domingo, 21 de março de 2010


O SUMIÇO DO MATADOR


Naquele fim de tarde quente e abafado o esquecimento principiava a se abater sobre o misterioso sumiço do matador Leopardo, goleador que maravilhava a galera com sua arrancada, com dribles estonteantes e gols de placa. O talento fora reconhecido pelos olheiros e a sonhada transferência para um grande clube, estava sendo ultimada. Em breve, seria convocado como salvação da seleção carente de craques fora de série.

No aguardo do negócio, afiançado por um empresário caçador de novos talentos, ansiando pelo contrato milionário que lhe fora proposto, e com a glória dos aplausos nos grandes estádios lotados de torcedores e admiradores, costumava fazer ponto no Bar do Sardinha, estabelecimento escuro e encardido de propriedade do português que lhe emprestava o nome e passava o dia limpando o balcão, com um pedaço de pano sujo. A voz estridente e carregada de sotaque luso ecoava ao instruir os seus ajudantes, dois inexperientes garçons, que se revezavam entre a minúscula cozinha e o salão, servindo sem pressa os pedidos dos fregueses, sempre os mesmos. Mais ao fundo, onde se via uma velha gravura reproduzindo cenas de incêndio na floresta, pendurada na parede, postavam-se os jogadores de dominó, entretidos, horas a fio, em bater as pedras na mesa e gritar, tanto nas vitórias quanto nas derrotas. Apostavam pequenas importâncias ou o pagamento do consumo, invariavelmente cerveja quente e tira-gosto.

Outros tipos formavam pequenas rodas ou se isolavam. Juca Poeta pedia duas doses de cachaça, mantinha acalorados debates filosóficos e existenciais com um ser invisível e se debruçava sobre pedaços de papel pardo, produzindo sonetos, com letras trêmulas e irregulares, que declamava em voz alta. Velho Ananias, fisionomia cansada, preferia o tosco banco junto ao balcão. Deixava a bengala ao lado, sorria com os poucos dentes que lhe restavam e relatava impossíveis aventuras noturnas, quando viajava em direção às estrelas jovens da nebulosa de Órion, a convite dos tripulantes de um esplêndido disco voador.

Às vezes entrava um menino de rua, esticava o olhar guloso em direção às vasilhas de comestíveis, recebia um torresmo esturricado seguido do grito “fora, rua, fedelho”.

O Bar do Sardinha era democrático e liberal, permitindo que todos se expressassem livremente, embora fossem poucos os que se dispunham a ouvir a conversa que vagava, solta, sobre receitas de medicamentos caseiros indicados na ocorrência de bronquite, náusea ou pedra nos rins, brigas entre vizinhanças por causa de arruaças de crianças ou alguma notícia fresca - crimes ou escândalos - e que ganhava novas cores nas bocas que temperavam os fatos, condimentando-os com apimentados acréscimos de informações.

Foi no momento em que Juca Poeta discursava sobre as fontes da inspiração na criatividade poética que apareceu o forasteiro. Entrou célere, ar arrogante, sem saudar os fregueses. Disse, de pronto, que era repórter e averiguava, para uma matéria especial que preparava, a vida pregressa do craque Leopardo, revelado nas divisões inferiores do Campeão Futebol Clube, agremiação local que já exportara muitos futebolistas para o exterior, alguns deles atuando com destaque em clubes da Espanha, França, Turquia, Japão e México.

As investigações realizadas indicavam que os últimos vestígios da presença do jogador, às vésperas de sua transferência, desandavam naquele estabelecimento e ele se dirigira para lá na expectativa de ouvir eventuais amigos e parceiros, pois acreditava tratar-se de caso de vingança, de assassinato e ocultação de cadáver. Ou mesmo de sequestro, considerando que Leopardo receberia uma gorda bolada, transformando-se, repentinamente, em milionário.

Houve silêncio e espanto, o jogo de dominó ficou interrompido, os fregueses, desconfiados, trancaram suas bocas. Segredos e intimidades, embora circulassem pelo recinto, não atravessavam as paredes nem chegavam aos ouvidos de estranhos. Súbito, Velho Ananias pigarreou, bateu a bengala no balcão e, com vagar, disse que se dispunha a revelar o mistério, que era tempo de relatar os fatos e pôr ponto final à enigmática questão.

