domingo, 13 de junho de 2010

TORCER CONTRA O SEU PRÓPRIO PAÍS?

ISSO JÁ ACONTECEU NA
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AMÉRICA DO SUL

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Políticos, de todas as correntes, no mundo todo, em todos os tempos, sempre procuraram tirar proveito dos esportes para seus objetivos, principalmente de promoção pessoal. Eles não suam a camisa, mas pegam carona no sucesso dos atletas, dividindo e até assumindo as glórias como se tivessem sido decisivos para isso. Não espanta, portanto, que a Seleção Brasileira, tanto na ida como na volta (nesta última em caso de vitória) tenha que passar por Brasília para o beija mão do presidente, na rampa do Palácio do Planalto. Não pensem os jovens que isso é novidade do Lula. Todos os presidentes, em todas as Copas, exigiram isso.
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Durante as ditaduras militares no Brasil e na Argentina isso chegou a extremos insuportáveis. Aqui, tivemos um técnico que durou pouco no cargo. Foi o jornalista, que já morreu, João Saldanha (primo em segundo grau da minha mãe, da cidade de Caçapava do Sul (RS) e ex-colega de redação em O Globo (Rio) e amigo do meu irmão, Rubem Mauro (que já escreveu com sucesso aqui no blog). João Saldanha era comunista assumido, de carteirinha, e nem sei em que circunstâncias foi colocado no posto de técnico da nossa Seleção em plena ditadura, governo Emílio Médici. O Médici, gaúcho de Bagé, era torcedor do Inter (oh azar!) e inventou que o Dadá Maravilha tinha que ser escalado. Saldanha respondeu, pela imprensa: “O presidente escala o ministério dele. A Seleção escalo eu”. Furioso, o ditador deu ordens para a demissão sumária de Saldanha. E Médici acabou escalando a Seleção, como desejava. Na ditadura eles podiam tudo, e mais um pouco.
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Pouca gente hoje lembra, mas nas Copas de 1970 (no México) e 1974 (na Alemanha, onde eu estava), muitos brasileiros e argentinos torceram contra seus próprios países. Alguns abertamente, outros de forma velada, como foi meu caso, porque tinha que fazer meu trabalho como jornalista. Sei que hoje fica muito difícil para as novas gerações o entendimento disso. Fica difícil também para quem é daquele tempo, mas vivia alienado. As práticas das ditaduras e o combate a elas levaram Brasil e Argentina a radicalismos extremos. As duas ditaduras buscaram no futebol a capitalização da simpatia que lhes faltava nas ruas. Foi tão agressiva a apropriação do futebol pelos tiranos, incluindo-se nisso hinos ufanistas, que não sobrou alternativa aos opositores, tanto armados como pacifistas: a vitória dessas seleções seria prejudicial às lutas pela redemocratização do Cone Sul. Porque a vitória nas Copas, tanto no Brasil como na Argentina, se inseria numa estratégia de manipulação das massas, que passariam a ser conduzidas, além da força, também pela ilusão e fantasia.
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Não era fácil. Desejar a derrota do seu time de futebol exigia um esforço supremo e luta contra seus sentimentos mais naturais. Contudo, era necessário. O que é preciso entender é que o país não vivia a normalidade. Não havia eleições; a censura à imprensa imperava de forma abusiva e autoritária; as garantias individuais, inclusive o instituto do Habeas-Corpus, estavam canceladas. A polícia política podia até invadir domicílios e instituições privadas sem mandado judicial. As pessoas, com ou sem culpa provada, como foi meu caso e do meu irmão, também jornalista e escritor, eram presas e mantidas incomunicáveis. Tudo era controlado, até os inquilinos dos prédios, que tinham que preencher fichinhas distribuídas e examinadas pelo Deops.
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Resumindo: a gente vivia num estado de guerra interna, com fortes reflexos e consequências também internacionais. Aceitar o futebol a serviço da ditadura seria avalizar sua ilegitimidade. Nada se podia fazer contra isso. A única alternativa era desejar que seus objetivos não fossem alcançados. Usando o futebol como fenômeno catalisador de apoio popular, a vitória no mundial era de vital importância para os regimes autoritários. Não foi diferente também no Chile, durante o tenebroso período Pinochet. Lá, do mesmo modo, muitos chilenos de índole democrática foram induzidos a torcer contra seu próprio time nacional.
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No Brasil, até onde se sabe, isso nunca ultrapassou os limites dos gramados dos estádios. Na Argentina foi diferente. Querendo a Copa do Mundo a qualquer preço, a ditadura então lá vigente, em 1978, financiou o escândalo da compra dos juízes e de todo o time do Peru, que a Argentina tinha que vencer de goleada para garantir sua classificação. Aquele jogo, que assisti inteiro e sem acreditar que pudesse ser verdade, chamar de escândalo foi muito pouco. Se a Fifa fosse uma entidade séria teria cassado aquele título da Argentina.
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Hoje, com todos os defeitos do nosso governo, que não são poucos, jamais alguém poderá afirmar que não vivemos numa democracia plena. Ufa, podemos torcer pela nossa Seleção sabendo que isso será bom para elevar a auto-estima do povo, com reflexos naturais até na Economia, como já é comprovado por índices do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Torcer felizes e de consciência tranquila, ainda que alguma exploração política seja inevitável. Melhor será, pelo menos, para os nossos corações, sem saudades desse passado tão recente e tão triste. Só que não sentir saudades é diferente de esquecer. A História não pode ser apagada. Suas lições, de alguma forma, sempre ajudam o mundo a ser melhor.
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*Milton Saldanha é jornalista e escritor.
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ACERTE O PLACAR DO JOGO ENTRE BRASIL E COREIA DO NORTE, QUE SERÁ REALIZADO NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA, DIA 15 DE JUNHO, E GANHE UMA CAMISA OFICIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA. O GANHADOR RECEBERÁ O BRINDE EM SEU ENDEREÇO, VIA SEDEX, SEM NENHUMA DESPESA. UM PALPITE APENAS CADA PARTICIPANTE. CASO TENHA MAIS DE UM ACERTADOR, SERÁ FEITO SORTEIO PARA SELECIONAR O GANHADOR. OS PALPITES PODEM SER DADOS NOS COMENTÁRIOS DAS CRÔNICAS POSTADAS NESTE BLOG, SOBRE A COPA DO MUNDO.
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Resultados deste domingo (13/06/2010) na Copa da África do Sul. Confira os três jogos, com destaque para a goleada da Alemanha, a primeira do Mundial:
Eslovênia 1 x Argélia 0
Gana 1 x Sérvia 0
Alemanha 4 x Austrália 0
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sexta-feira, 11 de junho de 2010

