domingo, 9 de janeiro de 2011

SÁBADO, 8 DE JANEIRO DE 2011

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Foi uma viagem inesperada, turbulenta, divertida, perigosa e acima de tudo profissional. As andanças pelo Brasil para transmissões esportivas da Rádio Diário do Grande ABC reservaram esta aventura, que poderia ter sido trágica, mas felizmente acabou melhor que a encomenda.
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Em 1984, o Santo André, time profissional aqui do ABC, disputava a Primeira Divisão do Brasileirão, fato inédito para o futebol da região. A Rádio Diário acompanhou a equipe em muitas viagens por todo país. Era abril daquele ano, o Ramalhão, como também é conhecido o clube andreense, foi jogar em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. A partida seria disputada num domingo, no período da tarde e a equipe da rádio viajaria no sábado pela manhã. Antes, porém aconteceram ações extras e inesperadas para essa viagem. Como de praxe, embora a emissora tivesse vida própria, o esquema financeiro era sediado no jornal Diário do Grande ABC. Assim, quando a rádio necessitava, a verba e as passagens eram fornecidas pelo jornal.

Em janeiro de 84 assumi o comando do Departamento de Esportes e a incumbência de solicitar recursos para as viagens ficava sob minha responsabilidade. Na sexta-feira que antecedeu o embarque para Campo Grande, liguei para o Diário solicitando a verba e as passagens. Para minha surpresa, o chefe da grana foi falando: "Olha, Lavrado, o jornal tem permuta com a TAM e sobram passagens áreas aqui no jornal, já que são muito pouco utilizadas. Por favor, aguarde que o Maury liga pra você".
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Mais tarde o Dr. Maury Dotto, diretor comercial da empresa Diário do Grande ABC e que na época tinha mais ligação com a rádio, telefonou e ofereceu: “tenho aqui uma cota de bilhetes que preciso descartar antes que vença o prazo. Você pode utilizar agora. Tem mais, disse o diretor, além da turma do esporte você pode levar outras pessoas da rádio, a passeio". Ele enviou sete passagens. Escalei quatro da equipe que iriam trabalhar e convidei mais três: Sônia Nogueira, secretária da rádio, Márcia D’hipólito, do departamento de jornalismo, e a Soninha, cozinheira da emissora, cujo sobrenome não lembro. Pelo esporte foram o narrador Rolando Marques, o repórter Jurandir Martins, o técnico de som, Agapito Assunção e eu, comentarista.

Em um Fokker 100, avião mais moderno da TAM à época, embarcamos de Congonhas rumo ao mundo. Na primeira escala, em Bauru, deixamos o confortável Fokker e passamos para um “Bandeirante”, com capacidade para 16 pessoas. Nós, da rádio, ocupamos quase a metade dos assentos da aeronave, pequena, sem serviço de bordo, com o piloto (um senhor com mais de 70 anos), e seu jovem assistente, com aparência de 25. Além de nós e da "tripulação", apenas outras duas pessoas corajosas estavam a bordo da "borboleta", que apelidei de Kombi Voadora. Em Araçatuba, na outra escala do vôo, os dois desceram fazendo o sinal da cruz e não subiu ninguém.