Os homens se entreolharam, inquietos, sinal de desaprovação, temerosos de sofrerem consequências, serem chamados pela polícia, perderem tempo em exaustivos interrogatórios. Indiferente, resoluto, Velho Ananias explicou que o atacante Leopardo, grande artilheiro, não havia fugido para lugar incerto e não sabido com a finalidade de se livrar da fúria de algum marido ciumento, furioso com o sucesso do jogador que colecionava conquistas amorosas sem se importar com o estado civil da mulher, tivesse ela ou não companheiros. Afinal, não tinha culpa de despertar desejo, pois sua fama de garanhão chegava a superar a de goleador. Ele encaçapava de todas as maneiras, sabia encontrar, com facilidade, o caminho de todos os gols. Também não era verdadeira a suspeita de que pudesse ter sido assassinado ou mesmo sequestrado, caso em que não haveria pagamento de resgate por absoluta insuficiência de recursos dos familiares, que não recebiam ajuda do profissional da bola, mesmo porque ainda não havia recebido os dólares acertados para a assinatura do contrato.

A voz rouca e arrastada do Velho Ananias alertou para a veracidade do relato que se seguiria, verdade que ele abonava sob juramento, pois presenciara, ao longo da existência, coisas espantosas, inusitadas, “com a nitidez refulgente da luz do sol e os olhos arregalados pelo medo”. Antes de prosseguir, fez breve pausa, tateou as mãos sobre o balcão, segurou o copo que se encontrava à sua frente, levou-o à boca e bebeu a dose de cachaça de uma só talagada, reservando algumas gotas para homenagear os santos padroeiros. Depois, arrotou e retomou a prosa para detalhar os acontecimentos.

Confessou, diante da platéia atarantada, que fora o último vivente a se avistar com o craque Leopardo que, no seu entender, era melhor que Romário ou Ronaldinho, reunindo a categoria de Pelé e Garrincha. Disse que o vira, eufórico, riso escancarado iluminando o rosto, preparando-se para as entrevistas que concederia aos jornalistas de todo o país, orgulhoso com o fato de aparecer na mídia, manchete de primeira página dos jornais, destaque nos noticiários da tevê, além de ser paparicado e festejado, uma espécie de herói nacional, de salvador da pátria. Mas, ao vê-lo, contrariando seus hábitos efusivos, cumprimentou-o um tanto friamente, dizendo que tinha um encontro urgente, coisas relacionadas ao esporte, tinha de partir com urgência, reunião secreta, política de dirigentes que se preocupavam com suas imagens desgastadas com seguidas denúncias de trambicagens.

Velho Ananias balançou a cabeça, respirou profundamente e segredou que o matador Leopardo, num espanto súbito, como se tivesse avistado uma linda loira com cabelos de raios de sol, mudou o rumo de seus passos, despediu-se bruscamente, e caminhou ligeiro em direção ao mar, atraído por um ponto de luz que ganhava intensidade. A última visão foi a de um objeto luminoso que se elevou do oceano e riscou o céu na forma de um relâmpago.

Terminado o relato, arrependido pelas confidências, quedou-se em silêncio, nada mais respondendo, por mais que o jornalista insistisse. Quando o intruso se afastou, Velho Ananias foi questionado por Juca Poeta, que afirmou não compreender como ele, merecedor de respeito e consideração pela idade avançada, poderia ter acompanhado as cenas finais do sumiço do atacante Leopardo sendo cego de nascença.

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*Guido Fidelis é jornalista e escritor.
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sexta-feira, 19 de março de 2010


OS HOMOSSEXUAIS NA MÍDIA


Ultimamente, a mídia vem abordando, com muita ênfase, casos de homossexualidade no Brasil e no mundo. No dia 24 de maio de 2009, o programa “Domingo Espetacular”, levado ao ar pela TV Record, mostrou um garoto de sete anos que, desde os dois, insistia em se comportar como menina. Os pais dessa criança aceitaram a situação, não por conhecerem ou não o problema existencial “homossexualidade”, mas simplesmente por ser aquela criatura filho e, por essa razão, merecer todo o amor e proteção que um ente gerado por eles deve merecer.

Entretanto, a sociedade hipócrita e preconceituosa, não aceita que indivíduos violem leis ou regulamentos que eles acham corretos.


No caso, um colégio católico recusou rematriculá-lo no ano letivo, alegando seu comportamento estranho de querer ser e se comportar como uma menina.

Jornalistas fizeram uma enquete nas ruas e as respostas foram as mais diversas e surpreendentes. Não tão surpreendentes! Algumas responderam que o colégio agiu certo, pois seus filhos (dos entrevistados) deveriam ser protegidos. Outros acharam errada a postura da escola e outros, ainda, não tinham opinião.

