sexta-feira, 21 de maio de 2010


QUEIXUMES


“Eu que me queixava de não ter sapatos, encontrei
um homem que não tinha pés.”
(provérbio chinês)


Quantas vezes durante nossa existência já teríamos ouvido esse provérbio da cultura chinesa, que acabou se inserindo na sabedoria popular? Quantas pessoas se dão conta do que realmente querem dizer essas poucas palavras? Acredito que não muitas, tendo em vista o número de pessoas que existem neste nosso planeta. Os queixumes são tão vulgares que acabaram fazendo parte da conduta do homem, quando se sente lesado, seja material ou fisicamente. Dói aqui, dói ali, ou me falta isto ou me falta aquilo, ou ainda, porque isso acontece só comigo, e vai por aí a fora. As pessoas se queixam do tempo, das pessoas que a rodeiam e das pessoas que, por motivos vários, são obrigadas a terem contato.

Muitas vezes, aceitamos, como inevitável, aquilo que nos acontece no dia a dia; aí partimos para a reclamação, lamúrias, queixumes, etc. Entretanto, nós, espíritas, sabemos muito bem, ou deveríamos saber, que nós mesmos programamos nossa reencarnação e, como tal, devemos compreender, como ninguém, os problemas que nos cercam quando voltamos para este mundo de expiação e provas.

Isso não quer dizer que sejamos fatalistas, uma palavra que deve ser abolida do dicionário espírita, mas realistas, ou seja, cientes de que aqui estamos para resgatar nossos erros e aprender, cada vez mais.

Devemos nos preocupar com nosso corpo físico sim, pois ele é o templo de nosso espírito. As queixas ficam para aqueles que ainda nada sabem disso, mas que um dia, pelo amor ou pela dor, buscarem ajuda espiritual nas searas espíritas que se espalham pelo mundo, cada vez mais.

As queixas maiores são porque aquele tem mais e eu tenho de menos (vide o Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVI, item 8). Depois, provavelmente, são as doenças, que poucas pessoas sofrem com estoicismo. A maioria queixa-se constantemente de suas dores, mas se olhasse para seu próximo ou olhasse para trás, veria que há mais sofrimentos no mundo e que ele não está só. Basta assistirem os noticiários na televisão, nas revistas e jornais e verificarem o que acontece na África, na Ásia e aqui mesmo, na América do Sul, como no caso o Haiti, entre outros.

O Livro dos Espíritos, na Questão 258 e seguintes, nos dá a resposta e comprova o que até agora foi escrito. “No estado errante, e antes mesmo de tomar uma nova existência corpórea, o Espírito tem a consciência e a previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

- Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio”.

A lição segue com perguntas e respostas, portanto irmão leitor acione seu exemplar do livro que deu origem à Codificação do Espiritismo e busque minorar os queixumes que todos nós estamos acostumados a fazer durante nossa existência; será um passo adiante no progresso que buscamos. Naturalmente, quando se trata de doenças físicas, devemos ir à busca de médicos e outros profissionais de saúde para que, uma vez diagnosticadas as causas, tratá-las convenientemente.

Não poderia deixar de contar aqui uma velha história que também acabou se acoplando na sabedoria popular: um senhor faminto andava pelas ruas, em busca de alimento. Depois de muito caminhar, encontrou uma banana; com satisfação descascou-a e jogou a casca do fruto fora. Logo atrás, outro faminto apanhou a casca e alimentou-se com ela. São raras as pessoas que não conhecem essa historinha, mas ela serve para ilustrar bem o assunto que estamos abordando.

O Capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo - Bem-Aventurados os Aflitos - logo em seu item 1, diz: Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles. (São Mateus, capítulo V, v. 4, 6 e 10).

No item 4, Causas Atuais das Aflições -. As vicissitudes da vida são de duas espécies, ou, se assim quer, têm duas fontes bem diferentes que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente, outras fora dela.

Remontando à fonte dos males terrestres, se reconhecerá que muitos são as consequências naturais do caráter e da conduta daqueles que os suportam.

Quantos homens tombam por suas próprias faltas! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantas pessoas arruinadas por falta de ordem, de perseverança, por má conduta e por não terem limitado seus desejos!

A lição prossegue e, repetindo o que escrevi acima, tenham à mão, em todos os momentos, o Evangelho Segundo o Espiritismo, além das outras obras que Kardec nos deixou, e, certamente, os queixumes diminuirão, para a felicidade presente e futura.

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

EPÍSTOLAS PAULIANAS
PARTE II

MISSIVA PÓSTUMA AO MEU BISAVÔ PATERNO,
JOSÉ PEDROSO DE OLIVEIRA
(21/09/1846-13/02/1906)


Estimado e preclaro bisavô José Pedroso de Oliveira, continuemos nossa agradável interlocução acerca das coisas daqui e de lá!!...

O senhor ouviu falar de um cidadão inglês, o notável Charles Darwin, que chegou a visitar nosso Império?!... O motivo da pergunta é porque ele publicou um livro versando sobre a teoria da evolução das espécies, que ainda causa polêmica, nos dias em curso, em virtude de afirmar que não fomos criados à imagem e semelhança de Deus, além de sustentar que somos descendentes dos seres vivos que surgiram no mar?!... Não sei se o senhor tinha o domínio da leitura e escrita. Em caso afirmativo, encomendava, quando ia à cidade e depois lia as obras dos memoráveis escritores Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Fiódor Dostoievski, Gustave Flaubert, Oscar Wilde e Conan Doyle?!...

José Pedroso de Oliveira e sua esposa, Leopoldina

Como era sua comunicação com o imigrantes italianos, que falavam daquele jeito enrolado?!... Como foi que o senhor conheceu sua esposa, minha bisavó Leopoldina Maria Fagundes de Oliveira?!... É verdade que onças rondavam sua casa grande, na calada da noite, no início do seu casamento?!... Quem me contou esse fato, foi a minha dileta e saudosa tia, Noêmia de Oliveira Fabrini, sua neta, que viveu com sua esposa, quando era pequenina!... Ela também me contou que sua mãe, minha tataravô, Joaquina Maria do Espírito Santo, estava nas cercanias do sítio em que morava, quando foi raptada por um cavaleiro, tendo como consequência seu nascimento!... É verdade?!... Quem foi este cavaleiro misterioso?!... Será que ele também foi pai dos seus outros irmãos?!... O senhor ouviu falar do cinematógrapho, quando ia à cidade?!...

