quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A VIDA CONTINUA... VAMOS EM FRENTE!
Depois das grandes tempestades em nossas vidas,
às vezes, ao invés da bonança esperada,
costumamos fechar a alma para balanço.

E, por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo,
bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta.

E esta porta fica tão trancada que,
se nós mesmos não a abrirmos,
tornar-se-á quase que intransponível.
Como se nossa casa tivesse sido saqueada
e o medo de que fosse arrombada de novo
não nos deixasse viver sossegados.

Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim...
Mas passar da soleira, quem disse?

E ficamos tantas vezes nos perguntando
o porquê de ninguém se aproximar muito de nós
se pensamos, numa atitude de bloqueio à verdade,
que estamos dando espaço para que todos nos visitem.

Fingimos não enxergar o letreiro luminoso
de "passagem proibida"
ou os cadeados enormes
que colocamos nos portões
e nos muros que erguemos ao redor de nós,
porque é duro admitir que temos medo
de mais experiências depois que
uma, duas, três ou mil delas não deram certo.

Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio,
e elas são cada vez em número menor,
as não tão persistentes se afastam
com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas
e as ponhamos para correr.

Assim acabamos, por comodismo,
ficando com as pessoas menos perigosas;
com aquelas com quem sabemos
que nunca chegaremos a ter envolvimento maior,
até porque sua percepção não é tão aguçada
para penetrar no nosso interior.

Ficamos com aquelas
com quem temos menos afinidade e pouco cumplicidade,
principalmente aquela que vem do fundo da alma,
porque não queremos que ninguém invada
a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos,
onde guardamos as mágoas,
os ódios não passados a limpo
e os amores mal sucedidos.

Não queremos saber de quem nos leia pensamentos
e não pretendemos nos prender a nada,
embora digamos sempre o contrário
e saibamos que a falta das amarras
num porto onde poderemos atracar quando estamos à deriva
pode constituir uma bela teoria de liberdade,
mas não nos gratifica,
pois o ser humano não nasceu para ficar só.

Nós, hoje, mal ou bem
podemos escolher nossos amores e amigos.
E que possamos escolher os melhores,
e não os mais cômodos.

E que possamos, também, ter alguns inimigos
e, entre os nossos conhecidos,
pessoas incompatíveis conosco,
porque são eles que nos ajudam
a superar os nossos limites
e nos botam para frente,
nem que seja para que lhes mostremos
do que e o quanto somos capazes.

Precisamos ter histórias para contar,
sejam elas com finais tristes ou felizes.
Precisamos passar por experiências
que nem sempre são gratificantes,
pois uma existência passada em brancas nuvens
é uma existência sem frutos.

Um dia, talvez,
venhamos a entender melhor os mistérios da vida
e, para chegarmos a um determinado ponto,
muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos.

Talvez entendamos que precisamos nos purificar
sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos
e receber alguma recompensa.

Algumas doutrinas religiosas e filosóficas
tentam explicar porque algumas pessoas sofrem
e outras são poupadas
e porque alguns de nós encontram suas metades
e outros passem a vida inteira a procurá-las.

Mas são explicações que talvez nós leigos,
não consigamos facilmente entender.
A única coisa que podemos arriscar,
é que nada acontece por acaso
(ou será que acontece?).

Talvez, quando sofremos,
estejamos passando por um processo de purificação
que nunca será entendido ou aceito por nós
enquanto estivermos vivendo a experiência.

Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa,
estejamos nos informando;
talvez, quando encontramos
tanta gente incompatível conosco,
é porque, de alguma maneira,
somos ou fomos as pessoas determinadas
a surgir em suas vidas,
seja para suportá-la, ajudá-las
ou para que, através delas,
aprendamos alguma lição importante:
da serenidade à perseverança, da paciência à fé.

Mas, por mais que apanhemos,
que nos escondamos para fugirmos da vida,
de nós mesmos, dos machucados e rejeições...
Tudo passa.

O desespero nunca foi solução para nada,
pois, afinal, não há mal que sempre dure
e nem bem que nunca acabe.

A vida sempre seguirá dando voltas.
Tomara que saibamos aproveitar as ascensões
para levantar quem estiver próximo de nós
e as quedas para aprendermos a ser humildes.

Obrigado pela força, amigos(as)
Edward de Souza

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A BELEZA DO MUSEU VIRTUAL DE FRANCA

Esquina da Rua Voluntários da Franca com Monsenhor Rosa, tendo ao fundo a Estação. O prédio da esquina, à direita, é onde hoje está o Magazine Luiza. O da esquerda é onde funcionava a famosa Casa Hygino Caleiro, uma das mais importantes na história local.
PERGUNTAS SOBRE A HISTÓRIA DE FRANCA

ADEMIR MEDICI

Aqui do Grande ABC fazemos uma constatação: o Museu Virtual de Franca, fácil de ser acessado pela Internet, é um projeto bem legal, digno de elogios. Parabéns aos seus idealizadores.
A propósito, temos perguntas endereçadas aos amigos da Memória de Franca. Vamos lá:

1 – Nos dias 23 e 24 de novembro de 1990 realizou-se, em Franca, o VII Encontro de Historiadores da Região. Perguntamos: tais encontros tiveram sequência? Chegaram a que ano? Foram registrados em anais os debates, conclusões e encaminhamentos?

2 – Quem realizava tais encontros sobre história e memória era a Associação Regional de Pesquisa e Preservação de Acervo Municipal (ARPAM). A Associação existe ainda? Que linha adota? Quais foram os seus rumos?

3 – Os encontros da ARPAM eram promovidos pela Prefeitura de Franca, via Secretaria de Educação e Cultura, em conjunto com a Fundação Municipal Mário de Andrade. A Fundação ainda existe? É possível consultar o seu acervo?

4 – A Comissão Organizadora do VII Encontro de Historiadores de Franca e região era formada pelo saudoso Wanderley dos Santos e quatro professoras: Mildred Regina Gonçalves Naldi (UNESP de Franca), Maria Margarida Borges Pansani (Museu Histórico Municipal José Chiachiri), Cacilda Comássio (então aluna de pós-graduação da UNESP local) e Graziela Alves Corrêa (Arquivo Histórico Municipal e então aluna de Direito da UNESP).
Perguntamos: as quatro professoras continuam no ramo de História e Memória? Que lembranças cada uma delas tem do saudoso Wanderley dos Santos?

