quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PANTANAL: DOURADO FRITO E CERVEJA

J. MORGADO

Pela riqueza de sua fauna e recortada pelos afluentes do rio Paraguai, a planície pantaneira constitui-se no principal reduto para a prática da pesca esportiva e safáris fotográficos. Em meio a uma paisagem deslumbrante, toda a planície pantaneira é cortada por rios e banhada por lagoas sem fim. Aves das mais variadas espécies enriquecem com seu colorido as matas ciliares. Uma fauna riquíssima e bem diversificada habita uma região tão grande ou maior que o Estado de São Paulo. Durante muitos anos frequentei a região. Comecei pelo Rio Miranda a partir da cidade do mesmo nome. Anos depois, passava direto e ia até o ponto final da então Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, na cidade de Corumbá, considerada a “capital” do Pantanal. O Rio Paraguai, diferente da Amazônia, onde a paisagem muitas vezes chega a ser monótona em razão da espessa vegetação, mostra com toda sua pujança seus afluentes, flores, mamíferos, répteis e pássaros para serem vistos e fotografados.
Corumbá não é só pescarias; é história e comidas típicas das saborosas e tradicionais. O sarrabulho e a cabritada. O primeiro é uma comida típica de origem portuguesa feita com sangue, carne e miúdos de porco. Uma delícia! De 1865 a 1867, Corumbá, ficou de posse dos paraguaios. A Guerra do Paraguai criou esse episódio e outros mais e, em razão disso, até hoje pessoas sonham com tesouros escondidos nos velhos casarões existentes na parte baixa da cidade junto ao porto.
Alguém sonha com um fantasma. Um cara que viveu na época da invasão escondeu seus recursos, geralmente ouro, nas grossas paredes feitas com pedra, aparece e diz para encontrá-lo, do contrário ele não terá descanso. Alguns moradores antigos juram que é verdade! E é nesse porto que começamos nossa pescaria. Depois de viajarmos mais de 36 horas a partir de São Paulo (isso na década de 1950 a 1970). Nesse porto, alugávamos um barco com o respectivo piloteiro. No final dos anos 60, nosso costume era acampar em uma das margens do rio e ali ficar de 10 a 15 dias. Às vezes, encontrávamos uma casa abandonada de tropeiros ou fazendeiros. As cheias anuais “expulsavam” seus moradores. As barracas eram armadas no interior dessas casas, por causa dos mosquitos. O fogão ali estava disponível e a lenha era abundante.
Eu sempre procurava não me distanciar muito da cidade. Duas ou três horas de barco, quando muito. A razão principal era o congelamento dos peixes pescados. Depois de uma manhã de pescaria, o piloteiro se deslocava até a cidade e levava o pescado para a câmara frigorífica. Em pescarias onde o acampamento era mais distante, o recurso era a salga. Com sal grosso e facas bem afiadas, limpávamos e salgávamos os peixes deixando-os secar em varais. Nos dias de hoje, as pousadas e enormes barcos (hotéis flutuantes) com capacidade para muitos pescadores facilitam tudo. Os peixes são congelados e guardados até o final da pescaria.
Depois de providenciar todo o equipamento, combustível, alimento etc., eu e meus companheiros embarcávamos e subíamos o rio. O casario na margem esquerda (para quem desce) é interessante. Na pequena cidade de Ladário, o porto e o VI Distrito Naval. Uma sentinela avançada na fronteira. A partir daí, começávamos a pescaria de currico. Eu com minha carretilha e linha 0,50mm, colher de bom tamanho bem encastoado. Os outros dois com molinetes e linhas da mesma espessura. Um sentado na proa e outros a estibordo e a bombordo. As linhas eram soltas. 15 a 20 metros de fios esticados devido à velocidade do barco. A colher, imitando um peixe prateado, vez ou outra aparecia brilhando acima das águas pardas do rio. A ansiedade pela fisgada do primeiro dourado era comum a todos nós. Às vezes não era um dourado e sim uma “cachorra” (peixe-cachorro), com seu corpo alongado, prateado e longas presas. Esse peixe não oferece tanta emoção como o dourado. Luta pouco é tem muitas espinhas.
Manhã muito fria. Segunda quinzena de agosto. Os dourados ainda estavam dormindo (hihihihihihi) e o Pezão, um dos companheiros, primeira vez no Pantanal, já começava a reclamar. Dizia que o lugar era só fama, etc. Foi quando senti o tranco! E vi o dourado saltar! Gritei: " douraaaaaaado"! Uma exclamação de alegria toda vez que fisgava esse salmonídeo. Recolhido, continuamos a “curricar” até o local onde íamos acampar. Nenhum outro exemplar foi fisgado. Assim, enquanto ajeitávamos o pouso, o piloteiro, acendia o fogo e outro preparava o peixe.
Naquela imensidão tendo como fundo os gritos dos araquãs, o cantochão dos bugios e a beleza inigualável da natureza pincelada com o amarelo dos ipês em flor, companheiros de pescaria fartavam-se com postas de peixe frito e cervejas geladas. Uma delícia!
___________________________________________
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
_____________________________________________________

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

UM CASO DE SUICÍDIO OU HOMICÍDIO?

