quarta-feira, 17 de junho de 2009

BRIZOLA SOBE, JÂNIO QUADROS RENUNCIA

SEGUNDA PARTE
*
Do livro inédito “Periferia da História”, adaptado para nosso blog.
*
Milton Saldanha

Naquela encarniçada disputa pelo governo gaúcho chegou a vez do comício do Brizola em Santa Maria. O palanque era enorme, construído na Praça Saldanha Marinho para os festejos do centenário da cidade, ao longo do ano, em 1958, e acabou virando uma grande tribuna livre, usada para todo tipo de evento, de Carnaval à festa de igreja. O PTB conseguiu reunir de 50 a 60 mil pessoas, até ali, com certeza, a maior concentração política que a cidade já conhecera. Era uma grande festa, com luzes, rojões, bandeiras e alto-falantes instalados por toda a praça e esquinas mais próximas. Consegui subir no palanque, tinha só 13 anos. A segurança nem ligou. Levava uma bandeira na mão e fui me enfiando por entre a multidão de políticos. De repente estava lá na frente, ao lado do próprio Leonel Brizola, a grande estrela da noite, e ali fiquei durante todo o comício, agitando a bandeira, gritando, aplaudindo, com o entusiasmo de um militante. Um deputado estadual, Croacy de Oliveira, raposa velha, ficou observando tanta vibração e me falou, naquele tom dos sábios mais velhos e de quem está acostumado a fazer demagogia com todo mundo: “você vai ser um grande político!” Enganou-se o deputado. Na verdade não me tornei grande em coisa nenhuma, exceto em caráter.
Brizola era muito jovem, usava um bigodinho estilo Clark Gable, cabelo bem preto e crespo, puxado para trás, com brilho de algum fixador, como era moda. Estava com paletó xadrez, mas sem gravata, sorria e abanava para a multidão o tempo todo. Ao seu lado, muito simpática, sorridente, dona Neusa, sua mulher, irmã do presidente Jango. Lá do alto a gente via aquele mar de cabeças, faixas, cartazes, bandeiras, mãos erguidas aplaudindo, punhos fechados esmurrando o ar. Rostos, só de quem estava mais perto do palanque. O resto era uma massa sem face, que gritava de tudo e ao mesmo tempo, ninguém sem entender ninguém, só muito barulho.
Brizola ganha a eleição, foi um passeio. Até ali, contudo, pouco se sabe sobre ele, exceto que fora um bom prefeito de Porto Alegre. Seu primeiro ano de governo do Estado transcorre opaco, até que vira líder de massas populares da noite para o dia, em poucas horas, algo realmente impressionante. Logo você saberá como isso aconteceu.
No centro da Praça Saldanha Marinho, a principal de Santa Maria, havia um potente som, instalado sobre a cobertura de um coreto. Pertencia a rádio Santamariense e ligavam todos os dias às 6 da tarde, quando era transmitida a Hora da Ave Maria, um momento bonito da cidade, com a prece e a música. Mas sempre que havia alguma notícia em edição extraordinária eles também ligavam o som da praça, momento em que os transeuntes paravam qualquer coisa que estivessem fazendo para ouvir. Eu estava passando na frente da praça na tarde daquele 25 de agosto de 1961 quando o som entrou de repente: “E atenção, Brasília, urgente! O presidente Jânio Quadro acaba de renunciar. Deixou uma carta e já saiu do Palácio do Planalto, tomando rumo ignorado. Repetimos: o presidente Jânio Quadros acaba de renunciar!
Todas as pessoas por ali ficaram mudas e inertes por alguns segundos. O choque foi brutal, principalmente porque quase todo mundo já estava começando a gostar do Jânio, em seu sétimo mês de governo, inclusive eu, que ainda não votava, mas tinha sido um incisivo defensor do seu principal adversário, o marechal Teixeira Lott, candidato do PTB, o “Homem da Espada”, contra o “Homem da Vassoura”. Aquelas loucuras populistas do Jânio eram gostosas para o povão. E, para nós da esquerda estudantil, a condecoração a Che Guevara, então ministro da Fazenda de Cuba, tinha sido um gesto tão surpreendente quanto simpático. Qualquer coisa que pudesse irritar os norte-americanos nos alegrava. Jânio, eleito pela UDN – União Democrática Nacional, semente daquilo que virou PFL e atual DEM, só que pior ainda, como se sabe tentou um golpe e caiu do cavalo. Tinha sido eleito com mais de 5 milhões de votos, recorde absoluto até ali na história republicana. Tinha apoio e simpatia nas Forças Armadas. Seu marketing populista era eficiente, ainda que barato, envolvendo coisas minúsculas como proibição de briga de galos e biquínis nas praias. Tinha acariciado a esquerda com Guevara e deixado desconfiada a direita. Quebrava protocolos e inventava modas, como seu famoso jaleco, sem gravata, com mangas curtas. Estava intensamente presente na mídia, todos os dias, pelos mais variados e até banais motivos. Dava a impressão que estava começando a endireitar o país. Pena que era só impressão. Por tudo isso, superestimou suas chances de se tornar ditador, com o plano de fechar o Congresso. Voltaria da renúncia nos braços do povo, como se dizia, só que o povo ficou em casa ouvindo a crise pelo rádio. Ninguém, absolutamente ninguém, de norte a sul, saiu sequer na calçada da própria casa para chamar Jânio de volta. Ele ficou várias horas na base aérea de Cumbica (não existia o atual aeroporto internacional), em Guarulhos, com a faixa presidencial na mala. Esperando, evidentemente, para usar no triunfal retorno. Depois embarcou num navio cargueiro, iniciando seu exílio voluntário, numa solidão deprimente.
E assim o louco, insensato, jogou o país numa crise institucional gravíssima, que nos custou muito caro, ou mais do que isso, danos irreparáveis, sobretudo a partir da ditadura militar implantada em 1964.

____________________________________________________________
AMANHÃ, O CAPÍTULO FINAL AQUI NO BLOG: O RIO GRANDE DO SUL SE LEVANTA EM ARMAS E DIZ NÃO À DITADURA. COMEÇA A CAMPANHA DA LEGALIDADE. É 1961.
__________________________________________
*Milton Saldanha, 63 anos, gaúcho da fronteira, é jornalista profissional, com mais de 40 anos de atividades. Começou em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1963. Foi repórter e exerceu cargos de chefia em alguns dos principais veículos do Brasil, como Rede Globo, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC, revista Motor 3, Folha da Manhã (RS) e outros. Foi repórter em Última Hora, trabalhando com Samuel Wainer. Já assinou artigos e reportagens em mais de uma centena de publicações de todo o Brasil. Trabalhou também em assessoria de imprensa, para empresas e entidades públicas, como Ford Brasil, Conselho Regional de Economia e IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É autor do livro “As 3 Vidas de Jaime Arôxa”, pela Editora Senac Rio, e participou como cronista da antologia “Porto Alegre, Ontem e Hoje”, pela Editora Movimento, do Rio Grande do Sul. Assinou também orelhas de diversos livros sobre dança e música, de autores brasileiros. Um ano antes de se aposentar, quando era editor-chefe do Jornal do Economista, em São Paulo, fundou o jornal Dance, que em julho completa 15 anos. Tem novo livro pronto, ainda inédito. É “Periferia da História”, onde conta de memória 45 anos da recente história brasileira. Trabalha em novos projetos editoriais, como jornalista e escritor. Na área de dança, organiza uma coletânea com os melhores editoriais publicados no Dance. Atualmente prepara um livro sobre Maria Antonietta, grande mestra da dança de salão carioca, que morreu recentemente. Apaixonado por viagens conhece quase todo o Brasil e já visitou cerca de 40 países. Por hobby e paixão é dançarino de tango.
_____________________________________________________________