Depois de dois anos de sua partida, a cidade teve a primeira sala de exibição do cinematógrapho. O senhor não vai acreditar, mas nas terras que lhe pertenciam, bem como nas terras dos seus demais familiares, amigos e compadres, vivem na atualidade milhões de pessoas!!... Lembra daquele pedaço de terra que o senhor doou ao Clero, mandando ainda construir uma Igreja em homenagem ao Bom Jesus, possibilitando o surgimento de um povoamento?!... Pois é, bisavô José, agora esse pedaço de terra é o centro de um próspero bairro chamado Piraporinha, que pertence ao pujante município de Diadema-SP, cidade que já conta com aproximadamente 400.000 habitantes!... Aliás, todos aqueles sítios de propriedade dos seus parentes, amigos e compadres, se transformaram em grandes cidades, para ser exato, sete cidades, onde moram mais de 2.500.000 de habitantes!!!...

A cidade que o senhor ia para visitar parentes, fazer negócios e trazer provisões, tem mais de 10.000.000 de moradores!!... Não é assombroso, bisavô?!...

Sabe, bisavô, graças ao empenho de um descendente daquela família italiana, os Medicis, que certamente tinham membros na sua Confraria da Irmandade do Santíssimo, o senhor não caiu no esquecimento, porque vira e mexe ele fala do senhor, numa coluna dedicada à Memória, escrita por ele, num periódico chamado New Seller digo Diário do Grande ABC!!!... O nome dele é Ademir Medici!!!...

Que tal, bisavô José deixar de lado, momentaneamente, estas litanias Marianas e flanar pelo Olimpo?!... Afinal, já são mais de 103 anos que o senhor ai se encontra e acredito que nunca saiu dessa ala da morada dos deuses, cercado de beatos e anjinhos barrocos!...O senhor não fica entediado?!... O senhor nem imagina o que está perdendo não visitando outros lugares desta morada eterna?!...

Tem uma ala, onde vivem eternamente representando, atores e atrizes que foram estrelas, na fascinante Arte das Imagens em Movimento, que no seu tempo era conhecido como cinematógrapho, bem como outros que se dedicaram ao Teatro, como por exemplo, a notável atriz Cacilda Becker, que foi tão brilhante que Dionísio não resistiu de tão encantado que ficou com ela e resolveu antecipar sua partida para o Olimpo, com o escopo de ter o deleite exclusivo em vê-la atuando eternamente, em peças memoráveis, como: “A dama das Camélias”, “Pinga fogo”, “A visita da velha senhora”, “Esperando Godot”!!!!!!!...Ah, bisavô, tem uma atriz, que atuou no cinematógrafo, de que sou vassalo mor e fã ardoroso número 1...O nome dela é Gene Tierney!!!!!!!!!!!!!... Caso o senhor aceite minha atrevida sugestão de conhecer essas outras alas olimpianas, e a encontre, diga-lhe que seu bisneto, quando aí chegar, ficará à sua inteira disposição, servindo-lhe uvas e vinhos, além de atender a todos os seus divinais desejos!!!!!!!!!...

Acho até louvável sua dedicação à sua Confraria , mas perdoe-me, novamente, pelo atrevimento, não encare seu bisneto como má influência ou sob o domínio de Mephisto, mas o senhor precisa ampliar suas perspectivas eternas!...

Sabe, honorável bisavô, o senhor deixou dezenas de descendentes, que não sei precisar com exatidão, mas acredito que somente esse seu bisneto, que além de um reles escrevinhador é um insulso professorzinho primário, cultua sua memória e o tem em alta estima e consideração, apesar do século que nos separa!... Em sua homenagem, reformei novamente seu jazigo, no sepulcrário da Vila Euclides, na parte reservada à Irmandade do Santíssimo, colocando, ainda, seu retrato, acompanhado de uma placa, que além dos seus dados, informa que o senhor foi o fundador de Piraporinha!!... Foi muito emocionante quando meu adorado e saudoso pai patrocinou a primeira reforma do seu jazigo, nos idos anos de 1985, porque quando seus despojos mortais foram exumados, segurei seu crânio!!...

Sabe o que me deixa dolorido sobremaneira, bisavô José?!... É saber que após a minha ida ao seu encontro, certamente serei esquecido pelos meus descendentes!... Ó dia!... Ó céus!... Ó vida!... Ó ano!... Ó dor!...

Querido bisavô, enquanto eu viver, o senhor viverá na minha memória!... Sua benção, bisavô José Pedroso de Oliveira!!!... Não esqueça deste seu bisneto nas suas litanias!!!...

Caloroso e afetuoso abraço, deste seu bisneto que nunca o viu e sempre o amou!!!!!... Saudações respeitosas e Tierneyanas!!!... Até breve...

P.S. - Os excessos de exclamações e reticências são minha moda e nada têm a ver com as três reformas ortográficas que ocorreram após a sua partida!!!...(Acho melhor não lhe dizer que não sou mais incrédulo, mas também não sei se me tornei crédulo...). Porém, esse imbróglio vai ter fim, prometo-lhe, assim que obtiver credencial na Escola da Reforma Íntima, que atualmente frequento...

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*João Paulo de Oliveira, 57, pertence a uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo. Andreense de nascimento, é professor e leciona na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, na Região do ABC Paulista. Ocupa também o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na Prefeitura de São Paulo. Além de Pedagogo é Mestre em Educação. Especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Nas horas de lazer, em sua bela mansão no litoral, busca refúgio nas belas praias do Guarujá. Amigo e colaborador do blog, João Paulo escreve, mais uma vez, uma crônica inédita neste espaço. Visite seu blog, Celulóide Secreto, em http://joaopauloinquiridor.blogspot.com Contatos com o articulista pelo e-mail joaopauloinquiridor@ig.com.br

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Não percam, nesta sexta-feira (21), o aguardado artigo quinzenal de J. Morgado!

quarta-feira, 19 de maio de 2010


"Eu sempre perguntava dos cachorros e dos gatos – nossos filhos. É que gostava de alimentá-los, acariciá-los. Inclusive os abandonados, que vagueavam famintos pelas ruas, à procura de comida e água. Até hoje não consegui compreender por que as pessoas se livram dos animais como se fossem produtos descartáveis".
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Usei a precária experiência obtida com “O Nabo”, pequeno jornal que eu e meu amigo Paulo Pereira criamos e comecei a editar um jornalzinho para circular internamente na Brastemp, a fábrica de geladeiras e outros eletrodomésticos, que marcou o meu primeiro emprego com carteira assinada. Tinha 14 anos. O jornal – se é que aquelas quatro páginas tamanho ofício, mimeografas, poderiam ser chamadas de jornal – se resumia em contar boatos sobre os funcionários da empresa, de diretores a simples empregados.