ACREDITE SE QUISER
.
No jantar de premiação anual de ciências Forenses, em 1994, o perito médico-legista Dr. Don Harper Mills impressionou o público com as complicações legais de uma morte bizarra. Acompanhe essa história, entre muitas outras que este blog vai apresentar, na sessão "Acredite se quiser".
Em 23 de março de 1994, o médico legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que a causa da morte fora um tiro de espingarda na cabeça. O Sr. Opus pulara do alto de um prédio de 10 andares, pretendendo suicidar-se.
Ele deixou uma nota de suicídio confirmando sua intenção. Mas quando estava caindo, passando pelo nono andar, Opus foi atingido por um tiro de espingarda na cabeça, que o matou instantaneamente.
O que Opus não sabia era que uma rede de segurança havia sido instalada um pouco abaixo, na altura do oitavo andar, a fim de proteger alguns trabalhadores. Portanto, Ronald Opus não teria sido capaz de consumar seu suicídio como pretendia.
O Dr. Mills relata que "quando uma pessoa inicia um ato de suicídio e consegue se matar, sua morte é considerada suicídio, mesmo que o mecanismo final da morte não tenha sido o desejado".
Mas o fato de Opus ter sido morto em plena queda, no meio de um suicídio que não teria dado certo por causa da rede de segurança, transformou o caso em homicídio. O quarto do nono andar, de onde partiu o tiro assassino, era ocupado por um casal de velhos. Eles estavam discutindo em altos gritos e o marido ameaçava a esposa com uma espingarda. O homem estava tão furioso que, ao apertar o gatilho, errou completamente o alvo, que era a sua esposa, atravessando a janela e atingindo o corpo que caía.
Quando alguém tenta matar a vítima "A", mas acidentalmente mata a vítima "B", esse alguém é culpado pelo homicídio de "B". Quando acusados de assassinato, tanto o marido quanto a esposa foram enfáticos, ao afirmarem que a espingarda deveria estar descarregada. O velho disse que tinha o hábito de ameaçar sua esposa com a espingarda descarregada durante suas discussões. Ele jamais tivera a intenção de matá-la. Portanto, o assassinato do Sr. Opus parecia ter sido um acidente, ou seja, ambos achavam que a arma estava descarregada, portanto a culpa seria de quem carregara a arma.
A investigação descobriu uma testemunha que vira o filho do casal carregar a espingarda um mês antes. Foi descoberto que a senhora havia cortado a mesada do filho, e este, sabendo das brigas constantes de seus pais, carregara a espingarda na esperança de que seu pai matasse sua mãe. O caso passa a ser, portanto, do assassinato do Sr. Opus pelo filho do casal. As investigações descobriram que o filho do casal era, na verdade, Ronald Opus. Ele se encontrava frustrado por não ter até então conseguido matar sua mãe. Por isso, em 23 de março, ele se atirou do décimo andar do prédio onde morava, vindo a ser morto por um tiro de espingarda quando passava pela janela do nono andar. Ronald Opus havia efetivamente assassinado a si mesmo, por isso a polícia encerrou o caso como suicídio. Durma-se com um barulho desses e... ACREDITE SE QUISER! Em breve mais casos incríveis como esse serão contados aqui, nesse espaço. (Edward de Souza)