terça-feira, 16 de junho de 2009

ASSISTINDO A GUERRA PELA JANELA

General Lott coloca Lacerda pra
correr e garante a posse de JK
_____
PRIMEIRA PARTE
_____
Do livro inédito “Periferia da História”, adaptado para nosso blog.
*
Milton Saldanha
*
11 de novembro de 1955. Quem conhece a História contemporânea do Brasil sabe a importância desta data. Para quem não sabe, mais adiante eu explico. Foi há 54 anos, eu tinha 10. Aquele dia ficou na minha memória nos mínimos detalhes. Garoava e fazia até um pouco de frio, raro no Rio de Janeiro. Acordei bem cedo, com minha mãe agitada, quase aos gritos, repetindo: “O Lott deu o golpe!” Corri à janela e vi o quartel do 1º Regimento Escola de Infantaria, do outro lado da avenida de duas pistas, na maior agitação. Centenas de soldados com fuzis embalados, baioneta calada, e sargentos com metralhadoras Ina e bornais de munição a tiraloco caminhavam de um lado para outro ao longo da calçada que acompanhava o extenso muro. No portão tinham colocado sacos de areia e metralhadoras pesadas.
Não demorou muito e meu pai, capitão, voltou da ESAO – Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, em uniforme de campanha, revólver no coldre, calçando coturnos pretos, reuniu a família e deu instruções: “se a aviação atacar vocês deitem todos no chão, deixando os colchões em pé, contra a parede, para ajudar a proteger”.
Pertinho dali, o Campo dos Afonsos estava cercado por tanques e canhões. Nesse local eram treinados os jovens pilotos de guerra da Aeronáutica, nos barulhentos e temíveis aviões T-6 (falava-se “T-meia”). Para quem, como eu, crescia praticamente dentro de quartéis, sem chance até então de ver aquele aparato todo em uso real, e que só via guerra no cinema, aquilo tudo era demais! Realmente uma festa, fantástico! Meu irmão mais velho, Rubem, parecia o único ali com juízo. Eu e minhas duas irmãs, todos crianças, ficamos realmente eufóricos com aquela situação, principalmente com a possibilidade de presenciar um ataque aéreo, tiros, bombardeio. Torcemos para que acontecesse, era excitante ver e viver ação. Não tínhamos pálida noção da tragédia iminente, muito menos do nosso próprio risco, morando a poucos metros do quartel, na Vila Militar do Rio de Janeiro.
Felizmente, não houve ataque, nem aéreo, nem terrestre. Mas ficamos acompanhando pelo rádio e pela janela do nosso apartamento, no primeiro andar de um pequeno prédio, aquela grave crise político-militar que culminou com a deposição do presidente da República interino Carlos Luz pelas forças leais ao general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra (cargo que depois passou a se chamar ministro do Exército). Lott, alguns anos depois, perderia de lavada para Janio Quadros a eleição para presidente.
Na verdade, não foi um golpe e sim um contragolpe desfechado por Lott, com apoio de outros generais influentes, como Odilo Denys, para assegurar a posse constitucional de Juscelino, o popular JK. Setores mais retrógados da Aeronáutica e da Marinha, tendo em Carlos Lacerda sua inspiração, tentavam impedir a posse de JK, democraticamente eleito pelo povo. A alegação era de que JK não tinha alcançado maioria, porque a soma dos votos dos demais candidatos (Juarez Távora e Adhemar de Barros) era maior. Naquele tempo não havia segundo turno e a legislação eleitoral permitia essa possibilidade, ou anomalia, como queiram. JK, portanto, estava legalmente eleito, não havia o que contestar. E o vice-presidente era eleito em separado. Podia-se votar para presidente num candidato de um partido e, para vice-presidente, de outro partido. Deu João Goulart, o Jango, com mais votos que JK. Depois Jango foi vice de Jânio e assumiu o poder com a renúncia.
O general Lott, respeitadíssimo no Exército, militar inflexível na disciplina e de honra pessoal inatacável, famoso pela honestidade (e mais tarde também pela ingenuidade política), colocava toda sua força e prestígio a serviço da legalidade constitucional e da democracia. Lançou suas tropas na rua, tomou o Rio de Janeiro, e botou o deputado federal Carlos Lacerda para correr. Lacerda se refugiou no encouraçado Almirante Tamandaré, que saiu da Baia de Guanabara para alto mar sob tiros de advertência dos poderosos canhões do célebre Forte de Copacabana, hoje museu do Exército e área de lazer, aberta ao público. Ou os caras eram muito ruins de pontaria, ou houve uma deliberada intenção de não acertar o navio, o que é mais provável. Da nossa casa, do outro lado da cidade, em Deodoro, na Zona Norte, é claro que não deu para ouvir os tiros. Mas quem estava na Zona Sul ficou muito assustado.
Lott derrubou Carlos Luz porque ele estava fazendo abertamente o jogo do golpe para impedir a posse de JK, ocorrida em 1956. Luz foi presidente só 3 dias, de 9 a 11 de novembro de 1955. Estava substituindo, como presidente da Câmara, a Café Filho, vice que assumiu com o suicido de Vargas. Café tinha se licenciado para uma cirurgia. Nunca mais reassumiu. Nereu Ramos exerceu mandato tampão até 31 de janeiro de 1956, quando entregou a presidência a JK.
Lott, se quisesse, teria se tornado ditador naquele 11 de novembro. Mas o fato é que mandaria prender na hora qualquer pessoa que lhe fizesse tal sugestão. Meu pai era fã assumido do Lott. Quando se formou na ESAO recebeu seu diploma das mãos dele. Nossa família toda estava lá. Nós, crianças, fazíamos farra com a careca suada e muito brilhante do Lott, um tipo germânico, sisudo, de tez avermelhada.
Na noite de 13 de novembro, eu e minhas irmãs, Sonia e Vera, ficamos na sacada acompanhando, ao vivo, nova saída de tropas. Parecia um 7 de setembro especial para nós. Jipes e caminhões rebocando canhões, carros de combate, tanques, foram deixando em fila o Regimento de Infantaria. Aquilo parecia que não tinha mais fim. Recordo que, apontando com o dedo, num gesto bem infantil, contamos uma a uma as viaturas, que totalizaram 160. Teríamos, naquele momento, sido notáveis fontes para qualquer jornal, porque com certeza só nós tínhamos esse dado com exatidão. Fizemos aquilo meramente por curiosidade, sem perceber que naquele momento éramos testemunhas da História, ainda que três crianças.
Nosso pai contou depois uma versão sobre essa saída de tropas, destinadas a substituir aquelas que já estavam na rua, cansadas. Oficiais golpistas teriam tentado impedir a saída do comboio. Sargentos se rebelaram, prenderam os golpistas no cassino dos oficiais e, com apoio de oficiais legalistas, garantiram o acatamento às ordens de Lott. O Brasil daquele período, ainda com o trauma do suicídio de Getúlio Vargas não cicatrizado, era um país tenso. Lembro-me que a todo momento o Exército entrava em prontidão. Nós, de família militar, sabíamos. Os civis nem ficavam sabendo.
Eu pensava e agia como criança, o que era o normal, mas hoje percebo como mesclava isso com um impressionante e precoce interesse pela política. Acompanhava tudo de perto, atentamente, e até já assumia posições, influenciado pelas conversas que ouvia em casa, claro. Tinha a maior bronca do Lacerda, por exemplo, e simpatia pelo Lott. Aquela coisa despida de malícia política, tudo no plano pessoal mesmo, bem maniqueísta. Pô gente, eu tinha só 10 anos!
Esse interesse aguçava minha curiosidade sobre o que pensavam os oficiais ali da Vila Militar, mais próximos de casa. Sabendo que não podiam se manifestar, e jamais faziam isso, fui gradualmente descobrindo o pensamento político de cada um de uma maneira muito simples: sondando a garotada, os filhos, em certos momentos até de maneira provocativa. Os filhos reproduzem o que ouvem dos pais. Todos iam abrindo. Era um horror, só havia oficiais simpáticos a golpes de direita. Apenas um, médico, era legalista, como meu pai, veterinário. Ambos, portanto, oficiais de apoio, sem comando de tropa e sem liderança na caserna. A mãe de um dos garotos percebeu meu interesse e ficou desconfiada. De uma hora para outra, eles que eram lacerdistas roxos, viraram “lottistas”. Eu chegava para brincar na casa deles e a mulher e o garoto, visivelmente instruído para isso, achavam um jeito de me dizer que eram a favor do Lott. Certamente pensaram que meu pai pudesse ser de algum esquema de informações, de quem estava no poder, e que eu puxasse tais assuntos para depois dar o serviço em casa. Os receios deles não eram infundados. Muitos oficiais golpistas foram removidos para unidades distantes, sem expressão, geralmente nas fronteiras, ou para postos burocráticos, sem tropa com poder de fogo.
O clima de guerrinha ainda durou uns dois meses em toda Vila Militar, depois daquele 11 de novembro. A gente percebia claramente, pela experiência de vida, que os quartéis permaneciam de sobreaviso. A Guerra Fria, com Estados Unidos e União Soviética disputando o mando do planeta, tinha fortes reflexos na nossa política interna, estimulando as radicalizações.
Nossas emoções foram se dissipando junto com as dos militares, na volta gradual à rotina. Eu esquecia a política e voltava a ser moleque, com a turma da vizinhança. Tínhamos um “forte”, na verdade um buraco no gramado do prédio, com “canhão” e tudo, que certo dia foi tomado num ataque de surpresa pela turma do quarteirão ao lado.

