sábado, 24 de julho de 2010

HOJE É ANIVERSÁRIO DE J. MORGADO!


Ao Mestre, que nos deseja PAZ, MUITA PAZ!,
todos os dias,queremos, hoje, cumprimentar
e cantar, com a voz dos anjos, entoando

FELIZ ANIVERSÁRIO!

E agradecer pelo muito que aprendemos com os seus magníficos textos e ensinamentos, que são arte e vida plena em forma de palavras!

PARABÉNS, J. MORGADO!

Muitas alegrias, vida longa
e

PAZ, MUITA PAZ!

São os votos dos articulistas, colaboradores e
leitores do Blog de Edward de Souza.
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SEXTA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 2010

CARIDADE E AMOR AO PRÓXIMO



Assistindo a um programa de televisão onde é mostrado o desperdício de gêneros alimentícios e o aproveitamento destes por pessoas pobres, me veio à mente o Capítulo XVI, item 8 do “Evangelho Segundo o Espiritismo”. “DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS” – “A desigualdade das riquezas é um desses problemas que se procura em vão resolver, se não se considera senão a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que todos os homens não são igualmente ricos? Não o são por uma razão muito simples: é que eles não são igualmente inteligentes ativos e laboriosos para adquirir, nem moderados e previdentes para conservar.

É um ponto matematicamente demonstrado que a fortuna, igualmente repartida, daria a cada qual uma parte mínima e insuficiente; que, supondo-se essa repartição feita, o equilíbrio estaria rompido em pouco tempo, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, cada um tendo apenas do que viver, isso seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem estar da Humanidade; que, supondo-se que ela desse a cada um o necessário, não haveria mais o aguilhão que compele às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é porque daí ela se derrama em quantidade suficiente segundo as necessidades”...

O acima transcrito é apenas o primeiro parágrafo do item mencionado. A lição continua. No parágrafo terceiro destaca-se: “Deplora-se com razão o lamentável uso que certas pessoas fazem de sua fortuna, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca”... O restante da lição, o leitor poderá continuar a ler no livro codificado por Allan Kardec, em 1864.

A reportagem aludida nos mostra os necessitados catando alimentos jogados no lixo e os aproveitando para suas refeições diárias. Muitos desses alimentos, principalmente verduras, legumes e frutas estão apenas levemente amassadas ou começando a apodrecer. Devidamente recuperados em parte saciam a fome de milhares de pessoas.

Entrevistado, um dos trabalhadores do entreposto comercial respondeu a uma pergunta do repórter: – Qual a razão da não doação dos alimentos imprestáveis para os pobres? Fugindo à resposta, disse: – Não sei.

Lembrei-me, então, de outra lição, esta de Emmanuel o mentor de Francisco Cândido Xavier, inserida no livro “Religião dos Espíritos” página 207, que tem como título “Campanha na Campanha”- Edição FEB-1988.

Essa página se baseia na Questão número 886 – CARIDADE E AMOR AO PRÓXIMO, do “Livro dos Espíritos”, codificado em 1857, que diz: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade como entendia Jesus?”

– Benevolência com todos, indulgência com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer todo o bem que está ao nosso alcance e que gostaríamos que nos fosse feito. Esse é o sentido das palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como irmãos”...

Como disse antes, a lição continua e prossegue dizendo que “a caridade, para Jesus, não se limita à esmola. Ela abrange todas as relações com nossos semelhantes, sem inferiores, iguais ou superiores”...

Quanto à página mencionada, “Campanha na Campanha”, vejamos um pequeno trecho:

“Campanha”, além de outros significados na sinonímica, pode também figuradamente expressar “esforço para conseguir alguma coisa”.

Possuímos, desse modo, campanhas múltiplas no terreno da solidariedade, como simples dever; todas, porém, rogando a campanha da indulgência no âmago de si mesma.

Ouçamos, assim, o que nos diz semelhante campanha íntima:

• Ergue um lar que recolha os infortunados da via pública; entretanto não expulses do coração as vítimas do mal, para que o mal não as aniquile.

