quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DOIS GRAUS CENTÍGRADOS
Até domingo, tenho de matar 37 mil pessoas.
Está abafado, o suor brota na raiz dos cabelos, me inunda a testa, a nuca, o pescoço, não há como se habituar a esse maldito calor. Alguma dúvida? Nenhuma. Procedimento? O de sempre: chegada ao alvorecer, vias de fuga cercadas, não se deve deixar testemunha nem ter pena de ninguém, há sempre que vencer o impulso natural de querer se poupar as crianças. Certo? Certo.
– E o moral de seus homens, como está?
Hesito. O major Camilo curva-se um pouco para a frente, estreita os olhos, na leitura implacável de minhas reações. Estamos sempre sob avaliação.
– Em geral é bom, mas oscila – digo a verdade – O senhor sabe como é.
– Sei. Vou mandar um novo carregamento de Transformid.
Balanço a cabeça, em concordância. As malditas pílulas viciam, deixam os homens fora de si, enlouquecidos.
Passeio os olhos pela parede do QG forrado de mapas, num deles está circulado em vermelho o campo de refugiados a ser “apagado”, na nossa gíria. Noutros, estão assinalados alvos das demais unidades, em geral a média é de quatro incursões por mês para cada uma delas. A consumação de cada trabalho, mesmo com o nosso armamento moderno, exige horas e uma energia absurda. Armas bacteriológicas seriam mais discretas, mas seus efeitos poderiam se voltar contra nós. Bato continência, peço licença para me retirar. Quando estou saindo, o major grita:
– Ah sim, capitão, nem preciso dizer, a tropa vai ganhar uma remuneração extra por esse trabalho.
– Obrigado, major.
Pego o jipe elétrico, dirijo-me para o aquartelamento da UL Zeta, que comando. Todas as Unidades de Limpeza foram batizadas com uma letra do alfabeto grego, como Beta, Alfa, Gama, Delta e por aí vai. Alguns homens limpam armas no alpendre, outros jogam basquete na quadra de esportes, outros mais levantam pesos à sombra de uma árvore, são maneiras que têm de descarregar o estresse; eles detêm-se um momento ao me ver chegar, sabem que fui receber ordens, o que significa ação imediata. Matar, destruir, vira uma cachaça, uma necessidade, tem um componente quase orgástico; quando você arranca sangue, quer ver mais, sempre mais, alguns parecem não poder mais viver sem isso, o componente sádico muito forte dentro de nós. O problema é que a maioria, passada a orgia, entra em depressão, tem pesadelos à noite, todas as unidades registram elevado índice de suicídios.
Vou direto para o meu PC, desabo na poltrona, abro a blusa de brim, ligo o ventilador. Pego na caixa um lenço de papel, me ponho a limpar os óculos rayban.

Mundo filho da puta. A culpa de tudo é a insaciável voracidade de nossa espécie: o leão, uma vez alimentado, deixa os restos da presa para o chacal; o homem não, quer mais, mais e mais, nunca se sacia. Sempre foi assim. Os políticos, que tanto desprezamos, sempre fizeram o jogo que no fundo queremos, daí vem a força que têm. E foi por isso que as tentativas, há pouco mais de trinta anos, de um acordo para deter o aquecimento global fracassaram. Ninguém, países desenvolvidos, em desenvolvimento, subdesenvolvidos, queria abrir mão de nada. Para fazer pasto para o gado, derrubaram-se florestas; e alguém desistiu de seus automóveis? Do consumo sem limites, como se as matérias primas fossem inesgotáveis? Como se a terra espoliada pudesse se renovar eternamente? Chaminés significam empregos, alegava-se; e quem não quer progresso? E mudar uma economia baseada em combustíveis fósseis seria contrariar poderosos interesses estabelecidos, seria mudar o eixo do poder. E assim, toneladas de CO2 continuaram a ser jogadas na atmosfera, resultando em mais aquecimento, num processo já quase irreversível.
Vozes alertavam contra a insensatez, aqui, acolá; mas um bloco de gelo se desprendendo no Ártico, a milhares de quilômetros, parece um acontecimento remoto demais para perturbar o nosso cotidiano, para nos fazer crer em sua realidade, para nos obrigar a levantar da cadeira e tomar uma atitude. Verdade, os cientistas sempre souberam, o aquecimento da Terra é um acontecimento natural, cíclico, ao qual se sucede um resfriamento, alguns calculam que aconteça a cada vinte mil, 25 mil anos: a contribuição deletéria do homem na verdade não significa mais do que dois ou três graus no aumento da temperatura média do globo. Mas esses dois graus foram exatamente a gota que fez o copo transbordar, com a elevação dos mares e as catástrofes que daí decorreram. Pobre Havaí, pobre Holanda, pobre Indonésia.
Passo um lenço pela cara, pelo pescoço, bebo um copo de água gelada. Não estou com pressa de convocar os tenentes e sargentos, essa gente toda tão bem treinada e na expectativa aguda das novas ordens, homens escolhidos a dedo. Primeiro, preciso me recuperar desse cansaço que me esmaga. Quando chamá-los, preciso estar feroz e determinado, o maior erro de um comandante é demonstrar qualquer hesitação. A verdade é que tudo foi previsto. O que não se esperava é que acontecesse tão depressa.

