quarta-feira, 14 de julho de 2010



O meu casamento com a Eva praticamente acabou em 1977. Nessa época eu continuava na Prefeitura, morava na casa dos pais da Ilca, em um pequeno quarto nos fundos. Ela dormia num pequeno quarto e eu em outro, paralelo. Antes de dormir, dávamos um jeito de nos amar com mais intimidade, mesmo temendo o olhar vigilante de sua mãe Matilde. Para uma tristeza muito grande da Ilca, dona Matilde morreu jovem, antes de completar 50 anos, em decorrência de um enfisema pulmonar provocado por um violento e prolongado ataque de asma.

Era quase o final de 1977 e, dias depois, a Eva veio me encontrar na casa dos meus pais. Lembro-me que a levei até a padaria próxima e conversamos e, ela, lamentou a morte da mãe da Ilca. Depois, semanas passadas, uma advogada me ligou dizendo ser procuradora da Eva e me convocava para um encontro de conciliação no Fórum local. Não compareci nem em seu escritório e muito menos no Fórum e até hoje não sei o por quê. Só sei que, naquela época, só existia o desquite e eu almejava o divórcio.

Em março de 1978, a Eva me procurou em um escritório de um conhecido meu no centro de Santo André. Estava só em uma sala com ela e lembro-me de que esse foi o último beijo apaixonado que trocamos. Não demorou muito, em uma padaria próxima da casa de seus tios, nos encontramos de novo. Ela, nervosa, queria saber quais os motivos de meu não comparecimento no escritório da advogada. Não sei também o que respondi. Lembro-me apenas de sua repulsa ao me ouvir que gostaria de ver o Marcelo, nem que fosse pela última vez. Ela, simplesmente me alertou para não ir, alegando que os seus parentes estavam enraivecidos comigo.

Sua ira teve explicação anos depois. É que o seu pai, já envelhecido e doente, manifestou o desejo de fazer um testamento, deixando-lhe um imóvel em Peruíbe, no litoral sul paulista, e parte da casa onde morava os seus pais, a ser dividida entre ela e os seus irmãos. Mas ele fazia uma exigência: que a Eva se separasse oficialmente de mim, porque ele acreditava em meu interesse pela herança de sua filha. Ambição que jamais tive e sequer demonstrei. Mas, havia ainda outro motivo: ela estava sendo seduzida por um policial militar que prestava serviços de segurança em uma pequena fábrica de propriedade de seus tios. Este foi o nosso último encontro e, ao se despedir, ela me pediu para nunca escrever ou telefonar. Eu prometi e cumpri com a minha palavra.

Antes desse último encontro com a Eva, o jornalista Fausto Polesi, diretor do Diário do Grande ABC, me autorizou a elaborar duas grandes reportagens. Uma sobre a reconstituição da rebelião carcerária ocorrida na Ilha Anchieta, litoral norte paulista, em 1952, e, a outra, abordando o drama das famílias indígenas que habitavam a periferia das grandes cidades. Para o litoral fui de ônibus, acompanhado do fotógrafo João Colovatti. Chegamos e ficamos na Pensão do Maestro, uma das mais antigas hospedagens da localidade. Fica perto da praia onde o padre Anchieta escreveu na areia a sua Prece à Virgem e, também, do pequeno porto de onde partem os pescadores locais com suas barcaças. Essa pensão, na verdade, é uma casa térrea, pintada de azul e branco, com dezenas de quartos, com banheiros coletivos, cozinha e um pequeno refeitório. A entrada e a saída só por um corredor, sempre vigiado, dia e noite, as vinte e quatro horas, para que hóspedes não saíssem, principalmente de madrugada, sem pagar.

Eu já era um antigo conhecido do proprietário. Há quase dez anos frequentava a pensão e, cada vez, com uma jovem diferente – inclusive a Eva e a Ilca conheceram essa hospedagem, simples, mas confortável e sem exploração dos turistas. Logo mantivemos contato com um barqueiro que, por sinal, estivera como policial militar na ilha e sabia do levante. Atualmente, quem vivia na ilha, cuidando das ruínas do presídio, era o seu filho mais velho. Partimos na manhã seguinte e, para não deixar de ser, fomos acompanhados de duas jovens, que conhecemos na hospedagem. Elas se encontravam de passeio e como dispunham de pouco dinheiro, aceitaram o convite para conhecer a ilha, já que o barco tinha capacidade para mais de seis pessoas. O Colovatti usou mais de dois filmes tirando fotos das ruínas e de certos aspectos da ilha e eu anotei o que considerei necessário, inclusive as frases deixadas por presidiários que, anos mais tarde, confundiam-se com as de turistas . Regressamos a Ubatuba e as jovens decidiram permanecer na ilha, com a promessa de seriam resgatadas no dia seguinte.