Na época, estourou o movimento militar, que implantou a ditadura, com a derrubada do então presidente João Goulart. Na verdade, Jango, como era mais conhecido, se tornara presidente em decorrência da renúncia de Jânio Quadros, que alegara ser o seu gesto motivado por “forças ocultas”. Analistas políticos, no entanto, asseguram que ele desejava mesmo era um golpe populista, que o mantivesse no poder com mais regalias.

Aproveitando-se da fragilidade do novo presidente, com evidentes tendências socialistas, os militares implantaram a ditadura, responsável pela perseguição aberta de intelectuais, artistas e cidadãos comuns que se opunham à queda do regime democrático que, praticamente, não completara dez anos depois do suicídio de Getúlio Vargas, o outro presidente amado e odiado ao mesmo tempo pelo povo brasileiro.
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Jovem, adolescente influenciado por idéias revolucionárias, logo me coloquei contra o regime e passei a usar meu pequeno jornal interno para publicar artigos e opiniões contrários à revolução, que o cronista Stanislaw Ponte Preta, ironicamente, chamava de “redentora”. Num desses números, publiquei a crônica de um funcionário, homônimo do meu amigo Paulo Pereira, abordando as crianças abandonadas, que viviam mendigando nas ruas. No mesmo período, fui visto lendo um livro ironizando o regime comunista, mas o título era incriminador: como ser um bom comunista. Só esse título bastou para que funcionários do alto escalão ficassem sabendo de minhas tendências marxistas-leninistas e me entregassem para a chefia, exigindo minha demissão, como se a minha posição comprometesse o interesses da empresas com o governo.
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Perdia, assim, o meu primeiro emprego e me tornei um das primeiras vítimas da revolução. Logo arrumei colocação, desta vez como entregador de avisos, para uma instituição bancária em Santo André, onde morava. Foi uma época tranquila. Só que não deixei de escrever contra a revolução dos militares, jogando em suas costas toda a culpa da pobreza e das injustiças reinantes no país.

Á época, fazia o curso básico em um colégio localizado no centro da cidade e conheci Augusto Maciel, um jovem moreno, de porte físico avantajado, bastante ligado ao meio teatral. Precisava de um amigo, uma vez que o Paulo Pereira distanciava-se em razão de um namoro sério, que o conduziria ao matrimônio.
Com Augusto Maciel, fui deixando o bairro aos poucos e convivendo mais com o pessoal da cidade. Entre esses, Hildebrando Pafundi, outro jovem, só que oito anos mais velho que eu, este ligado ao jornalismo: fazia uma coluna social em um semanário local: a Folha do Povo.
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Sabendo do meu interesse por literatura e jornalismo, conseguiu espaço para minhas crônicas nesse jornal. Mais tarde, eu e o Hildebrando, passamos a fazer reportagens sobre personalidades literárias e chegamos a entrevistar escritores como Jorge Amado, Ligya Fagundes Telles, José Mauro de Vasconcelos. Ignácio de Loyola Brandão, em seu início de carreira e outros.
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Desta vez, talvez em razão de minhas crônicas discorrendo sobre a pobreza nas ruas centrais da cidade, acabei demitido, também, da agência bancária – essa se tornava a segunda perseguição por causa de minha ideologia. Fiquei sabendo depois que o gerente temia ser acusado de estar apoiando um subversivo... Eu, subversivo, com apenas 16 anos...

Meu terceiro emprego era para ter sido na fábrica onde Paulo Pereira trabalhava. Mas no mesmo dia em que começara, uma empresa de arames, não muito distante de casa, me chamara, oferecendo um salário equivalente. Preferi o perto de casa ao de perto do meu amigo, que continuava a se distanciar. No primeiro emprego, no entanto, conheci uma pessoa que muito me ajudou depois: Aderbal Cavalcanti que, sabendo do meu interesse por jornalismo, pediu para que eu me apresentasse a sua irmã Eulina Cavalcanti, editora do suplemento feminino e literário News Seller – o semanário mais prestigiado da região.

Eulina morava perto da fábrica do meu novo emprego. Apresentei-me uma tarde, em sua residência e ela pediu para que eu fizesse uma sugestão de reportagem.
Certo dia, lendo um jornal da capital paulista, fiquei sabendo da estada de Vinicius de Moraes em um hotel, na avenida Ipiranga, no centro da capital paulista. Mesmo sem ter contato com o poeta, me prontifiquei a Eulina a fazer uma entrevista. Nesse dia, ela não só autorizou a reportagem, como me cedeu um fotógrafo para a missão: Clovis Cranchi Sobrinho.

Era a senha para a entrada no mundo jornalístico. Escreveu, anos mais tarde, o diretor do jornal, Fausto Polesi, ao fazer a apresentação do meu livro Villas Boas e os Índios: "José Marqueiz, o autor deste livro-reportagem, descobriu pendores para o jornalismo quando era ainda garoto de seus 16, 17 anos. Na época, trabalhava como auxiliar de escritório na cidade onde morava, Santo André. E Santo André possuía o semanário News Seller, com circulação em toda a região do Grande ABC. Eu era diretor-fundador do jornal e cuidava da redação, recebendo visitas e colaborações de diversos candidatos a jornalistas. Certa vez, recebi a colaboração – reportagem-entrevista com Vinicius de Moraes – de alguém chamado José Marqueiz. Li, gostei e publiquei. A partir daí começou a carreira jornalística do nosso herói".

Sim. Deixava a vida na fábrica e iniciava meu trajeto pelo jornalismo, sem esquecer a literatura. E hoje, quase um século depois, fico pensando se eu e o Paulo tivéssemos uma visão empresarial seríamos precursores do lançamento de jornais de bairro e de empresas, se aprimorássemos os jornais como “O Nabo” e, eu na Brastemp, o jornal sobre os bastidores dos funcionários. Certamente, seríamos empresários bem-sucedidos e gozando de uma excelente condição econômica e financeira. Feliz ou infelizmente, levamos essas iniciativas como brincadeiras da juventude. E seguimos nossas vidas, cumprindo a sina já estabelecida antes mesmo do nosso nascimento, para usar das palavras de minha mãe, analfabeta e sábia.