Hoje aquele primeiro grande massacre, o de setembro de 2042, já foi assimilado, tornou-se um mero fato histórico, como a batalha de Salamina, a bomba de Hiroshima, o atentado a Nova York de setembro de 2001, poucos se lembram agora da comoção mundial que provocou, embora a grande maioria tratasse logo de buscar os argumentos que o justificavam. Desesperados pela fome e a sede, centenas de milhares de africanos, que haviam visto seus rios secarem, seus animais e colheitas morrerem na savana esturricada, como se à voz de um comando invisível, embarcaram num enxame de embarcações de todos os tamanhos e feitios em direção à Europa, encheram com elas o Mediterrâneo, que alguns órgãos de comunicação, com humor macabro, chamariam depois de Mar Vermelho. Cientes da catástrofe que se abateria sobre si, impotentes para impedir a enxurrada de miséria que se aproximava, as marinhas da França, Espanha, Itália e Portugal, numa ação conjunta, mandaram suas corvetas e fragatas varrerem para longe, para o fundo, para o inferno, aquela turba escura e esquálida, abafando seus gritos e seu espanto com a voz forte dos canhões e metralhadoras. E apenas podíamos então pressentir que aquela seria a primeira mortandade na série que se seguiria. Àquela altura, o nível dos oceanos não cessava de subir, engolindo em pouco tempo boa parte do Rio, Nova York, Xangai, Hong Kong, Marselha, Liverpool e outras centenas de metrópoles litorâneas, fazendo de Veneza um mito comparável ao da Atlântida. O Ártico encolheu na forma de um pequeno solidéu branco, países ilhéus do Pacífico sumiram do mapa, o Ceilão virou uma ilhota. Enquanto grandes porções do planeta convertiam-se num braseiro, outras, como a Inglaterra, congelavam por causa do desvio das correntes marítimas que amenizavam o clima.
Com a produção agrícola e toda a economia mundial em colapso, multidões de refugiados climáticos vagavam de um lado para o outro, buscando uma quase impossível sobrevivência em meio à grande fome. Foi então que os países maiores fizeram aquele grande pacto secreto e foram criadas as unidades militares de extermínio. Não havia alternativa. A esterilização em massa não resolvia o problema da superpopulação, seus efeitos, muito demorados, serviam quando muito para travar o índice de crescimento populacional, nada mais que isso; e havia gente demais no planeta e comida de menos; chegou-se então à decisão fatal: para que um núcleo humano, afinal de contas, sejamos francos, a elite da humanidade, sobrevivesse, era preciso acabar o quanto antes com os excedentes, com aquelas multidões subnutridas empilhadas em acampamentos da periferia, que geravam doenças de toda espécie e eram uma ameaça o tempo todo de distúrbios, saques e invasões. E a escolha era uma só, lógica, imperativa até: o extermínio dos mais fracos, mais ignorantes, mais desprotegidos – os menos aptos.
Olho o relógio, depositado sobre o tampo da mesa. Um militar bem formado não discute ordens, cumpre-as. Vou chamar meu pessoal, repassar as instruções. É preciso não amolecer, não sentir pena, ressaltou o major. O novo alvo está estabelecido, a data também: o próximo ataque ocorrerá dentro de 48 horas, num réveillon em que fogos e gritos não serão de deleite. O pior são os gritos: atravessam as bolas de cera que entopem nossos ouvidos, continuam a ecoar depois de tudo terminado; por causa deles, muitos soldados preferem ouvir rock pesado enquanto trabalham. Depois, escavadeiras abrirão covas coletivas, tratores empurrarão os resíduos para dentro delas. Extenuados, embarcaremos em nossos helicópteros, regressaremos em silêncio para o quartel como zumbis, sacudidos por tremores, cada qual dono de suas próprias visões, à espera da próxima missão. Não fui eu que moldei este mundo. Ele não é o mundo que desejei para meus filhos. Mas que alternativa tenho eu?
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*Rubem Mauro Machado é jornalista e escritor, radicado no Rio. Com "A idade da paixão", historia de formação ambientada nas pensões da Porto Alegre de 1961 (Editora José Olympio), ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance nacional de 1986. Reescrito pelo autor, o livro foi relançado pela Editora Bertrand em 2006, em edição comemorativa dos vinte anos do prêmio. Seu romance "Lobos" (Record), de 1997, retrata a vida nas redações e nos quartéis nos Anos de Chumbo da ditadura militar e acaba de ser lançado na Itália com o titulo Lupi. "O executante" (Record) reúne três histórias de suspense e ação, ambientadas no Rio de Janeiro. Alguns de seus contos estão traduzidos para o inglês, francês, espanhol e alemão. É autor ainda, entre outros títulos, de "Jacarés ao sol" (Ed. Ática, contos) e "Não acreditem em mim" ­- Memórias dos Anos Dourados (Ed. Saraiva), este voltado para o público juvenil.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

QUAL É A LÓGICA DO
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RÉVEILLON NA PRAIA?

