segunda-feira, 26 de julho de 2010


MUSEU OSCAR NIEMEYER
35 mil metros de emoção a cada centímetro


Curitiba possui um tesouro que todos os brasileiros precisam conhecer. É muito fácil de achar, tem preços populares, e se chama Museu Oscar Niemeyer. Não é um museu qualquer. Enquanto você visita vai sendo surpreendido a cada momento, envolvendo-se em grande emoção.

Ali funcionavam repartições burocráticas do governo do Paraná. O conjunto foi totalmente reformado, com projeto de Oscar Niemeyer, este nome que orgulha o Brasil, por suas obras aqui e em muitos outros países.

São 35 mil metros quadrados de emoção a cada centímetro. Hoje, abriga exposições de pintura, desenho, escultura, design, fotografia, maquetes, etc., com dois acervos, um sempre temporário e outro permanente. Este último fica alojado no popularmente chamado “Olho”, uma fantástica torre apoiada por uma coluna em forma de parede, que contrasta em porte com a impressionante leveza que transmite. O “Olho” parece flutuar no ar, como uma nave branca que ali estivesse pairando e espreitando a cidade. A inspiração foi na copa da araucária, árvore típica do Paraná, mas o povo, sempre imaginativo, passou a chamar como “Olho”. Síntese de toda a genialidade de Oscar Niemeyer, esse humanista de incrível simplicidade e generosidade, hoje reverenciado pela arquitetura mundial.

Visitar o museu vale a viagem a Curitiba. Nem que seja só para isso. Se o conjunto arquitetônico estivesse vazio já seria, por si só, uma imperdível atração. Com seu conteúdo, torna-se cativante passeio da alma pelas profundezas dos sentimentos mais edificantes e que fazem a vida e o mundo valerem a pena. A defesa do homem e dos princípios que devem reger suas relações estão presentes literalmente nas paredes deste santuário da cultura brasileira. É como um templo que prega em seus escritos e obras a redenção dos oprimidos, fazendo a denúncia da violência, das guerras, ditaduras, fome e miséria. A arte engajada, com seu compromisso único de ser agente de transformação social, mas nem por isso piegas, explicita e óbvia.

É preciso buscar nos olhos das figuras esquálidas retratadas por um pintor como o equatoriano Guayasamín (1919-1999), por exemplo, a milenar dor legada pela civilização pré-colombiana depois do seu massacre pelo colonialismo ibérico. Em seus traços de gênio da pintura e do desenho, amado por Pablo Neruda, de quem era amigo, estão nítidas as influências dos muralistas mexicanos Orozco e Diego Rivera, Picasso, Portinari, Di Cavalcanti e outros guerreiros das telas, mármore e bronze. É impossível não ficar paralisado na frente dos quadros de Guayasamin, sorvendo cada detalhe dos seus traços, não sendo difícil também ser levado às lágrimas. Pena mesmo é que não fiquem ali por mais tempo, pois são patrimônio artístico do Equador e precisam voltar para casa. Só isso já dá uma dimensão do que é essa casa curitibana onde se respira cultura e sensibilidade a flor da pele. Mas tem muito mais. As fotos do peruano Martin Chambi, em preto e branco, feitas com uma câmera rudimentar, de fole, são épicas e remetem ao esplendor e miséria do altiplano andino. Basta trocar de sala e entra-se num mundo totalmente diferente e menos angustiante, com as 25 telas de artistas que retratam a serenidade do porto de Paranaguá e seus navios docemente ancorados. Ou, em outra, na vida mansa e acolhedora do interior mineiro, com aquele estilo puro e inocente, gostoso, cheirando a café com bolo de fubá.

Visitar o Museu Oscar Niemeyer, enfim, é uma necessidade das almas famintas por ternura. Vale a viagem.

Os funcionários são gentis, a organização impecável, banheiros que brilham, há uma cafeteria confortável e irresistível, livraria e loja esbanjando classe e bom gosto. Tudo de primeiríssimo mundo.