A TV Bandeirantes mostrou nos dias 25 e 26 do mesmo mês, outra grande reportagem envolvendo jovens travestis. Só que desta vez, o sensacionalismo não foi levado muito em conta. O sentido social foi o mais importante! Uma rede criminosa chefiada por um bandido que, logo em seguida, foi morto em São Paulo pela polícia, em uma troca de tiros no dia 26 de maio.

Os meninos, todos menores de idade, eram aliciados no Pará, estados do Nordeste, Minas Gerais, etc. Depois de se submeterem a tratamentos hormonais, eram levados a se prostituirem nas ruas de São Paulo e outras capitais.

Esses casos relatados, entre outros que se encontram na mídia quase todos os dias, são um preâmbulo para se falar sobre a homossexualidade e a incompreensão desse estigma pela sociedade e por eles mesmos.

Uma frase me chamou a atenção quando da entrevista de um desses “párias” da sociedade. Respondendo a pergunta de um repórter o travestido respondeu: “as pessoas não sabem de nada; vem da alma; eles não nos respeitam!” E eu, no sofá, diante da TV assistindo-o, respondi em pensamento: “você também não se respeita”.


O homem tem a resposta para todos de seus males há mais de dois mil anos. Infelizmente, o próprio homem, infeccionado pelo poder, deturpou essas respostas escondendo-as, resultando daí, um atraso na evolução da humanidade.

A ciência e os incrédulos de má vontade, insistem em ignorar a Codificação Espírita. Ali, naquele volume editado em 18 de abril de 1857 (“O Livro dos Espíritos”) e suas subsequentes edições em muitas línguas, estão as respostas para os muitos males que afligem a humanidade. Nos outros quatro livros que compõem o Pentateuco – “O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e a Gênese” – os ensinamentos se completam ou ensinam uma direção segura para que o homem possa encontrar respostas para curar ou pelo menos minorar os sofrimentos.

Emmanuel, através de Francisco Cândido Xavier, nos deu “Vida e Sexo”; Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda, o didático “Loucura e Obsessão; “Educação & Vivência”, psicografia de Raul Teixeira, etc.


Essas obras e muitas mais, nos dão respostas sobre o problema do sexo desvairado. No caso, a homossexualidade. Mas, infelizmente, o materialismo ou a “Porta Larga”, fala mais alto.


A sociedade e os próprios homossexuais não conseguem entender que “Deus não revoga suas próprias Leis”. Se eles resolvessem parar para raciocinar, veriam que esse problema é como disse o travesti acima, “da alma”. Só a reencarnação explica esse fenômeno.

Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e outros que se dizem entendidos, e de plantão, dão entrevistas na mídia sugerindo soluções. Outros, religiosos e não religiosos, mas ignaros em conhecimentos, sugerem soluções absurdas e sem nexo.


A medicina espírita progride e é cada vez maior o número de associações médicos-espíritas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Daí, uma sugestão para aquele que quer realmente se encontrar na vida presente; procure um psiquiatra ou psicólogo espírita.


O Livro dos Espíritos, na Questão 200 e seguintes, nos elucida a respeito do sexo dos espíritos. A partir da Questão 330, fala sobre o “Retorno à Vida Corporal”. “Obstáculos à Reprodução” que começa na Questão de número 693, nos dão mais luz a respeito do que estamos abordando.


O que se entende de tudo isso é que, quando um homem ou mulher, retorna ao mundo corporal em sexo diferente daquele daquele que gostaria de ser ou está acostumado em encarnações anteriores, é resultado de uma vida sexual desvairada. A agressão sobre si e ao próximo extrapolou os limites. Daí, o retorno a pedido e às vezes compulsoriamente a um sexo diferente daquele em que praticou o desvario.


Os homossexuais perguntariam o que fazer? A resposta é muito clara. Se a provação é a de resgatar o que está inserido no perispírito ou consciência como quiserem, abstenham-se.


O que não pode e não deve acontecer é mergulhar novamente na alucinação do sexo. A prova pode se repetir em outras encarnações com agravantes terríveis. Basta olhar a sua volta para se ter uma idéia aproximada do sofrimento do próximo.

Alguns nascem cegos, outros sem audição, sem poder andar, sem poder falar, etc. Expiações e provas para resgatar débitos anteriores. Por que o controle da libido não está entre essas provações?

Insistindo nos erros cometidos no pretérito, em subsequentes encarnações, os homossexuais, entre outros, poderão ter suas situações agravadas cada vez mais. Assim, outros problemas poderão surgir até que, “lapidados” dessas imperfeições grosseiras, voltem a evoluir.