Essa reportagem ganhou página dupla do Diário do Grande ABC, sob o título: A maior rebelião carcerária do mundo, em que escrevi utilizando estilo literário-jornalístico e narrando desde o início até o desenlace do levante, que deixou dezenas de mortos, entre policiais e fugitivos. A outra reportagem, que não chegou a ser publicada, tratava do drama dos índios que habitavam os arredores das grandes cidades. Para elaborar essa reportagem, visitei aldeias nas serras de Ubatuba e de Barra do Uma, em São Sebastião, ambas no litoral norte paulista, e em Peruíbe, no litoral sul e, ainda, em Parelheiros, às margens da represa do Guarapiranga.

A reportagem mostrava os problemas que esses índios enfrentavam, as doenças, a falta de comida e a perda dos hábitos, dos costumes e da cultura de seus ancestrais. Essa situação, aliás, foi prevista pelos sertanistas Cláudio e Orlando Villas Boas, em seu último documento, elaborado após a Universidade Federal de Mato Grosso lhes conferir o título de doutor “honoris causa”, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados em favor do índio. Para eles, a solução para o problema seria a criação de amplas reservas e parque, nos quais o índio receberia diretamente da Fundação Nacional do Índio, além de assistência médica, os utensílios, implementos e outros objetos indispensáveis.

Eles afirmavam: com tais medidas poder-se-ia evitar que o índio, abandonando sua área, continuasse a frequentar núcleos civilizados, margens de rodovias, sedes de fazendas, aglomerados de garimpeiros, à procura das utilidades que o seduzem e onde, em troca do que obtém, seja vítima de todos os vícios, de tudo enfim que poderíamos classificar de fatores de desintegração, processo que, dada as condições dos citados núcleos, começa, invariavelmente, pela dissolução da família.

Continuavam: dessa forma, atraídos pelos civilizados, os índios são, muitas vezes, persuadidos a abandonar suas aldeias para residir nas fazendas, onde sempre e automaticamente perdem sua autonomia, os estímulos e as oportunidades para suas recreações, bem como a plena disponibilidade do tempo para a obtenção dos tradicionais e fartos recursos de sua subsistência. E isto, só não aconteceu, como piorou.
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Na próxima quarta-feira, o décimo quarto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres)
Arte: Cris Fonseca.
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terça-feira, 13 de julho de 2010


OS PSICOPATAS DA TECNOLOGIA


O uso crescente de equipamentos eletrônicos – celulares,
câmeras fotográficas,
filmadoras, etc. – infelizmente, não está sendo acompanhado de manuais de boa educação


O Brasil está se transformando num segundo Japão, onde todo mundo da classe média pode comprar câmeras fotográficas e filmadoras, além dos celulares que também fotografam e filmam. Isso tem seu lado bom, nada contra. Há aspectos de glamour e curtição, alegria do consumo para quem precisa disso para se sentir feliz, democratização do acesso à tecnologia, ampla difusão e documentação dos tempos que hoje vivemos e que será de extrema utilidade e valor na pesquisa histórica do futuro. Tem, inclusive, ajudado a polícia a desvendar crimes. A crescente proliferação dessas engenhocas mistura profissionais de imagens com uma nova legião de amadores e curiosos, que se tornam fornecedores cotidianos para todo tipo de mídia, principalmente redes sociais, portais, blogs e também a TV aberta, que estimula a produção de flagrantes sensacionais.

O único e grave problema é que essa nova onda de consumo e tecnologia sofisticada, infelizmente, não vem acompanhada de um manual de ética e boa-educação. Para começar, existem os casos de pura inexperiência, sem maldade, mas que incomodam muito. Exemplo explícito foi o comportamento da fotógrafa oficial contratada por um evento de dança, recentemente. Postava-se de forma totalmente inadequada na frente do palco durante as apresentações. E o pior: ali mesmo, atrapalhando a visão do público e o trabalho dos demais profissionais de imagens, subia em cadeiras, pasmem, para fazer suas fotos. Mais inexperientes ainda do que a moça, os organizadores permitiram esse absurdo.

