Leiam esse lindo poema de Walter Chimello, comentem e deixem sua mensagem à mamãe querida.
AUTOR: WALTER CHIMELLO...
Advogado - escritor e membro da Academia Francana de Letras.
AUTOR: WALTER CHIMELLO...
Advogado - escritor e membro da Academia Francana de Letras.




SAUDADE INFINDA

"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche." (Martha Medeiros)
Diadema, 26 de outubro de 2008.
Profundamente consternado, comunico o falecimento da minha adorada e saudosa mãe, a Sra. Matilde Pinheiro de Oliveira, ocorrido no fatídico dia 24 de outubro de 2008.
Ela veio à luz em 14 de março de 1923, no bairro paulistano de Santana, onde moravam meus avós maternos Júlio Xavier Pinheiro e Belmira Pedroso Pinheiro, que ficaram jubilosos com o nascimento da sua primeira filha! Mas, quando ela tinha um ano de idade, meus avós fugiram, apavorados, da capital, por causa da Revolução, que ceifou muitas vidas de cidadãos paulistanos, refugiando-se no sítio do pai da minha avó materna, Antônio Manoel Pedroso, no atual município de São Bernardo do Campo-SP.
Findo o período belicoso, meus avôs maternos não retornaram ao bairro de Santana, preferiram continuar morando no interior, no sítio do meu bisavô materno, onde mamãe viveu até a adolescência, mudando-se, a seguir, com os pais e mais três irmãos, para Santo André. Tempos depois, mais precisamente no dia 4 de dezembro de 1941, contraiu matrimônio com meu adorado e saudoso pai (meus pais eram primos em 4º grau), que faleceu no também fatídico dia 9 de agosto de 1997. Eles tiveram sete filhos (o primeiro partiu após quatro horas de existência, no dia 18 de novembro de 1942).
Dona Matilde sempre se dedicou com amor, zelo e presteza à sua numerosa prole, que era provida com o labor de chauffer do meu pai, no antigo Ponto de Táxi do Cine Carlos Gomes, em Santo André, telefone: 44-31-06 (será que se eu ligar ele me atende?!...) Além deste reles e desolado escrevinhador outonal, minha adorada e saudosa mãe deixou mais 5 filhos, 13 netos e 9 bisnetos desamparados e aniquilados...
Depois que o meu pai faleceu, o estado de saúde da minha adorada e saudosa mãe começou a ficar combalido. Ultimamente ela se locomovia com ajuda, mesmo assim, com muita dificuldade, precisando da assistência de minha valorosa e prestimosa irmã, Maria Inês, para todas as situações do cotidiano.
Na manhã do fatídico dia de sua partida, começou a revirar os olhos e minha irmã, apavorada, chamou o SAMU andreense, que prontamente a levou ao Pronto-Socorro da Vila Luzita. Entretanto, ela lá chegou sem vida.
Após os trâmites no IML (que horror...mas foram ágeis e prestativos), seu corpo foi trasladado para o Cemitério da Vila Euclides, no município de São Bernardo do Campo, onde foi velado e sepultado no final do dia.
É insuportável pensar que o corpo da minha adorada e saudosa mãe está se decompondo no silêncio sepulcral da 2ª gaveta à direita, do jazigo 53, no Sepulcrário da Irmandade do Santíssimo, que fica no Cemitério da Vila Euclides, que fica na Avenida Redenção, que fica no Jardim do Mar, que fica no município de São Bernardo do Campo, que fica na Região do Grande ABC, que fica na Grande São Paulo, que fica no Estado de São Paulo, que fica na Região Sudeste, que fica no país chamado Brasil, que tem a maior parte do seu território no Hemisfério Sul, que fica na América do Sul, que fica no Continente Americano, que fica no Planeta Terra, que fica no Sistema Solar, que fica na galáxia da Via Láctea, que fica no grupo de galáxias local, que é uma da bilhões de galáxias que ficam no Universo, que pode ser um dos incontáveis Multiversos...
Por que há existência, quando poderia não haver nada?!!!
