quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AFINAL, NEM TUDO É CULPA DO GOVERNO

Historicamente, até por questões culturais, quando as coisas não estão indo muito bem para o seu lado o brasileiro coloca a culpa do infortúnio no governo, seja federal, estadual ou municipal. Problemas na área da saúde, da cultura, do transporte, do lixo, da energia, da chuva, excesso ou falta, do desmatamento, enfim, o culpado é o governo. Plagiando o espanhol, o brazuca atira antes de perguntar: "ai gobierno, io soi contra" e fim de papo.
De uns tempos pra cá a coisa engrossou no exercício de malhar governantes: o cara não tem onde morar, invade uma área, constrói um barraco, convida outros amigos e forma uma favela, que agora chamam de núcleo ou comunidade; não coloca o filho na escola, sabe que o garoto ganha alguns trocados trabalhando para traficantes, acha que está de bom tamanho e toca o barco. Reclama que o governo deveria ajudá-lo dando casa, comida e lazer; diz que não tem nada, vive a míngua, mas quando o morro desmorona ou um incêndio arrasa os baixos do viaduto onde mora, berra que perdeu tudo. Porém não é desse pessoal a mira deste artigo. A seta aponta para o comodismo da grande maioria, onde a aula de cidadania passou longe de sua casa e cujo descalabro de suas atitudes coloca as lambanças do governo na pia de água benta da mais impoluta das igrejas, cristãs ou não. Senão, vejamos: que culpa tem o governo se o cidadão... Coloca um inútil reboque na traseira de seu carro de passeio, instrumento que não tem serventia outra senão prejudicar o próximo, que por sua vez gosta da idéia e também instala um em seu veículo para ferrar quem está atrás?
- Sobe escada rolante pulando degrau por degrau, empurrando meio mundo?
- Entra no estacionamento do supermercado ou do shopping e deixa seu carro bem próximo a porta, claro, na vaga reservada ao deficiente ou idoso, mesmo que o motorista não tenha ainda, digamos, 30 anos de idade?
- Ainda no supermercado pega o carrinho e com ele, cheio ou vazio, vai à praça de alimentação e enfia o dito cujo entre as mesas, empatando a passagem, quando poderia almoçar primeiro e depois fazer as compras ou comprar, ir até o carro, esvaziar o carrinho e em seguida almoçar?
- Leva criança ao restaurante e o guri (a) depois de se refestelar, deixa os pais e os avós batendo papo e sai correndo entre as mesas com a irritante observação do pai ou da mãe: "Juninho, cuidado não vá perturbar os outros fregueses"? Em cinco minutos ouve-se um barulho de pratos espatifados no chão, uma toalha com legumes e verduras no colo de um cara furioso que ainda tem que escutar do pai: "desculpe, criança é assim mesmo".
- Vai à padaria e tenta entrar com o cachorro de estimação, mesmo sendo um pitbull ou pastor alemão?
- Estaciona em guia rebaixada e diz ao dono da casa que volta logo?
- Segura o elevador em seu andar com a justificativa de que vai sair em seguida ou que sua filha (o) está chegando?
- Na pescaria, tipo "cabeça fria", joga a predadora tarrafa a dois metros da inocente varinha pra lambari de outros pescadores?
- Pra mostrar o som importado do carro, liga o aparelho acima de 150 decibéis, ou trafega com o cano do escapamento aberto de dia ou a qualquer hora da noite sem se importar com residências ou hospitais?
- Exige que o zelador ou síndico do prédio ajeite a antena coletiva de acordo com a melhor captação do aparelho de TV de seu apto, mesmo que os demais moradores só vejam imagens salpicadas de chuviscos?
- Incentiva o filho (a) pródigo que estuda guitarra, bateria, violino ou acordeon a praticar sua vocação à noite no apto e não está nem se "lixando" se existe vizinhos próximos?
- Resolve - isso é fatal - bater martelo na talhadeira para remover lajotas de sua cozinha exatamente às 8 horas de um domingo?
Para finalizar, que culpa tem o governo se o casal decide resolver suas pendengas na madrugada, com gritos, palavrões e ameaças, e na manhã seguinte, depois de perturbar toda a vizinhança, sai abraçadinho para o trabalho e deixa as pinimbas para serem resolvidas na noite seguinte?
Claro que as comparações citadas são pequena parcela do que ocorre no dia a dia, mas algumas delas ou similares são presenciadas e, por que não, também praticadas por todos nós. Certamente os amigos (as) bloguistas têm intensa lista para acrescentar aos exemplos acima, porém uma coisa é certa: o governo, nesses casos, não tem culpa e nada pode fazer.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista e radialista, radicado no Grande ABC
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