Nada melhor para comemorar o primeiro aniversário deste inédito espaço do que compartilhar com os amigos algumas reflexões sobre o significado do réveillon na praia.
Quem leu, logo abaixo, o artigo do mestre Morgado provavelmente ficou com dificuldades para responder à indagação que ele faz ao fim da crônica: Afinal, as pessoas vão à praia no ultimo dia do ano para deixar ou para acumular stress?
Diz a tradição e a nossa cultura que se deve vestir uma roupa branca, ver a queima de fogos e dar sete mergulhos, ou pular sete ondas. Para dar sorte no ano que se inicia.
Passei réveillons inesquecíveis em muitas praias deste País. Os melhores, no Nordeste. Mas, de uns tempos para cá, confesso, tenho arrepios só de pensar naquela multidão aloprada que toma conta das estradas e invade as cidades litorâneas como um bando de vikings salteadores.
Mesmo assim, porque tenho a benção de poder desfrutar do convívio dos meus pais – ambos completando 80 anos nestes 2010 – e de meus familiares, quase todos residentes em Santos e São Vicente, não tenho alternativa senão desfrutar o prazer da companhia deles, mesmo tendo pela frente o desgaste de enfrentar a descida da serra em meio àquela multidão.
Este ano, passei novamente o Natal e o ano novo com eles. No Natal, o movimento é relativamente calmo porque a horda resolve descer é mesmo para o réveillon. Por isso, tive o cuidado de programar a descida para depois da multidão. Sai de casa com minha mulher de moto às 11 h. O movimento na Anchieta e na Imigrantes acabara de se normalizar. O trânsito passou a fluir naturalmente naquele horário, menor até mesmo do que em fins de semana normais.
Pretendia ver o espetáculo dos fogos descendo a serra, onde é possível avistar várias cidades do litoral como Santos, São Vicente, Guarujá, até a Praia Grande. Como tinha algum tempo e o trânsito no ABC e na Capital praticamente inexistia, resolvi contornar a Avenida Paulista, que reuniu mais de 2,5 milhões de pessoas. Algo como incorporar aquela energia positiva antes de descer a serra.
Tudo corria maravilhosamente bem até que em determinado momento, quando estávamos defronte ao Parque do Ibirapuera e vislumbramos aquela árvore de natal maravilhosa... Começou a chover. Nada assustador para quem pilota há 36 anos e provavelmente já experimentou todo tipo de provações, inclusive com chuva em estradas barrentas. No entanto, a chuva implica em mudança na maneira de pilotar, especialmente reduzindo drasticamente a velocidade. Então, na medida em que a chuva ficava mais intensa, mais devagar eu andava. Quando entramos na Via Anchieta, já se aproximava da meia noite. E o plano de ver os fogos do alto da serra começava a murchar. Tudo bem, ao atravessarmos São Bernardo do Campo, mais especificamente defronte a Volkswagen, os fogos pipocaram. Era meia noite. E a chuva, cada vez mais intensa. Depois do pedágio, então, foi um dilúvio. Assim mesmo, com cautela, continuamos já sabendo que os fogos do litoral ficariam para outra oportunidade. O mais importante, àquela altura, era chegar lá. O que quase acabou não acontecendo.
Porque no final de uma descida, na Via Anchieta, cerca de 5 km após o pedágio, há uma ponte estreita. E a água que caiu com intensidade fluiu naturalmente para o ponto mais baixo que é exatamente a ponte. Estávamos a 20 ou 30 por hora, no máximo quando apareceu repentinamente um carro em alta velocidade – provavelmente 140 ou 150 km/h – e entrou simultaneamente na ponte. Ocorre que a enxurrada formou uma lâmina d’água de aproximadamente uns 5 cm, suficiente para provocar aquaplanagem que rouba a direção dos veículos e termina, geralmente, em capotagens e em graves acidentes. De um momento para outro, fomos banhados por uma enorme onda que espirrou do carro apressado e quase nos derrubou. Pior: estava com a viseira do capacete levantada, para evitar que embaçasse e, pela fresta, entrou a enxurrada provocada pela passagem do veículo apressado. Fiquei totalmente sem visão por alguns segundos. Tudo o que pude fazer foi ficar imóvel, calculando sem visão por onde estava a estrada enquanto percebia, pelo reflexo das luzes do farol do carro apressado, que ele ziguezagueou à minha frente e conseguiu recobrar o comando a muito custo porque, com o susto, o motorista apressado tirou o pé do acelerador.
Quando recobrei a visão, percebi que tudo estava bem. Não caímos e não saímos da estrada. Daí para frente, sempre com cautela e debaixo de intenso nevoeiro, conseguimos chegar a Santos por volta da l h da manhã.
A Eva, minha mulher, preferiu ficar em casa com meus pais. Meus irmãos, sobrinhos estavam todos na praia. Deixei a moto, peguei a bicicleta que deixo lá para sempre pedalar quando possível – Santos tem um excelente circuito de ciclovias – e lá fui eu ao encontro dos amigos e familiares.