(Capítulo de amanhã: Brizola sobe, Jânio renuncia).
____________________________________________________________

*Milton Saldanha, 63 anos, gaúcho da fronteira, é jornalista profissional, com mais de 40 anos de atividades. Começou em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1963. Foi repórter e exerceu cargos de chefia em alguns dos principais veículos do Brasil, como Rede Globo, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC, revista Motor 3, Folha da Manhã (RS) e outros. Foi repórter em Última Hora, trabalhando com Samuel Wainer. Já assinou artigos e reportagens em mais de uma centena de publicações de todo o Brasil. Trabalhou também em assessoria de imprensa, para empresas e entidades públicas, como Ford Brasil, Conselho Regional de Economia e IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É autor do livro “As 3 Vidas de Jaime Arôxa”, pela Editora Senac Rio, e participou como cronista da antologia “Porto Alegre, Ontem e Hoje”, pela Editora Movimento, do Rio Grande do Sul. Assinou também orelhas de diversos livros sobre dança e música, de autores brasileiros. Um ano antes de se aposentar, quando era editor-chefe do Jornal do Economista, em São Paulo, fundou o jornal Dance, que em julho completa 15 anos. Tem novo livro pronto, ainda inédito. É “Periferia da História”, onde conta de memória 45 anos da recente história brasileira. Trabalha em novos projetos editoriais, como jornalista e escritor. Na área de dança, organiza uma coletânea com os melhores editoriais publicados no Dance. Atualmente prepara um livro sobre Maria Antonietta, grande mestra da dança de salão carioca, que morreu recentemente. Apaixonado por viagens conhece quase todo o Brasil e já visitou cerca de 40 países. Por hobby e paixão é dançarino de tango.
____________________________________________________________

segunda-feira, 15 de junho de 2009

60 SEMANAS ENTRE OS MAIS VENDIDOS

Nivia Andres
***
"A sombra do vento"
*
Obra sedutora e comovente
***
Em meio à diversidade de títulos lançados a cada ano no mercado editorial, poucos conseguem conquistar ao mesmo tempo o público e a crítica. A sombra do vento é uma dessas raridades. Por mais de 60 semanas na lista dos livros mais vendidos da Espanha, o romance já vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo.
A sombra do vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar.
Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Para consolar o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já falecida, seu pai lhe oferece um presente inesquecível - em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de "A sombra do vento", do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. Daniel logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles a que ama poderão ter um destino terrível.
Em sua busca, Daniel conhece uma galeria de personagens que vão ajudá-lo a resolver o mistério de Carax. Dom Gustavo Barceló, livreiro barcelonês, seriamente interessado em comprar o exemplar de A sombra do vento que Daniel lhe mostra; sua bela sobrinha cega, Clara Barceló, que revela a Daniel os primeiros elementos do mistério que cerca Carax e sua obra e por quem o menino se apaixona perdidamente; Fermín Romero de Torres, mendigo de passado glorioso e aguçado senso de humor que se tornará o maior aliado de Daniel na busca da verdade; Nuria Monfort, mulher triste que guarda grande e doloroso segredo; e Javier Fumero, o cruel policial que também parece dedicar a vida a perseguir o fantasma de Julián Carax.
À medida que vai descobrindo mais sobre a vida de Carax, Daniel entende que o mistério de sua obra está de alguma forma relacionado à história de amor entre dois jovens do início do século: o próprio Carax, filho de um modesto chapeleiro, e Penélope Aldaya, filha de uma família da alta sociedade de Barcelona. E enquanto a cidade e seus personagens vão aos poucos revelando a Daniel os segredos e as consequências dessa história de amor do passado, ele também descobre o verdadeiro amor nos braços de Bea, irmã mais velha de seu melhor amigo, Tomás Aguilar.
A sombra do vento usa o cenário grandioso de Barcelona da época, com suas largas avenidas, casarões abandonados, atmosfera gótica e espectral, para ambientar um romance arrebatador que é também uma reflexão sobre o poder da cultura e a tragédia do esquecimento. A busca de Daniel marca sua transformação de menino em homem, e desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo poder que eles podem exercer.
_____________________________________________________________
*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog da jornalista:
http://niviaandres.blogspot.com/
_____________________________________________________________