5 – Como expositor do encontro de 1990 participou José Geraldo Evangelista, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Sua fala versou sobre a última década da história da Franca Imperial, até 30 de dezembro de 1889. Procurava mostrar as tentativas (frustradas) de urbanização da cidade.
Indagamos: o estudo de Evangelista faz parte da bibliografia de Franca? Está disponível à consulta popular?

6 – A professora Hercídia Mara F. Coelho Lambert (UNESP Franca) participou também do encontro de 1990. Discorreu sobre o centenário de Franca e a festa realizada na cidade.
Em síntese, professora Hercídia relatou:
“Através da documentação comemorativa do centenário de Franca, procuramos elucidar os mecanismos utilizados pelas autoridades municipais na ordenação da festa no sentido de reforçar uma visão da história e da própria cidade. Os símbolos remetem às representações e valores caros os organizadores da comemoração – o poder público aliado às ‘pessoas de destaque’ – e, assim, serão lidos”.
A íntegra do estudo da professora Hercídia Lambert é preservado? Pode ser estudado?

7 – Maria Lúcia Vannuchi Tomazini (UFG) apresentou durante o encontro de 90 uma dissertação social: “Mulher Gari História e Memória da Força de Trabalho Feminina, Goiânia, 1979-1988”.
A pergunta é a mesma: essa dissertação está disponível em Franca? Gerou novos trabalhos do gênero? O que mudou em relação à trabalhadora de rua nos 19 anos seguintes, até os dias atuais?

8 – Uma equipe de professores e pesquisadores do Curso de História da UNESP de Franca adaptou a História de Franca em linguagem televisiva, exibindo-a na EXPO-UNESP de Bauru e, é claro, no encontro de 1990.
Milza Bruxelas Peixoto, Pedro Geraldo Tozzi, Maria Júlia Costa Bittar e Marcelo Pini Prestes refletiram sobre as dificuldades em conciliar uma pesquisa histórica, em forma de texto, com linguagem da “telinha”.
Teriam, os órgãos de Memória de Franca, guardado esse filme/vídeo? O filme/vídeo foi exibido outras vezes mais? Como conseguir uma cópia?

9 – A música em Franca através dos tempos, dos tropeiros ao canto religioso, das toadas ao rock and roll. Este foi o tema mostrado, há 19 anos, no Edifício Champagnat, no Centro de Franca, por Regina Célia Freitas de Oliveira e Silvia Maria Prior. Como ter acesso a esse estudo? O que aconteceu com a música de Franca desde então?

As perguntas eram essas. Dependendo das respostas, teremos um quadro claro da evolução da História e Memória em Franca. Saberemos se frutificou a sementinha que Wanderley dos Santos e demais estudiosos plantaram há quase duas décadas. E aprenderemos mais.

Enquanto aguardamos pela homenagem prometida pelo prefeito de Franca, Sidnei Franco da Rocha, ao saudoso Wanderley dos Santos, registramos essa nossa curiosidade em saber se o estudo histórico de ontem serve de alicerce para os estudos de hoje. No Grande ABC, muitas vezes, a resposta é negativa. E em Franca, será diferente? Respostas, por favor, ao Blog do Edward.

BAIRRO DE MIRAMONTES

Wanderley dos Santos escreveu, referindo-se ao Bairro de Miramontes, situado ao Norte de Franca: até 1920 o bairro foi conhecido pelo nome de Covas. Em 1990 o bairro mantinha obscura sua real origem.
Estevam Leão Bourroul, autor do livro “Origens da Franca do Imperador” (1883), conta que os primeiros habitantes do lugar construíram uma pequena capela no lugar chamado Covas. A água potável era escassa. Por isso transferiram o povoado a três quartos de légua de distância.
Tais informações deixaram implícito que o Bairro de Miramontes, em relação aos primórdios de Franca, precedia ao próprio núcleo central.
Wanderley pesquisou os registros de licenças da Câmara, foi aos autos de divisões de imóveis e inventários, consultou outras fontes e chegou à conclusão que o Bairro de Miramontes surgiu por volta de 1840 em parte de duas fazendas: Córrego do Salgado e Covas.
Assim, aquela idéia inicial passou a ser questionada, já que, oficialmente, a cidade de Franca foi fundada em 3 de dezembro de 1805.
Perguntamos: alguém sabe onde consultar o livro de Bourroul que Wanderley cita em sua pesquisa?

FOTO RECENTE DE FRANCA

domingo, 9 de agosto de 2009

EM NOME DO PAI. E DOS FILHOS.
NIVIA ANDRES
Em nome do Pai, comemoramos o segundo domingo de agosto. Em nome dos filhos, este dia deveria ser festejado sempre. Em nome de pais (incluindo mães) e filhos, todo dia seria de comemoração, porque os vínculos de amor (não os de sangue) precisam ser celebrados infinitamente.
Conceber, ver nascer, criar, proteger e educar para a vida são dádivas divinas. Mais divinos ainda são os dons de acolher, abrigar e reconhecer como parte inseparável de si os nascidos de outros pais que não foram dignos de seus filhos. Essa é a missão inalienável para a qual fomos criados. Uma bendita missão, que precisa ser praticada, exercitada e tratada com zelo perene. Se tal não acontece, vem a dor, o sofrimento, os desencontros, os descaminhos, a separação.
Pai é palavra mágica, fundamental, que expressa sentimentos e sentidos múltiplos, ilimitados, ligações profundas, imortais, inarredáveis, irrenunciáveis.
Pais, amem e respeitem os seus filhos. Filhos, amem e respeitem os seus pais.
Mesmo que haja diferenças de opinião. Mesmo que as crenças sejam diversas. Porque, há um dia, na vida, em que os caminhos de uns e de outros se encontram e daí, cessam as diferenças, acabam as desavenças e só permanece o amor, que a tudo vence, pois é feito de compreensão.
Filhos, cuidem para que esses caminhos se cruzem bem antes da estrada final, aquela que não tem volta. Pais, zelem para que seus filhos nunca trilhem estradas paralelas, impossibilitando um desvio que consinta em convivência.
Nada melhor que um caminho de construção conjunta, onde pedras e tijolos e argamassa se assentem em consenso. É infinita a alegria de construir junto, compartilhando, participando, opinando, desmanchando uma parte se assim necessário for, para manter a harmonia do conjunto.
Pais, sejam esteios para seus filhos. Abriguem, confortem, ensinem a pescar e a andar com as próprias pernas. Filhos sejam esteios para seus pais. Abriguem, confortem, mostrem que a pesca foi farta e os carreguem no colo quando não conseguirem mais andar.
Pais também são filhos de seus filhos. Filhos também são pais de seus pais. Essa deveria ser a lei mais observada – a da reciprocidade.
Pais, agradeçam a bênção de serem pais.
Filhos, curtam a bênção de serem filhos.
Pais e filhos, feitos à semelhança divina de Pai e Filho.
Pais, vocês já foram filhos.
Filhos, vocês serão pais.
Em nome do Pai.
Em nome do Filho.
Em nome da alegria, do amor, da VIDA plena. Amém.
Esta sinfonia de palavras traduzida em prece eu escrevi para meu pai, Luiz Carlos que, mesmo não sendo presença física há 24 anos, vive e se manifesta em nós, seus filhos, através de seus maravilhosos ensinamentos e exemplos, multiplicados pela infinita capacidade de amar, que procuramos exercitar e transmitir por todos os dias de nossa vida.
Um abraço carinhoso a todos os pais que são filhos de seus filhos e a todos os filhos que são pais de seus pais.
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*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008.
Blog da jornalista:
http://niviaandres.blogspot.com/
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sábado, 8 de agosto de 2009

