segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNIBAN NÃO VAI MAIS EXPULSAR GEISY

NOTÍCIAS RECENTES SOBRE ESSE CASO
.O Reitor da Universidade
A Universidade Bandeirante (Uniban) decidiu revogar a expulsão da aluna Geisy Arruda, 20 anos, que foi insultada por vários alunos da instituição por usar um vestido curto no campus de São Bernardo do Campo. A informação foi divulgada em uma nota oficial da instituição.
O Reitor da Universidade Bandeirante - Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, incisos IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (Consu) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão", diz a nota, sem dar mais detalhes.
O caso da estudante de turismo, Geisy Arruda (foto acima), voltou a ser abordado neste domingo por todos os jornais do Brasil e muitos do exterior, após a decisão da Universidade de São Bernardo de expulsá-la pelo uso de uma minissaia. Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70, loira, olhos verdes, residente em Diadema, cidade do ABC paulista, cursava o primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Mesclado ao texto deste blog, notas de agências de notícias. Acompanhem todo esse caso polêmico.
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A União Nacional dos Estudantes (UNE) fará ato nesta segunda-feira, a partir das 18h, em frente à Uniban de São Bernardo, no ABC PAULISTA, para repudiar a expulsão da estudante Geisy Arruda do, do curso de Turismo. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, considerou "descabida" a decisão da Uniban: "é como nos casos em que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso", afirmou.
A universitária foi xingada por alunos da instituição por usar um vestido considerado curto no campus no dia 22 de outubro. Em nota, a entidade estudantil convida os universitários a participarem da manifestação e sugere um desfecho para o caso: "chamamos a atenção das universidades para o fato e que alguma aceite a matrícula de Geisy, lhe oferecendo, inclusive, uma bolsa de estudos".
Geisy foi pivô de uma confusão de grande repercussão quando teve de sair escoltada pela Polícia Militar do prédio da sua faculdade devido às agressões verbais que estava recebendo dos colegas pelo vestido que usava. Imagens das agressões foram gravadas por universitários e postadas no site YouTube no mesmo dia. Desde o ocorrido, a estudante não voltou mais à universidade.
A Uniban, em um comunicado pago publicado em jornais do Estado de São Paulo deste domingo, informou ter decidido expulsar Geisy "em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade". "Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar", diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
No sábado, Geisy Arruda afirmou não ter sido comunicada da decisão e que ficou sabendo da expulsão no comunicado publicado nos jornais, mesmo tendo passado a tarde de sábado em uma sindicância da Uniban sobre o caso. A estudante de Turismo disse ter considerado a decisão um "absurdo".
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MEC QUER EXPLICAÇÕES
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O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta segunda-feira que pedirá explicações à Universidade Bandeirante (Uniban) sobre a expulsão da estudante Geisy Arruda, 20, que foi hostilizada por outros alunos ao usar um vestido curto para ir à aula.
"Vamos analisar o que ocorreu e, em vista dos esclarecimentos da universidade, o MEC pode recomendar que a universidade se comporte como uma instituição de educação", afirmou Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Educação Superior do ministério.
A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), já havia informado mais cedo que vai cobrar da Uniban explicações sobre a expulsão da aluna e sobre o andamento das medidas contra estudantes que a "atacaram verbalmente". Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra "absoluta intolerância e discriminação". "Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões", afirmou a ministra.
Segundo Nilcéa, a ouvidoria da SPM já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Hoje, a SPM deve publicar nova nota condenando a medida e provocando outros órgãos de governo como o Ministério Público Federal (MPF) e o MEC.
Geyse foi hostilizada no dia 22 do mês passado por cerca de 700 colegas, por usar um vestido curto durante as aulas. Aluna do primeiro ano do curso de Turismo, a estudante foi expulsa da instituição, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP). A decisão foi divulgada em nota paga publicada ontem em jornais paulistas.

domingo, 8 de novembro de 2009

ESTAMOS VOLTANDO À IDADE MÉDIA?

