terça-feira, 2 de março de 2010


NOSSAS LEIS HIPÓCRITAS

QUE SÓ CONFUNDEM


O Brasil, por meio dos políticos, mantém uma Carta Magna que, ao contrário de proteger o cidadão, deixa um sem número de dúvidas e indecisões e dificulta sua assimilação e aplicação. Uma Constituição quilométrica, com artigos, emendas e contradições intermináveis. Cito alguns exemplos atuais: o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - permitia que o menor acima de 14 anos pudesse trabalhar. Porém, com a Lei do Aprendiz, o adolescente, entre 14 e 16 anos, só pode trabalhar como aprendiz. No entanto, para conseguir uma vaga, é necessário estar cursando a 8ª série, fazer exame classificatório e esperar. Algo inimaginável para um desses milhões de garotos que ficam nos faróis limpando vidros, entregando panfletos, fazendo malabares ou simplesmente pedindo uns trocados. A enorme maioria praticamente sem estudo algum. Um detalhe: por que crianças podem trabalhar como modelos, artistas, jogadores de futebol, com menos de 14 anos e explorados por agentes inescrupulosos, com objetivos claros de faturar com o menor?

Por outro lado, o Estatuto do Idoso, ainda novo no mercado, tem a mesma utilidade para as pessoas da terceira idade que bolso de pijama. Em todos os cantos, no cotidiano, notam-se pessoas infringindo o tal de estatuto e tratando o "velho" como um saco de lixo. Filas específicas, vagas especiais e algumas outras benesses, transformadas em leis para garantir ao idoso um pouco de privilégio, até pelas circunstâncias da idade, saúde e dificuldade de locomoção, são simplesmente ignoradas pela maioria da população. Reclamar onde e com quem?

Agora, nossos governantes querem liberar as drogas para pequenos traficantes. Então, menores e maiores, cuja indústria ainda no patamar de pequeno ou médio empreendedor, poderão, aprovada a lei, incrementar o negócio até sua pequena empresa prosperar e, então, produzir em grande escala. O objetivo da medida, segundo consta, pasmem, é que tal atitude irá liberar vagas nas prisões do caótico sistema carcerário brasileiro. Uma heresia dos nossos políticos que preferem tirar o sofá da sala a punir a mulher traidora.

E a Lei seca, o que virou? Quando foi criada, todos esperavam fosse trazer a paz às nossas estradas e ruas, verdadeiros palcos de guerra onde o número de mortos e mutilados é maior do que o de muitos lugares em guerra. A relação do brasileiro com o carro é um misto de orgulho e poder. Dentro do veículo o cidadão esquece que é também um pedestre e acredita que nada mais importa para ele do que chegar primeiro seja qual for o método utilizado. Assim, regulamentos, sinais, apelos tudo isso pesa pouco diante da sensação ilimitada de liberdade e impunidade que se esconde atrás do volante.

Vários fatores concorreram para que a chamada Lei Seca não obtivesse o que dela se esperava. Depois de um período de choque em que todos ficaram atentos ao consumo de álcool por motoristas veio o consequente relaxamento e o que era para ser obedecido passou a ser esquecido. Concorreu para isso nossa tradicional aversão a regulamentos e ordens, a pouca preparação da polícia de trânsito e a corrupção que faz do nosso sistema policial um alvo vulnerável em qualquer frente. Gratificar o guarda sai mais em conta do que pagar a multa e com isso quem tinha dinheiro se safou.

No primeiro caso, à época de minha adolescência, lá pelos anos 50, a garotada trabalhava para ajudar a família o que muito colaborava para tirá-la da rua e transformá-la em um cidadão respeitável. Eu, por exemplo, comecei a trabalhar em uma tinturaria (hoje lavanderia) aos 12 anos e nem por isso fiquei traumatizado, pelo contrário.

No segundo caso, agora na terceira idade, percebo que a cidadania está distante da maioria das pessoas e que o estatuto criado para proteger os sexagenários tem a mesma longevidade de uma barata que ousa atravessar um galinheiro.