• Estende o prato reconfortante ao faminto; contudo, não te falte apoio moral para os sedentos de compreensão.

Estes são apenas dois dos treze elevados pensamentos constantes nessa maravilhosa e educativa (como sempre) obra ditada por Emmanuel ao nosso Francisco Xavier.

A leitura constante dos três livros mencionados nos trará, certamente, condições de entender a humanidade num todo. E, quando tomarmos conhecimentos de tragédias que se desenrolam em todo o mundo, nos lembraremos que nos encontramos em um estágio evolutivo ainda bastante precário. Um dia começaremos a sair deste período de expiação e provas e ingressaremos na etapa seguinte que é o mundo em regeneração. É evidente que isso não se dará como num passe de mágica. Os sinais serão imperceptíveis e serão poucos os que notarão a diferença. Provavelmente, as guerras serão em menor número; o analfabetismo e a fome começarão a ser erradicadas e os homens começarão a se respeitar uns aos outros...

Esses e outros sinais levarão talvez um, dois ou mais séculos para serem notados, mas, certamente começarão.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

MILAGRE OU APENAS UMA COINCIDÊNCIA?

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Uma foto incrível tornou-se uma mensagem de fé na cidade de Córdova, (em espanhol: Córdoba) município da Espanha fundada pelos Romanos no ano 152 a.C. com população de 319.692 habitantes. Ela foi tirada no batismo de Valentino Mora, filho de Erica, uma mãe solteira de 21 anos, que pediu à fotógrafa que tirasse de graça a foto de seu filho. Córdova é uma cidade média, com um núcleo antigo que foi declarado Património da Humanidade pela Unesco. A cidade viveu uma grande transformação urbana com o enterramento dos caminhos de ferro e a integração do rio Guadalquivir na vida da cidade, uma construção longamente desejada. A cidade é um centro de comércio, muito ligado a produtos agrícolas, nomeadamente à azeitona e aos citrinos, mas também a produtos industriais, como a cerveja, a maquinaria e os têxteis. Em meados do século IX era a cidade mais povoada do mundo, e uma das primeiras a ter iluminação pública.
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A foto do batismo de Valentino Mora está varrendo a internet, porque na hora em que o padre derrama a água benta sobre sua cabeça, ela escorre no formato de um terço. Esta história começou na Paróquia de Nossa Senhora de Assunção em Córdova, Espanha, onde o batismo do bebê de um mês aconteceu. Na hora em que Valentino foi a pia batismal para o sacramento do batismo, Erica pediu à fotógrafa Maria Silvana Salles, contratada por outros pais que estavam batizando seus bebês, que tirasse a foto de seu filho como um favor, já que a jovem mãe não tinha como pagar por ela. A fotógrafa, tocada pelo pedido de Erica, concordou em tirar a foto de Valentino.
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Maria Silvana trabalha com câmera tradicional e teve que enviar o filme para ser revelado numa loja em Córdova. Quando ela recebeu as fotos, notou com surpresa que a água derramada da cabeça de Valentino era um terço perfeito. A foto do batismo de Valentino fez nascer a fé no povo de Córdova, que vai até a humilde casa de Erica e Valentino para tocá-lo. Moradores da cidade e de outros lugares próximos vão à loja de Maria Silvana comprar a foto como se fosse um santinho. O que pensa o leitor? Milagre existe, ou foi simplesmente uma coincidência essa foto tirada no batismo desta criança?
(ES)