sábado, 15 de agosto de 2009

FUTEBOL E GREVE EM PERNAMBUCO
Lavrado aproveitou a paralisação dos vôos para
passear na Praia de Boa Viagem, em Recife
HISTÓRIAS DO RÁDIO ESPORTIVO
*
OSWALDO LAVRADO
*
Assistindo pela televisão o jogo entre Náutico e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro deste ano, no Estádio dos Aflitos, em Recife, lembrei de uma das nossas viagens à capital de Pernambuco pela Rádio Diário do Grande ABC. O que me fez recordar foi a ruindade de corintianos e "nauticanos" na partida de quarta-feira. Um joguinho horroroso, mostrando porque o Náutico está na zona do rebaixamento do Brasileirão e o Corinthians despencando mais que balão em queda livre. Então, vamos a epopéia. Um sábado do começo da década de 90, eu e o Edward de Souza embarcamos num vôo Varig, em Guarulhos, para Recife com a incumbência de transmitir o jogo Náutico e Santos, pelo Brasileirão, no Estádio dos Aflitos. Pela informação que obtive com a empresa que nos vendeu as passagens, nosso vôo não teria escalas, seria direito São Paulo/Recife, com duração de aproximadamente duas horas. Foi confiando nessa informação que embarcamos no sábado, dia do jogo, no vôo das 8h para chegar na capital pernambucana por volta das 10h, pegar um hotel, um banho, o almoço e partir para o trabalho.
No entanto, um imprevisto, que deveria ser do nosso conhecimento, afinal dois jornalistas teriam por dever de profissão saber que as empresas aéreas esboçavam uma paralisação que até nome tinha. Ficou conhecida como greve branca. E realmente, nesse sábado, os empregados da aviação decidiram cruzar os braços veladamente.
Chegamos ao aeroporto de Cumbica por volta das 6h30 da manhã com tempo suficiente para tomar um bom café, ler os jornais do dia e confirmar nosso embarque. No balcão da Varig uma enorme fila, fora do normal pelo horário, indicava que alguma coisa não estaria nos eixos. E não estava. A atenciosa moça do balcão, voz baixa e aveludada, informava que todos os vôos estavam atrasados naquele sábado. O nosso, por exemplo, marcado para as 8h, deveria sair por volta das 12h. Motivo: a maldita greve branca. Não havia como discutir e nada a ser feito senão aguardar. Contrariada e preocupada não restou alternativa à dupla da Rádio Diário senão aboletar-se nos assentos do aeroporto e rezar para que uma benevolente tripulação se dispusesse a pilotar um Boeing com destino a Recife. As preces não foram ouvidas, afinal era sábado e os santos evocados, certamente, estariam pegando uma praia, quem sabe do nordeste brasileiro.
Saímos então às 12h direto para Recife (felizmente não houve escalas). Chegamos ao aeroporto de Guararapes as 13h50 e, de táxi com malas e cuias, rumamos direto para o Estádio dos Aflitos, onde às 16h jogariam Náutico e Santos. Teríamos que abrir a transmissão às 13h, mas isso só foi possível as 14,40h. O locutor de plantão da rádio, Luís Carlos Maia, fez a abertura do horário esportivo e encheu linguiça (termo usado em rádio para preencher tempo) até nossa chamada. Nas cabines, super apertadas, colocaram a equipe da Rádio Diário (eu e o Edward) e da Rádio A Tribuna de Santos (com o narrador Luís Roberto, hoje na TV Globo).
Nesse dia também estreava como novidade no futebol, apenas no Brasil, a logomarca da Coca-Cola, exatamente no meio do gramado. Um negócio estranho e que atrapalhava a vida do narrador, a noção do campo para os jogadores e complicava o trabalho do árbitro. Essa foi a única vez que o símbolo da poderosa Coca ficou em campo. A FIFA, dona do futebol mundial, mandou extinguir o procedimento, não sem antes dar um puxão de orelhas nos organizadores do campeonato, no caso a CBF. Mas, apesar da cabine apertada e do jogo ruim (1 a 0 para o Santos, gol de pênalti marcado pelo centroavante Paulinho McLaren) a transmissão ocorreu sem problemas, isso para nós da Diário e para o pessoal da Tribuna. Na saída do estádio, já escuro, o repórter de campo da Rádio Record de São Paulo, Raimundo Nonato, pernambucano e profundo conhecedor de Recife, nos ofereceu carona num fusquinha que implorava por aposentadoria. No caminho da praia da Boa Viagem, onde ficamos hospedados, Nonato nos contou o sufoco que passou no momento do gol do Santos. Por medida de economia, ( isso é feito até hoje pelas rádios), a Record mandou a Recife apenas o repórter. O narrador (Oswaldo Maciel) ficou em São Paulo transmitindo o jogo off-tube, ou seja, vendo a partida pela televisão. Segundo nos disse Raimundo Nonato, a imagem da TV (só a Globo transmitia) caiu e o repórter (no caso Nonato) sem saber o que ocorria, estranhando o locutor sair do Ar. Nonato ficou perdido. Dois segundos fora do Ar ( que chamamos de buraco) em rádio correspondem a uma eternidade, suficiente para custar o emprego do locutor e do repórter. Raimundo Nonato, visivelmente preocupado em perder a boca na Record, disse que a transmissão somente voltou com o pênalti batido e o jogo no final. Teve que improvisar e inventar cenas para completar a transmissão.
Enfim, o repórter da Record nos deixou no hotel na praia da Boa Viagem, onde então tomamos banho e fomos para a praça do mesmo nome, onde tem uma feirinha permanente e que se pode comprar desde um bode até uma imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem. Depois de percorrer a bendita feira e adquirir coisas que nunca soubemos exatamente sua utilidade, fomos a um restaurante na calçada que dividia a praça da praia. Uma festa. Um cavaleiro e dois amigos em volta de uma mesa com os respectivos cavalos. O Edward me olhava interrogativo: "que diabos é isso, cavalos aqui dentro do restaurante?". Mesmo assim ele se aproximou dos animais e flagrei uma foto sua acariciando um dos cavalos, postada neste blog, observem. Papo vai, cerveja vem, um cidadão, tipo 40 anos, solitário no restaurante, se aproxima e pergunta: " vocês são jornalistas de São Paulo?" Ele soube por meio de outros caras da Imprensa de Recife que estavam no recinto e tinham visto a gente no estádio. Tudo bem. O pernambucano entabulou um papo com o Edward, já que estava mais próximo. Pouco se entendia o que era falado ali, já que era uma noite quente e a casa estava lotada. Uma mistura de gente, fumaça de cigarro, cheiro de bebida, comida e cavalos e um burburinho dos diabos. Em determinado momento, o nosso visitante, um tanto alto pela bebida, mas cordato, simpático e demonstrando simpatia, disse ao Edward: " você como jornalista poderia fazer segunda-feira uma reportagem da "gralha". Sem entender direito, nosso francano respondeu: "gralha, o que é isso? pelo que sei gralha é uma ave que berra muito alto, mas não fala". A coisa ficou complicada, já que o novo companheiro de mesa não conseguia se explicar e muito menos a gente entender o que ele queria dizer. Ficamos sabendo depois que a "gralha" que o pernambucano se referia era nada menos que Agrale, uma fábrica de motos e máquinas agrícolas com fábrica no Recife. Lá pelas tantas o rapaz se retirou, não sem antes deixar seu cartão com o Edward e fazer absoluta questão que a gente fosse lhe visitar e conhecer sua família em sua residência na periferia de Recife. Um sujeito muito legal, diga-se. Fomos para o hotel, acordamos cedo e decidimos aproveitar a segunda-feira de sol e céu de brigadeiro na praia da Boa Viagem. Afinal os aviadores estavam em greve branca, ficaríamos aquele dia em Recife e como ninguém é de ferro...
Dever profissional cumprido, praia devidamente degustada, voltamos a São Paulo no dia seguinte, uma terça-feira, num vôo noturno liberado pelos grevistas, sem maiores problemas. É certo que o avião fez escala em Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, mas nada preocupante. Claro, avisado previamente de nossa chegada, lá estava o nosso Lampião, com o golzinho da rádio a nossa espera no aeroporto de Guarulhos, com o sorriso de sempre e a pergunta adrede entabulada: "foram bem de viagem?". "sim Lampião, tudo bem, obrigado."
___________________________________________
*Oswaldo Lavrado - jornalista/radialista - trabalhou por muitos no Diário do Grande ABC, rádio e jornal. Comandou a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Recebeu a Medalha João Ramalho, outorgada pela Câmara Municipal de São Bernardo, juntamente com a equipe de esportes da rádio pela organização da Copa Infantil de Futebol, que reuniu cerca de 1,7 mil garotos de 7 a 12 anos de idade. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
___________________________________________

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O PASSADO, O PRESENTE E O DESCASO

