quarta-feira, 17 de novembro de 2010


Ao nascer em 22 de abril de 1901, Adhemar de Barros encontra um mundo de prosperidade açulado pelas plantações de café e pelo funcionamento da Light – Serviços de Eletricidade, uma empresa do Canadá autorizada, por decreto, a funcionar no Brasil pelo presidente Campos Salles. De hidrelétrica em hidrelétrica, de represa em represa, a Light – hoje Eletropaulo – iluminaria São Paulo e seria ponto de referência do progresso do povo paulista.

Nesse ano, o estado produziria 10 milhões 334 mil 272 sacas de café (Affonso de Taunay, História da Cidade de São Paulo) e responderia sozinho por 90% das exportações brasileiras do produto a preços jamais alcançados. E um dos mais importantes plantadores era Antônio Emygdio de Barros, proveniente de família de origem portuguesa, a qual passou pela Bahia e chegou a São Paulo no Século XVII. Casado com a dona Elisa Pereira de Barros, de origem francesa, “seu” Tunico, como era conhecido, possuía fazenda em São Manoel e propriedades em Piracicaba. Por ser uma cidade mais avançada, Piracicaba serviu de berço para Adhemar, que passou a infância em São Manoel, na fazenda do pai, onde lhe ocorreu a seguinte história:

“Eu e meu pai andávamos a cavalo e ele tinha o hábito de apear após percorrer alguns metros para, com a ponta de uma faca de prata, fazer pequenos buracos no chão, à margem da estrada. Feito o buraco, retirava do bolso uma semente e ali plantava. Ao transpor os limites da sua propriedade e entrar em terras dos vizinhos, continuava a plantar, eu então certo dia resolvi interrogá-lo:
- Pai, o senhor está plantando nas terras dos outros, em propriedades dos nossos vizinhos?
Ele respondeu:
- Escuta filho, se você quer colher bons frutos na vida, precisa plantar para os outros, pois ninguém recebe nada, sem dar alguma coisa.”

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Em 1913, o governador Albuquerque Lins adquire o Palácio dos Campos Elísios (foto) e Adhemar, ao chegar à capital para cursar o ginásio, não poderia presumir que esse palácio seria a sua morada. Afinal, era ainda um menino tão mimado que, ao realizar no recreio a prova de salto e aprender a jogar futebol, escorregava, caía e ficava ruborizado. Não suportava as dores da queda e chorava, chorava, até o dia em que o diretor, um inglês chamado mister Sadler, disse-lhe em tom de advertência:
- Se você cair nove vezes, levante nove vezes, acreditando que irá conseguir. E, se não conseguir, tente de novo nove vezes nove, 81 vezes. De tanto insistir, Adhemar consegue realizar os saltos sem cair e assimila o conselho, que aplicaria na política.

Realizados os estudos médios, ele segue ao Rio de Janeiro para cursar medicina por ordem do pai, que lhe oferece um veículo produzido pela Ford, primeira montadora de automóvel a se instalar em São Paulo em 1919 na Rua Florêncio de Abreu e que pavimentou o caminho no Brasil para a General Motors e nesse empresa Adhemar de Barros viria fazer uma compra que germinaria o explosivo “caso dos Chevrolets,” do qual o homem quem ele elegeu governador, Lucas Nogueira Garcez e o sucessor, Jânio Quadros (foto), instigados pelo jornalista Paulo Duarte, de O Estado de S. Paulo, se aproveitariam para processá-lo, condená-lo à prisão e obrigá-lo a fugir do país para não ser preso.

Dono do melhor carro do Rio, Adhemar forma círculos de amizade e, com o diploma de médico na mão, faz um curso experimental no Instituto Manguinhos, hoje Instituto Oswaldo Cruz. Impelido pelo desejo de ampliar os conhecimentos científicos, ele realiza uma viagem à Europa no melhor transatlântico da época para estagiar em clínicas de Paris, Londres e Berlim e passa pelos Estados Unidos.