Pronto para a decolagem, percebi que estava faltando alguém do nosso grupo. Era o Agapito, que fora ao banheiro do aeroporto e ficou entalado, já que, segundo explicou depois, a porta do sanitário travou pelo lado de fora, obrigando nosso companheiro, aos berros, a chamar a atenção de uma faxineira do aeroporto que abriu a porta. O “bandeirantinho” estava pra decolar quando pedi ao piloto pra esperar a chegada do trapalhão. O homem que comandava a Kombi Voadora resmungou, mas atendeu nosso apelo. Agapito a bordo, o "possante" Bandeirante levantou vôo. A próxima escala seria, e foi, em Urubupungá, onde existia um aeroporto de terra batida que era usado para levar e buscar trabalhadores da usina hidrelétrica que tem lá. Só isso e nada mais, já que a cidadezinha, formada a partir da construção da usina, abrigava, vista de cima, cerca de umas duas mil casas.
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A cabeceira do aeroporto ficava do outro lado da represa e o avião tinha que atravessar a lagoa para aterrissar. Ventava muito e o velho e experiente piloto não conseguia aprumar a aeronave na direção da pista. Fez uma tentativa, deu a volta, fez outra, e nada. O vento tirava o pequeno avião da rota e era necessário dar várias voltas e tentar nova investida. Em uma delas o piloto esbravejou em voz alta: “qualquer dia a gente afunda nessa represa". O clima entre nós era tenso e, inesperadamente, a Sônia Nogueira, uma pândega (o chefe deste blog conhece bem), berrou: "olha "seu" piloto, deixa pra cair na represa outro dia, pois meu relógio é novo e não é a prova d’água". A tensão que tomava conta de todos desapareceu e a gargalhada foi geral. O piloto e seu ajudante também. Finalmente aterrissamos, todos assustados, mas ilesos.

Em Urubupungá não desceu e nem subiu ninguém, portanto se a Kombi Voadora resolvesse tomar um banho de represa não seria por uma causa justa, já que a escala não serviu pra nada. Até Campo Grande nenhum contratempo e fomos todos para o hotel Concorde, tipo, digamos, três estrelas e meia. Lá encontramos com Antonio Edson (Tunico para os íntimos), então narrador da Rádio Globo/SP que estava sozinho para fazer um posto de transmissão para sua rádio. Atualmente Antonio Edson é narrador da Transamérica/FM. O cara, super simpático (nós já conhecíamos) se enturmou.

À noite fomos todos dar uma volta para conhecer melhor Campo Grande. Jantamos em uma cantina do Centro e retornamos ao hotel que ficava poucas quadras do restaurante. O grupo, a pé, rindo e contando piadas descia a rua que levava ao destino. Passava da meia noite, rua quase deserta, o Tunico viu, dentro de uma garagem, um cachorro que parecia dormir. Aí veio a lambança. Imitador exímio de cães, o locutor da Globo começou a latir, forte e grosso, imitando talvez um pitbull. Ele, (Tunico), calculou que o portão estivesse trancado e que não haveria maiores consequências a não ser perturbar os moradores da casa, tipo classe média alta já que havia dois carros modernos na garagem. Mas, pra desespero do Tunico e pavor do grupo o portão estava só encostado e escancarou apenas com uma patada do enorme cão. Foi um sufoco e todos nós, especialmente as mulheres (duas de saias e saltos altos) em disparada pela calçada. Para alívio, Deus devia estar de plantão, o dono do cachorro acordou com o fuzuê e, de pijama, saiu ao portão. Aos berros, o homem chamou o seu Hulk (ouvimos gritar esse nome) e o animal atendeu as ordens, para sorte nossa.

Em silêncio, pálidos e envergonhados, com passos apressados, chegamos ao hotel. Uma das amigas com os sapatos nas mãos, o Tunico com um rasgo nas calças, resultado de uma queda, o Rolando (110 quilos) com os bofes a sair pela boca e o Agapito, que era negro (já falecido), estava branco de susto. Todos, porém, antes de dormir, tomamos um duplo copo d'água com açúcar, muito açúcar. No domingo transmitimos o jogo Santo André x Operário, vencido pelo time do ABC por 1 a 0. A volta, na mesma Kombi Voadora, um temporal, o velho piloto, as irritantes escalas e um co-piloto também jovem, foi outro sufoco que contaremos aqui neste espaço mais à frente.
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*Oswaldo Lavrado é radialista/jornalista radicado no Grande ABC.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


Logo cedo busco na mídia notícias dos jornais inseridas na internet. Nenhuma delas me dá qualquer satisfação. No mundo uma nota que um grupo de extrema direita (neonazista), tomou um vilarejo na Alemanha e ninguém está muito preocupado com isso (Folha de São Paulo-5-1-011). Passeatas e manifestações na Itália sobre a atitude do ex-presidente brasileiro de proteger o assassino terrorista Cesare Battisti. Sobre esse fato, faço a mesma pergunta que Joelmir Betting, jornalista e apresentar da Bandeirante fez durante o jornal da emissora de TV (4-1-011); se fosse um bandido de direita ou mesmo um simples ativista o governo procederia da mesma forma? Acredito que não! Lembram-se do caso dos cubanos que queriam se exilar no Brasil? A extradição se deu de forma super-rápida.

