quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

QUARTA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2011
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O sol começava a se esconder, tingindo o céu em tons alaranjados, num belo espetáculo de cores. Era uma quinta-feira qualquer de janeiro. Estávamos sentados em um pedaço de tronco de árvore que ficava na frente da casa do meu avô, escutando seus casos. Era de costume, nos dias quentes de verão, eu, meu pai, meu irmão, tios e primos sentarmos na frente da casa do meu avô proseando até tarde.

Na condição de moleques, meu primo, eu e o mano só ouvíamos, pois éramos educados e orientados a não nos intrometer nas conversas dos mais velhos. Foi então que apareceu um amigo do meu avô, conhecido como Juca, homem velho, tinha uns setenta anos, mas aparentava ter mais. Era magro, alto, muito enrugado, fumava cigarros de palha um atrás do outro, fedia pra caramba, usava uma camisa de mangas compridas, encardida, e tinha um bafo de onça terrível, mas era um bom contador de “causos” e de uma esperteza incrível na hora de interpretar as cenas dos seus contos. Era isso que nos prendia ouvindo suas histórias. Boca aberta, olhos fixos e arregalados escutávamos naquele dia o relato da luta que ele travou com o diabo.

Dizia ele que na fazenda em que morava tinha uma porteira mal assombrada, bem na subida, perto de um morro, próximo de uma curva, e que o capeta ficava de guarda lá, não deixando ninguém passar. Certo dia ele resolveu ver de perto se isso era verídico. Juca levantou a sobrancelha esquerda e exclamou com uma voz rouca e estridente, para a atenta platéia:
- Eu passei lá!
Meu avô, também um excelente contador de “causos” ficou curioso, como todos nós, para saber o que acontecera naquela travessia infernal e perguntou pro Juca:
- O que você fez Juca, negociou com o capeta?
- Não, seu Valentim, foi pior, respondeu ele, o fedorento é muito ruim de negócio, arriei o meu cavalo, montei no pobre coitado, coloquei a minha capa, peguei o meu chicote e disse aos meus amigos: “vamos ver se o “demo” pode me enfrentar”.
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Assustado, ainda criança, neste momento do relato agarrei no braço do meu pai, que me acolheu, dando-me confiança, na certeza que eu poderia ouvir aquela história até o fim. Meu irmão, dois anos mais velho, também apavorado abraçou meu pai. De olhos bem arregalados, nós, os meninos, ficamos na expectativa para saber como Juca enfrentaria o diabo. E ele continuou a contar:
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- Chegando perto da porteira meu cavalo empacou, peguei o chicote e dei uma estalada no ar. O pobre coitado empinou, jogando-me ao chão. Em seguida disparou rumo à sede da fazenda, deixando meus amigos preocupados. Mas ninguém teve coragem de ir onde eu estava. Levei a mão no trinco da porteira, escutei o som de um chicote no ar e, assustado, olhei para todos os lados. Não via nada, fiquei todo arrepiado, mas não podia mostrar fraqueza. Abri a porteira, dei um passo a frente e uma voz forte, em um tom gutural, invisível, falava assim: “aqui se num passa”.
Respondi: “passo sim senhor”.
- Num passa!
- Passo.
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Quando Juca nos contava isso estava sentado de cócoras, e com uma esperteza incrível para a sua idade, pulava e repetia várias vezes com a voz ainda mais estridente:
- Vamos ver coisa ruim, se você é bom mesmo. Dei mais um passo a frente. Minha capa foi arrancada por uma força descomunal, mas segui firme. O chicote começou a estalar nas minhas costas, com a voz infernal do chifrudo ameaçando: “num passa... Não vai passar”!
Nesse momento Juca levantou a camisa mostrando as cicatrizes que tinha nas costas, que segundo ele teriam sido feitas pelo diabo.