quarta-feira, 21 de julho de 2010



Devo reconhecer que se obtive certo renome na imprensa brasileira, mesmo meteórico, é graças ao Estadão, que me possibilitou a elaboração da série de reportagens vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo. Comecei bem jovem no Estado. Fazia menos de seis meses que eu trabalhava no bi semanário News Seller, já preparado para se transformar no Diário do Grande ABC, – quando o telefone tocou. Acredito que foi o jornalista Alberto Floret quem atendeu e me chamou, dizendo que era do Estadão. Os outros jornalistas, na redação àquela hora, Lázaro Campos e Eulina Cavalcanti – esta, editora do suplemento feminino e de artes e literatura – se entreolharam, como a perguntar: que o Estadão deseja com esse foquinha? – palavra usada para identificar o novato em jornalismo.
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Do outro lado da linha, o economista José Paschoal Rossetti. Solicitava meu comparecimento à sucursal do Estado, em Santo André, para nós dois conversarmos. No dia e hora marcados eu já me encontrava lá. Paschoal, um homem de menos de 30 anos, não muito alto, cabelos enruivados, logo pediu para eu entrar em uma pequena sala, com duas máquinas de datilografia e um aparelho de telex (foto acima, a esquerda) – o mais moderno meio de comunicação da época, 1968. De imediato, falou de seus planos. Precisava de um jovem literato, em início de carreira de jornalismo, que aceitava ser treinado. Teria registro na carteira de trabalho como repórter de setor. Aceitei no ato e ele, então, me passou um release do serviço de Imprensa da Prefeitura de São Bernardo, sob o comando de Fernando Leça, para que eu lesse e reescrevesse, se necessário. Saiu, dizendo voltar em poucos minutos.
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Realmente, logo ele retornava e eu já tinha preparado o material. Ele leu o que escrevi e também o release, e me deu a primeira lição: nunca reescreva o que está bem escrito, ensinou, referindo-se ao texto do release, que, em sua opinião, não exigia muitas mudanças. Fui aprovado e comecei no Estadão, sem deixar de trabalhar no News Seller que, no mês seguinte, em maio de 1968, passaria a ser Diário do Grande ABC. Descobri depois ter sido o crítico de arte Enock Sacramento quem me indicou ao Paschoal Rosseti. Enock me conhecia de trabalhos literários feitos meses antes e publicados no suplemento do News Seller. Ele contava com o apoio de outro crítico, J. A. Pereira da Silva, o Zé Armando.

Na sucursal do Estadão tive, ao longo do tempo em que lá trabalhei, a companhia do velho amigo Jayme Zerrenner, descendente de alemães, e um ótimo fotógrafo. Nessa época, auge da ditadura militar, quando Zerrenner percebia minha dificuldade em obter uma entrevista, ele falava bem alto: Já que é assim, vamos embora, capitão. E, eu, já orientado: Sim senhor, meu coronel. As pessoas, assustadas por acharem estar diante de dois oficiais militares, de uma hora para outra se dispunham a conceder a entrevista e fornecer todas as informações necessárias para a elaboração de reportagem. Zerrenner morreu com mais de 90 anos de idade, de câncer na garganta. Morreu esquecido.
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Com Paschoal Rossetti, não nego, aprendi a escrever para jornal, a fazer uma abertura de no máximo sete linhas resumindo a reportagem. Durante quase um ano, todos os dias, ele copidescava meus textos. Uma vez, cheguei à redação e a lauda estava intacta, sem nenhum rabisco, nenhuma mudança no texto. Entrei imediatamente em contato com o Paschoal e perguntei-lhe se ele não iria vir à redação para ler a reportagem, antes de ser enviada para a Matriz, em São Paulo, via telex. Ele, ao telefone, deve ter sorrido, ao me informar que lera minha reportagem e não modificara nada porque eu havia atingido o ponto alto por ele desejado. Nesse dia, lembro-me, bebi, bebi como nunca. Alguns desafetos comunicaram ao Paschoal, no dia seguinte, sobre a minha bebedeira. E ele, quando chegou à redação, em vez de me criticar, me elogiou, revelando que se fosse ele, na minha idade, também teria comemorado com uma homérica bebedeira.