SÁBADO, 12 DE JUNHO DE 2010

BRASIL E ESPANHA

SÃO FAVORITOS NA ÁFRICA


O assunto do momento é a Copa do Mundo da África do Sul. E não há como deixar de escrever neste blog sobre o maior evento futebolístico do mundo, cuja festa de inauguração é hoje, na África do Sul quando a bola vai rolar, com o país anfitrião estreando contra o México. As duas maiores atrações deste jogo não vão estar no gramado. Infelizmente, Nelson Rolihlahla Mandela, um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999, principal representante do movimento antiapartheid e considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade, não poderá estar presente para torcer pela África do Sul contra o México porque um acidente de trânsito tirou a vida de sua bisneta, ontem à noite. Mas, no banco da seleção da África, estará a outra atração, o brasileiro Parreira, técnico campeão do mundo pelo Brasil, com a difícil missão de realizar um bom campeonato à frente deste selecionado africano.

O grande problema de nossa seleção canarinho não é a falta de craques, o peso de Kaká, a ausência dos Ronaldos e dos “moleques” do Santos nem a deselegância discreta de Dunga. Nosso maior problema até agora, pasmem, é a bola que a Fifa adotou para a Copa do Mundo da África e que os jogadores verde-amarelo classificam desde ”sobrenatural” a bola de supermercado” . A “redondinha”, chamada Jabulani, que no idioma do povo sul-africano zulu, significa “celebrar”, vem sendo o foco de todas as fofocas e aborrecimentos da seleção brasileira.

Julio César, titular do gol brasileiro só faltou botar fogo na coitada depois de denegrir sua imagem, chamando-a de “jaburu” - na linguagem popular, jaburu é sinônimo de mulher feia.

A Fifa já falou: não vai mudar a bola até mesmo porque ela já foi testada em outras competições e os fabricantes esmeram-se em citar as bondades de seu novo produto, entre elas o total isolamento da água, os pequenos buracos talhados como numa bola de golfe que ajudam a sustentação e a menor quantidade de gomos de couro o que segundo ainda a Adidas aumenta a velocidade e diminui o atrito.

Quem acompanha Copas do Mundo sabe que essa crítica às bolas não é nova. Sempre que é utilizada uma bola diferente da que vinha sendo usada nas copas anteriores os jogadores estrilam e lançam críticas. E não deixam de ter sua razão. Acostumados por anos a fio a um tipo de bola que reage de uma maneira a cada chute, de repente em menos de um mês tem de aprender as novas manhas que a bola estreante traz e isso provoca rejeição imediata.

Na realidade por mais importante que seja no futebol, a bola ainda é um detalhe. Nenhum craque deixou de ser craque porque lhe mudaram a bola e essa chiadeira fica com cara de uma desculpa antecipada para um eventual fracasso, o que não convence, pois afinal todas as seleções vão usar a mesma bola. Logo se ela é ruim para o Brasil é igualmente ruim para todos os outros.