Atravessar o túnel branco, em curva, que liga o prédio ao anexo “Olho”, parece uma caminhada pelo espaço sideral. Até quem detesta lugares confinados, como eu, ali nada sente, exceto deslumbramento.

Em ampla área estão as maquetes das principais obras de Niemeyer pelo Brasil e mundo. Vale a pena demorar ali, conferir cada uma, em detalhes, e ler cada texto onde o próprio artista do concreto armado explica sua paixão pelas curvas que marcam intensamente seu estilo. Inspiração que vem de várias fontes, incluindo as sedutoras curvas das mulheres belas. A catedral de Brasília, obra de um ateu assumido, quem diria, com sua estonteante beleza lembra mãos que se erguem em súplica ao céu. Niemeyer é ousado, atrevido, desafiador. Mas, acima de tudo, um poeta. Sorte nossa que é também brasileiro!

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*Milton Saldanha é jornalista, escritor, tangueiro e sonhador.
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Para saber mais sobre o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, acesse www.museuoscarniemeyer.org.br
Em visita à cidade, todo mundo conhece o local. Basta pedir ao taxista "Museu do Olho".
Aproveite, também, para conhecer o Jardim Botânico, cartão postal da cidade e um dos mais belos mundo.
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domingo, 25 de julho de 2010

NO TEMPO EM QUE O AMOR ERA ETERNO

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Sou da geração em que os namorados fugiam e o amor era eterno. Tudo acertado, na calada da noite eles desabavam num carro emprestado ou num lombo de cavalo e deixavam loucos pais e mães. A moça era levada à casa de um casal amigo das duas famílias que garantiam sua virgindade até a hora do casamento. Mas o estrago já estava feito. Uma moça de família passar uma noite com o namorado numa estrada ou em casa estranha! Era o bastante para vencer a resistência familiar e correr as proclamas, enquanto os dois fugitivos eram mantidos isolados um do outro, depois da prazerosa noite de amassos. Muitos pais sérios de hoje casaram nessa base, uma história romanesca e cômica.

Meu avô, no começo do século passado, percebendo que sua amada estava prometida para o filho de um rico fazendeiro, arquitetou um plano audacioso para a época, principalmente porque a jovem, que viria a ser minha avó, tinha pouco menos de 14 anos de idade. Montado num cavalo, pela madrugada chegou de mansinho e bateu na janela onde a jovem, acordada, o aguardava. E fugiram pelas ruas poeirentas de Franca. Amanheceram num posto policial da cidade onde se casaram, por ordem do delegado de polícia, que chamou o capelão para celebrar as núpcias. Antes, os pais dos noivos, furiosos, foram comunicados e mesmo contrariados, participaram da cerimônia. Tudo pela honra, afinal, uma menina de 14 anos, virgem, havia fugido de casa no lombo de um cavalo e passado a noite em companhia de um homem pouco mais velho. Um amor eterno, registraria a história, que só a morte conseguiu interromper, depois de 10 filhos e muitos e muitos anos de feliz e pacífica convivência.

Tempos depois, nos anos 50, 60, a vida continuava difícil para um adolescente. Para conhecer melhor aquela menina bonita da escola, precisava torcer para que ela aceitasse o convite para a matinê de cinema. Depois, tinha que conseguir a autorização dos pais. Tudo isso para poder segurar na mão. Sexo, nem pensar. Era preciso amargar um longo namoro no sofá e muito tempo depois arriscar um pedido formal de casamento.
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Foi na minha época que surgiram as calças de naycron - revolucionárias -, as camisas Volta ao Mundo, assim como os sapatos Vulcabrás - eu usei esse sapatão como uniforme escolar. E do sabonete Life Boy. Ainda tinha os seriados enlatados da televisão. Bonanza, Combate, Missão Impossível, Bat Masterson, Magnum, Papai Sabe Tudo, Vigilante Rodoviário... Lembram-se disso? Do James West? Coisas inocentes... E como marcou o tal de Repórter Esso, hein?

