto e Isabel, seus filhos, tanto quanto para a criadagem e os escravos, a ausência do Coronel é um transe insuportável, porque já experimentado em outras épocas. Um fato novo, porém, vem alterar essa atmosfera de saudade. Ao partir para o combate, o Coronel havia recomendado tratamento especial a um visitante ilustre - estava prevista a chegada à estância de um naturalista francês, e a ordem era recebê-lo com a principesca marca da hospitalidade sulina. A chegada do estrangeiro, jovem, atraente, culto e dono de hábitos, modos e vestir requintados instala nova ordem cultural na Estância da Fonte, pois sua figura sedutora é quase irresistível para os que vivem os costumes feudais do Continente, fechados, reprimidos e reservados. A presença do francês deflagra violentos processos de mudança nas relações interpessoais, fazendo aflorar todos os componentes das paixões desenfreadas, como a audácia e o medo, a credulidade e a suspeita, o desejo e a culpa, o langor e a sensualidade - o fogo da vida, que antes era mortiço como as lanternas de Isabel, agora fulgura como as lamparinas de Micaela.
Para Jacinto e Isabel - Édipo e Electra perdidos nos desvãos continentinos, atraídos pelo visitante e ao mesmo tempo cativos da velha ordem de cultura, o francês é assustador, quase um diabo; para Micaela, fascinante, quase um deus. No auge dos conflitos, quando se mostram as profundas brenhas da alma humana, toma corpo um ritmo narrativo onde as emoções vão porejando folha a folha, até o desfecho em que se torna inevitável preservar, ainda que com alto custo e só na aparência, as virtudes da casa.
Aspecto que merece registro é a estrutura perfeita que construiu Assis Brasil, dividindo o romance em quatro novelas, as três primeiras correspondendo à visão que tem dos fatos um dado personagem, e adotando na última um procedimento diverso para precipitar o desenlace, tão surpreendente quanto o da tragédia grega. As virtudes da casa é daqueles livros livro que não se pode deixar de ler, sob pena de faltar-se com o que há de melhor na literatura brasileira. O resultado final é uma análise primorosa do mundo dos personagens – três visões de uma história de paixão, desejo, incesto e adultério, que a cada página se enriquece, se avoluma e mergulha nas mazelas de uma família rio-grandense perdida na imensidão do pampa. O livro é belo. A narrativa, encantadora. As paisagens, inigualáveis. Eu recomendo!
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Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.
Blog da jornalista:
http://niviaandres.blogspot.com/
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