terça-feira, 9 de março de 2010

PROVOCAÇÃO


Desconfio seriamente que todos os episódios ruins (naturais ou produzidos) no Brasil, nos últimos 509 anos, são uma provocação sutilíssima engendrada por alguma força muito superior para testar a paciência dos pobres nativos dessa terra que ainda se conservam crédulos e esperam, pacientemente, alguma mudança no lado debaixo do Equador.

Salvo melhor juízo, desde que Cabral e suas caravelas aqui atracaram, o país perdeu a paz e quaisquer chances de vislumbrar um futuro promissor. Esse esplêndido berço quilométrico de sol, mar e riquezas mil virou o centro da cobiça de portugueses, franceses, holandeses e ingleses que, em pouco mais de três séculos, trataram de carregar o que puderam. Em troca, ensinaram toda a sorte de artimanhas, falcatruas e negociatas aos que aqui residiam. E como tudo que é ruim se espalha rapidamente, como rastilho de pólvora, nos séculos vindouros, a canalha aumentou e, com ela, a arte de mentir, enganar, roubar, traficar influência, ganhar dinheiro fácil nas costas dos néscios e outras especialidades do ramo virou ordem do dia no Brasil.

Hoje, terreno mais do que fértil para a burla sistemática é a política, onde tudo acontece e nada é para o lado do que é bom, justo e correto. Ao contrário, parece que a inteligência esperta investida pelo voto só trabalha para atolar ainda mais o Brasil, um país continental, prenhe de miséria e desolação - o resultado dessa inflorescência podre que em Brasília viceja. Homens (?) que deveriam dar o melhor de si para resolver os problemas mínimos (se pede tão pouco!) da população dão o máximo somente para encher as suas burras e c’est fini. O mais que se exploda!

Os políticos corruptos são malandros da pior espécie, hábeis e ousados, experientes na arte de mentir e encontrar desculpas para o seu ultrajante comportamento, mesmo que lhes seja impossível ocultar a verdade, porém, sempre há um jeitinho, uma manobra, um acordo de compadres, geralmente celebrado com o apoio de seus pares, sejam do governo ou da oposição, mostrando que o corporativismo reina nas instâncias do poder e, como sempre, uma mão lava a outra.

Certo é que o cinismo demonstrado pelos políticos corrobora a máxima, mais cínica ainda, de que “a mentira muitas vezes contada, se transforma em verdade” ou, “a acusação, muitas vezes negada, inocenta o acusado”. Está claro que nada vai mudar esse inferno ético e moral em que vivemos enquanto não for afastada, definitivamente, a certeza da impunidade, o mal do século (ou do milênio), alegria e inspiração dos cafajestes.

Pior mesmo é perceber que esse festival de cinismo e frouxidão moral acabou por contaminar toda a sociedade. Decência, honradez, honestidade, lealdade e competência já não são consideradas qualidades que podem levar uma pessoa ao sucesso, seja em que seara for. Agora, oportunismo, hipocrisia, esperteza, má-fé e mais uma lista infindável de safadezas, estas sim, são atributos que asseguram carreira meteórica, por mais inexpressivo que seja o cidadão. O que vale é o pendor para a venalidade, essa sim, considerada uma competência sine qua non para o êxito de qualquer empreendimento.

Como parece impossível combater a corrupção e bastante difícil acabar com a impunidade na atual conjuntura, parece que o combate à retórica do cinismo passa por conservarmos, a todo custo, uma mídia livre e autônoma, que privilegie a liberdade de informação e continue denunciando os cínicos de plantão e de ofício. Isso também é difícil. Mais cômodo é passar para o lado da imprensa oficial. Mas há resistência. Pouca, mas há.

E o povo, coitado do povo, continua inerte, impassível. Apenas lê (quando tem essa habilidade) no jornal, todos os dias, as últimas novidades do Planalto, como capítulos seriados de uma história interminável. Ainda não têm consciência da tal provocação... Quem sabe um par de séculos ainda seja necessário para a reação. Ou não.
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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse: http://niviaandres.blogspot.com/
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segunda-feira, 8 de março de 2010


MULHER, UMA HOMENAGEM

8 DE MARÇO:

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Os 100 anos de celebração do Dia Internacional da Mulher são apenas parte da trajetória de uma luta que promete continuar por muito tempo ainda. Elas não se intimidam com as dificuldades que surgem no cotidiano e muitas vezes vivem no anonimato. Mãe, esposa, profissional, amiga. Para ter sucesso e conciliar todas essas funções, é preciso mais que vontade, é necessário talento. Elas são chamadas de mulheres, mas poderiam ser chamadas de “guerreiras”. Mulheres que se tornam exemplos de vida, solidariedade e superação. Seja na liderança de grandes empresas, em instituições de ensino, movimentos sociais ou mesmo em casa, as mulheres têm se destacado em desafios que surgem diariamente. A disputa de espaço próprio deixou de ser exceção para se tornar regra na vida de muitas mulheres, que já não se incomodam com o preconceito e ocupam cargos que antes eram predominantemente masculinos.

Apesar dos avanços, as mulheres continuam sendo discriminadas, recebendo salários inferiores, e sofrendo diversos tipos de violência sendo uma delas a desqualificação da imagem feminina.

