sábado, 7 de março de 2009

NOSSAS POBRES CRIANÇAS ABANDONADAS

Edward de Souza

O crucial problema das crianças abandonadas continua em busca de possível solução. Mas passa ao largo, ninguém ousa buscar entrar a fundo no cerne da questão. As igrejas incentivam à procriação posicionando-se contrariamente ao efetivo controle da natalidade. Do mesmo modo, os políticos se arrepiam, fogem como se avistassem um tenebroso fantasma. As mães e pais que abandonam seus filhos; jogam em córregos; em latas de lixo ou em matagais, deveriam receber tratamento do Estado como criminosos hediondos, com pena de detenção inafiançável não superior a 30 anos e nunca inferior a 20 anos. Seus filhos poderiam ser encaminhados à adoção e as identidades e endereços dos pais adotivos, mantidos em sigilo absoluto pelo resto da vida. Estas pessoas, os pais que cometem este tipo de crueldade, por mais bárbaro que possa parecer, teriam que passar por cirurgias de esterilização, para não poderem ter mais filhos. Pessoas que agem assim serão um risco eterno e a psiquiatria moderna jamais conseguirá decifrar os códigos e reações que estas mentes podem produzir.
Evidentemente o problema tem raízes profundas. A principiar pela educação. População educada convenientemente, desde a pré-infância, está apta a discernir sobre família, sobre desejo ou não de gerar filhos. Desprovida de conhecimentos, sem nem mesmo atinar para os métodos contraceptivos, as mulheres engravidam. Mas se deparam com a luta pela vida, pela sobrevivência. Nestes casos, o que fazer? O mais fácil é o abandono, deixar a criança ao Deus dará, ou permitir que cresça nas ruas, marginalizando.
Difícil tocar no assunto diante de valores religiosos, familiares. Mas não se pode permitir que a praga se alastre. Por que não uma campanha esclarecedora, promovida em todos os níveis, a partir do municipal? Por que não orientar? Por que não fornecer pílulas e camisinhas? O fácil é deixar que tudo role como se nada acontecesse. Pobre Brasil, pobres crianças abandonadas. E ainda, pra complicar, a burocracia que inibe adoções. Será que um dia alcançaremos a civilização, com a desejada inclusão social e a liberação feminina de preconceitos?

sexta-feira, 6 de março de 2009

A PENA DE MORTE EXTINGUE O PROBLEMA?