GRIPE SUÍNA - PANDEMIA DE LUCRO

EDWARD DE SOUZA


Não existe pior ameaça que possa se abater sobre nós do que aquela que se refere a micróbios fora de controle. Nada provoca mais sensações de terror dentro de nós do que a vulnerabilidade a uma epidemia. A insegurança toma seu lugar e toda a admiração pelos avanços da Ciência fica em segundo plano. Viroses se apresentam como “aliens” que podem fazer o que quiserem nos nossos corpos indefesos. Com uma imperceptível mutação genética, a Natureza conduz o fenômeno de tal forma que nos deixa convencidos de sua imponência sobre nos, humanos. Entretanto, se existe uma coisa bem estúpida e irracional que podemos fazer, cientistas e pessoas comuns como nos, é disseminar a histeria a respeito de uma epidemia cruel e avassaladora. A Organização Mundial de Saúde está prevendo que sete milhões e quatrocentas mil pessoas no mundo serão vítimas desta gripe suína.
Parte desse texto abaixo recebi por e-mail, sem assinatura do responsável, e como vai de encontro com meu pensamento, fiz questão de publicá-lo nesse blog. A começar pela pergunta: que interesses econômicos se movem por detrás da tal gripe suína? No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Os noticiários, disto nada falam! No mundo, por ano, morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos. Os noticiários, disto nada falam! Sarampo, pneumonia e enfermidades evitáveis com vacinas baratas provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano. Os noticiários, disto nada falam! Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves, os noticiários mundiais inundaram-se de noticias… Uma epidemia, a mais perigosa de todas… Uma Pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves. Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos… 25 mortos por ano. A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25. Um momento, um momento... Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves? Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande. A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população. Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
- Antes com os frangos e agora com os porcos.
- Sim, agora começou a psicose da gripe Porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso…
- Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo... Só na gripe Porcina, a gripe dos porcos…
- E eu me pergunto: se atrás dos frangos havia um “galo”, atrás dos porcos não haverá um “grande porco”? A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque. Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú. A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Muito bem. Quero deixar claro aos leitores deste blog que, em nenhum momento posso desprezar a gravidade no caso de aparecimento de viroses que nos amedrontem, mas também não posso me calar quando percebo a insensibilidade de autoridades que disseminam pânico em populações apavoradas que passam a não dormir se um filho espirrar durante o dia. Não tenho qualquer duvida ao afirmar que devemos nos proteger de resfriados e gripes assim como de tudo o que for possível fazer, mas não podemos nos deixar levar por interesses daqueles que querem produzir mais remédios e vacinas para combaterem doenças que, na maioria das vezes, são vencidas pela própria natureza das defesas orgânicas. Se a gripe suína é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação; se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos a todos os países, especialmente aos pobres, essa seria a melhor solução. O que você pensa sobre isso?
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Esclareço que o começo deste texto foi publicado, em parceria com o Dr. Sérgio Vaisman, em minha coluna, há cerca de dois meses, no jornal "O Comércio da Franca, quando a gripe suína começava a se manifestar no México.
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Entre no blog da Liliana Diniz e leia como se prevenir da gripe suína. Liliana esclarece as 42 maiores dúvidas sobre a doença de uma forma clara e objetiva: http://lilianasonhos.blogspot.com/
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SOMOS TODOS PRISIONEIROS NA CARNE
INDIVIDUALIDADE
*
J. MORGADO

