quinta-feira, 10 de junho de 2010

PARABÉNS, JOÃO BATISTA!
Hoje, 10 de junho, é o aniversário de nosso colaborador
e amigo, João Batista Gregório!

A você, JB "Barrios", nosso carinho e desejo de muita saúde, harmonia, sucesso e felicidades, sempre!


D O. A M O R. E. D E. A M A R.

A PRIMEIRA NAMORADA


Conheci Celina, minha primeira namorada, numa quermesse (festa de Igreja) de Santo Antônio. Tínhamos uns 15 anos, só que ela aparentava mais, pois era um mulherão, linda de morrer! Quase não acreditei que estivesse me paquerando. Percebi que ela estava fumando e mandei alguém entregar a ela um maço de cigarros Minister, onde escrevi o número de meu telefone. Ela mandou o maço de volta, com seu número também. Eu era tão tímido que esperei ela ligar primeiro

Além de tímido, era ingênuo também. Antes de nosso primeiro contato intimo, ela me alertou que já não era mais virgem pois, quando pequena, "machucara-se" ao pular uma cerca de bambus. Acreditei piamente e dei graças ao bambu e a partir daí, rolou nossa paixão que durou dois anos.

Não há mal que sempre dure e nem bem que não se acabe... e o meu namoro com a Celina , para minha tristeza, uma noite se acabou e de uma forma cômico/trágica. Como já disse em outra ocasião, sempre gostei de bailes e dançar era a minha diversão preferida.

Os chamados "Bailes Havaianos" de hoje, nem de longe fazem lembrar o charme e a importância que tinham esses eventos para nós, adolescentes dos anos 70.

Eram anuais, sempre em Setembro e a preparação começava semanas antes com a confecção dos colares multicoloridos (de papel crepom) e das roupas que, obrigatoriamente tinham que ser a camisa solta, estampada com calças brancas para os homens e os "sarongs" para as mulheres.

Naquele ano de 1971, o Baile aconteceria na sede social do Palmeiras. Minha prima, costureira, havia confeccionado para mim uma camisa estampada de azul com flores brancas e uma calça de cambraia de linho branca bem apertada e com boca de sino (era moda na época).

Iríamos a pé até ao clube, pois o carro era meu guarda-chuva. Há dias estava com problemas intestinais, uma diarréia que remédio nenhum curava e mesmo assim fui, pois já tínhamos a mesa comprada e roupas prontas.

Saí de minha casa por volta das 22 horas para apanhar a Celina e na subida do morro da Canjica, a vontade apertou: comecei a andar depressa mas não deu para segurar...

Que desespero, meu Deus! Voltar para casa não podia pois já estava longe. Chegar até a casa da namorada, nem pensar!

Lembrei-me que minha prima, a costureira, morava bem perto e corri para lá mas ninguém atendeu à campainha. Pulei o muro e fui até o quintal. Enchi de água o tanque de lavar roupa, tirei a roupa e lavei-me com um sabão de cinzas que encontrei.

A calça branca estava completamente perdida e fiquei ali, pelado, tremendo de frio, esperando ela chegar, o que demorou umas três horas. Levou-me para casa e como já era tarde e nem roupa havaiana tinha mais, fui dormir.


No outro dia soube que a Celina, fula da vida, foi ao baile, com alguns amigos. Dançou a noite toda e lá conheceu aquele que veio a ser seu futuro marido. Até hoje ela não sabe o motivo do meu cano, mas se chegar a ler esta crônica, vai ficar sabendo... quase quarenta anos depois!

Pois é, a primeira namorada a gente nunca se esquece...nem a primeira "dor de barriga"...

Meio difícil associar alguma receita a essa crônica mas vou postar um bolo de fubá delicioso, em homenagem a Santo Antônio.

BOLO DE FUBÁ: 4 ovos; 1 copo grande de leite fervendo; 1 pitada de sal; 2 copos de açúcar; 1/2 copo de óleo; 1 copo de fubá mimoso; 1 copo de farinha de trigo e 1 colher (sopa) de fermento em pó. Bater as claras em neve, misturar as gemas e acrescentar os demais ingredientes, aos poucos, misturando bem. Assar em forma de buraco no meio, untada com margarina e farinha. Depois de assado, espalhar açúcar e canela por cima. Se gostar, acrescentar um pouco de erva-doce na massa.

------------------------------------------------------------------------------------
*João Batista Gregório, 57, paulista de São João da Boa Vista, é cronista de mão cheia. Publicou, em 2009, suas crônicas reunidas em Crenças e Desavenças e já prepara um novo livro, a ser lançado em breve. Para conhecer a sua produção, acesse o blog do JB, cheio de histórias divertidas, onde cada crônica pitoresca acaba com uma receita culinária especial, testada e aprovada! Clique no endereço abaixo e delicie-se! http://contoscurtosgrandesreceitas.blogspot.com/
------------------------------------------------------------------------------------

Leiam, a seguir, a crônica de Nivia Andres, especialmente
para a Série D O. A M O R. E. D E. A M A R.