O MUNDO ESTÁ ROBOTIZADO
*
J. MORGADO

Garoento, o dia se anunciava triste. Olhando pela janela, pus-me a pensar... Estas duas últimas semanas foram bem estressantes, apesar de não sair de casa. Problemas com telefônica, com companhia de seguros, banco, etc. Minha memória me conduz a um passado distante; décadas de trinta, quarenta, cinquenta, sessenta... Nessa época a palavra “stress” era praticamente desconhecida. Porque razão? Paro um pouco de escrever e começo a fazer uma análise... Garoto ainda, não existia supermercados. Os empórios ou “vendas” abasteciam o povo da época. O atendimento poderia ser considerado hoje como “VIP”. Fazíamos as compras do mês atendido por um funcionário ou pelo próprio dono do Armazém. Ao final, depois de pagarmos a conta, ainda ganhávamos um presente, geralmente uma lata de goiabada ou de outro doce qualquer, além dos agradecimentos do proprietário. Uma ou duas horas depois, as compras eram entregues em nossa residência.
Hoje, nos supermercados, os funcionários “robotizados” não respondem aos nossos cumprimentos. Quando passamos pelo caixa, com caras de poucos amigos nos servem como se estivessem nos fazendo um favor e ainda interrompem seu trabalho para conversas com colegas de serviço. E não adianta procurar o gerente, porque não vai encontrá-lo, com raras exceções que confirmam a regra. E os bancos? “É um Deus nos acuda”. Tarifas diferenciadas, exorbitantes, funcionários que não sabem suas funções e filas intermináveis. O lucro é divulgado pela imprensa. E ai fica a pergunta: qual a razão de não se colocar mais funcionários? A resposta é: Mais lucros! Se já não bastasse aquele que é amplamente divulgado pela mídia.
Nas décadas acima referidas, numa agência bancária, íamos até o balcão, entregávamos os documentos que deveriam ser pagos e recebíamos uma ficha metálica com um número. Havia acomodações para todo o mundo. Quando chegava a nossa vez nos chamavam e tudo se resolvia com tranquilidade. Isso não levava mais do que dez minutos. Funcionários atenciosos que respondiam com propriedade e educação qualquer dúvida a ele exposta.
Mas foi com o advento do tal “0800” que a coisa ficou ruim. Qualquer auxílio, reclamação, socorro, ou seja, o que for “O bicho pega”. Uma voz robótica atende pedindo dados pessoais. Em seguida diz: disque 1 para isto; disque 2 para aquilo; e vai prosseguindo. Ao final diz: disque 9 (ou outro número qualquer) para repetir o “menu”. Começa o martírio; você conta o que pretende. A pessoa se mostra incompetente e passa o problema para outro e assim por diante... Então, você desiste.
Ainda naquele passado distante, as pessoas o atendiam com deferência e resolviam o problema, pois estavam cônscias de que o cliente era importante e precisavam dele. Hoje é apenas um número ou uma sombra na multidão, nada mais! Se você ameaça ir a Justiça, dão de ombros, como dizendo, pode ir. Sabem que a nossa lenta Justiça trabalha a favor deles, justamente por ser morosa e cara para a maioria da população brasileira.
Pela janela vejo a garoa que continua a cair. Olho para o quadro de Jesus pintado a óleo - uma obra de arte - e lá bem do interior do meu Eu, faço uma súplica desesperada: "Mestre, não permita que eu me transforme num robô".
___________________________________________
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br__
_____________________________________________________
LOGO MAIS NO BLOG "FUTEBOL E GREVE BRANCA EM PERNAMBUCO". MAIS HISTÓRIAS ENGRAÇADAS DO NOSSO RÁDIO ESPORTIVO, CONTADAS PELO JORNALISTA E RADIALISTA OSWALDO LAVRADO. NÃO PERCAM!
_______________________________________

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A VIDA CONTINUA... VAMOS EM FRENTE!
Depois das grandes tempestades em nossas vidas,
às vezes, ao invés da bonança esperada,
costumamos fechar a alma para balanço.

E, por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo,
bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta.

E esta porta fica tão trancada que,
se nós mesmos não a abrirmos,
tornar-se-á quase que intransponível.
Como se nossa casa tivesse sido saqueada
e o medo de que fosse arrombada de novo
não nos deixasse viver sossegados.

Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim...
Mas passar da soleira, quem disse?

E ficamos tantas vezes nos perguntando
o porquê de ninguém se aproximar muito de nós
se pensamos, numa atitude de bloqueio à verdade,
que estamos dando espaço para que todos nos visitem.

Fingimos não enxergar o letreiro luminoso
de "passagem proibida"
ou os cadeados enormes
que colocamos nos portões
e nos muros que erguemos ao redor de nós,
porque é duro admitir que temos medo
de mais experiências depois que
uma, duas, três ou mil delas não deram certo.

Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio,
e elas são cada vez em número menor,
as não tão persistentes se afastam
com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas
e as ponhamos para correr.

Assim acabamos, por comodismo,
ficando com as pessoas menos perigosas;
com aquelas com quem sabemos
que nunca chegaremos a ter envolvimento maior,
até porque sua percepção não é tão aguçada
para penetrar no nosso interior.

Ficamos com aquelas
com quem temos menos afinidade e pouco cumplicidade,
principalmente aquela que vem do fundo da alma,
porque não queremos que ninguém invada
a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos,
onde guardamos as mágoas,
os ódios não passados a limpo
e os amores mal sucedidos.

Não queremos saber de quem nos leia pensamentos
e não pretendemos nos prender a nada,
embora digamos sempre o contrário
e saibamos que a falta das amarras
num porto onde poderemos atracar quando estamos à deriva
pode constituir uma bela teoria de liberdade,
mas não nos gratifica,
pois o ser humano não nasceu para ficar só.

Nós, hoje, mal ou bem
podemos escolher nossos amores e amigos.
E que possamos escolher os melhores,
e não os mais cômodos.

E que possamos, também, ter alguns inimigos
e, entre os nossos conhecidos,
pessoas incompatíveis conosco,
porque são eles que nos ajudam
a superar os nossos limites
e nos botam para frente,
nem que seja para que lhes mostremos
do que e o quanto somos capazes.

Precisamos ter histórias para contar,
sejam elas com finais tristes ou felizes.
Precisamos passar por experiências
que nem sempre são gratificantes,
pois uma existência passada em brancas nuvens
é uma existência sem frutos.

Um dia, talvez,
venhamos a entender melhor os mistérios da vida
e, para chegarmos a um determinado ponto,
muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos.

Talvez entendamos que precisamos nos purificar
sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos
e receber alguma recompensa.

Algumas doutrinas religiosas e filosóficas
tentam explicar porque algumas pessoas sofrem
e outras são poupadas
e porque alguns de nós encontram suas metades
e outros passem a vida inteira a procurá-las.

Mas são explicações que talvez nós leigos,
não consigamos facilmente entender.
A única coisa que podemos arriscar,
é que nada acontece por acaso
(ou será que acontece?).

Talvez, quando sofremos,
estejamos passando por um processo de purificação
que nunca será entendido ou aceito por nós
enquanto estivermos vivendo a experiência.

Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa,
estejamos nos informando;
talvez, quando encontramos
tanta gente incompatível conosco,
é porque, de alguma maneira,
somos ou fomos as pessoas determinadas
a surgir em suas vidas,
seja para suportá-la, ajudá-las
ou para que, através delas,
aprendamos alguma lição importante:
da serenidade à perseverança, da paciência à fé.