Kaká, parece-me, deu um jeito, até porque joga no time da Jabulani e não ficaria bem para ele fazer parte desta polêmica. Beijou a bola e colocou uma pedra sobre o assunto, mesmo contrariando alguns companheiros, críticos ferozes da “redondinha” fabricada pela empresa alemã.

Abandonando este assunto, vamos falar um pouco das chances das seleções nesta Copa da África, começando pelo Brasil. Assisti aos dois últimos amistosos de preparação da nossa seleção. O Brasil está mais duro e mais compacto, com um estilo pouco brasileiro e muito europeu, mas não me convenceu seu último amistoso contra a fraca seleção da Tanzânia, apesar de ter vencido por 5 x 1. A partida apresentou dois pontos, um negativo e outro positivo. Primeiro, chamou atenção a fragilidade da defesa pelo lado esquerdo, com Felipe Melo, Michel Bastos e Juan sendo envolvidos pelo fraco ataque rival. No entanto, Kaká jogou a partida inteira e, mesmo não tendo uma grande atuação, mostrou evolução, principalmente no segundo tempo. Ainda longe das suas melhores condições, já que vem de uma lesão muscular na coxa esquerda, o craque do Real Madrid foi bem mais ativo no jogo do que na partida anterior, contra o Zimbábue. Se daquela vez ele ficou 45 minutos em campo e pouco fez na vitória brasileira por 3 x 0, nessa ele jogou o tempo todo, deu bons passes, arrancou e balançou a rede. Assim, entendemos que a nossa seleção precisa de Kaká para tentar mais um título mundial e vamos torcer para que se recupere totalmente e volte com tudo para o jogo de estréia, dia 15, contra a Coreia do Norte, seleção que insiste em esconder o jogo, negando-se a cumprir a exigência de conceder entrevistas coletivas e contrariando determinação da Fifa. Bom ficar de olho no jogo de estréia do Brasil. A Coreia é uma incógnita.

A Espanha, atual campeã da Eurocopa, é uma seleção muito perigosa, que joga um futebol rápido e envolvente. O time de Vicente Del Bosque é um dos favoritos para ganhar a Copa. Nas casas de apostas da Europa, a Espanha também é a favorita para ganhar o título, com média de 5,4 euros para cada euro apostado, seguida por Brasil (6,2), Inglaterra (7,8), Argentina (8,8), Holanda (13), Alemanha (15), Itália (15,5), França (21), Portugal (32) e Costa do Marfim (38). Ou seja, pelo levantamento feito, poderia se dizer que Espanha, Brasil, Inglaterra e Argentina seriam as 4 seleções finalistas da Copa do Mundo de 2010. Isso quer dizer que dessas 4 seleções, 2 delas estariam disputando o 3º e o 4º lugares no sábado dia 10 de julho. As outras 2 decidiriam o título no domingo, no dia 11 de julho, em Johanesburgo, às 15h30 (horário de Brasília). Mas não podemos nos esquecer da Itália e da Alemanha, que ninguém leva em conta, mas que jogaram muitas finais e chegam sempre entre as quatro primeiras. Depois, temos também a Holanda, com ótimos valores individuais, e ainda pode haver uma surpresa africana, tudo é possível, com a experiência em copas de seu treinador, o brasileiro Parreira.

Os 23 jogadores brasileiros, mais o técnico Dunga, estrelas principais do grande festival da bola, serão premiados pela CBF para conquistar o hexa, fora o que poderão faturar em publicidade, novos contratos e presentes. Para levantar o caneco na África, a grana oferecida gira em torno de R$ 1 milhão para cada jogador, acreditem! E pensar que na Copa de 1950 o prêmio pelo vice foi uma medalha prateada, que Zizinho, um dos agraciados, disse certa vez ter enferrujado com o tempo.

Enfim, a sorte está lançada, a Copa da África do Sul vai começar. Acendam a fogueira, segurem o rojão da tremedeira, preparem um suco de maracujá para aliviar o pipocar do coração. Ver para crer sem fazer vista grossa ou acender uma vela a Deus e outra ao diabo para esconjurar Coreia do Norte, Portugal, Argentina, Espanha, França, Itália, México, Alemanha, África do Sul, todos os adversários que podem levar a taça. Que venha o touro, vamos dançar o tango e torcer pelo Brasil!
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*Edward de Souza é jornalista, radialista e escritor.
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Dois Jogos realizados sexta-feira (11) e outros três neste sábado (12) pela Copa do Mundo na África do Sul. Confira os resultados de sexta-feira:
África do Sul 1 x México 1
Uruguay 0 x França 0
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Resultados deste sábado:
Argentina 1 X Nigéria 0
Inglaterra 1 X EUA 1
Coreia do Sul 2 X Grécia 0
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

PARABÉNS, JOÃO BATISTA!
Hoje, 10 de junho, é o aniversário de nosso colaborador
e amigo, João Batista Gregório!