O nosso governo está constrangido pelas declarações do General José Elito Siqueira (foto a esquerda), ministro do Gabinete de Segurança Institucional. O Oficial General que não tem filiação partidária, disse ser contrário a tal de “Comissão da Verdade”. Aliás, foi a primeira bandeira a ser levantada pela atual Ministra dos Direitos Humanos que não passa de um clone de seu antecessor. E como sempre, nenhuma palavra sobre os direitos dos cidadãos, vítimas de assaltos e outros crimes que acontecem a todo o momento. Um presente bem real e não um passado cheio de rancor e revanchismo. E se não bastasse isso, apoio a governos ditatoriais. Ditaduras que se dizem de esquerda, mas que atravessam fracassos econômicos e sociais.

O presidente de Honduras, Porfírio Lobo (foto) não foi convidado para a posse da atual presidente. O governo brasileiro não reconhece a legalidade daquele governo, que por sinal foi eleito pelo povo, depois de um período turbulento na vida política do país centro-americano. Insiste em apoiar o antigo, do populista Manuel Zelaya, que queria dar um golpe falsificando ou alterando o resultado das urnas. Pelo menos, esse foi o noticiário unânime de toda a mídia mundial.
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Por culpa de má administração, as estradas federais estão em pandarecos e a saúde pública uma podridão. Quantas vítimas fatais em razão desses problemas que nos afligem a todo o momento! Mas, a preocupação do PMDB é outra, pressiona o governo por mais cargos. Desta vez, os de segundo escalão, que poderiam trazer mais vantagens pecuniárias. Dois ministros nomeados apesar de atos imorais praticados. Pagamentos com cartões corporativos de despesas absolutamente pessoais. Bastou devolver o dinheiro e pedir desculpas!

Treze carretas de badulaques transportados de Brasília para São Bernardo do Campo. Como é possível isso? Teria o ex-presidente e a ex-primeira dama juntado tanta tranqueira assim? Os presentes recebidos pelo presidente do Brasil são pela função ou uma maneira simpática de homenagear o ex-metalúrgico? Esses presentes não deveriam ficar no Palácio da Alvorada como uma demonstração de boa vontade para com o Brasil? Vamos ver onde ficarão todos os utensílios transportados pelos “navios rodoviários”... E, se não bastasse isso, o homem resolver tirar férias em um forte militar. Pode? Aceito que um ex-presidente tenha toda a proteção possível afinal ele é detentor de segredos de estado e não poderia estar sujeito a ataques sinistros. Mas, daí a usufruir das mesmas prerrogativas de quando presidente...

Finalizando este resumo das principais notícias, voltamos a acompanhar em manchetes as mesmas tragédias de sempre nesta época do ano. Alagamentos, desbarrancamentos e vítimas fatais em razão desses problemas que insistem dizer naturais. Naturais? Ou incúria de governos em busca de vantagens pessoais? A mixórdia continua. Qual a solução?
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

TERÇA-FEIRA, 4 DE JANEIRO DE 2011

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Nesta terça-feira nosso blog completa o segundo ano de existência. Para nós é sempre uma surpresa perceber que mesmo em tão pouco tempo conseguimos resultados bem relevantes, com cerca de 500 visitas em média por dia e dezenas de comentários em cada crônica ou conto postado. Mais ainda. No final do ano que terminou, comemoramos mais de 200 mil visitas ao blog e acima de 500 textos publicados, um recorde que não esperávamos acontecesse tão rápido assim.