EM ALGUNS LUGARES JÁ NÃO EXISTE ÁGUA

Delhi - India. Todos querem apenas um pouco de água...
Dois sudaneses bebem água dos pântanos com tubos plásticos, especialmente concebidos para este fim, com filtro para filtrar as larvas flutuantes responsáveis pela enfermidade da lombriga de Guiné. O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.
Os glaciais que abastecem a Europa de água potável perderam mais da metade do seu volume no século passado. Na foto, trabalhadores da estação de esquí do glacial de Pitztal, na Austria, cobrem o glacial com uma manta especial para proteger a neve e retardar seu derretimento durante os meses de verão...
As águas do delta do rio Niger são usadas para defecar, tomar banho, pescar e despejar o lixo.
Água suja em torneiras residenciais, devido ao avanço indiscriminado do desenvolvimento.
Aldeões na ilha de Coronilla, Kenya, cavam poço profundos em busca do precioso líquido, a apenas 300 metros do mar. A água é salobra.
Aquele que foi o quarto maior lago do mundo, agora é um cemitério poeirento de embarcações que nunca mais zarparão...

VALORIZE A ÁGUA! EM ALGUNS LUGARES ELA JÁ NÃO EXISTE MAIS...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CHEGANDO A HORA DO “ABRA-TE SÉSAMO”

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2010 ano em que teremos eleições para presidente da república, governadores, deputados e, provavelmente para alguma vaga a senador, está chegando. Uma rotina que se repete dentro do que chamam Estado Democrático, desde em que foi proclamada a República em 1889, salvo períodos ditatoriais – Vargas e Militar. É certo que houve eleições minoritárias nos períodos obscuros de nossa vida política – 1930/1945 e 1964/1985, mas acredito manobrada para que os desejos ditatoriais fossem mantidos em nome de um nacionalismo duvidoso ou pelo menos sujeito a uma análise mais profunda. A obscenidade da moral dos políticos na atualidade faz com que a população brasileira mais politizada, desacredite da honestidade de qualquer pessoa que se intitule como tal.
Infelizmente, interesses de grupos econômicos, oligárquicos, sindicais, etc., prevalecem em detrimento da população mais carente (que é a maioria).
Se buscarmos nos arquivos dos jornais se verá ali noticiado milhares de escândalos mostrando maracutaias de todos os tipos. Desde armazéns cheios de alimentos destinados as vítimas da seca do nordeste apodrecendo por não ter sido distribuído até obras faraônicas não concluídas e terminadas com orçamentos superfaturados. Em permeio a tudo isso, o desvio de verbas em todos os órgãos públicos e uma festa sem fim com o dinheiro sofrido do trabalhador que tem descontado de seu salário o imposto de renda. Prosseguir relatando essas mazelas, me daria vontade de vomitar, pois o pior de tudo isso, é que essas pessoas são produto do meio.
Há alguns anos atrás, um bananeiro semi-analfabeto candidatou-se a vereador aqui em minha cidade. Não ganhou, mas faltou pouco.
Tempos depois, ao comprar suas bananas, como quem não queria nada, lhe perguntei; “Se você fosse eleito quem você colocaria como assessor?” “Meu filho!” Respondeu ele sem vacilar. Outras perguntas se seguiram semelhantes e a todas respondeu com sua “ingenuidade tacanha”, dizendo que seus parentes seriam os escolhidos. Desconhecia o que significada a palavra nepotismo entre outras.
E agora, nossos “nobres” parlamentares, que querem ser chamados de vossa excelência, acabam de criar mais de 7.300 vereadores. Mais cabos eleitorais para que os que lá estão possam permanecer na enorme “caverna”. Enquanto isso, a saúde, a educação, a segurança pública, etc., o menor abandonado, entre outras prioridades que se dane. Passar por aquelas portas não é barato. Há de se gastar muita grana. Planos maquiavélicos têm que ser elaborados e se a oportunidade surgir, votos serão comprados. Tudo por um “ideal”, O vil metal! Usam de todos os meios legais e ilegais para que possam pronunciar com a entonação correta a frase “ABRA-TE SÉSAMO”!