DO AMOR E DE AMAR


Do amor e de amar se fala muito e se faz pouco.

Do amor e de amar se mercantiliza o sentir.

Quando se quer bem o melhor presente é o do apreço, aquele que não tem preço, nem forma, mas é perfeito em sentimento, brilho, luz e cor.

Quando se quer bem o melhor presente é o respeito, o cuidado, a consideração que somados querem dizer amor, significam vida e plenificação do Ser que somos.

Amar pode dar certo, só impõe uma condição essencial – a disponibilidade. Por sermos tão indisponíveis, tão centrados, tão egoístas, jogamos fora oportunidades para conhecer e viver o amor. Podemos até conhecê-lo, mas se continuarmos focados no Eu jamais chegaremos ao Nós, porque desconsideramos o Tu.

Amar é sinônimo de compartilhar, dividir, com-por, com-prazer, com-pactuar, co-habitar, contribuir para a realização do outro, sem cobrar o investimento, que vem em dobro em sentimento.

Amar é uma arte que a poucos é dado saber o segredo. O amor que vive e sobrevive para sempre é acompanhado permanentemente por respeito mútuo, admiração, cordialidade, gentileza, companheirismo, entrega, superação, aceitação. Senão, não é amor.

Por isso, o amor é raro.

Por isso, o amor é caro.

Por isso o amor é tão procurado – tarefa para a vida inteira, porque de construção lenta para ser duradouro. É como uma jóia artesanalmente lapidada, por mãos inspiradas. Mãos que amam tanto quanto a alma e o corpo amam.

Por ser tão raro, o amor dificilmente é reconhecido e facilmente é confundido.

Amar não é ser proprietário de quem se ama. Amar não impõe regras nem proibições. O amor não aprisiona nem acorrenta. Por amar não se manda conta ao parceiro, cobrando pelo sentimento, pela dedicação, pela companhia.

Se a recíproca não existe se desfaz a sociedade. É isso que comumente não aceitamos. Amar não se conjuga no singular. Somente no plural. A rejeição nos faz sofrer e perder as fronteiras da realidade. As tentativas, todas, são vãs quando só um ama. Essa percepção é dolorida mas necessária para que possamos manter a auto-estima, a dignidade e o respeito por nós mesmos, enquanto pessoas.

O Dia dos Namorados está chegando. Que tal reservar alguns momentos para refletirmos um pouquinho sobre a nossa maneira de ser no amor e no amar? Sempre é tempo para buscarmos transformação que qualifique o nosso bem-querer!

----------------------------------------------------------------------------------
*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa! Para conhecer o blog da jornalista, acesse http://niviaandres.blogspot.com
----------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Depoimento de Garcia Netto-jornalista-radialista e escritor:

"Pode qualquer pessoa com sensibilidade, qualificar como glorioso o nível de um blog que obteve o privilégio de divulgar o último magistral trabalho de José Marqueiz. Não participo do pensamento que este ou aquele capítulo de sua narração, legado aos pósteros, tenha maior ou menor qualidade. O fato de ser publicado em uma série não divide em partes o todo de uma história, verdadeira, fiel, honesta, com o testemunho de muitos que partilharam com ele a coexistência. Marqueiz revelou antes de partir, suas qualidades profissionais, seu apego ao amor recebido e doado, aos prazeres da vida e seu desprendimento aos objetivos materiais. Não precisou de nenhuma ajuda para apontar suas mazelas que assumiu com independência, hombridade e altivez na obra literária que agora divide com todos nós. Como avaliar sua compunção do relato em “Memória Terminal”? Seria apenas um ato de coragem a desculpar-se com os mais próximos? Pode não ser somente isto. A grandeza de seu espírito pode ter atinado com a urgência nobre, - como era seu silencio e ausência de queixas - de passar mensagem de previdência com a sólida base de comedimento para o futuro. Como ninguém morre tendo aprendido tudo, estou aprendendo com Marqueiz".
. .

.
Deixei o Hospital do Câncer após vencer a primeira etapa do tratamento radioquimioterápico. Já havia emagrecido cerca de dez quilos e minha pele estava com uma cor pálida, ressaltada ainda mais com o olho esquerdo estático, devido à paralisação da face esquerda. Vim direto para casa. Minha mulher dirigindo o carro e eu deitado no banco traseiro, enfraquecido. O prazo para ficar em casa, só tomando medicamentos contra a dor na cabeça era de 21 dias. Depois, o retorno para a segunda etapa. Ao todo, cinco. Fiquei pensando quando se constatou, pela primeira vez, a existência do tumor.
.