Mas, por mais que apanhemos,
que nos escondamos para fugirmos da vida,
de nós mesmos, dos machucados e rejeições...
Tudo passa.

O desespero nunca foi solução para nada,
pois, afinal, não há mal que sempre dure
e nem bem que nunca acabe.

A vida sempre seguirá dando voltas.
Tomara que saibamos aproveitar as ascensões
para levantar quem estiver próximo de nós
e as quedas para aprendermos a ser humildes.

Obrigado pela força, amigos(as)
Edward de Souza

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A BELEZA DO MUSEU VIRTUAL DE FRANCA

Esquina da Rua Voluntários da Franca com Monsenhor Rosa, tendo ao fundo a Estação. O prédio da esquina, à direita, é onde hoje está o Magazine Luiza. O da esquerda é onde funcionava a famosa Casa Hygino Caleiro, uma das mais importantes na história local.
PERGUNTAS SOBRE A HISTÓRIA DE FRANCA

ADEMIR MEDICI

Aqui do Grande ABC fazemos uma constatação: o Museu Virtual de Franca, fácil de ser acessado pela Internet, é um projeto bem legal, digno de elogios. Parabéns aos seus idealizadores.
A propósito, temos perguntas endereçadas aos amigos da Memória de Franca. Vamos lá:

1 – Nos dias 23 e 24 de novembro de 1990 realizou-se, em Franca, o VII Encontro de Historiadores da Região. Perguntamos: tais encontros tiveram sequência? Chegaram a que ano? Foram registrados em anais os debates, conclusões e encaminhamentos?

2 – Quem realizava tais encontros sobre história e memória era a Associação Regional de Pesquisa e Preservação de Acervo Municipal (ARPAM). A Associação existe ainda? Que linha adota? Quais foram os seus rumos?

3 – Os encontros da ARPAM eram promovidos pela Prefeitura de Franca, via Secretaria de Educação e Cultura, em conjunto com a Fundação Municipal Mário de Andrade. A Fundação ainda existe? É possível consultar o seu acervo?

4 – A Comissão Organizadora do VII Encontro de Historiadores de Franca e região era formada pelo saudoso Wanderley dos Santos e quatro professoras: Mildred Regina Gonçalves Naldi (UNESP de Franca), Maria Margarida Borges Pansani (Museu Histórico Municipal José Chiachiri), Cacilda Comássio (então aluna de pós-graduação da UNESP local) e Graziela Alves Corrêa (Arquivo Histórico Municipal e então aluna de Direito da UNESP).
Perguntamos: as quatro professoras continuam no ramo de História e Memória? Que lembranças cada uma delas tem do saudoso Wanderley dos Santos?

5 – Como expositor do encontro de 1990 participou José Geraldo Evangelista, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Sua fala versou sobre a última década da história da Franca Imperial, até 30 de dezembro de 1889. Procurava mostrar as tentativas (frustradas) de urbanização da cidade.
Indagamos: o estudo de Evangelista faz parte da bibliografia de Franca? Está disponível à consulta popular?

6 – A professora Hercídia Mara F. Coelho Lambert (UNESP Franca) participou também do encontro de 1990. Discorreu sobre o centenário de Franca e a festa realizada na cidade.
Em síntese, professora Hercídia relatou:
“Através da documentação comemorativa do centenário de Franca, procuramos elucidar os mecanismos utilizados pelas autoridades municipais na ordenação da festa no sentido de reforçar uma visão da história e da própria cidade. Os símbolos remetem às representações e valores caros os organizadores da comemoração – o poder público aliado às ‘pessoas de destaque’ – e, assim, serão lidos”.
A íntegra do estudo da professora Hercídia Lambert é preservado? Pode ser estudado?

7 – Maria Lúcia Vannuchi Tomazini (UFG) apresentou durante o encontro de 90 uma dissertação social: “Mulher Gari História e Memória da Força de Trabalho Feminina, Goiânia, 1979-1988”.
A pergunta é a mesma: essa dissertação está disponível em Franca? Gerou novos trabalhos do gênero? O que mudou em relação à trabalhadora de rua nos 19 anos seguintes, até os dias atuais?

8 – Uma equipe de professores e pesquisadores do Curso de História da UNESP de Franca adaptou a História de Franca em linguagem televisiva, exibindo-a na EXPO-UNESP de Bauru e, é claro, no encontro de 1990.
Milza Bruxelas Peixoto, Pedro Geraldo Tozzi, Maria Júlia Costa Bittar e Marcelo Pini Prestes refletiram sobre as dificuldades em conciliar uma pesquisa histórica, em forma de texto, com linguagem da “telinha”.
Teriam, os órgãos de Memória de Franca, guardado esse filme/vídeo? O filme/vídeo foi exibido outras vezes mais? Como conseguir uma cópia?

9 – A música em Franca através dos tempos, dos tropeiros ao canto religioso, das toadas ao rock and roll. Este foi o tema mostrado, há 19 anos, no Edifício Champagnat, no Centro de Franca, por Regina Célia Freitas de Oliveira e Silvia Maria Prior. Como ter acesso a esse estudo? O que aconteceu com a música de Franca desde então?

As perguntas eram essas. Dependendo das respostas, teremos um quadro claro da evolução da História e Memória em Franca. Saberemos se frutificou a sementinha que Wanderley dos Santos e demais estudiosos plantaram há quase duas décadas. E aprenderemos mais.

Enquanto aguardamos pela homenagem prometida pelo prefeito de Franca, Sidnei Franco da Rocha, ao saudoso Wanderley dos Santos, registramos essa nossa curiosidade em saber se o estudo histórico de ontem serve de alicerce para os estudos de hoje. No Grande ABC, muitas vezes, a resposta é negativa. E em Franca, será diferente? Respostas, por favor, ao Blog do Edward.