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- Peguei meu chicote, continuava ele, e comecei a dar chibatadas também, para todo que é lado, pois o chifrudo levava vantagem sobre mim, ele era invisível, e eu gritava: “aparece covarde, aparece”! Quanto mais chicotada eu levava mais aumentava a minha raiva e vontade de mandá-lo de volta para as profundezas dos infernos. Assim foi uma hora e meia de berros e chicotadas, tanto eu gritava, como o diabo também. Acho que ele apanhou mais, por causa dos gritos fortes que dava.
E assim, ouvindo o velho Juca, as horas passavam sem que percebêssemos. O homem era um verdadeiro ator. Nossa imaginação ia longe ouvindo sua história. Um mortal lutando contra o demônio.
O velho contador de casos prosseguia:
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- Eu já estava quase sem forças e as chicotadas do diabo eram cada vez mais fracas, acreditava que ele também estava cansado. Avancei mais alguns passos gritando bem alto: “passei! Passei”! Fiz uma poeira com os pés. Foi o suficiente para deixar em parafusos o coisa ruim, ele estava realmente exausto. Encontrei forças não sei de onde e dei-lhe uma chicotada bem certeira no meio da fuça. Gemendo, ele saiu correndo, entrou em um buraco no meio da terra, sumindo para sempre e nunca mais proibiu ninguém de passar naquela porteira, que era um atalho para chegar a cidade. Fiquei conhecido na região como “Juca Diabo”, e todos passaram a me respeitar.
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Afastei um pouco do meu pai, eu estava com um calor tremendo e suando frio. Comentei com meu primo: “nossa, que luta hein? Se fosse meu pai ou o meu avô, não errariam nenhuma das chicotadas e mandariam o diabo para o inferno mais cedo”! Meu pai levantou-se. Depois de despedir-se da turma, pegou-me no colo. Abracei seu pescoço e com carinho papai virou meus pés para trás, de forma que eu não sujasse sua roupa. Levou-me para casa, esperou que eu adormecesse em seu colo, para depois colocar-me na cama.
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Eu me sentia seguro em seus braços e a história do Juca não me incomodou, dormi a noite toda. Tinha ainda um trunfo. Debaixo da minha cama eu guardava um chicote que o meu avô deu-me de presente. Como havia prestado bem atenção na história do Juca, se o capeta aparecesse de madrugada, saberia lidar com ele, dando-lhe boas e caprichadas chicotadas.
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*Padre Euvideo é aprendiz de contista
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DOMINGO, 13 DE FEVEREIRO DE 2011
Este relato envolve fatos reais e pessoas, algumas ainda vivas. Por mais estranho que possa parecer, certas passagens, mesmo que mirabolantes e quase infantis, acontecem em nossa adolescência e nos perseguem até o final dos nossos dias. Fiz uma aposta inusitada com um dos meus melhores amigos e jamais pensei, até pelo ineditismo da pendenga, que pudesse, passados 50 anos, escrever sobre a malfadada queda de braço, decorrente de uma estúpida e inconsequente brincadeira...
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Metade da década de 1950, tinha eu 14 anos, fui jogar no Vila São José, clube de futebol de São Caetano até hoje existente, cujo vice-presidente Francisco Batista de Oliveira, 15 anos mais velho que eu, era uma espécie de conselheiro e ídolo de todos no clube e no bairro. Chico para uns, Chicão para outros, era um negro alto, forte, nascido em Serra Azul, na região de Ribeirão Preto, entre Serrana e São Simão. Criado em Colina, próximo a São José do Rio Preto, Francisco veio morar em São Caetano em meados dos anos 40, onde se instalou com os pais e irmãos na Avenida Bela Vista, bairro Belvedere, casou e constituiu família. De postura altiva, tinha como marca o caráter, honestidade, dignidade, ética e moral inabaláveis. Um negrão pedra 90, como se dizia então, para identificar uma pessoa com comportamento e ações quase perfeitas.
