segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

SÁBADO, 11 DE DEZEMBRO DE 2010

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Com o objetivo é reduzir o risco de falsificação, nos casos em que cédulas de menor valor são "lavadas" em processos químicos e reimpressas com valor maior, a nova família das cédulas do real será lançada nesta segunda-feira, dia 13. Inicialmente, apenas as notas de R$ 50 e R$ 100 chegarão aos bancos. Para os demais valores, a previsão do BC é lançar as novas cédulas de R$ 10 e R$ 20 em 2011. Em 2012, será a vez das notas de R$ 2 e R$ 5.

A principal novidade da nova família de cédulas do real são os tamanhos diferentes, que variarão conforme o valor de face da nota. Mesmo com a entrada em vigor das cédulas novas, as atuais continuam em circulação e serão gradativamente retiradas do mercado, conforme o desgaste natural. A cerimônia de lançamento será na sede do Banco Central (BC), em Brasília. Além do tradicional caviar deve rolar champagne, ocasionalmente aportuguesado para champanha ou champanhe, especialmente da França, para esse evento de suma importância, acompanhado de bons vinhos e uísque escocês. Charutos cubanos ficam para o final da farra, ou melhor, festa.
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As novas cédulas do Real terão em uma das faces a efígie da República e um exemplar da fauna brasileira no verso. Os animais impressos nas cédulas continuaram os mesmos (Tartaruga de pente na de R$2,00, a garça na nota de R$5,00, a arara na de R$10,00, o mico leão-dourado na de R$20,00, a onça na nota de R$50,00 e a garoupa na nota de R$100,00). Essas espécies estão em risco de extinção. Todo o trabalho de mudança das cédulas terá um custo calculado em 1,15 bilhões de reais, convenhamos, uma nota preta saindo do bolso do povo.

Alguns amigos juram de pés juntos que o Ministro Guido Mantega, que assina as novas notas, vai ajudar muito os fabricantes de carteiras, em baixa nos últimos tempos. Isso porque, como cada nota terá um tamanho, serão necessários vários compartimentos numa carteira para abrigá-las. Como Franca é a Terra do couro, cidade que fabrica os melhores calçados do Brasil e tem a Francal, Feira do Calçado que é sucesso no Anhembi, em São Paulo, já entrei em sociedade com um amigo e, em breve, estaremos fabricando as melhores carteiras do Brasil. Claro, com divisões para cada tamanho de uma destas novas cédulas, começando pela de dois reais, a menor de todas elas.

A princípio, lançaremos carteiras em legítimo couro alemão e pelica, mas a intenção será pedir permissão ao Ibama e fabricá-las também em couro de jacaré. Carteiras de lonas ou plásticos com logotipos de clubes para camelôs venderem a 5 reais nas esquinas, nem pensar, recuso-me a fabricar tranqueiras, até porque, certos torcedores de um time de futebol costumam ter o dinheiro só para comprar a dita cuja e nenhum para recheá-la. Gostam de exibi-la, principalmente em botecos da periferia quando tomam uma cachaça.

Na verdade, vou confessar, meu sonho seria fabricar carteiras com couro de político, grosso, encardido e resistente, mas a espécie é arisca, apesar de ser facilmente encontrada em qualquer canto deste país, principalmente em Brasília, onde surgem ideias como estas, de jogar mais de um bilhão de reais pela janela para trocar cédulas e perpetuar o nome de um ministro na história.
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Estivesse Walt Disney vivo, com toda a certeza levaria o professor Pardal para Brasília, onde sua mente privilegiada ficaria a disposição dos nossos criativos políticos, sempre inventando novidades, principalmente para esvaziar os cofres públicos. Para quem não sabe ainda, a desculpa para o lançamento destas novas cédulas é que as antigas são de pouca durabilidade. Como exemplo, afirmam que a vida útil de uma nota de 2 reais é de somente 1 ano.
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Os gênios de plantão garantem que o novo tipo de impressão, cédulas envernizadas, fará com que as notas tenham uma vida útil até 30% mais longas. E porque não pensaram nisto antes? Não seria preciso jogar agora mais de um bilhão de reais pela janela. Esse é o nosso Brasil e quem tem juízo cala-se e aplaude, do contrário é chamado de “zelite” pelo nosso presidente, que já colocou seus “Armanis” nas malas e prepara-se para uma longa temporada na agricultura, cultivando cana.
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

QUINTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2010


Nunca, em tempo algum, o sistema de saúde brasileiro esteve tão debilitado como agora. Os recentes casos, mostrados ao mundo via Imprensa, chocam, revoltam e desacreditam as instituições e as pessoas ligadas ao setor. É verdade que a ciência médica tem evoluído nos últimos anos. Também não é falso que novas doenças surgem e a medicina engatinha no encontro de tratamentos que possam curar ou radicar de vez males modernos, mas não se pode negar que erros clínicos vêm aumentando cada vez mais, causando uma grande preocupação em toda a sociedade.