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O FASCINANTE MUNDO DO FAZ-DE-CONTA


Hoje é o Dia das Crianças. Podemos, a partir de agora, iniciar um retorno pelo mundo mágico da fantasia, reviver a despreocupada alegria da infância, também brincar e cantar. Vamos deixar de lado rancores e buscar a paz, vamos lutar contra a violência e estender o tapete para receber a fraternidade. Vamos, enfim, viver a existência que Deus nos deu. Há muitas portas na estrada do futuro. Podemos escolher qual delas queremos abrir. Algumas nos permitem entrar nos domínios do bem; outras mais se escancaram para o mal. A decisão é exclusivamente nossa, de acordo com a razão que nos ilumina e com os desejos acalentados pelo coração. A chegada do amanhã depende de nossa escolha, que deve recair na construção de um novo tempo, mais fraterno, com menos ódio e muita paz. No momento a melhor opção é se livrar das amarras da correria e das preocupações e voltar, nesta segunda-feira, a ser criança.
O Dia das Crianças deveria ser não apenas de diversões e brincadeiras, como também de reflexões sobre os rumos incertos da infância dos dias de hoje. Nesse dia é preciso reencontrar a criança que existe dentro de cada um de nós. E reaprender o riso, afugentar os medos, enxergar a beleza das coisas simples. No entanto, no dia-a-dia, vemos crianças continuamente tragadas para o mundo adulto, girando em torno das aparências, do consumismo, da erotização, do poder que domina e escraviza.
As preocupações com as coisas sérias deixam, encobertas pela poeira do passado, a infância que um dia nos deu asas para voar e, através dos sonhos, alimentar a alma. Voltar a sentir os prazeres de uma manhã ensolarada de domingo, as brincadeiras no parque, as histórias e os desconcertantes "por quês" sobre os mistérios da existência. Ás voltas com tantas responsabilidades, os adultos esquecem de abrir os olhos e despertar para a criança que ficou guardada em seu ser. Aquela criança sonhadora, que tem o poder de revitalizar e emergir das mais belas lembranças de uma infância despreocupada, que cultiva a esperança e aprendeu a fugir para o mundo do faz-de-conta todas as vezes que as turbulências da vida abalam suas frágeis estruturas.
Ser criança é a melhor parte da vida de uma pessoa, pois não tem tanta responsabilidade quanto um adulto. Não precisa pagar contas, trabalhar ou até ficar preocupado com problemas. Uma criança tem tantos direitos como deveres; os direitos de uma criança são: estudar, receber carinho, amor, atenção, compreensão, assistência médica, ter uma casa, etc. Ela também tem seus deveres: arrumar seu quarto, fazer a tarefa, estudar e outros. Nenhuma criança deve trabalhar, viver na rua ou pedir esmolas; muito menos ser maltratada. Estes problemas não podem e nem devem existir. A palavra criança é tão doce, carinhosa. Transmite um sentimento de amor, de inocência. Uma criança, acima de tudo, tem que fazer o que tem direito, brincar, jogar, pular, correr, enfim, todo ser humano por fora pode até ser um adulto, mas por dentro, sempre será uma eterna criança. Esqueça o adulto apressado e brinque, solte a imaginação e seja feliz.

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Como surgiu o
Dia da Criança
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Dia 12 de outubro é o Dia das Crianças. É dia de presentes, de um "obrigado", de um sorriso, de carinho, de um abraço… E quando falamos em presentes, falamos também da presença de alguém que amamos muito. Para muitas crianças é o dia de ter os pais por perto, sejam biológicos ou não, para ir à pracinha tomar um sorvete ou brincar pelo parque ou simplesmente para estar perto e compensar a ausência de um dia todo de trabalho. Mas, como surgiu o dia das crianças? Quem inventou essa história de presentes? Na década de 1920, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de "criar" o dia das crianças. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. Mas somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das Crianças é comemorado com muitos presentes!
Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos. Alguns países comemoram o dia das Crianças em datas diferentes do Brasil. Na Índia, por exemplo, a data é comemorada em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Em 5 de maio, é a vez das crianças da China e do Japão comemorarem! Muitos países comemoram o dia das Crianças em 20 de novembro, já que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece esse dia como o dia Universal das Crianças, pois nessa data também é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. Entre outras coisas, esta Declaração estabelece que toda criança deve ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento.
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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ATRAINDO AS SITUAÇÕES EMBARAÇOSAS