Termino, desejando aos nossos irmãos homossexuais forças, fé, amor ao próximo e firmeza quanto aos seus propósitos de vencer as tentações que os levaram à situação atual.


“A vida é realmente simples. Nós é que insistimos em
torná-la complicada” (Confúcio)

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
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quinta-feira, 18 de março de 2010


RÁDIO - PAIXÃO,

ROMANTISMO & REALIDADE (II)


"Deveríamos usar o passado como trampolim e não como sofá." (Harold Macmillan)

Muitas pessoas vivem vida longa e feliz adotando uma rotina pacata, sem passar por ondulações de um corcovear valente agitando emoções. Minha circulação ao longo da vida sempre se afinou com aventuras e decisões que me deram inteiro prazer. Seja nos afetos, em exercícios profissionais ou escolha de caminhos, fui cavalgando de maneira diligente minha história.

Não tenho críticas para quem adotou vida calma, todavia, não conseguiria dormir com a serenidade, sem busca e velocidade. Se existe antagonismo e aventura em ser hoje interno seminarista e amanhã servir em uma trupe circense, eu exercia funções antagônicas. Minha mãe desejava um padre na família, desejo que me levou interno ao Seminário Santo Afonso, em Aparecida do Norte, ordem religiosa Redentorista fundada em Nápoles (1732) por Santo Afonso de Liguori. A vocação sacerdotal não inibiu meu trabalho futuro como ponto de teatro, no centro do palco, oculto por um alçapão, apontando para os atores o texto da peça. Eis aí relembranças da adolescência.

A ausência do chefe da família, falecido aos 53 anos, cobrou-me participação mais presente na qualidade de mais velho dos descendentes. De retorno a minha cidade ocorreu minha contratação por forte empresa comercial que vendia do alfinete ao caminhão. Incluía em seu conglomerado uma Casa Bancária de alto poder e influência regional: Organização Hygino Caleiro. Passei a produzir e apresentar com seu patrocínio exclusivo o maior programa de auditório de toda a região, “Variedades Hertzianas”. Conseguimos nível elevado de sucesso e várias apresentações de nossos artistas de Franca no programa Cezar de Alencar, na Rádio Nacional.

Ao mesmo tempo, Silveira Lima, meu contemporâneo do Rio, inclusive da Rádio Mauá, foi contratado pela PRA7 de Ribeirão Preto. Fala fácil, atraente, em auditório era concorrente respeitável. Eu em Franca fui abordado pela Rádio 79, de Ribeirão, para lançamento de um programa. Acumulei Franca com Ribeirão, para onde viajava uma vez por semana - quintas -, nos ônibus de estradas poeirentas, vestindo o antigo guarda-pó. Provavelmente, minha platéia de hoje nem sabe o que é. Fui rivalizar audiência com Silveira Lima no programa que criei: “Enquanto o tempo passa”. Foram momentos e glórias maravilhosas, gente de nível musical acima da média, onde posso destacar Armandino no violão, com desempenho de mestre a dedilhar cordas que faziam chorar.

A Renner SA ganhara destaque nacional em roupas masculinas quando já contávamos com seu patrocínio: “Informativo Renner” na Radio Hertz, negociação que entabulei compromissando-me a apresentá-lo várias vezes por dia. Uma longa história do rádio será contada a seguir e relativa à formação de redes das emissoras do interior. Entre elas, participei do grupo de Emissoras Coligadas, empresa que chegou a deter o domínio de 33 organismos espalhados por São Paulo, Minas e Paraná. Ulysses Newton Ferreira, baiano, chegado ao Rio na adolescência para trabalhar na portaria do Hotel dos Estrangeiros, cujo cunhado Arthur era o gerente. Era o hotel de maior expressão no Brasil por volta de 1865 e assim permaneceu na Praça José de Alencar, próximo ao Largo do Machado, local do assassinato à traição de importante político brasileiro, natural de Cruz Alta, RS, o senador Pinheiro Machado, em 8 de novembro de 1915. No saguão do hotel, foi apunhalado pelas costas, perda irreparável para o mundo político.

Aprovado em concurso do Banco do Brasil, Ulysses assumiu sua função de funcionário da agência de Jaú, SP. Inicia-se, assim, a vida de um grande empreendedor na radiodifusão brasileira. Uniu-se por casamento com Maria da Gloria Fagundes Ferreira, de tradicional família jauense. Já atuando na área com sua primeira emissora na cidade, continuou no Banco do Brasil, adquirindo novas transmissoras em Marília, Lins, Presidente Prudente e Franca, concluindo por chegar ao domínio de 33 emissoras, nas mais expressivas regiões do país.