Já no terceiro caso, a reação é de perplexidade, já que servirá de alavanca para os pequenos empresários do universo das drogas - em sua maioria jovens adolescentes - incrementarem seus negócios, antes ilícitos, agora protegidos pela lei. Enquanto isso, o presidente Camaleão percorre o mundo e plagas brasileiras arrotando bravatas dignas do mais insidioso menino tagarela que não tem noção das consequências de suas palavras e atitudes. Para contornar possível tragédia, gerada por sua irresponsabilidade, basta um desmentido na sequência ou simplesmente bater o pé e negar conhecimento. Na esteira das falácias, o burgo-mestre tupiniquim, acreditando que tudo pode (e talvez possa), passa por cima de leis (leis?) e aproveita para fazer declarada campanha de sua companheira para ocupar o trono a partir de 2011.

No quarto e último caso, a Lei Seca, lamentavelmente, mais uma que não “colou”. Na teoria é maravilhosa, mas esbarra numa prática onde corrupção e despreparo se unem para continuar fazendo de nossas ruas matadouros legais onde cada um cuide de si e Deus de todos.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista e radialista, radicado no Grande ABC e colaborador especial deste blog.
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DIVULGAÇÃO DE RESULTADO

Olá, amigos e amigas do Blog!

Com muita satisfação, vamos enviar o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown, para a leitora Ana Rita, de Franca, SP. Nos sensibilizou bastante a veemência manifestada na vontade de ler a obra resenhada.

Como só havia um livro à disposição, ele é da Ana Rita!

Mas como sou muito sensível, resolvi adquirir outro exemplar e enviá-lo à Milena Figueiredo, de Santo André, SP, já que é notável o esforço que ela faz para estudar e, acima de tudo, está de aniversário amanhã. Parabéns, Milena!

De outra parte, gostaria de agradecer muitíssimo às colegas Lidiane, Priscila, Cindy, Tatiana, Renata e Soraya que tentaram comentar ontem e não conseguiram, por algum problema técnico interno do Blogger, que não conseguimos identificar. A Lidiane conseguiu postar o comentário e funcionou como porta-voz das colegas. Também o nosso querido amigo Admir Morgado avisou o Edward que não conseguia ver seu comentário publicado na noite de ontem e o encaminhou por e-mail.

Solicito à Ana Rita e à Milena que encaminhem seu endereço completo ao meu e-mail: niviaandres@gmail.com para que possa enviar-lhes os livros.

Obrigada a todos!

segunda-feira, 1 de março de 2010


O SÍMBOLO PERDIDO


“...O que está perdido...será encontrado...”


Washington, a capital dos Estados Unidos, tal qual Roma, está cheia de passagens secretas e túneis – sua arquitetura, concebida e projetada por grandes mestres maçons – George Washington, Benjamin Franklin e Pierre L’Enfant, assim como sua arte e seu simbolismo, estão entre as mais interessantes do mundo.

Após ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano (Anjos e Demônios) e a uma caçada humana em Paris (O Código Da Vinci), Robert Langdon está de volta em mais uma intricada história, com seu profundo conhecimento de simbologia e brilhante habilidade para solucionar problemas.

Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos (a sede dos poderes da república). Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo.


Mal'akh, o sequestrador, um homem extremamente forte, ambicioso, inteligente e tatuado da cabeça aos pés, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode destrancar o portal místico que lhe dará acesso irrestrito aos Antigos Mistérios.

Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian.

Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico.

O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está.

Sob a pena de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, desafiando-os a abrirem a mente para novos conhecimentos.

PORQUE SUGIRO A LEITURA DA OBRA:

Quem aprecia a leitura de obras de ficção sabe o que esperar e busca se divertir-se, rindo, chorando, se emocionando, ficando tenso ou relaxado, conforme a obra se apresenta.

Quem lê Dan Brown encontra uma narrativa eletrizante, detalhista, enigmática, que prende o leitor, já que o autor é especialista em suspense e sabe, como poucos, encadear a história, mantendo a tensão, intencionalmente, até o desenlace.
De outra parte, o autor aborda um assunto interessante, envolvendo a Maçonaria, uma associação de caráter universal, cujos membros cultivam a filantropia, a justiça social, o aclassismo e a humanidade, através dos princípios da liberdade, democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade. Enfim, essa associação, ainda cercada de mistérios, é um dos pilares da trama, bem como a Noética, um ramo da filosofia metafísica que se preocupa com o estudo da mente e da intuição, que é alvo dos estudos e das experiências da Dra. Katherine Solomon, envolvida com Langdon para tentar salvar seu irmão, Peter.