As pessoas precisam aprender que um palco, durante um evento, transforma-se num local sagrado. E que o público pagante, ou não pagante, merece o máximo respeito. É inaceitável que fotógrafos e cinegrafistas, incluindo os oficiais de qualquer evento, se achem no direito de ficar circulando e, com isso, prejudicando o espetáculo e a visão das pessoas. Jorna
listas de carreira e experientes na área de artes e espetáculos, jamais fazem isso. Eles se fixam num determinado local e dali fazem seu trabalho, sem importunar ninguém. Cinegrafistas também inexperientes, ou arrogantes mesmo, ficam circulando como se estivessem num estúdio de TV. Sem perceber, além de atrapalhar e irritar o público, eles acabam prejudicando a concentração dos próprios artistas. Além de irritar e atrapalhar também seus colegas, os fotógrafos, aqueles que buscaram um posto fixo. Muitas vezes perde-se um bom momento para uma foto porque o dito-cujo está lá na frente, com sua câmera ao ombro, como se fosse parte do elenco. Alguns, com a petulância de achar que um equipamento profissional e um crachá lhes dá direito a tudo, e erradamente autorizados pelos organizadores, cometem verdadeiros abusos. Já vi cinegrafista invadir o espaço da coreografia, se enfiando entre os dançarinos. Pena que alguém não lhe deu um belo chute no traseiro. O público teria adorado. Se é para avacalhar, por que não?

Todos os dias surgem novos sites/blogs de dança na Internet, aumentando o número de documentaristas. Nada contra, muito pelo contrário: o jornal Dance também é disponível on line, sempre deu apoio e colaboração a tudo que divulgue a dança, contando com vários e ótimos parceiros nesse campo de atividade. Só, por favor, não copiem o título deste jornal, que chegou muito antes, há 16 anos, quando sequer existia Internet. Sejamos todos originais e criativos!

O problema é que essa verdadeira proliferação de máquinas fotográficas e filmadoras, de profissionais, semi-profissionais e amadores, passou a invadir todos os recintos e a maioria das pessoas não se educou para isso. Erguem suas filmadoras no meio da platéia, na maior cara de pau, e estão se lixando para quem sentou atrás. É mais uma demonstração da falta de educação que assola nosso país. Fruto, convém salientar, do individualismo exacerbado, que leva as pessoas a só enxergar sua própria face no espelho. Elas se acham no direito a tudo, os demais que se danem. Experimente reclamar desses grosseiros. Eles se enchem de razão e não raro partem até para a ignorância, como se o errado fosse aquele que pede educação. Nos workshops de dança é muito comum o professor pedir que não filmem durante a aula. No final, na maioria dos casos, eles dançam para essa finalidade. Pois bem, sempre tem um surdo que puxa a máquina da bolsa e manda ver. Ai o professor fica irritado, se desconcentra, tem que repreender o mal-educado, em prejuízo de todo o grupo, porque isso quebra a dinâmica da aula.

Quem já não viu alguém, no escuro do cinema, ligando aquela luz irritante do celular para conferir seus recados? Será que o infeliz não pode passar uma hora longe dessa tralha? Que diabo de doença neurótica e que carência é essa, que está gerando o que chamo de psicopatas da tecnologia? O que me espanta é que ninguém reclama. Imagine: você pagou um ingresso, em determinado espetáculo, é caro, e o engraçadinho da frente impede sua visão porque deseja filmar. Muitos desafiam o regulamento do próprio teatro. Antes do espetáculo é avisado pelo som que é proibido fotografar e filmar, exceto para pessoas devidamente autorizadas. Mal escurece a platéia e um mar de luzinhas se esparrama por todos os lados. Esses teatros, na minha opinião, são desmoralizados. Isso é caso de ação da segurança da casa. Mas eles nada fazem, com medo de perder a grana dos ingressos. Não querem encrenca, temendo desagradar sua clientela de baixo padrão cultural e educação zero.

Um dos prazeres de fazer este jornal é saber que ele é parte ativa e influente de uma comunidade saudável e espetacular, aglutinada na dança de salão. Espetacular, contudo, não significa perfeita. Ainda temos problemas muito sérios, que precisamos reconhecer e combater, em questões básicas de educação e comportamento em ambientes coletivos. Há pessoas em nosso meio, infelizmente, que sequer sabem usar um banheiro. Não acionam descarga, deixam papel no chão, não lavam as mãos e depois vão dançar, entre outras atitudes feias. Não são poucas, e estão presentes em todos os segmentos, como o tango, salsa, zouk, samba, forró, etc. Algumas, de suposto nível social elevado e acima de qualquer suspeita, são as mais porcas. Não bastasse isso, agora começa a crescer essa legião despreparada, em termos de educação, para o uso da tecnologia. Aí você vai somando tudo e percebe que a situação é desanimadora. Há os que se salvam, ainda bem, espero que você esteja entre eles. Estes fazem a diferença, e que diferença!