Vivendo exclusivamente como profissional de microfone, não me ocorrera em algum momento pensar em administração. Meu tempo era aplicado no rádio, preencher espaços com criatividade nos programas de auditório, - ainda hoje copiados pela TV - dinamizar e avançar na informação jornalística do rádio, dando-lhe urgência e instantaneidade. O rádio traduzia as esperanças de meu sonho que não era pequeno por fortemente vivo em meu projeto de vida.

Foi quando Pedro Dermínio, francano e contador, foi destacado por Ulysses novo gerente da Radio Hertz. Acostumado na capital, nos escritórios centrais da empresa, não sentia qualquer prazer em retornar ao ninho antigo. Atraiu-me para que assumisse a função de gerente, indicando-me ao diretor Ulysses Newton Ferreira. Atendendo a chamado, fui por primeira vez a uma entrevista com o líder que se tornaria meu grande instrutor de negócios, meu amigo detentor dos títulos que pude conhecer em um homem sério, arrojado e progressista. Participei de seu projeto com amor e fidelidade. Era ele nossa vocação a construir crescente desenvolvimento e modernidade no rádio brasileiro. (continua)

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*José Reynaldo Nascimento Falleiros (Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004); Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007) e a novíssima coletânea Seleta XXI - Crônicas, Contos e Poesias, recentemente lançada. Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. A Série Relembranças II será editada em capítulos semanais, às quintas-feiras - uma revisita do profissional de memória privilegiada, à história do Rádio Brasileiro, que se confunde com a sua própria história.
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quarta-feira, 17 de março de 2010


RAZÃO E SENSIBILIDADE


Para viver bem, precisamos de razão e de sensibilidade. Razão para pensar e agir racionalmente, planejar, estruturar e executar. Sensibilidade para não permitir que a razão domine o sentimento e nos faça duros e implacáveis em nossas decisões.

Na verdade, cada pessoa é diferente em suas doses de razão e sensibilidade. Uns são racionais ao extremo, outros vivem mergulhados num mar de sensibilidade. Alguns são sensatos.

É estúpido aquele que julga ser a inflexibilidade uma virtude. É igualmente estúpido aquele que acredita ser a generosidade o único caminho.

Só podemos ser inflexíveis ao lutarmos para manter valores como a ética, a honestidade, a probidade, a dignidade do ser humano. Podemos ser generosos sempre, desde que haja justiça em nossas ações. Não podemos ser generosos para com a injustiça, a humilhação, a violência, a mentira.

Para que seja vitoriosa a justiça, precisamos de razão e sensibilidade. Para discernir o que é bom e o que é ruim. O que é verdadeiro e o que é falso. O que inclui e o que exclui. Razão e sensibilidade. “Esprit de géometrie” e “esprit de finesse”, como já definia Blaise Pascal. Um significa capacidade de ordenação, de objetividade, de competição, de superação de obstáculos, de determinação na conquista de um objetivo. Outro inclui a capacidade de inteireza, de percepção de totalidades, de captação da unicidade do processo vital em suas mais diversas manifestações – subjetividade, acolhida, cuidado, cooperação, intuição – sentimentos experimentados no caráter sagrado e misterioso da vida e do cosmos que nos envolve.

Espírito de geometria define o que é exato, matematicamente comprovável. Espírito de fineza conceitua o que é subjetivo e só pode ser sentido, percebido, pressentido.

Razão e sensibilidade. Elementos imprescindíveis para bem-viver e viver bem, em sintonia fina com o cosmos que é nossa missão construir para afastar o caos.

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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão no blog Interface Ativa!. Acesse http://niviaandres.blogspot.com
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terça-feira, 16 de março de 2010


TEMPO DE DECISÃO


Vivemos num tempo em que urgem decisões e atitudes. O mundo precisa decidir. O Brasil precisa decidir. Não só os governos precisam agir. Os cidadãos têm que tomar atitudes. Sair do marasmo, da omissão, do muro, da alienação. Mostrar a cara.

Chega de ver e não fazer nada. Ficar na cômoda posição de assistente, sem interferir. Quem não se posiciona não tem o direito de criticar. Quem se dá ao luxo de permanecer mudo antes e durante tem o dever de ficar calado depois. O muro deixou de ser uma posição confortável.