Ao retornar, Adhemar recebe de presente do pai um consultório na Praça da Sé e conhece Leonor, moça proveniente da família Mendes. Ela viria ser a sua esposa, germinaria a expressão primeira dama e lhe daria solidariedade em ação nos seus momentos mais difíceis, inclusive na hora da fuga, durante a madrugada, para não ser preso pela polícia de Jânio Quadros.
- Eu vou com você! – diria ela.
- Não, não, eu posso ser preso.
- Eu serei também.
- Mas, eu posso morrer.
- Morrerei também.


Em 1929, já casado, Adhemar manifesta simpatia pelo Partido Republicano que funcionava em cada estado com o nome relativo a cada um desses estados: Partido Republicano Paulista (PRP), Partido Republicano Mineiro (PRM) e assim sucessivamente. Proveniente do Império, essa agremiação partidária passou a dominar o poder durante a Primeira República em função da política do café com leite, por meio da qual o PRP, como representante do maior estado produtor do café, indicava o candidato a presidente e o PRM, como representante do estado maior produtor de leite, indicava o candidato à vice. O de oposição era o Partido Democrático.

Um ano depois, em 1930, os perrepistas como eram chamados os seus adeptos elegeram presidente da República o governador paulista Júlio Prestes (foto) mas, com o assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, candidato a vice na chapa da oposição liderada pelo gaúcho Getúlio Vargas, este promoveu uma revolução com a qual impediu a posse de Júlio Prestes, quem ele enviou para o exílio e assumiu a presidência da República. O novo presidente mandou o capitão do Exército João Alberto Lins de Barros, originário de Pernambuco, governar São Paulo e acabou com a política do café com leite, então os paulistas passaram a exigir uma constituição e como Getúlio não lhes deu bolas, eles fizeram uma revolução, a chamada Revolução de 1932, na qual Adhemar de Barros atuou como médico.

Vargas derrotou os paulistas e Adhemar de Barros (foto) exilou-se na Argentina. Em 1933, ele retorna do exílio e convidado pelo general Ataliba Leonel, que havia sido deputado federal por São Paulo e um dos organizadores da Revolução de 1932, aceita sair candidato a deputado para a Assembléia Constituinte Estadual de 1934. O Bispo de Botucatu, Dom Carlos Eduardo da Costa, tenta impugnar a sua candidatura, mas ele sai candidato e consegue eleger-se como o quarto mais votado.
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A rigor, o cinquentenário de vida pública de Adhemar Pereira de Barros ocorreu em 1984, mas a família prefere considerar o início da sua vida pública a partir da sua indicação para Interventor de São Paulo, em 1938. É do que falaremos no próximo capítulo em que Getúlio Vargas dá o golpe e implanta a ditadura do Estado Novo; prende Armando de Salles Oliveira, (foto) que segue para o exílio com o cunhado Júlio de Mesquita Filho; os estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco revoltam-se; Vargas intervém no jornal O Estado de S. Paulo; a família Mesquita pede ao Interventor Adhemar de Barros para não permitir a intervenção; sem dinheiro, Júlio de Mesquita prefere retornar e ser preso no Brasil, enquanto Armando de Salles Oliveira só retorna às vésperas da morte.
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*Carlos Laranjeira é jornalista, diretor do POLÍTIKA DO ABC e autor de vários livros, o mais recente, Política para Principiante.
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Não deixe de acompanhar, na próxima quarta-feira, o terceiro capítulo de "Histórias de Adhemar", nova série exclusiva apresentada neste blog. (Edward de Souza)
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Tivemos uma história política tumultuada, sobressaltada, onde os ditadores civis e militares marcaram a fogo nossa memória e nos deram uma espécie de anestesia coletiva da qual vez ou outra acordamos. Ao contrário dos americanos que hasteiam orgulhosamente sua bandeira na porta, nós brasileiros somos meio encabulados nessa área de mostrar um patriotismo explícito. Não cultivamos o amor nem a exposição dos nossos símbolos. Isso somente muda na Copa quando bandeiras, escudos, chapéus e roupas se enfeitam com as cores da pátria e ninguém é capaz de censurar nem estranhar esse súbito amor pela nação que se desenrola de quatro em quatro anos em meio a foguetes e charanga.