DÊ A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR
Lendo a excelente coluna do Edward, como faço todas as quintas-feiras, no Jornal "O Comércio da Franca", lembrei-me de alguns equívocos cometidos em nossas andanças pelo Brasil a serviço da equipe de esportes da Rádio Diário do Grande ABC, que redundou em suculentos micos. Quando a gente menos espera despencam em nosso colo situações constrangedoras que, invariavelmente, causam desconforto, mas perfeitamente contornáveis.
Pois bem, uma noite de sábado dos anos 80, no saguão do Hotel JB, então localizado na rotatória de entrada da cidade de Ribeirão Preto, jornalistas e jogadores do Santo André ali hospedados batiam longo e descontraído papo. Lá pelas 21h chegamos eu e o Edward, já que o Santo André iria enfrentar o Botafogo, no domingo, no Estádio Santa Cruz. Além de nós dois da Rádio Diário estavam também o motorista, José Mantovani, o repórter Sidney Lima e o operador de som, Antonio Carlos de Souza. Devidamente alojados, nos juntamos ao grupinho composto pelo técnico do Santo André, Diede Lameiro (que era de São José dos Campos), pelo lateral Wladimir (ex-Corinthians, então no Santo André), o presidente do clube do ABC,(empresário Lourival Passarelli), e o jornalista Daniel Lima, do Diário do Grande ABC.
Em determinado instante o Edward deixou o grupo e foi até o balcão da recepção, acionado pelo gerente, um rapaz na faixa de seu 25 anos de idade e exageradamente educado. Uns 15 minutos depois o Edward retorna ao grupo e no meu ouvido diz: "cara preciso que você me livre de uma fria". Como nunca neguei auxilio ao meu amigo-irmão, respondi: "qual o pepino?". Pegando pelo meu braço, ele afastou-me do grupo e confidenciou: "olha, o rapaz da recepção disse que me conhece de Franca, ouvia meus programas na Rádio Difusora da cidade e sabe também o nome de meus pais e meus irmãos, os quais conhece desde criança". - "E daí?" perguntei: "eu disse que me lembrava dele, da família, mas nem imagino quem seja o cara; então eu te apresento, você pergunta seu nome e ai não passo vergonha", idealizou o Edward. Solícito com o amigo fui com até a recepção. Entre um atendimento e outro, o moço me estendeu a mão: "este é o Lavrado, chefe da equipe de esportes da Rádio Diário e amigo meu há muitos anos", disse o Edward. "Prazer disse o rapaz", cujo nome, se foi dito, não ouvi. Então perguntei com a maior naturalidade: "por favor, como é mesmo seu nome ?"... "César - disse o moço - César". Sem perder a oportunidade e num lance rápido, o Edward não deixou por menos: "pô, Lavrado, esse é o César, não lhe disse que é o César, amigo de minha família há muitos anos e que conheço desde criança".
Bem, quem ficou com cara de tacho fui eu, já que passei por distraído com as pessoas e, especialmente com o companheiro de infância de meu amigo. Não voltamos mais para o grupo do papo descontraído, até porque minha bronca com o Edward impedia qualquer outro diálogo, não fosse impropérios de quem está fulo com tudo, era o meu caso.
Em outra oportunidade, passados alguns anos da cena do César, nós, eu e o Edward (de novo) estávamos cruzando a praça central de Rio Preto por volta do meio dia de um belo sábado de sol. Então encontramos com dois jogadores do Santo André. Um deles o volante Élcio, um gentleman, e o outro o zagueiro Rubão, um crioulo 4x4, gente fina. Nos cumprimentos, e o Rubão, equivocado, chamou o Edward de Rolando (Rolando Marques, narrador da Rádio Diário, falecido em 1994) e como nenhum de nós se apressou em consertar o engano o papo prosseguiu: "Então, Rolando, minha mulher grava todas as suas transmissões dos jogos do Santo André, que eu ouço assim que chego em casa", dizia o Rubão, tentando agradar. Sem o menor constrangimento o Edward, agradecido, respondia: "obrigado cara, isso me deixa lisonjeado". A conversa na escaldante praça de Rio Preto durou cerca de 10 minutos. Na despedida, Rubão ainda acrescentou: "foi um imenso prazer conhecê-lo, sêo Rolando". Assim que nos distanciamos pude desopilar o fígado com saborosas gargalhadas na tentativa até de provocar o Edward pelo mico, mas o cara, pavio apagado naquele sábado, não reagiu, ao contrário, riu mais que eu.
Uma noite de sexta-feira, em uma mesa de bar no calçadão da movimentada Avenida Bento de Abreu Sampaio Vidal, a mais agitada de Marília, estávamos em descontraído papo regado a cerveja e uns petiscos, quando um cidadão até bem vestido se aproxima do Edward e conta a história que era de Bauru e estava sem dinheiro para retornar. Claro que floreou o máximo, dizendo da mulher doente e da filha pequena que também não estava muito bem. Mesmo escolados com as andanças cosmopolitas, não perguntamos o que o cara fazia em Marília àquela hora da noite. Apiedado com a ladainha do homem e, talvez tentando se livrar dele, o Edward enfiou a mão no bolso e deu uma grana ao pedinte, que agradeceu com o famoso "Deus lhe pague". Em seguida nos deixou e sumiu na primeira esquina. Por volta da meia-noite no retorno ao nosso hotel, vimos o suposto coitado sentado em roda de uma mesa, acompanhado de uns quatro amigos, tomando todas e mais algumas. Enfurecido e, agora sim com o pavio curtíssimo, tipo coice de porco, o Edward queria tirar satisfações. No entanto, prudentemente, convenci o amigo a deixar pra lá, até porque o boteco não era dos mais sugestivos e os caras estavam em esmagadora maioria.
Essas três, entre tantas outras, passagens marcadas por equívocos junta-se a extraordinária capacidade que certas pessoas têm para carregar chicletes nos sapatos. Com as histórias que já contamos neste espaço (Brasília, Goiânia, Bauru, Salvador, Natal e Rio de Janeiro), onde um dos personagens é sempre o mesmo, comprova que o amigo-irmão Edward de Souza, tem imenso poder de atrair situações constrangedoras e às vezes embaraçosas, porém inocentes e hilárias. Lá na frente, com mais espaço, poderemos lembrar outras situações, quem sabe sem que, desta vez, o ímã não seja o comandante deste blog.
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*OSWALDO LAVRADO É JORNALISTA E RADIALISTA E ASSINA UMA COLUNA NA FOLHA DO ABC
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

