segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2011


Os repetidos desastres ocorridos nos últimos tempos em várias localidades brasileiras e em diversas partes do mundo merecem, muito mais que lamentações, reflexões objetivas. O que está acontecendo com os deslizamentos de morros no Rio de Janeiro é reprise, em maior escala, do registrado no ano passado, que desnuda a insensatez dos governos e o desdém da população. A quota do desastre carioca, que supera 600 mortes, não é mais simples advertência, é fato. Alguém, em outros tempos, já preconizava: “a natureza não se vinga, retoma o que é seu". Faz sentido.

Para nós aqui do ABC fica claro que acidentes do tipo emergentes estão prestes a acontecer, já que é grande o número de moradias (barracos e alvenaria) ao redor dos morros e a beira das represas Billings e Guarapiranga, que margeiam toda a região e parte da Zona Sul capital paulista. O entorno desses mananciais está loteado por gente humilde que, premida pela necessidade, construiu residência em áreas de risco e, mesmo alertados pelo óbvio, insiste em permanecer no local. Em Mauá, também aqui no Grande ABC, há menos de um mês, o movimento de terra provocou a morte de várias pessoas, entre elas crianças e idosos. Pela topografia, o Rio de Janeiro e cidades semelhantes são o alvo preferido de catástrofes anunciadas. Nesse quesito, o ABC está incluído.
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A ocupação de glebas em pé de serra, no topo da montanha e nos arredores de rios, lagos e represas, indica com visibilidade cristalina que a indevida invasão de áreas pertencentes a natureza terá como retorno a inevitável tragédia. Em todo o ABC, exceto São Caetano, cerca de 200 mil pessoas vivem em áreas de risco. Na Região Metropolitana de São Paulo esse número supera aos dois milhões. O Litoral paulista é, igualmente, imenso manancial perigoso de moradias construídas em áreas de risco, que a qualquer momento pode explodir em desgraças naturais. E a chuva não para. O argumento da necessidade premente e absoluta falta de opções dos que insistem em ocupar ou permanecer nesses locais, não justifica colocar em risco a vida de pessoas, especialmente filhos, pais, avós e a própria.

Os recentes acontecimentos ocorridos em várias partes do Brasil não sensibilizam os que moram a alguma distância das tragédias. A desgraça salta aos olhos e alerta para o bom senso, porém o infortúnio parece rondar apenas a casa alheia. A TV mostra, à exaustão, todos os lances do epílogo carioca que comove o País e é notícia no mundo, mas que não serve de alerta aos que insistem em desafiar o imponderável. Daqui alguns dias a tragédia da Cidade Maravilhosa, como todas as outras, irá se perder no tempo e no espaço, ficando apenas na lembrança dos diretamente envolvidos.
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Aliás, e a propósito, parte do povo carioca parece mesmo ter pouco se comovido com a dantesca cena que enluta e abala o Brasil, pois durante o caos, estava na Gávea, festejando, ao som de bateria de escola de samba, a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Flamengo. Uma heresia.
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Os governantes, insensíveis às tragédias alheias, e o povo, que insiste em montar barraco ao pé do morro ou construir mansão no topo da montanha, não podem ficar isentos de responsabilidades e culpas. Em ambos os casos as vítimas caminham em direção a mesma vala, sem discriminação à miséria ou opulência. Desta vez a natureza decidiu reaver seu espaço e, para tanto, está agindo com força total. E, ao que tudo indica, a ação não irá cessar apenas no trágico aviso enviado ao Brasil, via Cidade Maravilhosa, e outras paragens tupiniquins.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

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“A esperança seria a maior das forças humanas se não fosse o desespero” (Vitor Hugo). Para se registrar todos os casos que levam o ser humano ao desespero, seriam necessários muitos volumes para se descrever o horror de cada uma das situações. Quantos de nós já não passamos por problemas ou situações desagradáveis. É evidente que de acordo com nossos interesses materialistas tudo deveria ser resolvido como num passe de mágica. Afinal, é isso que o ser humano busca, resolver situações desgostáveis de acordo com vontade dele. Um pequeno milagre e tudo se resolveria. Infelizmente, a coisa não é assim; “colhemos o que plantamos”.