O caso mais recente da incúria médica e que abala a opinião, menos ou mais esclarecida, é o da menina Stephanie dos Santos Teixeira (foto), (12 anos), aqui de São Paulo, vítima fatal da inabilidade de uma atendente de enfermagem, que inadvertidamente, trocou um frasco de soro por outro de vaselina líquida. A desatenção ou inabilidade da funcionária foi fatal para a garota, sua família e, não fosse este país, o Brasil, poderia ser irreversível aos causadores do trágico engano. A menina Stephanie iria completar 13 anos em janeiro e tinha duas irmãs.
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Stephanie chegou ao hospital apresentando vômito e diarréia. Na ala de pediatria infantil, a paciente foi medicada na veia com 50 ml de vaselina, que após oito horas de aplicação causou sua morte. A menina começou a passar mal na terceira bolsa da substância aplicada. Especialistas em toxicologia dizem que a vaselina líquida não se mistura no sangue. No corpo humano, causa obstrução ou entupimento de várias veias e artérias. Levando-se em conta que a negligência ocorreu no hospital São Luiz Gonzaga (foto), no Jaçanã, zona norte, tradicional estabelecimento de saúde, terceirizado para a Santa Casa de São Paulo, a maior cidade brasileira e uma das mais pujantes do planeta, a repercussão foi imediata. O caso mobilizou vários setores nacionais, especialmente a mídia festiva, ávida em assuntos dessa natureza. A área de Saúde Pública da Promotoria de Direitos Humanos da capital instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de mau atendimento e de falta de funcionários.

O caso da menina também não é o único a ser questionado. Desde 2003, pelo menos 10 famílias acusaram o hospital de erros médicos às autoridades policiais. Todos sem morte. O despreparo que atinge grande parte do pessoal que trabalha ou presta serviços em hospitais, públicos ou privados, salta aos olhos e, invariavelmente, provoca mortes e desestruturação de famílias. Nesta quarta-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad (foto), admitiu que as instituições que preparam enfermeiras e atendentes hospitalares necessitam urgente de reciclagem.

Decisão tardia para muitos pacientes, que sucumbiram diante da inabilidade de quem deveria estar preparado para cuidar e salvar vidas. Já o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, arranca os cabelos tentando encontrar solução mais eficiente no atendimento e tratamento ao paciente. Os problemas são muitos, deste o atendimento adequado, o tempo de marcação de consultas, as instalações hospitalares e, principalmente, a competência e sensibilidade humana. Por ter em suas mãos o futuro do paciente, boa parte da classe médica desdenha sua função por entender ser superior ao cidadão que está na maca ou mesa de operação.

Faz dois anos que sou visita frequente de hospitais, UBS, Pronto Socorro, clínicas e centros de saúde, públicos e particulares, alguns de referência nacional. Não foi necessário muito esforço para detectar a ineficiência das instituições médicas brasileiras. Tenho observado, in loco, as instalações hospitalares menos dignas do que pocilgas, médicos (as) absortos enquanto atendem pacientes, enfermeiros (as) em bate papo de “candinhas de cortiço” enquanto aplicam curativos, atendentes que encaram o doente como se este fosse o monstro do lago Ness, além de truculentos seguranças, que se julgam "otoridades" hospitalares. Isso, em casas de saúde aqui no ABC, composto por cidades tidas como pujantes, ricas e atualizadas. Imaginemos, pois, o que acontece em regiões mais afastadas e menos aquinhoadas de progresso.

