quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

QUARTA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2011
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PRAGA ELETRÔNICA

Edward de Souza

Pedimos a compreensão dos nossos amigos e amigas que diariamente nos prestigiam neste blog, pela pequena pausa obrigatória, promovida nestes três dias da semana, provocada pela invasão de hackers durante a madrugada. Para passarem despercebidos, entram sempre em postagens anteriores, comunicando-se em grupos e muitas vezes infestando o blog com mensagens sem nexo ou com palavras de baixo calão, em idiomas diversos. Japoneses são os que mais usam nosso blog, 24 horas liberado para as postagens. Resolvemos fazer uma faxina – temendo o envio de vírus - retirando todos estes spams, a começar pela primeira matéria editada no dia 4 de janeiro de 2009. Isso leva tempo, somos obrigados a ler matéria por matéria e temos hoje mais de 530 editadas, por esta razão, espero que entendam esta paralisação. Tudo voltará ao normal nesta sexta-feira, quando estaremos editando mais uma matéria especial e sempre muito aguardada, escrita pelo jornalista J. Morgado. Por enquanto os comentários estão sendo moderados e vamos estudar uma fórmula para que sejam liberados durante a manhã, tarde e parte da noite, passando a ser monitorados durante a madrugada, período escolhido pelos ratos estrangeiros para bagunçar nosso blog.
Spam, para quem não conhece a expressão, é o nome dado para as mensagens eletrônicas, e-mails, recados em blogs (nosso caso), sites ou mensagens no celular, que são enviadas sem o seu consentimento. Em outras palavras, spam é um lixo eletrônico, utilizado principalmente para fazer propagandas e em casos mais graves, enviar pornografia, vírus ou pior ainda, roubar informações de sua conta corrente, por exemplo.
Encontrei explicações melhor no Wikipédia, a enciclopédia livre, sobre a origem deste nome spam, na verdade, um alimento feito de carne pré-cozida e enlatada pela empresa Hormel Foods Corporation. Seu nome vem do acrônimo formado a partir dos termos ingleses Spiced Ham, que em português significa fiambre condimentado. Este tipo de comida era considerado de baixa qualidade, desta forma, na década de 70, um grupo de comediantes chamado Monty Python fez um esquete satirizando a duvidosa qualidade do presunto. O esquete se passa em um restaurante, que serve grandes quantidades de Spam em todos os pratos, mesmo contra a vontade dos fregueses. A partir de então, spam virou sinônimo de tudo que é enviado em grande quantidade e sem o consentimento do destinatário.
Se quiserem deixar algum comentário ou recado sobre o assunto, ou mesmo qualquer outro, fiquem a vontade, todos serão liberados na medida do possível.
Grato pela compreensão e reitero o pedido para que acessem o blog nesta sexta-feira, logo pela manhã e acompanhem mais uma crônica especial de J. Morgado.

Obrigado...