Lost, uma palavra inglesa que quer dizer desaparecido (s), mostra a individualidade de dezenas de passageiros de um avião que caiu em uma ilha misteriosa. A maneira de proceder, o modo de pensar, agir, ou seja, a característica de cada sobrevivente tendo que conviver com a individualidade particular de cada um deles é deveras interessante e, porque não dizer, “impressionante”. A cada cena do filme (disponível nas locadoras) os protagonistas, devido a uma série de acontecimentos, são coagidos pelas circunstâncias a agirem de forma selvagem, egoística, covarde, heróica. O medo e a coragem estão presentes em vários daqueles seres. Suas histórias são reveladas de momento a momento; atitudes positivas e negativas da encarnação presente e outras que herdaram de uma encarnação passada e que se refletirá no futuro junto aquele grupo de pessoas ou além deles. Assim, o espectador poderá avaliar em cada personagem, seu passado. Histórias que nos levam a pensar de como a humanidade ao assistir tais filmes pode extrair lições que muito provavelmente poderão ajudá-los com seus problemas. O filme, com suas nuances, é bastante educativo para aqueles que sabem ver além da ação e do suspense. O “Eu” de cada um dos perdidos se manifesta de forma exterior. E, com várias exceções, há os que aguardam com calma o dia-a-dia e, sempre que possível, buscam ajudar os demais.
A religião é totalmente esquecida, salvo duas ou três pessoas que, mesmo assim, estão comprometidas com seu passado e o misticismo, entendendo de uma maneira fanática, alguns fenômenos que ali acontecem.
Na verdade, somos todos prisioneiros na carne; Espíritos que somos livres na erraticidade, ao reencarnarmos nos tornamos perdidos e prisioneiros em um mundo de expiação e provas. Sem sabermos dos acontecimentos que nos envolveram no pretérito, por obra e Graça do Senhor nosso Pai, aprendemos por várias vias, em especial a do ensinamento de Jesus que o AMOR é o barco da redenção que nos salvará do sofrimento por nós provocados. Ao ver a ficção mostrada no filme, imediatamente nos identificamos com aqueles personagens tão bem elaborados por um escritor que provavelmente têm conhecimentos profundos sobre o ser humano e suas mazelas. Enfim, a frustração de cada um deles é mostrada “nua e crua”, fazendo com que nos lembremos das nossas, e o “mea-culpa” cala profundamente em nosso íntimo, nos vendo assim espelhados.
A individualidade se mistura ao individualismo de algumas pessoas ali perdidas, mesmo sabendo que sua vida e subsistência poderão depender de seus colegas de infortúnio. Assim ocorre com parte da humanidade que, não conseguindo raciocinar, esquecem que todos somos irmãos e, busca nos conflitos armados atingir seus objetivos, não se importando quantas vidas poderão ser ceifadas pelas armas, fome, doenças, etc.
Não há dúvida que o mundo progride lentamente a nossos olhos de encarnados. Ao final do século XIX existiam muitos conflitos armados no mundo. Hoje, em pleno século XXI, já são poucos os que buscam na guerra a solução para resolver problemas. A guerra foi substituída pela pressão econômica e, porque não dizer, pelo fanatismo religioso seguido de brutalidades em alguns lugares do Planeta. Tudo isso se traduz em uma palavra: “IGNORÂNCIA”. Ignorância de tudo aquilo que já foi ensinado por sábios em diversas épocas.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em seu capítulo V, Causas Atuais das Aflições, item 4 (IDE - 40ª. edição), há um parágrafo que diz: “a quem, pois, culpar de todas as suas aflições senão a si mesmo? O homem é, assim, num grande número de casos, o artífice de seus próprios infortúnios; mas, ao invés de o reconhecer, ele acha mais simples, menos humilhante para sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a chance desfavorável, sua má estrela, enquanto que sua má estrela está na sua incúria”.
Infelizmente, ao tomar conhecimento do que acontece no mundo e em particular ao nosso redor, podemos verificar que os nomes DEUS e JESUS estão associados a dificuldades passageiras, ou simplesmente a meros desejos materialistas. As pessoas hoje se fecham em seu mutismo, não por querer paz e sossego, mas por puro individualismo ou medo da violência desenfreada que ocorre neste mundo. Nada fazem para melhorar a situação, mas esperam que outros façam por elas o “milagre” que lhes dê um mundo melhor. As religiões, de uma maneira geral, minimizam essa situação, mesmo quando algumas são deturpadas por interesses escusos. É através delas que o ser humano vem evoluindo moralmente, lentamente, é verdade, mas, evoluindo. “Não pronunciar seu nome em vão” é o que diz em breves palavras o Terceiro Mandamento: A humanidade deverá cada vez mais entender O QUE É DEUS e atentar para os ensinamentos de Jesus, trazidos na sua pureza pela Doutrina Espírita.
Encerro este artigo transcrevendo o item 54 do Livro dos Espíritos: “Se a espécie humana não procede de um só indivíduo, os homens devem deixar por isso de se considerarem irmãos? – Todos os homens são irmãos perante Deus, porque são animados pelo Espírito e tendem para o mesmo objetivo. Por que deveis sempre tomar as palavras ao pé da letra? (Petit Editora/99).
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br______
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NO TEMPO EM QUE DROGA NÃO ERA DROGA