E mais: sou da geração dos hippies que revolucionaram totalmente os costumes, pregando o amor livre, a não violência e protestando contra a guerra no Vietnã. Eram totalmente adeptos do pacifismo. Moravam em comunidades onde todas as tarefas domésticas eram divididas. E por aí afora. Fase importantíssima. Com eles apareceram os exercícios de meditação, os incensos, as gírias e algumas drogas - infelizmente. Seus cabelos eram compridos e suas vestes despojadas. O lema era “Paz e Amor”.

Hoje tudo mudou. Ninguém pede mais autorização aos pais para namorar e não se foge. Muito ao contrário, se fica. Nunca entendi e nunca vou entender, pois não faz parte da minha geração a diferença entre ficar e namorar. Mas deve existir algum, pois as meninas e meninos separam definitivamente uma coisa da outra e parece que ficar, segundo ouvi dizer, tem um conotativo mais irresponsável, menos comprometedor, tipo arte pela arte ou amor pelo amor. E assim os casais vão ficando, ficando até que alguma gravidez indesejada ou um desejo súbito os leve ao casamento que não precisa mais do consentimento dos pais e muito menos da aquiescência do pároco. Basta juntar as escovas e tudo está revolvido sem escândalos.

Imagino que essa geração dará casais bem mais sadios que a nossa, acostumada ao rigor dos pais mal-humorados e das mães vigilantes, para não falar naquele irmão menor ávido comedor de chocolates e vigilante na preservação do patrimônio moral familiar. Quando pequeno fui um destes “malinhas” - conhecidos na época como "velas" - a serviço de minha avó. Para ganhar balas e doces ela me deixava como um cão de guarda em volta de uma tia que namorava num banco de madeira, colocado no alpendre da casa. E pedia para que eu ficasse no meio do casal, coitados. Ao lado do aspecto cômico, muita crueldade se praticou em nome da moralidade, como separar casais que se amavam, exilar filhas amorosas e até surrar namorados mais ousados. Não é à toa que o “bardo” continua fazendo sucesso com seu Romeu e Julieta, pois os amores impossíveis são sempre mais lembrados que o amor comum.

As pessoas de mais de 50 anos aprenderam a tapa e na rapidez a assimilar todas as mudanças do mundo. Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo. Culpa da pílula, dos Beatles, da Internet, da globalização, do Muro de Berlim, da televisão, da tecnologia, do Viagra. Até morrer ficou diferente, perceberam? Os filhos, por falta de emprego, não têm mais anseios de ir embora. Ficam morando eternamente e com os controles remotos da TV, do DVD, do ar-condicionado na mão. Afinal, quem detém o poder do controle remoto manda na casa. São eles.

Acredito que essa geração nunca ouviu falar que os casais antigos fugiam, nem saiba ou imagine o que é isso dispondo de toda liberdade que eles dispõem para se encontrarem e se afastarem, se experimentarem e experimentarem a vida sem que por isso reputações sejam derrubadas. Tudo bem longe do meu tempo onde uma “moça falada” estava condenada à perpétua solidão ou à constante troca de pares, pois não mais era noiva adequada a ninguém e muito menos apreciada pelas famílias de quem herdariam o nome. Cheguei a uma conclusão, vivo num mundo muito louco onde cada um veste sua fantasia e pula sozinho; e desta época jamais sentirei saudades!
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*Edward de Souza é radialista e jornalista
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sábado, 24 de julho de 2010

HOJE É ANIVERSÁRIO DE J. MORGADO!


Ao Mestre, que nos deseja PAZ, MUITA PAZ!,
todos os dias,queremos, hoje, cumprimentar
e cantar, com a voz dos anjos, entoando

FELIZ ANIVERSÁRIO!

E agradecer pelo muito que aprendemos com os seus magníficos textos e ensinamentos, que são arte e vida plena em forma de palavras!

PARABÉNS, J. MORGADO!

Muitas alegrias, vida longa
e

PAZ, MUITA PAZ!