Edward de Souza
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

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Na tentativa de desanuviar um pouco o clima tenso dos últimos dias, carregado pelo noticiário cotidiano sobre catástrofes provocadas por excesso de chuvas, ou a falta delas, que assola várias regiões do Brasil, relatamos algumas aventuras por que passam os profissionais da imprensa esportiva. Na maioria das vezes, os personagens são figuras pouco conhecidas do público, porém tem igual ou mais importância de locutores, comentaristas ou repórteres. São os operadores de som, responsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma transmissão externa.
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Um domingo de calor intenso, de uma tarde de março dos anos 80, a equipe de esportes da Rádio Diário do Grande ABC estava na cidade de Novo Horizonte para transmissão de um jogo de futebol entre Novorizontino e Santo André, pelo Paulistão. O time da casa debutava no campeonato e tudo na cidade referente ao futebol era novidade. O estádio da cidade passou por reformas improvisadas como a construção de arquibancadas e cabines de Imprensa para o que campo pudesse ser aprovado pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Para tanto, foi necessário dividir uma avenida em dois espaços para abrigar as novas instalações. A praça em frente ao campo fervilhava, já que, mesmo sendo um time modesto, o Santo André era atração.
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Para alcançar as cabines, os jornalistas passavam por, no mínimo, cinco portarias com a obrigação de apresentar a credencial aos fiscais do clube e da FPF. Superados os obstáculos, chegamos ao espaço reservado à Rádio Diário. Um tanto atrasado com as paradas pelo caminho para a apresentação do documento, nosso operador de som, Aristides Murara, jovem de cabelos longos e encaracolados, porém de pavio pequeno, não conseguia fazer contato com a central da rádio, em São Bernardo. O tempo passava e essa pendenga irritava cada vez mais o pessoal da equipe, especialmente eu que comandava o grupo e ficava no pé do rapaz, já a ponto de explodir. Murara corria entre a cabine, o campo, (onde estava a linha do repórter) e, claro, se desgastava em discussões com o pessoal da telefônica, responsável pela conexão Novo Horizonte/São Bernardo.
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Em determinado instante entra na cabine uma moça, identificando-se como Salomé e dizendo ser relações públicas do G.E. Novorizontino. Interrompeu nosso trabalho, já que o espaço da cabine era pequeno, uma vez que lá se encontravam dois caras da telefônica, o Murara, eu, e o narrador Edward de Souza. O clima era tenso, habilmente ignorado por Salomé. Simpática e falante (não poderia ser diferente) a moça, mesmo percebendo nosso desespero por não conseguir colocar a rádio no ar, falou que o clube iria presentear cada integrante da Imprensa com um par de sapatos oferecido por uma fábrica da cidade. Para tanto ela precisava saber o número que cada um calçava.
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Por azar, ou destino, Salomé elegeu o Murara como o primeiro a revelar o tamanho de seu calçado: "por favor, senhor, qual o seu número?", perguntou Salomé. Com o fone nos ouvidos, irritado, vermelho do sol e espumando de raiva, Murara reperguntou: “não entendi, quer repetir". A moça, com uma prancheta e uma caneta nas mãos, renovou o apelo: "qual o seu número?". Sem atinar direito o que Salomé queria, e lembrando o bando de fiscais que lhe pediram o número da credencial, Murara foi curto e grosso: "254 e, por favor, deixa a gente trabalhar". Salomé não entendeu bulhufas e, sem se despedir, deixou a cabine. Mesmo tensos com o piripaque da linha, todos caímos na gargalhada. Murara forneceu a Salomé o número de sua credencial. Pendenga com a linha resolvida, jogo transmitido, retorno a São Paulo, o assunto, até pra descontrair, foi o presente prometido pela Salomé, que, claro, nunca chegou a nossas mãos, muito menos aos pés.
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Um ano depois o Novorizontino já possuía outro estádio, mais moderno e aconchegante, construído em uma das fazendas de seu presidente, Dr. Jorge Ismael de Biasi, um dos agropecuaristas mais abastados da região. Das cabines de imprensa podia se avistar as vacas pastando tranquilamente. Voltamos a Novo Horizonte outras vezes, porém nunca mais tivemos notícias da simpática Salomé. O mesmo Aristides Murara, meses depois, se envolveu em pendenga com um fiscal da Federação, pois estava sem camisa no campo do Guarani, em Campinas, uma tarde onde o calor beirava 40 graus. Porém isso é assunto para outro artigo, mais à frente, aqui neste blog.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC
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domingo, 23 de janeiro de 2011

SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 2011
A imprensa nestes últimos dias tem se ocupado das tragédias que ocorreram em várias partes do Brasil e, especialmente, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Centenas de mortes e muitos desaparecidos além de uma infinidade de desabrigados. Fotos e imagens tristes de se ver. Caixões enfileirados esperando uma cova rasa que não existe. O cemitério (os) não tem vaga para tantos enterros. De quem seria a culpa por essa tragédia?