Nos dias de hoje, quando os vícios imperam e os homens de perdem em um túnel tenebroso, escuro e sinistro, levando-os muitas vezes ao suicídio ou a morte por problemas psiquiátricos, psicológicos ou simplesmente por abandono de si mesmo, parece que a palavra esperança é totalmente ignorada por desconhecimento dos valores inseridos dentro do imo de cada ser humano. Valores estes que durante séculos foram calcados na memória da humanidade.
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Filósofos mil deixaram através dos tempos, lições de moral e conduta. Jesus com a divulgação do código de conduta divino deu-nos um roteiro seguro para podermos trilhar a vida (ou vidas) de maneira a não nos enlamear-nos nos pântanos do mal. A mídia nos relata todos os dias casos ou situações de intensa gravidade; casas que desabam e seus moradores soterrados nos escombros; chuvas intensas que fazem transbordar rios e riachos e que ceifam muitas vidas; incêndios, afogamentos e um cem números de ocorrências que em muitas vezes provocam situações em que a morte fica por um triz.

Para exemplificar, vamos mencionar o caso ocorrido no Chile, quando mais de trinta mineiros ficaram presos nas profundidades de uma mina e depois de meses foram finalmente resgatados. A solidariedade entre eles, juntando-se todos a um ato de fé e esperança, fizeram que enxergassem no fim do túnel tenebroso e escuro, uma luz. Uma luz que indicava a solução possível. Uma solução que dependeria de muita paciência e irmandade entre os que ali se encontravam e seus salvadores. Em circunstâncias particulares, muitos procuram o suicídio, quando casos íntimos acontecem devido a uma infinidade de fatores, entre eles, dívidas, traições conjugais, rivalidades ou simplesmente por se sentirem perdidos em enormes problemas (para eles). Enganam-se achando ser esta a solução para os seus problemas.
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Não vou aqui descrever os muitos casos que presenciei ou tomei conhecimento através de notícias vinculadas nos jornais e outros meios de comunicação. Um só exemplo para demonstrar aos que acreditam na vida após a morte: “Memórias de um Suicida”, um best-sellers da literatura espírita psicografada por Yvonne A. Pereira (foto a esquerda). O livro narra à história de Camilo Castelo Branco, um escritor português, ditado por ele mesmo.
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Aos sessenta e seis anos, o escritor tornou-se cego. O desespero fez com ele se desse um tiro na cabeça. O sofrimento do indigitado indivíduo no umbral foi terrível. Socorrido depois de se dar conta do erro cometido contra as leis da natureza (ou divinas), passou por um estágio de aprendizado e preparação para uma próxima reencarnação. Sua prova e expiação seria ficar cego na mesma idade em que desencarnou no pretérito e tentar ver no fim do túnel, uma solução para seu problema sem a opção do suicídio.
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Ao nos tornamos menos materialistas teremos uma visão mais aberta para a realidade que nos cerca e as soluções aparecerão com mais coerência e sabedoria. Allan Kardec nos deixou em seu “Suicídio e Loucura”, parágrafo 14 o seguinte texto: “a calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio. Com efeito, a maior parte dos casos de loucura é provocada pelas vicissitudes que o homem não tem forças de suportar. Se, portanto, graças à maneira por que o Espiritismo o faz encarar as coisas mundanas, ele recebe com indiferença, e até mesmo com alegria, os revezes e as decepções que, em outras circunstâncias, o levariam ao desespero, é evidente que essa força, que o eleva acima dos acontecimentos, preserva a sua razão dos abalos que o poderiam perturbar.”
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Sempre haverá uma luz no fim do túnel para aqueles que têm fé e perseverança. Não importa a situação.
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

BLOG DESTA SEXTA-FEIRA...
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O JORNALISTA J. MORGADO
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ESCREVE:
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"UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL".
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Todo cidadão tem direito e dever de apoiar políticas públicas do governo que considere benéficas à sociedade. Sem alinhamento automático e sem a cegueira dos apaixonados e comprometidos. E todo cidadão tem por dever e obrigação criticar tudo aquilo que considerar errado. Sem a hidrofobia de quem faz oposição sistemática, sem distinguir erros de acertos.