Hoje estamos confiantes, o blog se firmou como um espaço importante na web e tem potencial para continuar forte, com mais de 500 pessoas recebendo a atualização de nossas crônicas e contos diariamente, além dos 253 seguidores fiéis que nos acompanham. Aos amigos jornalistas, J. Morgado, Oswaldo Lavrado, Milton Saldanha e Guido Fidelis que se juntaram a nós e dão vida a esse espaço, escrevendo crônicas e contos inéditos, deixo expressa minha gratidão, que estendo aos outros amigos e amigas que, por um motivo ou outro, não ocupam mais este espaço, mas foram de fundamental importância para o sucesso alcançado por este blog.
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Fico orgulhoso com a participação ativa e diária desses jovens estudantes de letras, jornalismo, medicina, advocacia e tantos outros que transformaram esse blog no mais inteligente da Internet, basta acompanhar o que escrevem quando comentam, algumas vezes até com polêmicas saudáveis. Esse blog não foi criado com o intuito de "furar" jornais nem criar sensacionalismo barato. Mas sim trazer a experiência de antigos jornalistas e radialistas com seus relatos dos bons tempos em que se fazia um jornalismo sério e competitivo, ajudando os futuros profissionais que nos acompanham com muita atenção.
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A amizade é uma virtude. Ela se solidifica com a convivência e a camaradagem entre as pessoas. Embora importante e necessária, a amizade não é um dever nem se comanda, pois ela se estabelece na fraternidade, nos ideais e nas ações. Epicuro já ensinava que toda a amizade é por si mesma uma excelência. Vamos, assim, neste início de ano, no dia em que este blog completa dois anos de existência, fortalecer nossos laços de amizade e caminhar, irmanados, rumo ao futuro. Vamos deixar de lado rancores e buscar a paz, vamos lutar contra a violência e estender o tapete para receber a fraternidade. Vamos, enfim, viver a existência que Deus nos deu. Há muitas portas na estrada do futuro. Podemos escolher qual delas queremos abrir. A chegada do amanhã depende de nossa escolha, que deve recair na construção de um novo tempo, mais fraterno, com menos ódio e muita paz. Quando acreditamos que somos fortes, que podemos superar adversidades e lutar por um ideal, somos sempre vitoriosos.
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Obrigado a todos pela força!

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Você já deve ter lido em algum lugar que misturar champanhe ou cerveja com uísque, rebater com vodka e depois de um lauto pernil engolir dois cálices de licor não é muito recomendável. É por isso que você continua ouvindo os fogos anunciando o Ano Novo dentro de sua cabeça e na boca mantém um gosto esquisito de sopa de chumbo temperada com óleo de freio. Não se apavore. A medicina não registra nenhum caso de morte por ressaca, muito embora tudo leve a acreditar no contrário. De qualquer forma, mantenha a calma. Tome outra aspirina, coloque o saco de gelo bem sobre a fronte e tente relaxar. Segure essa ânsia de vômito, até porque não tem nada mais para sair além do próprio estômago e pare de prometer que nunca mais beberá. O Ano Novo chegou e com ele novo porre.

Resolvi que não vou fazer nenhuma promessa de Ano-Novo. Isso me livra de uma série de inconvenientes, inclusive do remorso de não cumpri-las. Não vou iniciar nenhum regime, vou continuar tomando minha cervejinha nos fins de tarde, não vou caminhar mais, principalmente agora que fui informado que o carteiro que entrega correspondência lá em casa, que andava pra burro, morreu de infarto e, principalmente, não vou me preocupar com o mundo, pois estou aqui de passagem. Sem promessas, o ano fica menor e mais leve de se carregar.

As novidades de 2011 só passarão a me interessar se conseguirmos nos livrar do retardamento intelectual e do terrorismo social em que vivemos hoje, antes que eles nos acompanhem durante todo este ano que começa hoje. Na ampulheta dos dias, os grãos correm depressa. Para se organizar em sociedade o homem inventou esse tempo do relógio, dividido em horas, minutos e segundos. E somos escravos dessa invenção. Do despertar ao anoitecer. Não dá para fugir dessa condição tão antiga, imposta pelo nosso calendário romano, que mudou várias vezes até chegar à vivência que dele desfrutamos hoje.