Tendo Zerrenner sempre ao lado, e sob a orientação de Paschoal Rossetti, praticamente dissequei a alma dos sete municípios integrantes da região industrial do ABC Paulista. As reportagens falavam do início do surgimento de favelas ao concreto do Paço Municipal de Santo André; dos meninos sob o sol das últimas olarias ao criador de faisões; do cinza da fumaça das chaminés das indústrias ao cultivador de rosas e árvores de Natal; do Velho Caminho do Mar às modernas técnicas da abertura da rodovia dos Imigrantes: do japonês que cuidava de carpas à violência que começava a marcar o ABC; do movimento e do barulho das cidades à tranquilidade nevoenta do distrito de Paranapiacaba, a Vila Inglesa e seu quase desconhecido Instituto Botânico, com árvores raras e animais ainda selvagens. Enfim, com essas reportagens, buscava-se traçar um panorama de como era o ABC e na megalópole em que estava se transformando. Ao Jayme Zerrenner e ao mestre José Paschoal Rossetti deixo aqui minha homenagem, simples, mas saída de um coração sincero.

Quando, em fins de 2003, me informaram da doença, fiquei transtornado e manifestei esse meu transtorno em uma espécie de carta que escrevi para enviar para amigo, mas jamais o ele tomou conhecimento desse meu desabafo. O texto, na integra:
Ainda penso que estou no meio de um sonho, um sonho muito ruim. Já faz dez dias que pisei no Hospital do Câncer pela primeira vez. E cada vez que saio de lá venho carregado de uma espécie de angústia, uma dor que não sinto, mas que machuca por dentro. Vejo as pessoas com grandes cicatrizes no pescoço, algumas deformadas, outras respirando por aparelho e corre em minhas veias uma lenta agonia.

Lembro-me, há muitos anos, o Ricardo Kotscho foi encarregado de fazer uma reportagem sobre o câncer. Depois de muitas entrevistas, o Ricardo saiu com esta: “Viver dá câncer”. Isso porque, na opinião dos especialistas, tudo o que o ser humano fazia poderia provocar o câncer. Ainda recentemente, outro Ricardo, o Hernandes, então assessor da General Motors, teve câncer no rosto. Uma coisa terrível. A única coisa que pude fazer foi prestar a minha solidariedade e escrever um texto que ele achou muito divertido.

Hoje, mal posso acreditar que estou me submetendo a uma bateria de exames preparatórios para uma cirurgia que vai cortar meu pescoço e minha boca. De acordo com o cirurgião Mauro Ikeda, que irá comandar a equipe responsável pela minha operação, após a cirurgia, se tudo correr bem, ficarei dez dias em recuperação no hospital e mais quinze em casa. Depois, então, é que serão retirados os aparelhos e, talvez, os pontos. A seguir, virá a quimioterapia ou radioterapia – ainda não está definido o tratamento.
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Estou escrevendo isso mais para me aliviar um pouco. Não consigo falar com ninguém sobre o assunto. E, depois de operar, não quero receber visitas – tenho horror à comiseração. De resto, meu amigo, sofro mais porque não creio, de coração, em alguém que possa me ajudar. Fico, então, a admirar as pessoas simples, que têm fé e, em sua simplicidade, conseguem a cura por milagre. Mas, num ato de desespero, tento dizer que tenho fé. Mas Ele sabe que não. Mesmo assim, peço a Sua ajuda.
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Na próxima quarta-feira, o décimo quinto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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terça-feira, 20 de julho de 2010


@MIGOS!



Hoje não é um dia qualquer. É o Dia do Amigo! Dedicado àquelas pessoas que queremos bem e que fazem parte de nossa vida de maneira relevante. Pois quero dedicar meu pensamento melhor e mais caloroso aos amigos e amigas que fiz, nos últimos tempos, através da Internet. São os @amigos e @amigas virtuais. De muitos não conheço nem a aparência, já que a sua imagem não aparece nos comentários feitos em meu blog e no do Edward. Porém, de igual maneira dedico-lhes meu carinho e gratidão pelo apoio, gentileza, cordialidade e parceria com que tenho sido distinguida, nesse tempo de convivência profícua e altamente compensatória.

E o elo que nos une é a amizade, palavra linda originada do latim, amicus, amigo, que possivelmente se derivou de amare, amar. Faz sentido!