J. Morgado

Ao escrever uma crônica sobre a cidade de São Paulo das décadas de 1940/50, minhas lembranças me levaram até a Praça da Liberdade (antigo Largo da Forca). Recordei-me então das lendas e verdades que justificaram a construção de uma capela ali existente - Santa Cruz dos Enforcados. Há toda uma história que acabou gerando uma série de lendas tão a gosto dos historiados e cronistas. Em 1821, ali foram enforcados Joaquim José Cotintiba e Francisco José das Chagas, de acordo com a lei então existente. Dizem que a corda teria arrebentado três vezes antes que a sentença fosse cumprida. Somente na quarta tentativa e sob protestos da multidão se cumpriu o decreto condenatório. Se os leitores se interessarem por essa história, basta acessar a internet. No Estado de São Paulo me parece que essas foram às últimas mortes decretadas pela lei. Houve outras em outros Estados depois disso. Mas, foi no Estado do Rio de Janeiro que ocorreu a morte por enforcamento de Manoel da Motta Coqueiro, acusado do trucidamento de oito colonos em sua fazenda no norte fluminense. Por esse crime o acusado recebeu a alcunha de “A Fera de Macabu”. O Fato ocorreu em 1852 e a sentença foi executada em 6 de março de 1855 na cidade de Macaé. Apesar dos apelos do acusado que se dizia inocente e vítima de uma armação de seus inimigos políticos. D. Pedro II recusou o perdão e cumpriu-se a lei. Tempos depois, descobriu-se que Coqueiro era inocente e vítima de um terrível erro judiciário! Aborrecido, o Imperador aboliu a pena de morte!
Muitos outros erros judiciários foram cometidos no Brasil e em todo o mundo. Recentemente, nos Estados Unidos, um homem foi solto depois de cumprir 25 anos de prisão de uma sentença perpétua. Uma das acusações era a de estupro. A prova da inocência definitiva só foi possível devido a exames de DNA que na época inexistia. O verdadeiro criminoso foi descoberto. Estou abordando apenas os fatos ocorridos em países que fazem leis baseadas em democracias que tem a concordância de povos civilizados. Como disse, a história nos mostra milhões de mortes ocasionadas por intolerância política e religiosa. Não vamos aqui entrar nessa questão que é de conhecimento dos que pesquisam e conhecem o que ocorre e ocorreu em outros países. Erros judiciários são ventilados na imprensa de tempos em tempos e, mesmo assim, pesquisa do Datafolha de 8 de abril de 2007 mostra que 55% da população são favoráveis a Pena de Morte, e 40% contra. Felizmente, neste país não existe pena capital, pois se descobrindo o erro “remenda-se o estrago”.
A primeira pergunta que faço é a seguinte: essas pessoas condenadas pelas leis dos homens morreram? A segunda pergunta: qual seria o grau de evolução dessas “vítimas”? Essas respostas serão dadas no contexto deste artigo. Infelizmente a pena de morte é uma realidade em muitos países. No passado, no presente e por muito tempo ainda os homens buscarão um meio de resolver a criminalidade crescente usando esse artifício letal. Por uma questão de ambição política, deixam-se levar pelo clamor popular e não pela moral pregada por Jesus e que se encontra também nos Dez Mandamentos recebidos por Moisés – “Não Matarás” (ex. 20,13). No Sermão da Montanha Jesus disse: “Ouviste o que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo (Mateus, 5, 21).
A aplicação da pena de morte em uma sociedade civilizada e que se diz cristã contraria todos os princípios do que Jesus nos ensinou. Na verdade, o que se pretende é a vingança da sociedade contra o indivíduo que violou a lei dos homens. A ignorância ou a “lei de talião”. No livro “O Consolador, 23ª.edição (FEB) há um texto assinado por Emmanuel e psicografado por Francisco Cândido Xavier que diz: “olho por olho, dente por dente” – prevalece para todos os espíritos que não edificaram ainda santuário do amor nos corações, e que representam a quase totalidade dos seres humanos. Presos, ainda, aos milênios do pretérito, não cogitaram de aceitar e aplicar os Evangelhos a si próprios, permanecendo encarcerados em círculos viciosos de dolorosas reencarnações expiatórias e purificadoras. Moises proclamou a Lei Antiga, muito séculos antes do Senhor. Como já foi dito, o profeta hebraico apresentava a Revelação com a face divina da Justiça; mas, com Jesus, o homem recebeu o código perfeito do Amor. Se Moisés ensinava o “olho por olho, dente por dente”, Jesus Cristo esclarecia que o “amor cobre a multidão dos pecados”.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (IDE-1984) – em seu Capítulo XII, item 9, nos dá uma pincelada forte sobre o que acontece ao se praticar a vingança. Eis o que diz o seguinte trecho: “(...) A vingança é uma inspiração tanto mais funesta quanto a falsidade e baixeza são suas companheiras assíduas; com efeito, aquele que se entrega a essa fatal e cega paixão não se vinga quase nunca a céu aberto. Quando é mais forte, precipita-se como um animal feroz sobre aquele que chama seu inimigo, quando a visão deste vem inflamar sua paixão, sua cólera e seu ódio. Mas, o mais freqüentemente, ele reveste uma aparência hipócrita, em dissimulando, no mais profundo do seu coração, os maus sentimentos que o animam; tomam caminhos escusos, segue na sombra seu inimigo sem desconfiança, e espera o momento propício para atingi-lo sem perigo; esconde-se dele, espreitando-o sem cessar; arma-lhe emboscadas odiosas e derrama-lhe, chegada à ocasião, o veneno no copo (...)”. A lição continua...
Como os leitores podem observar, a sociedade na ânsia de liquidar definitivamente um delinqüente que não obedeceu suas leis, na verdade, por ignorância ou por excesso de materialismo (ou imediatismo), ao pensar que matou um criminoso legalmente livrando-se assim de um indesejável, pode ter ganho um terrível, hostil e incômodo obsessor. Quando garoto, escutando conversas entre os espíritas ouvia: “é preferível dez inimigos vivos a um morto”. Mas, ai vem o, mas... O indivíduo que desencarnou, vítima de uma sentença de morte, pode muito bem, se quiser, interromper um círculo vicioso de sucessivas vinganças ocorridas ao longo de muitas reencarnações expiatórias. Se, sua evolução moral estiver em alta, o perdão falará mais alto. Nesse caso, os únicos que perderam foram os causadores da tal pena de morte! A lei de causa e efeito é inexorável. Essa lei, inserida em nossa consciência, é muito parecida com a Lei da Física descoberta por Isaac Newton (1642/1727) que diz que toda a ação causa uma reação e que a ação e a reação são iguais e opostas. Possuidores de livre-arbítrio, todos somos responsáveis por nossos atos. Na prática quer dizer que tudo o que fizermos retorna de maneira automática. O arrependimento e o perdão e consequente evolução do espírito são como “amortecedores” da reação. Assim, se os protagonistas de um determinado drama se conscientizar dos erros cometidos, não haveria uma interrupção na cadeia de expiação ou pelo menos algumas atenuantes? Jesus aqui esteve e nos deixou o Código Divino. Cabe a humanidade seguir esse código e certamente, com toda certeza, encontrará aqui na Terra a FELICIDADE.
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Juliano Morgado é Jornalista e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmentge neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico: jgacelan@uol.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2009

PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL É PUNIDO NO "CASO MADONNA"