Sou um otimista incorrigível, apesar da gripe que me derrubou neste começo de ano, mas ando perdendo o ânimo, e isso é novo pra mim. Nunca acreditei na má índole das pessoas, sempre confiei na recuperação dos teimosos, na reabilitação dos ignorantes e confiava que, dentro do peito de cada político, também batesse um coração. Sabia dos problemas do Brasil, mas me consolavam as nossas riquezas: uma música maravilhosa, um litoral belíssimo, sol e gente alegre.

Já não me consola a beleza da Cléo Pires (foto), danem-se nossas palmeiras e coqueirais. Que me importa se a Carolina Dieckmann vai aumentar o ibope da novela, muito menos se o Totó vai ressuscitar. A indústria do entretenimento cresce e isso é ótimo, mas algo de muito sério está acontecendo atrás do palco. Com certeza muitas pessoas já traçaram metas e cultivaram expectativas para 2011, que começa atrasado, como tudo neste país, e pior, numa segunda-feira. A entrada de um novo ano é sempre recheada de expectativas e de anseios. Será este o ano da redenção ou mais um ano para ser esquecido? Viraremos a república que todos sonhamos ou continuaremos à margem das grandes nações?

Desconfio de Dilma, como desconfiava de Lula, que desconfiava de Dirceu, que nunca confiou em Delúbio. E assim, de desconfiança em desconfiança, a gente vai atravessando mais uma administração. Dilma Rousseff, se cometer alguma asneira, ao menos tem a desculpa da TPM que era vedada a Lula. Como manter o otimismo em relação a país se, no último dia do Governo Lula, alguns jornais noticiaram que por volta das 14h30 da última quinta, dia 30 de dezembro, final de feira, nada menos que US$ 53 milhões de dólares foram transferidos de Brasília para Paris? Todo mundo achou isto esquisito no Banco Central. Pode ser que a grana acabe na África ou em bancos de paraísos fiscais. Claro, depois de ser dividido com parceiros franceses. E a denúncia feita pelo jornalista Cláudio Humberto em sua coluna sobre os gastos do Governo em cartões corporativos? Desde 1º de janeiro de 2003 e até o final de outubro de 2010, o governo Lula, de acordo com o jornalista, gastou R$ 350 milhões com cartões corporativos. Durante o primeiro mandato de Lula, cartões corporativos nos custaram R$ 78,4 milhões. No segundo mandato, triplicou: R$ 267 milhões.

Na área social, o drama é ainda pior. Entramos no ano novo com filas, impostos e sem solução para tanta violência. Não podemos continuar convivendo neste novo ano com a falsificação de remédios, com o coronelismo do Nordeste, com a quantidade de crianças sem estudo, com o desvio de dinheiro público, com o mau-caratismo desbancando o Corcovado como nosso cartão-postal. Está na hora de desovar os podres desse Brasil lindo e trigueiro, reciclar o lixo que não queremos levar conosco para o milênio seguinte. Desarmamento, educação, aplicação da lei, incentivos culturais, medicina sanitária. Não pode ser tão difícil. Nem tão caro. Nem tão raro.

Chico Xavier (foto), escreveu uma vez que “podemos ter um governo mais ou menos, morar numa rua mais ou menos, numa casa mais ou menos e dentro de uma cidade mais ou menos. Podemos também comer mais ou menos bem, dormir numa cama mais ou menos, e até acreditar mais ou menos no ano novo que começa agora. Podemos, enfim, olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Mas o que não se pode, de jeito nenhum, nem nesse ano novo, nem nos outros, é ter fé mais ou menos, acreditar mais ou menos, ser ético e honesto mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, e, o pior, não podemos, em nenhuma hipótese, sonhar mais ou menos ou amar mais ou menos. Se fizermos isso, vamos nos tornar uma pessoa mais ou menos, que é o pior que nos pode acontecer.