GUIDO FIDELIS
*
COCAÍNA ERA RARA NOS ANOS 60

Fumar era moda, elegante. Fumava-se em todos os ambientes. Diferentes marcas, com ou sem filtro, às vezes utilizando-se elegantes e charmosas piteiras. Baforadas longas, fumaça subindo em círculos, igual ao que se podia ver e copiar nos filmes, em branco e preto, belos clássicos de luz e sombras. Boates e barzinhos eram impregnados de fumaça. Amores desfeitos, novos romances, conversas amenas ou existenciais somente com o cigarro na boca. Ele era uma espécie de força vital que encorajava, ajudava a superar a timidez que paralisa diante do inesperado, quando alguém nos pede um discurso de improviso numa festa ou solenidade. Permitia, ainda, vencer noites insones e de solidão. Impossível beber e ouvir música sem a companhia do cigarro. O tango jamais existiria sem um cigarro na boca de Gardel. As ruas também eram pacatas no início da década de 60. Por elas se podia transitar sem riscos de assaltos. Crimes eram raros, exceção para os vigaristas que ludibriavam otários que se achavam espertos, vítimas da ganância, do incontrolável desejo de ganhos fáceis, caídos do céu. Muita gente acreditava em bilhetes premiados, máquina de fabricar dinheiro e pacos. E algumas prostitutas, enquadradas por crime de vadiagem, que portavam nos sutiãs, entre os seios, habeas corpus preventivos para livrá-las do flagrante.
Ainda se vivia a comemoração do nascimento de Brasília e a consequente inflação que se seguiu. Também se iniciava o movimento hippie e os Beatles lançavam seu primeiro disco, “Please, Please Me”, em 1962. O clima pré-revolucionário ganhava contornos, preparando-se as senhoras católicas para engrossar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, muitas delas insufladas por membros da TFP – Tradição, Família e Propriedade, entidade ultra-direitista.
Pouco ou quase nada se falava em drogas. Cocaína dificilmente aparecia no noticiário, embora se soubesse da existência de consumidores, mas sempre nas altas rodas. O produto era raro, acessível apenas a quem tivesse bom poder aquisitivo. Maconha era mais comum. Mas poucos usuários se atreviam a usá-la em público. Sob desconfiança, eventuais consumidores eram apontados, chamados de maconheiros. No caso da maconha, tanto traficante quanto consumidor eram sujeitos às penalidades previstas. Lança-perfume ainda rolava nos bailes carnavalescos. Produto desodorizante com aroma de perfume, em forma de spray, era fabricado pela Rhodia, com a marca Rodouro. Logo, passou a ser inalado, pois proporcionava estado de euforia e excitação. Acabou proibido ainda na década de 60, embora continue a ser fabricado e consumido na Argentina.
Outras drogas eram livres, não se inseriam no rol de proibidas, consideradas crimes diante da lei. Algumas, com incentivo e aplausos do mundo científico e intelectual, que revelava efeitos extraordinários para os candidatos às experiências. O LSD, substância sintética mais conhecida na época como ácido lisérgico, era utilizado em experiências terapêuticas. Conferencistas de renove apregoavam maravilhas. Santo André foi palco de uma delas, realizada na Biblioteca Municipal, com auditório lotado. Falava-se da sensação agradável, de cores brilhantes, da audição de sons incomuns. Na época, também se comentava o livro “As Portas da Percepção”, do escritor e pensador Aldous Huxley, fascinante relato sobre as experiências do autor com a mescalina, a descoberta de um fantástico mundo novo, céu o inferno. Huxley, dando ênfase à sua obra, cita o poeta William Blake: “Se pudessem limpar as portas da percepção, tudo se revelaria ao homem como é: infinito.”
Formou-se, em Santo André, um circulo de discussão e de experimentação. Diversos médicos participavam dos debates e muitas foram as sessões destinadas especialmente à experimentação da droga. Eu mesmo tive três oportunidades de provar o ácido lisérgico com a perspectiva de que viajaria por um mundo mágico, capaz de enxergar através das paredes. Numa delas houve desencontro, na segunda estava ausente na data. Na última, cheguei perto, fui até a porta do Hospital Jardim, onde a prova seria realizada, mas desisti no último momento por um instinto que não saberia explicar, pois nada poderia me impedir, não estava praticando nenhum crime.
Mais adiante, depois de proibida, passou a ser mais procurada pelos jovens, ganhou usuários que se transformaram em dependentes químicos. Hoje continua espalhada em muitos recintos, problema agravado com o crack, droga letal que ganhou as ruas, abastece os miseráveis, transformados em zumbis.
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*Guido Fidelis, jornalista, escritor cosmopolita, sensato, pé no chão, também advogado é outro dromedário da imprensa paulista. Ex-Última Hora, Diário do Grande ABC, A Nação e A Gazeta, sua pulsante literatura deixa pouca dúvida a respeito de suas preferências: drama policial com um aroma decididamente neonaturalista. Realmente, sua floresta urbana São Paulo é, mais frequentemente do que não, comprimida em um gênero ainda considerado opressivo. Guido Fidelis tem mais de uma dúzia de livros publicados. A última obra de Fidelis, Corredeiras do Tempo (Rapids of Time), mostra uma propensão marcante para a abstração acima da ação. Ao invés de policiais e ladrões, o leitor se encontra imerso em atmosferas densas caracterizadas por uma forte ênfase no simbolismo. No final, a narrativa filosófica de Guido Fidelis chega através de curtas-metragens, ricos em lirismo e um prazer para ler. Visite o blog de Guido Fidelis: http://guifidel.blogspot.com/
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

HISTÓRIAS DE FADAS OU DE PIZZAS?

NIVIA ANDRES
Os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. Partilham com estes o fato de serem uma narrativa curta, transmitida oralmente, onde o herói ou heroína tem de superar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Por característica, envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento, e apesar do nome, animais que falam e se comportam como gente são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. Entre exemplos famosos temos Rapunzel, Branca de Neve e os Sete Anões, O Gato de Botas, João e Maria, Cinderela e a Bela e a Fera.
Decididamente, as histórias contadas hoje, no Brasil, nada têm de contos de fadas. Mesmo as maiores malvadezas e atrocidades cometidas por Lobo Mau, Rainha Malvada, Bicho Papão, Cuca, Capitão Gancho, Mula-sem-cabeça, madrastas enciumadas, bruxas, magos, lobisomens, monstros e centenas de outros afins não chegam aos pés das barbaridades que se cometem nesse país de fantasia às avessas, com uma grande novidade na estrutura da narrativa – no epílogo, desaparece o tradicional ... E foram felizes para sempre, substituído por... E tudo acabou em pizza! São os contos de ogros! (pedindo perdão a Shrek, é claro, um gentil, bondoso e digno representante da classe, que não se enquadra nos requisitos de perversidade necessários; e, óbvio, rogando duplas escusas aos pizzaiolos, esses profissionais tão talentosos, que entraram de gaiatos na história, já que o delicioso produto que oferecem transformou-se em palavra maldita no dicionário de politiquês, ora ostentando significado extra de investigação ou apuração de denúncias de irregularidades administrativas, corrupção etc. sem levar, devido a manobras políticas, ao julgamento ou punição dos implicados.
Se há uma característica que vêm marcando o processo de desenvolvimento da civilização desde o seu início é a idéia de que, para existir, a sociedade depende da integração do homem com seu meio. Essa ênfase de pertença social é decorrente dos vários elementos que ameaçavam constantemente a integridade dos grupos humanos no passado, tais como guerras, pestes e invasões estrangeiras. A necessidade de coesão social fomentou a criação de narrativas que gradativamente ajudaram a cristalizar um sistema de idéias sobre a expectativa da sociedade em relação ao papel do indivíduo. Nesse sistema, o "outro" é aquele que, deliberadamente ou não, se encontra isolado do convívio com seus semelhantes, ou não compartilha dos mesmos costumes e regramentos éticos e morais. Por isso, deve sofrer penalidades ou ser eliminado. Esse é o indivíduo nocivo à sociedade, o pilantra, o malfeitor. Em todas essas histórias ditas de fadas havia a intenção de se transmitir determinados valores ou padrões a serem respeitados pela comunidade ou incorporados pelo comportamento de cada indivíduo. É por esta razão que até hoje se vê o conto de fadas mais como um instrumento pedagógico de potencial educativo e disciplinador, utilizado como exemplo a ser incorporado ao comportamento social de cada indivíduo. E então, a título de curiosidade, se reescrevêssemos os tradicionais contos de fadas, num estilo bem brasileiro, incorporando anti-heróis tupiniquins, de relevantes malfeitorias, quem seriam eles? Renan poderia ser o Bicho Papão; Inácio daria um ótimo Capitão Gancho; Dilma, com certeza, encarnaria perfeitamente a Cuca, o jacaré-fêmea do Sítio do Pica-pau Amarelo; Zé Dirceu convenceria como Lobo Mau de rara eficiência; Maluf seria um autêntico Dick Vigarista; Zé Sarney interpretaria o Mancha Negra com louvor; Edmar do Castelo incorporaria majestosamente um dos Irmãos Metralhas, o 171!
Que magnífico livro daria, sob o título “Contos de ogros brasileiros”, seguramente um clássico para as futuras gerações obterem exemplos sólidos de como não ser e não fazer, para o bem de todos e felicidade geral da nação!
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*Nivia Andres, jornalista, graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, especialista em Educação Política. Atuou, por muitos anos, na gestão de empresa familiar, na área de comércio. De 1993 a 1996 foi chefe de gabinete do Prefeito de Santiago, Rio Grande do Sul. Especificamente, na área de comunicação, como Assessora de Comunicação na Prefeitura Municipal, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACIS), no Centro Empresarial de Santiago (CES) e na Felice Automóveis. Na área de jornalismo impresso atuou no jornal Folha Regional (2001-06) e, mais recentemente, na Folha de Santiago, até março de 2008. Blog da jornalista: http://niviaandres.blogspot.com/
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domingo, 2 de agosto de 2009