Estava reagindo bem ao tratamento quimioterápico intensivo, embora nos primeiros dias tenha convivido com uma dor de cabeça ininterrupta. Os enfermeiros, depois de me aplicarem injeções e me fazerem engolir várias cápsulas, decidiram por apelar à equipe da Central da Dor. Numa das manhãs – todas as manhãs são iguais no quarto de um hospital – apareceu um médico dessa central e indicou uma mistura de três remédios, sendo um injetável e dois por via oral.
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Como por encanto, depois de quase cinco dias, minha cabeça parou de dor e pude, com mais tranquilidade, continuar com o tratamento e, ainda, dar os primeiros passos pelo corredor, tendo ao lado um acompanhante – geralmente uma visita amiga, um dos meus irmãos ou a dona Neide, contratada pela minha mulher para me fazer companhia à noite. Essa atitude ela tomou depois que, ao levantar-me para ir ao banheiro, senti tontura e cai ao chão. Não me machuquei, mas acabei por assustar o colega de quarto, que ocupava a cama ao lado, e a enfermeira que apareceu minutos depois. Era tontura, provocada por uma espécie de fraqueza e também pelos efeitos colaterais da medicação.
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Pela manhã, como sempre fazia, a Ilca apareceu para saber (e ver) como eu estava. Mesmo se eu estivesse com péssimo aspecto, ela me incentivava e dizia que eu me encontrava melhor e havia até rejuvenescido. Seu otimismo chegava a contagiar, se eu realmente acreditasse em suas palavras. Percebia o seu cansaço – depois de oito horas de serviço em um sindicato patronal, onde trabalhava como secretária da presidência, ela se deslocava para o hospital. Eu sempre perguntava dos cachorros e dos gatos – nossos filhos. É que gostava de alimentá-los, acariciá-los. Inclusive os abandonados, que vagueavam famintos pelas ruas, à procura de comida e água.

Até hoje não consegui compreender por que as pessoas se livram dos animais como se fossem produtos descartáveis. Um dia pensei em escrever sobre os cachorros que viviam em um canil. Comecei, mas não conclui. Estava saindo muito triste, cheio de histórias tristes. Deixei o material arquivado – talvez eu volte ainda a terminar esse projeto.
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Nessa manhã, a Ilca chegou dizendo que a Eva, minha primeira mulher, havia telefonado para saber do meu estado de saúde. A Ilca, como não podia deixar de ser, informou que minha saúde era de causar inveja e que eu estava ótimo, prestes a receber alta. Essa última afirmativa era verdadeira em parte, porque, minha alta seria de 21 dias. Teria que passar por mais quatro sessões de cinco a seis dias cada. Um longo e dolorido caminho a seguir.

Ao ficar sozinho, sem nenhuma companhia, comecei a me lembrar de quando conheci a Eva. Ela havia sido contratada para trabalhar como recepcionista no recém-lançado Diário do Grande ABC. Era uma jovem de 18 anos, cabelos negros, olhos castanhos, lábios carnudos e bastante simpática. Galanteador como sempre, elogiei a sua beleza e, ao saber que ela fumava, a presenteei com um maço de cigarros – era uma época em que não havia campanhas alertando que fumar causava mal à saúde. Fumar era um ato de elegância.

Quando encerrou o horário do expediente, me ofereci para acompanhá-la até o ponto de ônibus – naquela época, também, poucos eram os que tinham carro. Ela se fez de rogada, mas acabou aceitando, com uma ressalva: ela não iria para o ponto de ônibus, mas para a sua residência. Morava a poucos quarteirões da sede do jornal. No caminho, fiquei sabendo um pouco de sua vida. Seus pais eram separados. Ela fora criada pelos avós paternos e o seu irmão, Adão, pela mãe. O pai vivia amasiado com outra mulher e, da mãe, ela pouco tinha notícias.

Aos 18 anos, Eva alimentava um sonho comum a todas as mulheres: casar, ter uma casa só para ela, o marido e os filhos, e levar uma vida pacata. Nada mais. E quando eu lhe falei em namoro, ela foi categórica: só se fosse para casar. Eu, sabendo que não assumia mesmo nenhum compromisso mais sério, mas para garantir o namoro, fui categórico: é lógico que o meu namoro com ela era para terminar em casamento. E, realmente, dois anos após, eu me casaria com a Eva. Um casamento que iria durar pouco mais de cinco anos.
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Na próxima quarta-feira, o sexto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. Nesta quinta-feira o texto final da crônica “Epístolas Paulianas”, escrita pelo professor João Paulo de Oliveira, não deixe de acompanhar. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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terça-feira, 18 de maio de 2010


EPÍSTOLAS PAULIANAS
PARTE I

MISSIVA PÓSTUMA AO MEU BISAVÔ PATERNO,
JOSÉ PEDROSO DE OLIVEIRA
(21/09/1846-13/02/1906)


Estimado bisavô José:

O senhor não vai acreditar, mas se estivesse entre nós completaria, no ano em curso, 164 anos!... Desde o fatídico dia 13/02/1906, quando o senhor partiu para o Olimpo, deixando desolados sua esposa Leopoldina, filhos, amigos, compadres e os seus confrades da Irmandade do Santíssimo Sacramento, este maltratado e fascinante mundo que agora habito, passou por transformações vertiginosas, que seriam inimagináveis entre seus contemporâneos!..

Este seu bisneto, que se atreveu a interromper suas litanias, em louvor ao Santíssimo Sacramento, é neto do seu filho João Paulo de Oliveira!... Pois é, respeitável bisavô José, seu neto Benedito de Oliveira, que veio à luz 13 anos, após sua partida, não acrescentou Neto ao meu nome!...

O senhor nem imagina como aquelas máquinas rodantes, que certamente o assombravam, quando ia à cidade, evoluíram!... Se eu for lhe contar tudo o que aconteceu depois da sua partida, além de aturdido, o senhor ficaria com a impressão que este seu bisneto precisaria de bênçãos especiais, com óleos consagrados, ministrados pelo padre Tomás Inocêncio Lustosa!