A omissão, o não-fazer (mesmo sabendo o que deve ser feito) implica em ceder espaço - é transferir responsabilidades, é perder oportunidades. Significa apartar, separar, desviar e fazer fracassar o que poderia ser aproximar, aprofundar e compartilhar.

Ao mesmo tempo, quem quer contribuir para que se construa uma nova realidade tem que vencer a barreira da vaidade e interagir, sair da casca e conversar, discutir, reunir argumentos, analisar, dialogar e vencer as barreiras, abandonando futilidades, mesquinharias, miçangas, canutilhos e paetês. Reduzir a pó os empecilhos (na maioria das vezes imaginários) projetados apenas pelo temor de que uma atitude conciliatória seja tomada por demonstração de fraqueza ou de covardia.

Quem participa, constrói junto.

Quem contribui por ter consciência de que não se faz nada sozinho, é sábio.

Quem participa para construir e contribui para a transformação, colabora para que haja um milagre.

Quem não acredita no impossível não tem forças nem para concretizar o possível.

Será que ainda é possível mudar? Abandonar a prepotência, a arrogância, a insânia da autossuficiência?

Será que ainda é possível sonhar com a soma das parcelas para constituir um produto muito melhor?

Será que ainda é possível sonhar com adição e multiplicação em vez de penar com diminuição e divisão?

Unir forças ainda serve para multiplicar resultados.

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*Nivia Andres é jornalista e licenciada em Letras. Suas opiniões e vivências estão registradas em Interface Ativa!. Acesse http://niviaandres.blogspot.com
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segunda-feira, 15 de março de 2010


COMO POSTAR COMENTÁRIOS

NO BLOG

Atendendo a pedidos dos leitores, Cristina Fonseca, a Diretora de Arte do Blog de Edward de Souza elaborou um pequeno manual visual, passo a passo, de como postar e publicar comentários em blogs.

Esperamos que, com essa pequena orientação, mais leitores possam manifestar a sua opinião, que é tão importante para nós, sobre as matérias publicadas nesse espaço de comunicação.

sábado, 13 de março de 2010


AS MÚLTIPLAS FUNÇÕES

DO PALITO


Estava absorvido com o que estava escrevendo no computador quando escutei a voz de minha esposa dizendo que precisava de palitos. Palitos? Argui-me! Em seguida, no mesmo tom de voz perguntei: “- O que você vai fazer com os palitos?”. “- Estou fazendo bracholas...” Não precisou completar a frase, adivinhei para o que seriam os danados dos palitos. Uma comida de origem italiana. Bife enrolado com legumes, coisa mais ou menos assim. Gostoso.

Interrompi meu trabalho, vesti minhas sandálias, coloquei alguns trocados no bolso e lá fui eu. A padaria fica a duas quadras de casa. Tempo suficiente para que minha imaginação viajasse no tempo e no espaço.

Quantos palitos se fazem com uma árvore derrubada? Um pinus ou eucalipto... São plantas renováveis, daí...Já tive um palito permanente feito de marfim. Não sei onde foi parar. O trágico é que foi preciso matar o elefante. Barbaridade!

Já vi palitos de osso, de ouro e de outros metais em minhas andanças pelo mundo. Esses são laváveis e desinfetáveis. É só usá-los e guardá-los no bolso ou na carteira.

Dependendo do local onde se está (meio social), o uso desse milenar “quebra galho” pode ser nojento, dependendo da posição social do indivíduo ou ser simplesmente um ato comum.

Esgaravatar os dentes depois de uma refeição, cobrindo a boca com a mão e mesmo não cobrindo, não é coisa agradável de ver.

O palito tem múltiplas funções. Serve para limpar as unhas. Para coçar ouvidos. Enrolar um algodão em suas pontas e aplicar remédios em feridas e ainda, limpar os dentes depois! Não estou inventando não. Viagem pelo nosso imenso país e vejam vocês mesmos.

Mas com o danado do palito se podem fazer belos trabalhos artesanais para quem tem talento e imaginação.

O sexo frágil e os não tão frágeis também usam o palito para tirar o esmalte das unhas e limpar o excesso.

O palito é um objeto de “mil e uma utilidades” como diz aquela propaganda da esponja de aço.

Afinal, há o verbo ”palitar”: Eu palito, tu palitas, ele palita, nós palitamos, vós palitais, eles palitam. Isso no presente indicativo. Há os outros tempos. Nos bons tempos, daria até uma boa marchinha de carnaval. Nos dias de hoje, músicas de duplo sentido fariam sucesso efêmero nas rádios e na televisão.