Normalmente, a amizade é um relacionamento humano que envolve conhecimento mútuo e afeição, além de lealdade que chega ao altruísmo. Por isso, exige proximidade. Mas nós, @amigos e @migas do blog, comungamos de um tipo especial de @mizade que, mesmo na distância, nos une, porque nasceu e cresceu como um sentimento de cooperação na livre e democrática discussão de idéias, objetivando o bem comum.

E por conversarmos todos os dias, fomos nos conhecendo e reconhecendo melhor...Ah! Conheço-os todos, tão bem! Conheço-os todos porque sei o que se passa em seus corações, sempre ávidos de informação, conhecimento, transformação, numa busca incessante, que nunca há de acabar...

Dessa conversa diária foi nascendo a afeição, o carinho, a necessidade cada vez maior da palavra que se traduz em arte da comunicação, cantada e louvada por todos, em uníssono. Sim, nós somos os amigos nascidos da moderna comunicação, que gerou proximidade e afeição através da máquina que encurta espaços e abre novos caminhos!

Sim, para selar nossa amizade, construímos pontes virtuais e nossas mãos, guiadas pelo desejo intenso de proximidade, produziram o milagre!

E aqui estamos nós, diariamente, trocando idéias, opiniões, concordando e discordando, rindo e chorando, brincando e falando sério – cada um partilhando e compartilhando o que tem de melhor a oferecer!

Espero, sinceramente, que a corrente construída por nossas habilidosas mãos não tenha fim e os seus elos dourados se mantenham permanentemente juntos, por força da amizade que fomos capazes de granjear e dividir.

FELIZ DIA DO AMIGO!
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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão em Interface Ativa!. Dê uma espiadinha em http://niviaandres.blogspot.com
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segunda-feira, 19 de julho de 2010


CADA POVO TEM O

GOVERNO QUE MERECE


Depois de um período de descanso forçado, volto a “escrevinhar” neste espaço gostoso.

Fiquei longe desta máquina por algum tempo. Por recomendação médica e sob a vigilância constante de minha esposa, o micro ficou distante dos meus dedos e de meus olhos.

Hoje, finalmente, aqui estou. Leio com sofreguidão as matérias postadas. Como sempre, escritos inteligentes e pertinentes ao que estamos vivendo atualmente.

“O Orgulho de ser Brasileiro”, da Nivia, “Juventude, Poder e Glória”, do Edward e “Os Psicopatas da Tecnologia”, do Saldanha. Os comentários que se sucederam sobre cada um desses artigos foram todos de alto nível.

De certa maneira, todos eles se referem à má educação e a falta de cultura de nosso povo. Um fato que devemos lamentar ainda por muito tempo.

As pessoas se queixam dos governos federal, estadual e municipal, mas não conseguem enxergar ou sentir que a culpa é de cada um de nós.

Como disse a Nivia, não nos lembramos em quem votamos nas últimas eleições. O povo brasileiro é completamente despolitizado e irresponsável quando se trata de atender aos interesses do próximo. Não existe o mínimo de ufanismo.

Durante a copa de futebol realizada na África, como em todas as outras, verificamos a postura de nossos jogadores quando da execução dos hinos nacionais. Alguns fingem cantar e outros deixam a desejar quanto à maneira de se comportar.

Parem durante alguns instantes em uma rua qualquer de nossas grandes, médias e pequenas cidades e verifiquem “in loco” que o desrespeito às leis e regulamentos que protegem o cidadão são comuns a todo instante.

Em minha cidade (Mongaguá), há uma excelente ciclovia. Muitos ciclistas fazem questão de transitar fora dela e ainda o fazem com um olhar de desafio. Se qualquer cidadão chamar a atenção do faltoso certamente estará correndo o risco de ser agredido!

Pessoas dirigindo falando ao celular, com crianças no banco da frente quando não no colo do pai ou da mãe.

Os limites de velocidades são desrespeitados e são muitos os acidentes horríveis que acontecem, todos os dias, em nossas estradas.

Estacionamento em guias rebaixadas e sobre as calçadas...

A população brasileira não conseguiria suportar a uma “tolerância zero” aplicada em algumas cidades norte-americanas.