O ÍDOLO QUE A MÍSTICA DESNUDA
Equipe de Esportes da Rádio Diário nos anos 80. Em pé, da esquerda para a direita, Edward de Souza, Rolando Marques, Sidney Lima, Paulo Cesar, Norival Toledo, Aristides Vital e Jurandir Martins. Agachados: Luís Carlos Maia, Oswaldo Lavrado, Nelson Perdigão e Agostinho Agapito Assunção.

HISTÓRIAS DO RÁDIO

OSWALDO LAVRADO

Nenhum veículo de comunicação - teatro, cinema, circo, jornal, televisão, revista e, agora, a net - tem o poder do misticismo incrustado no rádio. Pelas ondas hertesianas, o ouvinte imagina o que lhe é transmitido pela voz. O tempo, a temperatura, a imagem da notícia, a cor e marca do veículo que passa, os galhos de uma árvore, a altura de uma onda e, especificamente, a fisionomia do locutor que lhes fala. Muitos radialistas impressionam o ouvinte pelo timbre da voz e com a impostação e/ou maneira de falar. Quem ouve, e de acordo com sua mente, cria a imagem do narrador. Um grande risco que o locutor de rádio enfrenta é um dia se apresentar pessoalmente ao ouvinte. Pode terminar alí uma história de amor imaginário, fiel e duradouro, porém frágil ao primeiro encontro. No meu caso específico enfrentei algumas situações embaraçosas e inusitadas. Com voz mais para gralha do que para Cid Moreira consegui, nos mais de 20 anos de microfone, preservar a figura absolutamente normal e compatível com minha personalidade e aparência física. Mas, mesmo assim, não escapei em uma ocasião de decepcionar uma fiel ouvinte. Assim que terminou uma solenidade que eu apresentava no Tênis Clube de Santo André, uma senhora, tipo 45 anos (não fui louco nem inconveniente de perguntar a idade dela) se aproximou e, meio tímida, indagou: “O senhor é o Oswaldo Lavrado, da Rádio Diário"? "Sim, sou, respondi". Meio sem jeito, que não conseguiu disfarçar, a mulher disparou: "imaginava o senhor mais alto, forte, olhos verdes e, me desculpe, mais jovem". Desejou-me uma boa noite, virou as costas e partiu em direção a porta de saída do salão.
Pois é, minha ex-fã radiofônica nunca imaginou que seu ídolo era um coroa (nessa altura eu já estava com 50 anos), 1.65 de altura, olhos castanhos e cabelos desalinhados e também castanhos. Estava longe do protótipo de Adônis que a senhora imaginava, infelizmente pra nós dois.
Entre outros locutores da rádio, três se destacavam pelo timbre de voz: Rolando Marques, Edward de Souza e Sidney Lima. Um trio com vozeirão de fazer inveja a qualquer Walker Blass e Antonio Carvalho (Rádio Bandeirantes), William Bonner (TV/Globo) e outros menos notáveis, mas que impostam ao máximo para tentar fazer bonito no rádio. Rolando, Edward e Sidney Lima, não precisavam desse expediente, já que foram privilegiados por Deus que lhes concedeu voz maravilhosa e absolutamente natural. Porém, igualmente fizeram admiradores (as) que além de idolatrar a voz imaginavam eles verdadeiros Brad Pitt radiofônicos.
Uma tarde de domingo no Estádio Bruno Daniel, do Santo André, estávamos na cabine de Imprensa aguardando o momento de entrar no Ar, quando surge um casal e três garotos, tipo 9, 12 e 15 anos. O quinteto subiu os mais de 120 degraus das arquibancadas para driblar o porteiro, adentrar as cabines e conhecer pessoalmente o nosso glorioso Rolando Marques, a Voz de Ouro do ABC. O casal chegou próximo da cabine onde eu estava e perguntou: "desculpe o senhor é o Rolando Marques?". "Não, respondi - o Rolando é aquele ali", indicando o grupinho onde estava nosso narrador. Acompanhei o casal e os adolescentes: " Rolando, esse pessoal subiu até aqui especialmente pra te conhecer". Tímido e humilde, como sempre, Rolando esticou a mão e cumprimentou todos. Ficou lisonjeado e um tanto ruborizado pela surpresa. No entanto, o garoto mais jovem, fã incondicional do nosso narrador até aquele momento, disparou uma inconfidência: " desculpe, mas achei que o senhor fosse bem mais jovem e vistoso". Nada mais foi dito nem perguntado. O menino, em sua inocência traduziu, talvez, o pensamento dos pais e de seus irmãos. Rolando Marques, o melhor narrador da história do rádio da região, eleito pelos ouvintes das quatro emissoras - ABC, Diário, Clube e Cacique - A Voz de Ouro do ABC, não tinha a aparência de um Antonio Fagundes, a imponência de um Toni Ramos e menos ainda a juventude de um Marcos Palmeira. Rolando era gordo, tipo Jô Soares, calvo e já passado dos 50 anos. O casal e os filhos certamente continuaram admiradores da voz de Rolando, porém, acredito, nunca mais se interessaram em tentar conhecer pessoalmente um possível ídolo radiofônico. Rolando morreu em julho de 1994. Para os fãs do Edward a frustração foi menor, mas não menos traumática. Locutor de programas musicais, narrador esportivo da Diário e correspondente da Globo/CBN no ABC, oriundo de Franca, Edward tinha um sem número de admiradores espalhados por onde chegava o som das três emissoras. Mas foi no ABC, mais precisamente em São Bernardo, que o mico acomodou-se por algumas horas no ombro do Edward de Souza. Uma noite de domingo, após o trabalho da equipe em São Caetano num jogo do Saad, estávamos na Padaria Royal, na Marechal Deodoro, Centro de São Bernardo. Era, então, o mais antigo e tradicional ponto de encontro da cidade sendo inclusive citada na coluna "Memória", do nosso Ademir Medici, no Diário do Grande ABC. Ao redor do esticado balcão da padaria estava o grupo da Diário: Edward, Lavrado, Luis Carlos Maia (plantão), Jurandir Martins (repórter), Reinaldo Nascimento, Aristides Murara e Agapito Assunção (operadores de som) e o Lampião, nosso motorista preferido. Em determinado momento adentra a padaria um quarteto de rapazes que se instala bem próximo ao nosso pessoal. Um deles, um pouco mais "alto" se aproxima e, sem cerimônia, pergunta: "Quem é o Edward de Souza?". O Lampião (sempre ele) estica o braço e indica: "È aquele ali, de bigode". Bingooo, o francano era o único do grupo que usava, e ainda usa, esse inútil instrumento, o bigode. O rapaz abraçou o Edward, beijou-lhe o rosto, disse que era ouvinte da rádio Diário e da CBN, elogiou a equipe e confessou ser um grande admirador do nosso francano, então vestido com sua indefectível jaqueta de couro puro. Mas, como todo sujeito que está um pouco pra lá de Bagdá - já havia tomado algumas - acha que é mais sincero que os outros (talvez seja), o rapaz, de nome Vanderlei, disse, num estalo: " Olha vou ser honesto com vocês. Adoro a voz do Edward, mas não esperava que ele fosse assim, gordinho e com aparência de gato molhado". Ninguém ousou argumentar o contrário com o fã do nosso querido amigo-irmão e nem o momento sugeria contestação. Assim, nada mais foi dito ou perguntado. Não precisava.
Já Sidney Lima, dono de um vozeirão, dividia seu trabalho na rádio como programador musical e repórter esportivo. Arredio e pouco comunicativo com os ouvintes, Ney Lima nunca arriscou a ser abraçado pelo mico, cena comum, como já dito acima, aos profissionais que ficam em estúdio ou num estádio tendo apenas a voz como mercadoria oferecida ao cliente, no caso o ouvinte. Ney, ao contrário de todos nós, preferia não se expor e se alguém fosse até a rádio para conhecê-lo, simplesmente orientava a recepcionista para dispensar, delicadamente, o fã ainda na entrada da emissora. Tímido, Nei Lima, guardadas algumas proporções, recorria ao mesmo expediente usado com sucesso pelo radialista Zé Bétio que, por se achar muito feio, quase nunca mostrou o rosto, e pelo locutor Luiz Lombardi (que é de Santo André e amigo meu e do Edward) locutor oficial do Sílvio Santos e que jamais apareceu para o público. Lombardi tem programa matinal na Rádio ABC (Santo André), porém não recebe nenhum ouvinte, ao contrário de seu filho, Lombardinho, DJ de rádio FM, que vive cercado de fãs.
Essa uma pitada da vida e do cotidiano do radialista, cuja primeira lição profissional é não se empolgar com um provável sucesso, que pode ser efêmero, e, em função disso, expor sua aparência ou desnudar seu maior trunfo: a mística que um locutor de rádio cria de seu personagem oculto para o ouvinte. Isso, mesmo para um radialista de sucesso, pode ser fatal.
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* Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista, trabalhou por muitos anos no Diário do Grande ABC - rádio e jornal - e dirigiu a equipe de esportes da Rádio Diário por 10 anos. Recebeu a Medalha João Ramalho, juntamente com a equipe de esportes da Diário, pela organização da Copa Infantil de Futebol do Grande ABC que reuniu cerca de 1,7 mil garotos entre 7 e 12 anos. Atualmente é editor do semanário Folha do ABC.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