Nunca mais ouvirei da minha saudosa e adorada mãe: - Oi João você está bom? - Cuidado na rua, por causa da ladroagem! - Se você não estudar, quando crescer vai puxar carroça!. - Não saia sem blusa, por causa da friagem! - Jamais tome banho, após o almoço! - Não volte tarde! - Onde você vai e com quem? - Já rezou para dormir? - Deus te abençoe! - Vá com Deus! - Você precisa ter uma religião! - Não me conformo de você ter ficado ateu! - Vá lavar as mãos antes de comer! - Venha cá, seu menino malcriado, levar umas cintadas! - Eu já lhe falei, nunca mais faça isto! Quem mandou prender o gato no armário da pia e colocar fogo no coitado! - Pare de ficar girando o botão da máquina de lavar roupas!...Suas palavras ainda ecoam no meu peito...
Minha vida tornou-se insulsa sem a presença radiante da minha adorada e saudosa mãe! Volte, mãe, volte!
Compungidamente,


Quando minha mãe ia à cabeleireira para cortar o cabelo e fazer permanente era assim: os três filhos mais velhos ficavam na casa de minha tia e os três mais novos, ela os levava consigo. Normalmente era em tardes de sábado e nesses dias, a rotina lá em casa mudava um pouco. O almoço saia mais cedo, a roupa não era lavada e nosso banho era mais caprichado. Como eu era o menor, minha irmã cuidava de mim, no chuveiro. Era aquela choradeira, pois ela esfregava tanto meu pescoço e orelhas que deixava-me todo vermelho e ardendo.
Depois, para o processo de secagem, colocava-me em pé sobre um antigo baú de madeira, com tampa abaulada que minha avó Adelaide trouxera de Portugal, no início do século passado. Vai-se saber quais louças preciosas ou tralhas necessárias vieram, diretamente de Coimbra, naquela respeitável "mala de pau". Entretanto, na minha infância e adolescência, o móvel de carvalho servia-se apenas para guardar roupas sujas ou sustentar moleques molhados.
Num sábado desses, já estávamos todos prontos para acompanhar mamãe ao "Salão da Margarida" que ficava distante de casa, quase no fim da Avenida. Não me recordo bem qual arte aprontei, mas fiz por merecer uma surra de minha mãe. Só me lembro de que, enquanto ela procurava o cordão do ferro elétrico para aplicar-me o corretivo, corri a esconder-me dentro da mala de pau.
Sobre a maciez das roupas usadas, acabei por adormecer profundamente, alheio ao fuzuê que se armou na minha casa, por conta de meu sumiço. Inicialmente minha mãe queria achar-me para aplicar a sova prometida, depois para que eu não sujasse a roupa de passeio, mais tarde porque perdera a hora da cabeleireira e finalmente, quando anoiteceu, desesperou-se pensando que eu havia sido sequestrado.
ARROZ À MODA CIGANA: 2 xícaras de arroz temperado e cozido; 1/2 xícara de pinhões pré-cozidos ou castanhas do Pará; 3 colheres de manteiga; 1 xícara de queijo suiço (aqueles com buracos) picado; 3 ovos batidos; 2 copos de leite; 1 xícara de espinafre cozido, com sal e picado; 1 xícara de brócolis cozido, com sal e picado, 1 cebola picadinha.
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Segundo a mitologia grega, o culto à mãe se iniciou na Grécia antiga, quando se homenageava com efusão na festa de entrada da primavera, a mãe dos Deuses, Rhéia, casada com Cronos que destronara o próprio pai, Urano, que governava a Terra. Destronado, Urano profetizou que também Cronos seria destronado por um de seus filhos. Rhéia, ao parir cada criança, a entregava a Cronos que a devorava, eliminando o risco da profecia. Assim ocorreu com os cinco primeiros irmãos de Zeus, o que levou Rhéia a agir no nascimento do sexto filho. Refugiou-se no Monte Ida, na ilha de Creta e, após a delivrança, entregou o rebento aos cuidados de Gaia, Deusa da Terra, mulher de Urano, mãe de Cronos e avó de Zeus. Na caverna, aos seus cuidados e das Ninfas da Floresta, foi poupada sua vida para cumprir a profecia.