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Como em todo lugar, especialmente naqueles tempos, os jovens formavam sua batota de amigos mais chegados. Por acaso, ou não, fiquei amigo do Chicão, no grupo formado por Antônio Cola, Pedro Depintor, Kiochi Niuchi, José Rossi (Zuza), Antonio Matias de Souza, Luiz Dala Justina e outros, cujos nomes a memória um tanto desgastada não identifica. O Chicão, o mais velho, era uma espécie de guru de todos, e eu o mais jovem. As noites de sábado (à época o happy hour era somente nesse dia), as baladas consistiam em pegar um cinema - Vitória, Max ou Lido - todos no centro de São Caetano, nossa cidade, e hoje extintos e depois uma pizza regada a guaraná ou tubaína na pizzaria Autonomista, onde hoje é a sede das Casas Bahia. Detalhe: nas sessões noturnas dos cinemas os homens só entravam vestidos com terno e gravata.
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Pois bem, em uma dessas rodinhas da turma, um sábado à tarde, no Bar do Zezé, principal ponto de encontro na Vila São José, sem assunto melhor, pegamos uma discussão sobre a morte. Bobagem de um grupo que decididamente não tinha algo mais importante a fazer no momento. Alguém levantou a pinimba tipo "acho que você não vai durar muito" e outras "previsões" macabras.
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Em determinado momento, no pega entre eu e o Chicão, falei: "você é mais velho, portanto deve morrer primeiro". Totalmente abstêmio e pouco fumante (uma carteira por semana), saúde em dia nos seus 30 anos, Chicão não deixou barato e desafiou: "vamos apostar então quem morre primeiro". Não ficou definido o objeto da aposta e nem poderia. Um absurdo, pois certamente nenhum dos dois queria ganhar e muito menos perder. E o derrotado, como pagaria? Todos nos divertimos com a brincadeira que deveria ser solenemente esquecida na sequência. O assunto jamais foi ventilado pela cretinice do tema, porém ficou, em silêncio, incrustado na memória de ambos.
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O tempo passou, cheguei à presidência do Vila São José, Chicão afastou-se do clube, mudei para São Bernardo, onde estou até hoje, e nosso contato desapareceu quase que por completo. Esporadicamente recebia alguma notícia por meio do professor Luís Carlos Maia, tipo amigo-irmão, com o qual mantenho contato mais frequente. Por meu precário estado de saúde, com correrias semanais aos hospitais aqui do Grande ABC, cheguei a imaginar que partiria antes, apesar da diferença de 15 anos entre nós.
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Na última quarta-feira, logo pela manhã, toca o telefone em casa. Era o professor que, com alguma cautela, informou: "Lavrado, o Chicão morreu segunda-feira (7 de fevereiro) e já foi sepultado (terça, 8). Nesta sexta-feira (11), leio na seção fúnebre do Diário do Grande ABC: "Francisco Batista de Oliveira, 85 anos, sepultado no Cemitério das Lágrimas, no Bairro Mauá, São Caetano".
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Acredito que no subconsciente a gente matutava sobre essa aposta infeliz envolvendo um adolescente (no caso eu), e um cara já experiente (Chicão). Uma bobeira juvenil, um pega que certamente nenhum dos dois queria ganhar e muito menos perder. Não haveria vencido nem vencedor. Ganhei (ironia) e perdi: Francisco, um dos maiores caráter que conheci e um dos melhores amigos que tive na vida, foi em minha adolescência espelho e indicador de conduta para o futuro. Agora, é uma lacuna impossível de ser preenchida.
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Certamente não cobrarei a aposta, mesmo porque não foi uma vitória; fica como pagamento a lição de vida que assimilei com Chicão e que moldou minha existência. O reconhecimento eterno de uma amizade inabalável. Este relato, de uma história real, apenas lembra ações descontraídas de uma juventude descompromissada que, escondidas no baú da memória, um dia retornam à realidade, irreversível, impessoal e verdadeira. Sei que está com Deus, Francisco.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC.
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