*Lembro a todos os leitores e leitoras que, nesta terça-feira, dia 4, nosso blog completa dois anos de existência. Vamos comemorar juntos.
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*Edward de Souza é radialista e jornalista
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sábado, 1 de janeiro de 2011

SEXTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO DE 2010

Escrevi este texto durante a semana que antecede o Dia da Confraternização Universal. Neste Natal, busquei ler as notícias que os órgãos de comunicação nos trazem. Não fiquei surpreso. As mesmas mazelas de sempre. Agressões, desastres ocasionados pelo excesso de bebidas, brigas, e o pior de tudo... Guerras! Além dos vários conflitos existentes no Oriente Médio, novamente no dia em que se comemora o aniversário do Cristo, palestinos e israelitas se agridem atirando bombas uns nos outros. Uma intolerância selvagem!

Também a Terra precisa ser poupada de muitos infortúnios. O ser humano tem provocado danos ao planeta sem se preocupar com as consequências. Por isso, pedimos a todos os leitores que nesse Ano-Novo sejam amigos da Mãe Natureza. Façam a sua parte para que o planeta seja mais vivo e que produza mais frutos para nossa sobrevivência.

As festas que se realizam no dia da passagem de um para o outro ano são de origem muito antiga. Uma data que se consolidou há cerca de 500 anos e que se comemora em quase todo o mundo. Desde os calendários babilônicos (2.800 a.C) até o calendário Gregoriano, o réveillon mudou muito de data. Mas, isso é outra história; mais detalhes, basta acessar a internet.

Tradicionalmente, nesse dia há uma expectativa (vigília) com muitas festas onde o tal de “deus Baco é invocado” e, infelizmente, passa a presidir esse acontecimento que deveria ser de total confraternização. Confraternizar, um verbo transitivo direto que quer dizer ligar, unir como irmãos, irmanar. Foi essa a intenção do Papa Paulo VI, que em 1968 criou o Dia da Confraternização Universal - ou Dia da Paz - para ser comemorado pelos verdadeiros amigos da paz, independente de credo, etnia, posição social ou econômica. Entretanto, o mundo ainda não conseguiu assimilar essa louvável iniciativa. O orgulho excessivo ocasiona atos belicosos. Daí as guerras intermináveis e as brigas domésticas. O excesso de álcool e outras drogas acabam ocasionando desgraças indescritíveis.
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O ser humano que deveria respeitar as leis feitas para disciplinar as atitudes anti-sociais, descumpre-as ao seu bel prazer. Ultrapassam os limites de velocidade nas vias urbanas e rodovias e os acidentes são inevitáveis. Assassinatos em nome da honra ou apenas para roubar crescem exageradamente durante as festividades dedicadas a confraternização. Mal entendidos que poderiam ser resolvidos com um pequeno diálogo, desandam para uma demanda muitas vezes sangrenta. Esse dia acaba por se tornar apenas em um feriadão com muita farra onde uma velha música já tradicional e bastante materialista é cantada em toda a parte. “(...) Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender...”.

Tradições a parte, como pular ondas, vestir roupas brancas, amarelas, azuis... Para comer, lentilhas, romãs e sei mais lá o que, a passagem de um para o outro ano deveria ser de muita reflexão e paz. Tudo isso demonstra o quanto ainda somos atrasados... Moralmente e também intelectualmente. A vontade maior de Deus, segundo nos ensinou o Messias, é o aprendizado do Amor.

Em mensagem no capítulo 11 do Evangelho Segundo o Espiritismo, Fénelon (François Salignac de La Mothe, orador, escritor e prelado francês do século 17) pede para que não acreditemos na esterilidade e endurecimento do coração humano, pois ao contato com o amor verdadeiro, ele finda por ceder. Assim sendo, A Confraternização Universal representado pelo dia primeiro de janeiro, é o lembrete simbólico que as leis de Deus exigem cumprimento e obediência. E o que hoje é obrigação para nós, tornar-se-á, no futuro, na passividade dos bons sentimentos que haveremos de conquistar, um exercício natural do amor praticado. Para que isso aconteça, é preciso pensar nas crianças, educá-las para que sejam úteis e possam contribuir para o nascimento de um novo mundo, mais justo, sem a ganância dos especuladores, mais voltado para a convivência harmoniosa entre os povos. Que Deus abençoe a todos em 2011. Que assim seja e assim se faça!