Recebo cerca de 200 e-mails por dia de amigos e amigas espalhados por esse Brasil. Alguns chamam a atenção, como esse que recebi da Fabiana, uma jovem de 22 anos que é filha da Janeth Goulart, uma amiga jornalista que mora no Rio de Janeiro. Tenho a certeza que muitos já devem ter recebido esse e-mail, ou parecido com ele, porque tudo que está na rede circula com uma rapidez espantosa. O título, por si só, chama a atenção, vejam: “frases retiradas de revistas femininas das décadas de 50 e 60”. E cita algumas pérolas estampadas em revistas nessas décadas, em que a mulher sofria forte discriminação. Escolhi algumas, para que opinem sobre o assunto, neste Dia Internacional da Mulher. Acompanhem:

“Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas”. (Jornal das Moças, 1957). Tem um amigo meu que iria adorar viver nesses tempos.

“Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo”. (Revista Claudia, 1962). Esse mesmo amigo certamente iria assinar ou comprar essa revista para a esposa ler.

“A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa”. (Jornal das Moças, 1965). Será que naqueles tempos as mulheres abaixavam as tampas dos vasos sanitários?

Essa que encontrei é inacreditável e o texto era de uma jornalista, pasmem: “A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas”. (Jornal das Moças, 1959). É que, em 59, poucos tinham TV em casa, senão esse Jornal das Moças, nome de uma revista, certamente acrescentaria: “sirvam a cerveja em silêncio, para não tirar a atenção do marido no jogo de futebol”.

Para finalizar, essa é de cair o queixo: “O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. Ele é quem decide”. E continua: “Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o”. (Jornal das Moças, 1958). Nos dias de hoje o coitado seria mesmo esperado pela esposa, mas com certeza ela estaria empunhando um pau de macarrão que iria lhe custar uns bons galos na cabeça.

Antes que eu receba severas criticas das mulheres – são muitas as que visitam esse blog – afirmo que não sou machista, apenas mostrei, através do e-mail que recebi com as frases citadas acima, que houve uma revolução das mulheres e não faz muito tempo. Bom que saibam que as frases recebidas eram ilustradas com as páginas das revistas, para provar sua veracidade.

Na verdade, a revolução que as mulheres estão fazendo no planeta me dá mais fé num mundo melhor. Gosto do comportamento das mulheres, da sensibilidade, de como elas conduzem as coisas. Gosto de suas tomadas de posição e da firmeza de propósitos. A doce revolução feminina está clara, não estou escrevendo aqui nenhuma novidade, apenas aplaudindo essa passagem, torcendo para que as mulheres avancem e continuem mais e mais ocupando postos. Hoje, temos brasileiras no Congresso Nacional, no cume de pesquisas científicas, escalões das Forças Armadas, pilotando Boeings, no comando de navios, maestrinas, líderes. São elas, ainda, a fonte do amor, sonhos, enlevo, ternura, cuja presença inspira o desejo da perpetuação.

Enquanto muitos amigos amam ficar na cozinha fazendo pratos e comentando sobre futebol, as mulheres ficam na sala, resolvendo as coisas da vida. Que elas possam realmente revolucionar nosso planeta Terra, contagiando com sua peculiar sensibilidade, todos os homens, embrutecidos por um comportamento falido e, praticamente ultrapassados, em suas posturas machistas. (Edward de Souza)

Dizem que por trás de cada homem sempre há ou haverá uma grande mulher! Será que não seria ao contrário? Afinal, é através da mulher que todos nós chegamos ao mundo. E é ela que nos educa, acalenta, amamenta e nos defende... A mulher foi e sempre estará na linha de frente nos acontecimentos do mundo.

Sem a presença da mulher na Terra, o homem careceria de exemplos concretos de sensibilidade humana em alto grau de expressão.

Sem mais me alongar, transcrevo abaixo o que disse Leon Denis:

“(...) Porque, tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos. Até aos sete anos o filho permanecia no gineceu sob a direção materna. E sabe-se o que foram as mães gregas, romanas e gaulesas. Para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações; porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora (...). Paz. Muita Paz. (J. Morgado)

Veja o amanhecer, a chegada do sol, raios reluzentes sobre mares e montanhas. Depois, o anoitecer, estrelas e o luar que ameniza a escuridão da noite. Imagine o universo, o que há de melhor no infinito. E contemple a mulher, a mais bela flor que brota no jardim da existência. Mulher, sábia, professora, deusa. À semelhança de Deus, eis a mulher e seu poder de gerar, criar, preservar a espécie e iluminar o amanhã. Mulher é tudo na tarefa de se desdobrar: em todos os setores, sempre ativa e desprendida na correria do dia a dia. Está em todos os lugares, seja nas atividades impostas pela sobrevivência, no ambiente familiar, ou nas ruas, nos escritórios, diante das máquinas. Mulher, esplendor, luz, beleza, amor, ternura, esperança. Perfeição da natureza, arte da criação divina, mulher é a vela que impulsiona o barco que conduz a essência da vida no planeta. (Guido Fidelis)

Tributar-lhe homenagem é dever cidadão. Amá-la, respeitá-la, dignificar sua existência: compromisso permanente. Reconhecer-lhe o direito na conquista de independência: obrigação. Rejeitar a degradação imposta por muitos aos encantos e sublimidade femininas: urgente.

Salve o Dia Internacional da Mulher! (Garcia Netto)

Tenho certeza de que todas as mulheres do mundo adorariam receber um olhar de admiração, um carinho, um abraço, sem data marcada, sem horário escolhido. Mas admiração, carinho, afago são expressões de sentimento poucos usuais hoje em dia; mais comuns são olhares duros, gestos bruscos, mãos preparadas para o açoite e o castigo, violência que geralmente descamba para o crime.