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*Milton Saldanha é jornalista, escritor e tangueiro. Editor do Jornal Dance, especializado na divulgação da dança de salão. Acesse http://www.jornaldance.com.br/
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

A HISTÓRIA MACABRA DE BRUNO - TRISTE FIM DE CARREIRA DE UM GRANDE GOLEIRO

DOMINGO, 11 DE JULHO DE 2010
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JUVENTUDE, PODER E GLÓRIA
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Ficar rico e famoso do dia para noite, nem sempre é um fator positivo na vida da maioria das pessoas. O caso do goleiro Bruno, do Flamengo, acusado de ter assassinado e ocultado o corpo de uma de suas namoradas, é bem emblemático dessa nova geração de jogadores que fazem fortuna jovem demais e depois não conseguem administrar o apelo que a fama e o dinheiro trazem juntos. Sem família, sem teto, Bruno conquistou seu espaço e pensou ser grande e intocável. Diante da insistência de uma doidivana, lançou-se no abismo ao tentar resolver um problema da forma mais cruel possível. Acusado de mandar matar a ex-amante, Eliza Samudio, encerra precocemente sua carreira no futebol que tinha tudo para ser brilhante. Expressa o mundo de violência em que viveu na infância, com o abandono da família.

Nem mesmo o mestre dos filmes de terror de Hollywood, John Carpenter, poderia conceber um roteiro como o vivido pelo goleiro Bruno. A cada minuto, novas informações tornam a história ainda mais macabra: a mulher foi estrangulada, esquartejada e seus restos entregues ao apetite de rottweillers. E o goleiro foi comemorar, em volta de sua piscina, tomando cerveja. Um microfone aberto captou, numa delegacia de polícia, o único lamento do jogador, certamente um descerebrado: “Acho que estou fora da Copa de 2014”…
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Bruno é um típico “joão ninguém" que, jogando futebol, conseguiu um lugar ao sol. Nelson Rodrigues, em sua crônica “Freud no Futebol”, diz que “de fato, o futebol brasileiro tem tudo, menos o seu psicanalista. Cuida-se da integridade das canelas, mas ninguém se lembra de preservar a saúde interior, o delicadíssimo equilíbrio emocional do jogador”.
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É triste a origem da jovem, Eliza Silva Samudio, nascida em Foz do Iguaçu. Seu pai está condenado a mais de oito anos de prisão por crime de estupro praticado contra outra filha, então com 10 anos de idade. Desse ambiente horrível ela partiu para uma vida de aventuras junto ao mundo futebolístico, onde a rotina de orgias sexuais era predominante. Nesse convívio de baixo padrão, com bebidas e possivelmente drogas, Eliza ultrapassou todos os limites. Inconsequente, engravidou de um homem casado que não tinha por ela o menor apreço. Responsabilidade, sensatez e respeito ao próximo são virtudes que faltaram a esses jovens marcados pelo destino. Quando olhamos para o passado e vemos craques como Nilton Santos, Garrincha e Didi, que tiveram suas carreiras cobertas de glória, mas limpas de escândalos e parcas de dinheiro, podemos aquilatar quanto o futebol evoluiu materialmente, o que infelizmente não foi verificado na vida particular dos atletas.
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Não é só Bruno que frequenta as manchetes policiais. Adriano foi notícia por ter amarrado a namorada numa árvore num baile funk, pelos constantes atritos com sua companheira e ainda suspeito de ligação com bando que derrubou um helicóptero da polícia, no Rio. Vagner Love deixou-se fotografar com a fina flor do tráfico no Rio, ligações ao menos perigosas para quem tem uma vida pública. Ronaldo, o ex-fenômeno, envolveu-se num “imbróglio” com um grupo de travestis que terminou com a declaração deslavada do craque que afirmou ter confundido os transexuais com mulheres. Esse caso envolvendo o goleiro Bruno é didático para mostrar o quão omisso são os dirigentes dos clubes de futebol com os seus atletas. Os times não os educam e nem os preparam para enfrentar uma nova posição social - da pobreza à fortuna. Instruir é um papel elementar, mas as agremiações falham nesse campo. De nada adianta tirá-los das favelas, mas não elevá-los ao patamar de cidadãos.
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O jogador de futebol, em sua maioria, não é preparado para lidar com derrotas, lesões, pressões da torcida, cobranças da comissão técnica, transferências para outros países que implicam em distância da família e adaptação aos costumes estrangeiros, bem como ao clima e ao novo idioma. Não está nem pronto para a fama que traz consigo “amigos da onça”, empresários gananciosos e as “Marias- chuteira” da vida. Também é presa fácil das armadilhas da imprensa que, em um momento, estende o tapete vermelho para indivíduos despreparados, transformando-os em heróis e, logo em seguida, puxa-o, levando-os ao chão.
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Com as atrocidades do caso do goleiro Bruno e seus comparsas a causar perplexidade em toda uma nação, que aprendeu a atribuir a talentosos jogadores uma aura de semideuses, é cada vez mais chocante a banalidade em relação às mortes de mulheres no Brasil. Estatísticas nacionais dão conta de que, por dia, nada menos que dez são executadas e engrossam uma triste estatística no país onde a Lei Maria da Penha ainda não vem sendo levada exatamente a sério por uma sociedade machista e marcada por uma cultura de impunidade.
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Há algo de errado no mundo, porque existe algo de errado em nós. A sociedade apenas é o reflexo de nossos melhores sonhos e piores pesadelos. Estamos deixando de investir nos seres humanos e em suas emoções e complexidade. Se não mudarmos, cada vez mais o mundo transformar-se-á em um lugar insuportável de se viver. A transformação começa dentro de casa. Vamos criar seres humanos mais carinhosos e solidários, que saibam distinguir o certo do errado, que suportem frustrações, que aceitem regras e limites, que respeitem as diferenças, que não confundam posicionamento com agressividade, que deem mais valor às pessoas do que ao dinheiro e ao “status”. Só assim teremos alguma chance de uma vida melhor.
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Dinheiro, juventude, poder e glória formam uma poderosa combinação, potencialmente perigosa aqui no Brasil, pois envolve meninos vindos da pobreza, carentes de tudo, inclusive de uma formação. Ao se verem idolatrados e paparicados pela mídia, pela sociedade e pelas meninas de bem, perdem a cabeça e acabam como Bruno, pintados um tanto fortemente como um monstro na capa da maior revista semanal do país. Decididamente um gol contra, seja ele inocente ou culpado.
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*EDWARD DE SOUZA É JORNALISTA E RADIALISTA
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ESPANHA VENCE A HOLANDA NA PRORROGAÇÃO E GANHA O SEU PRIMEIRO TÍTULO MUNDIAL.
FINAL DA COPA DO MUNDO NA ÁFRICA DO SUL: ESPANHA 1 X HOLANDA 0.
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sábado, 10 de julho de 2010