O caso da estudante de turismo Geisy Arruda (fotos), voltou a ser abordado neste domingo por todos os jornais do Brasil e muitos do exterior, após a decisão da Universidade de São Bernardo de expulsá-la pelo uso de uma minissaia. Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70, loira, olhos verdes, residente em Diadema, cidade do ABC paulista, está no primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Mesclado ao texto deste blog, notas de agências de notícias. Acompanhem todo esse caso polêmico.
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EXPULSA DA UNIVERSIDADE
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A Uniban publicou anúncio em jornais de São Paulo deste domingo (8) em que afirma ter decidido expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, hostilizada por colegas no dia 22 de outubro. A estudante foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas - ela está no primeiro ano do curso de turismo. No anúncio, intitulado "A educação se faz com atitude e não com complacência", a universidade afirma que a sindicância aberta para apurar o acontecimento concluiu que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna. Segundo a nota, foram colhidos depoimentos de alunos, professores e funcionários, além da própria Geisy, para embasar a sindicância. Em seu depoimento, a Uniban diz que "a aluna mostrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse". As imagens gravadas no dia e divulgadas na internet também foram analisadas, e os alunos identificados foram suspensos temporariamente das atividades acadêmicas. A universidade afirma que a aluna frequentava a unidade com trajes inadequados "indicando uma postura incompatível com o ambiente" e chegou a ser alertada sobre o assunto, mas não mudou o comportamento. No dia do acontecimento, segundo a Uniban, Geisy percorreu percursos maiores para aumentar sua exposição, "ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos".
"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."
O advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna "sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar". O advogado da estudante, Nehemias Melo, disse que ainda não foi notificado da decisão da Universidade em expulsar a estudante e que tomou conhecimento apenas pelos jornais deste domingo.
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. COMO TUDO ACONTECEU
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No dia 22 de outubro, uma quinta-feira, a estudante foi à universidade, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC, com um vestido rosa curto. Quando subia uma rampa, alguns alunos começaram a assobiar e cantá-la, mas, em pouco tempo, os gracejos deram lugar a ofensas e palavrões. Ao entrar no banheiro, Geisy relatou que uma roda se formou e ela precisou da ajuda dos colegas para conseguir chegar até a sala de aula. Diversos alunos tiraram fotos e filmaram com o celular. A confusão só acabou por volta das 22h com a chegada da Polícia Militar, que abriu caminho entre os estudantes com ajuda de spray de pimenta e escoltou a jovem até a casa dela. Por cima do vestido, Geisy colocou um jaleco branco fornecido por um professor. No dia seguinte ao fato, o vídeo com os xingamentos já estava no YouTube e contabilizava milhares de acessos.
Em entrevista, a jovem classificou o episódio como "um ato de vandalismo" e disse não ter entendido as reações violentas causadas por sua roupa. "Já havia usado o vestido outras vezes e nunca tinha acontecido nada", disse. Ela também disse ter vivido momentos de "terror" por conta da ação dos colegas. "Fiquei presa na sala de aula junto com os meus colegas e professores, que tentavam me defender. Do lado de fora, o pessoal chutava a porta, dava murros. Eles chegaram até a quebrar a maçaneta. Estavam totalmente possuídos". Geisy deixou de frequentar as aulas desde o ocorrido.

ESPECIALISTAS CRITICAM A MEDIDA
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O promotor de Justiça Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, disse que a decisão é um “exagero” e lembra “posturas fundamentalistas”. O caso, segundo ele, não poderia ser enquadrado como ato obsceno, tanto por não ter ocorrido em lugar público como porque não há norma legal para proibir a mulher “de andar com seu vestido mais para cima ou mais para baixo”. “Isso tudo só mostra como a mulher ainda é vista como objeto por muita gente”, diz.
Para Sônia Coelho, militante da Sempreviva Organização Feminista (SOF), a expulsão da estudante é um retrocesso e mostra a falta de compromisso da instituição com a educação e a cidadania. “Isso demonstra que a faculdade não tem nenhuma preocupação com a formação de seus alunos.”. “O Ministério da Educação não pode se omitir e deve entrar com alguma medida para que a universidade se retrate ou até feche. Daqui a pouco as mulheres serão apedrejadas também”, diz Sônia. A polêmica está armada e vai dar muito pano pras mangas. Você que nos acompanha neste blog, o que pensa sobre o assunto?