Não, não sou feminista! Sim, sou jornalista e preciso traduzir em informação real, todos os dias, o que vejo acontecer em muitas partes do mundo, aqui entre nós, inclusive. Ódio, inveja, ciúme, miséria, ignorância, intolerância, sede de dominação fazem do homem um magistrado que julga segundo os critérios que a barbárie impõe. A ausência de valores e a falta de limites causam violência desmedida, produzindo sofrimento e morte.

Lenta, lentamente, esse quadro de ignomínia está mudando, pelo simples fato de que as mulheres do mundo não aguentam mais. Milênios de dominação, vilipêndio, humilhação, tortura encontram, agora, resistência firme, determinada, porque o sexo feminino, a muito custo, encontrou o seu ponto de equilíbrio – a dignidade que possibilita escolhas e faz das mulheres donas do seu próprio destino.

A veemência em mostrar esse quadro degradante não me faz cega. Existem, sim, e são muitos - homens que entendem que o seu papel nesse mundo é o de caminhar junto com suas mulheres, lado a lado, compartilhando, convivendo harmoniosamente, coabitando, comprazendo, co-lorindo a vida, para que ela seja experimentada plenamente.

Ah...Sim! Como mulher e profissional, sinto-me abençoada. Amo e sou amada. Respeito e sou respeitada. Admiro e recebo um olhar de admiração todos os dias, bem cedinho. Carinho e afago, também, sem data e hora marcada. Mas não posso deixar de olhar para o lado e desejar, ardentemente, que todas as mulheres do mundo também tenham o mesmo e merecido privilégio. (Nivia Andres)


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Edward de Souza, J. Morgado, Guido Fidelis, Garcia Netto e Nivia Andres são articulistas do Blog Crônicas de Edward de Souza e Amigos Jornalistas e, hoje, especialmente, fazem uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher
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sábado, 6 de março de 2010


VOCÊ CONFIA NOS POLÍTICOS?


Alguns defensores da classe, sobretudo na mídia, argumentam haver políticos idealistas que não se enquadram no conceito de ser um profissional. Trabalha, sustenta a família, paga suas contas e entra na política mais pensando nos outros do que nele mesmo. Não posso entender que o sujeito gaste 500 mil dólares para se eleger deputado federal para ganhar por mês pouco mais de R$ 24 mil. Tem as regalias, é certo. Mas não me venham com essa história de idealistas. Ora, idealista todo mundo é. Hitler era. PC Farias também. Um queria dominar o mundo pela pureza da raça, e o outro pela corrupção.

As eleições deste ano já começam a movimentar os políticos, principalmente aqueles que estão por cima da carne seca e não querem perder o meio mais fácil de enriquecer. Polpudos vencimentos e mordomias de gabinetes realmente mexem com os interesses pessoais. Já começaram os sorrisos, os “tapinhas nas costas” e até visitas domiciliares. Com certeza, terão dificuldades em convencer os eleitores, principalmente aqueles (milhares) que não acreditam mais nos políticos.

O programa Fome Zero com suas inúmeras bolsas e ofertas tem um caráter nitidamente eleitoral, é impossível duvidar ou disfarçar isso. No entanto, ele continua a todo vapor durante o período eleitoral como uma alavanca a impulsionar o candidato do governo. É bom lembrar que dois governadores perderam seu mandato justamente por implementarem programas semelhantes e não terem parado na fase de eleições. O que valeu para os governadores, entretanto, não vale para Lula, que, bem ao contrário, acena com novas vantagens como a isenção nas tarifas elétricas.

Você pode perguntar a qualquer pessoa que já sentiu o gostinho de assumir um cargo na Assembléia Legislativa ou na Câmara Federal. Ele vai dizer que uma campanha eleitoral custa pelo menos um dígito a mais que o declarado pelos postulantes nas prestações de contas remetidas à Justiça Eleitoral, salvo raríssimas exceções (se elas existirem). O problema é que dada a sofisticação com que se desenrola o caixa-dois das campanhas, ninguém sabe como provar o crime eleitoral. E cá para nós. Tem coisa que não daria mesmo para entrar em uma prestação de contas sem que o postulante parasse atrás das grades. A verdade é que uma campanha de sucesso relativo para a Câmara Federal, para quem já tem um nome consolidado na praça, não sai por menos que R$ 1,5 milhão. Se o pretendente for um reles desconhecido, como aparece vez por outra, esse valor precisa ser duplicado.

Os comitês financeiros dos candidatos nunca informam, por exemplo, quantas dentaduras, botinas, óculos e contas de água e luz são pagas nos dias que antecedem o período eleitoral. Nos balancetes é possível conferir no máximo o gasto com gráfica, telefone e publicidade. Mesmo assim, todo mundo sabe que a velha e famigerada compra de voto corre solta. Por isso, em geral, a prestação de contas não passa de um conto de fadas.

O Brasil é um país de corruptos, dizem lá fora. Apesar de ser governado por um dos presidentes mais populares da sua história política, ninguém ousa dizer o contrário, porque contra fatos não há argumentos. E não precisamos citar fatos, já que são do conhecimento geral. O caso de José Roberto Arruda, somado a inúmeros similares, deixa de ser exceção para ser regra. Não podemos viver com máquinas governamentais desarticuladas e desestimuladas. As leis não funcionam, a roubalheira não tem freio.

A cada dia surgem mais escândalos, roubalheiras e falta de caráter. As revistas semanais estão fartas de matérias que seriam altamente suficientes para que o estádio do Maracanã ficasse lotado por políticos corruptos. A verdade é que nunca se viu, em tempo algum, tantos desmandos praticados por aqueles que deveriam dar um bom exemplo. Por outro lado, o povo brasileiro tem culpa nessa baderna, por votar em elementos de conduta duvidosa mais que comprovada.