Nas matérias de Oswaldo Lavrado e Edward de Souza, “Tragédia Brasileira”, “Dilúvio Esperado” e “ABC é Agora a Bola da Vez”, muito foi escrito pelos jornalistas e comentaristas. Acredito que ainda não foi dito tudo. Nos próximos dias, provavelmente surgirão novidades mais estarrecedoras. Afinal, os culpados que tentam se eximir de qualquer responsabilidade farão discursos demagógicos. Aproveitar-se-ão da ingenuidade daqueles que usam os jornais apenas para “higiene pessoal” e, certamente, ganharão muitos votos nas próximas eleições.

Os “ratos de esgoto”, aqueles de duas pernas, estão aparecendo. Surpreendidos, mostram uma cara de espanto e de medo como aqueles exibidos pelo jornal da TV Bandeirante no dia 18. Os indivíduos estavam desviando donativos para uso próprio. Policiais rodoviários federais os surpreenderam, prendendo-os em flagrante. Serão processados e condenados certamente. Mas, e aqueles ratões? Enormes, ambiciosos, que esfregam as patinhas de satisfação pelo botim? Um botim continuado e sem fim!

Com todas essas tragédias, o mundo continua girando. Notícias aqui e ali. Infelizmente a maior parte delas, negativas. Mas há sempre algumas que nos dão esperança de dias melhores. Os ex-desabrigados de Alagoas oferecem ajuda para nossos irmãos do Rio de Janeiro (UOL). Eles que há sete meses sofreram com as enchentes. São muitos os atos de solidariedade. Exemplos que se multiplicarão e um dia...

Por outro lado, a burrada do ex-presidente Lula que manteve o bandido Battisti no Brasil como refugiado político está fedendo cada vez mais. O Congresso italiano, por unanimidade, exige que o Primeiro Ministro não meça esforços para a extradição do assassino.

Uma decepção. O senador Pedro Simon (foto) (PMDB), que, particularmente eu pensava ser um político impoluto está se aproveitando da fragilidade das leis feitas por corruptos e pediu aposentadoria por ter sido Governador do Rio Grande do Sul. Já está recebendo uma grana preta. Tudo isso e mais os proventos dos parlamentares. Provavelmente dentro em pouco também receberão aposentaria pelo tempo que serviram ao Congresso.

Mais um escândalo envolvendo uma das cavernas de Ali Babá (Folha de São Paulo do dia 17/1/011). Desta vez, é na Funasa, um órgão ligado ao Ministério da Saúde. 500 milhões de Reais. Desde 2005, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) é controlada pelo PMDB. Um órgão sempre disputadíssimo pelos donos do “puder”.

Lembra-se do Delúbio? Aquele que foi tesoureiro do PT e acusado do “escândalo do mensalão”. O cara está articulando para voltar ao Partido e tem apoio dos ministros da Dilma (Folha de São Paulo -17-1-011). Dentro de alguns meses, o caso será julgado pelo STF. Estou achando que aí tem coisa!
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