sábado, 7 de novembro de 2009

UNIVERSITÁRIOS CRIAM FRASES GENIAIS

Final de semana, ânimos exaltados, nada melhor do que descontrair. Pela genialidade, mesmo sendo conhecida por muitos que já receberam por e-mail, resolvemos postar essa brincadeira ocorrida num Campus de uma universidade.
Tudo começou quando estudantes de Direito da faculdade resolveram transformar uma célebre frase em camiseta e ela virou moda no Campus. A turma fez a seguinte frase:
Aí, o pessoal de Medicina resolveu provocar:
O pessoal de Administração não deixou por menos:
E a turma de Agronomia mandou esta:
E não termina por aí! Depois foi a vez do pessoal de Publicidade:
Logo veio a turma da Engenharia participar também da brincadeira:
Mas a frase campeã foi realmente a da Economia:

DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

COBRANÇA: A PRECIOSIDADE DO TEMPO

O que mais se cobra hoje em dia é velocidade. As pessoas têm que ser rápidas, ágeis e eficientes. O sucesso é ser veloz! Como não sou veloz e gosto das coisas bem feitas, bem pensadas e saboreadas, achei uma preciosidade o artigo de Cláudia Laitano no jornal Zero Hora de sábado, 31 de outubro. Conta ela que o ensaísta e crítico literário Antonio Candido, há pouco mais de três anos, durante a inauguração de uma biblioteca do MST, em São Paulo, do alto de seus 90 anos, ousou contrariar um dos clichês mais universais da nossa época. Antonio Candido assim disse: "Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamin Franklin, "tempo é dinheiro". Isso é uma monstruosidade. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo; esse tempo pertence a meus afetos, é para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis: isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução, é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: "eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize. As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada... O amor pelo livro nos refina e nos liberta de muitas servidões."
Em sua crônica, Cláudia ainda comenta que a psicanalista Maria Rita Kehl já havia começado a escrever um ensaio sobre relação entre o modo vivemos neste comecinho do século 21 e a explosão do número de casos de depressão no mundo inteiro quando se deparou com a frase de Antonio Candido e teve um "clique teórico". Em seu livro O Tempo e o Cão está o resultado dessa inquietação - a depressão que invade, devassa e devasta os escravos do tempo - como uma reação psíquica ao excesso de coisas que somos cobrados a fazer o tempo todo, inclusive quando deveríamos estar apenas nos divertindo, brincando, sem compromisso agendado... O resultado óbvio é que "o sujeito deprimido pula do trem em movimento da vida contemporânea e fica à margem dos acontecimentos - não por escolha própria, mas por falência geral da engrenagem interna que o faz funcionar no ritmo exigido."
Pois então, senhoras e senhores à beira de um ataque de nervos, tratem de arrumar tempo para viver, para verem a grama crescer, o rio correr, a lua nascer, o sol despontar e o que mais sempre quiseram fazer, mas sentiam-se proibidos pela exigência diuturna do produzir, produzir, produzir.

Vocês não podem imaginar como é delicioso e refrigerante para a alma ver um beija-flor escolher o lugar para fazer o seu ninho justamente na trepadeira da varanda de nossa casa! Primeiro, ele traz uma penugem, depois, um musguinho e assim, vai tecendo a teia da vida deposita os ovinhos, aquece-os, amorosa e pacientemente, por semanas, até que nasçam seus filhotes. Ah! Isso eu aguardo, também, com paciência amorosa! Vai ser qualquer dia, quando eles estiverem prontos para a vida!
Além de contemplarem as maravilhas da natureza, aprendendo que dela somos parte, há o ensinamento fundamental de Antonio Candido! Ler, ler, ler! Daí brota a fonte da vida! Sem medo de perder tempo ou de se perderem no tempo, e sem vergonha de se sentirem... humanos!

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Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog: http://niviaandres.blogspot.com/
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

QUANTO VALE A VIDA DE UM SER HUMANO?