Edward de Souza

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, anda cada vez mais em baixa. E por conta de seus próprios erros. Ontem à noite o dirigente sofreu mais um golpe ao ser suspenso por 90 dias pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Ele foi goleado por cinco a zero. Tudo pelo constrangedor episódio protagonizado por ele na véspera da partida entre Goiás e São Paulo, na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado. O fato tirou o brilho da competição, cuja credibilidade foi colocada em xeque. Marco Polo foi condenado por unanimidade, já que todos os cinco auditores votaram pela suspensão. Quem vai assumir o cargo, ironicamente, é o vice-presidente, Reinaldo Carneiro Bastos. Este, por sua vez, é considerado desafeto do atual presidente. O dirigente foi julgado com base no artigo 221 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (oferecer queixa infundada ou dar causa, por erro grosseiro ou sentimento pessoal, à instauração de inquérito ou processo na Justiça Desportiva), cuja pena poderia chegar até um ano. Além da suspensão, a Federação Paulista de Futebol foi multada em R$ 10 mil. Um valor insignificante, tendo em vista que o próprio Marco Polo ganha mensalmente da FPF um gordo salário: R$ 60 mil. Apesar da decisão unânime do Tribunal, Marco Polo afirmou que vai recorrer da decisão.
"Não concordo com a decisão e por isso meus advogados vão entrar com o recurso. Tenho certeza que esta decisão não vai se manter. No Pleno será diferente, acredito neles e sei que lá o julgamento terá outro resultado", afirmou Del Nero, colocando claramente em dúvida a legitimidade dos auditores. Um dos defensores do dirigente foi o advogado João Zanforlim, que causou mal estar nos auditores ao afirmar, de forma arrogante, que a comissão que julgou o caso é a mais rigorosa do Tribunal. Alguns auditores se mostraram incomodados com a acusação leviana e descabida de Zanforlim.


Entenda o Caso Madonna
Na ocasião, Marco Polo acusou o São Paulo de tentar subornar o árbitro Wagner Tardelli, com apenas dois ingressos do show da cantora megastar Madonna. Tardelli acabou sendo substituído e não apitou o jogo que deu o sexto (hexa) título brasileiro para o Tricolor. Ele fora alertado por sua secretária de que o clube do Morumbi teria entregado um envelope para o vice-presidente da entidade, Reinaldo Carneiro Bastos, que por sua vez faria chegar ao árbitro Wagner Tardelli. O presidente da FPF, em princípio, tentou fazer a denúncia junto ao Ministério Publico que considerou o caso sem fundamento. Não satisfeito com esta resposta, Marco Polo então procurou o GAECO (Grupo de Atuação Especial), sendo aconselhado a procurar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Para preservar Tardelli, a entidade optou em substituir o árbitro, que ficou de fora da decisão. Toda a fumaça armada pelo cartola manchou a conquista do seu filiado São Paulo Futebol Clube, que desde então rompeu oficialmente as relações com Marco Polo, que está cada vez mais isolado e sem apoio. Além disso, a sua administração tem sido marcada por dois pesos e duas medidas no tratamento aos filiados da entidade: dá apoio financeiro total aos grandes clubes e abandona os pequenos do interior.






quarta-feira, 4 de março de 2009

AUMENTA A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

Edward de Souza

Infelizmente o Brasil apresenta altos índices de violência contra a mulher. Estatísticas recentes mostram que o estupro é ainda um crime preponderante na América. Atualmente uma mulher é estuprada a cada 2 minutos de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA. Em 1999, 307.000 mulheres foram vítimas de estupro. Entre 2000 a 2003, mais de 670 mil mulheres foram vitimas de estupro ou agressão sexual. Existem também outras armas utilizadas na violência contra a mulher, como: a lesão corporal, que é a agressão física, como socos, pontapés, bofetões, entre outros; ameaça de morte ou qualquer outro mal, feitas por gestos, palavras ou por escrito; abandono material, quando o homem não reconhece a paternidade, obrigando assim a mulher a entrar com uma ação de investigação de paternidade, para poder receber pensão alimentícia. Mas nem todos deixam marcas físicas, como as ofensas verbais e morais, que causam dores, que superam a dor física. Humilhações, torturas, abandono, etc., são considerados pequenos assassinatos diários, difíceis de superar e praticamente impossíveis de prevenir, fazendo com que as mulheres percam a referência de cidadania. A violência contra a mulher não está restrita a certo meio, não escolhendo raça, idade ou condição social. A grande diferença é que entre as pessoas de maior poder financeiro as mulheres acabam se calando contra a violência recebida por elas, talvez por medo, vergonha ou até mesmo por dependência financeira. Toda a mulher violentada física ou moralmente, deve ter a coragem para denunciar o agressor, pois agindo assim ela está se protegendo contra futuras agressões, e serve como exemplo para outras mulheres, pois enquanto houver a ocultação do crime sofrido não vamos encontrar soluções para o problema. A população deve exigir do Governo leis severas e firmes, não adianta se iludir achando que esse é um problema sem solução. Uma vez violentada, talvez ela nunca mais volte a ser a mesma de outrora, sua vida estará margeada de medo e vergonha, sem amor-próprio, deixando de ser um membro da comunidade, para viver no seu próprio mundo. O nosso Código de Processo Penal é uma mãe brasileira. Tem muito sacana que comete ilícitos só para dormir e comer no presídio. Tudo é de graça. Tem cadeia que é melhor que hotel três estrelas. Essa situação tem que mudar. O Código precisa de uma reforma urgente. As punições têm que ser aplicadas com maior rigor. O safado que covardemente estupra uma mulher, no mínimo, teria que sofrer uma pena de 30 anos.
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DOMINGO SE COMEMORA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER. NOSSO RESPEITO E PROFUNDA ADMIRAÇÃO A ESSE SER MARAVILHOSO QUE TRANSBORDA AMOR E CARINHO. DEIXO MEU ABRAÇO AFETUOSO A TODAS AS MULHERES DO MUNDO.