A você, JB "Barrios", nosso carinho e desejo de muita saúde, harmonia, sucesso e felicidades, sempre!


D O. A M O R. E. D E. A M A R.

A PRIMEIRA NAMORADA


Conheci Celina, minha primeira namorada, numa quermesse (festa de Igreja) de Santo Antônio. Tínhamos uns 15 anos, só que ela aparentava mais, pois era um mulherão, linda de morrer! Quase não acreditei que estivesse me paquerando. Percebi que ela estava fumando e mandei alguém entregar a ela um maço de cigarros Minister, onde escrevi o número de meu telefone. Ela mandou o maço de volta, com seu número também. Eu era tão tímido que esperei ela ligar primeiro

Além de tímido, era ingênuo também. Antes de nosso primeiro contato intimo, ela me alertou que já não era mais virgem pois, quando pequena, "machucara-se" ao pular uma cerca de bambus. Acreditei piamente e dei graças ao bambu e a partir daí, rolou nossa paixão que durou dois anos.

Não há mal que sempre dure e nem bem que não se acabe... e o meu namoro com a Celina , para minha tristeza, uma noite se acabou e de uma forma cômico/trágica. Como já disse em outra ocasião, sempre gostei de bailes e dançar era a minha diversão preferida.

Os chamados "Bailes Havaianos" de hoje, nem de longe fazem lembrar o charme e a importância que tinham esses eventos para nós, adolescentes dos anos 70.

Eram anuais, sempre em Setembro e a preparação começava semanas antes com a confecção dos colares multicoloridos (de papel crepom) e das roupas que, obrigatoriamente tinham que ser a camisa solta, estampada com calças brancas para os homens e os "sarongs" para as mulheres.

Naquele ano de 1971, o Baile aconteceria na sede social do Palmeiras. Minha prima, costureira, havia confeccionado para mim uma camisa estampada de azul com flores brancas e uma calça de cambraia de linho branca bem apertada e com boca de sino (era moda na época).

Iríamos a pé até ao clube, pois o carro era meu guarda-chuva. Há dias estava com problemas intestinais, uma diarréia que remédio nenhum curava e mesmo assim fui, pois já tínhamos a mesa comprada e roupas prontas.

Saí de minha casa por volta das 22 horas para apanhar a Celina e na subida do morro da Canjica, a vontade apertou: comecei a andar depressa mas não deu para segurar...

Que desespero, meu Deus! Voltar para casa não podia pois já estava longe. Chegar até a casa da namorada, nem pensar!

Lembrei-me que minha prima, a costureira, morava bem perto e corri para lá mas ninguém atendeu à campainha. Pulei o muro e fui até o quintal. Enchi de água o tanque de lavar roupa, tirei a roupa e lavei-me com um sabão de cinzas que encontrei.

A calça branca estava completamente perdida e fiquei ali, pelado, tremendo de frio, esperando ela chegar, o que demorou umas três horas. Levou-me para casa e como já era tarde e nem roupa havaiana tinha mais, fui dormir.


No outro dia soube que a Celina, fula da vida, foi ao baile, com alguns amigos. Dançou a noite toda e lá conheceu aquele que veio a ser seu futuro marido. Até hoje ela não sabe o motivo do meu cano, mas se chegar a ler esta crônica, vai ficar sabendo... quase quarenta anos depois!

Pois é, a primeira namorada a gente nunca se esquece...nem a primeira "dor de barriga"...

Meio difícil associar alguma receita a essa crônica mas vou postar um bolo de fubá delicioso, em homenagem a Santo Antônio.

BOLO DE FUBÁ: 4 ovos; 1 copo grande de leite fervendo; 1 pitada de sal; 2 copos de açúcar; 1/2 copo de óleo; 1 copo de fubá mimoso; 1 copo de farinha de trigo e 1 colher (sopa) de fermento em pó. Bater as claras em neve, misturar as gemas e acrescentar os demais ingredientes, aos poucos, misturando bem. Assar em forma de buraco no meio, untada com margarina e farinha. Depois de assado, espalhar açúcar e canela por cima. Se gostar, acrescentar um pouco de erva-doce na massa.

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*João Batista Gregório, 57, paulista de São João da Boa Vista, é cronista de mão cheia. Publicou, em 2009, suas crônicas reunidas em Crenças e Desavenças e já prepara um novo livro, a ser lançado em breve. Para conhecer a sua produção, acesse o blog do JB, cheio de histórias divertidas, onde cada crônica pitoresca acaba com uma receita culinária especial, testada e aprovada! Clique no endereço abaixo e delicie-se! http://contoscurtosgrandesreceitas.blogspot.com/
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Leiam, a seguir, a crônica de Nivia Andres, especialmente
para a Série D O. A M O R. E. D E. A M A R.