E claro, apresenta o fascínio arquitetônico da cidade de Washington - suas construções e monumentos estão presentes em toda a trama, revelando a inteligência e o talento de seus projetistas e construtores.

Esclareço que esta sugestão de leitura é apenas uma alternativa para quem gosta de ficção que envolve aventura, suspense e mistério. Nem sempre factível e verossímil. Como nos outros livros de Dan Brown - Ponto de Impacto, Fortaleza Digital, Anjos e Demônios e O Código Da Vinci. Todos são best-sellers. E daí? Nenhum preconceito me move. Há literatura para todos os gostos. Algumas obras para edificar o espírito, outras para entreter. Garanto-lhes diversão e algumas curiosidades reveladas.

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*Nivia Andres
é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse:
http://niviaandres.blogspot.com/
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sábado, 27 de fevereiro de 2010

BOLINHA DE GUDE

Havia chovido torrencialmente. Um homem idoso encapotado e com o guarda-chuva servindo de bengala, à moda inglesa, caminhava lentamente por aquela rua encharcada. Seus pensamentos fervilhavam de lembranças nostálgicas. Vivia naquele bairro desde criança e as casas antigas com grandes quintais, deram lugares a grandes sobrados e edifícios de apartamentos. Uma linha do metrô passava exatamente onde outrora havia morado e brincado. Onde estará o Lando, o Buzina, o Vicente... Os amigos de outrora? Vez em quando tivera notícias de um, de outro... Soube que o Luizinho morrera de forma trágica e que o Pedro virara doutor, um médico de renome...

Aquela esquina... Hã, aquela esquina... Quantas travessuras. Muitos foram os baldes d’água que o dono do armazém jogara nos garotos barulhosos que ali defronte jogavam bolinha de gude.

O empório do senhor Felisberto era o único em um raio de muitas centenas de metros e as luzes iluminavam o palco ideal para as brincadeiras da época. Mão-na-mula, esconde-esconde, bafa, cirandinha – “ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar uma volta, volta e meia vamos dar...” Todas essas vozes infantis com e mais os gritos da molecada jogando bolinhas. A forma preferida era a de percorrer quatro buracos, cada um com a distância de quatro palmos. O caminho deveria ser percorrido duas vezes. Quem conseguisse fazer o percurso em primeiro lugar ganhava a partida.

Bolinhas de gude... A mente do velho agora começou a viajar. Foi além da imaginação. Por analogia, começou a comparar as bolinhas de então com a vida dele e de seus amigos. Lembrou-se de uma “melosa”, sua preferida, toda colorida de branco e azul. Por onde andará? Lembrava-se de tê-la perdido para o Vicente, que por sua vez perdeu-a para outro garoto. Depois a perdeu de vista. Afinal, não foi assim que aconteceu? Cada uma daquelas bolinhas tomou um rumo. Cada um daqueles amigos seguiu um destino. Por onde andarão?

Certa ocasião, seu irmão, quatro anos mais novo, todo choroso chegou-se e disse que um garoto havia lhe rapado todas as suas bolinhas. Incontinenti, acompanhou o caçula e desafiou o tal para jogar. Triângulo foi à modalidade escolhida. Fazia-se o desenho de um triângulo na terra batida e ali a partir das pontas para dentro “casava-se” as bolinhas. O jogo consistia em “ticar” as esferas coloridas para fora daquele espaço.

Conseguira recuperar as bolinhas que o maninho havia perdido e “rapar” o adversário. Seu irmão saltitava contente. Seus olhos irradiavam alegria e admiração pelo mano mais velho.

Uma “bolinha” que já se foi!

Com lágrimas nos olhos, o velho continuou sua caminhada. Olhava atento o casario. Em meio às construções modernas, uma casa antiga aqui, outra acolá. Lembrava-se quem havia morado em cada uma delas. Dona Olívia, a benzedeira, uma portuguesa, fora pioneira naquele bairro. Atendia a todos que a procuravam, não importava a hora – dia e noite. Hã, naquela casa, meio assobradada com porão, outro casal de portugueses. A mulher, Dona Maria era a parteira do bairro. Poucas crianças naquela região não haviam passado pelas mãos hábeis daquela senhora. “Bolinhas de gude” que rolariam pelo mundo...