Com esse posicionamento, de quem viu com simpatia e apoiou as políticas sociais do governo Lula, quero também dizer que em diversas ocasiões o ex-presidente confundiu a cadeira de presidente com trono real. O caso mais emblemático aconteceu quando já se fechavam as cortinas da sua encenação marqueteira ao longo de oito anos: Lula distribuiu passaportes diplomáticos para a família, incluindo um garoto de 14 anos, como se fosse o dono do poder. Antes de tudo, convém salientar que nenhum presidente é dono do poder. Ele está lá temporariamente, por delegação da maioria dos eleitores, amparado nos dispositivos constitucionais democráticos. Não apenas a estes, mas a todos os brasileiros, o presidente deve satisfações de todos os seus atos, sejam grandes ou pequenos.

Ao beneficiar a família com regalias ilegais, e aqui foi um caso típico, Lula mandou às favas o respeito que deve a todos nós. Não é o custo nem o porte da decisão que estão em questão: é o exemplo! Ao cometer uma ilegalidade, o ex-presidente passou um péssimo exemplo ao funcionalismo público e ao conjunto da sociedade. Esse tipo de coisa avaliza tanto o guarda de trânsito achacador como o grande empreiteiro que frauda em licitações. De alto a baixo, em todos os segmentos da organização social, as atitudes do presidente vão se refletir, seja para o bem ou para o mal.

O ministro da Defesa Nelson Jobim (foto), que foi meu vizinho nos tempos de adolescência, em Santa Maria (RS), e cuja trajetória acompanhei ao longo dos anos, sempre foi conservador, claramente de direita, e chegadinho numa boca boa em cargos públicos. Ao declarar que considera ridículas as críticas a hospedagem de Lula & família numa base militar paradisíaca, a beira mar, acaba de incorrer no mesmo erro do ex-chefe.

Lula tem direito à segurança paga pelo Estado, pelo resto da vida, e só um insano criticaria isso. Mais que direito, é uma necessidade para qualquer ex-presidente. Mas não precisa de uma base militar inteira, até porque sempre se jogou (literalmente) nos braços do povo sem qualquer temor, embora sempre com algum risco, porque loucos não faltam neste mundo. Novamente, para não dar mau exemplo, poderia ter escolhido outro local para seu merecido repouso. Até no exterior. E duvido que fossem cobrar dele pela hospedagem. Repito: não é o custo que está em discussão. Esse custo é sim ridículo. Mas o mau exemplo não é ridículo, é apenas algo a se lamentar.
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Independente de várias coisas boas para o país que aconteceram durante seus dois governos - das quais a principal foi a administração impecável da crise econômica internacional - Lula & família sempre cometeram o erro de confundir o público com o privado, achando que tinham todos os direitos vetados aos demais mortais. O cargo não era dele. Como não é de Dilma, em quem votei. É nosso! Lá o presidente é apenas nosso representante. Não pode fazer o que bem entende, e sim o que nós entendemos, através das leis, que precisam ser claramente interpretadas e, sobretudo, seguidas. Se a lei não for boa, que se abra o debate e se mude a lei. Mas a ilegalidade, em qualquer plano, será sempre intolerável.
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*Milton Saldanha, 65, é jornalista e escritor, além de tangueiro amador
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Ainda nesta segunda-feira, o jornalista
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Milton Saldanha rasga o verbo e
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afirma que o ex-presidente Lula confundiu
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a cadeira de presidente com trono real.
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Aguarde!

domingo, 9 de janeiro de 2011

SÁBADO, 8 DE JANEIRO DE 2011

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Foi uma viagem inesperada, turbulenta, divertida, perigosa e acima de tudo profissional. As andanças pelo Brasil para transmissões esportivas da Rádio Diário do Grande ABC reservaram esta aventura, que poderia ter sido trágica, mas felizmente acabou melhor que a encomenda.
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Em 1984, o Santo André, time profissional aqui do ABC, disputava a Primeira Divisão do Brasileirão, fato inédito para o futebol da região. A Rádio Diário acompanhou a equipe em muitas viagens por todo país. Era abril daquele ano, o Ramalhão, como também é conhecido o clube andreense, foi jogar em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. A partida seria disputada num domingo, no período da tarde e a equipe da rádio viajaria no sábado pela manhã. Antes, porém aconteceram ações extras e inesperadas para essa viagem. Como de praxe, embora a emissora tivesse vida própria, o esquema financeiro era sediado no jornal Diário do Grande ABC. Assim, quando a rádio necessitava, a verba e as passagens eram fornecidas pelo jornal.