BAIRRO DE MIRAMONTES

Wanderley dos Santos escreveu, referindo-se ao Bairro de Miramontes, situado ao Norte de Franca: até 1920 o bairro foi conhecido pelo nome de Covas. Em 1990 o bairro mantinha obscura sua real origem.
Estevam Leão Bourroul, autor do livro “Origens da Franca do Imperador” (1883), conta que os primeiros habitantes do lugar construíram uma pequena capela no lugar chamado Covas. A água potável era escassa. Por isso transferiram o povoado a três quartos de légua de distância.
Tais informações deixaram implícito que o Bairro de Miramontes, em relação aos primórdios de Franca, precedia ao próprio núcleo central.
Wanderley pesquisou os registros de licenças da Câmara, foi aos autos de divisões de imóveis e inventários, consultou outras fontes e chegou à conclusão que o Bairro de Miramontes surgiu por volta de 1840 em parte de duas fazendas: Córrego do Salgado e Covas.
Assim, aquela idéia inicial passou a ser questionada, já que, oficialmente, a cidade de Franca foi fundada em 3 de dezembro de 1805.
Perguntamos: alguém sabe onde consultar o livro de Bourroul que Wanderley cita em sua pesquisa?

FOTO RECENTE DE FRANCA

domingo, 9 de agosto de 2009

EM NOME DO PAI. E DOS FILHOS.
NIVIA ANDRES
Em nome do Pai, comemoramos o segundo domingo de agosto. Em nome dos filhos, este dia deveria ser festejado sempre. Em nome de pais (incluindo mães) e filhos, todo dia seria de comemoração, porque os vínculos de amor (não os de sangue) precisam ser celebrados infinitamente.
Conceber, ver nascer, criar, proteger e educar para a vida são dádivas divinas. Mais divinos ainda são os dons de acolher, abrigar e reconhecer como parte inseparável de si os nascidos de outros pais que não foram dignos de seus filhos. Essa é a missão inalienável para a qual fomos criados. Uma bendita missão, que precisa ser praticada, exercitada e tratada com zelo perene. Se tal não acontece, vem a dor, o sofrimento, os desencontros, os descaminhos, a separação.
Pai é palavra mágica, fundamental, que expressa sentimentos e sentidos múltiplos, ilimitados, ligações profundas, imortais, inarredáveis, irrenunciáveis.
Pais, amem e respeitem os seus filhos. Filhos, amem e respeitem os seus pais.
Mesmo que haja diferenças de opinião. Mesmo que as crenças sejam diversas. Porque, há um dia, na vida, em que os caminhos de uns e de outros se encontram e daí, cessam as diferenças, acabam as desavenças e só permanece o amor, que a tudo vence, pois é feito de compreensão.
Filhos, cuidem para que esses caminhos se cruzem bem antes da estrada final, aquela que não tem volta. Pais, zelem para que seus filhos nunca trilhem estradas paralelas, impossibilitando um desvio que consinta em convivência.
Nada melhor que um caminho de construção conjunta, onde pedras e tijolos e argamassa se assentem em consenso. É infinita a alegria de construir junto, compartilhando, participando, opinando, desmanchando uma parte se assim necessário for, para manter a harmonia do conjunto.
Pais, sejam esteios para seus filhos. Abriguem, confortem, ensinem a pescar e a andar com as próprias pernas. Filhos sejam esteios para seus pais. Abriguem, confortem, mostrem que a pesca foi farta e os carreguem no colo quando não conseguirem mais andar.
Pais também são filhos de seus filhos. Filhos também são pais de seus pais. Essa deveria ser a lei mais observada – a da reciprocidade.
Pais, agradeçam a bênção de serem pais.
Filhos, curtam a bênção de serem filhos.
Pais e filhos, feitos à semelhança divina de Pai e Filho.
Pais, vocês já foram filhos.
Filhos, vocês serão pais.
Em nome do Pai.
Em nome do Filho.
Em nome da alegria, do amor, da VIDA plena. Amém.
Esta sinfonia de palavras traduzida em prece eu escrevi para meu pai, Luiz Carlos que, mesmo não sendo presença física há 24 anos, vive e se manifesta em nós, seus filhos, através de seus maravilhosos ensinamentos e exemplos, multiplicados pela infinita capacidade de amar, que procuramos exercitar e transmitir por todos os dias de nossa vida.
Um abraço carinhoso a todos os pais que são filhos de seus filhos e a todos os filhos que são pais de seus pais.
__________________________________________
*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.
Blog da jornalista:
http://niviaandres.blogspot.com/
__________________________________________

sábado, 8 de agosto de 2009

GRIPE SUÍNA - PANDEMIA DE LUCRO

EDWARD DE SOUZA


Não existe pior ameaça que possa se abater sobre nós do que aquela que se refere a micróbios fora de controle. Nada provoca mais sensações de terror dentro de nós do que a vulnerabilidade a uma epidemia. A insegurança toma seu lugar e toda a admiração pelos avanços da Ciência fica em segundo plano. Viroses se apresentam como “aliens” que podem fazer o que quiserem nos nossos corpos indefesos. Com uma imperceptível mutação genética, a Natureza conduz o fenômeno de tal forma que nos deixa convencidos de sua imponência sobre nos, humanos. Entretanto, se existe uma coisa bem estúpida e irracional que podemos fazer, cientistas e pessoas comuns como nos, é disseminar a histeria a respeito de uma epidemia cruel e avassaladora. A Organização Mundial de Saúde está prevendo que sete milhões e quatrocentas mil pessoas no mundo serão vítimas desta gripe suína.
Parte desse texto abaixo recebi por e-mail, sem assinatura do responsável, e como vai de encontro com meu pensamento, fiz questão de publicá-lo nesse blog. A começar pela pergunta: que interesses econômicos se movem por detrás da tal gripe suína? No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Os noticiários, disto nada falam! No mundo, por ano, morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos. Os noticiários, disto nada falam! Sarampo, pneumonia e enfermidades evitáveis com vacinas baratas provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano. Os noticiários, disto nada falam! Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves, os noticiários mundiais inundaram-se de noticias… Uma epidemia, a mais perigosa de todas… Uma Pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves. Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos… 25 mortos por ano. A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25. Um momento, um momento... Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves? Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande. A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população. Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
- Antes com os frangos e agora com os porcos.
- Sim, agora começou a psicose da gripe Porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso…
- Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo... Só na gripe Porcina, a gripe dos porcos…
- E eu me pergunto: se atrás dos frangos havia um “galo”, atrás dos porcos não haverá um “grande porco”? A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque. Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú. A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Muito bem. Quero deixar claro aos leitores deste blog que, em nenhum momento posso desprezar a gravidade no caso de aparecimento de viroses que nos amedrontem, mas também não posso me calar quando percebo a insensibilidade de autoridades que disseminam pânico em populações apavoradas que passam a não dormir se um filho espirrar durante o dia. Não tenho qualquer duvida ao afirmar que devemos nos proteger de resfriados e gripes assim como de tudo o que for possível fazer, mas não podemos nos deixar levar por interesses daqueles que querem produzir mais remédios e vacinas para combaterem doenças que, na maioria das vezes, são vencidas pela própria natureza das defesas orgânicas. Se a gripe suína é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação; se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos a todos os países, especialmente aos pobres, essa seria a melhor solução. O que você pensa sobre isso?
__________________________________________
Esclareço que o começo deste texto foi publicado, em parceria com o Dr. Sérgio Vaisman, em minha coluna, há cerca de dois meses, no jornal "O Comércio da Franca, quando a gripe suína começava a se manifestar no México.
___________________________________________
Entre no blog da Liliana Diniz e leia como se prevenir da gripe suína. Liliana esclarece as 42 maiores dúvidas sobre a doença de uma forma clara e objetiva: http://lilianasonhos.blogspot.com/
_______________________________________________________________________