SEXTA-FEIRA, 11 DE FEVEREIRO DE 2011

O índice de suicídios é alarmante. Dizem às estatísticas que é a décima causa de mortes no mundo. No Brasil, cerca de 30 pessoas acabam com a própria vida todos os dias. Fora as tentativas que são muito mais (Wikipédia). O que leva essas pessoas a ter medo de viver? Drogas, depressão, alcoolismo, dívidas... Enfim, as causas são as mais diversas possíveis e imaginárias. Albert Camus (1913/1960) filósofo e escritor argelino escreveu certa vez: "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia”.
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Para ilustrar esta matéria, peço permissão para transcrever uma história de autoria desconhecida: "Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os a uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual se viam gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala ele os fazia enfileirar-se em círculo e dizia-lhes, então: ”Vocês podem escolher entre morrerem flechados por meus arqueiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados". Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros. Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira ao rei dirigiu-se ao soberano:
- Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga, soldado.
- O que havia por detrás da assustadora porta?
- Vá e veja você mesmo.
O soldado, então, abre vagarosamente a porta e, na medida em que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente... E, finalmente, ele descobre, surpreso, que a porta se abria sobre um caminho que conduzia à liberdade!

O medo de enfrentar as consequências de alguns erros cometidos ou sequelas físicas que a vida nos apresenta são considerados pela sociedade ato de covardia. Seria? Desesperado, impacienta-se e não consegue ultrapassar a porta lacrada que se encontra a sua frente. O excessivo orgulho gera o medo e mostra um quadro futuro sem nenhuma solução. Não seria por acaso, o excesso de materialismo? De uma maneira geral, cada um a sua moda, a humanidade acredita em uma vida após a morte. Os cristãos, entre outras doutrinas religiosas condenam o suicídio.
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Indivíduos despreparados para a vida tropeçam nos obstáculos existências que a vida se lhes apresenta e pensam que acabar com a própria vida seria a melhor solução, pois assim dormiriam o sono eterno da morte. Tudo resolvido! Outros apenas desaparecem do meio onde vivem, pensando assim fugir dos problemas que o afligem. Um fenômeno mundial. Ninguém foge de si mesmo. Há ainda aqueles que se refugiam em monastérios, conventos (foto) e assemelhados para viver uma vida totalmente reclusa. Uma atitude totalmente egoística.
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Então, qual a utilidade dessa atitude para com o semelhante? Nenhuma se temos a convicção que devemos amar ao próximo e sermos úteis uns aos outros. Só que a coisa não é bem assim... Somos seres viventes, com matéria e espírito. E como espíritos, somos eternos. A se acreditar nisso, e religiosa como é a humanidade, chega-se a conclusão que o imediatismo que se encontra inserido na maior parte dos humanos é a causa desse terrível mal.
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O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu Capítulo V, Bem Aventurados os Aflitos, item 15 diz o seguinte: “o mesmo se dá com o suicídio. Se excetuarmos os que se verificam por força da embriaguez e da loucura, e que podemos chamar de inconscientes, é certo que, sejam quais forem os motivos particulares, a causa geral é sempre o descontentamento. Ora, aquele que está certo de ser infeliz apenas um dia, e de se encontrar melhor nos dias seguintes, facilmente adquire paciência. Ele só se desespera se não ver um termo para os seus sofrimentos. E o que é a vida humana, em relação à eternidade, senão bem menos que um dia?
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Mas aquele que não crê na eternidade, que pensa em acabar com a vida, que se deixa abater pelo desgosto e o infortúnio, só vê na morte o fim dos seus pesares. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar as suas misérias pelo suicídio". Não importa qual a crença ou religião de cada indivíduo. Os muitos problemas existenciais como já disse, é uma realidade. Mesmo os ateus que acreditam no nada, temem o amanhã, e o índice de suicidas entre eles é muito alto. Qual a razão?
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TERÇA-FEIRA, 08 DE FEVEREIRO DE 2011


Este blog, nestes mais de dois anos de atividades, nunca ficou quatro dias sem atualização, como aconteceu agora. Nada que justificasse esta paralisação a não ser a curiosidade. Estaria este espaço sendo frequentado por seres irreais? Como responsável pelo blog procurei ficar distante, pelo menos nestes últimos três dias, para esperar a resposta, curioso com a afirmação feita por um blogueiro que, nas horas vagas, ocupa um cargo de educador numa escola da Região do ABC Paulista. Este cidadão, com pouco mais de um metro de altura, cabeça enorme, olhos estatelados e a semelhança com um sapo boi, lembra, em muito, seres extraterrestres. Comprovado ficou que tem ele fértil imaginação. Continuamos a receber muitas visitas e seguidores, mesmo sem um assunto novo e, clicando nas fotos, percebemos que são seres reais, possuem blogs e se comunicam.