Em janeiro de 84 assumi o comando do Departamento de Esportes e a incumbência de solicitar recursos para as viagens ficava sob minha responsabilidade. Na sexta-feira que antecedeu o embarque para Campo Grande, liguei para o Diário solicitando a verba e as passagens. Para minha surpresa, o chefe da grana foi falando: "Olha, Lavrado, o jornal tem permuta com a TAM e sobram passagens áreas aqui no jornal, já que são muito pouco utilizadas. Por favor, aguarde que o Maury liga pra você".
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Mais tarde o Dr. Maury Dotto, diretor comercial da empresa Diário do Grande ABC e que na época tinha mais ligação com a rádio, telefonou e ofereceu: “tenho aqui uma cota de bilhetes que preciso descartar antes que vença o prazo. Você pode utilizar agora. Tem mais, disse o diretor, além da turma do esporte você pode levar outras pessoas da rádio, a passeio". Ele enviou sete passagens. Escalei quatro da equipe que iriam trabalhar e convidei mais três: Sônia Nogueira, secretária da rádio, Márcia D’hipólito, do departamento de jornalismo, e a Soninha, cozinheira da emissora, cujo sobrenome não lembro. Pelo esporte foram o narrador Rolando Marques, o repórter Jurandir Martins, o técnico de som, Agapito Assunção e eu, comentarista.

Em um Fokker 100, avião mais moderno da TAM à época, embarcamos de Congonhas rumo ao mundo. Na primeira escala, em Bauru, deixamos o confortável Fokker e passamos para um “Bandeirante”, com capacidade para 16 pessoas. Nós, da rádio, ocupamos quase a metade dos assentos da aeronave, pequena, sem serviço de bordo, com o piloto (um senhor com mais de 70 anos), e seu jovem assistente, com aparência de 25. Além de nós e da "tripulação", apenas outras duas pessoas corajosas estavam a bordo da "borboleta", que apelidei de Kombi Voadora. Em Araçatuba, na outra escala do vôo, os dois desceram fazendo o sinal da cruz e não subiu ninguém.

Pronto para a decolagem, percebi que estava faltando alguém do nosso grupo. Era o Agapito, que fora ao banheiro do aeroporto e ficou entalado, já que, segundo explicou depois, a porta do sanitário travou pelo lado de fora, obrigando nosso companheiro, aos berros, a chamar a atenção de uma faxineira do aeroporto que abriu a porta. O “bandeirantinho” estava pra decolar quando pedi ao piloto pra esperar a chegada do trapalhão. O homem que comandava a Kombi Voadora resmungou, mas atendeu nosso apelo. Agapito a bordo, o "possante" Bandeirante levantou vôo. A próxima escala seria, e foi, em Urubupungá, onde existia um aeroporto de terra batida que era usado para levar e buscar trabalhadores da usina hidrelétrica que tem lá. Só isso e nada mais, já que a cidadezinha, formada a partir da construção da usina, abrigava, vista de cima, cerca de umas duas mil casas.
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A cabeceira do aeroporto ficava do outro lado da represa e o avião tinha que atravessar a lagoa para aterrissar. Ventava muito e o velho e experiente piloto não conseguia aprumar a aeronave na direção da pista. Fez uma tentativa, deu a volta, fez outra, e nada. O vento tirava o pequeno avião da rota e era necessário dar várias voltas e tentar nova investida. Em uma delas o piloto esbravejou em voz alta: “qualquer dia a gente afunda nessa represa". O clima entre nós era tenso e, inesperadamente, a Sônia Nogueira, uma pândega (o chefe deste blog conhece bem), berrou: "olha "seu" piloto, deixa pra cair na represa outro dia, pois meu relógio é novo e não é a prova d’água". A tensão que tomava conta de todos desapareceu e a gargalhada foi geral. O piloto e seu ajudante também. Finalmente aterrissamos, todos assustados, mas ilesos.

Em Urubupungá não desceu e nem subiu ninguém, portanto se a Kombi Voadora resolvesse tomar um banho de represa não seria por uma causa justa, já que a escala não serviu pra nada. Até Campo Grande nenhum contratempo e fomos todos para o hotel Concorde, tipo, digamos, três estrelas e meia. Lá encontramos com Antonio Edson (Tunico para os íntimos), então narrador da Rádio Globo/SP que estava sozinho para fazer um posto de transmissão para sua rádio. Atualmente Antonio Edson é narrador da Transamérica/FM. O cara, super simpático (nós já conhecíamos) se enturmou.