Parece que levamos a chuva daqui para lá. Porque ela nos acompanhou. Até nossa chegada, e durante os fogos, o tempo estava bom. Mas depois da 1 h fechou e começou a chover. Achei ótimo. Porque estava uma noite muito abafada e aquela chuva foi providencial. E, como num passe de mágica, serviu para dispersar a multidão. E assim foi durante a noite inteira, sob chuva.
Passei um réveillon de muita reflexão sobre a vida. Como é fácil perde-la em função da imprudência dos outros. Agradeci muito ao Criador não apenas pelo novo ano, 2010, mas especialmente pela vida que continuava a pulsar. Foi muito bom relembrar antigas passagens, situações difíceis que foram enfrentadas. Pensei também na falta de lógica desta multidão que vai ao litoral todo final de ano, enfrenta congestionamentos, filas, falta d’água, desconforto e mesmo assim não perde o humor.
E como é contrastante vê-los aqui, no trânsito do dia a dia, com uma pressa interminável, irritação, pouca paciência, a ponto de se matarem por desentendimentos estúpidos no trânsito. A maioria dos acidentes graves e fatais acontece por excesso de velocidade nas avenidas e estradas, no farol amarelo dos cruzamentos e na sucessiva troca de faixas pelas ruas. As pessoas vivem com pressa, muita pressa, os 365 dias do ano para depois se sujeitarem a longas esperas na passagem do ano. Houve quem gastasse mais de dez horas para chegar ao litoral, um percurso que normalmente é feito em menos de uma. Qual é a lógica disso tudo? Se for para começar um novo ano, com sorte, porque não aplicar aquela mesma paciência e bom humor nos demais dias que se seguem?
Convido os amigos a fazerem a mesma reflexão. E que possam aproveitar cada segundo, minuto, cada hora de cada um dos dias do ano que se inicia.
A pressa, além de ser inimiga da perfeição, é traiçoeira e anda de braços dados com o infortúnio.
Vida longa e feliz aos companheiros Ademir Médici, Oswaldo Lavrado, mestre Morgado, Guido Fidelis, Virginia Pezzolo, Milton Saldanha, Nivia Andres, Garcia Netto, João Paulo de Oliveira, Cristina Fonseca (Cris) e, em especial, ao irmão Edward de Souza, o grande catalisador deste encontro.
Uma saudação especial aos leitores e comentaristas que fizeram deste blog um ícone na Internet. Feliz 2010 e, parafraseando o mestre Morgado, com paz, muita paz e saúde para todos.
Sem pressa.
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*Édison Motta
é jornalista
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

UMA VELINHA QUE VALE POR MIL
UM ANO DE SUCESSO
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Existe uma frase simples, mas muito importante que é “Podemos tudo que cremos”. Quando acreditamos que somos fortes, que podemos superar adversidades e lutar por um ideal somos sempre vitoriosos. Nesta segunda-feira nosso blog completa o seu primeiro ano de existência. Passou muito rápido. Mal posso acreditar que já faz 365 dias que iniciamos esse projeto. E, no entanto, o blog já é um grande sucesso! Nada mal para uma iniciativa que, a princípio, era quase totalmente experimental. Para nós é sempre uma surpresa perceber que mesmo em tão pouco tempo conseguimos resultados bem relevantes, com cerca de 400 visitas em média por dia e dezenas de comentários em cada crônica ou conto postado. Mais ainda. No final do ano que terminou na semana passada, comemoramos mais de 100 mil visitas ao blog, um recorde que não esperávamos acontecesse tão rápido assim.
A verdade é que a correria desses novos tempos digitais, cibernéticos e virtuais, tem nos feito muito exigente, a ponto de nunca encontramos tempo para realizar tudo o que queremos. Temos a sensação de que a cada dia as horas passam mais rápidas, que os dias são mais curtos e que os anos parecem ter menos do que os 365 dias que tinham antes. É essa sensação de que tudo está passando rapidamente que nos leva a querer "tudo ao mesmo tempo agora". Hoje estamos confiantes de que o blog se firmou como um espaço importante na web e tem potencial para continuar forte, com mais de 500 pessoas recebendo a atualização de nossas crônicas e contos todos os dias e cerca de 150 seguidores fiéis que nos acompanham e podem ser vistos na lateral esquerda deste blog, número esse que, acredito, deve dobrar até o final deste ano.
Aqui fica a nossa gratidão a todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram para que chegássemos a esta situação. Aos amigos jornalistas que se juntaram a nós e dão vida a esse espaço escrevendo crônicas e contos inéditos e hoje enviaram suas mensagens de felicitações pelo primeiro aniversário do blog, que podem ser lidas na sequência desse texto. Agradecimentos aos queridos J. Morgado, Oswaldo Lavrado, Milton Saldanha, Nivia Andres, Édison Motta, Ademir Medici, Guido Fidelis, Virginia Pezzolo, Garcia Netto, João Paulo de Oliveira e nossa querida diretora de artes, a Cristina Fonseca (Cris), autora dessas assinaturas e ilustrações belíssimas do nosso blog, como as de hoje. A força desse grupo, na verdade uma família, impediu que eu desistisse no meio do caminho e tocasse com carinho e profissionalismo esse blog, mesmo com muitos compromissos assumidos.