terça-feira, 3 de março de 2009

DESABAFO: MÉDICOS & CABELEIREIROS

Este foi meu último diálogo com um profissional que vejo quase todos os meses. Felizmente, não sofro de nenhuma doença crônica que precise de acompanhamento periódico. Nem tampouco sou hipocondríaco ou faço exames regulares com receio de algum mal maior. Este foi apenas um fragmento de conversa com o profissional com quem corto o cabelo há mais de 10 anos. Saindo do salão deixei um cheque no valor de R$ 40,00 referentes ao corte e mais 10% de gorjeta, como meu pai me ensinou: “Filho, estes profissionais ficam bem mais motivados a trabalhar, se você demonstrar satisfação”. Chegando ao consultório me deparo com uma situação constrangedora onde uma paciente recusava-se fornecer seu cartão do plano de saúde para ser feita a cobrança junto à seguradora, pois alegava que era retorno de consulta, onde ela apenas teria vindo para mostrar os exames que eu pedira há dois meses. Para contornar a situação, acabei orientando que não fosse feita a cobrança e que a atenderia assim mesmo. Afinal, poderia dar a impressão que eu estaria sendo mercenário ou que minha atitude não era digna de um médico com mais de 20 anos de formado. Ao deitar para dormir à noite, algo me inquietava e afugentava o sono. Eu pagara R$ 44,00 ao cabeleireiro e, no mesmo dia, tivera recusado pela paciente uma cobrança de R$ 34,00 referentes a uma consulta médica para avaliar alguns exames, que me orientariam na conduta frente a um diagnóstico de câncer e sua possibilidade de cura.
No mês seguinte, voltei ao salão para cortar o cabelo com um pouco menos de entusiasmo. Considerando o investimento em formação técnica e profissional, proporcionalmente, se eu recebo R$ 34,00 por uma consulta, deveria pagar não mais do que R$ 5,00 para cortar o cabelo. Conversando com o Lúcio, ele me dizia que fizera um curso de um ano em escola de cabeleireiros, que vai anualmente a congressos para conhecer novas técnicas, novos produtos e se atualizar nos cortes da moda. Disse que tem que trabalhar até as 20 horas e também aos sábados. Realmente fiquei orgulhoso em saber que meu profissional é um sujeito atualizado. Novamente a inquietude me tomou de assalto e não pude deixar de me comparar ao Lúcio. Certamente ele não tem curso superior. Nem tampouco pós-graduação. No entanto, isto não o faz uma pessoa menor. Maneja muito bem a tesoura e a máquina e dá o que o cliente quer: satisfação. Valoriza seu trabalho e investe na profissão. Voltei a pensar em mim. Ele está certo. O que motiva então esta comparação entre um médico e um cabeleireiro? Vejamos: ambos temos clientes. Os dele são mais fiéis do que os meus, pois os meus vieram até mim por intermédio do livrinho do convênio. Os dele são 100% particulares. Nós dois cuidamos da saúde das pessoas, claro que ele cuida dos cabelos e eu do resto. Vestimo-nos de branco impecavelmente. Manejamos a tesoura com habilidade. Está certo que as estruturas que eu corto, normalmente, sangram e doem, mas temos que ter certa habilidade para tanto. Em alguns momentos usamos luvas e máscaras, para nos proteger e até proteger o cliente. Trabalhamos bastante. Às vezes temos que atender em 15 minutos, mas normalmente damos conta do recado, neste período. Precisamos de infra-estrutura como pias, cadeiras, telefone, secretária, agenda, café, revistas, sala de espera, etc. Pagamos impostos sobre o serviço realizado. E quantos...E nossas diferenças? Bem, fiz a faculdade em seis anos, após muito estudo para enfrentar um dificílimo vestibular. Diploma em mãos foi pra gaveta, pois nova prova era necessária para fazer uma especialidade, desta vez com funil ainda mais apertado. Mais três anos se foram. Aos meus 27 anos de idade, eu havia passado 1/3 deles na Santa Casa de São Paulo. Daí comecei a trabalhar como plantonista, diarista, funcionário e até professor, para finalmente montar meu próprio consultório. Clientes particulares não existem para médicos pobres mortais da minha geração. Devem estar sendo cuidados pelo IBAMA, para ver se reproduzem em cativeiro. O jeito é fazer alguns convênios, pois hoje ninguém que tenha algum recurso financeiro quer ser atendido pelo SUS. E, a julgar pelas moças bonitas e pelos homens de meia idade esbanjando saúde que aparecem nas propagandas, o plano de saúde deve ser uma maravilha. Descobriram a fonte da juventude! Na outra ponta estamos nós, médicos de meia idade, recebendo valores que variam de R$ 18,00 a R$ 42,00 por consulta para decidir sobre a sua saúde, caro leitor. E não para por aí: se formos falar em cirurgias então, a coisa fica pior. Você pode não saber, mas se o seu plano de saúde te dá direito a quarto coletivo (enfermaria) o médico que faz a sua cirurgia recebe metade do valor combinado. Você deve estar se perguntando por quê? E nós também. Alguns exemplos: uma cirurgia comum como a amigdalectomia paga entre R$ 60 e R$ 85,00 se for plano enfermaria e, pasme, o dobro disto, se for plano apartamento. Isto você não sabia quando fez o plano, não é? E por aí vai: apendicectomias, partos, hérnias, histerectomias, tireoidectomias pagam em torno de R$ 300 a R$ 450,00 no melhor plano. E você achava que seu médico ganhava bem, né?
E os Pediatras, Clínicos, Reumatologistas, Pneumologistas, Cardiologistas que não fazem cirurgias? Ganham o quê? Consultas e apenas consultas...
Detalhe importante: cada vez que eu vou ao Lucio, eu pago. Se o paciente voltar em menos de 30 dias, o convênio não paga. Se vier uma ou dez vezes em um mês, o médico recebe apenas uma consulta. E aquela paciente não quis me deixar cobrar uma nova consulta após dois meses, para ver seus exames. Duas consultas por R$ 34,00 sai em média R$ 17,00 cada uma, fora os impostos.
No salão do Lucio também tem manicure e pedicure. Mão e pé saem pela bagatela de R$ 30,00, mas eu não faço lá. As mulheres gastam bem mais em seus cabelos com tinturas, escovas, banhos de óleo, chapinhas, etc e nada disso sai por menos do que..... Uma consulta médica. Não que não devam fazer. Acho que devem se cuidar, se enfeitarem e serem vaidosas, com moderação. Apenas quero alertar para o conflito de valores. Nem vou comentar sobre preço de depilação sob pena de entrar em profunda depressão. Outros serviços, como “quick massage”, tem se popularizado nos shoppings. Meia hora por R$ 30,00. Sem impostos, recibos, notas fiscais, títulos de especialista, vigilância sanitária, conselho regional, associações de classe, sindicatos e convênios. E se voltar no dia seguinte, paga de novo. Enfim, existe o problema e muitos médicos têm vergonha de falar sobre isto. Alguns querem manter a pose de ricos e bem sucedidos, quando, na verdade, estão mesmo é falidos. Eu deixei de atender convênios e parei de ter insônia por este motivo. Agora o motivo é outro: como vou fazer para pagar minhas contas, se todos os pacientes querem passar com o “médico do convênio”?