À noite fomos todos dar uma volta para conhecer melhor Campo Grande. Jantamos em uma cantina do Centro e retornamos ao hotel que ficava poucas quadras do restaurante. O grupo, a pé, rindo e contando piadas descia a rua que levava ao destino. Passava da meia noite, rua quase deserta, o Tunico viu, dentro de uma garagem, um cachorro que parecia dormir. Aí veio a lambança. Imitador exímio de cães, o locutor da Globo começou a latir, forte e grosso, imitando talvez um pitbull. Ele, (Tunico), calculou que o portão estivesse trancado e que não haveria maiores consequências a não ser perturbar os moradores da casa, tipo classe média alta já que havia dois carros modernos na garagem. Mas, pra desespero do Tunico e pavor do grupo o portão estava só encostado e escancarou apenas com uma patada do enorme cão. Foi um sufoco e todos nós, especialmente as mulheres (duas de saias e saltos altos) em disparada pela calçada. Para alívio, Deus devia estar de plantão, o dono do cachorro acordou com o fuzuê e, de pijama, saiu ao portão. Aos berros, o homem chamou o seu Hulk (ouvimos gritar esse nome) e o animal atendeu as ordens, para sorte nossa.

Em silêncio, pálidos e envergonhados, com passos apressados, chegamos ao hotel. Uma das amigas com os sapatos nas mãos, o Tunico com um rasgo nas calças, resultado de uma queda, o Rolando (110 quilos) com os bofes a sair pela boca e o Agapito, que era negro (já falecido), estava branco de susto. Todos, porém, antes de dormir, tomamos um duplo copo d'água com açúcar, muito açúcar. No domingo transmitimos o jogo Santo André x Operário, vencido pelo time do ABC por 1 a 0. A volta, na mesma Kombi Voadora, um temporal, o velho piloto, as irritantes escalas e um co-piloto também jovem, foi outro sufoco que contaremos aqui neste espaço mais à frente.
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*Oswaldo Lavrado é radialista/jornalista radicado no Grande ABC.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


Logo cedo busco na mídia notícias dos jornais inseridas na internet. Nenhuma delas me dá qualquer satisfação. No mundo uma nota que um grupo de extrema direita (neonazista), tomou um vilarejo na Alemanha e ninguém está muito preocupado com isso (Folha de São Paulo-5-1-011). Passeatas e manifestações na Itália sobre a atitude do ex-presidente brasileiro de proteger o assassino terrorista Cesare Battisti. Sobre esse fato, faço a mesma pergunta que Joelmir Betting, jornalista e apresentar da Bandeirante fez durante o jornal da emissora de TV (4-1-011); se fosse um bandido de direita ou mesmo um simples ativista o governo procederia da mesma forma? Acredito que não! Lembram-se do caso dos cubanos que queriam se exilar no Brasil? A extradição se deu de forma super-rápida.

O nosso governo está constrangido pelas declarações do General José Elito Siqueira (foto a esquerda), ministro do Gabinete de Segurança Institucional. O Oficial General que não tem filiação partidária, disse ser contrário a tal de “Comissão da Verdade”. Aliás, foi a primeira bandeira a ser levantada pela atual Ministra dos Direitos Humanos que não passa de um clone de seu antecessor. E como sempre, nenhuma palavra sobre os direitos dos cidadãos, vítimas de assaltos e outros crimes que acontecem a todo o momento. Um presente bem real e não um passado cheio de rancor e revanchismo. E se não bastasse isso, apoio a governos ditatoriais. Ditaduras que se dizem de esquerda, mas que atravessam fracassos econômicos e sociais.

O presidente de Honduras, Porfírio Lobo (foto) não foi convidado para a posse da atual presidente. O governo brasileiro não reconhece a legalidade daquele governo, que por sinal foi eleito pelo povo, depois de um período turbulento na vida política do país centro-americano. Insiste em apoiar o antigo, do populista Manuel Zelaya, que queria dar um golpe falsificando ou alterando o resultado das urnas. Pelo menos, esse foi o noticiário unânime de toda a mídia mundial.
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Por culpa de má administração, as estradas federais estão em pandarecos e a saúde pública uma podridão. Quantas vítimas fatais em razão desses problemas que nos afligem a todo o momento! Mas, a preocupação do PMDB é outra, pressiona o governo por mais cargos. Desta vez, os de segundo escalão, que poderiam trazer mais vantagens pecuniárias. Dois ministros nomeados apesar de atos imorais praticados. Pagamentos com cartões corporativos de despesas absolutamente pessoais. Bastou devolver o dinheiro e pedir desculpas!