DO AMOR E DE AMAR


Do amor e de amar se fala muito e se faz pouco.

Do amor e de amar se mercantiliza o sentir.

Quando se quer bem o melhor presente é o do apreço, aquele que não tem preço, nem forma, mas é perfeito em sentimento, brilho, luz e cor.

Quando se quer bem o melhor presente é o respeito, o cuidado, a consideração que somados querem dizer amor, significam vida e plenificação do Ser que somos.

Amar pode dar certo, só impõe uma condição essencial – a disponibilidade. Por sermos tão indisponíveis, tão centrados, tão egoístas, jogamos fora oportunidades para conhecer e viver o amor. Podemos até conhecê-lo, mas se continuarmos focados no Eu jamais chegaremos ao Nós, porque desconsideramos o Tu.

Amar é sinônimo de compartilhar, dividir, com-por, com-prazer, com-pactuar, co-habitar, contribuir para a realização do outro, sem cobrar o investimento, que vem em dobro em sentimento.

Amar é uma arte que a poucos é dado saber o segredo. O amor que vive e sobrevive para sempre é acompanhado permanentemente por respeito mútuo, admiração, cordialidade, gentileza, companheirismo, entrega, superação, aceitação. Senão, não é amor.

Por isso, o amor é raro.

Por isso, o amor é caro.

Por isso o amor é tão procurado – tarefa para a vida inteira, porque de construção lenta para ser duradouro. É como uma jóia artesanalmente lapidada, por mãos inspiradas. Mãos que amam tanto quanto a alma e o corpo amam.

Por ser tão raro, o amor dificilmente é reconhecido e facilmente é confundido.

Amar não é ser proprietário de quem se ama. Amar não impõe regras nem proibições. O amor não aprisiona nem acorrenta. Por amar não se manda conta ao parceiro, cobrando pelo sentimento, pela dedicação, pela companhia.

Se a recíproca não existe se desfaz a sociedade. É isso que comumente não aceitamos. Amar não se conjuga no singular. Somente no plural. A rejeição nos faz sofrer e perder as fronteiras da realidade. As tentativas, todas, são vãs quando só um ama. Essa percepção é dolorida mas necessária para que possamos manter a auto-estima, a dignidade e o respeito por nós mesmos, enquanto pessoas.

O Dia dos Namorados está chegando. Que tal reservar alguns momentos para refletirmos um pouquinho sobre a nossa maneira de ser no amor e no amar? Sempre é tempo para buscarmos transformação que qualifique o nosso bem-querer!

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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Para conhecer o blog da jornalista, acesse http://niviaandres.blogspot.com
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Depoimento de Garcia Netto-jornalista-radialista e escritor:

"Pode qualquer pessoa com sensibilidade, qualificar como glorioso o nível de um blog que obteve o privilégio de divulgar o último magistral trabalho de José Marqueiz. Não participo do pensamento que este ou aquele capítulo de sua narração, legado aos pósteros, tenha maior ou menor qualidade. O fato de ser publicado em uma série não divide em partes o todo de uma história, verdadeira, fiel, honesta, com o testemunho de muitos que partilharam com ele a coexistência. Marqueiz revelou antes de partir, suas qualidades profissionais, seu apego ao amor recebido e doado, aos prazeres da vida e seu desprendimento aos objetivos materiais. Não precisou de nenhuma ajuda para apontar suas mazelas que assumiu com independência, hombridade e altivez na obra literária que agora divide com todos nós. Como avaliar sua compunção do relato em “Memória Terminal”? Seria apenas um ato de coragem a desculpar-se com os mais próximos? Pode não ser somente isto. A grandeza de seu espírito pode ter atinado com a urgência nobre, - como era seu silencio e ausência de queixas - de passar mensagem de previdência com a sólida base de comedimento para o futuro. Como ninguém morre tendo aprendido tudo, estou aprendendo com Marqueiz".
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Deixei o Hospital do Câncer após vencer a primeira etapa do tratamento radioquimioterápico. Já havia emagrecido cerca de dez quilos e minha pele estava com uma cor pálida, ressaltada ainda mais com o olho esquerdo estático, devido à paralisação da face esquerda. Vim direto para casa. Minha mulher dirigindo o carro e eu deitado no banco traseiro, enfraquecido. O prazo para ficar em casa, só tomando medicamentos contra a dor na cabeça era de 21 dias. Depois, o retorno para a segunda etapa. Ao todo, cinco. Fiquei pensando quando se constatou, pela primeira vez, a existência do tumor.
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O médico Mauro Ikeda marcou a cirurgia para o dia 16 de dezembro de 2003, sem antes perguntar se eu não gostaria de passar as festividades do Natal e do Ano Novo e só depois passar pela cirurgia. Não hesitei e, ainda com receio, enfrentei com uma certa serenidade aquela situação. Essa operação, conforme me informaram depois, demorou onze horas, indo da manhã até a noite do mesmo dia. Do centro cirúrgico, me encaminharam diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneci por mais doze horas. Na UTI sentia estar amarrado dentro de uma jaula e transpirava de forma ardente, sem poder mexer as mãos, atadas justamente para paralisá-las e evitar o toque em algum ponto sensível.
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Quando me colocaram numa cadeira de rodas e me levaram para a parte externa da UTI, quem me aguardava era a Ilca, os olhos avermelhados, as pálpebras arroxeadas, não sei se de cansaço ou por haver chorado pela situação que eu enfrentara e continuava enfrentando. Ela tentava um diálogo comigo, mas, percebi, eu estava sem voz. Fiquei com receio de nunca mais poder falar. Horas depois fui levado para a enfermaria, me colocaram deitado em uma cama, onde permaneci imóvel, desta vez com receio de se movimentar e prejudicar a intervenção cirúrgica. Não demorou cinco dias e recebi alta, com um aparelho para facilitar a articulação da voz e de uma sonda, para poder ser alimentado com uma comida líquida, já industrializada, importada da Holanda.
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Menos de uma semana em casa, segui novamente para o hospital para medicação e retirada de alguns pontos. Só nos dias seguintes, é que retiraram a sonda. Comecei então a frequentar, diariamente, a fonoaudiologia e em poucos dias era dispensado. Passei um bom tempo só me alimentando com sopa ou outro tipo de alimentação líquida. Mesmo assim, três meses após a cirurgia, já voltara ao trabalho, fazendo reportagens para a revista Jornauto, especializada no setor automotivo. Sentia-me tão bem, que viajei inclusive para outros Estados brasileiros e, onze meses após a minha alta do hospital, embarcava para Buenos Aires, junto com a Ilca, para cobrir jornalisticamente uma feira internacional de autopeças. Nem podia imaginar uma recuperação tão rápida e comemorei, para espanto de minha mulher, tomando cerveja em demasia.
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Nos anos seguintes, 2005 e 2006, vivi e trabalhei normalmente. Ainda nos últimos meses de 2006, estava na redação do ABC Repórter, um novo diário que circulava nos sete municípios do ABC Paulista, sob a direção de Walter Estevam Júnior, um conhecido desde a década de 80. Sinceramente, não poderia reclamar de nada, até que comecei a sentir dificuldades em ouvir do lado esquerdo, justamente o local onde havia sido operado anteriormente. Perdi tempo, como já disse, com médicos que nada entendiam de câncer, e quando eu fazia correlação entre essa deficiência e a cirurgia, desdenhavam, alegando que eu estava paranóico.
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Agora, é que percebo como será longo e dolorido esse tratamento. Mas não posso esmorecer. Dizem para ter fé em um ser superior, capaz de me acalentar e me salvar. De que adianta eu fingir crer nesse todo poderoso. Estaria me enganando e vivo uma fase em que não pode haver engano. Nesses dias, nessas três semanas, período chamado pelos médicos de reservado para o repouso, pretendo mesmo direcionar meu pensamento para coisas belas, amenas, que possam me restituir o ânimo, a esperança, sim, a esperança de que um dia eu voltarei a ser um homem normal – e só agora é que sei da importância em ser normal!