O médico Mauro Ikeda marcou a cirurgia para o dia 16 de dezembro de 2003, sem antes perguntar se eu não gostaria de passar as festividades do Natal e do Ano Novo e só depois passar pela cirurgia. Não hesitei e, ainda com receio, enfrentei com uma certa serenidade aquela situação. Essa operação, conforme me informaram depois, demorou onze horas, indo da manhã até a noite do mesmo dia. Do centro cirúrgico, me encaminharam diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneci por mais doze horas. Na UTI sentia estar amarrado dentro de uma jaula e transpirava de forma ardente, sem poder mexer as mãos, atadas justamente para paralisá-las e evitar o toque em algum ponto sensível.
.
Quando me colocaram numa cadeira de rodas e me levaram para a parte externa da UTI, quem me aguardava era a Ilca, os olhos avermelhados, as pálpebras arroxeadas, não sei se de cansaço ou por haver chorado pela situação que eu enfrentara e continuava enfrentando. Ela tentava um diálogo comigo, mas, percebi, eu estava sem voz. Fiquei com receio de nunca mais poder falar. Horas depois fui levado para a enfermaria, me colocaram deitado em uma cama, onde permaneci imóvel, desta vez com receio de se movimentar e prejudicar a intervenção cirúrgica. Não demorou cinco dias e recebi alta, com um aparelho para facilitar a articulação da voz e de uma sonda, para poder ser alimentado com uma comida líquida, já industrializada, importada da Holanda.
.
Menos de uma semana em casa, segui novamente para o hospital para medicação e retirada de alguns pontos. Só nos dias seguintes, é que retiraram a sonda. Comecei então a frequentar, diariamente, a fonoaudiologia e em poucos dias era dispensado. Passei um bom tempo só me alimentando com sopa ou outro tipo de alimentação líquida. Mesmo assim, três meses após a cirurgia, já voltara ao trabalho, fazendo reportagens para a revista Jornauto, especializada no setor automotivo. Sentia-me tão bem, que viajei inclusive para outros Estados brasileiros e, onze meses após a minha alta do hospital, embarcava para Buenos Aires, junto com a Ilca, para cobrir jornalisticamente uma feira internacional de autopeças. Nem podia imaginar uma recuperação tão rápida e comemorei, para espanto de minha mulher, tomando cerveja em demasia.
.
Nos anos seguintes, 2005 e 2006, vivi e trabalhei normalmente. Ainda nos últimos meses de 2006, estava na redação do ABC Repórter, um novo diário que circulava nos sete municípios do ABC Paulista, sob a direção de Walter Estevam Júnior, um conhecido desde a década de 80. Sinceramente, não poderia reclamar de nada, até que comecei a sentir dificuldades em ouvir do lado esquerdo, justamente o local onde havia sido operado anteriormente. Perdi tempo, como já disse, com médicos que nada entendiam de câncer, e quando eu fazia correlação entre essa deficiência e a cirurgia, desdenhavam, alegando que eu estava paranóico.
.
Agora, é que percebo como será longo e dolorido esse tratamento. Mas não posso esmorecer. Dizem para ter fé em um ser superior, capaz de me acalentar e me salvar. De que adianta eu fingir crer nesse todo poderoso. Estaria me enganando e vivo uma fase em que não pode haver engano. Nesses dias, nessas três semanas, período chamado pelos médicos de reservado para o repouso, pretendo mesmo direcionar meu pensamento para coisas belas, amenas, que possam me restituir o ânimo, a esperança, sim, a esperança de que um dia eu voltarei a ser um homem normal – e só agora é que sei da importância em ser normal!
.
Lembrar o passado chega a fazer bem para uma pessoa com tempo ocioso obrigatório. O que me preocupa é a falta de dinheiro para a compra de medicamentos. Estou tomando cinco tipos de remédios, três vezes ao dia. Esse procedimento me prende o intestino e começo a sentir cólicas constantes, que me irritam e me tiram a confiança em sair de casa ao menos para um passeio na praça. Receio apelar para o uso de algum banheiro de bar ou padaria ou, pior ainda, não encontrar sanitário disponível e, como consequência, evacuar nas calças, o ocorrido há muitos anos, quando de uma violenta diarréia por causa de excesso de bebida e falta de comida.
.
Fora o problema intestinal, sinto estar perdendo a libido e a potência sexual. Não tenho atração sexual desde quando do início desse problema, com o tratamento quimioterápico em longo prazo. Desconfiando, pego a bula dos remédios. Todos alertam para não dirigir veículos automotores em decorrência das prováveis tonturas e, o considerado mais agravante, essa afetação no desejo sexual. De imediato, procurei contato com o urologista Giordano Zanin, a quem conheço há mais de uma década e que se tornou meu amigo e confidente. Contei-lhe sobre a minha situação, e ele me confortou dizendo ser natural a falta de ereção devido ao meu estado de fraqueza. É só você ganhar peso e tudo voltará ao normal, me confortou. Sai de seu consultório mais tranquilo e disposto a ganhar peso o mais rápido possível para poder voltar à ativa, sexualmente falando.