Fico orgulhoso pela participação ativa e diária desses jovens estudantes de letras, jornalismo, medicina, advocacia e tantos outros que transformaram esse blog no mais inteligente da Internet, basta acompanhar o que escrevem quando comentam, algumas vezes até com polêmicas saudáveis. Esse blog não foi criado com o intuito de "furar" jornais nem criar sensacionalismo barato. Mas sim trazer a experiência de antigos profissionais da imprensa com seus relatos dos bons tempos em que se fazia um jornalismo sério e competitivo, ajudando futuros profissionais que nos acompanham com muita atenção. Foi assim que resgatamos velhas matérias que fizeram sucesso em décadas passadas e que agradaram em cheio os jovens e futuros jornalistas. Algumas dessas matérias, com nossa autorização, foram republicadas em jornais e uma delas, a série vitoriosa do "Bebê-Diabo", sucesso do extinto Jornal Notícias Populares, onde trabalhei nos anos 70, saiu em uma revista de circulação nacional, com nossa foto e chamada na primeira página. No ano passado fomos convidados a participar do concurso para a escolha do melhor blog da internet, o "Top Blog".
Entre milhares de participantes, ficamos com o quarto lugar. Nada mal para um blog que estava praticamente começando. Esse ano se vier novo convite, vamos buscar o primeiro lugar, com certeza. Temos outras metas, uma delas a oficialização do diploma de jornalista e estamos lutando para que isso aconteça. Outra, a liberdade de Imprensa, disso não abrimos mão e esse objetivo será sempre perseguido por todos nós. Rui Barbosa ensina que de todas as liberdades é a de imprensa a mais necessária e a mais conspícua: sobranceia e reina entre as demais. Cabe-lhe, por natureza, a dignidade inestimável de representar todas as outras.
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.Obrigado a todos pela força!
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Dia quatro de janeiro de 2009. O meu amigo-irmão Edward de Souza iniciava o blog com a matéria “ABAIXAR O PREÇO DA GASOLINA”. Não sei quantas visitas houve no espaço informativo que se iniciava. Os comentários? Seis ao todo. Eu não estava lá... Ainda.
Entrei no dia 22 de fevereiro com a matéria “JOVENS ALIENADOS OU REVOLTADOS". Comentários, 15. Um sucesso para a época! Nos primeiros meses, conseguir até 20 comentários por matéria era uma glória! Os amigos foram aparecendo... Todos oriundos do Diário do Grande ABC. O Édison Motta, Oswaldo Lavrado, Milton Saldanha. Guido Fidelis e Ademir Medici e agora o jornalista e escritor francano Garcia Netto, aqui comparecem vez ou outra deixando recados brilhantes.
Temos a nossa linda e competente jornalista Nivia Andres, uma jóia neste blog, natural do Sul do País. Aprendemos a respeitá-la e esperar com ansiedade seus textos maravilhosos. A Cristina Fonseca chegou com suas ilustrações maravilhosas que enriquecem o blog. Uma grande conquista.
Enfim, somos os Mosqueteiros. Todos reunidos em torno de uma idéia inicial do Edward de Souza que é a de informar e distribuir o que aprendemos ao longo de nossa já longa vida.
Muitos comentaristas de carteirinha aqui estão todos os dias. A eles meus respeitos e meus agradecimentos. Eles complementam as informações com suas valiosas intervenções.
Com “PRAIAS: ANTES, DURANTE E DEPOIS DOS FAROFEIROS”, completei 46 matérias aqui publicadas e espero fazer outro tanto em 2010.
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UM POR TODOS, TODOS POR UM!
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PAZ. MUITA PAZ.
Mesmo com mais de 35 anos de estrada no jornalismo que proporcionaram inúmeros e gratificantes conhecimentos e lições de vida, este pequeno, acolhedor e descompromissado blog do Edward acrescenta substancial colheita de novos conhecimentos, calcados na amplitude democrática que caracteriza este espaço e seus participantes. Mais que isso, possibilitou o entrelaçamento de opiniões, pontos de vista e conceitos. Por fim, e o mais gratificante, o contato, mesmo que virtual, com pessoas de várias culturas, entendimentos e visão, acrescentando novos conhecimentos e acima de tudo amizades saudáveis e integralmente úteis. Abriu, ainda, importante janela para a publicação de nossos simples, modestos e descompromissados artigos que, creio, embalaram a imaginação, o lazer e o espírito dos bloguistas já "viciados" neste cantinho.
Portanto, parabéns a todos nós com abraço especial ao criador desde espaço, nosso amigo-irmão Edward de Souza, de tantas e glorificantes jornadas.
O sucesso do Blog do Edward de Souza, cotejado com sua pouca idade, praticamente um bebê, é tão impressionante quanto animador. Quando me tornei colaborador, sinceramente, não imaginava que aqui teria tantas alegrias e emoções. Neste espaço exercitamos intensamente a arte de pensar e buscamos no contraditório o estímulo ao aprofundamento. Acho que isso explica o sucesso. Parabéns Edward! Parabéns aos mosqueteiros! Parabéns leitores que nos honram com atenção e comentários inteligentes!