São cinco horas da manhã desta terça-feira. Abro minha janela e vejo, entre as inúmeras árvores seculares que cercam minha casa, o céu azul, pontilhado de estrelas. Fascinado pela beleza do espetáculo que já estou acostumado a ver, mas não me canso de admirar, um risco repentinamente cortou o céu e transportou-me para os anos 60, quando uma febre coletiva tomou conta da população. O assunto naquela época, em todas as rodinhas que se formavam era a aparição de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), popularmente chamados de discos voadores. Deixo claro, antes que alguém possa imaginar que estou vendo ufos de madrugada, que o brilho que se arrastou pelo céu e que eu avistei, com certeza foi causado por uma estrela cadente, comum aqui no interior, principalmente à noite. Nunca vi nada que pudesse ter a semelhança de um disco voador, bem que gostaria de ter esta experiência, mas sinto-me recompensado em não ter sido contemplado com a visão de um elefante voando, coisa que já aconteceu com muitos amigos que exageraram na dose.

Os adeptos do homem como única forma de vida inteligente neste cosmos afirmam que se houvesse outro tipo de vida já teriam entrado em contato conosco. É precipitado. Podem existir vidas em estágios de desenvolvimento inferior que não tenham ainda as condições de viajar pelo espaço ou podem existir vidas em etapas tão avançadas que absolutamente não se interessem por esses bípedes peludos que ainda usam a força da explosão para chegarem a seu único satélite.

Há adeptos da teoria de que já fomos visitados diversas vezes e que continuamos a ser observados. Vejo com certa desconfiança essa tese, pois acredito que qualquer espécie com inteligência suficiente para chegar ao planeta Terra teria igualmente a inteligência de procurar um contato, trocar informações ou quem sabe estabelecer pontes. Isso é um ato natural de quem desbrava ou de quem procura novos horizontes. Se eles vieram pacificamente não havia por que se esconderem e se vieram com intenções conquistadoras, já teriam nos aniquilados.

Voltando aos anos 60 e a onda dos discos voadores, relato um fato verídico e muito engraçado ocorrido em Franca, cujo personagem principal foi meu avô, Joaquim Follis, um italiano alegre, falante, olhos verdes e... Medroso. Extremamente medroso, tanto que em sua vida, levado pela imaginação fértil, tal qual a figura do ET de Diadema, via seres irreais por todos os cantos. Eu me encantava com suas histórias compridas e exageradas. Uma que sempre narrou foi seu encontro, numa pescaria, com o “Saci-Pererê”. O “negrinho” de uma perna só e cachimbo numa das mãos estava sobre um tronco de árvore que boiava no rio. Deu o que fazer para meu avô livrar-se dele. Mas, essa é uma das suas muitas histórias que conto em outro texto.

Certo dia pela manhã, como eu sempre fazia quando criança, fui ao empório do meu “tio Carlinhos” – Carlos Maranha – já falecido. Era irmão de minha avó Anita e cunhado do meu avô Joaquim Follis. Os dois conversavam sobre discos voadores. Sentei-me sobre um saco com milhos, saboreando um gostoso “pé de moleque”, aqueles com amendoins inteiros que não se encontra mais hoje em dia, e fiquei ouvindo o papo entre os dois. “A hipótese de haver vida em outros planetas provoca um verdadeiro fascínio em algumas pessoas, que acabam espalhando mitos e informações inventadas.

”Tio Carlinhos”, também italiano e brincalhão era um destes, sabia da fama de medroso do meu avô e aproveitou-se disso para assustá-lo, narrando algumas aparições de discos-voadores e ETs que havia visto (sic) em sua vida. Meu avô, era fácil de perceber, estava apavorado com os casos do “tio Carlinhos”, que no final da conversa sentenciou: “soube que esta noite está previsto a vinda de discos-voadores em Franca, bom não sair de casa a noite de jeito nenhum, nunca se sabe o que eles podem fazer com a gente”. Vovô saiu assustado do empório, sem imaginar que o cunhado estava lhe preparando uma peça. O “tio Carlinhos” riu muito depois que o vovô saiu, mas não me disse nada.