.
Fiquei, então, a lembrar da minha estada em Manaus. Era ainda um jovem, com vinte e cinco anos incompletos. Barba e cabelos negros e compridos, chamava a atenção das mulheres quando caminhava pelas calçadas da Zona Franca, sob um calor de quase quarenta graus. Mesmo sob essa alta temperatura, não deixara de tomar cachaça e outras bebidas que chegavam a queimar o organismo. Era forte, resistia.
.
Ao chegar a Manaus, me hospedei em um pequeno hotel e, dali, segui para redação do jornal A Crítica – um dos principais do Amazonas -, onde fui recebido pelo jornalista Manoel Lima, então redator deste jornal e correspondente de O Estado de S. Paulo. Lima se dispôs a me ajudar na procura de uma hospedagem. Depois de zanzarmos bastante por Manaus – tinha o dinheiro suficiente para arcar com dois pernoites bem baratos – consegui um quarto em um local próximo ao porto de Manaus e não muito distante da Escadaria dos Remédios, bastante frequentado por prostitutas e vagabundos. Não tinha outra escolha e acertei com a proprietária, mesmo sob o olhar repulsivo de Lima – ele não se convencera de que o novo correspondente do Jornal do Brasil chegasse tão pobre a ponto de não poder pagar o aluguel de um quarto de um hotel destinado à classe média, ao menos.
.
A notícia chegou ao diretor do jornal A Crítica, o jornalista Umberto Calderaro, que de imediato me ofereceu um emprego como repórter. Ainda nesse mesmo dia, procurei o empresário amigo de Rubens Rodrigues dos Santos e lhe entreguei o bilhete. Não sei, realmente, o que estava escrito, mas deveria relatar um pouco de minha precária situação. Bastante educado, esse empresário elogiou Rubens dos Santos e, educadamente, me ofereceu certa quantia em dinheiro - dizendo estar devendo ao amigo de São Paulo -, o suficiente para eu passar um bom tempo em Manaus, sem precisar da ajuda de mais ninguém.
.
No dia seguinte, Calderaro me convidou para um passeio, em sua grande e potente embarcação, pelas águas dos rios Negro e Solimões e, pela primeira vez, pude ver o famoso encontro das águas amareladas e enegrecidas desses dois rios. Uma beleza de espetáculo. Ainda nesse barco, tomamos aperitivos e almoçamos – peixe preparado pelo comandante da embarcação, que também exercia a função de cozinheiro.
Chegamos próximo à desembocadura do rio Amazonas e, depois, regressamos. Fomos direto para a redação e, para minha surpresa, me pediram para fazer uma matéria de quatro laudas – na época, 1975, redigia-se em máquinas de datilografia e media-se o tamanho das reportagens por laudas padrão de vinte linhas.
.
Mesmo pego de surpresa, uma vez que não havia feito nenhuma anotação sobre esse que julguei ser apenas um passeio de boas-vindas, escrevi o solicitado e mostrei, sem querer me expor, a minha capacidade em elaborar um texto longo, relatando a beleza de um cenário esplendoroso, mas visto como algo comum pelos habitantes locais. Esse acontecimento serviu, também, para desmentir a tese, defendida por muitos, de que o repórter precisa conhecer a região para escrever sobre ela e não cometer deslizes. Lamentável engano. É o profissional de imprensa encantado pelo novo, pelo diferente, que retrata com mais argúcia e pormenores tudo visto ao redor por onde passa, enquanto que o habitante local, sequer vê beleza naquilo onde só a beleza impera...
_________________________________________
Na próxima quarta-feira, o nono capítulo de Memória Terminal, do jornalista José Marqueiz, Prêmio Esso Nacional de Jornalismo, falecido em 29/11/2008. O Prêmio Esso de Jornalismo é o mais tradicional, mais conceituado e o pioneiro dos prêmios destinados a estimular e difundir a prática da boa reportagem, instituído em meados da década de 50, num contexto desfavorável à marca do patrocinador, então associada à campanha contra a nacionalização do petróleo do qual participavam várias multinacionais. Originalmente chamava-se Prêmio Esso de Reportagem e contemplava apenas a mídia impressa, mesmo a Esso possuindo um programa radiofônico (O Repórter Esso), mais tarde exibido também na televisão, o mais importante informativo eletrônico da época. A partir de 2001 foi criado um prêmio Especial de Telejornalismo. Também há premiações regionais, instituídas desde a segunda versão. (Edward de Souza/ Nivia Andres) Arte: Cris Fonseca.
__________________________________________