QUINTA-FEIRA, 20 DE JANEIRO DE 2011
Ao que parece São Pedro resolveu transformar São Paulo e a Região do ABC Paulista na bola da vez. O amigo Mauricinho de Castro, chefe do cerimonial da Prefeitura de São Bernardo do Campo, nos enviou estas fotos, tiradas por ele e amigos pelos celulares, do ocorrido nesta última terça-feira na cidade de São Bernardo do Campo, “Capital do Automóvel”, berço das grandes montadoras, com mais de um milhão de habitantes e um PIB superior a 29 trilhões de reais por ano, superando 9 capitais do Brasil. A cidade foi encoberta pelas águas, conforme mostram as fotos, a maioria delas tiradas no centro da cidade, onde pode ser avistado o Paço Municipal alagado. Em duas fotos o desespero de um cidadão tentando, a princípio, empurrar o carro, como não conseguiu e estava também sendo levado, não pensou duas vezes e subiu sobre o capô do veículo. Vão-se os anéis, ficam os dedos, deve ter pensado neste momento de tremendo sufoco. O caos atingiu também as cidades de Santo André, São Caetano, Diadema, Ribeirão Pires e Mauá. Esta última cercada de morros e encostas, já contabiliza 6 mortes até este momento.
Eu conversava, terça-feira a noite, pela internet, no momento em que as chuvas alagavam o ABC, com a deputada estadual Vanessa Damo, eleita por Mauá, onde reside. Seu pai, Leonel Damo, foi prefeito da cidade. Hoje o prefeito é Oswaldo Dias, do PT, que foi reeleito. Vanessa estava aflita e em determinado momento exclamou: “meu Deus, uma mulher acaba de ser arrastada pelas chuvas no Jardim Zaíra e morreu”. A deputada havia recebido a informação pelo celular. Logo nossa conversa foi interrompida. Soube que toda a cidade de Mauá tinha ficado sem energia elétrica. Horas depois o nosso querido amigo “Bola” entrava no blog e dava a triste notícia da morte desta senhora que tentava salvar os netos, atirando-se nas águas. Foi a sexta vítima fatal em Mauá, das fortes chuvas que continuam castigando São Paulo e o ABC.
O cenário nas ruas de muitas destas cidades do ABC ainda no dia de hoje é arrasador, com muita lama, árvores e galhos de árvores espalhados em todos os cantos. No Jardim Zaíra, em Mauá, um reservatório que comporta 105 mil metros cúbicos, não suportou a quantidade de água e extravasou, informam os jornais da região. Quem mora vizinho perdeu praticamente tudo. A cidade está sem água, a última notícia que acabo de ler no Diário do Grande ABC. A Prefeitura desta cidade decretou estado de emergência nas áreas atingidas. O decreto vale por 90 dias e será encaminhado nesta quinta-feira para homologação do governo do Estado. Se aprovado, a população atingida poderá sacar parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), entre outros benefícios.
É preciso muita atenção com a situação das dezenas de casas que foram construídas no Morro do Macuco, em Mauá. Eu tinha uma foto, não encontrei, mas prometo ainda mostrá-la, deste local. A semelhança onde ocorreram as tragédias na Região Serrana do Rio de Janeiro com este morro em Mauá é enorme. Para quem vê a foto e não conhece o Morro do Macuco, pode até imaginar que tenha sido tirada naquela região do Rio de Janeiro. Providências urgentes devem ser tomadas, o Morro do Macuco, em Mauá, é, hoje, mais uma tragédia anunciada.

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CAOS NO ABC PAULISTA
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TERÇA-FEIRA, 18 DE JANEIRO DE 2011

FOTOS AE: WILTON JUNIOR - MARCOS DE PAULA E JOSÉ PATRÍCIO
As águas que despencam do campo azul inundam não apenas cidades, mas também almas. Muitas ainda secas de sentimentos e isentas de esperanças. O sonho de ver um rio de alegrias jamais sentido por tais seres. Outras almas fartas de tudo, imponentes, intocáveis para os homens, mas frágeis aos céus. Não há como saber o propósito e a intensidade dessas águas das chuvas, dos dilúvios que sempre alastram a terra. Mas uma coisa é certa, é preciso chover, deixar a chuva cair. É preciso ajudar constantemente, deixar os braços se abrirem.

As enchentes, as ventanias, os fenômenos naturais que assolam o homem despertam o lado humano dos seres. O homem, em sua totalidade, só consegue ser o reflexo da benevolência divina em momentos trágicos. A constância do bem não faz parte da natureza humana. As ações cotidianas de ajuda, raras vezes, são tão fortes quanto à comunitária e apelativa solidariedade dos tempos de pavor. É claro que existem almas repletas de altruísmo que agem caladamente. Abrem suas gargantas para os mais necessitados e, em momentos de grande crise, não economizam palavras para clamar auxílio. A essas almas deveriam se ajuntar todas as outras almas que, frente a um terror tão intenso, abrem os braços, outrora fechados, para estender um pedaço de pão ou um agasalho.