O dia 15 de novembro ficou marcado na história como o dia da proclamação da República. Só aos poucos a população tomou conhecimento de que a parada militar, ocorrida pela manhã, no ano de 1889, conduzira à mudança de regime. Logo após o dia 15 de novembro, o regime lutava para consolidar-se. Dois grupos adquiriram especial importância: os militares e os republicanos históricos, sendo os últimos, representantes da burguesia cafeeira.

Muitos brasileiros não sabem o que é república e neste feriado de segunda-feira, dia de sua proclamação, vai ter gente perguntando o que é isso, garanto. Muito desse receio de expandir o patriotismo veio de nossa história onde os símbolos patrióticos foram apropriados e espoliados por ditaduras de tal maneira que acabamos por confundir o Estado com os generais. A nossa bandeira, nem muito bela nem muito correta em matéria de heráldica nos deixa sempre um ranço de militarismo e com isso afasta a população civil que somente na época dos jogos, timidamente, como quem apresenta uma amante proibida, exibe orgulhosamente sua bandeira, venera-a, lhe faz carinhos, beija o símbolo nacional como se ele fosse a mais terna das namoradas.

Já se disse que a seleção é a pátria de chuteiras tal a importância que o futebol alcança em nosso país. Detentores de cinco títulos mundiais temos realmente de nos orgulhar de nossa performance em campo que vem desafiando os anos sempre com uma nova safra de craques que vão substituindo e demolindo os mitos antigos. Da seleção de 70 à seleção de hoje, praticamente não sentimos falta de quem já se foi, de quem perdeu o jogo da vida, pois há sempre uma nova geração para segurar a chama.

Quando um Deodoro febril mandou às favas o Império, nascia a República sem nenhuma legalidade e sem o batismo do apoio popular. República que às vezes acho que ainda não foi proclamada, devido a tanta dependência que temos. Acordamos todos unidos com Tancredo que cedo se foi, mas deixou a marca de sua coragem e tornou-se símbolo de uma luta pela liberdade. Mas não tardou para que a República mergulhasse nos mesmos vícios, na mesma luta mesquinha que torna os políticos mais importantes que o povo, quando na verdade eles não são nada mais que delegados temporais desse povo.
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Chegamos ao estágio Collor quando tivemos de recorrer à Justiça para reintegrar o país no seu caminho, para livrar a corrupção que corria desenfreada da Casa de Dinda para o Alvorada passando pelos porões das Alagoas. Mas nem isso desacelerou nosso passo. Lula que veio como o cavaleiro da esperança, o Prestes que fez a revolução pelo voto não demorou a envolver-se nas malhas do mensalão, o maior escândalo político de nossa história. Não adianta argumentar que Lula passou incólume pelo episódio. O partido que ele criou, os homens que ele escolheu, a República que ele comandava sai enlameada daquele episódio que igualmente não foi o final.

Republicano passou a ser sinônimo de cidadão correto e de cidadania. Ser republicano é uma graça alcançada apenas por poucos como os estigmas de Cristo o são para os religiosos. Só para colocar água na fervura, é bom lembrar que Adolf Hitler era um republicano. Ele não chegou ao poder por direito divino nem por um golpe armado. Ele foi conduzido ao comando da Alemanha por eleições republicanas com a benção e aprovação do povo germânico. Só depois de instalado no poder é que ele deu o golpe e criou um dos regimes mais perversos que a Terra já viu. Perverso e republicano.

Os nossos ditadores militares acreditavam - ou faziam a gente acreditar - que estavam salvando a República das garras satânicas do comunismo. E por isso criaram Atos Institucionais dignos da melhor ditadura, mas todos santificados pelo selo republicano que recebeu inclusive o endosso do Congresso. Era republicano Getúlio Vargas com seu Estado Novo e nem por isso podemos eximi-lo dos pecados mais graves contra a nossa democracia.