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Lembrar o passado chega a fazer bem para uma pessoa com tempo ocioso obrigatório. O que me preocupa é a falta de dinheiro para a compra de medicamentos. Estou tomando cinco tipos de remédios, três vezes ao dia. Esse procedimento me prende o intestino e começo a sentir cólicas constantes, que me irritam e me tiram a confiança em sair de casa ao menos para um passeio na praça. Receio apelar para o uso de algum banheiro de bar ou padaria ou, pior ainda, não encontrar sanitário disponível e, como consequência, evacuar nas calças, o ocorrido há muitos anos, quando de uma violenta diarréia por causa de excesso de bebida e falta de comida.
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Fora o problema intestinal, sinto estar perdendo a libido e a potência sexual. Não tenho atração sexual desde quando do início desse problema, com o tratamento quimioterápico em longo prazo. Desconfiando, pego a bula dos remédios. Todos alertam para não dirigir veículos automotores em decorrência das prováveis tonturas e, o considerado mais agravante, essa afetação no desejo sexual. De imediato, procurei contato com o urologista Giordano Zanin, a quem conheço há mais de uma década e que se tornou meu amigo e confidente. Contei-lhe sobre a minha situação, e ele me confortou dizendo ser natural a falta de ereção devido ao meu estado de fraqueza. É só você ganhar peso e tudo voltará ao normal, me confortou. Sai de seu consultório mais tranquilo e disposto a ganhar peso o mais rápido possível para poder voltar à ativa, sexualmente falando.
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Fiquei, então, a lembrar da minha estada em Manaus. Era ainda um jovem, com vinte e cinco anos incompletos. Barba e cabelos negros e compridos, chamava a atenção das mulheres quando caminhava pelas calçadas da Zona Franca, sob um calor de quase quarenta graus. Mesmo sob essa alta temperatura, não deixara de tomar cachaça e outras bebidas que chegavam a queimar o organismo. Era forte, resistia.
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Ao chegar a Manaus, me hospedei em um pequeno hotel e, dali, segui para redação do jornal A Crítica – um dos principais do Amazonas -, onde fui recebido pelo jornalista Manoel Lima, então redator deste jornal e correspondente de O Estado de S. Paulo. Lima se dispôs a me ajudar na procura de uma hospedagem. Depois de zanzarmos bastante por Manaus – tinha o dinheiro suficiente para arcar com dois pernoites bem baratos – consegui um quarto em um local próximo ao porto de Manaus e não muito distante da Escadaria dos Remédios, bastante frequentado por prostitutas e vagabundos. Não tinha outra escolha e acertei com a proprietária, mesmo sob o olhar repulsivo de Lima – ele não se convencera de que o novo correspondente do Jornal do Brasil chegasse tão pobre a ponto de não poder pagar o aluguel de um quarto de um hotel destinado à classe média, ao menos.
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A notícia chegou ao diretor do jornal A Crítica, o jornalista Umberto Calderaro, que de imediato me ofereceu um emprego como repórter. Ainda nesse mesmo dia, procurei o empresário amigo de Rubens Rodrigues dos Santos e lhe entreguei o bilhete. Não sei, realmente, o que estava escrito, mas deveria relatar um pouco de minha precária situação. Bastante educado, esse empresário elogiou Rubens dos Santos e, educadamente, me ofereceu certa quantia em dinheiro - dizendo estar devendo ao amigo de São Paulo -, o suficiente para eu passar um bom tempo em Manaus, sem precisar da ajuda de mais ninguém.
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No dia seguinte, Calderaro me convidou para um passeio, em sua grande e potente embarcação, pelas águas dos rios Negro e Solimões e, pela primeira vez, pude ver o famoso encontro das águas amareladas e enegrecidas desses dois rios. Uma beleza de espetáculo. Ainda nesse barco, tomamos aperitivos e almoçamos – peixe preparado pelo comandante da embarcação, que também exercia a função de cozinheiro.
Chegamos próximo à desembocadura do rio Amazonas e, depois, regressamos. Fomos direto para a redação e, para minha surpresa, me pediram para fazer uma matéria de quatro laudas – na época, 1975, redigia-se em máquinas de datilografia e media-se o tamanho das reportagens por laudas padrão de vinte linhas.
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Mesmo pego de surpresa, uma vez que não havia feito nenhuma anotação sobre esse que julguei ser apenas um passeio de boas-vindas, escrevi o solicitado e mostrei, sem querer me expor, a minha capacidade em elaborar um texto longo, relatando a beleza de um cenário esplendoroso, mas visto como algo comum pelos habitantes locais. Esse acontecimento serviu, também, para desmentir a tese, defendida por muitos, de que o repórter precisa conhecer a região para escrever sobre ela e não cometer deslizes. Lamentável engano. É o profissional de imprensa encantado pelo novo, pelo diferente, que retrata com mais argúcia e pormenores tudo visto ao redor por onde passa, enquanto que o habitante local, sequer vê beleza naquilo onde só a beleza impera...
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Na próxima quarta-feira, o nono capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50, num contexto desfavorável à marca do patrocinador, então associada à campanha contra a nacionalização do petróleo do qual participavam várias multinacionais. Originalmente chamava-se Prêmio Esso de Reportagem e contemplava apenas a mídia impressa, mesmo a Esso possuindo um programa radiofônico (O Repórter Esso), mais tarde exibido também na televisão, o mais importante informativo eletrônico da época. A partir de 2001 foi criado um prêmio Especial de Telejornalismo. Também há premiações regionais, instituídas desde a segunda versão. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
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terça-feira, 8 de junho de 2010