O caso de Stephanie dos Santos, ocorrido na capital paulista, de imediato chamou a atenção da Imprensa e, por consequência, do Brasil. Ministros, governadores, deputados, prefeitos e vereadores deitam falação via Embratel, exigindo providências imediatas, sem atinar, por dolo ou conveniência, que a solução está dormitando em suas mãos e cabeças. Um despropósito com a chancela tupiniquim. Stephanie foi apenas mais uma vítima da incúria nacional em relação à saúde. Certamente nos fundões do Estado de São Paulo, nos rincões das fronteiras brasileiras e nas caatingas do sertão, acima e abaixo da linha do equador, muitas tantas “Stephanies” estão sepultas em virtude da banalização do sistema de saúde e da insensibilidade de grande parte de uma classe, cuja função, após juramento solene, é salvar vidas humanas. Nesta sublime missão, data vênia, a Providência Divina caminha sozinha.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista e radialista, radicado no Grande ABC.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O RESUMO COM O ÚLTIMO CAPÍTULO DA SÉRIE HISTÓRIAS DE ADHEMAR, ESCRITO PELO JORNALISTA CARLOS LARANJEIRA, SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA.
PROBLEMAS IMPEDIRAM SUA POSTAGEM HOJE.
PEDIMOS DESCULPAS.
EDWARD DE SOUZA


Foi uma festa midiática a tomada do Complexo do Alemão que rendeu espaço do Al-Jazira a Gazeta de Restinga, sempre mostrando que o mocinho vence o bandido. Uma ação para limpar o nome do Rio de Janeiro prestes a sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos e muito necessitado de propaganda positiva. Há muito tempo que a televisão brasileira não se deliciava com uma semana da mais pura ação com bandidos temíveis, policiais heróicos e os inefáveis especialistas em segurança opinando sobre tudo e todos. Tomamos Monte Castelo pela segunda vez.


Na semana passada li um artigo contundente assinado pelo jornalista Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, criticando o “cinismo” dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Guedes desafia a todos que se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: “eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro". O jornalista pega pesado, quando escreve que... “Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias. Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco. Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta”.

Sylvio Guedes foi além: “as pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos "gentís" fornecedores que entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto. Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas”.
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Pela minha experiência acumulada em mais de 30 anos como repórter de polícia, o editor-chefe do Jornal de Brasília está correto. O narcotráfico tem três vertentes. O produtor, o distribuidor e o consumidor. No Rio, a polícia conseguiu desmontar um desses pilares, ferindo gravemente o setor de distribuição com a tomada do Complexo do Alemão, mas os outros dois vetores continuam firmes e ilesos, prontos para continuar sua caminhada. Os fabricantes de Bolívia e Colômbia não vão querer parar esse lucrativo e fácil comércio carioca e, os viciados, esses esperam com maior ansiedade que a briga esfrie para que eles possam, outra vez, desfrutar seu veneno em paz e a preços mais módicos.
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São poucas as providências que o Brasil pode tomar para, quem sabe, deter a fabricação e importação das drogas. Vigiar melhor suas fronteiras, que são enormes, tentar contar com o apoio dos governos dos países onde a droga é plantada e a pasta base produzida, e solicitar a ajuda de organismos internacionais com um serviço de inteligência maior e mais bem montado. No âmbito interno, a saída seria criminalizar igualmente o consumo que trata o dependente - talvez a ponta mais importante desse triângulo, pois é quem financia - como uma vítima e não um contraventor.
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Tudo bem que o drogado precisa de apoio, mas esse apoio deve vir de forma mais contundente, com o Estado voluntariamente internando ou não os viciados em clínicas de recuperação, para ver se detém com isso o fluxo de financiamento que é a base do narcotráfico. Prender e soltar é realimentar uma máquina que não para, pois a primeira providência do dependente é procurar o traficante na esquina mais próxima e voltar a se drogar. Pode-se questionar que esse tratamento forçado não seria eficaz, mas a sociedade não pode mais passar a mão na cabeça de um viciado apenas porque ele resolveu nadar contra a Lei.
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Há muito ainda para ser feito e ninguém pense que as drogas vão desaparecer do Rio por mágica, até porque o proibido, o raro, exerce ainda mais fascinação sobre quem consome. Sempre haverá um viciado, e para ele, haverá um traficante. Romper esse triângulo maldito que reúne produtor, vendedor e consumidor é a única forma possível para acabar definitivamente com o reino de terror dos narcotraficantes.
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