Republicano está na moda hoje, como já esteve ser de esquerda ou ecologista. São manias e ondas passageiras desse abençoado país que nem o Imperador consertou nem a República deu jeito, um país construído em nome de uma igualdade que é teórica, em nome de princípios que não são respeitados e de uma Constituição que pode ser rasgada ao sabor do vento como o foi no caso do Projeto Ficha Limpa. Mas como é moda, sejamos republicanos, tão ou mais republicanos que os franceses com sua guilhotina e os ingleses com sua forca os dois maiores símbolos da República no mundo.
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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domingo, 14 de novembro de 2010

SÁBADO, 13 DE NOVEMBRO DE 2010
Em tempos de ENEM frustrado, Tiririca desletrado e Lula quase desalojado, o Brasil, em pleno terceiro milênio, não avança muito além do caminho retrógado de décadas. Mesmo que em alguns setores as coisas tenham evoluído na velocidade de um Mangalarga, em outros, como a educação, por exemplo, deixam no rastro uma gama de "desafalbetizados" que procura, por seus meios e méritos, lugar ao sol, onde apenas figuram privilegiados de carteirinha.

Nosso presidente, por exemplo, oriundo de paragem pacata onde a mãe nasceu analfabeta (?), passou, talvez, quatro aniversários em bancos escolares. Na sequência, mudando para centro maior, caminhou por outras trilhas que o transformaram, autodidata, em um dos maiores líderes carismático da história contemporânea "deste país". Alavancado pelo apoio popular que o transforma em semideus (ao menos ele acha isso), nomeou assessores em todos os níveis, inclusive ministros e magistrados, que cumprem fielmente o indicado nos garranchos inseridos na cartilha do burgomestre.

O Ministro da Educação, Paulo Haddad, (foto abaixo), por exemplo, e não por acaso, comandante do cargo mais cobrado da Nação, derrapa de forma vergonhosa na produção e execução de dois exames nacionais, cuja falha compromete a seriedade da Pasta e atira no ralo da incompetência um ministério responsável pelo futuro da Nação. Pelo atraso no tempo, o brasileiro não pode perder etapas com heresias de neófitos e despreparados. Mas o burgomestre prefere passar as mãos nos cabelos do ministro-professor em detrimento da educação e, assim, dar preciosos passos na contramão do túnel do tempo.

Enquanto isso, magistrados, togados e a totalidade da mídia nacional focam com veemência os garranchos de Tiririca, o palhaço-deputado mais votado do Brasil. Que lugar é este onde um analfabeto honesto não pode ser deputado, mas o povo, pelo voto, coloca um punhado de larápios em cargos públicos? Certamente o palhaço-deputado não seria mais pernicioso na Câmara Federal do que muitos que lá estão.
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Na questão educação, pelo andar da tartaruga, seria mais coerente o presidente, cuja mãe nasceu analfabeta (ele se orgulha disso), colocar o timão do MEC nas mãos do glorioso Tiririca. Assim, as coisas ficariam igualadas no mesmo patamar, chefe e chefiado, e o País caminharia célere em direção ao futuro. Pelos políticos que possui, o Brasil precisa muito mais do que um Deus brasileiro, mas não há?
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As diferenças de competência em suas respectivas ocupações, presidente, ministro e deputado, não alteram o conteúdo de livros, cadernos, computadores ou uma impressão digital. Para os três, o que funciona é a caneta, mesmo que seja para rabiscos. Vale lembrar que minha saudosa mãe, portuguesa, também não sabia ler, nem escrever, quando veio ao mundo: simples coincidência? Talvez...
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2010



Início de 1988: o então deputado federal Adhemar de Barros Filho em conversa com amigos, assessores e antigos funcionários do seu pai, Adhemar Pereira de Barros, manifesta a intenção de celebrar os 50 anos de vida pública do Velho Adhemar, como o pai era chamado. Foi em 1938 que Getúlio Vargas, depois de mandar prender o ex-Interventor Armando de Salles Oliveira, casado com uma das filhas de Julio de Mesquita, patriarca da família e fundador do jornal O Estado de S. Paulo, designou o Velho Adhemar Interventor do estado e essa nomeação gerou fatos incríveis, sentimentos de ódio e vingança e, claro, fontes de histórias e lendas, que ainda hoje despertam a curiosidade dos paulistas.
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A reunião de Adhemarzinho, como o ex-deputado federal ainda hoje é chamado, ocorreu no “Casarão de Adhemar”, onde se realizavam nos anos 40, 50 e 60 os encontros do antigo PSP, o Partido Social Progressista, que o Velho Adhemar fundou de comum acordo com o deputado federal pelo Rio Grande do Norte, João Café Filho, fundador do minúsculo Partido Social Nacionalista. O Casarão situava-se na Alameda Barão de Limeira, bairro dos Campos Elísios, a poucos metros da Rua Aurora, que atravessa a Avenida São João. E, nele, ainda funcionava “a gráfica do Adhemar”, para defender-se de ataques dos adversários.