No começo da noite de segunda-feira de Finados vejo no Jornal da Band materia que sintetiza o caos do sistema de saúde brasileiro e o descaso de grande parte da classe médica tupiniquim. A notícia, com texto e imagem, mostrou a sina de um cidadão de 40 anos de Belém, Pará. O homem passou mal em casa na noite de domingo (1) e a família tentou encontrar uma ambulância ou viatura para socorrê-lo, porém não conseguiu por ser feriado nacional. O homem foi colocado em um carro particular e percorreu com a mulher e outro parente, cinco hospitais de Belém, sem obter atendimento. A desculpa foi a mesma: por ser feriado nacional os médicos emendaram o final de semana e nenhum deles trabalhou nos três dias - sábado, domingo e segunda. O homem morreu e a reportagem da TV exibiu o corpo do infeliz nos braços da mulher no interior do carro da família. Não se soube, até esta terça-feira, as causas da sua morte, mas provavelmente a farra dos médicos em um final de semana prolongado tenha sido um dos fatores do desenlace. Esse não é um caso isolado e muito menos restrito ao Norte ou Nordeste "deste País". Gostaria, certamente, redigir para este espaço, outro artigo sobre hilárias histórias de impagáveis viagens por este Brasil ao lado de companheiros do porte do nosso Edward de Souza, como algumas aqui narradas, porém o momento de indignação conduz a outros rumos, infelizmente.
Desde novembro do ano passado (dia 10), tenho percorrido as recepções e salas dos três mais conceituados centros de atendimento médico público aqui do ABC. O Hospital Anchieta (São Bernardo), Mário Covas (Santo André) e a Faculdade de Medicina do ABC (Santo André). Pelo que constatei neste um ano de visitas semanais as três casas de saúde, todas estão equipadas com o que há de mais moderno no Brasil em se tratando de medicina. Entretanto, é ai que entra a indignação, a conduta de muitos médicos, atendentes e enfermeiros ficam distante do que exige o tratamento ao ser humano. Em alguns casos constatei indescritível deboche do pessoal enfiado em jalecos impecavelmente brancos. Claro que toda generalização é estúpida e nem é esse o objetivo deste relato. Tenho visto um sem número de aberrações, insensibilidade, descaso e desrespeito ao cidadão que não frequenta corredores de hospitais pelas aparências de seus funcionários, mantidos e pagos pelo paciente desdenhado. Já na terceira idade, sendo mais da metade dedicada ao jornalismo e, por consequência, ao aprendizado da lida com o ser humano de todas as classes sociais, vejo disparates cometidos por aqueles que têm por dever e juramento servir a população com humildade, respeito e principalmente dedicação profissional.
Em um determinado momento de pouca inspiração de um rapaz, jaleco límpido, barba aparada, falando ao celular no interior da sala de atendimento, a paciência e resignação escaparam de controle e tivemos pequena altercação, que só não teve outras consequências porque o infeliz percebeu que não estava lidando com "antas" e muito menos subjugados. Fui levado a fazê-lo entender que deveria ter se formado para exercer profissão em abatedouro, labuta mais adequada ao seu caráter. Felizmente o jovem médico assimilou o recado e a pendenga ficou por ali. Mas presenciei outros lances de atendimento impessoal e alguns até desumanos, que reforçaram meu conceito sobre certas profissões e determinados profissionais.
Apenas para justificar a ocupação deste espaço, relato pequeno fato que deixa abismado qualquer ser de médio raciocínio ou espírito de pastor de ovelha. Fiz, no Hospital Mário Covas, uma biópsia no dia 22 de julho. Apanhei os exames dia 07 de agosto e, no mesmo dia, levei ao Hospital Anchieta, porém o médico só foi examinar o resultado do exame agora, dia 19 de outubro, ou seja, mais de 60 dias e, em apenas 5 minutos de atendimento, sem me olhar nos olhos, passou mais um punhado de exames (entre os mais de 50 que fiz em um ano) para depois agendar uma possível cirurgia, que deve acontecer, se não for tarde demais, somente no ano que vem. Um disparate. Vale ressaltar que o Anchieta (hospital municipal de ensino) e Mário Covas (estadual), têm parceria com a Faculdade de Medicina, da Fundação do ABC, de onde são enviados os respectivos médicos.
A irresponsabilidade no episódio da matéria da Band, que resultou na morte do jovem de 40 anos, em Belém, se junta ao que tenho visto "in loco" e sentido literalmente na carne, o desdém dos que tem a vida de um semelhante em suas mãos. Não se trata de desabafo pessoal, aliás, irrelevante, mas o relato de fatos constados na saga de quem vive em uma das mais importantes metrópoles do Brasil e da América Latina.
A qualidade e aparelhagem dos centros hospitalares, que nos três casos acima citados são de primeiro mundo, não camuflam a insensibilidade de profissionais que manipulam os equipamentos e muito menos escondem o despreparo dos que tem o dever de cuidar de vidas com a dignidade que a profissão exige.
Certamente outros tantos e triplicados casos, como o do infeliz homem de Belém, pululam Brasil adentro, em menor ou maior escala, mas que ficam no ostracismo pela resignação ou morte do paciente. Fui, nos anos 90, vítima de dois sequestros relâmpagos aqui em São Bernardo, porém nem mesmo os marginais se mostraram mais insensíveis do que certos médicos, enfermeiros e atendentes de muitos hospitais. Efetivamente, ainda estou nas mãos dos que ostentam belos anéis e vistosos diplomas, mas infelizmente boa parte está despida de sensibilidade para lidar com seres humanos. Isso, faculdade nenhuma ensina. Deveria...
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista, radicado no Grande ABC
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