Treze carretas de badulaques transportados de Brasília para São Bernardo do Campo. Como é possível isso? Teria o ex-presidente e a ex-primeira dama juntado tanta tranqueira assim? Os presentes recebidos pelo presidente do Brasil são pela função ou uma maneira simpática de homenagear o ex-metalúrgico? Esses presentes não deveriam ficar no Palácio da Alvorada como uma demonstração de boa vontade para com o Brasil? Vamos ver onde ficarão todos os utensílios transportados pelos “navios rodoviários”... E, se não bastasse isso, o homem resolver tirar férias em um forte militar. Pode? Aceito que um ex-presidente tenha toda a proteção possível afinal ele é detentor de segredos de estado e não poderia estar sujeito a ataques sinistros. Mas, daí a usufruir das mesmas prerrogativas de quando presidente...

Finalizando este resumo das principais notícias, voltamos a acompanhar em manchetes as mesmas tragédias de sempre nesta época do ano. Alagamentos, desbarrancamentos e vítimas fatais em razão desses problemas que insistem dizer naturais. Naturais? Ou incúria de governos em busca de vantagens pessoais? A mixórdia continua. Qual a solução?
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

TERÇA-FEIRA, 4 DE JANEIRO DE 2011

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Nesta terça-feira nosso blog completa o segundo ano de existência. Para nós é sempre uma surpresa perceber que mesmo em tão pouco tempo conseguimos resultados bem relevantes, com cerca de 500 visitas em média por dia e dezenas de comentários em cada crônica ou conto postado. Mais ainda. No final do ano que terminou, comemoramos mais de 200 mil visitas ao blog e acima de 500 textos publicados, um recorde que não esperávamos acontecesse tão rápido assim.

Hoje estamos confiantes, o blog se firmou como um espaço importante na web e tem potencial para continuar forte, com mais de 500 pessoas recebendo a atualização de nossas crônicas e contos diariamente, além dos 253 seguidores fiéis que nos acompanham. Aos amigos jornalistas, J. Morgado, Oswaldo Lavrado, Milton Saldanha e Guido Fidelis que se juntaram a nós e dão vida a esse espaço, escrevendo crônicas e contos inéditos, deixo expressa minha gratidão, que estendo aos outros amigos e amigas que, por um motivo ou outro, não ocupam mais este espaço, mas foram de fundamental importância para o sucesso alcançado por este blog.
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Fico orgulhoso com a participação ativa e diária desses jovens estudantes de letras, jornalismo, medicina, advocacia e tantos outros que transformaram esse blog no mais inteligente da Internet, basta acompanhar o que escrevem quando comentam, algumas vezes até com polêmicas saudáveis. Esse blog não foi criado com o intuito de "furar" jornais nem criar sensacionalismo barato. Mas sim trazer a experiência de antigos jornalistas e radialistas com seus relatos dos bons tempos em que se fazia um jornalismo sério e competitivo, ajudando os futuros profissionais que nos acompanham com muita atenção.
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A amizade é uma virtude. Ela se solidifica com a convivência e a camaradagem entre as pessoas. Embora importante e necessária, a amizade não é um dever nem se comanda, pois ela se estabelece na fraternidade, nos ideais e nas ações. Epicuro já ensinava que toda a amizade é por si mesma uma excelência. Vamos, assim, neste início de ano, no dia em que este blog completa dois anos de existência, fortalecer nossos laços de amizade e caminhar, irmanados, rumo ao futuro. Vamos deixar de lado rancores e buscar a paz, vamos lutar contra a violência e estender o tapete para receber a fraternidade. Vamos, enfim, viver a existência que Deus nos deu. Há muitas portas na estrada do futuro. Podemos escolher qual delas queremos abrir. A chegada do amanhã depende de nossa escolha, que deve recair na construção de um novo tempo, mais fraterno, com menos ódio e muita paz. Quando acreditamos que somos fortes, que podemos superar adversidades e lutar por um ideal, somos sempre vitoriosos.
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Obrigado a todos pela força!

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