Nessa reunião, Adhemarzinho indagou-me se eu podia escrever o livro com histórias pitorescas do seu pai. Aceitei o convite, pois, dois anos antes, ele havia autorizado “a gráfica do Adhemar” a imprimir Tancredo, Máximas e Citações, livro de minha autoria com o pensamento de Tancredo Neves em forma dicionarizada. À época eu trabalhava no jornal NOTÍCIAS POPULARES, no prédio da Folha de S. Paulo e, alternadamente, passava na casa grande, de dois andares, do início do Século XX para cheirar a conversa ao cair da tarde dos velhos adhemaristas, um dos quais Rogê Ferreira, político progressista e expoente do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O filho de Adhemar Pereira de Barros preparou uma lista com endereços e telefone de adhemaristas para eu entrevistar. Tomei então o cuidado de comprar um gravador para as entrevistas, inclusive a primeira com Erlindo Salzano, filho ilustre da cidade de Porto Ferreira, que o Velho Adhemar indicou em 1951 para vice-governador de Lucas Nogueira Garcez, sobre quem Salzano havia escrito o livro: O crime perfeito de Lucas Nogueira Garcez. Fui à sua casa, e a mulher que me atendeu à porta disse que Erlindo encontrava-se bastante doente e não podia atender-me. Eu insisti:
“Foi o deputado federal Adhemar de Barros Filho que me pediu para falar com ele.
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- Deixa o moço entrar – ouvi uma voz trêmula proveniente do quarto e logo percebi tratar-se do meu entrevistado. Fui conduzido até à sala, depois ao quarto de pouca luz onde ele encontrava-se deitado, e ao aproximar a vista pude observar ser o vice de Lucas Nogueira Garcez um homem de pele morena, magro e alto. Apresentamo-nos e nos abraçamos, ele pediu para esperá-lo na sala. Então começamos uma conversa com a qual iria familiarizar-me ainda mais na política, com a qual eu tive contato aos 15 anos ao passar a ler diariamente o jornal A Tarde, de Salvador, para o meu pai, um antigo dirigente da UDN (União Democrática Nacional) e lacerdista (simpatizante de Carlos Lacerda) roxo. Durante três anos ou mais eu lia as notícias, os comentários e discursos de Carlos Lacerda na Câmara Federal contra o governo de Juscelino Kubitschek e voz alta para ele, abatido por um derrame cerebral, poder ouvir com absoluta clareza. E deste modo tomei gosto pelo jornalismo político.