Campanhas de solidariedade bem marcadas durante o ano, como o Natal sem fome. Único momento anual de certeza da não mendicância. No Natal, poderão comer um pouco mais de arroz e feijão que, durante todo o ano, são tão minguados quanto o sentimento vital de tais seres. Roupas, brinquedos, presentes natalícios que crianças só vêem uma vez ao ano. Seus brinquedos devem durar exatamente doze meses, instante em que são renovados. Nesse intervalo, a imaginação e criação pueril entram em vigor. Assim são os olhos racionais que não querem ver o seu próximo sem um sorriso nos lábios durante o nascimento do Senhor.
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Aos períodos de festividades, sobretudo religiosos, atrelam-se os tempos de horror ocasionados pela natureza. Há aqui um vocativo marcadamente conativo. O tão conhecido sensacionalismo televisivo desperta uma comoção originária inexistente. Vibra-se mais por uma morte que por um nascimento. Nas capitais, quando uma criança é arremessada de uma janela, campanhas contra violência e morte aos culpados. Entretanto, no grotão brasileiro, crianças são lançadas todos os dias na lama, violentadas, trastes imundos.

O choro dos que perdem moradias por causa das enchentes deve, sim, ser lamentado. O desespero deve ser, sim, acalentado. Campanhas devem ser feitas. As cenas trágicas devem, sim, aparecer nas telas de cada casa não submersa. Porém, todos os dias, há milhares de casas que são inundadas de ódio, desespero; casas que são inundadas de calor e sequidão. No sertão nordestino e em gretas desse vasto Verde-Amarelo, há tantos querendo aparecer na mídia para que a Defesa Pública olhem para eles. Há tantos querendo um copo d’água, ainda que seja dos lamaçais dessas enchentes.
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Por que fechar os olhos para os que perpetuamente sofrem desde arcaicas eras? Não perderam casas em enchentes nem familiares, mas não vivem dignamente há tempos. Suas vidas são enchentes. Que as tragédias da vida permitam descerrar os olhos e enxergar durante todo um ano, toda uma vida. E ver que as mãos que hoje levantam provisões possam levantá-las perenemente. E que as lentes das câmaras possam se tornar autônomas e flagrarem o sofrimento oculto de seres que esperam um dilúvio. Um dilúvio de humanidade...
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*Edward de Souza é jornalista e radialista
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Os municípios mais afetados pelas chuvas estão recebendo doações de dinheiro em contas abertas pelo Banco do Brasil em nome das prefeituras municipais. Para fazer doações, os números de agência e conta são os seguintes:

Areal

Agência: 2941-6

Conta corrente: 15708-2

Bom Jardim

Agência: 1652-7

Conta corrente: 20000-X

Nova Friburgo

Agência: 0335-2

Conta corrente: 120000-3

Petrópolis

Agência: 0080-9

Conta corrente: 76000-5

São José do Vale do Rio Preto

Agência: 0080-9

Conta corrente: 77000-0

Teresópolis

Agência: 0741-2

Conta corrente: 110000-9

A cidade de Sumidouro, até a tarde de ontem, segunda-feira, não tinha conta corrente para doações devido à dificuldade de comunicação entre a agência bancária local e a Prefeitura.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2011


Os repetidos desastres ocorridos nos últimos tempos em várias localidades brasileiras e em diversas partes do mundo merecem, muito mais que lamentações, reflexões objetivas. O que está acontecendo com os deslizamentos de morros no Rio de Janeiro é reprise, em maior escala, do registrado no ano passado, que desnuda a insensatez dos governos e o desdém da população. A quota do desastre carioca, que supera 600 mortes, não é mais simples advertência, é fato. Alguém, em outros tempos, já preconizava: “a natureza não se vinga, retoma o que é seu". Faz sentido.