SEXTA-FEIRA, 09 DE JULHO DE 2010
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EPÍSTOLAS PAULIANAS
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TROCANDO EM MIÚDOS COM

WANDERLEY DOS SANTOS


Diadema, minha amada cidade, 9 de julho de 2010.

Caríssimo amigo Wanderley dos Santos!

Mais uma vez suponho chegar à sua presença, porque no dia em curso acordei com a sensação que sonhei com você, contudo não consigo lembrar o teor deste certamente auspicioso sonho!

A seguir, fiquei melancólico e com o desejo intenso de revê-lo, radiante e garboso!!! Como jamais meu desejo tornar-se-á um fato, porque seus despojos mortais jazem no Sepulcrário da cidade de Tapiratiba-SP, terra de alguns dos seus ascendentes, resolvi atenuar a dolorida saudade, escrevendo esta epístola, para tornar factível minha fantasia, mantendo um colóquio palpitante com tão diletíssimo amigo!!!

É evidente que nesta alegoria você está vigoroso eternamente, na Ala Olimpiana, reservada aos historiadores e pesquisadores pertinazes e, certamente, dará aquele sorriso discreto e inconfundível, ao ler o que este seu desolado e fiel amigo lhe escreveu...

Será que, finalmente, você descobriu o local exato da Vila de Santo André da Borda do Campo, que aquele súdito do reino distante além-mar, o malcheiroso e promíscuo João Ramalho fundou no distante dia 8 de abril de1553?!...

Você acredita que aqui já estamos no ano de 2010?!... Por Dionísio, já transcorreram 14 anos, desde aquele fatídico dia da sua partida...
Pois é, dileto amigo, estamos nos estertores de mais uma Copa do Mundo de Futebol, a primeira realizada em terras africanas, no solo do honorável Nelson Mandela, em que a Seleção Brasileira, mesmo com a torcida de mais de 190 milhões de patrícios, apeou precocemente da disputa, já que o ex-técnico Dunga (alijado do cargo assim que tocou o solo tupiniquim) e seus comandados não foram capazes de suportar a dureza da peleja!!! Embora pareça inverossímil, o título será disputado entre duas seleções europeias – Espanha e Holanda, habilitadas, ambas, a levantarem o troféu, por méritos sobrantes, segundo dizem os especialistas!

Sabe, Wanderley, apesar de me considerar um alienígena, nestas ocasiões, porque não entendo absolutamente nada de futebol, nunca me esqueço da Copa do Mundo de 1970 porque, como você sabe, nossa amada Pátria, que ainda tem palmeiras e sabiás, recebeu o título de tricampeã mundial de futebol!!! Enquanto quase todos vibravam intensamente de júbilo pela conquista do disputadíssimo título, o Regime Ditatorial estava mais vigoroso do que nunca, por conta do Ato Institucional nº 5, imposto dois anos antes...

Nosso modo de vida, neste período, onde a censura imperava, altiva e insolente, não sofreu sequelas irreversíveis porque nos mantivemos neutros, tendo em vista que a nossa maior ousadia, quando nos tornamos eleitores, foi votar no então MDB, lembra?!...(Ché, será que você também votou no Orestes Quércia [sic]?!...)