São os votos dos articulistas, colaboradores e
leitores do Blog de Edward de Souza.
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SEXTA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 2010

CARIDADE E AMOR AO PRÓXIMO



Assistindo a um programa de televisão onde é mostrado o desperdício de gêneros alimentícios e o aproveitamento destes por pessoas pobres, me veio à mente o Capítulo XVI, item 8 do “Evangelho Segundo o Espiritismo”. “DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS” “A desigualdade das riquezas é um desses problemas que se procura em vão resolver, se não se considera senão a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que todos os homens não são igualmente ricos? Não o são por uma razão muito simples: é que eles não são igualmente inteligentes ativos e laboriosos para adquirir, nem moderados e previdentes para conservar.

É um ponto matematicamente demonstrado que a fortuna, igualmente repartida, daria a cada qual uma parte mínima e insuficiente; que, supondo-se essa repartição feita, o equilíbrio estaria rompido em pouco tempo, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, cada um tendo apenas do que viver, isso seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem estar da Humanidade; que, supondo-se que ela desse a cada um o necessário, não haveria mais o aguilhão que compele às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é porque daí ela se derrama em quantidade suficiente segundo as necessidades”...

O acima transcrito é apenas o primeiro parágrafo do item mencionado. A lição continua. No parágrafo terceiro destaca-se: “Deplora-se com razão o lamentável uso que certas pessoas fazem de sua fortuna, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca”... O restante da lição, o leitor poderá continuar a ler no livro codificado por Allan Kardec, em 1864.

A reportagem aludida nos mostra os necessitados catando alimentos jogados no lixo e os aproveitando para suas refeições diárias. Muitos desses alimentos, principalmente verduras, legumes e frutas estão apenas levemente amassadas ou começando a apodrecer. Devidamente recuperados em parte saciam a fome de milhares de pessoas.

Entrevistado, um dos trabalhadores do entreposto comercial respondeu a uma pergunta do repórter: – Qual a razão da não doação dos alimentos imprestáveis para os pobres? Fugindo à resposta, disse: – Não sei.

Lembrei-me, então, de outra lição, esta de Emmanuel o mentor de Francisco Cândido Xavier, inserida no livro “Religião dos Espíritos” página 207, que tem como título “Campanha na Campanha”- Edição FEB-1988.

Essa página se baseia na Questão número 886 CARIDADE E AMOR AO PRÓXIMO, do “Livro dos Espíritos”, codificado em 1857, que diz: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade como entendia Jesus?”

– Benevolência com todos, indulgência com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer todo o bem que está ao nosso alcance e que gostaríamos que nos fosse feito. Esse é o sentido das palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como irmãos”...

Como disse antes, a lição continua e prossegue dizendo que “a caridade, para Jesus, não se limita à esmola. Ela abrange todas as relações com nossos semelhantes, sem inferiores, iguais ou superiores”...

Quanto à página mencionada, “Campanha na Campanha”, vejamos um pequeno trecho:

“Campanha”, além de outros significados na sinonímica, pode também figuradamente expressar “esforço para conseguir alguma coisa”.

Possuímos, desse modo, campanhas múltiplas no terreno da solidariedade, como simples dever; todas, porém, rogando a campanha da indulgência no âmago de si mesma.

Ouçamos, assim, o que nos diz semelhante campanha íntima:

• Ergue um lar que recolha os infortunados da via pública; entretanto não expulses do coração as vítimas do mal, para que o mal não as aniquile.

• Estende o prato reconfortante ao faminto; contudo, não te falte apoio moral para os sedentos de compreensão.

Estes são apenas dois dos treze elevados pensamentos constantes nessa maravilhosa e educativa (como sempre) obra ditada por Emmanuel ao nosso Francisco Xavier.

A leitura constante dos três livros mencionados nos trará, certamente, condições de entender a humanidade num todo. E, quando tomarmos conhecimentos de tragédias que se desenrolam em todo o mundo, nos lembraremos que nos encontramos em um estágio evolutivo ainda bastante precário. Um dia começaremos a sair deste período de expiação e provas e ingressaremos na etapa seguinte que é o mundo em regeneração. É evidente que isso não se dará como num passe de mágica. Os sinais serão imperceptíveis e serão poucos os que notarão a diferença. Provavelmente, as guerras serão em menor número; o analfabetismo e a fome começarão a ser erradicadas e os homens começarão a se respeitar uns aos outros...