A Inglaterra, no século XVll, adotou o quarto domingo da quaresma como dia de folga de suas operárias, ensejando que ficassem em casa com suas mães em glorificação ao seu dia. Assim era festejado o “Mothering Day”.
O Brasil pode contar, com orgulho, a história do primeiro Dia das Mães brasileiro. Vivia o país o ano 1918 com invasão da febre “espanhola” a registrar muitas baixas e participação voluntária de muitas pessoas, entre elas, mulheres, mães atentas a cuidar com zelo de filhos e de toda a gente da comunidade, no afã de salvar vidas.
Nesse ano, a Associação Cristã de Moços de Porto Alegre comemorou, em 12 de maio, o primeiro Dia das Mães do Brasil. Em 1932, o então Presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo do mês de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, oficializou no calendário da Igreja Católica a data celebrada em honra da mãe brasileira.
Quando Anna Jarvis mandou, como prova de sentimento e respeito, um milhar de cravos brancos para a Igreja que frequentava, seu desejo era vê-los usados pelos paroquianos na data de gratidão as mães. Não previra que o gesto se alastraria pelo resto do mundo. Foi assim que aprendi a usar um cravo branco na lapela nos bailes que antecediam o segundo domingo do mês de maio. Também foi assim que adquiri o hábito de colocar o mesmo cravo branco de cor imaculada nos cabelos encanecidos de minha mãe, figura singular em minha vida.
Lamenta-se, no entanto, que a voracidade comercial se tenha apoderado de tão elevado sentimento de gratidão e reconhecimento à beatitude da Mãe que nada deseja além de um gesto de carinho, um beijo terno a premiar-lhe a fronte. Mais que qualquer presente, a Mãe só espera pela presença do filho amado, com ele partilhando alegrias e infortúnios. É por ele que jorram suas lágrimas ou extravasam-se risos nas vitórias e folguedos.
Quanto a mim, levarei uma saudade, adornando a lápide fria com os cravos brancos do passado, amalgamados ao meu sentimento de amor que nunca se perderá.
-------------------------------------------------------------------------------------*José Reynaldo Nascimento Falleiros (Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004); Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007) e a novíssima coletânea Seleta XXI - Crônicas, Contos e Poesias, recentemente lançada. Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado.
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Nesta semana, o Blog de Edward de Souza convocou seus jornalistas e articulistas incumbindo-os de escreverem sobre um assunto muito especial - as MÃES, cujo dia é comemorado no domingo, 9 de maio.




Desde criança, quando passava minha infância na tranquila cidade de Bálsamo, a noroeste de São Paulo, a imagem que tenho de Bagdá é aquela dos castelos gigantes e misteriosos, de ruas estreitas, de bares camuflados nos porões, nos tapetes voadores, nos reis e nas rainhas e, principalmente, de Ali Babá e os 40 ladrões – este último que ficou mais famoso no Brasil depois que políticos confundiram Ali Babá como chefe dos 40 ladrões e não como o seu o seu implacável perseguidor.
Não afeito à delicadeza tão espontânea, me neguei a aceitar e ela insistiu, formando de novo o triângulo com o braço esquerdo:
MELINDRE, FILHO DILETO DO ORGULHO
Sabemos que o ORGULHO é um dos maiores males da humanidade. Desde eras remotas o homem se deixou levar por essa terrível praga moral. Nem mesmo as mais angustiantes e dolorosas doenças, epidemias ou pragas que passaram pela Terra desde a existência do ser humano, mataram tantas pessoas do que as consequências que advierem do orgulho de muitos indivíduos que aniquilaram milhões e milhões ou bilhões de pessoas nas guerras e tramas armadas. Tudo pela ânsia do poder, da ganância ou pelo simples ato de ter. O homem da caverna, já lutava pela fêmea e se sentia ferido em seu orgulho quando se via privado daquilo que queria, seja o que fosse. A luta pela liderança de um grupo ou tribo era uma questão de honra e de orgulho.