Sabe aquele aparelho que o nosso querido imperador D. Pedro II ficou fascinado, porque permitia falar com outras pessoas em outros locais?!... O senhor nem imagina como se aperfeiçou, porque agora cabe na palma da mão e funciona sem fio, podendo ser transportado para qualquer lugar, permitindo que as pessoas se comuniquem com outras em qualquer localidade do planeta!... Também existe uma máquina cibernética que transformou radicalmente o nosso modo de vida!... Calma, meu bisavô, já disse que não preciso dos préstimos do padre Lustosa, porque o que lhe digo é realidade na contemporaneidade!!!... Outro fato, que acontece agora, e tenho certeza de que o deixará sumamente exasperado! Os homens dedicados à medicina descobriram um remédio, que permite às mulheres, que o ingerirem, com regularidade, não gerarem filhos!!!!!!!.... Bisavô, ô bisavô, perdoe-me se o fiz perder os sentidos, momentaneamente, mas é a pura verdade!... Já que o senhor teve esta reação, então é melhor nem lhe contar, que pessoas do mesmo sexo, vivem juntas, isto mesmo, de maneira carnal!... Em alguns países esta união, que aos seus olhos beatos Mariano, é uma aberração, tem o valor de um casamento, inclusive podendo adotar filhos!!!!...

Por Baco e Afrodite, que rebuliço causei entre os confrades da Irmandade do Santíssimo, que foram acudir meu bisavô, porque agora ele demorou para recuperar os sentidos!!!....

Ché, então é melhor nem lhe contar que este seu bisneto vê com naturalidade estas uniões, porque senão ele pensará que seus descendentes ficaram degenerados!!!!...Já pensou, então, se eu lhe contar sobre o ménage à trois?!...

Perdoe-me, respeitável bisavô, por ter lhe ocasionado uma síncope!!!... Acho melhor não lhe contar outros fatos que acontecem agora na Terra, porque se eu lhe dizer que o homem já foi à Lua, o senhor dirá que este seu descendente direto é um lunático!... Acho melhor parar mesmo de falar da contemporaneidade, principalmente em relação a religião, porque nosso amado Império, digo país, deixou de ser predominantemente católico e várias seitas exploram a fé alheia, com o escopo mercantilista.

Vamos falar, agora, do seu tempo de vivência!...

Como o senhor foi aceito na Irmandade do Santíssimo, se na sua certidão de nascimento não consta o nome do seu genitor?!... O senhor nem imagina como tento descobrir indícios para saber quem foi este homem, não obtendo êxito, que não teve a hombridade de dar-lhe seu nome!... Será que seus outros irmãos eram filhos dele!... Ah, sua irmã Francisca é minha tataravô materna!... Isto mesmo, meus adorados e saudosos pais são primos em 4º grau!... Está vendo?!... Sua mãe, a Sra. Joaquina Maria do Espírito Santo é minha tataravô paterna e concomitantemente mãe da minha tataravó materna!!!!!!... Credo, bisavô, até este seu bisneto, que é um reles escrevinhador outonal, fica confuso, quando pensa nisto!... O senhor me desculpe, mas sou muito especula ou então, melhor dizendo, muito inquiridor!... Então prepare-se:

O senhor era amigo ou conhecido do Dr. Flaquer, do Coronel Oliveira Lima ou da professora Hermínia Lopes Lobo?!... O senhor foi na inauguração da estrada de ferro, construída pelos fleumáticos ingleses e inaugurada em 1867 ou na solenidade de abertura do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, em 1896?!... Teve muito falatório no enterro do padre Lustosa, em 1892?!... Como o senhor recebeu o Regime Republicano, instaurado em 15/11/1889, porque tenho a impressão que continuou assecla da Monarquia?!... É verdade que o senhor foi obrigado a participar da grande guerra, hoje chamada de Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança?!...

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*João Paulo de Oliveira, 57, pertence a uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo. Andreense de nascimento, é professor e leciona na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, na Região do ABC Paulista. Ocupa também o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na Prefeitura de São Paulo. Além de Pedagogo é Mestre em Educação. Especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Nas horas de lazer, quando sua mansão no litoral não é invadida por ladrões, busca refúgio nas belas praias do Guarujá. Amigo e colaborador do blog, João Paulo escreve, mais uma vez, uma crônica neste espaço. Visite seu blog, Celulóide Secreto, em http://joaopauloinquiridor.blogspot.com Contatos com o articulista pelo e-mail joaopauloinquiridor@ig.com.br
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Na quinta-feira, 20, a segunda e última parte de Epístolas Paulianas. Amanhã, o quinto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

HOJE É DIA DE FESTA!


ANIVERSÁRIO DE

EDWARD DE SOUZA!

Amigos e amigas do blog, hoje é um dia especial – o dia do aniversário do querido amigo Edward de Souza! Por isso, nossa rede de amigos e amigas cumprimenta o homem e o profissional da comunicação que, com tanto talento e sensibilidade, soube acolher, conquistar e manter tantas pessoas, de todas as partes do mundo, ligadas permanentemente nesse espaço de opinião e compartilhamento de emoções e de ideias.

Ao Edward, nosso carinho e desejo de muita paz, saúde, harmonia e prosperidade!


EDWARD DE SOUZA, POR NIVIA ANDRES

Neste dia de festa, todo meu carinho e agradecimento ao amigo Edward de Souza pois, é por causa desse blog e da curiosidade dele que aqui me encontro, no delicioso convívio diário, com milhares de leitores fiéis, há mais de um ano.

Foi aqui, neste espaço de comunicação e troca de ideias, que senti a gratificação do carinho permanente de um público seleto, de alto nível, e fiz novos amigos, me senti valorizada como profissional e querida como ser humano, por pessoas que não conheço pessoalmente, na forma física, mas que quero muito bem, pois lhes conheço a alma.

Caro Edward! Devo muito a você! Sou feliz por essa convivência fraterna e por poder compartilhar do seu talento e de sua amizade!

EDWARD DE SOUZA, POR GARCIA NETTO:

Uma boa relação não se fortifica por muito tempo decorrido, tão somente. Ela se consolida, a bem da verdade, nos momentos iniciais, quando a sensibilidade se aflora invadindo o sentir das pessoas no afinamento prazeroso dos ideais, como ocorre na sintonia bonita das cordas de um violino.

Minha convivência com o jornalista e radialista Edward de Souza é bem jovem, no entanto, a maturação necessária não exigiu alongamento de tempo para identificá-lo cheio de sonhos e projetos na arte de escrever, - jornalista, escritor - na fidelidade ao princípio família, na fiel dedicação aos inúmeros amigos que cultiva de tantos anos. O apego, carinho, saudade de amigos da região do ABC, o retorno, na aposentadoria, à terra mãe, indicam-lhe a qualidade da beleza d’Alma.

Conviver com ele em seu blog, com tanta justiça, zelo, equilíbrio a guiar firmes os passos que damos, tem sido enorme prazer e realização.