- Você é jovem e forte, creio que essa tenha sido uma das razões para Adhemarzinho tê-lo escolhido para narrar a vida do pai, numa época cheia de hipocrisias, traições, vinganças. Esse trabalho, meu filho, se assim posso chamá-lo, é muito árduo, pois a história de Adhemar (foto a esquerda) se confunde com a história contemporânea do estado de São Paulo. Será que você vai suportar? Indagou-me o filho de Porto Ferreira.
- Eu acredito que sim, dr. Erlindo.
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Na próxima quarta-feira, o segundo capítulo desta série exclusiva, escrita pelo jornalista Carlos Laranjeira, não percam! Abaixo, neste primeiro capítulo, uma pequena biografia deste amigo de longos anos, jornalista e escritor, Carlos Laranjeira, para que todos (as) passem a conhecê-lo melhor. (Edward de Souza).
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QUEM É CARLOS LARANJEIRA...
Começou no Jornal da Bahia, Salvador, no ano de 1968, época em que Glauber Rocha era o editor do Suplemento Cultural no qual escreviam João Ubaldo Ribeiro, Caetano Veloso, Tom Zé, Tuzé de Abreu, Capinam e outros menos conhecidos no Sudeste a exemplo de Florisvaldo Matos, um dos poetas mais consagrados do estado, hoje editor-chefe do jornal A Tarde. Na Bahia, trabalhou também na Rádio Cruzeiro e na Semana Católica, criada por Dom Eugênio Salles, Arcebispo de Salvador e Cardeal Primaz do Brasil.
Em São Paulo, trabalhou quatro vezes no Diário do Grande ABC - uma a pedido de José Louzeiro, que escreveria Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, Araceli, Pixote e outros livros adaptados para o cinema. Trabalhou no Correio Metropolitano, jornal que o empresário, deputado e prefeito de Guarulhos, Paschoal Thomeu, já falecido, criou no ABC para concorrer nos anos 70 com o Diário; ainda passou pela Tribuna de Santos, Popular da Tarde e Notícias Populares - neste, por oito anos. E durante 26 anos trabalhou no setor de imprensa da Prefeitura de São Bernardo, onde chegou ao cargo de chefe de Divisão de Imprensa e Relações Públicas e deu nova estrutura ao jornal oficial Notícias do Município, mantida até hoje. Foi também assessor de imprensa do então deputado federal Adhemar de Barros Filho.
Na reestruturação do NM, criou a chamada em primeira página em linguagem jornalística de leis municipais e portarias do prefeito, para torná-las ao alcance do entendimento do homem comum, mas a Câmara Municipal proibiu. Laranjeira então realizou com seus próprios recursos, em 1993, uma campanha nacional por meio de cartas às imprensas oficiais (de municípios, estados e da União), autoridades estaduais e federais, aos sindicatos de jornalistas, associações de imprensa e escolas de comunicação, sobre a necessidade dos Diários Oficiais criarem chamadas em primeira página das leis mais importantes como forma de facilitar o seu entendimento ao público e abrir mais um mercado de trabalho para jornalistas. Os Diários Oficiais dos Estados logo aderiram à novidade e foram úteis a Laranjeira para livrar-se de um processo movido pelo PT.
Ao aposentar-se, dedicou-se ao trabalho de recuperação da história política do ABC, que lhe permitiu escrever vários livros inclusive biografias de políticos regionais como a do deputado e prefeito de São Bernardo e Santo André, Lauro Gomes e dos ex-prefeitos Celso Daniel e Geraldo Faria Rodrigues. Criou os jornais POLÍTIKA DO ABC, que completa 15 anos em 2011 e o JORNAL DO LIVRO. Em 2006, durante o I Encontro Internacional de Direitos Humanos, realizado em Curitiba, pronunciou a palestra A Violência do Poder, a Imprensa e os Direitos Humanos, durante a qual defendeu a redução dos deputados federais, sugestão aproveitada pelo deputado Clodovil Hernandez e pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Laranjeira também criou o primeiro sebo de São Bernardo, em 1985, o qual funcionou na Fundação Santo André e na Faculdade de Direito de São Bernardo logo após escrever Tancredo, Máximas e Citações – o pensamento de Tancredo Neves em forma dicionarizada, que mereceu elogios do então deputado federal Aécio Neves e da sua avó, dona Risoleta Neves. O sebo funciona hoje na parte lateral da casa em que mora. Fundou a Chamas Editora e Distribuidora de Livros, já extinta; atualmente é proprietário da Imagem e Letra – Serviços Editoriais Ltda, que edita o POLÍTIKA e o JORNAL DO LIVRO e mantém dois blogues na internet com os quais desenvolve campanhas.

Livros Publicados:
Tancredo, Máximas e Citações
Histórias de Adhemar – duas edições
Lauro Gomes, Poder e Riqueza – duas edições
O Vocabulário da Política
A Vida de Lauro Gomes – quatro edições
Eleições no ABC I
Eleições no ABC II
Celso Daniel, Muito mais que um Rebelde
Geraldo Faria, Tempos Difíceis
Frases de Lula e Cia.
Vontade de Vencer
Autores e Livros
Política para Principiante

Laranjeira escreveu ainda um caderno sobre a vida da ex-vereadora, ex-prefeita e ex-deputada estadual Tereza Delta, figura de proa da política de São Bernardo nos anos 40 e 50. Também escreveu o programa de governo do prefeito Walter Demarchi (1993-1996) e a síntese de uma biografia do ex-prefeito Tito Costa (1976-1982), vice-prefeito da gestão de Walter Demarchi (1993-1996) e Deputado Federal-Constituinte de 1988. Editou dezenas de livros para professores, advogados e médicos e jornais para sindicatos, associações, partidos políticos e candidatos a cargos públicos.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

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Vasculhando os recônditos de meu computador, encontrei uma interpretação para o “Pai Nosso”, tão orado pelos cristãos de todo o mundo. Dele destaquei uma pequena parte: “Se no fundo o que eu quero mesmo dizer é que todos os meus desejos se realizem, seria inútil dizer: seja feita a vossa vontade”. Infelizmente, o autor é desconhecido.