Dr. Anônimo
Médico de uma Santa Casa de Saúde

segunda-feira, 2 de março de 2009

SORRIA! VOCÊ NÃO ESTÁ SENDO FILMADO!

Edward de Souza

Ontem eu estava voltando para casa quando comecei observar que, em diversos estabelecimentos comerciais, casas e prédios existia uma placa amarela com um smile dizendo “sorria você está sendo filmado”. Afinal que mundo vivemos hoje, onde a insegurança chegou a esse ponto que, em qualquer lugar, estamos sendo observados por câmeras de segurança Pode prestar atenção, a moda pegou, agora tem câmeras até nas ruas, elevadores, escolas, prédios, bares e em todos os lugares. Já virou uma rotina e saber que estamos sendo observados a todo o momento não assusta mais ninguém. Bons tempos aqueles em que a indiscrição de bisbilhotar a vida alheia não ia além de uma espiada pelo buraco da fechadura ou através das lentes de lunetas estrategicamente colocadas em janelas de apartamentos. Hoje, a nossa vida está sendo monitorada via satélite e patrulhada via minicâmeras espalhadas nos mais variados cantos da cidade, seja nos shoppings centers, nas lojas, nos metrôs, nos bares e por aí vai. As câmeras de vigilância em residências e ruas de grandes centros já são uma impertinente rotina. Ajuda? Resolve? Muitas vezes, sim. Muitas vezes, não. Babás malvadas têm sido flagradas maltratando bebês. Assaltantes são identificados em ação. Pobres políticos e corruptos de toda espécie são pegos em vergonhosas negociatas. A câmera indiscreta tem suas vantagens. O que seriam dos programas de televisão que as utilizam para nos deleitar com os “micos” de situações engraçadas ou situações “armadas” como do teste de fidelidade ou “BBB”? Tirando tudo isso, a vida de cada um de nós tem sido um tormento. Não sabemos se podemos nos comportar normalmente ou se teremos que exercer a autocensura diante do avisozinho: “Sorria! Você está sendo filmado! A pergunta que cabe no momento é: tanta indiscrição, tal patrulhamento de nossas ações é um mal necessário? Na lógica do capitalismo, o custo-benefício, vale a pena? Do inocente flagrante de arrancar uma caquinha do nariz, passando por uma coçada nas partes pudendas até a um ato criminoso de apontar uma arma para assaltar alguém, ou os maus tratos a algum civil em uma abordagem policial, tanta vigilância melhorou a conduta do ser humano deste o advento destes sofisticados equipamentos? O aparelho celular, mero encurtador de distância entre pessoas hoje é uma espécie de equipamento para espionagem: grava sons e imagens. Socorro! Que proliferem os anúncios : Sorria! Você não está sendo filmado! Que bom seria sentir que no máximo estamos sendo olhados por discretos pares de olhos. Viva a liberdade de ir e vir... Em paz.