REAPRENDENDO A ARTE DE VIVER COM ARTE

A frieza que ultimamente tem interferido na relação das pessoas é um mal do mundo moderno, onde não há mais tempo para nada, nem mesmo para construir relacionamentos, quanto mais melhorá-los. E as pessoas vivem e sobrevivem de relacionamentos. Temos que conviver para manter o equilíbrio, crescer e existir mais humanamente.
Frieza, indiferença, descaso, distância, são palavras escritas com gelo. Cristalizam. Fazem parte de um vocabulário muito usado, não só com palavras, mas pelo olhar. Um olhar soturno, acinzentado, cor de treva. Se observarmos as pessoas, na rua, a maioria caminha rápido, passos largos, em aflição; não olham para os lados, não têm tempo, vão perder o ônibus, vão chegar atrasados ao trabalho, têm um compromisso, precisam correr... Olhos mortos, sem expressão, fixos apenas em medir a distância que as separa de seu destino, que é o mesmo, todos os dias.
Ir e vir. Vir e ir. Sem parar. Trabalhar sem descanso porque há contas a pagar, porque há compromissos a cumprir, há tarefas a entregar. Nem lembramos mais que há um EU a cuidar, que há um TU a esperar, que a um NÓS a construir.
Nessas idas e vindas de dura e sistemática repetição deixamos de perceber o espetáculo diário que a vida nos oferece – abdicamos de nossa sensibilidade e nos refugiamos no tédio ou na queixa da mesquinhez e da crueldade do cotidiano que nada nos dá, só tira.
Precisamos refletir e aceitar o desafio que se impõe se quisermos reaprender a viver. Precisamos aprender a viver com arte, a viver dentro da arte. Da arte de amar. Precisamos descobrir novos caminhos, diminuir o ritmo, apreciar as cores o dia, sentir a brisa batendo, leve, no nosso rosto, desfrutar o canto dos pássaros, sentir novos aromas, sorrir e perceber o outro que está ao nosso lado.
Viver com arte é enfrentar os desafios, é recuperar um tempo em que tudo era capaz de nos emocionar – o mar, o céu, os cheiros, os sons, as flores, o vento, os amores, os livros, dança, a música...
Este é o desafio de cada um - o do ampliar altura e largura da alma, enriquecendo o espírito porque a vida, muitas vezes trágica e sofrida, também pode ser engraçada, doce e divertida e, sempre, compartilhada! Aceitando o desafio, podemos voltar a cuidar do nosso EU, reencontrando aquele que nos espera para reconstruirmos o NÓS.
Na verdade, o que impede a aproximação é o medo. O medo da indiferença. O medo da frieza que vemos nos olhos dos outros, esquecendo que é a mesma que veem em nosso olhar. É o medo da dor, daquela dor que varre o mundo, que sacode a terra, que desfia os ventos, que nos invade, que nos divide, que nos diminui, que nos encerra...
Há que olhar mais fundo para compreender. Há que parar para enxergar. Há que ter sensibilidade para entender que o meu olhar de gelo que reflete o teu é apenas a armadura que esconde o calor, que cristaliza a lágrima escondida, represada, pronta a desaguar a um mínimo gesto, um sinal...desfazendo o olhar antártico criado apenas para proteção.
Palavras escritas com gelo podem ser transformadas, sim, em palavras escritas com fogo. Olhar de gelo também pode ser aquecido por generosidade, brandura, amor. Às vezes, o gelo no olhar e na palavra é pura falta de exercício
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*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog da Nivia Andres:http://niviaandres.blogspot.com/
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ABRIR UMA IGREJA EVANGÉLICA É FÁCIL