Mas, a indiferença é muito maior quando se trata de procurar e pesquisar sobre candidatos aos cargos eletivos deste país. Há muito corporativismo quando, na verdade, o interesse maior deveria ser o bem estar geral.

Votamos em corruptos (políticos venais) por desconhecer o passado deles ou simplesmente por interesses escusos e egoísticos (lembram daquele deputado que ganhou na Mega Sena mais de 200 vezes? Os Sarneys da vida?)

A mídia implacável despeja um monte de asneiras todos os dias. E o povo, por falta de visão cultural, deixa-se levar, ignorando que se transformaram ou se transformam em mera mercadoria.

“A mediocridade é um fato consumado na sociedade onde o ar é depravado” (trecho da música “Caixinha, Obrigado!" - Juca Chaves).

Nas matérias de meus amigos mencionadas no início deste artigo verifica-se que a luxúria, a ignorância, o consumismo exacerbado, a inveja entre outros defeitos morais, são a causa de todos os nossos males. Como mudar isso?

Com a resposta, os leitores deste já consagrado blog.

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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quinta-feira, 15 de julho de 2010


A LUZIA "BALAIO"


No início da década de 60 veio o primeiro bispo para minha cidade; "bisco", como dizia minha avó Vitta. A mudança imediata que pudemos notar foi marcante: fecharam o inferninho, zona de meretrício situada no final do Morro da Canjica. Meu avô, italiano da Calábria, era proprietário de algumas casas por aquelas bandas e costumava dizer que as "meninas" eram as melhores inquilinas do mundo.

A casa maior era ocupada pela Luzia "balaio" que tinha três profissões: fazia balaios de vime, cuidava de um boteco montado no cômodo da frente de sua casa e durante a noite, era aquele "mucu-mucu, vucu-vucu". Tanto trabalho resultou numa pneumonia dupla que, mal curada, levou a coitada à morte. Como não tinha parentes, foi velada ali mesmo, na mesa da "sala/boteco" cuidadosamente enfeitada pelas colegas com flores, velas e cortinas pretas.

Lá pelas tantas, foram surgindo também os fregueses e como era sábado, o afluxo foi grande. Começaram, a princípio, lamentando a morte da Luzia, elogiando seus dotes e esforços de sobrevivência nesse mundo cão. Passagens picantes de sua vida foram contadas por alguns dos clientes, enquanto as amigas iam servindo a mortadela, salames, queijos e bebidas, dispostos nas prateleiras. A alegria começou sorrateira e muito tímida a princípio; aos poucos foi transformando-se em estrepitosas gargalhadas, motivadas pelas doses de cinzano, anizete, "rabo-de-galo", "fogo-do-norte", paisano e cachaça. Alguém teve a idéia de ligar o rádio e, pela madrugada, o bailão estava formado.

Para abrir mais espaço, encostaram as mesinhas que apoiavam o caixão num canto e depois, como estava atrapalhando, puseram o esquife, com defunta e tudo, em pé, encostado a uma janela, deixando, porém, as velas acesas, em sinal de respeito. Caixão de pobre, naquele tempo, era feito com lâminas de pinho e recapeado com um tecido roxo, bem fino (mesmo tecido da mortalha).

Não demorou muito até que sobre o caixão uma das velas tombou, transferindo suas chamas para o pinho, daí para a mortalha, alastrando-se pelas cortinas e, em breves minutos, a casa toda estava em chamas.

Não morreu ninguém pois a única incendiada já estava morta e penso eu, que a Luzia "balaio" foi a primeira e única defunta cremada em minha cidade.

Bem, depois dessa história fica difícil encaixar alguma receita, mas, já que falei em meus avós, vou ensinar uma receita de uns docinhos simples que minha "Vó Vitta" trouxe de Bari há mais de cem anos atrás e que estavam sempre à nossa disposição nos potes de vidro, mergulhados no mel, denominados de

STRUFOLLI OU PINGOS DE MEL DA VÓ VITTA: 1 Kg de farinha de trigo; 1 copo de óleo; 5 ovos; 1 xícara (chá) de açúcar; 1 cálice de vinho tinto seco; 1 pitada de sal; 1 colher (sobremesa) de pó royal e 1 litro de mel.