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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

QUARTA-FEIRA, 29 DE DEZEMBRO DE 2010



Natal se aproxima. Enfeites. Luzes faiscantes. Papai Noel. Há prenúncio de chuva miúda. As pessoas se apressam nas ruas, buscam o agasalho dos prédios, proteção das paredes. Carregam presentes, pacotes coloridos. Sob a marquise do edifício comercial, acocorada no cimento úmido, está a mulher. Cobre-se com um velho cobertor encardido, esgarçado nas bordas. Em seu colo, a criança, raquítica, com os olhos captando o espanto da vida.
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A cena, com toque de tragédia, retrata a imagem da mãe que tenta proteger o filho. Lembra, também, um desenho surrealista de Nossa Senhora, talvez aprofundada em anos, com rugas, sofrendo seguidos acessos de tosse. A piedade parece distante, sufocada na indiferença dos transeuntes.
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O casal surge, de repente, desviando-se do lixo que se amontoa na calçada, onde pessoas-corvos disputam restos de comida. A moça se encanta com a primeira visão, chama o companheiro para a aventura de contemplar o mistério.
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- Venha, José.
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- Onde, Maria?
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- Aqui, logo, veja.
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- O quê?
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- A boneca, linda, diferente.
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- É mesmo?
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A mãe está entretida, distante da realidade. Com mãos trêmulas, embala o filho, esquecida das antigas canções de ninar. No chão, junto às pernas, aparece a boneca azulada. A boca levemente rasgada dá um toque de ironia ao rosto nostálgico.
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Maria se esquece do perigo que representa conversar com estranhos. Aproxima-se, afasta o medo. Respira profundamente antes de se pronunciar.
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- Encantadora. Fiquei apaixonada.
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Com gestos lentos, a mulher ergue a cabeça, deixa escapar um leve sorriso. A voz sai pausada.
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- Gostou da criança, madame?
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- Da boneca, minha senhora.
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- É de meu filho.
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- Sei. Em que loja foi comprada?
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- Eu mesma fiz, aprendi no terreiro da mãe Inácia, com os santos.
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- Maria morde os lábios, sente a agonia do desejo. Acaricia José.
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- Compre, meu bem.
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- A boneca?
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- Claro.
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- Para quê? Não temos filhos.
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- Eu guardo. Ainda chegarão.
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- Não sei. Melhor caminharmos, a chuva não tarda.
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- Eu quero.
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José cede aos encantos de Maria. Negocia a compra da boneca.
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- Quer vender?
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- A criança?
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- A boneca. Pago bem.
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A mulher tosse. Estuda a oferta.
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- Não é direito.
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- Quanto quer?
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- Vendo com uma condição.
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- Qual?
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- Se a criança for também. Jesus. É o nome. Ele e a boneca são inseparáveis.
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José estende as mãos, apanha a criança, entrega a boneca a Maria. Não há despedidas. Os rios de lágrimas secaram.
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No instante em que o jovem casal se afasta, a mulher se ergue, conta o dinheiro. Depois, avança em direção ao primeiro bar. Carrega a esperança de encontrar namorado disposto a fabricar um novo filho para ser vendido na esquina.
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*Guido Fidelis é jornalista, escritor e advogado
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

QUATRO LEITORES GANHAM LIVROS

Mais duas leitoras foram sorteadas no começo da madrugada de hoje e irão receber dois livros de contos cada uma. Michelle, de Florianópolis e Daniela, do Rio de Janeiro, foram premiadas e assim que enviarem seus endereços receberão os livros em suas casas. Ontem, ganharam também livros de contos os leitores, Birola, de Votuporanga e Vanessa, da Unicamp de Campinas. Maiores detalhes podem ser encontrados no comentário 51, feito pelo Francisco Heitor, na postagem do conto "Um Visitante Especial", de minha autoria. Logo mais outro conto inédito e impressionante, escrito pelo jornalista, escritor e advogado Guido Fidelis, aguardem. Na sexta-feira, último dia de 2010, J. Morgado escreve o especial "Confraternização Universal", não percam. (Edward de Souza).