Lembra daqueles adesivos nas máquinas rodantes “BRASIL, AME-O OU DEIXE-O”? Você não vai acreditar o que contar-lhe-ei a seguir...

Sabe quem é candidata a Timoneira Mor, do Poder Executivo, no Âmbito Federal?!... Quer saber. mesmo?!... Então, vou lhe contar: É uma daquelas subversivas e terroristas, que tinham ficha no DEOPS [sic]... Credo, Wanderley, tenho certeza que você ficou lívido ao saber deste infausto acontecimento... Acho melhor mudarmos de assunto para não ficarmos exasperados...

Você acredita que ainda está entre nós aquele prefeito paulistano biônico do qual não ouso pronunciar o nome, isto mesmo, aquele que doou máquinas rodantes, com pecúnia do erário público para os jogadores tricampeões da Copa do Mundo de 1970?!...

Depois desta época a riqueza dele aumentou mais ainda, por conta também de desvio de dinheiro público... Infelizmente, até hoje, ele se livrou das imparciais mãos da deusa da Justiça e da Sabedoria porque tem a assessoria de causídicos ardilosos que protelam indefinidamente a decisão final da aludida deusa com subterfúgios legais que você deve imaginar... Vamos deixar de lado este pernicioso assecla de Pinóquio, porque se não aqui, lá nas profundezas ele vai encontrar-se com o seu justiceiro...

Se não me engano, você trabalhava no Arquivo da Cúria Metropolitana que, naquele tempo da Copa do Mundo, ficava ali, na Praça da Sé, mas quando o conheci, em meados da década de 80, o Arquivo da Cúria Metropolitana estava instalado na Avenida Nazareth, no histórico bairro do Ipiranga.

Devo ao meu tataravô paterno, o cavaleiro que ainda continua misterioso, o início da nossa amizade, porque o deixei atarantado e empoeirado, em busca de indícios do nome dele, nos livros seculares da Cúria, lembra?!... Ainda não desisti da busca... Ele me paga a hora em que eu chegar aí porque, além de desafiá-lo para um duelo, dir-lhe-ei uma série de impropérios impublicáveis!!!!!...

Para encerrar esta breve epístola, avivarei a sua memória com o Hino da Copa do Mundo de 1970 que, a seguir, transcrevo:

Pra Frente, Brasil!
Composição: Miguel Gustavo

Noventa milhões em ação
Pra frente, Brasil
Do meu coração
Todos juntos, vamos
Pra frente, Brasil
Salve a Seleção!
De repente, é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração!
Todos juntos, vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção!

Enquanto isto nos porões da ditadura...

Bem, meu diletíssimo amigo Wanderley dos Santos, após estas breves linhas, a dor da saudade ficou tolerável...

Encerro esta missiva como você costumava terminar aquelas que me enviava (tenho-as muito bem guardadas!!!!!...): “Vou ficando por aqui, enviando-lhe forte abraço”.

Agora, à minha moda: Calorosíssimo e afetuosíssimo abraço!!!

Saudações saudosas e memoralistas!

Até breve...

João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

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*João Paulo de Oliveira, 57, pertence a uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo. Andreense de nascimento, é professor e leciona na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, na Região do ABC Paulista. Ocupa também o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na Prefeitura de São Paulo. Além de Pedagogo é Mestre em Educação. Especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Nas horas de lazer, em sua bela mansão no litoral, busca refúgio nas belas praias do Guarujá. Amigo e colaborador do blog, João Paulo escreve, mais uma vez, uma crônica inédita neste espaço. Visite seu blog, Celulóide Secreto, Outro Viés em http://joaopauloinquiridor.blogspot.com Contatos com o articulista pelo e-mail joaopauloinquiridor@ig.com.br
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DISPUTA PELO TERCEIRO LUGAR NA COPA DO MUNDO DA ÁFRICA DO SUL: URUGUAI 2 X ALEMANHA 3. ALEMANHA TERCEIRA COLOCADA.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010


O Centro de Tratamento e Pesquisa A. C. Camargo, mais conhecido como o Hospital do Câncer de São Paulo, é um dos maiores e mais modernos complexos hospitalares da América especializados no tratamento dessa doença. Por seus corredores já passaram e passam centenas de milhares de pessoas à procura de solução para os seus problemas, seja por meio de cirurgia ou pelo tratamento quimioterápico ou radioterápico. Nas horas em que não há médicos nem enfermeiros visitando os pacientes na cama, costumo andar pelos corredores, carregando um saco plástico com os medicamentos e duas máquinas – uma para filtrar a dieta e outra a quimioterapia -, para melhorar o fluxo sanguíneo.