Modo de Fazer: misturar todos os ingredientes (menos o mel). Sovar bastante a massa, enrolar em tiras e cortar (como nhoques). Fritar em óleo quente e deixar escorrer. Passar os "struffolis" pelo mel quente, colocando-os em uma vasilha de vidro ou louça. Espalhe o restante do mel por cima.

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*João Batista Gregório, 58, paulista de São João da Boa Vista, é cronista de mão cheia. Publicou, em 2009, suas crônicas reunidas em Crenças e Desavenças e já prepara um novo livro, a ser lançado em breve. Para conhecer a sua produção, acesse o blog do JB, cheio de histórias divertidas, onde cada crônica pitoresca acaba com uma receita culinária especial, testada e aprovada! Clique no endereço abaixo e delicie-se! http://contoscurtosgrandesreceitas.blogspot.com/
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quarta-feira, 14 de julho de 2010



O meu casamento com a Eva praticamente acabou em 1977. Nessa época eu continuava na Prefeitura, morava na casa dos pais da Ilca, em um pequeno quarto nos fundos. Ela dormia num pequeno quarto e eu em outro, paralelo. Antes de dormir, dávamos um jeito de nos amar com mais intimidade, mesmo temendo o olhar vigilante de sua mãe Matilde. Para uma tristeza muito grande da Ilca, dona Matilde morreu jovem, antes de completar 50 anos, em decorrência de um enfisema pulmonar provocado por um violento e prolongado ataque de asma.

Era quase o final de 1977 e, dias depois, a Eva veio me encontrar na casa dos meus pais. Lembro-me que a levei até a padaria próxima e conversamos e, ela, lamentou a morte da mãe da Ilca. Depois, semanas passadas, uma advogada me ligou dizendo ser procuradora da Eva e me convocava para um encontro de conciliação no Fórum local. Não compareci nem em seu escritório e muito menos no Fórum e até hoje não sei o por quê. Só sei que, naquela época, só existia o desquite e eu almejava o divórcio.

Em março de 1978, a Eva me procurou em um escritório de um conhecido meu no centro de Santo André. Estava só em uma sala com ela e lembro-me de que esse foi o último beijo apaixonado que trocamos. Não demorou muito, em uma padaria próxima da casa de seus tios, nos encontramos de novo. Ela, nervosa, queria saber quais os motivos de meu não comparecimento no escritório da advogada. Não sei também o que respondi. Lembro-me apenas de sua repulsa ao me ouvir que gostaria de ver o Marcelo, nem que fosse pela última vez. Ela, simplesmente me alertou para não ir, alegando que os seus parentes estavam enraivecidos comigo.

Sua ira teve explicação anos depois. É que o seu pai, já envelhecido e doente, manifestou o desejo de fazer um testamento, deixando-lhe um imóvel em Peruíbe, no litoral sul paulista, e parte da casa onde morava os seus pais, a ser dividida entre ela e os seus irmãos. Mas ele fazia uma exigência: que a Eva se separasse oficialmente de mim, porque ele acreditava em meu interesse pela herança de sua filha. Ambição que jamais tive e sequer demonstrei. Mas, havia ainda outro motivo: ela estava sendo seduzida por um policial militar que prestava serviços de segurança em uma pequena fábrica de propriedade de seus tios. Este foi o nosso último encontro e, ao se despedir, ela me pediu para nunca escrever ou telefonar. Eu prometi e cumpri com a minha palavra.