Abrir uma igreja evangélica é fácil. Basta você criar um nome bem interessante, no estilo, "Pronto Socorro de Jesus" ou "Igreja Evangélica Emanuel do 4º Dia"... Mas tem que pensar em outros nomes, pois estas igrejas já existem. Encontrando um nome, é só registrar a nova igreja na prefeitura da cidade como uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, numa determinada lei na qual ela se enquadra, arrumar sua garagem e colocar umas cadeiras de plástico. Feito isso, improvise um altar com um crucifixo de madeira (pode ser aquele da casa da sua avó), mas lembre-se, deve estar no mínimo dois metros acima dos fiéis, para que você tenha uma visão privilegiada e seja admirado e respeitado por eles. Arrume um microfone, duas caixas de som, decore algumas passagens da Bíblia e pronto! Você virou um missionário religioso. Não precisa estar associado a mais nada, é fácil. E não há motivo para se preocupar, afinal, a maioria desses "pastores" e "missionários" não têm nenhuma preparação, estudo ou qualquer coisa que o valha. Importante é que você seja bem comunicativo e tenha o dom de convencer as pessoas. Quanto à localização da igreja, se você tiver um dinheirinho extra e não precisar usar a garagem de sua casa, prefira alugar um cômodo bom, sempre em comunidades grandes e pobres, de preferência na maior favela da sua cidade. Afinal, gente pobre é muito mais fácil de manipular, se bem que o dízimo per capita não será grande coisa, mas igreja nenhuma começou já convertendo o Kaká, Nelson Ned e a Mara Maravilha logo de cara. Além disso, se o seu público inicial for carente, ninguém vai ligar para a falta de infra-estrutura no seu barracão clerical. O seu templo não poderá dar muitas despesas iniciais. Somando aluguel e as contas de água, luz e telefone, não pode passar de mil reais por mês. Pelo menos você não terá de pagar IPTU, por se tratar de uma igreja. Uma coisa importante é a fachada. Ela deve ter aquelas faixas bizarras, com propaganda da sessão do descarrego. Quanto mais faraônico, melhor.
Para que sua igreja progrida rapidamente, pode também usar de uma artimanha conhecida, mas que ainda surte efeito rapidamente: prepare alguém que saiba fingir, que seja um artista, que se passe por um cego ou mesmo aleijado. Na frente de uma dúzia de pessoas presentes em sua igreja, coloque as mãos sobre a cabeça dele, ore alto, mostrando fé e realize a cura. No outro dia sua igreja estará lotada, é só passar a sacola e usufruir os lucros.
Recordo-me que, certa feita, um cidadão, em Santo André, abriu uma igreja, com o nome "Jesus te cura", ou "Jesus te chama" coisa assim. Combinou com um amigo, que tinha o apelido de "Saracura", que tomava todinhas e mais algumas, para servir de cobaia perante o ainda pequeno público que conhecia o "boca de litro". O "pastor", com um terno surrado subiu ao palco improvisado e anunciou soberano: "Vou trazer agora o "Saracura", que todos vocês sabem, bebe demais. Quando ele sair daqui estará totalmente curado". E assim foi feito. "Saracura" cumpriu seu papel e ainda nos bastidores recebeu seu cachê. Enquanto o "culto" prosseguia, "Saracura" se mandou e, na frente da igreja, não resistindo a tentação, entrou num boteco. Encheu a cara. Quando os fiéis deixavam a igreja o encontraram caído na calçada. O pastor, vendo a cena, saiu pelas portas dos fundos e nunca mais foi visto na região. Soube-se mais tarde que esse pastor não se conformou com o primeiro fracasso. Correu atrás do prejuízo, "montou" uma igreja no interior do Rio, ficou rico e já têm filiais pelo Brasil e um programa na TV, a glória para os novos "pastores" e o passo certo rumo a uma grande fortuna.
Foi Edir Macedo - autonomeado bispo - quem descobriu que vender a salvação eterna pela TV era um bom negócio e depois disso nenhum telespectador teve mais paz. Para onde você gira o dial tem sempre um pastor, um apóstolo, um bispo ou um guru com a palavra da salvação na ponta de língua, sempre dita em altos brados como se fôssemos todos surdos e recheadas de milagres que incluem cegos recuperarem a visão, paralíticos que andam e velhinhas obrigadas a correr no palco para mostrar o fim de sua artrose. Fico pensando como existe gente besta neste país, pois o nível dos programas é de dar pena, na sua maioria comandado por fanáticos analfabetos que se limitam a repetir os refrões que lhe colocaram na cabeça sem nenhuma profundidade teológica e filosófica. Pintam um quadro celestial para quem aderir à seita e o fogo eterno dos infernos para os incrédulos como eu.
É um espetáculo que seria risível se a gente não soubesse que por detrás de toda aquela encenação milhões de reais circulam livres de impostos, de prestação de contas e de fiscalização. O povo crédulo e desesperançado é o alvo falso desses novos profetas, que envergando ternos de baixo custo, suam como escravos na retirada de demônios ou na expulsão de espíritos maléficos que a gente nunca suspeitou existirem em tal quantidade nessa abençoada Terra de Vera Cruz. Fico imaginando o que pensam esses vendilhões de sua própria alma, se é que eles possuem uma. Será que por um minuto pensam no absurdo que pregam e praticam? Duvido muito.
E assim prospera essa indústria que hoje possui redes de televisão e paga rios de dinheiros nos canais abertos ou por assinatura para levar sua mensagem comercial, para estabelecer sua franquia do Paraíso. Neste país sem leis e de pouco caráter, eles proliferam e vicejam e vão vendendo a salvação junto com alma, certos de que, ao menos nesse plano terreno, eles não terão de prestar contas a ninguém.