DIA DE FINADOS: FIQUE DE OLHO NOS VIVOS

.Hoje é dia de saudades, dia de cemitérios, que se vinculam a uma idéia profundamente arraigada no coração humano do culto aos mortos, tudo reduzido a um sentimento de veneração, onde os filhos de Deus descansam em paz. Um dia de ganhos para os que vendem flores, terços e velas. É o dia da celebração da vida eterna, daquelas pessoas queridas que já faleceram, despertando, em cada um de nós, o desejo de abraçá-los outra vez. Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los, de retroceder no tempo e segurar a vida.
Em outras culturas, as despedidas não são feitas de lágrimas, mas de júbilo pela vida que foi passada sobre a terra, e pela nova existência agora em outro plano. Os espíritas acreditam na encarnação e reencarnação, o que significa que, a morte do corpo não representa a morte do espírito e, dessa forma, é possível voltar a viver em outro momento, com o mesmo espírito, mas em um corpo diferente. Essa crença se consiste na idéia de que se pode ter mais uma oportunidade para progredir, ética e moralmente. Até os cientistas, que só acreditam no que podem comprovar, tentam explicar que existe vida após a morte. Existem religiões porque existe a morte e além da morte o grande vazio e a grande interrogação sobre o que nos espera. Todos os credos tentam preencher esse vazio criando céus e infernos mais ou menos semelhantes onde gozaremos a vida eterna como recompensa de nossas boas ações ou padeceremos no fogo por nossos pecados. Não existisse esse medo nem essa interrogação, a gente iria levando a vida a cada dia esperando na próxima esquina a visita da dama de negro que a todos nos levará um dia.
O que não se pode é fugir de uma realidade. Nesses cemitérios da vida repousam esperanças que não se confirmaram justamente por conta da ação dos que estão vivos. E, frequentemente, dos que são vivos demais. Neste dia dos mortos, senti-me tentado a escrever alguma coisa contra os vivos demais. Sim, aqueles que gozando de boa saúde não se cansam de explorar seus semelhantes a qualquer preço. Há espertos por todos os cantos. Hoje mesmo, nos cemitérios, onde as pessoas vão reverenciar os seus mortos, há muitos deles. Uns vendem água a preço de petróleo, outros oferecem flores, pipocas e abacaxis como se estivessem comercializando pepitas de ouro, sem falar nos guardadores de carros, que cobram pedágio de estacionamento. Se o distinto não quiser pagar, corre o risco de ter o carro riscado. Ou então levado pelos "amigos do alheio".
Na longa lista desses "espertos", o primeiro lugar da fila é seguramente ocupado por políticos. Não todos, é claro, mas a grande maioria que avança com sede sobre o erário, sempre à procura de uma vantagem qualquer. São tão "eficientes" que fazem fortuna em quatro ou oito anos de mandato. Aprovam emendas ao orçamento da União e as intermediam, levando uma boa parte para as suas próprias contas bancárias. É injusto, porém, restringir a lista dos "vivos demais" apenas aos políticos. Nos mercados públicos, por exemplo, onde a classe média e a pobreza fazem compras, a esperteza não é menor. Rouba-se no peso, na qualidade dos produtos e até nos sacos de embalagem.
Em muitas cidades desse imenso Brasil com lágrimas ou com bom humor, homenagear os mortos parece ser uma necessidade universal, uma maneira de reverenciar os antepassados e de lembrar que todos são mortais. Criaram um sistema de atendimento diferenciado para os candidatos a defuntos que são fanáticos por futebol. Empresas passaram a vender urnas mortuárias - caixões - com os emblemas de times de futebol. Os mais procurados são os times do Flamengo, Corinthians e Vasco da Gama. Mas, se a família do torcedor preferir o emblema do Santo André - que continua vivo no Brasileirão depois de derrotar o Grêmio da Nivia Andres por dois a zero - ou da Francana, que já morreu só já falta sepultar, é possível mandar fazer um adesivo para colocar no caixão. Além do emblema do time favorito, a família do torcedor tem direito, se quiser, ao hino do seu time. Neste caso, um carro de som acompanha o cortejo fúnebre até o momento do sepultamento. Uma urna mortuária com o emblema de um time custa, em média, R$ 1.500.
Malandragens à parte, não há como negar. Neste dia dos mortos sofremos muito. Tantos momentos agradáveis já se foram, tantas risadas gostosas se calaram. Ficamos meio tristes, meio bobos, meio tontos. Acho que vivemos apenas para lembrar, relembrar e, sobretudo, para reverenciar os que já partiram. Assim ficamos mais frágeis e acabamos sempre sendo enganados pelos vigaristas "vivos" que pululam por todos os cantos. Confesso a vocês. Se dependesse de mim, ficaria o dia inteiro calado. Aprendi desde pequeno com meus pais que o silêncio é a única linguagem que Deus entende. Nem mesmo este texto eu teria escrito.
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*Edward de Souza é jornalista, escritor e radialista
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A OUTRA FACE: UM GESTO DE CORAGEM