domingo, 14 de junho de 2009

MEMÓRIAS DE BRASÍLIA, A CAPITAL DA ESPERANÇA, NA ÉPOCA DA DITADURA

Oswaldo Lavrado
_____*_____
Viajando com um defunto
******
Meados da década de 80 e a ditadura militar que comandava este país estava nos estertores, porém ainda vigorava, mandava e comandava com força total. Um belo sábado de maio embarcamos, eu e o Edward, num vôo da Varig, de Cumbica, rumo a Brasília. Nosso destino era Anápolis, em Goiás, para a transmissão do jogo Anapolina x Santo André, pela Série B do Brasileirão. Viagem tranquila e sossegada e até a Capital da República. Mas, a partir daí começava a saga. Um táxi nos conduziu até a estação rodoviária de Brasília, onde deveríamos embarcar num ônibus até Anápolis. A rodoviária imunda, poeirenta e desconfortável estava apinhada de gente e, claro, muitos militares. Eu me acomodei, com nossas malas e os apetrechos da rádio, em um banco sujo e cheio de pó, enquanto o Edward foi comprar os bilhetes do ônibus que nos conduziria a Anápolis. Em determinado momento ouvi uma gritaria e um barulho no guichê onde ele estava. Cheguei perto e em tempo de evitar o pior: “que houve cara, porque está tão bravo", disse eu. Nervoso, ele respondeu: "essa besta (a menina que vendia os bilhetes) me disse que só tem ônibus para o meio dia. Falei pra ela se não poderia arrumar dois lugares em horário mais cedo, tipo 9 ou 10 horas. Que nada! Parecia que eu era um monte de m... Ela nem olhou em minha direção. Ai dei um murro no balcão (por pouco quebra o vidro) e disse que ela precisava ter um pouco de educação, afinal, não estava lidando com gado. No mínimo sua obrigação seria olhar no rosto do passageiro e responder o que lhe foi perguntado". A menina estava pálida, coitada. Tirei o Edward correndo de lá, peguei os bilhetes para o meio dia mesmo, pedi desculpas à moça e saímos dali. Ficamos aguardando no mesmo banco imundo e cercado por soldados do exército (nunca vi tantos). Deu o horário, o ônibus chegou, lotou e rodamos 155 quilômetros por uma estrada de uma pista só, porém asfaltada e em boas condições. Desembarcamos em outro lixão: a rodoviária de Anápolis, tão imunda e empoeirada, ou pior, que a de Brasília. Ali mesmo notamos uma placa, do outro lado da rua, "hotel" e pra lá nos dirigimos. Na recepção uma garota ruiva nos atendeu, pegou a grana da hospedagem e deu a chave. Disse que o aposento ficava no andar de cima (o único que havia). Subimos por uma rangente escada de madeira (tipo velho oeste) e entramos no quarto. Barbaridade. Uma pocilga; roupa de cama que parecia nunca ter sido lavada e um banheiro que não via água há alguns meses. Como as diárias estavam pagas, deixamos lá as malas e as tranqueiras da rádio e fomos para o centro da cidade. Na praça central de Anápolis deparamos com o hotel Palace (não sei se ainda existe, tenho fotos). Entramos e uma moça muito gentil nos mostrou os quartos: limpos, higienizados e confortáveis. O Edward (sempre ele) foi até a espelunca do hotel da rodoviária, inventou uma história qualquer, deu uma caixinha para a moça da portaria, pegou nossa bagagem, a grana e nos hospedamos no Palace. Ufa...
À noite fomos para um boteco, tipo lanchonete, na praça principal de Anápolis, embaixo do hotel onde eu e o Edward estávamos. Lá encontramos o pessoal da Rádio ABC (Ivanor e Giba), o massagista do Santo André, Miguel de Oliveira (hoje trabalhando no Palmeiras) e Germano Schmidt, gerente de futebol do Santo André e meses depois, presidente do clube. Aqui vai a publicidade de uma cerveja, mas faz parte do relato. Ninguém de nossa turma tomava outra cerveja, a não ser Antarctica e nesse boteco ela não estava gelada ainda. O calor era forte. Miguel de Oliveira, também fanático por Antarctica, não teve dúvidas. Pediu permissão ao dono do bar, arrumou cascos com ele e saiu para buscar, em outro botequim, uma dúzia delas, bem geladas. Papo vai, cerveja vem, até que resolvemos ir a um restaurante próximo. Mais cerveja antes, durante e depois do jantar. Já de madrugada, o Germano resolveu ir embora. Saímos juntos. O gerente de futebol do Santo André atravessou a rua, viu uma porta de vidro iluminada e bateu, julgando ser o hotel onde estava alojada a delegação do Santo André. Mas, nada do porteiro abrir. Meio sapecado pelo excesso de cerveja, o cartola deu um murro na porta e por pouco não estoura o vidro. Desistiu quando o Giba gritou: "Germano, seu hotel fica um pouco mais acima. Aí é uma porta de banco".
Nenhuma outra novidade em Anápolis. No domingo fomos ao simpático estádio do Anapolina e cumprimos nossa missão. O Santo André venceu por 1 a 0. Normal. Ainda no domingo retornamos a Brasília, certos de que voltaríamos a São Paulo numa boa, puro engano. Ficamos num hotel da Asa Norte onde dormimos o sono dos justos pelo dever cumprido e pela manhã da segunda-feira fechamos a conta no hotel e rumamos ao aeroporto. Nosso vôo estava marcado para as 14h, chegamos às 9h e ficamos numa lanchonete da praça de alimentação, instalada no segundo piso do aeroporto. Um café da manhã, dois lanches, refrigerantes e salgadinhos. Depois, deu 13h. Desci sozinho para o indefectível check-in e o Edward ficou na lanchonete. No balcão da Varig, a linda recepcionista (em empresa aérea não trabalha gente feia), viu nossos bilhetes e deu a má notícia: “os senhores só podem embarcar no vôo das 4 horas da madrugada". Calmo, respondi: “mas eu transferi o horário sábado, assim que chegamos aqui". A garota, sem dar muita atenção foi incisiva: "houve algum engano e não posso liberar para outro vôo, desculpe senhor". Esqueci da bendita ditadura militar e armei um pequeno circo. Foi meu primeiro erro. Um milico do exército pegou no meu braço e me conduziu para uma salinha estreita e meio escura. Lá havia mais outros três. Um deles, com a gentileza de um hipopótamo, esbravejou: "seus documentos". Mostrei a credencial de Imprensa. Foi o segundo erro. "Tem mesmo que ser esses metidos pra criar problema", vociferou um cara com algumas divisas no braço que eu não sabia o que significavam, continuo não sabendo e nem interessa. Um outro, não menos arrogante, sentenciou: "olha, cai fora daqui sem chiar que será melhor pra você". Lembrei então que: manda quem pode, obedece quem tem juízo, juntei os bilhetes, meus documentos que tinham ficado com os milicos e me mandei.
Já eram 5 horas da tarde quando cheguei a lanchonete onde o Edward me esperava. Estampava no rosto as três cores do seu São Paulo: branco, preto e vermelho. Com um caminhão de pedras nas mãos, fulo da vida, por pouco não me enche de porradas. Afinal havia ficado "refém" na lanchonete, já que não podia sair (a grana estava comigo), a conta estava alta, pois enquanto me esperava foi consumindo e do patamar onde se encontrava viu vários aviões chegarem e saírem de Brasília, inclusive o nosso, das 14h. Imaginou duas coisas: eu havia embarcado sem ele ou estava preso. Quase acerta a segunda, já que à época qualquer birra era motivo pros milicos enquadrarem a gente, principalmente da Imprensa. Enfim, paguei a lanchonete e nos despedimos do garçom que, ressabiado, não perdia o Edward de vista um segundo, desconfiado que fosse tomar um “cano”. E agora, o que fazer? Sem alternativa e com pouco dinheiro nos bolsos, tomamos um táxi e arriscamos voltar ao hotel e tentar um pernoite de bonificação. Conseguimos. Outro ufa... O motorista que nos conduziu do aeroporto até o hotel, num carro antigo caindo pelas tabelas, foi com a nossa cara. A minha nem tanto, mas com a do Edward que, agora calmo, fez amizade com o taxista. O "chofer" disse chamar-se Marujo, contou algumas histórias quando era marinheiro (certamente não foi em Brasília, que não tem mar) e nos pegou na madrugada para o nosso vôo das 4h. Marujo gostou mesmo do Edward, tanto que fez as duas viagens pelos trocados que ainda nos restavam. Despedimos-nos com um grande abraço e até com troca de cartões. Embarcamos no vôo Varig das quatro horas. O avião, procedente de Manaus, trazia alguns passageiros. E para completar uma viagem inesquecível, no lugar das poltronas, pouco atrás de nós, havia uma maca e um corpo coberto por um véu. Exatamente o que imaginaram. Era um defunto, certamente uma companhia não muito agradável num vôo. Porém, isso foi apenas mais um detalhe de uma viagem de trabalho. Desembarcamos em São Paulo, dever cumprido e ainda ouvimos do nosso famoso motorista Lampião, que foi nos apanhar com o carro da rádio no aeroporto de Cumbica a pergunta: "Foi tudo bem na viagem?” Olhamos um para o outro e respondemos: “foi Lampião, claro que foi”. Nada mais foi dito nem perguntado.
____________________________________________________________
*Oswaldo Lavrado - jornalista/radialista - trabalhou no Diário do Grande ABC (rádio e jornal). Comandou a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.