Continuando a caminhar, sentiu vontade de urinar. Buscou um local tranqüilo e longe de olhares curiosos. Enquanto satisfazia sua necessidade fisiológica começou a sorrir. Sorria por lembrar-se que naqueles tempos longínquos, naquele bairro poucas casas tinham sanitários ou banheiros em seu interior. As casinhas como eram chamadas ficavam no fundo do quintal. O urinol era a privada da noite. E isso aconteceu apenas ontem...

Ontem... Os meninos correndo pelas ruas, trocando figurinhas ou tampinhas de garrafas... Chilrando como filhotes de andorinhas a esvoaçar em seus primeiros vôos. Bolinhas de gude a jogar bolinhas de gude. Espalhando-se pelo mundo como as brilhantes esferas coloridas.

Onde andará aquela melosa?
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


LIPOASPIRAÇÃO

A VAIDADE QUE CEIFA VIDAS


Modelar o corpo, transformar a aparência. O fascínio pelo visual perfeito motiva desde atividades físicas, ao uso de cosméticos e procedimentos cirúrgicos com fins estéticos. Notícias de complicações e mortes decorrentes de lipoaspiração levantam as perguntas: quais os riscos desta cirurgia? Quem pode se submeter ao procedimento? O que leva uma pessoa a arriscar a vida em nome da autoestima? De tempos em tempos notícias sobre mortes durante cirurgias plásticas comovem a população porque na maioria das vezes os pacientes são jovens.

A jornalista Lanusse Martins, de tenros 27 anos morreu no dia 25 de janeiro do mês passado, em uma clínica particular, em Brasília, após uma cirurgia de lipoaspiração. Lanusse era repórter na TV Justiça e em 2009 também trabalhou na TV Globo de Brasília. Menina linda, competente e de futuro com certeza brilhante à sua espera. Em vez disso, foi-se antes da hora e deixou órfão um filhinho de apenas 6 anos. Quatro dias depois da morte da jornalista Lanusse Martins, o Conselho Federal de Medicina anunciou a elaboração de um novo protocolo de segurança para cirurgia plástica, que irá indicar procedimentos que devem ser seguidos em plásticas.

Também em janeiro, no dia 8, a técnica em radiologia, Carla Fares, 33, morreu após uma lipoaspiração em Duque de Caxias (RJ). Carla teve uma parada cardiorrespiratória e entrou em coma. A família da técnica responsabiliza a clínica e apresentou uma denúncia à polícia. Muitas outras mortes foram registradas durante cirurgias de lipoaspiração, além dessas duas este ano, quatro apenas no ano passado

O que antes era uma rotina que nem assustava os pacientes, agora se reveste de uma nova gravidade e exige uma apuração completa para que fique estabelecida a causa da morte e a responsabilidade de cirurgiões e instituições envolvidas.

A vaidade de vez em quando ceifa vidas. Inúmeros jovens já morreram ou tiveram graves problemas em busca de um corpo perfeito. O uso de anabolizantes é responsável por graves danos à saúde e a procura de músculos potentes e de um torso “sarado” já levou ao hospital centenas de usuários dessas drogas. No lado feminino a plástica impera como solução para se conseguir um corpo perfeito e que esteja de acordo com os padrões que vigoram na moda. Num mundo de manequins esqueléticas, vale tudo para se chegar à silhueta magra que os costureiros exigem, da fome ao estágio da anorexia que sempre traz complicações ao paciente.

O gosto pelos corpos oscila. Já tivemos a vez das rechonchudas no começo do século passado, quando as gordurinhas eram consideradas não só sensuais como saudáveis. Agora estamos sob o império das mulheres atléticas de corpo definido e músculos à mostra e quem não teve a sorte de nascer geneticamente preparado para esse desafio tem de recorrer ao bisturi se quiser fazer algum sucesso social. Assim, um número cada vez maior de mulheres procura os cuidados de um cirurgião plástico para tentar alcançar o ideal de beleza que está nas capas de revista.