Desta forma, em minha opinião, o Orgulho, na verdade, é o cancro da humanidade e enquanto não nos livrarmos dele ou o erradicarmos, não conseguirá ser promovida de um Mundo de Expiação e Provas para o Mundo em Regeneração.
Os dramas familiares são ocasionados pelo orgulho excessivo. Quando da programação da Reencarnação, promessas de força de vontade e de se regenerarem através do amor são esquecidas, pois basta uma “picada” de orgulho para que as pessoas se percam e se desvairem no mar do desentendimento.
Nos Centros Espíritas, infelizmente essa terrível praga está presente. Os Espíritos que nos assistem não conseguem erradicar esse mal, pois são obrigados a respeitar o livre-arbítrio de cada um. A falta de estudo, o esforço para uma reforma íntima prometido quando no interior do Centro, principalmente quando estão compenetrados ou concentrados para receber o passe, são esquecidos logo em seguida, quando os apelos do consumismo dos vícios se fazem mais fortes do que os ensinamentos de JESUS.
iferentes e maneiras de ver a Doutrina e principalmente o MELINDRE ocasionaram esses problemas. Nada disso aconteceria se a leitura de KARDEC estivesse presente em seus mínimos detalhes. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, cuja primeira edição se deu em 1862, em seu Capítulo VII – BEM AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO, item 11, O Orgulho e a Humildade, traz o seguinte trecho “A humildade é uma virtude bem esquecida entre vós; os grandes exemplos que vos foram dados são bem pouco seguidos e, todavia, sem a humildade, podeis ser caridosos com vosso próximo? Oh! Não, porque esse sentimento nivela os homens; diz-lhes que são irmãos, que devem se entre ajudar e os conduz ao bem. Sem a humildade vos adornais de virtudes que não tendes como se trouxésseis um vestuário para esconder as deformidades de vosso corpo. Recordai “Aquele que vos salva; recordai sua humildade que o fez tão grande, e o colocou acima de todos os profetas.”

Meses antes de minha viagem a Europa, a Ilca teve um gesto surpreendente, só mesmo uma mulher apaixonada seria capaz de fazer. Isso ocorreu quando eu estava no Parque Nacional do Xingu para gravar as memórias dos irmãos Claudio e Orlando Villas Boas, sertanistas que dedicaram a maior parte de suas vidas em defesa dos índios brasileiros. Acompanhava-me o fotógrafo Gilberto Guimarães, o Guima, um excelente profissional. O trabalho era para a extinta revista Visão.
homenagem a um dos irmãos, também sertanista, falecido vítima de doenças tropicais. Conhecera os irmãos sertanistas há pouco mais de dois anos, em 1972, quando o jornal O Estado de S. Paulo me destacou para acompanhá-los em uma expedição pelas florestas do Xingu para tentar o contato com os Kranhacãrore, mais conhecidos como índios gigantes, considerados os últimos primitivos a viverem isolados no Brasil. Desci de um Cessna, fretado pelo jornal, diretamente no acampamento aberto às margens do rio Peixoto de Azevedo, já divisa dos estados de Mato Grosso e Pará.
A série de reportagens que fiz sobre essa expedição mereceu, no ano seguinte, o Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, na época a maior láurea concedida anualmente a um jornalista brasileiro. Foi com a passagem aérea incluída nesse prêmio é que fiz a viagem a Europa. Então, numa tarde, caminhava pelo Posto Leonardo, quando Orlando – o irmão mais velho e considerado o diplomata da família - , que estava se comunicando com São Paulo via rádio, me chamou e perguntou: “quanto pesa a sua noiva, a Ilca”?