terça-feira, 8 de junho de 2010

D O. A M O R. E. D E. A M A R.

EPÍSTOLAS PAULIANAS

Conversando com a personagem Laura Hunt, eternizada pela minha amada imortal Gene Tierney, na película “Laura”, produzida nos idos anos de 1944

Diadema, minha amada cidade, 08 de junho de 2010.

Prezadíssima senhorita Laura Hunt:

Atrevo-me a enviar-lhe esta missiva, tendo em vista que a senhorita cometerá um equívoco lamentável se resolver viver ao lado do insulso detetive Mark McPherson porque, como lhe disse anteriormente, sua vida com ele não será nada glamurosa. Ele deseja uma prole numerosa e seus parcos recursos pecuniários de zeloso homem da lei, nem de longe, atenderão os seus desejos de uma vida requintada. Soube de fontes fidedignas, que ele alugou um apartamento, num edifício em estado precaríssimo de conservação, lá no Brooklin. Pense bem, senhorita Laura Hunt, será que deseja uma vida cercada de montanhas de fraldas, camisas e cuecas samba-canção para lavar, engomar e passar, além de suportar os ruídos noturnos, o chulé exacerbado e outras partiularidades físicas desagradáveis, além do fato do insulso detetive Mark McPherson tomar somente dois banhos por mês?!..

Tenho alvíssaras para a senhorita, porque acabo de saber que o sofisticado Waldo Lydecker deixou-lhe, em testamento, toda sua polpuda fortuna, que inclui o requintadíssimo apartamento, no mesmo edifício de morada de Greta Garbo! Somente em espécie US$30.000.000, sem contar ações aplicadas na Bolsa de Valores de Nova York e outros imóveis em locais valorizadíssimos, nas imediações do Central Park!!!!... Todavia ele impôs uma condição sine qua non para o recebimento dessa estonteante herança - a senhorita terá que encontrar um homem vigoroso, culto, arguto, requintado e bem relacionado, igual a ele.

Ouso candidatar-me a ser seu consorte, porque atendo todos os requisitos estabelecidos na cláusula testamental! Esqueça este meu desafeto, o insosso detetive, e venha para os meus braços, porque lhe prometo uma vida cheia de emoções e nada rotineira! Sou a cópia perfeita do Waldo Lydecker, sem o ciúme doentio que ele lhe nutria.
Sua vida ao meu lado será um eterno deleite inefável! Prometo-lhe carinhos constantes, no mínimo três vezes por dia digo, por semana, repletos de êxtases! (Ché...)! Faremos cruzeiros memoráveis pelo Mar Mediterrâneo, com destino às Ilhas Gregas. Já pensou ver o pôr do Sol na Ilha de Mikonos, passeando de mãos dadas comigo, pelas belíssimas praias daquela encantadora Ilha?!... Os concertos, óperas, museus e vernissagens que iremos nos espaços culturais mais sofisticados e frequentados deste maltratado e fascinante mundo em que vivemos?!... Aguardo, sôfrego, sua afirmativa resposta!!!

Despeço-me, enviando-lhe um calorosíssimo e afetuosíssimo abraço.

Seu eterno admirador e vassalo mor

João Paulo de Oliveira

Dois dias depois da postagem da missiva, ouço o som da campanhia do meu apartamento... Ao abrir a porta, me deparo com a senhorita Laura Hunt, de braços abertos e um sorriso encantador... Depois de entrar e acomodar-se na sala de estar, no meu colo, diz: - João Paulo, claro que você será o homem da minha vida, ajudando-me na administração da vultosa herança que receberei, caso consinta contrair núpcias com um homem que tenha seu perfil! Vamos marcar a data deste auspicioso dia! Antes de sairmos para agilizar os trâmites legais do matrimônio, vamos para os seus aposentos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!... Claro que ficamos felicíssimos, porque tínhamos a convicção que um futuro glorioso e radiante nos aguardava!!!!!!!

Max!!!!!!!!!!... Traga meus sais centuplicados! Onde está a lambisgóia da Agrado?!...

Valha-me, depravada Santa Brenda Lee dos Caracóis Desesperados!!!... Clamo pelos seus regos digo rogos, para deixar-me sempre propenso a dar outros viéses para películas, que são referência na filmografia mundial, tornando a premissa: "Celulóide secreto, outro viés" um fato!!!!!...

Minha amada imortal Gene Tierney, sempre a amei, amo e amarei!!!!... Não vejo a hora de vê-la radiante na minha frente dizendo:

- Venha, João Paulo, venha, meu vassalo mor e fã ardoroso nº 1!!!!!!!!!!...