A lipoaspiração não é feita para perder peso e sim para modificar a silhueta, por isso, não é indicada para pacientes obesos. A cirurgia apresenta resultado mais eficaz em pessoas que apresentam gordura localizada. Antes de passar pela transformação desejada, o paciente deve se submeter a exames laboratoriais e fazer uma avaliação de risco. Estes exames são uma espécie de “radiografia” da saúde do paciente e devem ser apresentados ao médico até sete dias antes do procedimento. Os exames mostram se há possibilidades de arritmia, infarto, problemas respiratórios. O paciente só pode fazer a cirurgia se estiver com a saúde perfeita. Se tiver uma anemia, por exemplo, terá de se recuperar para poder fazer a lipo.

É preciso ficar definitivamente claro que esse é um procedimento tão sério e arriscado quanto qualquer outra cirurgia e não pode ser tratado como uma banalidade.

Vivemos num país de justiça lenta, mas o Conselho Federal de Medicina não está assim tão assoberbado que não possa dar à população a satisfação que ela merece e exige para que não fique maculado o nome dos verdadeiros profissionais por erros ou imperícia de um pequeno grupo. O que fez tão somente foi divulgar uma estatística de 2004 a 2008, mostrando que 238 denúncias de erros médicos ocorreram durante cirurgias plásticas, resultando na cassação do registro de seis profissionais além de censuras públicas (advertências) em outros 35. De acordo com o CFM, 89 processos foram arquivados.

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*Edward de Souza é jornalista e radialista. Trabalhou em vários jornais, emissoras de rádio e tv do Grande ABC e de São Paulo. Medalha João Ramalho, principal comenda do município de São Bernardo do Campo, outorgada pela Câmara Municipal daquela cidade pelos relevantes serviços jornalísticos prestados à região. Troféu PMZITO, entregue pelo alto comando da Polícia Militar de Santo André por ter se destacado como o melhor repórter policial do ABC nos anos 70. Menção Honrosa entregue em 2007 pela Câmara Municipal de Franca e outra pelo Rotary Clube Norte pela atuação brilhante na radiofonia e jornalismo da cidade. Participou de diversas antologias de contos e ensaios.
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010



FLAGRANTES DA VIDA (V)


À medida que fatos vão sendo revelados, a memória é reativada e outros vão surgindo por entre a fumaça ofuscante do tempo. Os comentários deixados por nossos leitores estimulam lembranças dormidas, agora despertadas na erupção do vulcão da saudade. Ficou pequeno o espaço de cinco capítulos para contar uma história que já não é minha, envolvendo tantas e queridas figuras.

O rádio foi e ainda é veículo de comunicação muito imediato, o que lhe assegura posição estável entre as modalidades existentes. Homens e mulheres do rádio despertavam paixões só pela voz que possuíam, já que imagem havia apenas no imaginário dos ouvintes. Saint Clair Lopes - o Sombra (E), personagem por ele vivido com sucesso, que conheci como diretor da Rádio Nacional, foi grande locutor e também radioator de sucesso, pertencendo à época de Celso Guimarães e Rodolfo Mayer. Participou da primeira novela da Rádio Nacional – “Em busca da felicidade”. Contava-se no Rio que uma senhora de grandes posses, apaixonada por sua voz e sem herdeiros, deixou-lhe, em testamento, um patrimônio que não era pequeno. Eram ardentes as paixões pelas figuras do rádio e frequentes as aberturas de portas com amplas oportunidades aos radialistas. O fato explica o alto interesse alimentado por muitos pela carreira no mundo radiofônico.

A Rádio Nacional apresentava com sucesso de audiência em todo o Brasil o programa “Balança mais não cai”. A Rádio Mauá (emissora do trabalhador) viu possibilidade em disputar a preferência dos ouvintes com um humorístico bem elaborado. Assim foi criado e dirigido por Nêna Martinez e Zani Filho, “Palácio Flutuante”; eu estava lá (D), contratado como narrador. Não se conseguiu o intento, embora fosse boa sua qualidade e elenco.