pensava mais na Eva, com quem era casado desde 1970, nos meus dois cachorros, e quase em nada mais. Tanto que não via a hora de regressar. Mesmo assim, procurei demonstrar tranquilidade. Como ela tinha pouco mais de 1,50 de altura, resolvi arriscar e respondi com firmeza: cinquenta quilos. Orlando, de imediato, repassou ao rádio:
Assim, solenemente, garanti ao sertanista que me casaria com a Ilca. A sua vinda ao Posto Leonardo seria uma surpresa que ela preparara para mim, mas frustrara em razão de estar esgotada a capacidade do avião do Correio Aéreo Nacional, um C-47 muito utilizado pelo governo norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, que fazia a rota entre o Parque Nacional do Xingu e outras regiões do país.
afluente do Xingu, visitamos as tribos próximas ao Posto Leonardo e, muitas vezes, saímos para passear pela floresta. Num desses passeios, acompanhados de um pequeno índio, fomos até a aldeia dos Kamaiorá, às margens da lagoa Ipavu. Fomos recebidos pelo grande cacique Tacumã que, não fosse o mau tempo, teria nos levado a visita a Lagoa Sagrada – cujo leito é repleto de pedras das mais preciosas, abundantes na região. Numa tarde, antes de nos despedirmos da tribo, a Ilca e eu fomos, sozinhos, para as margens da lagoa, nos despimos e, assim como os índios, ficamos uma longa hora deixando-se levar por todas as seduções do amor. Sua visita ao Posto Leonardo foi, até hoje, um dos grandes presentes que recebi da Ilca em toda a minha vida.
Desses indígenas, alguns se destacaram pela inteligência, pelo espírito de liderança ou pelo porte físico, exibido, principalmente, nas comemorações do Quarup – festa em louvação aos mortos – que tem como um dos pontos altos a luta denominada Uka-Uka, que mede a força física e termina quando um dos índios é derrubado ao chão e imobilizado. O campeão mais conhecido era Aritana, que comandava uma das tribos. Megaron era outro índio que se projetava por entender de radiocomunicação, o único meio de contato entre a selva e as autoridades responsáveis pelo funcionamento do parque, com exceção dos contatos pessoais feitos semanalmente com a chegada de um avião do Correio Aéreo Nacional (CAN), da Força Aérea Brasileira.
Outro que marcou bastante era Takumã, feiticeiro e cacique dos Kamaiorá, o índio que quis levar eu e a Ilca a conhecer a aldeia sagrada.
Hoje, olhando para o passado, me vejo navegando pelo rio Xingu, já perto de escoar no rio Amazonas, me extasiando com a fartura de peixes no local. E a advertência de Megaron: Vamos voltar para a aldeia. Meu questionamento: por que, se aqui há tanto peixe. Justificava a volta: já tínhamos pescado o suficiente para alimentar a todos naquele dia. Aprendi a me contentar com o estritamente necessário, o amor pela preservação de todo o alimento que representava o sustento e não o acúmulo, o desperdício.
Assim como ocorria com os peixes, era com os animais da floresta, como os porcos-do-mato, os macacos e outros pequenos espécimes de carne comestível para os humanos. Assim ocorria com as árvores da floresta, que só eram derrubadas diante de extrema necessidade para a construção de novos alojamentos. Assim ocorria com as águas dos rios, que corriam límpidas e puras, sem receber os dejetos lançados pelos humanos. Assim, ocorria com os índios, que não precisavam de dinheiro para viver. A natureza lhes oferecia tudo de graça e eles retribuíam, protegendo-a. Mas, com o tempo, me parece que esses ensinamentos foram se diluindo em minha mente. Difícil praticá-los vivendo na grande cidade...
Ficou a saudade dos ensinamentos do filósofo Cláudio Villas Boas, morto antes de realizar o seu sonho de viajar pela América do Sul, e dos índios, que, assim como eu, envelheceram e agora esperam a morte. É o que tento fazer e o caminho para enfrentá-la, acredito, é reviver o passado, usufruindo do momento presente, mas sem almejar nada para o futuro. Assim, espero a morte. Sem temê-la...Crônicas e artigos especiais de renomados jornalistas, alguns "Prêmio Esso de Jornalismo", sob o comando do jornalista, escritor e radialista Edward de Souza.