NO BRASIL, QUEM TEM UM OLHO É REI

OS INTOCÁVEIS
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J. MORGADO
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O filme e a série "Os Intocáveis”, nos mostram os anos 30 nos Estados Unidos, mais precisamente em Chicago, o crime organizado combatido por policiais incorruptíveis. Eu disse o filme. Não sei se a ficção corresponde à verdade. Essa mesma violência foi combatida em Nova Iorque e em muitos outros locais daquele país com o tão propalado plano “Tolerância Zero”. Os resultados foram ótimos. A criminalidade baixou consideravelmente! Este pequeno arrazoado poderia ser entendido assim: lá vem o J. Morgado falando de tolerância zero outra vez. Não meus amigos. Pretendo inverter a situação. Os intocáveis a que me vou referir não são policiais. Vou falar do governo de nosso país que deveria ser incorruptível.
Nesta tão sofrida Nação, “quem tem um olho é majestade”. Refiro-me a riquezas astronômicas aliadas aos mandatos eletivos, que começam com o de presidente, passam pelo congresso e terminam com o de vereador. Depois, vêm os nomeados (parentes, amigos, etc.). E as “eminências pardas”? Estes são aqueles que “governam” por trás dos mandatários. Sempre há um! Ficam na obscuridade, mas, são os que se locupletam com o erário público e negociatas. Usam os “laranjas” e alguns nem se importam com isso. Confiam que nunca serão descobertos ou no tal “jeitinho brasileiro” ou corrompendo e sendo corrompidos por funcionários públicos e até mesmo por altos funcionários de empresas privadas nacionais e estrangeiras. Os eleitos gozam de fórum privilegiado se pegos com a mão na massa. Os ministros só podem ser julgados pelo Supremo (salvo engano) e os outros contam com a morosidade e os meandros da justiça. Os advogados...? Caríssimos! São pagos pelo que foi “desviado”! Surpreendente, se não fosse trágico.
Nas cadeias, os bandidos e rufiões de todos os naipes. Afinal cadeia não foi feita para os criminosos de colarinho branco. E quando acontece um caso, o indivíduo goza de todas as regalias que o dinheiro pode conseguir. Fala-se muito em policiais corruptos, no entanto tem-se notícia que os presídios destinados a esses profissionais vivem lotados. Sinal que as corporações lutam para que o mal seja debelado ou pelo menos diminuído, mesmo com o pouco caso que as autoridades eleitas fazem da segurança pública neste país. Novelas como o caso do banqueiro Dantas se arrastam. Será que isso aconteceria em um país de primeiro mundo? Fortunas conseguidas de maneira “misteriosa”, não são declaradas no imposto de renda! Coitado do assalariado que fizer isso!
E os “trens da alegria”? Uma prática proibida, mas que os “nobres” parlamentares e o governo sempre acham uma maneira de driblar através de concursos fajutos ou outras manobras infames. Os “cabos eleitorais” precisam ser resguardados.
E agora, surpreendam-se aqueles que ainda não viram os noticiários nos jornais escritos e televisivos. Viramos “lixão” do mundo! Em vários portos brasileiros, toneladas de lixo adicionado em contêineres vindos da Inglaterra. E pasmem! Segundo as últimas notícias um brasileiro radicado no Reino Unido está por traz dessa estupidez. Acostumados a enviar a podridão doméstica para a África e outros locais de terceiro mundo, estão fazendo o mesmo com o Brasil.
Poderia aqui ir escrevendo, escrevendo... Seriam muitas laudas para se mencionar apenas uma parte do que esses “intocáveis” fizeram e continuam a fazer e, provavelmente, ainda continuarão a fazer por muito tempo. Assim, meus amigos, aqui no Brasil o governo não nomeou policiais com carta branca para acabar com o crime organizado. Afinal, os Intocáveis são eles!
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*J. Morgado é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. Morgado escreve quinzenalmente neste blog, sempre às sextas-feiras. E-mails sobre esse artigo podem ser postados no blog ou enviados para o autor, nesse endereço eletrônico:
jgacelan@uol.com.br
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Como a imprensa de hoje contaria a
história de Chapeuzinho Vermelho