Para nós aqui do ABC fica claro que acidentes do tipo emergentes estão prestes a acontecer, já que é grande o número de moradias (barracos e alvenaria) ao redor dos morros e a beira das represas Billings e Guarapiranga, que margeiam toda a região e parte da Zona Sul capital paulista. O entorno desses mananciais está loteado por gente humilde que, premida pela necessidade, construiu residência em áreas de risco e, mesmo alertados pelo óbvio, insiste em permanecer no local. Em Mauá, também aqui no Grande ABC, há menos de um mês, o movimento de terra provocou a morte de várias pessoas, entre elas crianças e idosos. Pela topografia, o Rio de Janeiro e cidades semelhantes são o alvo preferido de catástrofes anunciadas. Nesse quesito, o ABC está incluído.
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A ocupação de glebas em pé de serra, no topo da montanha e nos arredores de rios, lagos e represas, indica com visibilidade cristalina que a indevida invasão de áreas pertencentes a natureza terá como retorno a inevitável tragédia. Em todo o ABC, exceto São Caetano, cerca de 200 mil pessoas vivem em áreas de risco. Na Região Metropolitana de São Paulo esse número supera aos dois milhões. O Litoral paulista é, igualmente, imenso manancial perigoso de moradias construídas em áreas de risco, que a qualquer momento pode explodir em desgraças naturais. E a chuva não para. O argumento da necessidade premente e absoluta falta de opções dos que insistem em ocupar ou permanecer nesses locais, não justifica colocar em risco a vida de pessoas, especialmente filhos, pais, avós e a própria.

Os recentes acontecimentos ocorridos em várias partes do Brasil não sensibilizam os que moram a alguma distância das tragédias. A desgraça salta aos olhos e alerta para o bom senso, porém o infortúnio parece rondar apenas a casa alheia. A TV mostra, à exaustão, todos os lances do epílogo carioca que comove o País e é notícia no mundo, mas que não serve de alerta aos que insistem em desafiar o imponderável. Daqui alguns dias a tragédia da Cidade Maravilhosa, como todas as outras, irá se perder no tempo e no espaço, ficando apenas na lembrança dos diretamente envolvidos.
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Aliás, e a propósito, parte do povo carioca parece mesmo ter pouco se comovido com a dantesca cena que enluta e abala o Brasil, pois durante o caos, estava na Gávea, festejando, ao som de bateria de escola de samba, a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Flamengo. Uma heresia.
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Os governantes, insensíveis às tragédias alheias, e o povo, que insiste em montar barraco ao pé do morro ou construir mansão no topo da montanha, não podem ficar isentos de responsabilidades e culpas. Em ambos os casos as vítimas caminham em direção a mesma vala, sem discriminação à miséria ou opulência. Desta vez a natureza decidiu reaver seu espaço e, para tanto, está agindo com força total. E, ao que tudo indica, a ação não irá cessar apenas no trágico aviso enviado ao Brasil, via Cidade Maravilhosa, e outras paragens tupiniquins.
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*Oswaldo Lavrado é jornalista/radialista radicado no Grande ABC
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

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A esperança seria a maior das forças humanas se não fosse o desespero” (Vitor Hugo). Para se registrar todos os casos que levam o ser humano ao desespero, seriam necessários muitos volumes para se descrever o horror de cada uma das situações. Quantos de nós já não passamos por problemas ou situações desagradáveis. É evidente que de acordo com nossos interesses materialistas tudo deveria ser resolvido como num passe de mágica. Afinal, é isso que o ser humano busca, resolver situações desgostáveis de acordo com vontade dele. Um pequeno milagre e tudo se resolveria. Infelizmente, a coisa não é assim; “colhemos o que plantamos”.