Esses e outros sinais levarão talvez um, dois ou mais séculos para serem notados, mas, certamente começarão.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

MILAGRE OU APENAS UMA COINCIDÊNCIA?

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Uma foto incrível tornou-se uma mensagem de fé na cidade de Córdova, (em espanhol: Córdoba) município da Espanha fundada pelos Romanos no ano 152 a.C. com população de 319.692 habitantes. Ela foi tirada no batismo de Valentino Mora, filho de Erica, uma mãe solteira de 21 anos, que pediu à fotógrafa que tirasse de graça a foto de seu filho. Córdova é uma cidade média, com um núcleo antigo que foi declarado Património da Humanidade pela Unesco. A cidade viveu uma grande transformação urbana com o enterramento dos caminhos de ferro e a integração do rio Guadalquivir na vida da cidade, uma construção longamente desejada. A cidade é um centro de comércio, muito ligado a produtos agrícolas, nomeadamente à azeitona e aos citrinos, mas também a produtos industriais, como a cerveja, a maquinaria e os têxteis. Em meados do século IX era a cidade mais povoada do mundo, e uma das primeiras a ter iluminação pública.
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A foto do batismo de Valentino Mora está varrendo a internet, porque na hora em que o padre derrama a água benta sobre sua cabeça, ela escorre no formato de um terço. Esta história começou na Paróquia de Nossa Senhora de Assunção em Córdova, Espanha, onde o batismo do bebê de um mês aconteceu. Na hora em que Valentino foi a pia batismal para o sacramento do batismo, Erica pediu à fotógrafa Maria Silvana Salles, contratada por outros pais que estavam batizando seus bebês, que tirasse a foto de seu filho como um favor, já que a jovem mãe não tinha como pagar por ela. A fotógrafa, tocada pelo pedido de Erica, concordou em tirar a foto de Valentino.
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Maria Silvana trabalha com câmera tradicional e teve que enviar o filme para ser revelado numa loja em Córdova. Quando ela recebeu as fotos, notou com surpresa que a água derramada da cabeça de Valentino era um terço perfeito. A foto do batismo de Valentino fez nascer a fé no povo de Córdova, que vai até a humilde casa de Erica e Valentino para tocá-lo. Moradores da cidade e de outros lugares próximos vão à loja de Maria Silvana comprar a foto como se fosse um santinho. O que pensa o leitor? Milagre existe, ou foi simplesmente uma coincidência essa foto tirada no batismo desta criança?
(ES)

quarta-feira, 21 de julho de 2010



Devo reconhecer que se obtive certo renome na imprensa brasileira, mesmo meteórico, é graças ao Estadão, que me possibilitou a elaboração da série de reportagens vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo. Comecei bem jovem no Estado. Fazia menos de seis meses que eu trabalhava no bi semanário News Seller, já preparado para se transformar no Diário do Grande ABC, – quando o telefone tocou. Acredito que foi o jornalista Alberto Floret quem atendeu e me chamou, dizendo que era do Estadão. Os outros jornalistas, na redação àquela hora, Lázaro Campos e Eulina Cavalcanti – esta, editora do suplemento feminino e de artes e literatura – se entreolharam, como a perguntar: que o Estadão deseja com esse foquinha? – palavra usada para identificar o novato em jornalismo.
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Do outro lado da linha, o economista José Paschoal Rossetti. Solicitava meu comparecimento à sucursal do Estado, em Santo André, para nós dois conversarmos. No dia e hora marcados eu já me encontrava lá. Paschoal, um homem de menos de 30 anos, não muito alto, cabelos enruivados, logo pediu para eu entrar em uma pequena sala, com duas máquinas de datilografia e um aparelho de telex (foto acima, a esquerda) – o mais moderno meio de comunicação da época, 1968. De imediato, falou de seus planos. Precisava de um jovem literato, em início de carreira de jornalismo, que aceitava ser treinado. Teria registro na carteira de trabalho como repórter de setor. Aceitei no ato e ele, então, me passou um release do serviço de Imprensa da Prefeitura de São Bernardo, sob o comando de Fernando Leça, para que eu lesse e reescrevesse, se necessário. Saiu, dizendo voltar em poucos minutos.
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Realmente, logo ele retornava e eu já tinha preparado o material. Ele leu o que escrevi e também o release, e me deu a primeira lição: nunca reescreva o que está bem escrito, ensinou, referindo-se ao texto do release, que, em sua opinião, não exigia muitas mudanças. Fui aprovado e comecei no Estadão, sem deixar de trabalhar no News Seller que, no mês seguinte, em maio de 1968, passaria a ser Diário do Grande ABC. Descobri depois ter sido o crítico de arte Enock Sacramento quem me indicou ao Paschoal Rosseti. Enock me conhecia de trabalhos literários feitos meses antes e publicados no suplemento do News Seller. Ele contava com o apoio de outro crítico, J. A. Pereira da Silva, o Zé Armando.