País de impunidades escandalosas, o Brasil jamais será uma grande nação com administrações feitas de rotinas anacrônicas, visão e herança do clientelismo eleitoral e do paternalismo, corrupção nos despachos e dos orçamentos inviáveis, onde meios passam a ser fins e se esgotam os recursos e as aspirações. O que ocorre na administração do Distrito Federal é um exemplo vergonhoso e desmoralizante. Ladrões roubam abertamente e nada acontece. É muito bandido para um só John Wayne.

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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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sexta-feira, 5 de março de 2010


SOMOS RESPONSÁVEIS

PELOS

DESASTRES DO MUNDO


Muito se tem falado das alterações climáticas do mundo. Aliás, todos nós temos sentido essas mudanças. As tragédias se sucedem. Maremotos, terremotos, secas prolongadas que provocam a miséria e a fome em muitos locais de nosso planeta. Segundo estatísticas da ONU, quase um bilhão de pessoas passam fome.
Em outros locais, as chuvas prolongadas ocasionam desastres terríveis. Milhares de pessoas desabrigadas, outras mortas ou desencarnadas em consequência.

Governos se reúnem para por fim às possíveis causas dessas alterações. Cada um deles defendendo seu ponto de vista para não prejudicar o crescimento de seu país.

Na verdade o que se percebe é uma pesada dose de egoísmo. O próximo nessa questão é esquecido.

A conscientização de cada ser humano para o problema deveria ser a meta. Um amplo programa de conscientização mundial para as questões do meio ambiente deveria ter prioridade. Evitar-se-ia frases como a que se ouve aqui e ali: “não estou nem aí, eu não vou estar vivo (a) para ver essas previsões pessimistas”.

Lendo o livro no “Roteiro do Evangelho” de Vera Lúcia e Ottília (espírito) – edição IDE/1989, capítulo 44, “Como ligarei”, destaquei o seguinte parágrafo: “Não olvides a voz da razão e da inteligência esclarecida, que te induz a reconhecer que o dia de hoje teve o seu começo no de ontem e prolongar-se-á até o de amanhã”.

Na verdade, somos herdeiros de nós mesmos. O materialismo excessivo é que está ocasionando todos esses desastres. A ganância aliada ao egocentrismo levará a humanidade a sofrimentos atrozes. Resta-nos a esperança da evolução espiritual para que um dia, o homem, menos materialista, comece a consertar o que destruiu.

É interessante observar que a energia que trouxe progresso ao mundo é a mesma que vem degradando o meio ambiente. Sim, falo do petróleo! Pois além do combustível são fabricados utensílios cuja deterioração leva centenas de anos, causando um enorme prejuízo à natureza que nos cerca.

Para ocupar o solo, o homem busca o meio mais fácil de conseguir a área desejada para a produção de alimentos. Provoca as queimadas! Um mal terrível para a extinção das espécies e degradação dos rios. Rios que fornecem a água que bebemos para podermos sobreviver. Onde está o bom senso e a racionalidade? O egoísmo é o vilão.

Enquanto escrevo este artigo, as manchetes nos jornais, rádio e televisão dão ênfase ao acontecido no Suriname. Dezenas de garimpeiros brasileiros foram agredidos violentamente em um dos muitos garimpos existentes no norte daquele país.

As imagens mostram um rio poluído devido à extração do minério aurífero e a mata ribeirinha completamente danificada!

As mortes ocasionadas pelo deslizamento de encostas em Angra do Reis e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, é outro exemplo de descaso para com a natureza.

Fatos como esse acontecem em todas as partes do mundo. Afinal, o homem está em toda a parte.

O que nos aborrece (sou humano imperfeito) é ver que essa mesma mídia que noticia o fato com tanto alarde não tocar no assunto com a ênfase que deveria ser dada ao problema ocasionado pelo ser humano. Alguém já disse “E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE”.

O desvario dos homens em qualquer classe a que pertençam (uma divisão entre os homens) é latente. O lucro material é o que importa! O resto... a gente resolve depois.

Daí a dificuldade ou a má vontade de aceitar ou entender a reencarnação como um fato natural. Aceitá-la seria como interromper (para os incrédulos) o seu consumismo exagerado e despojar-se dos vícios morais. Preferem acreditar em histórias da carochinha ou não acreditar em coisa nenhuma e assim, entre o céu e o inferno, ficam com a crença de que “vamos aproveitar o máximo, pois a vida é uma só!”.

Ledo engano! Os sinais estão para quem quiser realmente ver. O desvario e a destruição do que se fizer hoje será nossa herança amanhã.

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
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quinta-feira, 4 de março de 2010

Garcia Netto e Cesar de Alencar, na Rádio Nacional, RJ

FLAGRANTES DA VIDA (VI)


Ao completar a prazerosa missão de entregar a vocês a série Relembranças, não basta fazer a retrospectiva de uma história que sempre será bonita, merecendo ser guardada com o carinho que mostraram ter pelo rádio brasileiro, seus astros e estrelas, seus serviços de utilidade pública, seu entretenimento. Foi assumido compromisso de esclarecer questionamentos a certas dúvidas ao final, promessa que agora tentarei cumprir. Devo, por justiça, acrescentar: tornou-se obrigatório, para mim, confessar que muito aprendi e recordei nas colocações feitas em suas postagens.

Agradecimentos são devidos a todos os participantes do Blog, pela camaradagem, educação e nível cultural reinante entre todos. Honra-me o fato de ter sido convidado a fazer parte de tão selecionado grupo.