_____________________________________________________________

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O MOMENTO DO DESESPERO É CRUCIAL

J. Morgado
***
Em Franca, jovens são religiosos
______§______
Não raro assistimos pela televisão ou lemos nos jornais casos de pessoas desesperadas que tentam o suicídio ou se matam usando armas, atirando-se de viadutos ou de outros locais altos, ou ainda afogando-se, enfim, usando métodos que “nossa vã filosofia poderia imaginar”. Enforcam-se em canos de chuveiros, atiram-se defronte a veículos, inclusive trens, e assim por diante. O momento do desespero é crucial. Se a vontade de fugir de seus problemas é maior do que viver com eles, o fato irremediavelmente acontecerá, a não ser que apareça alguém nesse momento, com bondade e palavras certas e o faça mudar de idéia. Difícil de acontecer, pois geralmente o desesperado encontra-se só, salvo aqueles que se exibem mostrando ao mundo o seu problema, na esperança de que alguém possa resolvê-lo.
Há um ditado chinês que diz “Jamais se desespere em meio às mais sombrias aflições da vida, pois das nuvens negras cai água límpida e fecunda”.
Mas o desespero nem sempre leva ao suicídio; na maioria das vezes, leva o indivíduo a cometer atos contra a sociedade. O roubo, o furto, atos de terror como assassinatos em massa, temos visto não só no Brasil, como também em outras partes do mundo. Às vezes esses atos são seguidos de suicídio, após o desesperado se conscientizar do que fez.
Neste mundo de Expiação e Provas, fato desconhecido ainda pela maioria da sociedade ocidental (principalmente), pois as religiões que encaram a reencarnação como um fato, são orientais. Os hinduístas e suas centenas de facetas, budistas, esotéricos, etc. que se somam as centenas de milhões ou mais, parte delas com muitos adeptos aqui no Brasil.
Isso quer dizer que o mal abordado desta maneira sugere ignorância. Os suicidas por pensarem que estão se livrando de seus problemas; os que saem fora-da-lei dos humanos por agirem dessa forma poder-se-ia dizer, revolucionária ou revoltados contra o “status quo” dessa mesma sociedade em que vive. Evidentemente, não estou me referindo aos verdadeiramente maus, que prefiro chamar de doentes. Pois esses cometem a maldade por vingança, rancor, ódio, e todos aqueles males morais que conhecemos, mesmo porque são estes que intuem aqueles a fazerem o que fazem aproveitando-se da fraqueza moral de suas vítimas.
O Capítulo V (Bem-Aventurados os Aflitos), item 14 – do Evangelho Segundo o Espiritismo (edição IDE/1984) – O SUICÍDIO E A LOUCURA – diz: “a calma e a resignação hauridas na maneira de encarar a vida terrestre, e na fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos é devida à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem força de suportar; se, pois, pela maneira que o Espiritismo lhe faz encarar as coisas deste mundo, ele recebe com indiferença, com alegria mesmo, os revezes e as decepções que o desesperariam em outras circunstâncias, é evidente que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, preserve sua razão dos abalos que, sem ela, o sacudiriam”.
Soren Kierkegaard, filósofo dinamarquês – 18l3/1855 –, foi um dos fundadores da Filosofia Existencialista. Advogou um Cristianismo autêntico baseado na fé e na Conversão. De acordo com Kierkegaard, (Wikipédia) “um indivíduo está em desespero se sua vida se encontra em desalinho com DEUS. Deste modo ele perde o seu eu, a sua personalidade própria. Definida pelo filósofo como o relacionamento da própria relação consigo mesma na relação. O eu humano é uma síntese entre o finito e o infinito, o possível e o real, identificável com o equilíbrio dialético entre essas características opostas. Não estar em desespero é haver reconciliado o finito e o infinito; é existir, estando ciente do próprio eu e de DEUS. Kierkegaard define o oposto do desespero especificamente como FÉ, descrita pelo pensador da seguinte forma: “no relacionar-se consigo mesmo, e em objetivar ser ele mesmo, o EU jaz transparentemente no poder que o estabeleceu”.
Recentemente, tomei conhecimento que na cidade de Franca, no Estado de São Paulo, oito em cada dez jovens professam uma religião. Isso me deixou muito feliz, pois é por ai que o ser humano deve seguir. Kierkegaard como tantos outros filósofos seguiam uma religião, no caso do dinamarquês, o Luteranismo.
Lendo Eliseu Mota Júnior, articulista da Editora O CLARIM, na Revista Internacional de Espiritismo/junho/07 “Começo e término da Vida Humana”, aplico com o devido respeito, o último parágrafo, ao problema que estamos abordando. Explico-me: Aos psiquiatras e psicólogos um recado: A chave para resolver esses problemas está na Doutrina Espírita. Basta aceitá-la para resolvê-los.
____________________________________________________________
*J. Morgado é Jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
______________________________________________________________________

quinta-feira, 11 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS
O amor supera tudo pela grandeza do sentimento. Desconhece a angústia das esperas prolongadas porque tem a calma das certezas. Não se atribula demais, tem a serenidade de quem passeia sem outro compromisso além da felicidade. Tudo é simples para o amor, que inventa a si mesmo todos os dias, por isso é sempre novo, como no princípio. O amor não tem calendário, desconhece datas. Tudo começou ontem, mesmo sendo antigo. Tudo é futuro nesse agora. Tudo é feito neste momento para ser saboreado no mesmo instante. É um prato que não esfria quando o tempo passa, sempre está com o mesmo sabor, porque se renova e refaz o convívio. Quem ama sempre se rejuvenesce, apesar das rugas, dos cabelos brancos e do corpo que tiver. Por isso, todas as pessoas amadas estão cheia de virtudes que alguns não compreendem. Sexta-feira ( 12-06) é o Dia dos Namorados, esse blog se antecipa e presta uma homenagem a todos os casais apaixonados, com uma linda história de um casal que se ama há mais de 56 anos...
_________***_________
UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR
_____*_____
J. MORGADO
_____*_____
Tudo começou com dois pés se roçando por baixo de uma enorme mesa. Sim! Dois pés namorando (devidamente calçados). Um “amasso” como diriam os jovens de hoje. Só que o aconchego era entre os membros inferiores. Por cima da mesa, os olhares se encontravam. Olhares de cumplicidade e de terno carinho... Em volta, outras pessoas completamente alheias ao que acontecia.
Ali, naquela empresa, em um segundo andar de um edifício da Rua Direita, começava um namoro que perdura até os dias de hoje. Cinqüenta e seis anos! Primeiro a voz que me enfeitiçou de imediato. Uma voz levemente rouca e cativante...
De uma sala, cerca de um mês antes, escutara a menina-moça (15 anos) sendo entrevistada pelo patrão. Fui chamado para conhecer a nova funcionária, pois ela trabalharia sob minhas ordens. Apresentado, eu disse: – nós nos conhecemos de algum lugar? E ela respondeu que não, mas que eu não lhe era estranho! Na verdade, nunca havíamos nos encontrados antes. Morávamos em bairros completamente opostos. Coisas que “nossa vã filosofia desconhece”. Desconhece?
Um olhar, um sorriso, uma amabilidade, um gesto cavalheiresco (naquela época havia gestos desse tipo), até o roçar de pés. Depois, o pedido para acompanhá-la até o ponto de ônibus e o “quer namorar comigo?”. O sim foi gostoso de ouvir. O coração rugia! Batia forte! A separação já era dorida. Teria que esperar até o dia seguinte para vê-la. No início, apenas o pegar nas mãos, braços dados... Depois o braço já a enlaçava carinhosamente quando caminhávamos.
Algum tempo se passou até o primeiro beijo. Ah! O primeiro beijo! As pernas tremiam. O desejo de abraçá-la bem apertado e não nos separamos nunca mais era forte. Uma cena que se eternizou em meu pensamento. Aquela rua no bairro do Ipiranga... Se pudesse...Se pudesse...
O namoro escondido! Como era gostoso namorar escondido. Era o termo que se usava naquela época. Os pais (os das moças) colocavam mil e um empecilhos para evitar que suas filhas, principalmente menores de idade, namorassem. Irmãos mais velhos eram promovidos a guarda-costas com autorização de massacrar o atrevido que se aproximasse das garotas.
Na primeira oportunidade, surgiu a “segura às pontas”. No caso uma irmã mais velha. Ai veio as matinês e depois as soirées de cinema nos fins de semana. Uma época em que as salas destinadas à projeção da 7ª, arte proliferavam no centro e nos bairros de São Paulo.
O cinema era um lugar seguro para se namorar. Se bem que não eram permitidas muitas intimidades! O guarda civil ali de serviço, era o guardião da moral! Bons tempos...
As colegas eram os álibis para a minha garota... Não havia outro jeito. Só assim podíamos passear. As tardes de domingo eram destinadas ao cinema ou a longos passeios pelas redondezas. O Museu do Ipiranga era o predileto, no meu caso. Aquele parque maravilhoso, livre de malandros, freqüentado por famílias e casais de namorados. Havia também os bailes. Na época, minha turma de colégio promovia bailes para arrecadar fundos para financiar os gastos com a formatura. Nas matines dançantes, minha namorada driblava a família para poder comparecer aquelas tardes agradáveis e iluminadas, sempre acompanhada de sua (ou mais) cúmplice, é claro!
Coladinhos, dançávamos os boleros, sambas canções, chorinhos, sambas, mambos e até tangos. As valsas estavam sempre presentes. As carícias também!
Parafraseando Ataulfo Alves com sua música “Meus Tempos de Criança”, onde ele diz: “Onde andará Mariazinha... Meu Primeiro Amor, onde Andará?”, E eu respondo, a minha Mariazinha (esse é seu apelido) está aqui ao meu lado, para todo o sempre.
____________________________________________________________
*J. Morgado é Jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
____________________________________________________________

quarta-feira, 10 de junho de 2009

" QUANDO CHEGO A ESTA CIDADE..."