Na sucursal do Estadão tive, ao longo do tempo em que lá trabalhei, a companhia do velho amigo Jayme Zerrenner, descendente de alemães, e um ótimo fotógrafo. Nessa época, auge da ditadura militar, quando Zerrenner percebia minha dificuldade em obter uma entrevista, ele falava bem alto: Já que é assim, vamos embora, capitão. E, eu, já orientado: Sim senhor, meu coronel. As pessoas, assustadas por acharem estar diante de dois oficiais militares, de uma hora para outra se dispunham a conceder a entrevista e fornecer todas as informações necessárias para a elaboração de reportagem. Zerrenner morreu com mais de 90 anos de idade, de câncer na garganta. Morreu esquecido.
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Com Paschoal Rossetti, não nego, aprendi a escrever para jornal, a fazer uma abertura de no máximo sete linhas resumindo a reportagem. Durante quase um ano, todos os dias, ele copidescava meus textos. Uma vez, cheguei à redação e a lauda estava intacta, sem nenhum rabisco, nenhuma mudança no texto. Entrei imediatamente em contato com o Paschoal e perguntei-lhe se ele não iria vir à redação para ler a reportagem, antes de ser enviada para a Matriz, em São Paulo, via telex. Ele, ao telefone, deve ter sorrido, ao me informar que lera minha reportagem e não modificara nada porque eu havia atingido o ponto alto por ele desejado. Nesse dia, lembro-me, bebi, bebi como nunca. Alguns desafetos comunicaram ao Paschoal, no dia seguinte, sobre a minha bebedeira. E ele, quando chegou à redação, em vez de me criticar, me elogiou, revelando que se fosse ele, na minha idade, também teria comemorado com uma homérica bebedeira.

Tendo Zerrenner sempre ao lado, e sob a orientação de Paschoal Rossetti, praticamente dissequei a alma dos sete municípios integrantes da região industrial do ABC Paulista. As reportagens falavam do início do surgimento de favelas ao concreto do Paço Municipal de Santo André; dos meninos sob o sol das últimas olarias ao criador de faisões; do cinza da fumaça das chaminés das indústrias ao cultivador de rosas e árvores de Natal; do Velho Caminho do Mar às modernas técnicas da abertura da rodovia dos Imigrantes: do japonês que cuidava de carpas à violência que começava a marcar o ABC; do movimento e do barulho das cidades à tranquilidade nevoenta do distrito de Paranapiacaba, a Vila Inglesa e seu quase desconhecido Instituto Botânico, com árvores raras e animais ainda selvagens. Enfim, com essas reportagens, buscava-se traçar um panorama de como era o ABC e na megalópole em que estava se transformando. Ao Jayme Zerrenner e ao mestre José Paschoal Rossetti deixo aqui minha homenagem, simples, mas saída de um coração sincero.

Quando, em fins de 2003, me informaram da doença, fiquei transtornado e manifestei esse meu transtorno em uma espécie de carta que escrevi para enviar para amigo, mas jamais o ele tomou conhecimento desse meu desabafo. O texto, na integra:
Ainda penso que estou no meio de um sonho, um sonho muito ruim. Já faz dez dias que pisei no Hospital do Câncer pela primeira vez. E cada vez que saio de lá venho carregado de uma espécie de angústia, uma dor que não sinto, mas que machuca por dentro. Vejo as pessoas com grandes cicatrizes no pescoço, algumas deformadas, outras respirando por aparelho e corre em minhas veias uma lenta agonia.