O Blog do Edward de Souza completa um ano no 2010 que começa e mostra o milagre da tecnologia que consegue juntar personagens que um dia trabalharam num jornal - o Diário do Grande ABC - e que ganha o reforço de intelectuais como Nivia Andres. Provavelmente não se conseguiria esse milagre num jornal à antiga, mesmo com a existência dos Correios e Telégrafos. Imagino o Blog do Edward feito com recursos mais recentes, como o telex, a radiofoto e o fax, o rádio-amador. Não sobreviveria. Todos já ouvimos falar que as pessoas se falam menos, se escrevem menos, se relacionam burocraticamente. Um blog como este do Edward de Souza mostra que, acima do egoísmo humano, sobrevive a paixão e a emoção deste mesmo ser humano. E tudo isso um dia será saudade. Mas enquanto não for, brindemos o primeiro ano do blog. Ele é tão forte quanto o ar que se respira. Saudemos a velocidade da palavra escrita. Isso é bom e nos faz mais próximos. A Franca do Edward está tão próxima como o Jardim Bom Pastor do Édison Motta. Viva o lado bom do desenvolvimento que o homem criou alicerçado pelas mãos divinas. Vida longa ao blog do aglutinador Edward. Saudações a todos.
Viva!
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Viva! Um ano de existência do blog Crônicas de Edward de Souza e amigos jornalistas! A data exige comemoração!
Para juntar-me à comemoração, conto-lhes uma pequena história. Certo dia de fevereiro de 2009 abri o meu blog e notei um novo seguidor. Curiosa, cliquei na foto do garboso cavalheiro e descobri que era jornalista. Uau! Um colega, que honra! Mais do que depressa, comecei a ler os artigos postados, descobrindo, ma-ra-vi-lha-da, que o cara era um daqueles poucos que domina a arte da escrita e, além de escrever muito bem, não é pedante, nem prepotente e muito menos se vangloria de sua vasta experiência jornalística. Ao contrário, utiliza-a para agregar, gerar interesse, compartilhar informação e conhecimento e pasmem, dividir a titularidade do blog oferecendo espaço para que outros colegas participem! J. Morgado, Milton Saldanha, Oswaldo Lavrado, Édson Motta, Ademir Medici, Guido Fidelis, Virginia Pezzolo e Garcia Netto, tão talentosos, dividem-se no oferecimento de belos e empolgantes textos, a cada semana.
Nem preciso dizer que me tornei fã incondicional do blog do Edward e comecei, aos poucos, a postar comentários, estimulada pelos assuntos palpitantes que, a cada dia, eram propostos. E não imaginam a minha surpresa e alegria quando recebi um convite do Edward para publicar uma crônica minha no seu blog! Lembram daquela historinha de como minha família inteira se tornou gremista? Pois é, foi minha primeira incursão no Blog do Edward de Souza! Confesso-lhes que foi uma emoção enorme ler todos aqueles comentários gentis. A partir daí, não parei mais... Além de artigos e crônicas, também passei a publicar resenhas de livros, para estimular a leitura e compartilhar informações acerca das obras literárias propostas.
Por certo, vocês conhecem aquela frase de Antoine Saint Éxupery que nos lembra de que somos eternamente responsáveis por aqueles a quem cativamos...
Então Edward, és irremediável e inarredavelmente responsável por esta enorme rede de amigos que conquistaste ao longo de um ano. E que aumenta a cada dia. Faço-me partícipe dos cativados e, ao mesmo tempo, também responsável por manter este espaço ímpar de comunicação, afeto e saudável integração humana!
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Viva! Vida longa ao Blog do Edward de Souza!

sábado, 2 de janeiro de 2010

PRAIAS: ANTES, DURANTE
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E DEPOIS DOS FAROFEIROS
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Enganam-se os que pensam que deram fim nos conhecidos "farofeiros" que bagunçam nossas praias. Eles continuam firmes e fortes e costumam se concentrar nas cidades de Santos, Praia Grande, São Vicente (mais conhecida como "São Viselva"), Balneário Camboriu e várias cidades do Nordeste. Os farofeiros com R$ 100,00 a menos no bolso preferem outras praias, como Mongaguá ou Itanhaém, além de gostarem muito de pacotes de turismo a cidades do Nordeste ou ainda viajarem em caravanas de carros velhos rumo ao litoral catarinense. O farofeiro pode chegar e infernizar qualquer cidade. Porém, seu destino preferido sempre será o litoral sul de São Paulo. Outros costumam vir da Argentina, em seus velhíssimos Peugeot 504 movidos a diesel remendados com arame, massa plástica e fita adesiva.
Estamos aqui em Mongaguá, uma cidade do litoral sul paulista. Setenta quilômetros nos separam da capital. Em dias normais, menos de uma hora de viagem. Se a viagem for inversa (São Paulo/Mongaguá) a coisa complica. Acredito que não há necessidade de entrar em pormenores...