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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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sábado, 3 de outubro de 2009

MILTON SALDANHA E OSWALDO LAVRADO ESCREVEM SOBRE AS OLIMPÍADAS NO RIO

Copa e Olimpíada devolvem o
pão e circo à Ilha da Fantasia

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Certamente o assunto em pauta no Brasil no momento é a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Faltam, portanto, pouco mais de sete anos para a realização, aqui em nosso território, da maior e mais pujante competição esportiva do planeta. Vencemos com galhardia americanos, japoneses e espanhóis, num pleito cujas cartas adrede marcadas enchem de orgulho o povo brasileiro. O Rio de Janeiro, literalmente, parou para aglomerar milhares de cariocas na praia de Copacabana que, ao compasso de um show musical, dançou ao melhor estilo tupi-guarani, sem atinar direito para a insensatez do compromisso assumido. Na mais pura demonstração que privilegia a emoção em detrimento da razão, o presidente, alheio ao buraco em que meteu o País, derramou lágrimas inerentes a uma criança que ganha sua primeira bola oficial. Ao lado dele, figuras ilustres da política e do esporte nacional. Todos se abraçavam como se tivessem, em conjunto, abiscoitado substancial bolada na loteria brasileira. Por tabela, a coisa caminha nessa direção. Faltam pouco mais de 2.555 dias para a festa brasileira, inédita na América do Sul. Antes, em 2014, haverá uma Copa do Mundo de futebol, competição esportiva igual ou mais suntuosa que as olimpíadas da Era Moderna. Enumerar os gastos com os dois mega-projetos seria praticar de forma utópica o exercício da numerologia, ao mesmo tempo que indicar os programas mais urgentes à população, onde a verba poderia e deveria ser aplicada. O Brasil de agora, especialmente o Rio de Janeiro, tropeça nas necessidades cotidianas fartamente divulgadas pela Imprensa nacional. No caso da Cidade Maravilhosa, salta aos olhos os desmandos, a corrupção, a violência e o timão da cidade nas mãos de traficantes que comandam um governo paralelo mais poderoso e organizado do que o legalmente constituído.
Pior do que as necessidades urgentes é a conduta duvidosa dos nossos comandantes, a maioria inebriada com algumas conquistas naturais que enchem de soberba o presidente falastrão. O escândalo do Senado, o desvio de verbas do PAC, a baciada de novos vereadores, a prisão de alguns políticos do Interior do País por corrupção e mais um sem número de maracutaias ficam camufladas na enganosa vitória brasileira sobre americanos, japoneses e espanhóis.
A fauna estelionatária tupiniquim, que esfrega as mãos com a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, (que não possui sequer um estádio em condições de sediar a competição), sente cair no colo uma mina ouro puro, já lapidado. Afinal, construir estádios e toda uma infra-estrutura para uma copa e uma olimpíada exige vultosos investimentos cujos cofres, claro, são os bolsos dos contribuintes. Os arautos da fanfarronice, os abutres de plantão, os políticos, grande parte da imprensa ufanista e, por tabela, substancial parcela da população brasileira estão radiantes. Abriram os currais da Ilha da Fantasia e a festança está prestes a começar, afinal serão sete anos, entre a Copa e os Jogos Olímpicos, da farra do boi, onde os poderosos, argolados no poder, entram com os chifres e o povo com o traseiro. Dopado com a ingestão de constantes trapaças, o brasileiro inerte ao que acontece em seu redor, não mais se dá conta da realidade e, ao contrário de se indignar, observa passivo as travessuras do desastrado comando. No melhor estilo relaxa e goza, o povão vai digerindo a malandragem. Deus, parece, já não é tão verde e amarelo. Porém, o que importa no momento é que o Rio de Janeiro está em festa e, agora, mais maravilhoso e lindo do que nunca.