Irei, no mais profundo júbilo inefável, para servir-lhe uvas e vinhos, bem como para atender todos os seus divinais desejos, no Olimpo, para sempre!!!!!...

Ai, ai, o amor é lindo!!!!...

Bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer!!!!...

----------------------------------------------------------------------------------
*João Paulo de Oliveira, 57, pertence a uma das mais antigas famílias do Grande ABC, com raízes na Freguesia de São Bernardo. Andreense de nascimento, é professor e leciona na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, na Região do ABC Paulista. Ocupa também o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na Prefeitura de São Paulo. Além de Pedagogo é Mestre em Educação. Especializa-se no estudo da árvore genealógica familiar. Nas horas de lazer, em sua bela mansão no litoral, busca refúgio nas belas praias do Guarujá. Amigo e colaborador do blog, João Paulo escreve, mais uma vez, uma crônica inédita neste espaço. Visite seu blog, Celulóide Secreto, em http://joaopauloinquiridor.blogspot.com Contatos com o articulista pelo e-mail joaopauloinquiridor@ig.com.br
-----------------------------------------------------------------------------------

segunda-feira, 7 de junho de 2010

JUNHO ESPECIAL NO BLOG

Junho é um mês especial. Festas Juninas, Dia dos Namorados, Copa do Mundo... A partir de hoje, o Blog Crônicas de Edward de Souza e Amigos Jornalistas inicia uma série de especiais, começando pelo tema DO AMOR E DE AMAR, com crônicas e contos de nossos colaboradores. Na sexta-feira, dia da abertura da Copa do Mundo de Futebol, vamos inaugurar A COPA NO BLOG, uma série para acompanhar a Seleção Brasileira durante o mês inteiro, conforme forem ocorrendo os jogos, com a participação de todos os articulistas. Não deixem de acompanhar e participar!


D O. A M O R. E. D E. A M A R.


O ANEL QUE EU NÃO TE DEI


Um quarteirão daquela rua de terra batida em um bairro da periferia da grande capital virou uma via-sacra. Adolescentes a partir dos 14 aos 16 anos, circulavam com insistência defronte aquela casa amarela com grandes janelas.

Dias antes, aquela moradia havia recebido novos moradores. Entre eles, uma jovem morena de cabelos longos, corpo escultural, linda... Os rapazes ansiavam por um olhar, um gesto e até mesmo uma palavra daquela garota. Seria a glória!

Mas nada disso acontecia. A menina-moça era avistada apenas quando sentada na varanda lendo ou bordando.

Início da década de 1950. Tempos em que para se conquistar uma garota havia todo um ritual.

Olhares que se cruzavam, um sorriso, um cumprimento... Tudo isso se chamava “tirar linha”. Às vezes, um bilhete. Um encontro na missa dos domingos, na padaria... Finalmente, a primeira troca de palavras. Palavras sem graça. Bom dia, boa tarde, boa noite. Como vai... E outras ditas com timidez. Finalmente a pergunta crucial! Como você se chama?

No caso que estou narrando, a menina-moça chamava-se Gabriela, tinha 15 anos e tinha um irmão mais velho. Um latagão enorme e cenho feroz.

O rapaz candidato a namorado, e que conseguira se aproximar da linda garota chamava-se Vicente. O acaso os juntou na quitanda do bairro. Um olhar profundo e, finalmente, o rapaz venceu a indecisão e cumprimentou a moça. Ela respondeu com um sorriso faceiro.

Daí em diante, ela ficava esperando no portão todas as manhãs quando por ali passava o Vicente, em direção ao trabalho. À noite o encontro fortuito (deveria parecer assim) se repetia.

Finalmente a grande oportunidade! A matinê no cinema do bairro!

Era no cinema que começavam a maioria dos namoros. Outros locais eram na igreja e nos bailinhos de fins de semana, por ocasião de aniversários, casamentos, batizados...

Amores fugazes. Primeiras paixões de adolescentes...

No cinema, Vicente conseguiu sentar-se ao lado de Gabriela. O irmão guarda-costas sentara-se em outro local, com sua namorada.

Um roçar no braço da amada, um olhar no escurinho do cinema, palavras sussurradas... As pernas de Vicente tremiam. Um ligeiro roçar de lábios...

O namoro firmara-se com esse encontro. A matinê dos domingos, durante algum tempo, era o palco dos enamorados.

Finalmente o grande dia! Um baile na casa de um vizinho. Todos estavam convidados. Vicente aguardava com ansiedade esse dia.

Com sacrifício, Vicente comprara, à prestação, um anel de ouro 18 quilates, ornado com uma pedra vermelha. Vermelho que simbolizava o ardente amor. Seria o símbolo do amor eterno!

Os dias, as horas pareciam não passar. No baile, a grande oportunidade de abraçar e acarinhar seu primeiro, único e grande amor.