Nos dias de hoje, quando os vícios imperam e os homens de perdem em um túnel tenebroso, escuro e sinistro, levando-os muitas vezes ao suicídio ou a morte por problemas psiquiátricos, psicológicos ou simplesmente por abandono de si mesmo, parece que a palavra esperança é totalmente ignorada por desconhecimento dos valores inseridos dentro do imo de cada ser humano. Valores estes que durante séculos foram calcados na memória da humanidade.
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Filósofos mil deixaram através dos tempos, lições de moral e conduta. Jesus com a divulgação do código de conduta divino deu-nos um roteiro seguro para podermos trilhar a vida (ou vidas) de maneira a não nos enlamear-nos nos pântanos do mal. A mídia nos relata todos os dias casos ou situações de intensa gravidade; casas que desabam e seus moradores soterrados nos escombros; chuvas intensas que fazem transbordar rios e riachos e que ceifam muitas vidas; incêndios, afogamentos e um cem números de ocorrências que em muitas vezes provocam situações em que a morte fica por um triz.

Para exemplificar, vamos mencionar o caso ocorrido no Chile, quando mais de trinta mineiros ficaram presos nas profundidades de uma mina e depois de meses foram finalmente resgatados. A solidariedade entre eles, juntando-se todos a um ato de fé e esperança, fizeram que enxergassem no fim do túnel tenebroso e escuro, uma luz. Uma luz que indicava a solução possível. Uma solução que dependeria de muita paciência e irmandade entre os que ali se encontravam e seus salvadores. Em circunstâncias particulares, muitos procuram o suicídio, quando casos íntimos acontecem devido a uma infinidade de fatores, entre eles, dívidas, traições conjugais, rivalidades ou simplesmente por se sentirem perdidos em enormes problemas (para eles). Enganam-se achando ser esta a solução para os seus problemas.
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Não vou aqui descrever os muitos casos que presenciei ou tomei conhecimento através de notícias vinculadas nos jornais e outros meios de comunicação. Um só exemplo para demonstrar aos que acreditam na vida após a morte: “Memórias de um Suicida”, um best-sellers da literatura espírita psicografada por Yvonne A. Pereira (foto a esquerda). O livro narra à história de Camilo Castelo Branco, um escritor português, ditado por ele mesmo.
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Aos sessenta e seis anos, o escritor tornou-se cego. O desespero fez com ele se desse um tiro na cabeça. O sofrimento do indigitado indivíduo no umbral foi terrível. Socorrido depois de se dar conta do erro cometido contra as leis da natureza (ou divinas), passou por um estágio de aprendizado e preparação para uma próxima reencarnação. Sua prova e expiação seria ficar cego na mesma idade em que desencarnou no pretérito e tentar ver no fim do túnel, uma solução para seu problema sem a opção do suicídio.
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Ao nos tornamos menos materialistas teremos uma visão mais aberta para a realidade que nos cerca e as soluções aparecerão com mais coerência e sabedoria. Allan Kardec nos deixou em seu “Suicídio e Loucura”, parágrafo 14 o seguinte texto: “a calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio. Com efeito, a maior parte dos casos de loucura é provocada pelas vicissitudes que o homem não tem forças de suportar. Se, portanto, graças à maneira por que o Espiritismo o faz encarar as coisas mundanas, ele recebe com indiferença, e até mesmo com alegria, os revezes e as decepções que, em outras circunstâncias, o levariam ao desespero, é evidente que essa força, que o eleva acima dos acontecimentos, preserva a sua razão dos abalos que o poderiam perturbar.”
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Sempre haverá uma luz no fim do túnel para aqueles que têm fé e perseverança. Não importa a situação.
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*J. MORGADO é jornalista, pintor de quadros e pescador de verdade. Atualmente esconde-se nas belas praias de Mongaguá, onde curte o pôr-do-sol e a brisa marítima. J. Morgado participa ativamente deste blog, para o qual escreve crônicas, artigos, contos e matérias especiais. Contato com o jornalista? Só clicar aqui:
jgarcelan@uol.com.br
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