Lembro-me, há muitos anos, o Ricardo Kotscho foi encarregado de fazer uma reportagem sobre o câncer. Depois de muitas entrevistas, o Ricardo saiu com esta: “Viver dá câncer”. Isso porque, na opinião dos especialistas, tudo o que o ser humano fazia poderia provocar o câncer. Ainda recentemente, outro Ricardo, o Hernandes, então assessor da General Motors, teve câncer no rosto. Uma coisa terrível. A única coisa que pude fazer foi prestar a minha solidariedade e escrever um texto que ele achou muito divertido.

Hoje, mal posso acreditar que estou me submetendo a uma bateria de exames preparatórios para uma cirurgia que vai cortar meu pescoço e minha boca. De acordo com o cirurgião Mauro Ikeda, que irá comandar a equipe responsável pela minha operação, após a cirurgia, se tudo correr bem, ficarei dez dias em recuperação no hospital e mais quinze em casa. Depois, então, é que serão retirados os aparelhos e, talvez, os pontos. A seguir, virá a quimioterapia ou radioterapia – ainda não está definido o tratamento.
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Estou escrevendo isso mais para me aliviar um pouco. Não consigo falar com ninguém sobre o assunto. E, depois de operar, não quero receber visitas – tenho horror à comiseração. De resto, meu amigo, sofro mais porque não creio, de coração, em alguém que possa me ajudar. Fico, então, a admirar as pessoas simples, que têm fé e, em sua simplicidade, conseguem a cura por milagre. Mas, num ato de desespero, tento dizer que tenho fé. Mas Ele sabe que não. Mesmo assim, peço a Sua ajuda.
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Na próxima quarta-feira, o décimo quinto capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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terça-feira, 20 de julho de 2010


@MIGOS!



Hoje não é um dia qualquer. É o Dia do Amigo! Dedicado àquelas pessoas que queremos bem e que fazem parte de nossa vida de maneira relevante. Pois quero dedicar meu pensamento melhor e mais caloroso aos amigos e amigas que fiz, nos últimos tempos, através da Internet. São os @amigos e @amigas virtuais. De muitos não conheço nem a aparência, já que a sua imagem não aparece nos comentários feitos em meu blog e no do Edward. Porém, de igual maneira dedico-lhes meu carinho e gratidão pelo apoio, gentileza, cordialidade e parceria com que tenho sido distinguida, nesse tempo de convivência profícua e altamente compensatória.

E o elo que nos une é a amizade, palavra linda originada do latim, amicus, amigo, que possivelmente se derivou de amare, amar. Faz sentido!

Normalmente, a amizade é um relacionamento humano que envolve conhecimento mútuo e afeição, além de lealdade que chega ao altruísmo. Por isso, exige proximidade. Mas nós, @amigos e @migas do blog, comungamos de um tipo especial de @mizade que, mesmo na distância, nos une, porque nasceu e cresceu como um sentimento de cooperação na livre e democrática discussão de idéias, objetivando o bem comum.

E por conversarmos todos os dias, fomos nos conhecendo e reconhecendo melhor...Ah! Conheço-os todos, tão bem! Conheço-os todos porque sei o que se passa em seus corações, sempre ávidos de informação, conhecimento, transformação, numa busca incessante, que nunca há de acabar...

Dessa conversa diária foi nascendo a afeição, o carinho, a necessidade cada vez maior da palavra que se traduz em arte da comunicação, cantada e louvada por todos, em uníssono. Sim, nós somos os amigos nascidos da moderna comunicação, que gerou proximidade e afeição através da máquina que encurta espaços e abre novos caminhos!

Sim, para selar nossa amizade, construímos pontes virtuais e nossas mãos, guiadas pelo desejo intenso de proximidade, produziram o milagre!