Sábado! Terno azul-marinho, sapatos pretos e lustrosos, camisa impecavelmente branca. No capricho para abraçar e voltear com sua Gabriela.

Durante os dias que antecederam o grande momento, Vicente cantava ou assoviava a todo o instante uma antiga canção popular. “Se essa rua/Se essa rua fosse minha/Eu mandava/Eu mandava ladrilhar/Com pedrinhas/Com pedrinhas de brilhante/Só para ver/Só para ver meu bem passar...”

O anel devidamente embalado dentro de uma caixinha forrada de veludo, estava guardado dentro de um dos bolsos do paletó.

Oito horas da noite. Vicente, eufórico, chegou à casa do aniversariante. Um conjunto improvisado (acordeom, violão e pandeiro) tocava uma valsa. Ninguém ainda se habilitara dar os primeiros passos.

Garotas, rapazes e pessoas mais idosas foram chegando.

Finalmente, o casal anfitrião iniciou o baile.

E foi nesse momento que Gabriela, toda de branco, adentrou a sala. Estava radiante! Os rapazes presentes esbugalharam os olhos cobiçosos.

Vicente, incontinente a ela se dirigiu, cumprimentando-a e a tirando para dançar. Voltearam pela sala, olhos nos olhos sorrindo um para o outro.

Depois das primeiras músicas, enquanto Vicente se ausentara por alguns instantes, um rapaz se aproximou e a convidou para dançar. Gabriela não se fez de rogada, saiu toda faceira. Daí em diante, Vicente não teve mais vez. Ora com um, ora com outro a linda morena rodopiava pela sala, alegre.

Os “amigos da onça” olhavam de soslaio para Vicente, se divertindo com o desespero evidenciado pelo semblante triste do rapaz.

O ciúme atroz atingiu em cheio o adolescente. Um vulcão prestes a explodir!

Não tivera mais vez.

Uma hora depois, arrasado, se retirou. Lágrimas doridas começaram a brotar. O ciúme dera lugar à raiva.

Caminhando pela rua escura, parou defronte a um matagal (muito comum na época) e tirando a caixinha com o anel do bolso a olhou por alguns instantes e, logo em seguida, arremessou-a para o interior daquele verde escurecido pela noite.

------------------------------------------------------------------------------------
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
-----------------------------------------------------------------------------------