A residência onde eu morava com meus pais ficava ao lado da casa dos meus avós, na Rua General Osório, hoje centro de Franca. Meu pai, Arlindo (foto a direita), ainda mora lá, aos 92 anos de idade. Pela madrugada ouvimos um barulho estranho, forte, um zunido que chegava a assustar. Os minutos se passavam e nada do ruído cessar. Meu pai, ao contrário do meu avô, sempre foi corajoso, saltou da cama e foi ao alpendre de casa ver do que se tratava. Eu o segui, mesmo temeroso, confesso. Também estava impressionado com as histórias sobre discos-voadores contadas pelo “tio Carlinhos”. Papai debruçou-se sobre a sacada do alpendre, colocou seus óculos e exclamou: “bom dia, Carlinhos, o que faz uma hora dessas na rua”?

Ainda consegui ver o “tio Carlinhos” acenar sem graça para o meu pai e rapidamente desaparecer pela rua abaixo, segurando um berrante nas mãos, instrumento usado por ele para fazer toda aquela algazarra de madrugada na janela do meu avô. Soube depois que o “tio Carlinhos” havia amarrado o berrante (foto) numa corda e o agitava em frente a janela do vovô, para que ele pensasse que eram discos-voadores que estavam descendo na Terra. Vovó Anita contou que meu avô, assim que ouviu os primeiros ruídos foi para baixo da cama, apavorado. Mal feito descoberto, no dia seguinte o empório estava fechado e o “tio Carlinhos” escondido em algum canto da cidade, sabe-se lá onde. Vovô, com uma espingarda de caça, estava em seu encalço. Felizmente não o encontrou e tudo acabou em pizza, depois que a poeira assentou.
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*Edward de Souza é radialista e jornalista
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

QUINTA-FEIRA, 3 DE FEVEREIRO DE 2011
Nos últimos dias, algumas notícias me surpreenderam (não muito, confesso). Fiquei pasmo ao saber através de vários órgãos de imprensa, que o ex-presidente vai cobrar 200 mil reais para proferir palestras. Não entendi como ele pretende direcionar sua sapiência. Enfim, vamos aguardar. É bem provável que seja o início de sua campanha eleitoral para 2014.
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Vez ou outra o cidadão ex-presidente falava na palavra “doutor honoris causa”. Achava chique esse título. Finalmente conseguiu o tal título chique. Foi agraciado pela Universidade Federal de Graciosa, Minas Gerais. Também recebeu uma comenda não sei onde. Agora o homem é comendador. No dia 30 de janeiro, o ex-metalúrgico finalmente conseguiu diplomar-se em alguma coisa. Durante o jogo de futebol entre Corinthians e São Bernardo do Campo. O diploma mais alto de um político lhe foi autoconcedido. O de demagogia. Usou uma camisa inédita. A camisa mostrava os dois times disputantes (foto). Vá ser demagogo assim lá na...

Não bastassem os espertos ex-governadores pedirem aposentadoria, descobriu-se agora que parentes de personalidades históricas brasileiras (tetranetos) recebem pensão e estão mamando nas tetas do Poder. É o caso dos descendentes de Tiradentes, Duque de Caxias... Uma farra com o erário público. Será que as pessoas que conseguiram esse privilégio não sentem um pouquinho de vergonha. Acho que não. Estão exigindo aumento! Mas isso não está acontecendo só no âmbito federal. Em alguns Estados a coisa também pegou. No Amazonas tem gente recebendo de dois a quatro mil e quinhentos reais. Até um ventríloquo recebe o benefício. (Estado de São Paulo/30/1/011).

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Mas, fofocas a parte, parece que o anjo da liberdade está pairando sobre o Oriente Médio, uma região onde as ditaduras imperam. Começou pela Tunísia, onde o ditador foi derrubado pela vontade popular, seguindo o Yemen e agora o Egito. E está começando na Jordânia. O tal de Hosni Mubarak (foto a esquerda), ditador há mais de trinta anos no Egito está fazendo de tudo para permanecer no poder. Se ficar o bicho vai pegar, se correr, certamente permanecerá no exílio vivendo com toda a pompa a exemplo de outros ditadores exilados no passado. Por falar em ditaduras, vários cientistas políticos fizeram uma análise do que está acontecendo no mundo e chegaram à conclusão que até o ano de 2020 não haverá mais ditaduras no Globo. Notícia divulgada por Joelmir Betting no jornal da Bandeirante. Que as bênçãos de Alá caiam sobre os países conflitantes e que se espalhe pelos países africanos e americanos do sul.