VELHAS HISTÓRIAS DO RÁDIO ESPORTIVO

DOMINGO, 5 DE DEZEMBRO DE 2010


A decisão do Campeonato Brasileiro de 1987, em dois jogos, ficou entre Flamengo e Internacional. Cariocas e gaúchos estavam afinados para as partidas, sendo que a primeira seria, e foi, no Estádio Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre. Para lá se deslocou a equipe de esportes da Rádio Diário do Grande ABC, desta vez com o narrador Rolando Marques, o repórter Sidney Lima e eu, comentarista. A viagem de Cumbica (São Paulo) ao Salgado Filho (Porto Alegre), com uma paradinha no Afonso Pena (Curitiba) transcorreu sem problemas e no prazo previsto. De táxi, rumamos para o estádio. O entorno do Beira-Rio parecia um cupinzeiro, com gente por todos os lados, e claro, cambistas e vendedores de tudo que é tranqueira e vários tipos de comida e bebida. A especialidade do gaúcho, todos sabem, além do indefectível chimarrão é o churrasco, e eles capricham, inclusive no especial de gato, oferecido aos berros para os torcedores.


Com a parafernália necessária para uma transmissão externa, inclusive 100 metros de fios, entramos no estádio, não sem antes apresentar as nossas credenciais umas 10 vezes para fiscais do Inter, da Federação Gaúcha, da CBF e de mais um punhado de entidades. Por isso a gente nunca entendeu como entram tantos penetras, em campo e nas cabines. Mas deixa pra lá. Perguntei a um funcionário do estádio onde ficavam as cabines e, lógico, a da Rádio Diário. Educadamente o gaúcho alertou: "Olha, as cabines estão reservadas para rádios de Porto Alegre, Rio de Janeiro e as grandes de São Paulo". Traduzindo: as emissoras do Interior do Rio Grande do Sul e outras tantas que não fossem as citadas - inclusive do Rio e São Paulo - não ficariam em cabines. Escolado e prevendo complicações, disse ao funcionário: "Bem e a gente vai ficar onde?". Apontando para o campo, o rapaz respondeu: “Lá embaixo, na pista de atletismo". Descemos por escadas, uns três lances com todos os apetrechos.

Na pista, ao lado do gramado, foram colocadas mesinhas, aquelas do tipo "bater um dominozinho" de botecos de periferia. Eu resmungando (não sei que diabos estou fazendo aqui), fui acalmado pelo paciente e sempre tranquilo Rolando Marques (foto): "Calma Lavrado, segura as pontas com classe". Não contei, mas havia seguramente umas 40 mesinhas (com duas cadeiras) em fila indiana na pista e um punhado de cronistas esportivos do Brasil todo. Do nosso lado direito, uma rádio de São José do Rio Preto/SP e do esquerdo outra de São Bento do Sul/SC.

O Sidney Lima (foto), seguia esticando o pesado fio sem saber exatamente pra que serviria, pois se estávamos ao lado do gramado as entrevistas poderiam ser feitas por mim, pelo Rolando ou pelo próprio Ney, mas tudo bem. Outra grande preocupação, talvez a maior, era com o tempo. Um cara que irrigava a grama falou que talvez não chovesse, porém com o calor que fazia não era necessário ser gaúcho para prever que mais à tarde a chuva viria assistir o jogo. E não deu outra. Pouco mais de 5 ou 10 minutos do segundo tempo, pintou um aguaceiro de fazer inveja aos caronas da Arca de Noé. Os plásticos que arranjamos serviam apenas para cobrir os equipamentos eletrônicos de transmissão. A maioria dos colegas, que estava na mesma situação, não portava qualquer tipo de cobertura e, como não poderia ser diferente, saíram do ar, para desespero deles. Não haviam inventado, ainda, um casamento entre água e equipamentos eletrônicos e o contato entre ambos era desastroso.

Concluímos o nosso trabalho super molhados, mas sem outras pendengas, pois esta não era a nossa primeira transmissão com transtornos, nem seria a última. Não entrevistamos ninguém e, rapidinho, rumamos, de táxi, para o aeroporto. Já era noite, o que serviu para aliviar o constrangimento de estar com a roupa absolutamente ensopada e com o ”Salgado Filho” lotada de gente bem vestida. No mesmo avião, ao nosso lado, o então árbitro José Roberto Wright (foto), que foi assistir ao jogo e viria a São Paulo tratar de assuntos particulares. No papo, ele nos perguntou com aquela voz rouca que o identifica nas transmissões da TV Globo: "como foi que vocês se molharam"? Resposta desnecessária.