Permitam-me, amigos, destacar gratidão ao Edward de Souza pela reunião do grupo de mente iluminada circulando em seu Blog. À amiga Nivia Andres, ­– competente revisora, diagramadora e ponto de equilíbrio de meu texto e ilustração – pelo carinho que vem dedicando ao nosso Blog. À Cris, igualmente por dar roupa bonita às matérias.

Meu caro professor João Paulo. A casa de danças a que se refere, na Avenida Ipiranga, bem perto da Avenida São João, chamava-se Maravilhoso, ao lado do Restaurante Spadoni, finito há muitos anos. Nas proximidades existiu o famoso cabaré Ok. Taxi girls, me parece, o primeiro foi o Salão Verde, no Edifício Martinelli, na sequência, Maravilhoso, Cuba, Lido e Avenida, na Rio Branco. O Blota formava com Sônia um casal de comportamento exemplar: grande amigo.

Milton Saldanha. Havia, sim, um passado entre Geisel e Souza Aguiar que serviram, ainda tenentes, na mesma guarnição, nada, no entanto, que se relacionasse com o projeto daquela obra extraordinária. A rivalidade nascera, segundo consta, em nome de uma promoção onde o general presidente teria sido preterido em favor de Aguiar. Não creio ser essa a questão principal do desmonte do histórico Monroe. Comungo com você no espanto do aconselhamento de Lúcio Costa, profissional que deveria cuidar com mais acuidade dos temas específicos de sua área e memória. Para mim, a resolução presidencial ganhou fundamento nas ingerências políticas e técnicas.

Gabriela. Fico mais a vontade ao inquirir-me sobre o tratamento em igualdade. Deve ser assim mesmo, para você e demais navegantes do nosso barco, eu devo ser você. Confesso que na rua ao ser chamado de “tio”, modismo que rejeito, arrepio. Nunca fui de anotar nada, concluo hoje que faz falta a guarda de documentos e fotos.

Ana Paula. Ao agradecer suas referências declaro minha alegria por estar no Blog do Edward e somar com a competência das maravilhosas figuras que aqui estão. Se um sabe e passa saber adiante, é justo juntarem-se na ampliação de conhecimentos.

Tanaka. Ao iniciar a apresentação da série havia, na verdade, outro objetivo. Não programei o tema Monroe. Confesso minha surpresa pela discussão aberta e proveitosa. Gratificou-me. Sabe você que o Brasil, ainda jovem, não sabe cultuar o hábito de respeito à memória, feitos do seu povo. O debate que estamos promovendo pode ser mais um instrumento eficaz de vanguarda para despertar nas autoridades a urgente necessidade de estabelecer projetos de prioridade para o assunto. Muitos de nossos leitores conhecem os princípios adotados na Holanda, na Áustria, na França. Para citar poucos, Amsterdan guarda riquezas trazidas dos mares por seus piratas, 25% do produto saqueado, da mesma forma que guarda a arte de Van Gogh em seus museus. Paris não permitiu o extermínio de sua velha estação ferroviária - Gare d’Orsay - cuidando de sua restauração sem medir investimento, em nome da preservação da memória. Ela está lá transformada no invejado Musée D’Orsay, para orgulho de franceses, com festa de olhos do turismo internacional. Do mesmo cuidado, o Musée de L’armée conserva do cavalo ao cachorro de Napoleão embalsamados. Suas armas e suas lutas lá estão, retratando a história. Maria Thereza, a poderosa, está revivida em Viena, com suas descendentes dominantes. Esperemos, Tanaka, frutificar nossa pregação. Em outro comentário, perguntou se a Rádio São Paulo, que dirigi, é a mesma famosa das novelas. Sim. Adquirimos seu controle do grupo Record. Pertencia ao senhor Amaral, cunhado de Paulo Machado de Carvalho.

Luiz Henrique e Ronaldo Cesar. No caso de Franca, há que considerar-se, além do Hotel Francano, o antigo Mercado Municipal – ferragem importada da Inglaterra – que um prefeito decidiu ignorar e demolir. Um coreto que acolhia a Banda Municipal, aos domingos e, agora, os restos da estação da Mogiana, em abandono.

Ademir Médici e João Paulo. Não convençam: exijam a preservação do bar da estação, em Santo André.

Vanessa. Precisamos dar tom a nossa cultura. Precisamos imprimir o espírito de preservação de nossas coisas. Acho que estamos fazendo isto agora. Vamos ampliar a discussão nas ruas, nas universidades, em nossas famílias.

Guaracy Mattos. Imagino que posso agradecer em nome de todos a referência que você nos atribuiu: “blog inteligente e frequentado por pessoas cultas”, onde incluo o amigo. Defender seu direito de expressão é obrigação cidadã e nós a praticamos. Acho que o Saldanha, muito acertadamente, colocou opinião que acompanho.

J.Morgado. Juntando as lembranças que guardamos, lotaremos um jacá e até um carro de boi. Especialista em centrão de São Paulo, deve ter escutado violinos na Confeitaria Vienense, da Rua Direita, onde mulheres bonitas e perfumadas tomavam chá todas as tardes. Deve ter ido comer sanduiche no Porco que Ri, início da São João; deve ter assistido a inauguração do invento americano - o restaurante automático, onde se colocava uma ficha valendo 400 réis e saía o prato escolhido da portinhola, parecendo caixa do correio. O Restaurante do Mappin que fechado virou Scot Bar, na Rua 24 de maio.