O nono parágrafo do capítulo 37 do livro “Fonte Viva” (edição FEB/1986), psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel, assim diz: “Se não é justo atirar petróleo às chamas, com o propósito de apagar a fogueira, ninguém cura chagas com a projeção de perfume”. No parágrafo anterior (oitavo) da mesma lição, o sublime guia espiritual de Chico diz: “Nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras inferiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio”. Infelizmente, a humanidade num todo ainda não consegue compreender que a paz que tanto se almeja só será possível quando o respeito se fizer presente nas relações humanas. O amor fraterno se seguirá e com ele a harmonia fraterna será uma realidade. Acusamos, criticamos, agredimos, vilipendiamos e ferimos com atos e palavras nosso próximo (nossos irmãos), justificando com esses atos que se trata de um revide. E, pasmem! Somos cristãos.
O revide não é ato de um cristão. No Novo Testamento assim está escrito: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, orientai-o com espírito de mansidão, velando por vós mesmos para que não sejais igualmente tentados”. (Paulo. Gálatas, 6:1.).
O mundo sempre esteve repleto de guerras. Guerras que começam porque o orgulho de alguém foi ferido. O diálogo, o ensino cristão e outras filosofias religiosas semelhantes, nunca foram empecilhos para a truculência do homem. No dia a dia, as páginas dos noticiários policiais estão repletas de fatos de ferocidade e horror. Questões de trânsito, familiares, passionais, entre vizinhos e desrespeito às leis dos homens e às leis naturais. Uma “estupidez geral”! Reclamamos dos mandatários sem nos atermos que esses indivíduos são frutos do meio em que vivemos. Daí...
O orgulho e seus filhos diletos, entre eles a hipocrisia, imperam em um mundo perfeito, maculado por uma humanidade insensata. “Dar a outra Face” para essa mesma humanidade é sinal de covardia. Entretanto não poderia haver maior ato de coragem ao fazê-lo. Em “Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XII, ”Amai Vossos Inimigos”, item 11, “O DUELO” (Livraria Allan Kardec Editora), apesar de ser, para alguns, um capítulo ultrapassado, nunca foi tão atual como o é nos dias de hoje. Na época os duelos físicos (pistolas e espadas) eram comuns, mas eles continuam verbalmente, ocasionando discórdias e tragédias. “(...) Refleti um pouco: por causa de uma palavra, as vezes dita irrefletidamente, ou quase inofensiva, da parte de um dos vossos irmãos, inflama-se o vosso orgulho, respondeis de modo irritado, e daí uma provocação” (...). Frases como essa, nos mostram que duelamos todos os dias com insultos ou objetos. Não temos a coragem de nos resguardar ou dar a outra face. O orgulho fala mais alto e as tragédias e desentendimentos se sucedem. Enfim, podemos almejar por paz, se cada um de nós não está contribuindo para que isso aconteça?
A importância da doutrina espírita está exatamente em chamar a atenção para o que está escrito no parágrafo acima. Muitos dos detratores se apegam na lei da reencarnação para combater o Espiritismo. Porque será? Nós espíritas, sabemos a resposta. O foco maior da codificação é chamar a atenção da importância da reforma íntima. Conscientizado disso, o indivíduo lutará todos os dias para diminuir seus defeitos morais e materiais.
“Dar a outra face” não é seguir literalmente o que diz a frase. É ser corajoso e mostrar que aqui estamos para evoluir moral e intelectualmente. É dizer que com truculência verbal ou física a paz está longe de ser alcançada. “Não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho” (Mahatma Gandhi).
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista: jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