Que as bênçãos do Divino sigam iluminando sua jornada em muitos anos mais a viver.

EDWARD DE SOUZA, POR J. PAULO DE OLIVEIRA


Ainda continuo maravilhado com esta fantástica tecnologia, que transformou sobremaneira nosso modo de vida e contatos sociais!

Se no tempo em que eu trabalhava com minha saudosa amiga Irene Soffner alguém me dissesse que conheceria, por enquanto virtualmente, o pai da lenda urbana do Bebê-Diabo, não acreditaria...

O que dizer do chefe Edward? Afinal, chefe é chefe!!!! (Quem sabe depois destas breves linhas o chefe me concede um aumento?!...)

Folguedos à parte, tenho a gratíssima satisfação de interagir, embarcando neste vagão do Expresso Oriente, quase que diariamente, com o chefe Edward e demais confrades, desde o dia 09/06/2009, quando tive a prerrogativa de ver uma homenagem que fiz ao meu saudoso e dileto amigo Wanderley dos Santos ser publicada aqui, com a intercessão do valoroso jornalista Ademir Medici!

Considero o chefe como se fosse um irmão um pouco mais velho!! Em algumas ocasiões acho que até o amolo com minhas confidências, ocasião que ele sempre está disponível e racionalmente tece sensatas ponderações, que me faz ter outros viéses para o assunto que me afligia...

Ele é um jornalista supimpa, que nos deixa emocionados, inquietos, exasperados, enternecidos, alegres, esperançosos, quando sua brilhante pena entra em ação!!!!...

Meu telefone portátil vibrou!!!!... Preciso dizer quem era?!... Claro que era a Dona Miquelina (huhum)!!!... Ela disse-me que também adora o chefe Edward e nunca esquece dele, quando vai à Cripta da Catederal da Sé, solicitar a intercessão do poderoso Cacique Tibiriçá e da Nossa Senhora de Guadalupe!!!... A copeira Hermenegilda também o adora e não vê a hora de vê-lo provando suas famosas rosquinhas, que deixam o bombeiro Godofredo com água na boca...Ultimamente a Dona Miquelina está entretida com uma novena para que o chefe consiga seguir a risca hábitos saudáveis para ter uma saúde vigorosa!!!!...

Ela também disse-me que o chefe nasceu no ano que:

- George Orwel publicou o inquietante livro “1984”;
- Monteiro Lobato deixou de existir;
- O Estado de Israel tornou-se um fato;
- A ONU trouxe à luz a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
- Minha amada imortal, Gene Tierney, brilhava na fascinante Arte das Imagens em Movimento, na película “Impulso Irresistível”.

Chefe Edward, peço-lhe, de joelhos, clemência!!!!!... Não me mande para o Calabouço Real por conta dos mexericos da Dona Miquelina!!!... Não posso “pagar o pato”, porque a linguaruda lançou pistas sobre o ano do seu glorioso nascimento. Se Vossa Majestade perdoar este reles Bobo da Corte, prometo-lhe apresentar camponesas, que vieram da Capadócia, que são de fechar o comércio do Reino!!!!...

VIVA O REI DOS REIS EDWARD I!!!!!!!!!!... V I V A!!!!!!!!...

EDWARDETES DO BLOG

Nós somos os Edwardetes do blog,
Levamos a vida a Edwardar
De noite, embalamos teu sono
De manhã, nós vamos te acordar

Nós somos os Edwardetes do blog,
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo, num grande abraço,
Corações de norte a sul.

Canto, pelos espaços afora,
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora,
Bum, bum, bum...

Canto, pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza
Que mora no teu coração.

Canto, para te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
É a alegria da gente
Bum, bum, bum...

Canto, e sou feliz só assim,
Agora, peço que cantes,
Um pouquinho para mim.
Bum, bum, bum...

EDWARD DE SOUZA, POR STRELLITZIAH K. DENT

Caros e caras, queridos e queridas!

Estou felicíssima hoje, e a causa é elementar – nosso amigo Edward aniversaria e enche de alegria nossos corações. Aqui, no Reino das Águas Claras, onde me encontro, navegando numa nuvem de algodão doce, cercada de anjinhos, pedi emprestado à Fada Sininho um pouquinho do seu pó de pirlimpimpim, matéria encantada que só a poucos e raros seres é dado conhecer e espargir. O Edward é um deles. Escreve com o coração na ponta dos dedos e nos embriaga com o seu texto sensível e perfeito, sem fugir da racionalidade quando o assunto merece; sem temor da crítica, sem a busca do aplauso fácil... Ele conhece, muito mais do que eu, os segredos do encantamento e da magia, que produzem VIDA, em abundância! Por isso, neste dia especial, recorro a todas as forças da natureza, para que o cubram com as essências mais raras, os encantos mais sutis e invoco a bênção divina do Senhor, para que o proteja e o conserve sempre cheio de saúde e de ideias brilhantes!

EDWARD DE SOUZA, POR J. MORGADO


Hoje, dia 17 de maio de 2010. Desde 2007, através desta máquina infernal venho cumprimentando-o pelo seu natalício.

2007, 2008, 2009, 2010. Afinal, você ficou mais velho ou mais experiente? Vou aguardar a sua reposta.

Trabalhamos juntos no mesmo jornal, durante muitos anos. Cada um de nós em uma editoria. Víamo-nos de quando em quando, fisicamente. Mas, foi on-line que selamos uma amizade firme, duradoura, fiel e sincera.

Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Estranho o chamado destino!

Em outubro de 2009, saí de minha cidade com o intuito de abraçá-lo. Uma viagem longa para um cara bem mais velho do que você.

Foi um encontro inesquecível! Lágrimas rolaram! A emoção gritou mais alto.

Em 2007, cometi uma gafe. Cumprimentei-o por estar fazendo um ano a mais. Brinquei dizendo que você não precisaria pagar mais a passagem nos coletivos e que só pagaria meia-entrada no cinema, entre outras mordomias. Você não falou nada. No ano seguinte (2008) você finalmente atingiu a “melhor idade”. Você notou a diferença?

Não há diferenças entre um e outro ano vivido. São os muitos anos decorridos que fazem a modificação do corpo carnal. Por dentro (alma) nos sentimos ainda rapazes, com muita energia.

E é isso que desejo a você, nesta data. Muita energia para continuar a nos brindar com seus escritos e sua preciosa amizade.

Parabéns, meu amigo!

Mil abraços!