Liliana. Sempre existiu uma rivalidade entre Rio e São Paulo. O Rio se ligava em afinidade, mais com gaúchos e mineiros. O rádio do Rio não exibia dupla sertaneja, excetuando Lauriano e Paixão, que conseguiram furar o bloqueio. São Paulo era habitat. A Rádio Nacional havia criado uma condição de liderança imbatível, fazendo crer aos radialistas que o coroamento na profissão se daria com aqueles que passassem por lá.

Laércio Pinto. Era assim mesmo que se grafava o nome Antenor Mayrink Veiga, proprietário e diretor que deu nome à emissora.

Priscila. Você acertadamente respondeu à pergunta: velha rixa, prosa cantada. Sotaque não é conveniente quando exacerbado em microfones.

Bruna. Obrigado pela sugestão sobre livro estendida a outros do blog. Estou trabalhando nesta direção, com outro foco. A pesquisa busca provar ordem de surgimento das emissoras no país, onde defendo que a Rádio Clube Hertz, de Franca, é quarta colocada. Funcionou a primeira vez em 8 de novembro de 1925. Em muitas publicações que tenho as informações não batem com a realidade. Pode ser de bom alvitre ampliar o foco.

Tatiana. Já fui tratado aqui pela amiga Nivia e sua bondade de “memorialista”. De direito, não sou, quem sabe? De fato. Você referenda com gentileza – gostei - minha “vitalidade e memória de elefante” para perquirir o que faço: nunca fui de anotar as coisas. Falo muito delas, não abro mão dos meus prazeres que consistem em beber boas bebidas: whisky; vinhos tintos de uvas escolhidas; champanhe. Viajo dirigindo meu próprio carro, - quando não de avião – sem preocupação com a quilometragem. Nutro paixão por mulheres, mesmo sem conotação maldosa.

Liliana. Na curiosidade revelada não só por você com respeito à adoção de nome diferente no exercício profissional, vários fatores criaram a necessidade. Crendice popular, cabalístico, um diretor criando nome mais ao gosto público, quem não gosta do próprio nome. Uma grande cantora considerou feio seu nome Abelim. Meu caso foi diferente e o intento foi homenagear meu avô José Flavio Garcia. Na Espanha as famílias transportam a herança nominal materna. O Brasil tem opção diferente, a continuidade leva o nome paterno. Meu pai e eu, por engano, fomos identificados pela origem materna. Ai está à razão do resgate do avô com a adoção do Garcia Netto.

Osmar Pacheco Goulart. O Sarmento encarnou por muitos anos o verdadeiro sentimentalismo popular do rádio e seu nome à Rádio Bandeirantes.

Adilson Machado. Fiquei feliz ao constatar sua presença, o que me levou a recordar seu início e nossos encontros em São Paulo.

Luciana. Microfones a carvão - o microfone mais antigo e mais simples usava pó de carvão. Esta era a tecnologia usada nos primeiros telefones O pó de carvão apresenta um fino diafragma metálico ou plástico em um lado. Conforme as ondas sonoras atingem o diafragma, elas comprimem o pó de carvão, que muda sua resistência. Seu aparecimento ocorreu no final dos anos 1800. SQBL foi a série de primeiros prefixos de rádio usados no Brasil. Em próximos capítulos, falarei de legislação e ordenação de uso de prefixos.

Na seqüência que farei, com muito gosto, motivado pelo carinho quase unânime, cuidar do interesse dos inúmeros acadêmicos aqui freqüentes será meta, com informações pertinentes a eventuais trabalhos que pretendam desenvolver.

Garcia Netto e Ângela Maria
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*José Reynaldo Nascimento Falleiros
(Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004); Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007) e a novíssima coletânea Seleta XXI - Crônicas, Contos e Poesias, a ser lançada hoje. Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. A Série Relembranças foi editada em cinco capítulos semanais (e mais um extra, com as respostas aos leitores), às quintas-feiras, quando o profissional revisitou, com sua memória privilegiada, flagrantes da vida que fazem parte da história de nosso país.
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quarta-feira, 3 de março de 2010


TSUNAMIS,

SOLIDARIEDADE E CORRUPÇÃO


Tsunami é o termo usual empregado para designar uma onda ou série de ondas gigantescas, formadas normalmente após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, atividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteorito dentro ou perto do mar.

A energia de um tsunami advém de sua amplitude e velocidade. Assim, quando a onda se aproxima da terra, a sua amplitude (a altura da onda) aumenta à medida que a velocidade diminui. Os tsunamis podem caracterizar-se por ondas de trinta metros de altura, causando grande destruição em zonas litorâneas.

Os recentes terremotos ocorridos no Haiti e no Chile, de forte intensidade, promoveram enorme devastação e perda de muitas vidas. Embora o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), órgão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, encarregado de emitir alertas sobre fenômenos climáticos, meteorológicos e geológicos tenha informado de maneira veemente que poderia haver tsunamis em toda a região do Pacífico, no último sábado, 27 de fevereiro, a previsão se confirmou apenas na costa do Chile, com ondas que atingiram até 10m de altura.

Esses acontecimentos trágicos que produzem morte e destruição desmedida, até por sua imprevisibidade, provocam ondas de solidariedade em todas as partes do mundo. No Haiti será necessário esforço descomunal para a reconstrução do país, já desestruturado por décadas de tirania, desgoverno, miséria e corrupção. O Chile também carece de ajuda internacional para minimizar o sofrimento da população atingida, mas possui infraestrutura invejável e não tardará a recuperar-se do sinistro, em que pese acreditarmos que para a perda de vidas não há redenção possível, tal qual no Haiti.

O que interessa discutir aqui, também, são duas outras qualidade de tsunami – o da solidariedade e o da corrupção.