A vocação do paulistano e do paulista, além dos habitantes do Sul de Minas, para lazer, é sem dúvida as praias. Fins de semana e os chamados “feriadões” como esse do final de ano, centenas de milhares de pessoas descem a serra em busca de praia e sol. Não importa os congestionamentos, o preço do pedágio e os abusivos preços cobrados pelos comerciantes da baixada. O único objetivo e relaxar e deixar nas águas do mar o stress acumulado nas lides da metrópole.
Aqui em “Monga”, como é chamada pelos seus habitantes, todas as praias recebem milhares de turistas, entre eles os conhecidos "farofeiros", cuja bagagem é composta de utensílios e produtos necessários para emporcalhar a cidade dos outros, incluindo barracas, sacos de dormir, rádios, vitrolas, colchonetes, fogareiros, lamparinas, bolas de futebol, varas de pescar, cadeiras de alumínio, esteiras, bronzeadores, chapéus de palha, pranchas de isopor, gatos, cães e periquitos. Duas coisas não podem faltar na bagagem do farofeiro: a farofa e cachaça (muitas vezes substituída pela cerveja). Os farofeiros mais privilegiados, com R$ 50,00 a mais no bolso, chegam às praias a bordo de carroças como Passat, Chevette, Fusca, Fiat 147, Belina, Brasília, Corcel, Opalas amarelos e outros lixos ambulantes, que deixariam corado o ex-presidente Collor.
Um colorido bizarro enfeita a areia quente. Guarda-sóis, cadeiras, toalhas, crianças e adultos se divertem com jogos apropriados para o local. Vendedores ambulantes... Sorvetes... Olha o geladinho... Água de coco... Pipoca... Amendoiiiiiiiimmmmmm! Os quiosques não vencem os pedidos. O cheiro de fritura é insuportável. Enfim... Tudo em nome do lazer!
Há até o tal de som! Garotos (alguns não tão) e os quiosqueiros se esmeram em proporcionar o que há de melhor em decibéis. Quanto mais alto melhor. Que se dane o próximo. A polícia e a guarda municipal que deveriam fiscalizar os abusos fecham os olhos, provavelmente um acordo com a prefeitura, afinal é o turista que proporciona renda para a cidade.
Nos dias de semana, a cidade é tranquila. As praias permanecem limpas. Todos os dias a máquina varredora faz a limpeza. As gaivotas e outros pássaros andam tranquilos na praia. Os poucos frequentadores usam os recipientes de lixo instalados no calçadão. Tudo é rotina... Depois dos feriados prolongados ou fins-de-semana e do final do ano.
Chega o feriadão de Natal e Ano Novo, as estradas viram um caos. Acidentes acontecem. Todos têm pressa para chegar. As campanhas patrocinadas pelo governo e pela mídia são olvidadas. O negócio é chegar! Acabou o sossego para os moradores locais. Altas horas, portas de carro batendo, buzinas, cachorros-turistas latindo...
No dia seguinte, a primeira coisa desagradável é a assinatura do cão na porta de nossa residência. Mais tarde, detritos vários, papéis, fraldas e pasmem... Até camisinhas usadas na madrugada da farra. Dois, três ou mais dias... Tudo em nome do sagrado lazer. Vão-se os bons modos (não tão bons) e fica o lixo nas ruas e nas praias. Já não bastassem os sujismundos da vida, há os vândalos. Quebram as lixeiras e o que encontram pela frente. Um prejuízo danado.
A polícia e os pobres salva-vidas trabalham incessantemente. Pais completamente alheios deixam seus filhos ao “Deus dará”. Vez em quando uma criança perdida, um salvamento, quando não, um acidente pior!
Apesar de intensamente informados alguns pais insistem em levar seus filhos na praia nas horas de intenso calor (entre 10 e 14 horas). Seria conveniente para as crianças ou para os genitores? Acredito que para os genitores, pois como se diz popularmente, “a noite é uma criança”...
E a volta? As duas avenidas principais desta pequena cidade que dão acesso a rodovia Padre Manoel da Nóbrega ficam congestionadas. Palavrões
... Buzinas... Pequenos acidentes. Para se ter uma idéia, dei uma checada e descobri que mais de 250 mil veículos devem retornar a São Paulo nesse fim de semana depois das festividades do Ano-Novo. E a volta começou já no primeiro dia do ano, sexta-feira. Devido ao tempo chuvoso, o movimento de retorno do litoral aumentou, causando pontos de lentidão por volta das 19h de ontem nas regiões de São Vicente e planalto. Para se pensar... Enfim, deixaram ou estão levando stress?
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PS: J. Morgado é o autor destas fotos que ilustram o blog. Basta clicar para ampliá-las.