E quando não houver um palito à mão? Se o sujeito tiver uma caixa de fósforos no bolso, dará um jeito. Basta desbastar a ponta e pronto! Terá um esgaravatador excelente.

Eu não uso palitos para limpar os dentes. Sou prático. Vou ao sanitário, arranco-os e deixo-os alguns segundo debaixo do forte jato de água. Depois é só colocá-los de volta fresquinhos. “Nada como um sabor refrescante” de água limpa!

E falando em caixa de fósforos, lembro-me de um sambista do passado. Trata-se de Ciro Monteiro e sua indefectível caixinha. Enquanto cantava, marcava o compasso do samba, transformando a caixa de palitos em pandeiro.

Cheguei da padaria e não disse o que tinha a ver os palitos com as bracholas. Afinal, foi para isso que fui comprar palitos.

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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail jgarcelan@uol.com.br
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sexta-feira, 12 de março de 2010


A ARTIMANHA DOS RECALL
... Para disfarçar o velho defeito de fabricação ...


A novela dos recall automotivos pode ter atingido seu ápice com a condenação da Fiat a indenizar usuários de seus produtos colocados no mercado com defeitos de fabricação. A decisão só foi tomada agora, é passível de contestação jurídica e, pasmem, envolve veículos fabricados anos atrás. Todos, até agora, livres, leves e soltos pelas cidades e estradas do Brasil. Quem matou, quem morreu, nunca se saberá...

A questão é claramente uma ardilosa trapaça engendrada pelas grandes redes internacionais automotivas para diminuir seus custos com controle de qualidade, um dos setores que deveria merecer tanta atenção quanto o de desenvolvimento de novos projetos e tecnologias. Assim, atiram nas costas dos revendedores e dos clientes a responsabilidade de testar este ou aquele componente, sempre que convocados para isso.

Percebam o embuste que poucos, inclusive a imprensa tão ciosa de denunciar fraudes e caixinhas políticas, tem deixado passar em branco. A revenda ou representante legal disponibiliza instrumentos, máquinas e funcionários para servir aos consumidores, prontamente dispostos a atender ao apelo do fabricante, inclusive movidos pelo medo das consequências.

O proprietário abandona sua rotina, cancela ou adia compromissos, perde horas na oficina, quando não é obrigado a deixar o veículo por algum tempo e ficar literalmente a pé e, convenhamos, ainda sai satisfeito por saber que o tal defeito foi descoberto a tempo e nada gastou para remediá-lo, embora muitas vezes a garantia já tenha acabado.

No compasso dessa estratégia, que não é patente brasileira, mas se alastrou pelo mundo, cada vez menores são os investimentos na pesquisa e aplicação desses resultados na melhoria da qualidade do produto final. E, convenhamos, com o avanço significativo das conquistas tecnológicas a preocupação com a efetiva performance das avassaladoras novidades no desempenho diário dos produtos deve ser fundamental. Mas, custa muito caro, cai na chamada chapa fria dos investimentos sem retorno pronto nos balanços gerais e, depois da invenção sacana do recall, surgiu uma bela escapatória para corrigir erros já nas mãos do consumidor e só mesmo quando o volume de bobagens cometidos nas linhas de montagem ultrapassar determinado patamar.

Nós, pobres consumidores, não podemos nem mesmo mudar de fornecedor dos nossos carros, pois a prática se universalizou por todas as marcas, modelos e estilos. Vale batalhar para que alguém levante a voz e faça valer uma competente indenização para todo aquele que adquirir um veículo com defeito de fabricação. Inclusive ou principalmente a imprensa, de olhos fechados para a questão há muito tempo.

A decisão do Ministério da Justiça em multar a Fiat em R$ 3 milhões, maior valor previsto no Código de Defesa do Consumidor, pode dar início a um movimento de ações coletivas, não contra o recall, mas exigindo, em contrapartida a mais essa dor de cabeça, uma indenização pertinente. Qual entidade tomará a dianteira e passará a liderar os compradores prejudicados?