domingo, 1 de março de 2009

NESTE DOMINGO: O SOBE E DESCE DA BOLSA

Trabalho em um lugar de grande assédio público. Circulam por ali talvez uns cinco milhares de pessoas por dia. Portanto, é natural que eu veja de tudo. Todos os tipos da flora e fauna humana, todas as tribos. Gente de todo jeito. Gente de todo tipo. Descolados, tatuados, carecas, caretas, gays, lésbicas, odiantes. simpatizantes, intelectuais, intelectualóides, idiotas, mauricinhos, patricinhas, sertanejos, jagunços, etc. Até gente normal passa por ali. E de tanto passar gente de diferentes espécies, a gente acaba nem tomando nota mais. Nem observa tamanha diversidade. Já virou normal. Mas, certas coisas às vezes ainda acabam nos chamando a atenção. Uma delas, por exemplo, é a incidência de certos tipos de roupas e de determinados objetos de marcas específicas. Ultimamente tenho notado algumas marcas estampadas nas camisetas dos jovens. Tenho visto que eles preferem uma ou outra marca, ou melhor, grife, para se dizerem cult, ou in com a moda, ou melhor, com as tendências. Então, acabo percebendo uma predominância de certos tipos de tênis e agasalhos esportivos, por exemplo. São aquelas marcas bastante difundidas mundo afora. Outro dia presenciei dois adolescentes comentando sobre o tênis que um garoto estava usando. Um disse ao outro que “o cara não tava com nada, aquele tênis que ele usava era um modelo de 2003”. E eu que nem sabia disso. Achava que esse negócio de modelo só servia mesmo era pro mercado de automóveis e pra safra de vinho. Mais curioso ainda, talvez, seja a quantidade de falsificações dessas marcas famosas. Eu mesmo, em verdade, não consigo distinguir o falso do verdadeiro.
Uma amiga, que também trabalha no mesmo local que eu, nunca se engana. É impressionante sua capacidade avaliadora do que é verdadeiro e falso. Só de bater o olho já sabe se o produto é autêntico ou não. Ela tem um apurado faro pra coisa. Coisas que ela diz serem falsas, eu posso jurar que seriam verdadeiras. Mas mulher é mulher. Elas têm essa capacidade aguçada. Não só por serem consumidoras ao extremo, como por sempre se apegarem a detalhes que passam despercebidos a qualquer um. Querem um exemplo? Outro dia passou por nós uma mulher de cerca de quarenta e poucos anos – daquelas que no passado denominaríamos de madame e hoje são as chamadas perua.
Carregava, na minha modesta e humilde opinião, uma vistosa bolsa Louis Vuiton. Daquelas características, na suas tradicionais cores marrom e creme, cheia da logomarca LV em toda sua superfície. Carregava a bolsa com toda a pompa exigida, entrelaçada em seu braço, de forma a ficar visível a todos que a olhassem. E a tal perua subia e descia a escada rolante, como que querendo se mostrar pra todo mundo. Compunha ainda seu visual uns enormes óculos escuros – isso porque o ambiente é fechado, sem luz do sol – quase a esconder toda a face. Só se viam os óculos. Nada de rosto. E ainda como se não bastasse, o que também chamava a atenção era o par de brincos, que fariam inveja aos balangandans da nossa querida Carmem Miranda.
Mas, voltando ao alvo das nossas atenções, minha e de minha amiga, como disse, a bolsa prá mim era uma autêntica Louis Vuiton. Já minha amiga, na sua apurada e aguçada observação jurava de pé junto que não era. Era sim uma cópia, um genérico chinês, daqueles ainda muito do mal feito. Uma verdadeira e autêntica cópia Luiz Vitão.
Eu, cá com meus botões, pensei, como podia minha amiga ter tanta convicção? Mas, acabei aquiescendo da opinião dela. Nada melhor que uma mulher pra conhecer dessas coisas do universo feminino. Agora, se a bolsa era um Luiz Vitão e não uma Louis Vuiton, pra mim pouco ou nada importava. Certo que até parecia um pouco alegoria de desfile de escola de samba, mesmo na quaresma. Digamos uma roupa mais adequada ao baile do Monte Líbano vestida por Clóvis Bornay. Mas e daí. Cada um é cada um, e com bolsa falsa ou não a moça estava se achando...
Por falar de bolsa que sobe e desce, acabei é de lembrar-me da minha vizinha: uma simpática senhora de seus sessenta e poucos anos, Dona Alice. Essa não é perua, não. Lembrei dela porque, com tanto movimento oscilatório da bolsa de valores, da Bovespa, nesse sobe e desce, mais desce que sobe, dos últimos dias, a Dona Alice, entrou em pânico. Ela, que a uns seis meses atrás, de tanto ouvir que a bolsa estava batendo recordes diários de valorização, resolveu tirar todo o dinheiro do seu marido, Seo Abelardo, da poupança e entrar também nessa onda. Detalhe, sem Seo Abelardo saber. Alias, como sempre o marido é o ultimo a saber. Aí está a confirmação do velho ditado. Dona Alice, me vendo chegar em casa, correu ao meu encontro pra exatamente me pedir um conselho sobre o que fazer com sua aplicação. Francamente, não gosto de dar conselhos. Não gosto de me meter na vida de ninguém. Primeiro que, se conselho fosse bom não se dava... Vendia-se. Segundo, que não consigo nem resolver os meus problemas, quanto mais resolver os dos outros. E terceiro, especialmente nesse caso da Dona Alice, não gosto de me meter em assuntos de marido e mulher. Mas o desespero da Dona Alice com as últimas quedas da bolsa era tanto, que não me eximi de lhe dar alguns palpites.
Primeira questão: Dona Alice me perguntou se devia tirar o dinheiro da aplicação em ações. Eu lhe respondi, usando a grande filosofia do meu amigo Marquinho do Sul de Minas, quase da mesma cidade do marido da Dona Alice, Bambuí. Segundo Marquinho, o que é mesmo um peido pra quem já tá cagado? Desculpem-me, prezadas madames e peruas de plantão, mas o meu amigo Marquinho é assim mesmo: desbocado e direto. Então, inspirado nesse profundo pensamento do Marquinho, recomendei a Dona Alice que deixasse o dinheiro lá mesmo, pois a tendência agora seria de retomada da valorização.
Segunda questão: Dona Alice estava aflita, pois não tinha falado pro marido que tinha sacado o dinheiro todo da poupança de toda uma vida e colocado naquela aplicação que, por ora, se mostrava de alto risco, quase virando farelo de soja.
Pois bem. Recomendei a Dona Alice que se mantivesse quieta sobre o assunto. E se por acaso, o linguarudo do gerente do banco onde eles mantêm a conta, batesse com a língua nos dentes e contasse tudinho pro Seo Abelardo, ela poderia dizer que havia transferido todo o dinheiro pra uma conta na Suíça, e que havia comprado tudo em queijo. Como Seo Abelardo, como bom mineiro da terra do meu amigo Marquinho, é um grande apreciador de queijos, acho que ele não ficaria muito zangado não. Afinal, se ele gosta de queijo de Minas, não vai gostar de queijo Suíço?
Finalmente, para tranquilizar Dona Alice, disse a ela que, se essa desculpa não pegasse, ela poderia dizer ao Seo Abelardo que havia gasto o dinheiro comprando bolsas Louis Vuiton e que, infelizmente, com a ajuda da pericia técnica, acabou descobrindo que, na verdade, era Luiz Vitão. Então, para não serem presos, ela e o marido, acabou jogando tudo no lixão da prefeitura. Afinal, como diz meu amigo Marquinho... O que é um p...