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SOMOS TODOS PRISIONEIROS NA CARNE
INDIVIDUALIDADE
*
J. MORGADO

Lost, uma palavra inglesa que quer dizer desaparecido (s), mostra a individualidade de dezenas de passageiros de um avião que caiu em uma ilha misteriosa. A maneira de proceder, o modo de pensar, agir, ou seja, a característica de cada sobrevivente tendo que conviver com a individualidade particular de cada um deles é deveras interessante e, porque não dizer, “impressionante”. A cada cena do filme (disponível nas locadoras) os protagonistas, devido a uma série de acontecimentos, são coagidos pelas circunstâncias a agirem de forma selvagem, egoística, covarde, heróica. O medo e a coragem estão presentes em vários daqueles seres. Suas histórias são reveladas de momento a momento; atitudes positivas e negativas da encarnação presente e outras que herdaram de uma encarnação passada e que se refletirá no futuro junto aquele grupo de pessoas ou além deles. Assim, o espectador poderá avaliar em cada personagem, seu passado. Histórias que nos levam a pensar de como a humanidade ao assistir tais filmes pode extrair lições que muito provavelmente poderão ajudá-los com seus problemas. O filme, com suas nuances, é bastante educativo para aqueles que sabem ver além da ação e do suspense. O “Eu” de cada um dos perdidos se manifesta de forma exterior. E, com várias exceções, há os que aguardam com calma o dia-a-dia e, sempre que possível, buscam ajudar os demais.
A religião é totalmente esquecida, salvo duas ou três pessoas que, mesmo assim, estão comprometidas com seu passado e o misticismo, entendendo de uma maneira fanática, alguns fenômenos que ali acontecem.
Na verdade, somos todos prisioneiros na carne; Espíritos que somos livres na erraticidade, ao reencarnarmos nos tornamos perdidos e prisioneiros em um mundo de expiação e provas. Sem sabermos dos acontecimentos que nos envolveram no pretérito, por obra e Graça do Senhor nosso Pai, aprendemos por várias vias, em especial a do ensinamento de Jesus que o AMOR é o barco da redenção que nos salvará do sofrimento por nós provocados. Ao ver a ficção mostrada no filme, imediatamente nos identificamos com aqueles personagens tão bem elaborados por um escritor que provavelmente têm conhecimentos profundos sobre o ser humano e suas mazelas. Enfim, a frustração de cada um deles é mostrada “nua e crua”, fazendo com que nos lembremos das nossas, e o “mea-culpa” cala profundamente em nosso íntimo, nos vendo assim espelhados.
A individualidade se mistura ao individualismo de algumas pessoas ali perdidas, mesmo sabendo que sua vida e subsistência poderão depender de seus colegas de infortúnio. Assim ocorre com parte da humanidade que, não conseguindo raciocinar, esquecem que todos somos irmãos e, busca nos conflitos armados atingir seus objetivos, não se importando quantas vidas poderão ser ceifadas pelas armas, fome, doenças, etc.
Não há dúvida que o mundo progride lentamente a nossos olhos de encarnados. Ao final do século XIX existiam muitos conflitos armados no mundo. Hoje, em pleno século XXI, já são poucos os que buscam na guerra a solução para resolver problemas. A guerra foi substituída pela pressão econômica e, porque não dizer, pelo fanatismo religioso seguido de brutalidades em alguns lugares do Planeta. Tudo isso se traduz em uma palavra: “IGNORÂNCIA”. Ignorância de tudo aquilo que já foi ensinado por sábios em diversas épocas.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em seu capítulo V, Causas Atuais das Aflições, item 4 (IDE - 40ª. edição), há um parágrafo que diz: “a quem, pois, culpar de todas as suas aflições senão a si mesmo? O homem é, assim, num grande número de casos, o artífice de seus próprios infortúnios; mas, ao invés de o reconhecer, ele acha mais simples, menos humilhante para sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a chance desfavorável, sua má estrela, enquanto que sua má estrela está na sua incúria”.
Infelizmente, ao tomar conhecimento do que acontece no mundo e em particular ao nosso redor, podemos verificar que os nomes DEUS e JESUS estão associados a dificuldades passageiras, ou simplesmente a meros desejos materialistas. As pessoas hoje se fecham em seu mutismo, não por querer paz e sossego, mas por puro individualismo ou medo da violência desenfreada que ocorre neste mundo. Nada fazem para melhorar a situação, mas esperam que outros façam por elas o “milagre” que lhes dê um mundo melhor. As religiões, de uma maneira geral, minimizam essa situação, mesmo quando algumas são deturpadas por interesses escusos. É através delas que o ser humano vem evoluindo moralmente, lentamente, é verdade, mas, evoluindo. “Não pronunciar seu nome em vão” é o que diz em breves palavras o Terceiro Mandamento: A humanidade deverá cada vez mais entender O QUE É DEUS e atentar para os ensinamentos de Jesus, trazidos na sua pureza pela Doutrina Espírita.
Encerro este artigo transcrevendo o item 54 do Livro dos Espíritos: “Se a espécie humana não procede de um só indivíduo, os homens devem deixar por isso de se considerarem irmãos? – Todos os homens são irmãos perante Deus, porque são animados pelo Espírito e tendem para o mesmo objetivo. Por que deveis sempre tomar as palavras ao pé da letra? (Petit Editora/99).
___________________________________________
*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br______
___________________________________________