UMA PISCINA DE CERVEJA PARA HÓSPEDES

Por cerca de R$ 360, é possível nadar por duas horas na "gelada". Segundo donos desse spa na Áustria, cerveja limpa a pele e ajuda a cicatrizar feridas.
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Visitantes relaxam na piscina de cerveja oferecida por fabricante na Áustria. Por 135 euros, o equivalente a cerca de R$ 360, é possível nadar por duas horas na cerveja, fabricada no local.
O spa oferece 7 piscinas, todas preenchidas com cerveja. O líquido é trocado a cada sessão. De acordo com os proprietários, o banho de cerveja limpa a pele, ajuda a cicatrizar feridas e combate doenças.
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CERVEJA FAZ BEM À SAÚDE?

Assim como todos os alimentos, os cientistas ainda estudam os efeitos benéficos ou maléficos que a cerveja produz no organismo. Mas de uma coisa todos já têm certeza: Assim como todos os alimentos, o consumo da cerveja deve ser Moderado. Os efeitos do álcool sobre a saúde dependem fortemente da quantidade consumida e de outros fatores como sexo, peso corporal, alimentação e predisposição genética.
O abuso do álcool aumenta a mortalidade por causar doenças cardiovasculares, doenças no fígado, e câncer. Essa é a parte ruim da coisa. A literatura mais recente, entretanto, indica que o consumo moderado de álcool está associado a uma redução total do risco de mortalidade. De acordo com as novas pesquisas, o baixo índice glicêmico e as propriedades fitoestrogênicas da cevada e lúpulo usados na produção da cerveja são elementos que promovem uma dieta equilibrada e previnem a ocorrência de doenças cardiovasculares. Recentemente dados foram publicados sobre os potenciais efeitos protetores dos antioxidantes do vinho. Foi também descoberto que a cerveja, vinho e destilados diferem muito no seu conteúdo antioxidante, mas o consumo destas bebidas não leva a diferentes capacidades antioxidantes no soro humano. Novos números, entretanto, sugerem que o consumo moderado de cada tipo dessas bebidas alcoólicas aumentam semelhantemente a capacidade antioxidativa no soro humano. Estas descobertas elucidam a contribuição do consumo moderado de álcool para um estilo de vida saudável.
Não se iluda. Cerveja dá barriga, sim senhor. Assim como quase todos os outros alimentos, uns menos, outros mais. Um copo (300 ml) de uma cerveja do tipo Pilsen, por exemplo, possui cerca de 300 calorias. As cervejas encorpadas, sobretudo as Ales, têm ainda mais calorias por mililitro. Portanto, a palavra de ordem, como tudo na vida, é Moderação. O Consumo regular e moderado de cerveja pode tornar-se um estilo saudável de vida, juntamente com uma alimentação equilibrada e exercícios físicos.