José Luiz Batista da Fonseca é natural de São Paulo, formado em direito e farmácia, empresário, escritor e colaborador do site www.vivasp.com. Escreve aos domingos neste espaço.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

JOVENS: ALIENADOS OU REVOLTADOS?

Em poucas gerações, a juventude de uma maneira geral, alienou-se dos problemas reais que afligem o mundo e tentam viver ou criar uma sociedade de mentirinha. O lazer de tempos idos, saudável e até educativo, ficaram para trás. Hoje, o que vale, é a latinha de cerveja em roda de amigos, a balada onde rola algumas drogas e o sexo desvairado. Influenciados pela moda, tornam-se escravos da mídia implacável. Receiam ser rejeitados pelos grupos a que pertencem. Sentem vergonha de se declarar virgens ou recusar a fumar um baseado e assim por diante. O resultado desse quadro apresentado é de cada vez mais drogado e desastres automobilísticos envolvendo a “Juventude Transviada” (filme com James Dean e foto do ator ilustrando esse artigo). Os anos pós-guerra trouxeram essas calamidades. A partir da década de 50, bandas e cantores populares começaram a enaltecer a virtude das drogas e a juventude se deixou levar. Mesmo quando esses falsos “ídolos” começaram a morrer de overdose. À medida que determinados costumes foram abolidos na educação familiar (um deles a educação religiosa), notou-se que o respeito para com as pessoas era cada vez mais ausente. E a cultura? Esses jovens alienados talvez nem sabem o que é isso! Se perguntado o que ocorreu em determinada data festiva em que é comemorada uma efeméride, não sabem; respondem apenas que é feriado e que estão numa boa.
“Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos”. Essa frase é de Emmanuel com psicografia de Francisco Cândido Xavier (do Livro Religião dos Espíritos, 5 – FEB). Os possíveis leitores deste artigo dirão: - esse cara tá pegando no pé do jovem. E eu responderia: - não há regra sem exceção -, pois eu acredito que esse tipo de jovem é minoria; uma minoria que influencia muitos outros! E é aí que entra a Juventude Espírita. “O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar” – Emmanuel – Chico Xavier, do “Livro da Esperança”. Usando a expressão latina “similia similubus curantur”, ou seja, os semelhantes curam-se pelos semelhantes (a base da homeopatia), os jovens espíritas têm a facilidade de se aproximar de seus iguais. Em cada adulto, o adolescente alienado vê os pais repressores, limitadores e até tiranos.
Dessa forma, usando do conhecimento espírita, a juventude - que na verdade não são jovens - poderá com amor e dedicação fazer o que nenhuma outra organização fará. Acredito que os primeiros espíritas brasileiros e de outros lugares do mundo estão agora reencarnando e um bom observador poderá notar que o plantio de ontem está sendo colhido hoje! É dessa forma que nós, espíritas, contribuiremos para o progresso deste Planeta e, a cada reencarnação, seremos muitos mais. Talvez, a grande doença que grassa entre essa juventude é pensar que não é ninguém, daí, as drogas e a adrenalina que julgam conseguir desafiando a sociedade. Encerro com um pensamento de Madre Tereza de Calcutá: “Uma das grandes enfermidades é não ser ninguém para ninguém”.
*Juliano Morgado é Jornalista e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