Milton Saldanha
***
Capítulo inédito do livro “Periferia da História”
_____ *_____
A política sempre esteve presente na minha vida. Curiosamente, nunca me tornei militante de carteirinha de nenhum partido. Mas já fui simpatizante do antigo PTB (favor não confundir com o atual) – Partido Trabalhista Brasileiro, fundado por Getúlio Vargas e que teve líderes como Jango e Brizola. A campanha para o governo, de Brizola contra Perachi de Barcellos, um coronel da Brigada Militar aposentado e que na ditadura se tornaria governador biônico do Estado, foi com certeza a mais acirrada da História do Rio Grande do Sul. Não existia TV e o próprio rádio tinha seu alcance limitado. Para se captar uma rádio de outra cidade era preciso um rádio potente, dos mais caros, e mesmo assim o som chegava com chiados, interferências, quedas de onda. Conforme o dia e horário, como nos domingos à noite, a recepção ficava um pouco melhor. Só Porto Alegre tinha rádios potentes. No interior nenhuma chegava muito longe. Não existia também horário eleitoral gratuito. As campanhas eram na raça. Os candidatos percorriam cidade por cidade, mesmo as menores, apresentando-se num comício a cada noite. Contratavam uma ou duas rádios locais, que transmitiam tudo. Ficavam roucos daquela gritaria diária, às vezes subiam no palanque com a barba de dois dias, paletó surrado, e isso lhes conferia um certo charme de heróis, que se sacrificavam naquelas marchas para libertar o povo. “Chego cansado a esta cidade” – berrou com rouquidão um dos candidatos famosos, na nossa Santa Maria. Era Fernando Ferrari. Como se estivesse fazendo uma grande declaração. “Mas, amanhã de manhã, a primeira coisa que vou fazer será ir à Igreja da Medianeira para humildemente depositar flores aos pés da Virgem Nossa Senhora”. Medianeira é a padroeira da cidade.
Demagogias baratas como esta pontilhavam os discursos, e eles só tinham que tomar cuidado para, no cansaço, não trocar o nome da cidade onde estavam, o que seria uma gafe irreparável. O bairrismo municipal, em qualquer lugar, era forte. Durante muito tempo gostei de gozar dos políticos imitando Ferrari. Sempre começava algum “discurso” com a saborosa frase “chego cansado a esta cidade...”, imprimindo o mesmo tom dramático que ele usara.
A disputa de Brizola com Perachi foi impressionante. Brizola, do PTB, enfrentava uma coligação de partidos conservadores, entre eles o PL – Partido Libertador, que de libertador não tinha nada, e visto de hoje era muito folclórico. Os caras, todos brancos, com predominância dos gringos, usavam lenços vermelhos no pescoço, o símbolo do partido. Eram visceralmente contra tudo que pudesse cheirar a algum tipo de reforma, principalmente agrária. Com aqueles lenços ridículos e botas de cano longo, os membros do PL representavam também o papel de machões. Alguns gostavam que seus revólveres na cintura, bem polidos, fossem percebidos sob o paletó. Tentavam personificar aquelas lendas, adoradas pelos gaúchos mais velhos e tradicionalistas, sobre revolucionários “machos, barbaridade”, que não se intimidavam nunca e saiam peleando onde fosse preciso.
O aeroporto de Santa Maria, na vila de Camobi, ficava a 11 quilômetros do centro. Um bom trecho era estrada, com alguns barrancos altos nas margens. Estou falando de 1959. Quando chegava um candidato o partido organizava isso que hoje chamamos de carreata. Os machões do PL costumavam vir amontoados, em pé, em carrocerias de caminhões. Numa dessas ocasiões nossa turma de garotos resolveu ovacionar a turma do PL. Roubamos todos os ovos possíveis das cozinhas das nossas mães e fomos esperar a comitiva deitados no alto de um barranco. Quando o primeiro caminhão repleto de lenços vermelhos passou rente ao barranco, em curva, lá veio a chuva de ovos. “Quem são os filhos da puta?”, berravam espumando de ódio os caras, enquanto puxavam seus revólveres cromados e retribuíam com balas de verdade aquela ovação toda. Mas a molecada já tinha se mandado e sumido no mato, na maior correria, explodindo de rir.
Ainda sobre o PL ficou uma história engraçada, contada por um amigo, o Moacir Santana, já falecido, que foi intelectual, ex-diplomata, e que se tornara uma espécie de guru da nossa turma de amigos adolescentes. Um dia Moacir estava comprando picolé da carrocinha de um ambulante, negrão. Começaram a conversar e o cara se declarou eleitor do PL. Pode? Moacir não resistiu: “Porra cara, eu sou branco, não empurro carrinho de picolé no sol, ganho bem, e mesmo assim sou PTB e torço para o Colorado. Só falta você, que é negão, pobre e fudido, além de PL ser também gremista”. O cara era.
____________________________________________________________
Milton Saldanha, 63 anos, gaúcho da fronteira, é jornalista profissional, com mais de 40 anos de atividades. Começou em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1963. Foi repórter e exerceu cargos de chefia em alguns dos principais veículos do Brasil, como Rede Globo, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC, revista Motor 3, Folha da Manhã (RS) e outros. Foi repórter em Última Hora, trabalhando com Samuel Wainer. Já assinou artigos e reportagens em mais de uma centena de publicações de todo o Brasil. Trabalhou também em assessoria de imprensa, para empresas e entidades públicas, como Ford Brasil, Conselho Regional de Economia e IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É autor do livro “As 3 Vidas de Jaime Arôxa”, pela Editora Senac Rio, e participou como cronista da antologia “Porto Alegre, Ontem e Hoje”, pela Editora Movimento, do Rio Grande do Sul. Assinou também orelhas de diversos livros sobre dança e música, de autores brasileiros. Um ano antes de se aposentar, quando era editor-chefe do Jornal do Economista, em São Paulo, fundou o jornal Dance, que em julho completa 15 anos. Tem novo livro pronto, ainda inédito. É “Periferia da História”, onde conta de memória 45 anos da recente história brasileira. Trabalha em novos projetos editoriais, como jornalista e escritor. Na área de dança, organiza uma coletânea com os melhores editoriais publicados no Dance. Atualmente prepara um livro sobre Maria Antonietta, grande mestra da dança de salão carioca, que morreu recentemente. Apaixonado por viagens conhece quase todo o Brasil e já visitou cerca de 40 países. Por hobby e paixão é dançarino de tango.
_____________________________________________________________

terça-feira, 9 de junho de 2009

HOMENAGEM PÓSTUMA AO SAUDOSO HISTORIADOR WANDERLEY DOS SANTOS

APRESENTAÇÃO:

20 de abril de 1953. João Paulo de Oliveira nasce na Rua Javaés, 182, Vila Assunção, em Santo André. Seus avós, José Pedroso de Oliveira e Antonio Manoel Pedroso, foram grandes proprietários de terras na Freguesia de São Bernardo (século 19), na área hoje abrangida por São Bernardo e Diadema. Isto o levou a pesquisar a história local. João é professor, com o título de mestre em Educação. Há o lado andreense. Os pais de João Paulo, Benedito de Oliveira e Matilde Pinheiro, constituíram família em Santo André. João estudou em escolas como o Grupo Escolar Professora Hermínia Lopes Lobo, na Vila Assunção. Conheceu Wanderley dos Santos. Visitou-o várias vezes. Esteve com ele em Franca, na Santa Casa, poucos horas antes que Wanderley partisse. E é com muita emoção que o professor João Paulo ocupa hoje o Blog do Edward para uma homenagem que, por certo, a todos emocionará. (Ademir Medici)
LEIAM HOJE NO DIÁRIO DO GRANDE ABC MAIS SOBRE WANDERLEY DOS SANTOS E SOBRE ESSE BLOG, ACESSANDO ABAIXO:
João Paulo de Oliveira
***
Missiva póstuma para o Wanderley dos Santos
__________***__________
Caríssimo amigo Wanderley:
Por Júpiter, como o tempo urge! No dia em curso me dei conta que você não está mais entre nós desde os idos anos de 1.996. Como sinto falta de você... A última vez que vi sua esposa Rosi e seus filhos Elidia, Hosana e Wanderley José, foi no lançamento do seu livro, que o senhor Romeu, proprietário da Faculdade de Diadema, publicou com a intercessão da Mary, então responsável pelo Centro de Memória de Diadema - SP.
Depois da sua ida para o Olimpo os avanços tecnológicos foram céleres! Na contemporaneidade nos comunicamos com naturalidade e desenvoltura, através do meio cibernético. Os telefones móveis se popularizaram de tal forma, que nem parece que não o tínhamos anteriormente! Demorei muito para aderir ao mundo cibernético, mas agora reconheço que o mundo virtual mudou radicalmente nosso modo de vida!!!!!!!!... Você acredita que podemos fazer transações bancárias sem sair de casa, bem como nos comunicarmos e ver pessoas que moram do outro lado do mundo, através deste fantástico mundo virtual, instantaneamente! Lembra da película Blade Runner, que veio à luz início da década de 80? Pois é, meu caro amigo, o que era ficção passou a ser realidade!!!... Lembra daquela cena, do filme citado, em que o personagem manipulava a fotografia dando zoom?!!!... Isto se tornou realidade, não precisamos mais mandar revelar as fotografias. Fico a divagar sua expressão de espanto com toda esta parafernália que cerca nosso cotidiano atual!!!!!!!!... Ainda continuo a procura de indícios que possam revelar quem foi o pai do meu bisavó paterno, o Sr. José Pedroso de Oliveira (21/09/1846-13/02/1906). Não resido mais no município de Guarujá-SP (a casa de lá fica a maior parte do tempo fechada). Voltei as minhas origens, porque resido atualmente no meu amado município de Diadema – SP... Claro que tenho grande afeição pela minha cidade de nascença, Santo André-SP e por Guarujá-SP, onde nasceram meus filhos e que morei por 25 anos! Nunca me esqueço da primeira vez que o vi... Foi no Arquivo da Cúria Metropolitana em meados da década de 80!... Fui até lá para pesquisar sobre os meus antepassados. Você, naquele tempo, era diretor do Arquivo da Cúria Metropolitana. Um funcionário o chamou para me atender mais amiúde. Fiquei encantado com sua gentileza, agilidade e presteza em responder as perguntas deste sempre inquieto inquiridor, que já está na idade outonal... Foi a partir deste auspicioso fato e dia que fomos estreitando laços, que com o passar do tempo transformou-se numa sólida amizade!!!!... Lembra quando flanávamos pelo centro velho da nossa pujante capital? Ainda guardo com muito carinho uma fotografia, onde meu filho carrega sua filha Elídia, na tenra idade e ele com oito anos. Infelizmente meus contatos com a sua esposa são raros. A última vez que falei com ela, foi a pedido do Sr. Jorge, que trabalha no Centro de Memória de São Bernardo do Campo - SP, que queria saber dos exemplares dos livros de sua autoria, que com a intercessão do jornalista e escritor Ademir Medici, a Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo - SP publicou. Falando no Ademir, você acredita que ainda não o conheço em carne e osso?!!!... Mas aconteceu algo altamente alvissareiro por conta do mundo cibernético, porque temos estreitado laços, através deste meio eletrônico!!!!!!!... Vou contar-lhe uma novidade que o deixará jubiloso! O Ademir Médici foi homenageado na Câmara Municipal de Diadema - SP no mês findo ao receber o título de CIDADÃO DIADEMENSE! Não é uma honra? Ele bem que mereceu, porque é um incansável pesquisador da nossa combalida memória!!!... Certamente se você estivesse entre nós, receberia um convite dele para participar do evento!!!!!!!... Ah!!!!!!... Também tenho outra novidade!!!!!!!!!!... O Ademir Medici me escreveu para relatar que um cidadão francano – Edward de Souza – Jornalista e radialista que trabalhou na grande imprensa do ABC, São Paulo e Rio de Janeiro, tem um blog e publicou três capítulos sobre sua vida. Foram escritos pelo Ademir Medici... Ah!... Esqueci de lhe explicar!!!!... Blog é um meio de comunicação, que apareceu no mundo cibernético, onde as pessoas deixam registrado seu viés de mundo!!!!!!!!... Ainda não estou muito familiarizado com este novo recurso cibernético! Outra novidade em primeira mão!... O Ademir Médici vai publicar, na edição de hoje, terça-feira, dia 09/06/2009 (você viu como o tempo urge já estamos em 2.009!!!!!!...) uma matéria onde o personagem principal será você!!!!!!!!!... Não vejo a hora de lê-la!!!!!!!!!... Tenho lido muito, como sempre!!!!!... Finalmente comprei e estou lendo o livro "O Idiota" do notável escritor russo Fiódor Dostoievski. Falando em livros não sei se você leu, quando estava neste maltratado e fascinante mundo que ainda habito, o livro: "Memória e Sociedade - lembranças de velhos", que a Prof. Dr. Ecléa Bosi nos brindou. Somente o li em 2.004. Por Júpiter, como divaguei com as lembranças de antigos paulistanos!...
Antes deste livro que estou lendo, li o inquietante livro "O crime do restaurante chinês", que o brilhante Prof. Dr. Boris Fausto escreveu recentemente. É fantástico divagar sobre a terra da garoa, nos idos anos de 1.938, sob a pena do Prof. Dr. Boris, seu livro desvelou, sem vaselina, o preconceito racial que infelizmente ainda continua a nos afligir. Fiquei divagando que modo de vida levou o menino que no Tribunal do Júri sorteou os nomes dos jurados para o julgamento do acusado, bem como o modo de vida que levou o acusado, após sair da cadeia.
Também sinto falta do seu sorriso cativante e do seu jeito manso de falar! Sabe, caríssimo amigo Wanderley, o mundo ficou insulso depois que deixou de contar com sua radiante existência!!!!!!!... Não sei se você lembra, mas sou vassalo mor e fã ardoroso n° 1, da inesquecível e inigualável atriz Gene Tierney! Caso você a encontre, quando estiver flanando pelo Olimpo, diga-lhe que você é meu amigo e diga também que quando chegar minha hora ficarei eternamente servindo-lhe uvas e vinhos, bem como atendendo todos os seus divinais desejos!!!!!!!!... Folguedos à parte, hoje fiquei enternecido, porque reli as missivas que você me enviou, quando estava entre nós... Vou encerrar esta missiva póstuma que lhe dedico com muito carinho e saudades, porque Morpheu me chama, espero ter a prerrogativa de encontrá-lo pelo menos nos meus sonhos!... Para sentir-me mais próximo de ti, a encerro a seu modo, que era: Vou ficando por aqui lhe enviando um forte abraço!!!!!!!!... (os pontos de exclamação e reticências são a minha moda!...)
_____________________________________________________________
João Paulo de Oliveira, professor, 56 anos, especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Ele leciona na Prefeitura de Diadema e é coordenador pedagógico na Prefeitura de São Paulo. No seu tronco familiar estão os Pedroso de Oliveira. Trata-se de uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo - já no século 19 fazia parte do bairro Piraporinha, hoje pertencente a Diadema.
_____________________________________________________________

segunda-feira, 8 de junho de 2009

LEMBRANÇAS DAS MATINÊS DE DOMINGO

Nivia Andres
___*___
No escurinho do cinema...