Pense com carinho!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

ISSO É O BRASIL: A ONG DOS DESCASADOS

GUIDO FIDELIS

Depois do sexo, esporte em que o brasileiro é campeão absoluto, deixando gringos de todos os quadrantes de queixo caído com a sensualidade das mulheres que exibem empinados bumbuns nas praias e nas ruas, outras preferências nacionais residem na criação de novas igrejas e de uma infinidade de ONGs, negócios que prosperam país afora e que rendem excelentes dividendos aos seus dirigentes. Quanto às igrejas, proliferam como a velha saúva que devorava a produção agrícola no tempo em que inexistiam os sem-terra e os coronéis mandavam e desmandavam no campo. Estão em todos os bairros e atraem fiéis com ofertas imperdíveis, que podem ser pagas em suaves prestações na forma de dízimos. Transpor as portas de certos templos é como transitar numa feira-livre, caminhar entre barracas, escolher frutas e verduras. Basta definir o produto ou o milagre preferido e o desejo será satisfeito prontamente. Com pagamento adiantado, em dinheiro sonante, tudo se comercializa em nome de Jesus.
Como não tenho vocação para erguer uma velha Bíblia com mãos veementes de fanático e pregar, utilizando-me da voz grave e pausada dos arautos do apocalipse, para multidões de crentes que certamente me retribuirão com generosas oferendas no aguardo de que minhas promessas de intermediação com Deus equacionem difíceis questões sobre a melhor maneira de expulsar o diabo, além de indicar rota segura para a glória e o enriquecimento, fico com as ONGs. Nada de imitar Sísifo e empurrar pedra montanha acima. Ao contrário do que se diz, a montanha virá a Maomé. Efetivamente, trata-se de um negócio que exige menos esforço, mais de acordo com minha postura preguiçosa, com meu jeito de agir silenciosamente nos bastidores. Longe de holofotes, de exposição na mídia, de confusão com lobistas e doleiros, dentro do sagrado princípio de que boas transações exigem discrição absoluta.
Há milhares de ONGs, mas há espaço para outras tantas. Elas ocupam o lugar do Estado, são impenetráveis, prosperam graças a contribuições oficiais e anônimas. Pode-se, por exemplo, promover a defesa dos ouriços pretos, de suaçus e libélulas e até mesmo da conveniência de substituir a mala preta pelo canguru como meio de transporte de valores destinados a corromper.
Penso em instituir uma ONG acima de qualquer suspeita e, desde já, aceito candidatos a cargos de direção do grupo que terá forte representatividade e que se disponham a antecipar verbas de custeio, com garantia de retorno, rentabilidade sem nenhum risco para o investidor.
Proponho-me a estabelecer as diretrizes para a criação do Instituto Messalina de Pesquisas Afrodisíacas. Independente dos estudos que serão realizados no campo da sexualidade, voltados para ativar a libido e melhorar o desempenho dos casais, o objetivo principal será o de defender interesses econômicos dos descasados, daqueles que se separam de cônjuges ricos e se transformam em nau sem rumo, em meio às ondas revoltas da incerteza quanto ao futuro que se avizinha, ou seja, sem grana para sustentar o luxo e a mordomia.
A ONG cuidará principalmente de socialites que se sentirem abaladas emocionalmente e desequilibradas financeiramente. Claro, desde que os ex-maridos tenham patrimônio que possa ser dividido e disponham de numerário para pagar gordas pensões. As frequentadoras das altas rodas e de salões elegantes receberão tratamento de primeiro mundo, com advogados, psicólogos, religiosos, professores de expressão corporal e instrutores de lutas marciais, prevenção contra agressões físicas de rivais.
Terão, ainda, imenso instrumental para obter o atendimento do pedido, mesmo que sob ameaça de se revelar, por intermédio de escândalos, a nebulosa origem das fortunas daqueles que abandonaram as companheiras. Será montado amplo esquema de divulgação para infernizar a vida dos desafetos que rejeitarem as propostas de acordo. Em casos excepcionais, homens que perdem o sustento de ricaças liberadas, desonrados por terem sido substituídos por outros parceiros mais jovens e atraentes, também serão admitidos como clientes da ONG. Como brinde promocional, os primeiros clientes receberão um pequeno frasco de cristal, com tampa de ouro, para guardar algumas preciosas gotas das lágrimas
derramadas.
Empreendedores que queiram participar do grupo de trabalho devem enviar currículo, aos meus cuidados, indicando disponibilidade para subsidiar as comissões temáticas. Preferência para os que possam financiar os gastos de minha viagem ao país do Papai Noel, onde serei acolhido em audiência especial a fim de receber como prêmio uma
conta secreta nas Ilhas Jersey.
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* Guido Fidelis é jornalista e escritor (autor de 20 livros)
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