E aqui estamos nós, diariamente, trocando idéias, opiniões, concordando e discordando, rindo e chorando, brincando e falando sério – cada um partilhando e compartilhando o que tem de melhor a oferecer!

Espero, sinceramente, que a corrente construída por nossas habilidosas mãos não tenha fim e os seus elos dourados se mantenham permanentemente juntos, por força da amizade que fomos capazes de granjear e dividir.

FELIZ DIA DO AMIGO!
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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão em Interface Ativa!. Dê uma espiadinha em http://niviaandres.blogspot.com
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segunda-feira, 19 de julho de 2010


CADA POVO TEM O

GOVERNO QUE MERECE


Depois de um período de descanso forçado, volto a “escrevinhar” neste espaço gostoso.

Fiquei longe desta máquina por algum tempo. Por recomendação médica e sob a vigilância constante de minha esposa, o micro ficou distante dos meus dedos e de meus olhos.

Hoje, finalmente, aqui estou. Leio com sofreguidão as matérias postadas. Como sempre, escritos inteligentes e pertinentes ao que estamos vivendo atualmente.

“O Orgulho de ser Brasileiro”, da Nivia, “Juventude, Poder e Glória”, do Edward e “Os Psicopatas da Tecnologia”, do Saldanha. Os comentários que se sucederam sobre cada um desses artigos foram todos de alto nível.

De certa maneira, todos eles se referem à má educação e a falta de cultura de nosso povo. Um fato que devemos lamentar ainda por muito tempo.

As pessoas se queixam dos governos federal, estadual e municipal, mas não conseguem enxergar ou sentir que a culpa é de cada um de nós.

Como disse a Nivia, não nos lembramos em quem votamos nas últimas eleições. O povo brasileiro é completamente despolitizado e irresponsável quando se trata de atender aos interesses do próximo. Não existe o mínimo de ufanismo.

Durante a copa de futebol realizada na África, como em todas as outras, verificamos a postura de nossos jogadores quando da execução dos hinos nacionais. Alguns fingem cantar e outros deixam a desejar quanto à maneira de se comportar.

Parem durante alguns instantes em uma rua qualquer de nossas grandes, médias e pequenas cidades e verifiquem “in loco” que o desrespeito às leis e regulamentos que protegem o cidadão são comuns a todo instante.

Em minha cidade (Mongaguá), há uma excelente ciclovia. Muitos ciclistas fazem questão de transitar fora dela e ainda o fazem com um olhar de desafio. Se qualquer cidadão chamar a atenção do faltoso certamente estará correndo o risco de ser agredido!

Pessoas dirigindo falando ao celular, com crianças no banco da frente quando não no colo do pai ou da mãe.

Os limites de velocidades são desrespeitados e são muitos os acidentes horríveis que acontecem, todos os dias, em nossas estradas.

Estacionamento em guias rebaixadas e sobre as calçadas...

A população brasileira não conseguiria suportar a uma “tolerância zero” aplicada em algumas cidades norte-americanas.

Mas, a indiferença é muito maior quando se trata de procurar e pesquisar sobre candidatos aos cargos eletivos deste país. Há muito corporativismo quando, na verdade, o interesse maior deveria ser o bem estar geral.

Votamos em corruptos (políticos venais) por desconhecer o passado deles ou simplesmente por interesses escusos e egoísticos (lembram daquele deputado que ganhou na Mega Sena mais de 200 vezes? Os Sarneys da vida?)

A mídia implacável despeja um monte de asneiras todos os dias. E o povo, por falta de visão cultural, deixa-se levar, ignorando que se transformaram ou se transformam em mera mercadoria.

“A mediocridade é um fato consumado na sociedade onde o ar é depravado” (trecho da música “Caixinha, Obrigado!" - Juca Chaves).

Nas matérias de meus amigos mencionadas no início deste artigo verifica-se que a luxúria, a ignorância, o consumismo exacerbado, a inveja entre outros defeitos morais, são a causa de todos os nossos males. Como mudar isso?

Com a resposta, os leitores deste já consagrado blog.

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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