Flamengo e Inter empataram em 1 a 1, e haveria o jogo de volta no domingo seguinte no Maracanã, mas essa é uma história, não menos atribulada, para outro artigo neste blog. No Brasil existem apenas rádios grandes e pequenas e a Diário, embora muito respeitada aqui em São Paulo, sempre foi considerada pequena, porque sua sede não é na Capital, mas no Grande ABC, daí a discriminação e as consequentes dificuldades, como ocorre com todas do mesmo porte que não estão localizadas nas grandes metrópolis.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As armas (duas metralhadoras e bazucas, além de granadas) que haviam sido encontradas no jornal são enfatizadas no inquérito instaurado pela secretária da Segurança Pública e a família proprietária de O Estado de S. Paulo não apresenta formalmente nenhuma contestação, só Júlio de Mesquita chama Adhemar de “um fantoche a serviço de Vargas.”

“As armas não teriam sido depositadas na sede de O Estado por pessoas interessadas em calar o único jornal que luta para romper a censura à imprensa?” pergunta-se nas ruas. O Interventor Federal nem dá ouvidos. O inquérito o convence que se trata de um complô para derrubar Vargas e, além de Júlio de Mesquita Filho e Paulo Duarte (foto), ele manda prender 41 pessoas, inclusive o jurista Francisco Morato, colaborador de O Estado de S. Paulo e, até então, o único brasileiro com o título de professor emérito da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e homem de uma oratória instigante. Ao ser preso, Morato organizava as celebrações do centenário de nascimento do conselheiro Antônio Prado, fundador do Partido Democrático, o qual havia sustentado a candidatura presidencial do ex-governador Armando de Salles Oliveira. No entendimento do Interventor, essas comemorações seriam utilizadas como um pretexto para os seus organizadores promoverem manifestações de rua contra o Estado Novo, inclusive com o uso de armas.

Concluído o inquérito, o governo federal confisca as ações da empresa jornalística O Estado de S. Paulo por 20 mil contos de réis, mas a família Mesquita recusa-se a receber sua parte, preferindo manter o direito de um dia recomprar as ações confiscadas e tê-las de volta. O jornal havia sido fundado em 1875 por um grupo liderado por Américo Brasiliense e Campos Salles, com o nome de Província de S. Paulo e desse grupo Júlio de Mesquita, representante da elite agrária paulista, o patriarca da família, comprou a maioria das ações, alcançou a direção e nela permaneceria, exceto numa rápida passagem de Rangel Pestana.
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Boa parte dos paulistas não se conforma com o fato de o jornal ter sido retirado à força por Getúlio Vargas e esse inconformismo deixa-o em situação incômoda. Então, por intermédio do chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), Lourival Fontes (foto), tenta repassar as ações à Associação Paulista de Imprensa, que rejeita a oferta. Lourival sugere ao governo transferir as ações aos funcionários do próprio jornal para eles o gerenciarem por meio de cooperativa, mas Vargas não aceita a proposta e, a despeito das pressões do povo paulista, decide continuar a tocar o Estadão, como o jornal passaria a ser conhecido.

Em consequência dessas notícias e de que no relatório final do inquérito do delegado Hugo Auler, enviado ao Tribunal de Segurança Nacional, é citado como um dos incentivadores do plano contra o Estado Novo, Armando de Salles Oliveira vê a saúde declinar no exílio. Ele dá conferências nos Estados Unidos, mas a vontade de retornar ao Brasil não o abandona, então para ficar mais próximo do país de origem decide transferir-se para a Argentina, mas o ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha (foto), dificulta na diplomacia americana o endosso no passaporte para ele deixar o país e, assim, Armando fica mais indignado e deprimido.
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A doença do ex-governador chega ao conhecimento de Adhemar de Barros, este chama ao seu gabinete o poeta Cassiano Ricardo, funcionário público estadual lotado na Secretaria de Governo, figura de proa do movimento modernista de 1922 e escritor consagrado, por quem o Interventor tem especial admiração. Adhemar pede-lhe para escrever uma carta a Getúlio Vargas, na qual, em nome da pacificação do estado, sugere o retorno de Armando de Salles Oliveira ao país e a sua presença na vida pública, sem retaliações. Cassiano redige então um documento que seria apontado como um dos melhores já escritos na política brasileira, mas Adhemar, precavido por não saber qual será a reação de Vargas, não o divulga.