LADRÃO CABEÇUDO SE ESTREPA NAS GRADES

Edward de Souza

Um ladrão cabeçudo tentou roubar uma residência, entrando pelos fundos da casa. Mas, ele teve uma grande surpresa. O alarme tocou, fez um barulho estridente, deixando-o apavorado. Assustado, tentou passar por cima de uma grade, escorregou e... Estrepou-se. Literalmente falando. A polícia chegou e encaminhou o ladrão desastrado para um hospital. Depois de ter as partes íntimas reparadas e devidamente costuradas, foi ver o sol nascer quadrado.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

NOTÍCIAS POPULARES FAZIA UMA FESTA TODAS AS QUARTAS-FEIRAS DE CINZAS

Edward de Souza

Se houve um jornal que deixou saudades em milhares de leitores fiéis, com certeza, este foi o finado Notícias Populares, onde trabalhei na metade dos anos 70. Entre seus furos exclusivos encontram-se manchetes sensacionalistas como: "Cachorro faz mal a moça" “Violada no auditório” ou "Deu a bunda para salvar a vida", sem esquecer as coberturas orgiásticas do carnaval. A quarta-feira de cinzas, como hoje, era um prato cheio para o NP, com fotos picantes de mulheres nuas nos bailes e casas de shows de São Paulo e Rio de Janeiro. Notícias Populares era um jornal divertido. As histórias desse periódico, para quem não se lembra, são inúmeras e fazem parte do folclore jornalístico da cidade de São Paulo, como o caso do “Bebê Diabo”, um menino com chifres e rabo que havia nascido em São Bernardo do Campo e que se transformou numa série de 27 manchetes publicadas seguidamente, recorde no jornalismo brasileiro em se tratando de um só assunto e a maior vendagem em bancas de toda a história. A primeira matéria dessa série do “bebê Diabo”, que se transformou em filmes, documentários e literatura de cordel, fui eu a escrever e assinar o texto, isso no dia 10 de maio de 1975, um sábado. Foi publicada no dia seguinte, domingo. Toda essa história já foi mostrada aqui, nesse blog, que recebeu mais de 800 visitas, a maioria estudantes de jornalismo. Recentemente, uns panacas mal informados lançaram um livro com versão distorcida dos fatos, colocando inclusive o saudoso Waldemar de Paula, que há mais de dois anos estava fora do NP, como editor desse caso, quando na verdade tratava-se de José Lázaro Borges Campos. Além de implementar uma série de inovações na imprensa brasileira, Notícias Populares foi o primeiro jornal a falar a língua do povo. Foi o primeiro periódico a valorizar as manchetes e utilizar textos curtos com fotos grandes e ilustrativas. Isso era constatado na época do carnaval. A cobertura dessa festa popular sempre foi um caso à parte: até os leitores de outras publicações não resistiam às toneladas de fotos picantes tiradas pelos salões de São Paulo, com suas hilárias legendas. Era exatamente nesse período dos festejos de Momo que o jornal estourava em vendas e, na maioria das vezes, para se conseguir um exemplar, os leitores tinham que deixar encomendado nas bancas. Repórteres e editores tinham a incumbência de “trabalhar” as fotos, que faziam a festa dos leitores. Eu adorava pegar as enormes fotos coloridas feitas pelo Tarcísio Leite, o Guaracy e outros fotógrafos que não recordo o nome e “bolar” as legendas, como essas que guardo na lembrança: “Beijou a sogra por engano” “San Chupança”, "de lanterna na mão", “Dona Celu Lite”, “Olívia Nilton João”, “Alisando o pandeiro”, “Limpando a língua com Bombril”, “Folião engole a língua da noiva”, “Sentado a beira do caminho”, “Poupança reduzida”, entre outras. As edições de Carnaval chegaram a vender mais de 200 mil exemplares nessa época de ouro do NP, quando lá estive. Nenhum editor – nenhum jornalista – gosta de ver um jornal morrer. É algo comparável ao que seria, para marinheiros, perder um navio. E isso aconteceu em 2001, quando o NP deixou de circular. Ficou apenas a saudade. As cinzas das quartas-feiras de um tempo distante onde o Carnaval tinha confetes, serpentinas e lança-perfumes.