Pela visualização das catástrofes recentes, através dos meios de comunicação, a sociedade internacional se compadece, governos enviam ajuda humanitária, técnicos em salvamento, médicos, medicamentos, água e alimentos. Até voluntários emprestam seu trabalho para auxiliar nas buscas aos desaparecidos ou qualquer outra tarefa solidária.

Por que será que nossa consciência solidária só desperta quando ocorrem tragédias de porte e não nos sensibilizamos para com a cotidiana condição de violência, miséria, doença e ignorância que acontece defronte os nossos olhos? Será que nossos concidadãos em estado fragilizado não merecem um olhar solidário concretizado em ações? Esse é o tsunami doloroso da insensibilidade. Acontece todos os dias e não precisa de alarme e previsão.

Há, também, entranhado na sociedade, o tsunami da corrupção, cuja amplitude aumenta à medida em que valores como a ética, o respeito, a dignidade, a probidade e a noção de justiça, consciência e responsabilidade vão se depauperando. Esse também de ocorrência diária, desnecessário alarme ou previsão.

A política que deveria ser a instância social em que seriam discutidas e solucionadas as demandas, apresenta a maior incidência, por metro quadrado, de escândalos, apropriações indébitas, vilipêndio ao erário, enriquecimento ilícito e uma série de outras falcatruas que desmerecem as instituições criadas para zelarem pelo bem do povo.

Há de chegar a hora do basta. Espero que não tarde. Tsunamis sempre representam desgraças. Os naturais são imprevisíveis. Mas os provocados por más intenções e falta de caráter podem ser eliminados definitivamente da nossa vida. Basta que a sociedade se mobilize e aja. Já! Está em nossas mãos criarmos tsunamis do bem! Pensem nisso.
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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse: http://niviaandres.blogspot.com/
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terça-feira, 2 de março de 2010


NOSSAS LEIS HIPÓCRITAS

QUE SÓ CONFUNDEM


O Brasil, por meio dos políticos, mantém uma Carta Magna que, ao contrário de proteger o cidadão, deixa um sem número de dúvidas e indecisões e dificulta sua assimilação e aplicação. Uma Constituição quilométrica, com artigos, emendas e contradições intermináveis. Cito alguns exemplos atuais: o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - permitia que o menor acima de 14 anos pudesse trabalhar. Porém, com a Lei do Aprendiz, o adolescente, entre 14 e 16 anos, só pode trabalhar como aprendiz. No entanto, para conseguir uma vaga, é necessário estar cursando a 8ª série, fazer exame classificatório e esperar. Algo inimaginável para um desses milhões de garotos que ficam nos faróis limpando vidros, entregando panfletos, fazendo malabares ou simplesmente pedindo uns trocados. A enorme maioria praticamente sem estudo algum. Um detalhe: por que crianças podem trabalhar como modelos, artistas, jogadores de futebol, com menos de 14 anos e explorados por agentes inescrupulosos, com objetivos claros de faturar com o menor?

Por outro lado, o Estatuto do Idoso, ainda novo no mercado, tem a mesma utilidade para as pessoas da terceira idade que bolso de pijama. Em todos os cantos, no cotidiano, notam-se pessoas infringindo o tal de estatuto e tratando o "velho" como um saco de lixo. Filas específicas, vagas especiais e algumas outras benesses, transformadas em leis para garantir ao idoso um pouco de privilégio, até pelas circunstâncias da idade, saúde e dificuldade de locomoção, são simplesmente ignoradas pela maioria da população. Reclamar onde e com quem?

Agora, nossos governantes querem liberar as drogas para pequenos traficantes. Então, menores e maiores, cuja indústria ainda no patamar de pequeno ou médio empreendedor, poderão, aprovada a lei, incrementar o negócio até sua pequena empresa prosperar e, então, produzir em grande escala. O objetivo da medida, segundo consta, pasmem, é que tal atitude irá liberar vagas nas prisões do caótico sistema carcerário brasileiro. Uma heresia dos nossos políticos que preferem tirar o sofá da sala a punir a mulher traidora.

E a Lei seca, o que virou? Quando foi criada, todos esperavam fosse trazer a paz às nossas estradas e ruas, verdadeiros palcos de guerra onde o número de mortos e mutilados é maior do que o de muitos lugares em guerra. A relação do brasileiro com o carro é um misto de orgulho e poder. Dentro do veículo o cidadão esquece que é também um pedestre e acredita que nada mais importa para ele do que chegar primeiro seja qual for o método utilizado. Assim, regulamentos, sinais, apelos tudo isso pesa pouco diante da sensação ilimitada de liberdade e impunidade que se esconde atrás do volante.

Vários fatores concorreram para que a chamada Lei Seca não obtivesse o que dela se esperava. Depois de um período de choque em que todos ficaram atentos ao consumo de álcool por motoristas veio o consequente relaxamento e o que era para ser obedecido passou a ser esquecido. Concorreu para isso nossa tradicional aversão a regulamentos e ordens, a pouca preparação da polícia de trânsito e a corrupção que faz do nosso sistema policial um alvo vulnerável em qualquer frente. Gratificar o guarda sai mais em conta do que pagar a multa e com isso quem tinha dinheiro se safou.

No primeiro caso, à época de minha adolescência, lá pelos anos 50, a garotada trabalhava para ajudar a família o que muito colaborava para tirá-la da rua e transformá-la em um cidadão respeitável. Eu, por exemplo, comecei a trabalhar em uma tinturaria (hoje lavanderia) aos 12 anos e nem por isso fiquei traumatizado, pelo contrário.