Antes desse último encontro com a Eva, o jornalista Fausto Polesi, diretor do Diário do Grande ABC, me autorizou a elaborar duas grandes reportagens. Uma sobre a reconstituição da rebelião carcerária ocorrida na Ilha Anchieta, litoral norte paulista, em 1952, e, a outra, abordando o drama das famílias indígenas que habitavam a periferia das grandes cidades. Para o litoral fui de ônibus, acompanhado do fotógrafo João Colovatti. Chegamos e ficamos na Pensão do Maestro, uma das mais antigas hospedagens da localidade. Fica perto da praia onde o padre Anchieta escreveu na areia a sua Prece à Virgem e, também, do pequeno porto de onde partem os pescadores locais com suas barcaças. Essa pensão, na verdade, é uma casa térrea, pintada de azul e branco, com dezenas de quartos, com banheiros coletivos, cozinha e um pequeno refeitório. A entrada e a saída só por um corredor, sempre vigiado, dia e noite, as vinte e quatro horas, para que hóspedes não saíssem, principalmente de madrugada, sem pagar.

Eu já era um antigo conhecido do proprietário. Há quase dez anos frequentava a pensão e, cada vez, com uma jovem diferente – inclusive a Eva e a Ilca conheceram essa hospedagem, simples, mas confortável e sem exploração dos turistas. Logo mantivemos contato com um barqueiro que, por sinal, estivera como policial militar na ilha e sabia do levante. Atualmente, quem vivia na ilha, cuidando das ruínas do presídio, era o seu filho mais velho. Partimos na manhã seguinte e, para não deixar de ser, fomos acompanhados de duas jovens, que conhecemos na hospedagem. Elas se encontravam de passeio e como dispunham de pouco dinheiro, aceitaram o convite para conhecer a ilha, já que o barco tinha capacidade para mais de seis pessoas. O Colovatti usou mais de dois filmes tirando fotos das ruínas e de certos aspectos da ilha e eu anotei o que considerei necessário, inclusive as frases deixadas por presidiários que, anos mais tarde, confundiam-se com as de turistas . Regressamos a Ubatuba e as jovens decidiram permanecer na ilha, com a promessa de seriam resgatadas no dia seguinte.

Essa reportagem ganhou página dupla do Diário do Grande ABC, sob o título: A maior rebelião carcerária do mundo, em que escrevi utilizando estilo literário-jornalístico e narrando desde o início até o desenlace do levante, que deixou dezenas de mortos, entre policiais e fugitivos. A outra reportagem, que não chegou a ser publicada, tratava do drama dos índios que habitavam os arredores das grandes cidades. Para elaborar essa reportagem, visitei aldeias nas serras de Ubatuba e de Barra do Uma, em São Sebastião, ambas no litoral norte paulista, e em Peruíbe, no litoral sul e, ainda, em Parelheiros, às margens da represa do Guarapiranga.

A reportagem mostrava os problemas que esses índios enfrentavam, as doenças, a falta de comida e a perda dos hábitos, dos costumes e da cultura de seus ancestrais. Essa situação, aliás, foi prevista pelos sertanistas Cláudio e Orlando Villas Boas, em seu último documento, elaborado após a Universidade Federal de Mato Grosso lhes conferir o título de doutor “honoris causa”, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados em favor do índio. Para eles, a solução para o problema seria a criação de amplas reservas e parque, nos quais o índio receberia diretamente da Fundação Nacional do Índio, além de assistência médica, os utensílios, implementos e outros objetos indispensáveis.

Eles afirmavam: com tais medidas poder-se-ia evitar que o índio, abandonando sua área, continuasse a frequentar núcleos civilizados, margens de rodovias, sedes de fazendas, aglomerados de garimpeiros, à procura das utilidades que o seduzem e onde, em troca do que obtém, seja vítima de todos os vícios, de tudo enfim que poderíamos classificar de fatores de desintegração, processo que, dada as condições dos citados núcleos, começa, invariavelmente, pela dissolução da família.

Continuavam: dessa forma, atraídos pelos civilizados, os índios são, muitas vezes, persuadidos a abandonar suas aldeias para residir nas fazendas, onde sempre e automaticamente perdem sua autonomia, os estímulos e as oportunidades para suas recreações, bem como a plena disponibilidade do tempo para a obtenção dos tradicionais e fartos recursos de sua subsistência. E isto, só não aconteceu, como piorou.
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Na próxima quarta-feira, o décimo quarto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres)
Arte: Cris Fonseca.
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