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OLIMPÍADAS, A ROLETA DO LULA
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Para quem está extasiado com essa irresponsabilidade do governo brasileiro de trazer as Olimpíadas para cá em 2016, brincadeira já estimada em cerca de 30 bilhões, ou mais, vou fazer uma pergunta: vocês sabem de quanto é o orçamento da cidade São Paulo, a maior da América do Sul, para o exercício de 2009? Isso saiu nos jornais, mas certamente a maioria não saberá responder. Vou ajudá-los, sugerindo reflexão sobre esses números. O orçamento paulistano é de exatamente R$ 29.394.457.152,00. Ou, em números redondos e simplificados, R$ 29 bilhões e 400 milhões. Preciso dizer mais? Vamos gastar uma São Paulo num evento de dez ou quinze dias, pretendendo ser uma vitrine para o mundo.
O Brasil deu um salto no escuro quando não retirou com prudência sua candidatura. O presidente poderia ter acionado uma rede nacional de rádio e TV para explicar às pessoas que seria muito lindo ter uma olimpíada aqui, só que o custo disso é tal e tal e somos um país em construção (para ser otimista), com prioridades extremamente mais cruciais, nos mais variados setores. Um país que sequer controla a epidemia de dengue vai fazer um gasto absurdo desses. Um país que deveria investir sim na alfabetização do seu povo, onde mais de 60% da população mal assina o nome.
Ainda na sexta-feira, aqui no blog do Edward de Souza, teve um leitor que respondeu furioso às críticas que de cara fiz à “vitória” do Brasil na Dinamarca. Ele argumentou, não com essas palavras, que com Olimpíada, ou sem Olimpíada, o governo não gastaria esses 30 bilhões na área social. Foi mais ou menos isso.

O que ele não conseguiu perceber é que aqui a questão não é o que o governo hipoteticamente gastaria. A questão é o que em realidade não gastará. Não gastará, repito, ao criar um rombo no orçamento. É claro que terá que fatiar mais uma vez o orçamento, tirando recursos de setores já longamente penalizados, como a educação, cultura, saúde, segurança, habitação, previdência e muitos outros. Investindo essa montanha de dinheiro num evento de retorno questionável e imprevisível, como se o Brasil fosse uma grande roleta de cassino, o governo não gastará exatamente onde deveria gastar, sobretudo quando se fala de educação e saúde, sem esquecer a segurança pública.
Essa aventura do presidente, avalizada por uma parcela expressiva da população e de personalidades famosas que pleitearam o Rio como sede do grande evento mundial, terá um preço totalmente incompatível com nossa realidade. Não somos os Emirados Árabes, onde se queima charuto com folhas de petrodólares. Aqui é o país dos desdentados e dos desesperados, muitos deles transformados em facínoras por desespero ou ambição doentia, fomentada pelos medíocres valores do capitalismo. Não se poderia fazer uma festa desse custo quando a tragédia do país, em todos os sentidos e dimensões, está ali ao lado. A começar, literalmente, pela favela da Rocinha, que certamente vão esconder com tapumes gigantescos.
Tudo isso porque a “vitória” na Dinamarca se insere num projeto de permanência do lulismo no poder a qualquer custo, mesmo que para isso seja preciso arrebentar o país. Não há limites!
Em paralelo, estamos comprando os caças para a defesa do país, um investimento que pode até ser polêmico, mas que tem sua lógica e seus argumentos aceitáveis. E vamos bancar uma Copa do Mundo. Somando tudo, noves fora a roubalheira, que até meu gatinho sabe que acontecerá, como ficará este pobre Brasil nos próximos anos?
E para finalizar, como iniciei com números orçamentários, não custa nada recapitular de quanto é o orçamento da cidade do Rio de Janeiro, que sediará a Olimpíada: não chega a 11 bilhões de reais. Ou seja, a irresponsabilidade daria para financiar a cidade durante três anos.