Ao receber a carta e lê-la, o ditador considera o pedido de perdão típico de um homem ingênuo, que não sabe tratar inimigo como inimigo. Então, de uma hora para outra, Adhemar torna-se alvo de uma forte campanha iniciada por Epitácio Pessoa Cavalcanti, o Epitacinho, (foto), amigo pessoal de Getúlio e por Coriolano Góes, ex-secretário da Fazenda do Interventor. Eles preparam um dossiê entregue a Vargas no qual alegam ser a administração paulista perdulária, de ter ligações com integralistas, que teriam informado ao Interventor as reuniões secretas na sede de O Estado de S. Paulo. Ainda lembram os discursos antigetulistas que Adhemar pronunciava na Assembléia Legislativa como deputado estadual.
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No Rio, Getúlio Vargas havia esmagado a “revolução verde”, liderada por um outro paulista, Plínio Salgado (foto), chefe dos integralistas, também preso e enviado ao exílio em Portugal. Plínio havia sido enganado: Getúlio lhe prometeu o Ministério da Educação se contasse com o apoio dos integralistas para derrotar os comunistas. Teve esse apoio e não cumpriu a promessa, então os “camisas verde”, como os integralistas eram chamados, realizaram um movimento armado contra a ditadura, que os dominou. No Ministério da Educação, sonho de Salgado para infundir na juventude a sua doutrina, continuou o político mineiro Gustavo Capanema, assessorado por um outro mineiro, o poeta Carlos Drummond de Andrade.
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Mas, nesse ano, não era Drummond quem brilhava no mundo das letras e sim a poetisa, professora e jornalista Cecília Meirelles (foto), autora de artigos incisivos contra a ditadura Vargas, no Diário de Notícias: “Educação, para mim, é botar, dentro do indivíduo, uma estrutura de sentimentos, um esqueleto emocional,” escrevia a jornalista e poeta, que possuía um rosto afável, mas um gênio de revolucionária. A ela recorre um jovem com o desejo de se introduzir nos mistérios da arte da palavra escrita e falada, para vingar o pai que havia sido preso e humilhado sucessivas vezes pelo ex-presidente Wenceslau Braz e por Getúlio. Nome: Carlos Lacerda. Assim como o pai, jornalista Maurício de Lacerda, Carlos havia comungado do ideal comunista, o qual renegou ao descobrir que se tratava de “uma ditadura mais organizada que a de Vargas.”
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Carlos Lacerda (foto), aproxima-se dos opositores de Vargas, inclusive das famílias Mangabeira (João e Otávio) e Mesquita (Júlio de Mesquita Filho e Júlio de Mesquita Neto) e começa a articular a cisão das forças armadas. Ele entende que a queda de Getúlio passa por um processo de desunião da Marinha, Exército e Aeronáutica e com este pensamento conquistaria à sua causa a simpatia de oficiais graduados como o general Juraci Magalhães e o Brigadeiro Eduardo Gomes, que o ajudariam a costurar amplo acordo nacional e formalizar a criação da UDN (União Democrática Nacional).
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Getúlio Vargas (foto), demite da Interventoria Federal em São Paulo Adhemar de Barros, de quem passou a desconfiar com o pedido de perdão para Armando de Salles Oliveira. Então Carlos Lacerda, que se transformaria em gênio da oratória política e jornalista panfletário e combativo, encontraria campo fértil para espalhar a idéia de que movimentos de rebeldia isolados não adiantavam e só uma união nacional possuiria as característica para derrubar o ditador. Ele seria preso mais vezes do que o pai, e a cada prisão cresce o sentimento de ódio à ditadura e não o faria desistir da ação de aplicar quantos golpes fossem necessários à queda de Getúlio Vargas.
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CARLOS LARANJEIRA
começou no Jornal da Bahia, Salvador, no ano de 1968, época em que Glauber Rocha era o editor do Suplemento Cultural no qual escreviam João Ubaldo Ribeiro, Caetano Veloso, Tom Zé, Tuzé de Abreu, Capinam e outros menos conhecidos no Sudeste, a exemplo de Florisvaldo Matos, um dos poetas mais consagrados do estado, hoje editor-chefe do jornal A Tarde. Na Bahia, trabalhou também na Rádio Cruzeiro e na Semana Católica, criada por Dom Eugênio Salles, Arcebispo de Salvador e Cardeal Primaz do Brasil. Diretor do POLÍTIKA DO ABC e do JORNAL DO LIVRO, o jornalista é autor de vários livros, o mais recente, POLÍTICA PARA PRINCIPIANTE.
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Na próxima quarta-feira o quinto capítulo da série “Histórias de Adhemar”, escrita por Carlos Laranjeira com exclusividade para este blog. (Edward de Souza).
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