D O. A M O R. E. D E. A M A R.

EPÍSTOLAS PAULIANAS

Conversando com a personagem Laura Hunt, eternizada pela minha amada imortal Gene Tierney, na película “Laura”, produzida nos idos anos de 1944

Diadema, minha amada cidade, 08 de junho de 2010.

Prezadíssima senhorita Laura Hunt:

Atrevo-me a enviar-lhe esta missiva, tendo em vista que a senhorita cometerá um equívoco lamentável se resolver viver ao lado do insulso detetive Mark McPherson porque, como lhe disse anteriormente, sua vida com ele não será nada glamurosa. Ele deseja uma prole numerosa e seus parcos recursos pecuniários de zeloso homem da lei, nem de longe, atenderão os seus desejos de uma vida requintada. Soube de fontes fidedignas, que ele alugou um apartamento, num edifício em estado precaríssimo de conservação, lá no Brooklin. Pense bem, senhorita Laura Hunt, será que deseja uma vida cercada de montanhas de fraldas, camisas e cuecas samba-canção para lavar, engomar e passar, além de suportar os ruídos noturnos, o chulé exacerbado e outras partiularidades físicas desagradáveis, além do fato do insulso detetive Mark McPherson tomar somente dois banhos por mês?!..

Tenho alvíssaras para a senhorita, porque acabo de saber que o sofisticado Waldo Lydecker deixou-lhe, em testamento, toda sua polpuda fortuna, que inclui o requintadíssimo apartamento, no mesmo edifício de morada de Greta Garbo! Somente em espécie US$30.000.000, sem contar ações aplicadas na Bolsa de Valores de Nova York e outros imóveis em locais valorizadíssimos, nas imediações do Central Park!!!!... Todavia ele impôs uma condição sine qua non para o recebimento dessa estonteante herança - a senhorita terá que encontrar um homem vigoroso, culto, arguto, requintado e bem relacionado, igual a ele.

Ouso candidatar-me a ser seu consorte, porque atendo todos os requisitos estabelecidos na cláusula testamental! Esqueça este meu desafeto, o insosso detetive, e venha para os meus braços, porque lhe prometo uma vida cheia de emoções e nada rotineira! Sou a cópia perfeita do Waldo Lydecker, sem o ciúme doentio que ele lhe nutria.
Sua vida ao meu lado será um eterno deleite inefável! Prometo-lhe carinhos constantes, no mínimo três vezes por dia digo, por semana, repletos de êxtases! (Ché...)! Faremos cruzeiros memoráveis pelo Mar Mediterrâneo, com destino às Ilhas Gregas. Já pensou ver o pôr do Sol na Ilha de Mikonos, passeando de mãos dadas comigo, pelas belíssimas praias daquela encantadora Ilha?!... Os concertos, óperas, museus e vernissagens que iremos nos espaços culturais mais sofisticados e frequentados deste maltratado e fascinante mundo em que vivemos?!... Aguardo, sôfrego, sua afirmativa resposta!!!

Despeço-me, enviando-lhe um calorosíssimo e afetuosíssimo abraço.

Seu eterno admirador e vassalo mor

João Paulo de Oliveira

Dois dias depois da postagem da missiva, ouço o som da campanhia do meu apartamento... Ao abrir a porta, me deparo com a senhorita Laura Hunt, de braços abertos e um sorriso encantador... Depois de entrar e acomodar-se na sala de estar, no meu colo, diz: - João Paulo, claro que você será o homem da minha vida, ajudando-me na administração da vultosa herança que receberei, caso consinta contrair núpcias com um homem que tenha seu perfil! Vamos marcar a data deste auspicioso dia! Antes de sairmos para agilizar os trâmites legais do matrimônio, vamos para os seus aposentos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!... Claro que ficamos felicíssimos, porque tínhamos a convicção que um futuro glorioso e radiante nos aguardava!!!!!!!

Max!!!!!!!!!!... Traga meus sais centuplicados! Onde está a lambisgóia da Agrado?!...

Valha-me, depravada Santa Brenda Lee dos Caracóis Desesperados!!!... Clamo pelos seus regos digo rogos, para deixar-me sempre propenso a dar outros viéses para películas, que são referência na filmografia mundial, tornando a premissa: "Celulóide secreto, outro viés" um fato!!!!!...

Minha amada imortal Gene Tierney, sempre a amei, amo e amarei!!!!... Não vejo a hora de vê-la radiante na minha frente dizendo:

- Venha, João Paulo, venha, meu vassalo mor e fã ardoroso nº 1!!!!!!!!!!...

Irei, no mais profundo júbilo inefável, para servir-lhe uvas e vinhos, bem como para atender todos os seus divinais desejos, no Olimpo, para sempre!!!!!...

Ai, ai, o amor é lindo!!!!...

Bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer!!!!...

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*João Paulo de Oliveira, 57, pertence a uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo. Andreense de nascimento, é professor e leciona na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, na Região do ABC Paulista. Ocupa também o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na Prefeitura de São Paulo. Além de Pedagogo é Mestre em Educação. Especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Nas horas de lazer, em sua bela mansão no litoral, busca refúgio nas belas praias do Guarujá. Amigo e colaborador do blog, João Paulo escreve, mais uma vez, uma crônica inédita neste espaço. Visite seu blog, Celulóide Secreto, em http://joaopauloinquiridor.blogspot.com Contatos com o articulista pelo e-mail joaopauloinquiridor@ig.com.br
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