Numa dessas caminhadas, foi que avistei – seria ele mesmo? – o maestro Flavio Florence, 50 anos – oito a menos que eu – e que há vinte anos rege a Orquestra Sinfônica de Santo André. Fui ao seu encontro e nos cumprimentamos. Ele demonstrava tranquilidade e a resignação necessárias para tratar um câncer de cólon, diagnosticado em novembro de 2006. Espera, apenas, que os médicos da Clínica Oncológica definam em que estágio se encontra a doença. Vem preparando-se, também, psicologicamente. Uma de suas leituras é o Câncer como Ponto de Mutação, do psicoterapeuta Lawrence LeShan. Possui dois livros de cabeceira: Grandes Esperanças, de Charles Dickens e As pequenas Memórias, de José Saramago.
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Ao contrário de muitos acometidos pelo mal, o maestro tomou a iniciativa de comunicar à Imprensa de que, neste ano de 2007, devido ao tratamento, irá diminuir o número de suas regências. Florence não se oculta sob o manto da fortaleza masculina e reconhece: “Foi devastador saber da doença. Cresci imaginando o câncer como uma sentença de morte sofrida. Esse pensamento vem com frequência, principalmente na quimioterapia. Não tenho perfil desse câncer, que afeta pessoas com mais de 50 anos. Levo vida saudável, corro, me alimento bem. Não consigo ver porque esse raio caiu na minha cabeça”.

Admite que o seu estado físico seja bom e não o faz sentir com câncer. Mas é inevitável – reconhece – não pensar na morte, no trabalho, na orquestra, nas partituras que deixara. Florence reconhece que a doença transformou a sua vida. Acredita que está mudando, começando tudo a partir do zero, dando atenção ao que não via antes. Sente que pertence ao grupo de sobrevivente, não ao dos condenados, e que a sua obra será a chance de sua sobrevida.

Essa passagem, quando conto, a pessoa pensa ser uma anedota. Ocorreu quando eu estava na sala de espera do Centro de Quimioterapia. Ao meu lado, um senhor, com pouco mais de cinquenta anos de idade. Um pouco aborrecido, comentei com ele sobre o meu receio de perder a voz. E ele, de pronto, sério, me disse: E eu, que perdi o pinto. De princípio, nem acreditei. Considerava que o câncer não atingia o órgão sexual masculino. Mas era verdade. Reconheceu que os médicos se esforçaram ao máximo para evitar a castração, mas foi impossível e, para que a situação não se agravasse, foram obrigados a adotar essa atitude drástica e irreversível.
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Estou me lembrando desse fato em razão de uma reportagem publicada na revista Foco, do Hospital do Câncer, abordando a incidência do câncer no pênis. A capa chama a atenção. Abaixo do título Assumindo o controle, vêm três linhas: Estudo com marcadores moleculares mostra que é possível evitar três em cada quatro cirurgias reparadoras do câncer de pênis, doença que atinge quatro mil brasileiros a cada ano. Foi, então, que me interessei mais atentamente por esse tipo de doença no órgão sexual. Até esse dia, sabia apenas que as células cancerígenas se alojavam em várias partes do corpo, mas sequer imaginei sua estada no pênis. Nas páginas internas, o texto de abertura faz o alerta: fartamente citado em tratados do pai da psicologia Sigismund Freud e acostumado a ser o centro de atenções quando o assunto é a superioridade masculina, o pênis anda meio esquecido no meio oncológico. Ou melhor, andava meio esquecido, pois uma série de pesquisas realizadas por especialistas do Hospital do Câncer A C. Camargo está colocando o órgão na pauta do dia de algumas das mais importantes publicações científicas internacionais, como o Urology Lancet Oncology e Nature Oncology.

O mérito é notável, sobretudo porque o câncer de pênis, tema dessas pesquisas, não passa nem pela cabeça dos cientistas das grandes potências da América do Norte e Europa, já que muitas vezes sequer é estudada nas escolas de Medicina. Pois aqui no Brasil não é bem assim. A reportagem revela que esse interesse surgiu depois dos estudos desenvolvidos pelo oncologista Gustavo Guimarães, após análise retrospectiva de 1953 a 2000, sobre um grupo de 125 pacientes do departamento de cirurgia pélvica do Hospital do Câncer. Esses estudos foram publicados pela revista Urology, em abril e julho de 2006 e, depois, republicados nos editoriais da Nature e da Lancet, duas das principais revistas médicas internacionais.