No segundo caso, agora na terceira idade, percebo que a cidadania está distante da maioria das pessoas e que o estatuto criado para proteger os sexagenários tem a mesma longevidade de uma barata que ousa atravessar um galinheiro.

Já no terceiro caso, a reação é de perplexidade, já que servirá de alavanca para os pequenos empresários do universo das drogas - em sua maioria jovens adolescentes - incrementarem seus negócios, antes ilícitos, agora protegidos pela lei. Enquanto isso, o presidente Camaleão percorre o mundo e plagas brasileiras arrotando bravatas dignas do mais insidioso menino tagarela que não tem noção das consequências de suas palavras e atitudes. Para contornar possível tragédia, gerada por sua irresponsabilidade, basta um desmentido na sequência ou simplesmente bater o pé e negar conhecimento. Na esteira das falácias, o burgo-mestre tupiniquim, acreditando que tudo pode (e talvez possa), passa por cima de leis (leis?) e aproveita para fazer declarada campanha de sua companheira para ocupar o trono a partir de 2011.

No quarto e último caso, a Lei Seca, lamentavelmente, mais uma que não “colou”. Na teoria é maravilhosa, mas esbarra numa prática onde corrupção e despreparo se unem para continuar fazendo de nossas ruas matadouros legais onde cada um cuide de si e Deus de todos.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista e radialista, radicado no Grande ABC e colaborador especial deste blog.
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DIVULGAÇÃO DE RESULTADO

Olá, amigos e amigas do Blog!

Com muita satisfação, vamos enviar o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown, para a leitora Ana Rita, de Franca, SP. Nos sensibilizou bastante a veemência manifestada na vontade de ler a obra resenhada.

Como só havia um livro à disposição, ele é da Ana Rita!

Mas como sou muito sensível, resolvi adquirir outro exemplar e enviá-lo à Milena Figueiredo, de Santo André, SP, já que é notável o esforço que ela faz para estudar e, acima de tudo, está de aniversário amanhã. Parabéns, Milena!

De outra parte, gostaria de agradecer muitíssimo às colegas Lidiane, Priscila, Cindy, Tatiana, Renata e Soraya que tentaram comentar ontem e não conseguiram, por algum problema técnico interno do Blogger, que não conseguimos identificar. A Lidiane conseguiu postar o comentário e funcionou como porta-voz das colegas. Também o nosso querido amigo Admir Morgado avisou o Edward que não conseguia ver seu comentário publicado na noite de ontem e o encaminhou por e-mail.

Solicito à Ana Rita e à Milena que encaminhem seu endereço completo ao meu e-mail: niviaandres@gmail.com para que possa enviar-lhes os livros.

Obrigada a todos!

segunda-feira, 1 de março de 2010


O SÍMBOLO PERDIDO


“...O que está perdido...será encontrado...”


Washington, a capital dos Estados Unidos, tal qual Roma, está cheia de passagens secretas e túneis – sua arquitetura, concebida e projetada por grandes mestres maçons – George Washington, Benjamin Franklin e Pierre L’Enfant, assim como sua arte e seu simbolismo, estão entre as mais interessantes do mundo.

Após ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano (Anjos e Demônios) e a uma caçada humana em Paris (O Código Da Vinci), Robert Langdon está de volta em mais uma intricada história, com seu profundo conhecimento de simbologia e brilhante habilidade para solucionar problemas.

Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos (a sede dos poderes da república). Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo.


Mal'akh, o sequestrador, um homem extremamente forte, ambicioso, inteligente e tatuado da cabeça aos pés, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode destrancar o portal místico que lhe dará acesso irrestrito aos Antigos Mistérios.

Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian.

Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico.

O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está.

Sob a pena de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, desafiando-os a abrirem a mente para novos conhecimentos.

PORQUE SUGIRO A LEITURA DA OBRA:

Quem aprecia a leitura de obras de ficção sabe o que esperar e busca se divertir-se, rindo, chorando, se emocionando, ficando tenso ou relaxado, conforme a obra se apresenta.

Quem lê Dan Brown encontra uma narrativa eletrizante, detalhista, enigmática, que prende o leitor, já que o autor é especialista em suspense e sabe, como poucos, encadear a história, mantendo a tensão, intencionalmente, até o desenlace.
De outra parte, o autor aborda um assunto interessante, envolvendo a Maçonaria, uma associação de caráter universal, cujos membros cultivam a filantropia, a justiça social, o aclassismo e a humanidade, através dos princípios da liberdade, democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade. Enfim, essa associação, ainda cercada de mistérios, é um dos pilares da trama, bem como a Noética, um ramo da filosofia metafísica que se preocupa com o estudo da mente e da intuição, que é alvo dos estudos e das experiências da Dra. Katherine Solomon, envolvida com Langdon para tentar salvar seu irmão, Peter.

E claro, apresenta o fascínio arquitetônico da cidade de Washington - suas construções e monumentos estão presentes em toda a trama, revelando a inteligência e o talento de seus projetistas e construtores.

Esclareço que esta sugestão de leitura é apenas uma alternativa para quem gosta de ficção que envolve aventura, suspense e mistério. Nem sempre factível e verossímil. Como nos outros livros de Dan Brown - Ponto de Impacto, Fortaleza Digital, Anjos e Demônios e O Código Da Vinci. Todos são best-sellers. E daí? Nenhum preconceito me move. Há literatura para todos os gostos. Algumas obras para edificar o espírito, outras para entreter. Garanto-lhes diversão e algumas curiosidades reveladas.

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*Nivia Andres
é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Acesse:
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