domingo, 6 de junho de 2010

JUNHO NO CALENDÁRIO... ÉPOCA DE FESTA


.
Junho no calendário. O palco está montado. Logo mais se apresentam os grandes santos que mesclam milagres com festas. Claro, a alegria das pessoas em agradecimento às graças alcançadas. Também, por tradição, decidiu-se que o tom é caipira, com músicas e trajes que evocam a vida no campo, a vida dos que labutam de sol a sol na faina de plantar e colher, de criar animais e produzir.
.
A época é de forte censura. Carne vermelha é nefasta, ovos aumentam o colesterol, cigarro é nocivo, açúcar engorda, sal aumenta a pressão arterial. Os arautos da boa saúde, do mesmo modo que os anjos do apocalipse vão bradar contra todos os tipos de praga. Para eles o ideal seria viver em escuras cavernas, voltar à pré-história, conviver com os dinossauros. Mas, junho está aí. Época de dançar e cantar, rever a velha fogueira numa noite de luar intenso, sonhar e viver. E dar uma banana solene para os que praguejam contra a alegria.
.
Mastros erguidos, no alto Santo Antônio, São João e São Pedro. Fogueiras ao redor, comidas típicas, canjica, cocada, arroz-doce, pipoca, batata-doce assada, bolos de milho e broas de fubá... Gosto bom de infância, brincadeiras de pular sobre as brasas e danças inocentes, quadrilha. .
.
Algumas coisas ficaram para trás por imposição do politicamente correto, caso dos balões que enfeitavam os céus. Mudaram-se costumes, vieram outras atrações e um pouco do pecado da perdição. Mas sempre é possível se divertir e também orar, que os tempos são marotos, a vida difícil, muitas crises. E os santos abrem os braços para receber as súplicas e atender aos anseios humanos, desde que sejam justos.
.
No mês de junho, comemoramos os 3 santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro. No dia 13 é comemorado o dia de Santo Antônio, conhecido como santo casamenteiro. A ele é atribuída uma série de graças matrimoniais. Já no dia 24, comemoramos o dia de São João, o santo mais festeiro dos três e as maiores festas ocorrem nesse dia. Ele é também um santo casamenteiro, mas é mais famoso por ajudar as pessoas a acharem objetos perdidos. São Pedro é comemorado no dia 29, suas festividades fecham as comemorações juninas e costuma ser a noite mais fria do ano. Ele é o guardião das portas do céu e também protetor das viúvas.
.
Nessa época, muitas festas animam as comunidades espalhadas pelo Brasil. Os gaúchos costumam realizar a primorosa dança das fitas. No norte do país, o boi-bumbá exibe o capricho com que o povo da região preserva sua tradição. Já em muitas cidades do Centro-Oeste são apreciadas as danças do cururu acompanhadas por viola e ritmadas pelo sapateado e pelo canto cheio de rimas dos dançarinos. Na região Sudeste, o que mais se vê são as barraquinhas de quermesse que promovem sorteio de prendas e que vendem, além de algumas comidas típicas da época do Brasil agrícola - milho cozido, pinhão cozido, cuscuz, bolo de fubá -, iguarias que se popularizaram no país com a chegada dos imigrantes europeus, como quibe, esfiha e pizza.
.
No Nordeste, os participantes de uma festa junina podem saborear doces brasileiros como o bolo de mandioca e tomar parte do popular forró que, com suas músicas alegres e contagiantes, faz todo mundo dançar. Atualmente, festas famosas atraem muitos turistas, como as de Caruaru, em Pernambuco; de Fortaleza, no Ceará; de Campina Grande, na Paraíba; e do Sesc Itaquera, em São Paulo.
.
Recordo das festas juninas de outrora, e como é inevitável, comparo com as de agora. As festas juninas de tempos passados eram mais festas e menos comércio; as de hoje são mais comércio e menos festas. Lembro que meus tios tinham um sítio em Ribeirão Corrente, perto de Franca e para lá eu ia todos os anos, para a festa de São João. E em festa junina que se preze não pode faltar a quadrilha. Ela representa um casamento da roça. O casamento caipira surgiu como chacota aos casamentos clássicos. A noiva aparece grávida e seu pai obriga o moço a assumir a responsabilidade, fazendo-o casar com uma espingarda apontada para a cabeça. Essa história é muito engraçada, pois o pai da noiva tem todo o apoio do delegado da cidade, que é seu amigo. Durante a cerimônia o noivo, que está bêbado, tenta fugir, mas sem sucesso. Após o enlace os noivos puxam a dança da quadrilha.
.
Certa vez, em uma dessas festas, fui convocado para ser o “padre”. Solenemente realizei o casamento, tudo brincadeira. Tempos depois um amigo confidenciou-me: “aqueles jovens que se conheceram naquela festa em que você fez o papel de padre, casaram-se, de verdade”. Coisas do destino...
.
Mas, retomando o assunto, nas festas juninas no sítio de meus tios, no fim do dia, uma enorme fogueira já estava armada na frente da casa. Ao redor, bandeirolas e balões de papel colorido enfeitavam tudo. Os balões traziam inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como por exemplo, “Viva São João”, ou a outro santo qualquer comemorado nesta época. Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditavam que ao soltar um balão, se ele subisse sem nenhum problema, os desejos seriam atendidos, caso contrário (se o balão não alcançasse as alturas) era um sinal de azar. A tradição, mesmo nos dias de hoje, reza que os balões levam os pedidos dos homens até São João. Claro, não passa de crendices populares.
..
Meus primos acendiam bombas e vulcões e eu ficava observando o brilho sair do chão para riscar o céu como estrelas que vão beijar o solo depois. Os cachorros latiam com medo do pipoco dos fogos, meu pai acendia os rojões para os meninos não queimarem os dedos e eu brincava com chuvas de prata, que acompanhavam meus movimentos circulares, como vaga-lumes prateados cruzando o ar. A fogueira consumia-se. E o sanfoneiro a tocar: “O baile lá na roça/Foi até o sol raiar/A casa estava cheia/Mal podia se andar! /Estava tão gostoso/Aquele reboliço/Mas é que o sanfoneiro/Só tocava isso! /De vez em quando alguém/Vinha pedindo pra mudar/O sanfoneiro ria/Querendo agradar! /Diabo é que a sanfona/Tinha qualquer enguiço!/Mas é que o sanfoneiro/Só tocava isso!
.
Fogo alto, vermelho, um espetáculo bonito de se ver em meio a todo aquele breu. No dia seguinte, a manhã acordava com cheiro de pólvora dormida e cascas de amendoim espalhadas pelo chão. A fogueira ficava no ponto para assar milho e não faltava quem levasse sua espiga mais bonita, para vê-la avermelhar-se na brasa quente. Brasa vermelha, lembrança viva, é isso que sinto quando vejo as bandeirolas se erguerem novamente, riscando o céu nestas manhãs e noites de junho. Como a vida corre depressa na minha idade. Antigamente era uma eternidade. Ingênuo, eu rezava para que o tempo passasse rápido. Quem me dera soubesse o que sei hoje. Não teria tanta pressa...
_____________________________________________________________
*Edward de Souza é jornalista e radialista
_____________________________________________________________