Relata: os estudos indicam que mais de 50% dos pacientes portadores de câncer de pênis com metástase morrem da doença em menos de dois anos. As pesquisas avaliaram fatores clínicos, anatomopatológicos e moleculares, para identificar marcadores genéticos que indicam grupos de risco para metástase linfonodal. A partir da identificação, será possível apontar a necessidade de uma segunda cirurgia para extração dos gânglios. Em outro trecho, numa entrevista com o oncologista Gustavo Guimarães, a reportagem esclarece: a doença é caracterizada pela presença de uma ferida expressiva, pouco dolorosa e com cicatrização lenta, na pele da cabeça do pênis (glande). O diagnóstico é realizado por meio de exame médico clínico e, para que não restem dúvidas, o médico pede confirmação por meio da biópsia – que consiste na análise do patologista, em laboratório, de uma amostra do tecido atingido.

Diz, ao final: os tratamentos não costumam afetar definitivamente a fertilidade, mas, nos casos de amputação, afetam diretamente a vida sexual do paciente. O grande desafio proposto pelos especialistas é avaliar o prognóstico do paciente e a presença de marcadores moleculares que indiquem a real necessidade de exposição a outros riscos cirúrgicos que, além de tudo, potencializam o trauma e complicam na sua recuperação.

Janeiro de 1977. Regresso há quatro meses de Manaus, encontrava-me bastante confuso em Santo André, ou melhor, sem saber com quem morar. Por enquanto, ficava na casa de meus pais, enquanto a Eva na casa de seus avós paternos e a Ilca com os seus pais, mas já trabalhando como secretária em uma empresa de São Bernardo. Quando fui para Manaus ser correspondente do Jornal do Brasil, deixei a Eva morando em uma casa que havia começado a pagar – ia ter uma casa própria pela primeira vez - e ela, quando foi morar comigo, abandonou a casa e doou os móveis e eletrodomésticos para seus parentes, uma vez que havia mobiliado a residência na capital amazonense.

E, em outubro de 1976, quando deixei Manaus, também abandonei a casa, com aluguel atrasado, e deixei os imóveis e eletrodomésticos, inclusive o aparelho de telex do jornal – o que causou a ira do repórter que me substituiu e chegou a dizer que eu “deixara penhorado até o telex” – soube anos depois, num retorno a Manaus.

Ao receber o pouco do fundo de garantia por tempo de serviço, a Eva me convenceu a morar com ela em um pequeno quarto, anexo à casa de uma de suas tias. Comprei colchão e alguns apetrechos necessários e aceitei, sem quase alternativa. Mesmo assim, continuava encontrando-me diariamente com a Ilca, esperando-a na saída do trabalho. Só que estava difícil arrumar emprego. E eu bebia cada vez mais, desanimado, sem esperança... Ficava a maior parte do tempo em um bar, defronte à casa de meus pais, jogando sinuca e tomando cachaça com limão – despesas com a qual eu pedia para marcar.

Até que, final deste ano de 1977, arrumei emprego como redator do Notícias Populares, jornal que mantinha a mesma turma na redação da época da criação do bebê-diabo, o Ebrahim Ramadan, como diretor, e o Lázaro Campos como editor de polícia. Só Edward de Souza havia saído do jornal, estava no Sistema Globo de Rádio. Lázaro Campos morreu anos depois, sem dinheiro e esquecido, derrubado pelo álcool. Por desacerto com o pessoal, acabei sendo demitido antes de um ano e voltei a ficar desempregado. Meses apenas. O então prefeito de Santo André, Lincoln dos Santos Grillo, me arrumou um emprego como assessor da Prefeitura e comecei a ganhar algum dinheiro – o suficiente para tomar cachaça, comprar cigarros e arcar com algumas pequenas despesas.

Acumulei esse cargo de assessor, como correspondente da sucursal do jornal O Globo em São Paulo e, então, passei a ganhar um bom salário, também apenas por pouco tempo. A cachaça me impedia de manter um bom trabalho em jornal e só permanecia na Prefeitura porque, em serviço público, você é um ilustre desconhecido. Ainda nesse período, aproveitei e reuni em livro as entrevistas com os irmãos Cláudio e Orlando Villas Boas, as memórias gravadas com Orlando no Posto Leonardo Villas Boas e a série vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo, nacional, de 1973. A primeira edição, lançada em Ubatuba, Litoral Norte paulista, fez relativo sucesso...
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Na próxima quarta-feira, o décimo terceiro capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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SEMIFINAIS DA COPA DO MUNDO 2010 NA ÁFRICA DO SUL. QUARTA-FEIRA (07-07) ESPANHA 1 X ALEMANHA 0 (A ESPANHA É FINALISTA). JOGA DOMINGO CONTRA A HOLANDA, 15H30 DE BRASÍLIA. SÁBADO, ALEMANHA E URUGUAI DISPUTAM O TERCEIRO LUGAR, TAMBÉM ÀS 15H30 DE BRASÍLIA.
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