Paz. Muita Paz.

sábado, 15 de maio de 2010



ENTENDENDO AS RAZÕES DE DUNGA



Caros e caras, queridos e queridas, voltei! Acontece que nesta semana ocorreu um fato relevante, que requer minha intervenção. O senhor Carlos Caetano Bledom Verri, popularmente conhecido pelo codinome Dunga, convocou os 23 jogadores que irão defender a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo da África do Sul.

A lista de convocados deixou a pátria de chuteiras atônita. Não deveria. Eu, pelo menos, não fiquei. E lhes digo porquê. Vou lhes contar uma pequena história, para que vocês entendam minha posição. Sabem que tenho ligações profundas com o mundo transcendente e, por isso, fui ter com Branca de Neve, no mundo encantado onde ela ainda reside, avec seu príncipe e os seis anões restantes.

Esclareço que não viajei para a terra da fantasia porque, na contemporaneidade, há meios eletrônicos sensacionais, que permitem uma interlocução competente, em tempo real e sem ruídos. Acontece que tenho o MSN da White Snow e dele me socorri para investigar os motivos que levaram o Dunga a fazer suas escolhas.

A gentil princesa atendeu-me prontamente e também demonstrou seu desapontamento com o menorzinho do clã. Para que eu entendesse melhor, contou-me como Dunga veio parar no Brasil, virou jogador de futebol e, mais recentemente, técnico da Seleção Brasileira.

Vocês conhecem muito bem os Sete Anões: Mestre, Feliz, Zangado, Atchim, Soneca, Dengoso e... Dunga. Pois eles trabalhavam numa mina de diamantes, extraindo o precioso mineral. Era um trabalho pesado, insalubre, em que pese os resultados auspiciosos, tal a valia do produto. Porém, Branca de Neve não aprovava que o caçula acompanhasse seus irmãos na faina diária. Ele era muito jovem, ainda não articulava direito as palavras, aliás, não se entendia nada do que dizia! Então, a princesa e o príncipe, responsáveis legais pelo menino, resolveram enviá-lo para um reino distante, chamado Brasil, para que pudesse estudar e transformar-se num homem de valor.

Nem preciso dizer que os irmãos foram terminantemente contrários à decisão, mas não ousaram desobedecer as determinações do real casal. Assim, por um sortilégio benigno, Dunga veio parar na meridional cidade de Ijuí, sob a proteção de uma acolhedora família, que o criou e lhe deu a educação desejada por seus pais adotivos primevos.

Entretanto, Dunga jamais esqueceu a sua origem, pois, na tenra infância, jogava futebol com pedras de diamante lapidadas tal qual uma bola... Com a intervenção do craque Claudiomiro (aquele que, ao jogar em Belém do Pará, sentiu-se feliz em visitar a terra em que Jesus nasceu...) Dunga foi parar no Internacional de Porto Alegre. Fez carreira, foi para a Seleção, tornou-se Campeão do Mundo e, agora, é o manda-chuva do escrete canarinho.

Pois bem, chegamos ao ponto crucial da questão. E desvendamos o mistério que paira no ar. Por que Dunga convocou alguns jogadores que consideramos medíocres e deixou de fora alguns novos e geniais talentos, a título da fadada coerência que ele tanto ressalta? Pois saibam, caros e caras, queridos e queridas que, na verdade, quem convoca e desconvoca, quem escala e desescala não é o Dunga e, sim, o Zangado!

A princesa real confidenciou-me que o Dunga e seus irmãos estão permanentemente ligados. Comunicam-se pelo MSN e pelo Skype, diariamente. Embora Dunga deseje seguir os razoáveis conselhos do Mestre, sempre teve sintonia maior com o Zangado, de quem podemos notar, claramente, índicios de belicosidade em suas intervenções públicas, especialmente nos colóquios algo ácidos com a imprensa. Entenderam agora, aquela testa franzida, a cara sisuda, de poucos amigos e de muitos inimigos?

Desta vez, Mestre e Feliz foram desconsiderados, pois queriam que Dunga convocasse Neymar e Paulo Henrique Ganso, dois jovens geniais, donos de futebol primoroso e alegre. Zangado só admitiu Robinho, porque três do mesmo time iria virar panelinha, os meninos poderiam esquecer que estavam em campo e querer comer um peixe durante a partida...sabe-se lá o que passa na cabeça desses moleques.. Ademais, o Ronaldinho Gaúcho é muito festeiro, poderia marcar encontro, à noite, com algumas sul-africanas bonitas e sumir da concentração... O Victor é belo demais e seria uma temeridade ter que aguentar um bando de tietes gritando por ele, dia e noite, sem parar!

Inconsolável está o Dengoso, que queria ver no time principal o Ronaldo Fenômeno e o Adriano! Dunga, disse-me Branca de Neve, respondeu, gentilmente, ao irmão que não haveria tempo hábil para plantar uma árvore no meio do campo, para que o Ronaldo descansasse após uma corrida rumo à linha de fundo e muito menos, infraestrutura para construir uma favela carioca nos locais dos jogos, aos moldes da que o craque do Flamengo aprecia para reconstituir as energias e inspirar-se. Haveria, inclusive, um impedimento de natureza alimentar, já que a tonelagem de grãos teria de ser aumentada para fornecer ração diária substanciosa aos dois jogadores e a carga do avião da TAM já atingiu o limite máximo. Ah! E também fracassaram as tentativas de abrir uma filial do Mc Donald’s na concentração da Seleção.

Agradeci a gentileza de Branca de Neve que ainda segredou-me pairar-lhe no peito uma dúvida atroz. Ela e o príncipe desconfiam que o Dunga comeu um ínfimo pedaço da maçã enfeitiçada pela Bruxa Malvada (de triste lembrança) e as reações, tardias, estão se manifestando agora. É de se pensar!

Enfim, caros e caras, queridos e queridas, recorri ao imponderável, ao que paira acima da realidade, para descobrir alguns dos mistérios insondáveis que habitam a mente do técnico Dunga. Espero ter desvendado a questão sem ter que recorrer à magia e outros quetais cósmicos.

Certo é, aqui entre nós, que é muito difícil abrir a cabeça para o novo, para a revelação da genialidade. Isso é coisa para quem tem ousadia e destemor. Em nome da coerência, da mesmice e da falta de criatividade, muitos figurões foram para o brejo.