...Chupando drops de anis, longe de qualquer problema, perto de um final feliz... Qualquer semelhança com os versos de Rita Lee não é mera coincidência! O escurinho do cinema sempre despertou frisson nas pessoas, especialmente nos tempos idos, quando éramos bem jovens.
O gancho para essa viagem no tempo dos antigos cinemas surgiu quando fui assistir a um filme, em março, no novíssimo Barrashopping Sul, em Porto Alegre. Sabem por quê? Cinema de alta tecnologia é outra coisa – nem para comprar ingresso a gente entra em fila! Ao lado da bilheteria tem um caixa eletrônico – basta inserir o cartão do banco, adquirir o bilhete e escolher o lugar preferido. Poltrona hiper-megaconfortável, som perfeito, tela enorme, ambiente limpo e perfumado. O filme “Quem quer ser um milionário?” também foi bom. Saí do cinema com uma sensação de assepsia completa e daí recordei dos velhos cinemas de Santiago – o Neno e o Imperial (que agora só existem na nossa lembrança), palcos de grandes emoções e aventuras dominicais.
Pois bem, o Imperial era mais usadinho enquanto o Neno era recém-construído, mas isso não interessava. No domingo após o almoço, eu, minhas irmãs e amigas, caprichosamente vestidas, corríamos para o cinema, cheias de boas intenções e expectativas. Dependendo do filme, a fila era enorme – mais um atrativo, para sabermos se os “guris” também estariam lá. Cumprida a paciente espera pelo ingresso, a próxima etapa era o bar. Sem balinha ou pipoca não tinha graça...
O Teatro Cine Neno tinha 1.300 lugares, era um dos maiores do estado, na época, e passava os filmes da moda. Escolhido o lugar estratégico aonde íamos nos sentar, as poltronas passavam por vistoria prévia, para observar se não havia algum chiclete grudado. Acomodadas, iniciava a espera pelo sinal das três badaladas, que anunciaria o tão esperado escurinho... Luzes apagadas entrava o “Canal 100”, com as últimas notícias e o futebol, com aquela trilha inesquecível! Depois, os “trailers” dos próximos filmes em cartaz. Só aí começava a sessão.
Os westerns e os românticos eram os nossos gêneros preferidos. Giuliano Gemma, o valente mocinho italiano dos faroestes e Gianni Morandi, o jovem cantor italiano que fazia par com Gigliona Cinquetti provocavam suspiros na gurizada. Clint Eastwood já era herói. Quem não se lembra de “O bom, o mau e o feio”, em que ele atuava ao lado de Lee Van Cleef e Eli Wallach? E da dupla italiana (com nomes americanos) Terence Hill e Bud Spencer, dos westerns-spaghetti? O francês Alain Delon (um pão!) também era um dos preferidos das meninas. Musical? Só se fosse com o Elvis Presley! Comédia? Gargalhadas com as performances de Jerry Lewis! Nessa época choramos rios de lágrimas assistindo “Romeu e Julieta” e “Love Story”. Também não podemos esquecer os filmes do Roberto Carlos e do Beatles...
Quando a sessão era dupla, o primeiro filme era bom e o segundo, geralmente, uma porcaria. Daí, aproveitávamos pra brincar, incomodando Daniel, o lanterninha, que era o guardião do cinema e nos vigiava de perto. No corredor lateral, que servia de saída, entre uma sessão e outra, ele deixava estacionada a sua bicicleta – um flamante modelo vermelho, sua paixão. Nem é preciso dizer que adorávamos dar uma voltinha... Para a sua agonia! Muitas vezes ele trouxe os guris pela orelha, de volta ao salão do cinema. Muitas outras os colocou porta a fora, de modo a serenar o ambiente. Memoráveis também eram as batalhas de bolinhas de cipreste que travávamos com os colegas. Espetava mais do que doía. Mas o Daniel ficava louco, correndo naquela imensidão, com a lanterninha acesa, para identificar os transgressores. Acho que devia ter um preparo físico fantástico, de tanto correr atrás dos piás. Hoje, ele trabalha na prefeitura, cuida dos parques e jardins, e sempre batemos um papinho quando nos encontramos, lembrando aqueles bons tempos.
O Cine Imperial, atualmente, é uma grande loja de eletrodomésticos. Já o Cine Neno foi transformado em casa de eventos. Só abre quando há algum show ou formatura da Universidade. Porém, as aventuras das tardes de domingo no cinema são eternas, porque estão armazenadas na nossa lembrança.
_______________________________________________________________________
*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.
Blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
_______________________________________________________________________

domingo, 7 de junho de 2009

A INCANSÁVEL LUTA PELO PÃO DE CADA DIA

J. Morgado
*
PESCADORES E A ORAÇÃO
_____######_____
Caminhava pelo calçadão da praia pouco mais das seis horas da manhã. Os primeiros alvores do dia se faziam anunciar. Os pássaros agitados em busca de alimentos. Ali, um bando pombas buscando o que comer. Além, bem perto da última arrebentação, uma vintena de albatrozes com seu andar desengonçado. Pássaros das mais variadas espécies e cores ali se encontravam, mariscando. João-de-barro, bentevi, sabiá, pardais, gaviões, etc. Cada um deles tentando sobreviver com os alimentos trazidos pelo mar e os deixados pelos banhistas.
Alguns leitores poderão argüir, mas o que estavam fazendo o João-de-barro, bentevi e as outras aves mencionadas acima, afora os albatrozes, na praia? Respondo: A Serra do Mar está bem próxima com sua mata exuberante. A cidade é bem arborizada daí, há uma profusão de pássaros que não se vê com tanta freqüência em muitas cidades do interior.
Nessa hora, pescadores com seus barcos partem para sua faina diária. Suas tendas são armadas na praia quase junto ao calçadão. Ai é comercializado a “colheita do dia”.
Há muitos anos observo essa mesma prática e não me canso. Por incrível que possa parecer, dentro dessa rotina há sempre novidades; um paradoxo? Outras pessoas fazem a caminhada matinal. Já são meus conhecidos. Cumprimentos com a cabeça ou em voz alta, dependendo do grau de conhecimento ou amizade.
Nesse ambiente a beira-mar, parece que as pessoas e a natureza se integram, pelo menos nessas primeiras horas da manhã. Penso, seria tão bom se fosse sempre assim.
Conheço até os cães vagabundos que perambulam pela orla. São todos mansos e simpáticos. Chamo-os pelo nome que eu mesmo inventei; branquinho, pretinho, malhado, feio... Falo até com os pássaros. O João-de-barro é Joãozinho, o bentevi é amarelão, o pardal é português e por aí a fora. Não fogem a minha aproximação. Ninguém lhes faz mal. À mentalidade do homem está mudando, penso eu. Antigamente, os garotos viviam com os estilingues na mão. Não se vê mais essa “terrível arma” de minha infância.
O mar está manso. Pequenas ondas espumosas esparramam-se pela praia. Os barcos de pesca não têm dificuldades para vencer a primeira barreira. Partem velozes devido aos motores possantes. As redes serão lançadas alguns quilômetros mar adentro e uma ou duas horas depois estarão de volta.
Observando tudo isso é que pela primeira vez em minha longa vida vi um grupo de quatro pescadores praticarem uma ação incomum!
Sim incomum! Junto ao barco que se encontrava em um carrinho de duas rodas, pronto para a primeira pescaria do dia, o grupo, de mãos dadas, cabeça abaixada junto ao peito oravam em voz alta. Não tão alta que se pudesse ouvir qual seria a oração, mas a postura e demais atitudes daqueles homens sugeriam que o ato era feito com muita devoção e fé. Em seguida, empurraram o carrinho em direção as ondas e ali soltaram o barco. Um daqueles quatro ficou em terra e os demais embarcados, arrancaram para buscar o “pão nosso de cada dia”! Acompanhei-os com o olhar até perdê-los de vista e só então prossegui minha caminhada.
____________________________________________________________
*J. Morgado é Jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico: jgacelan@uol.com.br

____________________________________________________________