ÉDISON MOTTA

As diferentes versões sobre o que aconteceu e o estado de saúde do piloto Felipe Massa, da Formula 1, que sofreu um acidente no último sábado, fazem lembrar uma brincadeira interessante, que corre na internet. Ela demonstra como os atuais veículos de comunicação contariam a história de Chapeuzinho Vermelho, conforme o ângulo de suas respectivas linhas editoriais.
Seria mais ou menos assim:
JORNAL NACIONAL
(William Bonner): “Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...” (Fátima Bernardes): “... Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia.”

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): “... que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”


BRASIL URGENTE
(Datena): “... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.”

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
'
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: “Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador”.Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico, mostrando como Chapeuzinho foi devorada, e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador, ligado ao PT, que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte.) Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa”.

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte) Veja o que só o lobo viu...

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! Mito ou verdade?

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A mesma história, em versões diferentes

Os nossos amigos e amigas que acompanham este Blog, especialmente os estudantes de jornalismo, já devem ter se perguntado, mais de uma vez, afinal o que é a imparcialidade? Aprendemos desde os primeiros dias nos bancos das faculdades – agora relegadas a um segundo plano para o exercício da profissão – que o jornalista precisa ser imparcial. No mínimo, ouvir os dois lados de uma questão. Mas, como aferir a imparcialidade se o texto que vai preparar será aproveitado ou não conforme a linha editorial do veículo onde trabalha?
Alguma reportagem que enaltecesse algum feito do Partido dos Trabalhadores teria espaço no estadão? Da mesma forma, neste mesmo jornal alguém já viu publicada alguma notícia dando conta da exploração que o sistema financeiro faz das pessoas, especialmente as mais humildes, nas filas dos bancos ou no vexatório sistema de portas giratórias das agências?
A Rede Globo não tem qualquer interesse em investigar os financiamentos concedidos pelo BNDS assim como a Record não abre espaço para a exploração que muitos pastores fazem da fé, especialmente aqueles que chantageiam os fiéis para que vendam suas casas e demais propriedades para comprar um lugar no céu.
Imparcialidade, diriam os experientes mestres do jornalismo, não existe. Com ética e zelo profissional é possível buscar a verdade, ouvindo não apenas dois, mas quantos forem os lados implicados numa questão. Um texto que respeite o leitor haverá sempre de posicioná-lo como principal objetivo do trabalho jornalístico. Assim como não convém subestimar sua inteligência, não é prudente querer induzi-lo a esta ou aquela conclusão.
A busca pela imparcialidade, que sempre esbarra no interesse pelo sensacionalismo deste ou daquele veículo, é antes de tudo a eterna procura do equilíbrio. Qualquer leitor, ouvinte ou telespectador, por mais iletrado que seja, desconfia das informações sensacionais. Talvez por isso, a imprensa padeça, nos dias atuais, da falta de credibilidade de grande parte das pessoas. Que sempre enxergam, por traz do bombardeiro diário de informações que recebem, algum interesse escuso não revelado.
Em parte, a desconfiança não é descabida. Como estamos todos envolvidos no mesmo turbilhão, o ser humano comum é atacado em seu bom senso principalmente pelos meios eletrônicos – rádio e TV. Poucos têm tempo para se aprofundar no assunto e o que foi ao ar passa a ser verdadeiro, mesmo que logo mais à frente seja desmentido. Felizmente, temos hoje a internet. E, nela, espaço para debate e desmistificação de informações que não se sustentam. A imparcialidade, cada vez mais, ficará por conta do próprio leitor. Que, através do garimpo entre as mais diferentes fontes de informação poderá selecionar, gradativamente, os veículos que lhe forem mais confiáveis. Chapeuzinho vermelho e o lobo mau continuarão, indefinidamente, se apresentando, para uns e outros, conforme o gosto do publico alvo a que se destina o veículo de comunicação. Uma lenda que, outrora, esteve restrita a apenas uma única versão.

*Édison Motta, jornalista e publicitário é formado pela primeira turma de comunicação da Universidade Metodista. Foi repórter e redator da Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil; editor-assistente do Estadão; repórter, chefe de reportagem, editor de geral (Sete Cidades) e editor-chefe do Diário do Grande ABC. Conquistou, com Ademir Médici o Prêmio Esso Regional de Jornalismo de 1976 com a série “Grande ABC, a metamorfose da industrialização”. Conquistou também o Prêmio Lions Nacional de Jornalismo e dois prêmios São Bernardo de Jornalismo, esses últimos com a parceria de Ademir Médici, Iara Heger e Alzira Rodrigues. Foi também assessor de comunicação social de dois ministérios: Ciência e Tecnologia e da Cultura. Atualmente dirige sua empresa Thomas Édison Comunicação.