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*Virginia Pezzolo é jornalista, escritora, advogada e bacharel em Ciências Sociais.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

HOJE É DIA DE FESTA PARA NIVIA ANDRES

A Festa estava cuidadosamente sendo preparada para amanhã, sexta-feira, dia 12 de março. Repentinamente um grito de alerta da Cristina Fonseca quase nos derruba da cadeira. Era o comunicado que hoje, 11 de março, nossa querida amiga, brilhante jornalista, Nivia Andres, apaga velinhas. Uma festa depois da outra. Surpreso, corri ao blog e não pude postar o bolo que ainda estava sendo confeccionado. O que tinha em mãos postei, antes do artigo especial desta quinta de Garcia Netto. Agora, uma hora depois, com a presteza da Cris, nossa diretora de artes, o bolo para a festa de logo mais ficou pronto. Vamos comemorar amigos e amigas. Mais aniversário. Ontem, da Cris Fonseca, hoje, da Nivia. Parabéns, Nivia Andres e que Deus continue lhe abençoando, adoramos você! (Edward de Souza).
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ABAIXO A SÉRIE IMPERDÍVEL DE GARCIA NETTO: RELEMBRANÇAS II
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RÁDIO – PAIXÃO,


ROMANTISMO & REALIDADE(I)

Retornar é missão de quem iniciou alguma coisa e precisa complementá-la para bem cumprir o avençado. Na série anterior, Edward de Souza fez referência a Orlando Dompieri, saudoso ator, produtor de radioteatro, responsável por encenação de peças como produtor, diretor, esperto na arte da culinária. Tudo ele fazia com extremado amor e dedicação, na qualidade de amador. Sua atividade profissional: professor de marcenaria na Escola Profissional Dr. Júlio Cardoso, de Franca. Merece a relembrança por ter sido um iniciador das artes na cidade. Quem, dos mais antigos, não se recorda de sua sensibilidade? No teatro, no rádio e na arte de produzir minúsculas peças em madeira, marcou seu tempo - pequeninas taças de champanha e xícaras que se temia pegá-las por tão delicadas.

A Daniela Fischer que mora na Urca, no Rio de Janeiro, aguça minha saudade e apego à história. Naquele entorno desfrutei ricos momentos da vida. Na Praia Vermelha, Carlos Machado e a Boate Casablanca, a TV Tupi no antigo Cassino da Urca que foi berço do sucesso de Carmem Miranda (E). Locais onde eram pontuais os encontros das elites do mundo e valores artísticos da época. A Urca também me acende a candeia a iluminar lembrança do advogado, político, diplomata, ministro, mestre da soberba oratória, jornalista e companheiro de Vargas: João Neves da Fontoura (D).
O valor dos letristas do passado foi lembrado por Liliana Diniz, a qualidade musical, a descoberta da qualidade interpretativa. Lili, não se pretende anular a TV, entretanto, o seu audiovisual, deixa de escancarar o romântico que o rádio tem: o mistério, a expectativa, a imaginação livre de cada um. O Pedro Veríssimo fala de sua sonata e do ponche. Quantos de nossos leitores sabem o que é? O Miguel Falamansa viu em sua bola de cristal que eu usava roupa de linho 120, pede confirmação: naquele tempo chamavam-no: linho Irlandês York Street, mais tarde passou a ser produzido no Brasil pela Braspérola, como linho 120, com alusão ao número de fios, hoje muito em moda a citação em vários tecidos. Não existe mais. Usava e uso hoje a versão mais próxima. Anote, Miguel, eu não usava compondo o traje sapatos vinho de bico branco, identidade dos chamados malandros cariocas.

Angélica sugere uma conversa minha com seus colegas de classe. Honra-me.

A Bruna, mineira, questiona minha falta de relação com o rádio de Minas Gerais. Trabalhei por curto tempo em emissora de Araguari, uma pioneira. Fui amigo de Januário Carneiro, príncipe da rede Itatiaia, defendendo as mesmas idéias nos congressos da radiodifusão brasileira. Convivi com Céu Azul Soares, grande narrador de partidas de futebol em BH.

Uma encruzilhada na década de 50 apresentou-se em minha vida e provocou mudanças radicais em meu caminho. Uma opção seria ir para o Canadá, apresentar programa em português, em emissora de Ottawa. Outra, era aceitar convite para uma participação no filme Carnaval no Fogo, da Atlântida. Essa realização do cinema viria provocar grande polêmica, com críticas agudas - no entanto, o público adotou-a com boa bilheteria, que lhe sustentou aprovação.

No mesmo período, o falecimento de meu pai, na cidade de minha origem, Franca, por precedência do destino, dando novo rumo ao futuro. Foi o início de minha carreira na lida administrativo-empresarial.

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*José Reynaldo Nascimento Falleiros (Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004); Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007) e a novíssima coletânea Seleta XXI - Crônicas, Contos e Poesias, recentemente lançada. Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. A Série Relembranças II será editada em capítulos semanais, às quintas-feiras - uma revisita do profissional de memória privilegiada, à história do Rádio Brasileiro, que se confunde com a sua própria história.
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