Era prefeito do Rio o Cel. Delcídio Cardoso cuja ligação sentimental com uma linda cantora de fados, radicada no Brasil, Ester de Abreu (D) , provocava inveja ao galante mundo masculino da época. Durante seu governo ocorreu à primeira visita ao Rio de Nossa Senhora de Fátima; o prefeito entregou-lhe a chave ouro da cidade na Praça XV, em frente as barcas de Niterói. Eu estava lá, comandando a equipe da Emissora Continental, em cobertura da chegada e procissão pelo centro. Nossos repórteres carregavam pesados BTP’s às costas, microfones volantes da ocasião. Em um lindo domingo de sol, quando Oduvaldo Cozzi, o poeta dos esportes, iniciava no Maracanã a narração de uma partida, um incêndio ali ao lado, irrompeu-se na favela do Esqueleto, agredindo, com voracidade, barracos e pessoa; eu estava lá, com os Comandos Continental, a chamar por recursos humanos de bombeiros, médicos, hospitais e sociedade solidária. Ainda um domingo de sol, eu estava lá, levando Martha Rocha (D), aquela das polegadas a mais, ao Maracanã, para o pontapé inicial de um Fla-Flu. Andei tomando café na esquina da Machado de Assis com Largo do Machado, (Café São Paulo), ao lado do Brigadeiro Eduardo Gomes e sua mãe. Passei momentos de ritmo na batida da caixa de fósforos que o Ciro Monteiro (E, ao lado de Ivon Cury e Garcia Netto) gostava.

Fui cicerone de Marly Sorel (E) filmando na Atlântida. Andei pelo restaurante “Sambão e Sinhá” em que o Ivon Cury tornou famoso.

Ao assumir a direção da Rádio São Paulo, antes pertencente ao grupo de Paulo Machado de Carvalho, da Record, que me senti entre um de bando feras do radioteatro brasileiro: Marthus Mathias (D), Gilmara Sanches (E), Ézio Ramos, Diva Lobo, Amélia Rocha, Dolores Machado e tantos outros cobras da novela de rádio. Eram todos dubladores de artistas famosos do cinema internacional. Citarei Mathias que dublava a série Os Flintstones. Na Rádio São Paulo, à época, iam ao ar 30 novelas por dia, numero que reduzi para seis ao final de minha gestão. Chegou de Jaú um menino humilde e aplicado que me honra ter feito por seu mérito, um sucesso, incluindo o cognome que lhe dei: locutor sorriso, Eli Corrêa.

Foram muitas as noites gloriosas vividas em serenatas com Noite Ilustrada, que gravou um samba que fiz: “No braço do meu violão”. Lúcio Cardim, a expressão maior da música sentimental brasileira, autor de “Matriz ou Filial” ainda hoje confundida como sendo de Lupicínio Rodrigues. As longas madrugadas cheias de sonhos embriagavam nossos espíritos de romantismo, cantando ao lado de janelas em homenagem à beleza da mulher brasileira. As noites no Nick Bar, o encanto e o perfume de lindas mulheres, o piano e a voz do Dick Farney (D), mais tarde na Praça Roosevelt (Farney Bar) eram o prêmio que a vida nos reservara. Em um capítulo passado me lembrava J. Morgado, na mesma praça, a Boate Stardust, frequentada pela nata paulistana, vinha surgindo em início de carreira a eletricidade de Jair Rodrigues, o sambista que ainda hoje faz vibrar a plateia. Naquela boate, quando em São Paulo, ao final de seus programas na TV, sempre armado de boa sátira, jantava o pioneiro do gênero talk show: médico, ator, autor, diretor e nunca igualado promotor de entrevistas chegava ao Stardust Silveira Sampaio (E), acompanhado das figuras da alta estirpe paulistana, entre as quais a ilustre Bia Coutinho.

É bastante grande a seara de lembranças, no entanto, o espaço da série para revisitar o passado acabou. Obrigado, amigos, por viajarem comigo na saudade.

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José Reynaldo Nascimento Falleiros (Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004) e Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007). Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. A Série Relembranças foi editada em cinco capítulos semanais, às quintas-feiras, quando o profissional revisitou, com sua memória privilegiada, flagrantes da vida que fazem parte da história de nosso país.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Prezados amigos(as). Problemas técnicos ainda não detectados nos impediram de postar um novo texto nesta quarta-feira. Estamos trabalhando para restabelecer o sistema e voltarmos em breve. Contamos com a compreensão de todos!