Aqui no Brasil, a “presidenta” ainda não começou a governar. É o que dizem as más línguas dos jornalistas em vários órgãos da imprensa. Respondendo a carta enviada pelo presidente da Itália sobre a extradição do bandido Battisti, disse ela que a decisão do ex, foi baseada em parecer jurídico. Desde quando um parecer da AGU tem prevalência sobre o STF? Desculpa de “João sem braço”. Aliás, o malfeitor deu entrevista “cara de pau” à imprensa dizendo que se ele for extraditado será derrota do Lula. E uma safadeza ou não? Uma novela idiota!


Outra novela é a questão do salário mínimo. As Centrais Sindicais e o governo não chegam a um acordo. Alguns reais a mais ou a menos nesta altura dos acontecimentos não fará muita diferença no bolso da sofrida população brasileira. Mas, renderá frutos para os políticos que no futuro dirão muitas mentiras como se fossem verdades e o povo acreditará. Lamentável.

A Imprensa divulga com ênfase mais um erro médico cometido por uma enfermeira. A falange do dedo mínimo de um bebê (foto) foi cortada com uma tesoura por uma enfermeira. Provavelmente a culpa foi do tal blá, blá, blá. Conversar durante procedimentos de muita responsabilidade. Não bastava os acontecimentos recentes com outras crianças, como o caso da vaselina, do alimento injetado, etc, mais esse agora. Parece que somente leis que punam severamente esses tipos de erro, poderão fazer efeito.
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E para finalizar, os jornais desta quinta-feira divulgam a queda histórica do Corinthians na Pré-Libertadores, após a derrota por 2 x 0 para o Tolima, na Colômbia. É a primeira vez na história que uma equipe brasileira é eliminada na fase preliminar deste torneio. A derrota e a consequente eliminação na Copa Libertadores não foi bem aceita pela torcida do Corinthians. Instantes depois da partida realizada na noite de ontem, membros de organizadas compareceram ao Parque São Jorge para vandalizar patrimônio do clube. Além disso, elegeram como "vilões" da queda o presidente Andrés Sanchez e os astros Ronaldo (foto) e Roberto Carlos. Desde 2000, o Alvinegro não vence um mata-mata de Libertadores. De lá para cá, caiu nas oitavas de final diante do River Plate por duas vezes (em 2003 e 2006) e do Flamengo, no ano passado.
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui: jgarcelan@uol.com.br
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EXCLUSIVO: Acompanhe em breve, neste blog, "Confidências de um aloprado". Trata-de do desabafo de um homem que viu seu lar desmoronar por absoluta falta de capacidade de administrá-lo e hoje, desesperado, com um filho esquizofrênico, uma filha perdida com drogas e amante de um marginal que está preso, recorreu a este blog pedindo ajuda, enviando durante certo tempo uma série de e-mails com o título "Confidência". Traindo a esposa com uma portuguesa sexagenária e desquitada, sente-se agora ameaçado dentro do seu lar, uma vez que a filha, inconsequente, deu o endereço de sua casa para este marginal com quem pratica sexo na prisão. Este homem relata ainda em seus e-mails, o golpe da fotografia de que foi vítima, prejudicando dezenas de crianças do colégio onde é educador. Um desabafo chocante do personagem deste drama, que sente-se confuso e confessa que ultimamente resolveu atacar até os amigos que o ajudaram, atitude que acabou prejudicando ainda mais sua incômoda situação. Ateu convicto, só de ouvir o nome de Deus fica arrepiado, este cidadão é hoje um solitário, abandonado por todos e sem forças para reverter este quadro. Prepotente e vaidoso, usa a imaginação para criar tipos e viver num mundo de sonhos, no entanto, tem o mérito de reconhecer que não soube educar corretamente seus filhos e, acima de tudo, dar exemplo de moral e dignidade a eles.
(Edward de Souza).
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