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, escrevendo crônicas, contos, artigos e matérias especiais. Contato com o jornalista pelo e-mail:
jgarcelan@uol.com.br
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

VAMOS EMBALAR O ANO NOVO

Nasce, no calendário dos homens, um novo tempo. O ano de 2009 chegou ao fim, saltou para o vazio do passado em meio a festejos e fogos. Deixou um rastro de alegrias, conquistas, mas também de dissabores. Como disse o poeta Mário Quintana: “O Ano-Novo ainda não tem pecado: É tão criança... Vamos embalá-lo... Vamos todos cantar juntos a seu berço, de mãos dadas, a canção da eterna esperança”. Vamos perdoar 2009 no que ele não foi bom e agradecer tudo o que nos foi dado a viver, porque a gratidão nos reconcilia com a vida.
Neste ano que começa hoje, sinceramente, quero menos. Como jornalista, puxo a sardinha para minha brasa e desejo que o número de notícias boas seja maior do que as ruins. Que as manchetes tragam menos miséria e mais fartura; menos violência e mais humanidade; menos poluição e mais consciência; menos problemas econômicos e mais saídas para as crises antes mesmo que elas venham. Menos guerras e mais paz; menos crianças matando e mais delas nas escolas; que a sociedade continue a se mobilizar pelas causas que consideram justas e por fim, que os meus artigos possam contribuir para, cada vez mais, ajudar a fazer crescer algo de bom e de justo nesse País.
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FELIZ 2010!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

NASCE UM NOVO TEMPO

O ano de 2009 chega ao poente à espera do alvorecer de 2010. Entre o ocaso e o romper da aurora, noites estreladas de um verão vivo. Vamos deixar aflorar nossas virtudes. Vamos aplaudir a chegada dos novos tempos, muitos dias para saborear a vida em 2010.
Nossa nova jornada será, certamente, de sucesso, de colheita de sorrisos e conquistas. Dias para rever a beleza que nos rodeia, para abraçar os amigos, cantar, sentir o aroma das plantas e agradecer ao criador. Resta-nos renovar nossos espíritos, deixar que a água do mar, mesmo a da torneira, toque nosso corpo para nos lembrar que vamos recomeçar com ânimo a caminhada rumo a um futuro pleno de luz. O sol do amanhã nos embala e nos convida para uma grande e agradável aventura.
Eu sempre me impressiono com o poder da palavra escrita. Escrever, para mim, é o que mais se aproxima de um ato de fé. Nesse final de ano, coloque seus sonhos, os mais loucos, os mais atrevidos, os mais coloridos, em uma folha branca de papel. Deixe a lista acessível. Pegue nela pelo menos uma vez por semana. Mantenha contato com a sua fantasia. Ela pode virar realidade.
Eu gosto da Véspera do Ano Novo. Sempre gostei. Gosto de imaginar as pessoas espalhadas pelo mundo inteiro, em seus fusos horários diferentes, cheias de esperança e de otimismo. Nem que seja somente durante as 12 badaladas. A chegada do Ano Novo é marcada pela esperança. E é disso que mais se precisa no mundo de hoje.
Apesar das previsões não muito otimistas e sérios problemas, principalmente a questão do aquecimento global, dos conflitos e da fome que assola algumas nações, vamos abrir o portal do novo ano com vontade de ser feliz, porque isso é do que precisamos para recomeçar. Tenhamos a alma leve e seja cada coração como uma pluma, sem rancores, sem raiva, sem más recordações de pessoas que nos machucaram.
Que possamos suavizar a caminhada, nossa e dos outros, com atitudes de delicadeza, com gentileza, palavras boas, gestos ternos. Tenhamos os braços abertos para o amor e uma coexistência pacífica com tudo que nos cerca, com todos os seres da natureza e com todas as pessoas das nossas relações. Que queiramos nos harmonizar com todos e seguir em frente sem mágoas do passado. Que a compreensão seja uma prática, não apenas uma intenção e a vida branda, suave como um bebê adormecido e nós, sábios como um ancião de muitas certezas. E seja o nosso caminho feito de carinho, que é o delicado apelido do amor.
Prepare as simpatias para apagar o passado e saudar o futuro que desponta no horizonte. Romãs, uvas, louros, fogos. Para quem não acredita em viagens e não se deixa enredar nas teias da superstição, nada é preciso para abrir as portas do amanhã. Nem mesmo um pé-de-cabra. Basta caminhar, cabeça erguida, com a certeza de que somos capazes de construir a realidade de nossos sonhos, de que temos determinação para superar obstáculos sem se intimidar com a sombra de eventuais problemas.
A idade do tempo ultrapassa a contagem, os compromissos... E logo mais vem o carnaval e a alegria se derramará sobre os foliões. No aguardo da diversão vindoura é preciso pensar nas crianças, educá-las para que sejam úteis e possam contribuir para o nascimento de um novo mundo, mais justo, sem a ganância dos especuladores, mais voltado para a convivência harmoniosa entre os povos. Mas fica vedada a preguiça. Quem espera sentado não vê o cavalo passar, não avista o barco se afastar mar adentro, deixa a vida escorrer como um rio. Vamos à luta que venceremos.
Tenham um ótimo viajar em 2010, com dias maravilhosos e muitas vitórias. Que o Ano Novo venha recheado com muita saúde, amor e paz. O resto virá por acréscimo. Que Deus abençoe a todos. Que assim seja e assim se faça!

FELIZ NOVO ANO!