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NO TEMPO EM QUE DROGA NÃO ERA DROGA

GUIDO FIDELIS
*
COCAÍNA ERA RARA NOS ANOS 60

Fumar era moda, elegante. Fumava-se em todos os ambientes. Diferentes marcas, com ou sem filtro, às vezes utilizando-se elegantes e charmosas piteiras. Baforadas longas, fumaça subindo em círculos, igual ao que se podia ver e copiar nos filmes, em branco e preto, belos clássicos de luz e sombras. Boates e barzinhos eram impregnados de fumaça. Amores desfeitos, novos romances, conversas amenas ou existenciais somente com o cigarro na boca. Ele era uma espécie de força vital que encorajava, ajudava a superar a timidez que paralisa diante do inesperado, quando alguém nos pede um discurso de improviso numa festa ou solenidade. Permitia, ainda, vencer noites insones e de solidão. Impossível beber e ouvir música sem a companhia do cigarro. O tango jamais existiria sem um cigarro na boca de Gardel. As ruas também eram pacatas no início da década de 60. Por elas se podia transitar sem riscos de assaltos. Crimes eram raros, exceção para os vigaristas que ludibriavam otários que se achavam espertos, vítimas da ganância, do incontrolável desejo de ganhos fáceis, caídos do céu. Muita gente acreditava em bilhetes premiados, máquina de fabricar dinheiro e pacos. E algumas prostitutas, enquadradas por crime de vadiagem, que portavam nos sutiãs, entre os seios, habeas corpus preventivos para livrá-las do flagrante.
Ainda se vivia a comemoração do nascimento de Brasília e a consequente inflação que se seguiu. Também se iniciava o movimento hippie e os Beatles lançavam seu primeiro disco, “Please, Please Me”, em 1962. O clima pré-revolucionário ganhava contornos, preparando-se as senhoras católicas para engrossar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, muitas delas insufladas por membros da TFP – Tradição, Família e Propriedade, entidade ultra-direitista.
Pouco ou quase nada se falava em drogas. Cocaína dificilmente aparecia no noticiário, embora se soubesse da existência de consumidores, mas sempre nas altas rodas. O produto era raro, acessível apenas a quem tivesse bom poder aquisitivo. Maconha era mais comum. Mas poucos usuários se atreviam a usá-la em público. Sob desconfiança, eventuais consumidores eram apontados, chamados de maconheiros. No caso da maconha, tanto traficante quanto consumidor eram sujeitos às penalidades previstas. Lança-perfume ainda rolava nos bailes carnavalescos. Produto desodorizante com aroma de perfume, em forma de spray, era fabricado pela Rhodia, com a marca Rodouro. Logo, passou a ser inalado, pois proporcionava estado de euforia e excitação. Acabou proibido ainda na década de 60, embora continue a ser fabricado e consumido na Argentina.
Outras drogas eram livres, não se inseriam no rol de proibidas, consideradas crimes diante da lei. Algumas, com incentivo e aplausos do mundo científico e intelectual, que revelava efeitos extraordinários para os candidatos às experiências. O LSD, substância sintética mais conhecida na época como ácido lisérgico, era utilizado em experiências terapêuticas. Conferencistas de renove apregoavam maravilhas. Santo André foi palco de uma delas, realizada na Biblioteca Municipal, com auditório lotado. Falava-se da sensação agradável, de cores brilhantes, da audição de sons incomuns. Na época, também se comentava o livro “As Portas da Percepção”, do escritor e pensador Aldous Huxley, fascinante relato sobre as experiências do autor com a mescalina, a descoberta de um fantástico mundo novo, céu o inferno. Huxley, dando ênfase à sua obra, cita o poeta William Blake: “Se pudessem limpar as portas da percepção, tudo se revelaria ao homem como é: infinito.”
Formou-se, em Santo André, um circulo de discussão e de experimentação. Diversos médicos participavam dos debates e muitas foram as sessões destinadas especialmente à experimentação da droga. Eu mesmo tive três oportunidades de provar o ácido lisérgico com a perspectiva de que viajaria por um mundo mágico, capaz de enxergar através das paredes. Numa delas houve desencontro, na segunda estava ausente na data. Na última, cheguei perto, fui até a porta do Hospital Jardim, onde a prova seria realizada, mas desisti no último momento por um instinto que não saberia explicar, pois nada poderia me impedir, não estava praticando nenhum crime.
Mais adiante, depois de proibida, passou a ser mais procurada pelos jovens, ganhou usuários que se transformaram em dependentes químicos. Hoje continua espalhada em muitos recintos, problema agravado com o crack, droga letal que ganhou as ruas, abastece os miseráveis, transformados em zumbis.
_____________________________________________________________________
*Guido Fidelis, jornalista, escritor cosmopolita, sensato, pé no chão, também advogado é outro dromedário da imprensa paulista. Ex-Última Hora, Diário do Grande ABC, A Nação e A Gazeta, sua pulsante literatura deixa pouca dúvida a respeito de suas preferências: drama policial com um aroma decididamente neonaturalista. Realmente, sua floresta urbana São Paulo é, mais frequentemente do que não, comprimida em um gênero ainda considerado opressivo. Guido Fidelis tem mais de uma dúzia de livros publicados. A última obra de Fidelis, Corredeiras do Tempo (Rapids of Time), mostra uma propensão marcante para a abstração acima da ação. Ao invés de policiais e ladrões, o leitor se encontra imerso em atmosferas densas caracterizadas por uma forte ênfase no simbolismo. No final, a narrativa filosófica de Guido Fidelis chega através de curtas-metragens, ricos em lirismo e um prazer para ler. Visite o blog de Guido Fidelis: http://guifidel.blogspot.com/
______________________________________________________________________