Os cristãos, de um modo geral, principalmente os católicos, carregam crucifixos, correntes com imagens de santos de sua devoção, acendem velas para os santos, cumprem promessas (no meu entender, estapafúrdias), como subir centenas de degraus de joelhos, carregam cruzes enormes pelas estradas, deixam de comer (jejuns), auto se flagelam e assim por diante. Tudo isso em razão de uma massificação ou lavagem cerebral criadas por pessoas inescrupulosas para dominar pelo medo os fiéis. É comum se verificar, ao assistir na TV, reportagens por ocasião de datas em que se comemoram os dias dos santos mais conhecidos, com Nossa Senhora Aparecida, São Judas Tadeu, Santa Edwiges, Santo Antonio, etc., frases como “tudo o que eu peço, ela ou ele me atendem”.

A Bíblia, principalmente o Novo Testamento, continua a ser um “Best Sellers”. Entretanto, “pelo andar da carruagem”, acredito que pouco lido. Os exemplares, (alguns com encadernações altamente luxuosas), permanecerão expostos em locais visíveis no interior dos lares e até em estabelecimentos comerciais para que pessoas outras possam vê-lo e dizer ou pensar quão religiosas são.

A hipocrisia é um câncer universal. Difere-se apenas na sua tonalidade. Mais intensa ou menos intensa. Mas é na religião, onde esse defeito moral mais é constatado! A velha frase “faça o que eu mando, não faça o que faço” é largamente usada, mesmo que imperceptivelmente, nos meios religiosos. Para os sacerdotes, pastores, dirigentes... Tudo! Para os fiéis apenas a obrigação de contribuir e permanecer leais. Alias, não é isso que acontece na política deturpada também pelos homens?

Se os cristãos de um modo geral lessem o Novo Testamento com a assiduidade que deveria, certamente o mundo estaria bem melhor. Constataria que Jesus, o sublime Mestre, não exigiu sacrifícios onde o corpo (templo do espírito) fosse vilipendiado com sacrifícios atrozes e inúteis. Quando Jesus declarou: Bem aventurados os aflitos, não estava exaltando as aflições, mas sim as pessoas que sabem sofrer sem revolta, sem lamentações inúteis, sem culpar outros ou situações pelos seus males.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, “Bem aventurados os Aflitos”, há um parágrafo bem interessante: “(...) Há aqui uma grande distinção a fazer; para vós, pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos envia, e não aumenteis sua carga, as vezes tão pesada; aceitá-las sem lamentações e com fé, é tudo o que Ele vos pede. Não enfraqueceis vosso corpo com privações inúteis e mortificações sem objetivo, porque tendes necessidade de todas as vossas forças para cumprir vossa missão de trabalho na Terra. Torturar voluntariamente e martirizar vosso corpo, é contravenção à lei de Deus, que vos deu os meios de sustentá-lo e fortificá-lo; enfraquecê-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis: tal é a lei; o abuso das melhores coisas traz sua punição nas consequências inevitáveis (...)”. A lição continua.
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Na verdade, o verdadeiro cilício está em mortificar nossos defeitos morais. Devemos fustigar nosso orgulho, nosso ódio, nosso rancor, nossa vaidade, nossa arrogância... Infelizmente, as pessoas não se reconhecem com esses defeitos, causa de todos os males do mundo. Preferem o fanatismo religioso, político e idealista, a terem que reconhecer seus defeitos morais. A vontade de Deus não vale! O que vale é a vontade egoística de cada um. Afinal, temos que viver segundo nossos desejos, mesmo que lá na frente às consequências sejam funestas.
“Pai, perdoai, pois não sabem o que fazem”. Até quando a cegueira persistirá?
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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