Me admira, porém, constatar que um homem que, na infância, jogava futebol com bolas de brilhante, não consiga, na maturidade, perceber as gemas preciosas de que prescindiu, ao ignorar novos talentos, perdendo oportunidade única de revelá-los para o mundo e colher o título inédito do hexa. Entristecida, concluo que Dunga preferiu abandonar a magia que cercava suas origens, em nome da burocracia que rege suas decisões atuais, sem brilho, sem poesia... Ainda não compreendo porque conserva o apelido. Ou melhor, entendo, sim! Deve ser porque em sonhos, ainda joga com as pedrinhas de diamante...

De qualquer maneira, a decisão está tomada, a menos que o imponderável se manifeste... Como a maioria dos brasileiros que amam a sua Seleção, já estou preparando minha camiseta, bandeira e demais apetrechos verde-amarelos e vou torcer até o fim pela Canarinho, apesar de Dunga, ou melhor, de Zangado!

Aconselho que vocês façam o mesmo porque uma torcida amorosa é o 12° jogador em campo e o inconsciente coletivo propalado por Jung (um dos meus psicanalistas preferidos!) de 189.980.000 (20.000 são urubus agourentos) de brasileiros vai funcionar, mesmo que a distância seja transatlântica e os boleiros, meio murchos. Carinho, amor e paixão, multiplicados por milhões, fazem toda a diferença!

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*Strellitziah K. Dent é consultora para assuntos sentimentais, vidente, astróloga, guru & assemelhados. Absolutamente do bem.
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sexta-feira, 14 de maio de 2010

E.S.P.E.C.I.A.L

O DIA EM QUE MORRI (FINAL)


Dedicado à médica Liliana Diniz

Aviso: não é ficção. Tudo que será contado foi real!


A ALEGRIA DE RENASCER

No hospital você não tem escolha. Ou mantém a calma e luta por sua vida, colaborando ao máximo com os médicos, enfermeiras e terapeutas, ou se entrega ao desespero, enfraquece e torna tudo mais complicado. Minha opção, de cara, foi a primeira, até nas atitudes mais triviais, como fazer a barba todas as manhãs para não ficar com aquela deprimente “cara de hospital”. Comia bem, “para estar forte na hora H”; fazia com tenacidade e boa vontade os exaustivos exercícios respiratórios para fortalecimento do diafragma; dava bronca em quem vinha me tratar como coitadinho e mantinha o moral tão elevado quanto possível.

Do sofrimento físico no pós-operatório é o mais difícil de falar, pois não há como ser descrito, nem comporta divagações. Para quem, durante uma semana, se preparou para morrer, como eu fiz, porque sabia dos altos riscos, inclusive no cateterismo, antes da grande cirurgia, isso tudo representou uma grande mutação.

De certa forma, você sai do plano terrestre e ingressa num estágio que dispensa todas as frivolidades do cotidiano. Nessa hora o que menos importa é quanto dinheiro tem no banco, se não sabe se estará aqui na semana seguinte para usá-lo. O papo furado, então, se torna insuportável. Não há mais tempo, muito menos saco, para isso. Esse estágio é uma experiência rara, senão única, em sua vida. Pena (ou seria melhor?) que passa, em pouco tempo, depois de tudo, você volta ao normal, reassume as pequenas vaidades, seus defeitos humanos, as tolices que todos falamos, as preocupações mundanas. A diferença é que um dia viu o outro lado, a maravilha de estar acima disso tudo. Você viveu um rito de passagem, doloroso, sem dúvida, mas ainda que a tal preço, criador de um novo homem.

Mas percebe também que se os teus códigos morais e de índole são outros, os resultados podem ser opostos: frieza total, indiferença com qualquer valor, falta de compromisso de qualquer espécie. É a cabeça do bandido, que vive no risco e não sabe se estará vivo no dia seguinte. Ele se acostuma com a idéia da morte, num processo inconsciente para não enlouquecer. Ora, se a própria vida dele não vale nada, menos ainda valerá a dos outros.

A verdadeira dádiva é continuar vivo. Acordar da anestesia, na UTI, é um momento mágico, um reencontro com a luz. Esquece a dor, celebra a vida. Ali ela recomeça. “Estou vivo!” – festejei. A enfermeira Marli estava ao meu lado, como um anjo da guarda, real e presente. O paciente acorda amarrado, para não arrancar, instintivamente, o tubo desconfortável que entra pela boca e vai até o estômago. O curioso é que no entorno eu não via a UTI, nem minha própria cama. Ainda sob leve efeito anestésico, parecia que estava dentro de um túnel completamente cor de rosa. E não tinha a menor noção de tempo, se era noite ou dia.

Pedi que Marli soltasse meus braços, ela confiou e fez isso, então coloquei sua mão sobre meu peito para ajudar a proteger o tórax da dor da tosse, e passei a seguir à risca todas as instruções que o Dr. João Galantier me passara, na véspera da cirurgia. Uma atitude genial dele, que me deu segurança, porque agora sabia tudo que iria acontecer e como agir. “Quando acordar procure tossir com o máximo de força e não se preocupe que não vai arrebentar nada”, tinha instruído. E assim agi. Quem entra numa cirurgia em emergência total não tem essa mesma chance de ser preparado, e aí o medo se instala.

Não recebi transfusão de sangue, ainda bem, um grande fator de segurança. Mas o preço a pagar foi uma anemia profunda, a tal ponto que nas refeições não tinha forças para levar o garfo do prato até a boca. Nos dois ou três primeiros dias comi como uma criança, recebendo comida na boca.

A menos de dois meses depois, já em casa, acreditem, eu mesmo me dei alta e voltei a trabalhar, editando meu jornal “Dance”. Alguns dias depois, embarquei com a namorada para a Europa, para comemorar a volta à vida e como prêmio a ela pelos cuidados que me dedicou o tempo todo. Ela nunca tinha ido e sonhava conhecer Paris.

No jornal, retomando o contato com meus leitores queridos, escrevi: “Não há mais tempo a perder. Gradualmente a gente vai retomando a vida normal. Não vejo a hora de poder dançar, mas ela chegará. A ginástica também. Por enquanto, vou curtindo gostosas caminhadas diárias. Nesta segunda vida, a gente vê cada minuto como um bem precioso. Afinal, nunca se sabe quando o destino vai nos aprontar outra. Muito menos quantas chances ele ainda nos reserva, mesmo quando se merece todas”.
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*MILTON SALDANHA É JORNALISTA E ESCRITOR.
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NR: A CRÔNICA DO JORNALISTA J. MORGADO, QUE SERIA POSTADA HOJE, SERÁ PUBLICADA NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, DIA 21.
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